O Regresso à aldeia de La Salle | by Rudolfix Miguezz

Rodolfo - 200A crónica seguinte tenta repor a verdade histórica sobre a aldeia de La Salle, onde irredutíveis Lusitanos resistiram à invasão e ocupação Romana, durante muitas Luas e Sóis, e por quem sois.

Consultados papiros de linho no arquivo histórico de Barce- Linhus e as notas do arquivo musical de Valha Dó Li, é agora possível repor a história com factos tão verdadeiros, que parecem mentira. Facto indesmentível é que a aldeia não suportou o cerco eternamente, mas também não abdicou do seu desígnio. Ora leiam:

Corria o ano de LXXIV do império Romano de Facius II. A aldeia Lusitana de La Salle em Abra Antes, permanecia inexpugnável, e os seus ocupantes dedicavam-se exclusivamente às tarefas diárias de adquirir conhecimentos, habilidades e valores morais, para levar e ensinar a outros povos.

Chefes, druidas e jovens alimentavam-se da poção mágica de transmitir e receber ensinamentos, fundamental mente pelo método convencional, complementado por vezes com uma “carolada”, método Paciente, ou com “chapadita” método Joaquim Xá Pad.
Ensaiou-se com êxito nessa altura um sistema inovador de transmissão de conhecimento, através do lobo frontal do cérebro. A matéria era introduzida na mioleira, dos mais distraídos com um giz manejado com perícia pelo druida João, carinhosamente conhecido por João o “DucK”. Quando o método não produzia resultado imediato, voava o apagador do quadro negro, o que, como resultados colaterais, provocava também, embora rara mente, algumas nódoas cinzentas.

As notas e nódoas eram assim positivas e a fama espalhou-se por todas as províncias, acorrendo à aldeia cem temas de jovens de todo o reino desejosos de adquirir e defender os valores humanistas de La Salle.

Defendiam também em paralelo valores competitivos em paralelas, no plinto, nos espaldares, nas argolas, no desporto com rodas, com bola, com água. Ficaram famosos os torneios sobre rodas, de balão ao cesto, de foot bal e também de matraquilhos. O espírito dos jogos era a bola e assim se inventou em La Salle, o “Spiribol”, disputado à volta de um totem.

Vindo de Florença, um Florentino, discípulo de Miguel Ângelo, introduz na aldeia, o gosto pelas artes e música.
Jovens bardos com musicalidade são ensinados a tocar bandolim, rabeca, sanfona, adufe, bombo, flauta, tamboril, sarronca ou bronca!
E nasce a Tuna e os Tunos cujos legados musicais viriam a subir em telhados para dar musica, e ocupariam os “hits” das paradas de todo o mundo.

Sucediam-se pois, mornos os Sóis da Prima Vera, quando na capital do reino um romano descontente, chamado Demo Cratus, toma o senado. Volatilizando um perfume inebriante adquirido da flor “Cravus Vermelhus”, espalha pelos ares uma poção cujos atributos punham os súbditos de nariz no ar, ao princípio sem cheirar sequer o que se passava.
Disperso e por cima dos muros chega de madrugada, como uma melodia, apanhando dez prevenidos sono e lentos àquela hora, os habitantes da aldeia. Não se resiste àquele novo e desconhecido perfume livre e intoxicante.

O Império Romano contra-atacou, a aldeia não claudica nem se rende, mas o estado das coisas é novo e trás mudanças.
O druida “Caldérix”, habituado a caldeiradas, tenta, num gesto de paz, distribuir poção mágica conciliadora, mas confuso, não consegue distinguir, romanos de não-romanos, não sabe a quem dar poção, ou não.
Desiludido, resolve afastar-se para um “retiro” daqueles que periodicamente se fazia na aldeia.
Outros druidas dedicam-se a outras causas do ensino, da cultura, ou do livre pensamento, na aldeia ou fora dela. A aldeia lusitana de La Salle muda de nome mas lá continua com o seu desígnio, ensinar.
Por lá continuarão filhos e filhos de filhos dos primeiros habitantes da aldeia.

Um dia e passados XIS anos do novo século, um novo senador romano, “Parcus Scolari”, manda pôr bandeiras em todas as janelas das aldeias de ensino. Quer demoli-las e construir novas, para dar trabalho aos artistas e artífices do reino.

Carlos I, manda tocar a rebate. O concelho de anciãos e de cidadãos lusitanos de La Salle, reúne em torno do grande chefe.

Asterix Vitix e Genius Marquês, reúnem logística e guerreiros. Desde Macau, e Barce Linhus, e dos mais recônditos lugares, chegam, depois de contactados pelo “faces look”, “gi mail”, “men sager”, “psst ó pá” ou outros modernos sinais de fumo. Do norte e de todos os quadrantes afluem a Abra Antes.

Torna-se necessário apagar a fogueira da ansiedade e saber o que fizeram á nossa aldeia.

O reencontro às portas da nova aldeia escola, agora baptizada de Manuel Fer de Nandes, é emotivo, as saudações sucedem-se, alguns já não se conhecem, outros são tirados pela pinta, outros estão na mesma!? Alguns guerreiros não despem logo a armadura e são difíceis de abraçar. Outros mesmo sem armadura exibem orgulhosos perímetros, e não se consegue dar-lhes a volta.
Sem parcimónia é utilizado um novo método de registo da cerimónia, de seu baptismo “Selfie”. Os druidas João o “Duck”, e Paulus mestre do cálculo, são dos mais “selfiados”.

Em acto solene, antigo colega, doutor físico e reverendo, trata da saúde das almas, dá bênçãos e graças por tão feliz reencontro. São lembrados os que não estão entre nós, ora-se pelos que mais cedo partiram. O local e alguns instrumentos de culto permaneceram miraculosamente, são ainda os da velha escola.

É hora de visita guiada pela nova aldeia. A vista continua grandiosa sobre o Tagus e os novos espaços são per…corridos, subidos e descidos em passo lento, que as escadas são altas e os degraus da vida, já são muitos. Apesar de atraídos pelo borboletário, já não é tempo de correr atrás de borboletas.

O tronco de cedro da árvore que à entrada nos acolhia e sombreava, permanece como símbolo de ligação entre o passado e futuro. Alguém se lembrou do seu significado, seria um Lassalista?

Entre incrédulos, indecisos, maravilhados, e outros estados de cansaço, muitos fazem naquele momento a sua reconciliação com a nova realidade e a nova aldeia escola. Jamais esquecerão a antiga. A nostalgia e saudade são latentes nos “velhos” guerreiros de La Salle. Fundações e pilares da fundação ficaram e perdurarão pelos tempos, nunca serão materialmente demolidas, muito menos nos corações dos Lassalistas

O sol vai alto e tratada a alma é tempo de tratar dos estômagos vazios. Nos campos de São Lourenço, com vista para Abra Antes, e lugar de outras épicas batalhas, os tachos estão ao lume e a mesa posta.

Em segredo e vindos directamente da “Reserva” três índios Apache, “Falcão Voador”, “Espi Nha Travessada” e “Bru Ges Calça de Sino”, de violas à bandoleira, e baterias apontadas à musica, pisam o palco. Veteranos de muitos desconcertos e concertos, afinam os primeiros acordes, e todos se consertam em comunhão Lassalista, nas mesas e bancadas do repasto.

Com os primeiros acordes, “Clavelito” e um copito, as canções fluem e a harmonia é completa. No auge a “maltidão” de lira e sonha à Sombra do “Apache”, dedilhado com mestria pelos nativos na “Reserva”.

Notáveis fundadores e os primeiros alunos da Aldeia de La Salle, Luiz de Gomez, Fonte Inha, Ri Cardo Aparicio, Nava Lho, e João Car Valho, são acarinhados e homenageados. As palavras ditas revelam os feitos heróicos, histórias, aventuras e gritos de guerra do passado. Mais uma vez antigos alunos Abrantinos desaparecidos, são recordados.

Neste tempo, outros Lassalistas fazem história. Minerius Aires é agora o grande chefe Bastonário da ordem da Engenharia, Recorda e lê os mandamentos da formação Lassalista, e revê nesses mandamentos o fundamento do sucesso da sua vida. É também assim com todos os Lassalistas.

Infelizmente sobre os céus de Barce Linhus pairam nuvens negras de pessimismo quanto ao futuro. Na capital do reino, outros senadores querem modificar os fundamentos do ensino particular e cooperativo.

Unamo-nos e partamos de novo para a luta sempre com La Salle.

A Praça la Salle, junto à antiga aldeia é também uma justa ambição de todos os Lassalistas que fazem votos de aí se encontrarem a cada 365 sóis.

Abra Antes 30 de Abril de 2016
Rudolfix Miguezz

(O texto pretende ser ligeiramente satírico, com algum rigor histórico, com pouco humor?!, mas, sem ser sério. As personagens são fictícias, a não ser que haja uma inexplicável coincidência, e alguém se sinta retratado!.)

Foto de cima:   Rudolfix Miguezz a ser condecorado pelo Sr. José de Sousa Falcão, um dos fundadores do Colégio La Salle.

Foto de baixo: vista aérea do Colégio La Salle de Abrantes

La salle colegio

 

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