Arquitectura | OODA: eles querem promover a marca “Oporto made” in Jornal “Público” (P3)

Trabalham juntos há cinco anos, fazem projectos para todo o mundo e vão abrir escritórios no Dubai e em São Paulo. Francisco, Rodrigo e Diogo são os arquitectos do OODA, finalistas do prémio ArchDaily com uma reabilitação urbana.

Texto de Ana Maria Henriques • 18/02/2015


No início, era um escritório na Baixa do Porto, 100 metros quadrados no meio da confusão dos bares e dos turistas. Foi aí que o P3 conheceu os três jovens arquitectos, há mais de dois anos. Rodrigo Vilas-Boas, 33 anos, Diogo Brito e Francisco Lencastre, ambos com 31, são sócios no OODA — Oporto Office for Design and Architecture. Hoje ocupam um edifício que já foi uma fábrica de massas e restaurante italiano, em Matosinhos, e têm como objectivo, lá fora, “promover a arquitectura ‘Oporto made’, quase como o ‘Swiss made’”. Na calha, está um novo escritório no Dubai e um projecto de grande escala na China.

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Sombras da infância na poesia de Moura Campos | por Adelto Gonçalves

 I

O poeta e crítico espanhol Carlos Bousoño (1923-2015), em Teoría de la Expresión Poética (Madri, Gredos, 1970), observa que a poesia deve passar ao leitor, por meio de palavras, um conhecimento de índole muito especial, ou seja, um conteúdo psíquico que na vida real se oferece como individual, como um todo particular, síntese intuitiva, única, daquilo que passa pela alma do autor. Isso não significa que a poesia deve ter rimas, ritmo, melopeia ou versos, pois nada disso a caracteriza. Caso contrário, sempre que estivéssemos diante de um texto em verso teríamos poesia, como observa o professor Massaud Moisés (1928-2018) em Dicionário de Termos Literários (São Paulo, Cultrix, 2005). E não é assim.

Lembra-se isto a propósito do livro do poeta Francisco Moura Campos (1942-2017), Refúgios do Tempo (Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2016), que reúne reminiscências do autor, ou seja, lembranças de sua vida em duas cidades do Interior do Estado de São Paulo (Botucatu e São Carlos) e na capital paulista, que marcam as três partes em que está dividido o volume. O lançamento deste livro ocorreu em novembro de 2016 e, a 14 de outubro de 2017, Moura Campos faleceu, vitimado por leucemia.

Nos 40 poemas que compõem a primeira parte do livro estão presentes reminiscências da infância e adolescência do autor em sua cidade natal, Botucatu, como as ruas, a casa da avó, os bares, as pescarias, os footings aos domingos à noite, especialmente aqueles que se passavam na Rua Amando, os jogos de futebol, em especial os da Ferroviária, o armazém de secos e molhados, uma viagem a São Paulo a fim de ver um São Paulo x Corinthians no estádio do Pacaembu e até uma homenagem ao professor que lhe ensinou a escrever e despertou sua vocação para a literatura.

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