E depois do confinamento? | Jorge Conde in Diário de Notícias

Obviamente, o confinamento está a melhorar a situação pandémica em Portugal. São residuais as opiniões dos que não concordam, nem concordaram, com a necessidade de um confinamento. Uma larga maioria da população cedo percebeu a sua inevitabilidade e tarde – mas antes tarde que nunca – o governo resolveu adotar esta medida que (já percebemos todos) é parte da solução para a redução do número de doentes por covid-19.

Planeámos mal e o excesso de confiança com que saímos do verão levou-nos a acreditar que o pior tinha passado. António Costa várias vezes anunciou que não voltaríamos a confinar… não podíamos… a economia não aguentava. Mas cá estamos novamente nesse confinamento tido como impossível.

A seu tempo a vacinação fará o seu papel, com alguns chicos-espertos a intrometerem-se na ordem estabelecida, e esperamos ter toda a população vacinada até ao final do ano.

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Socialismo na gaveta? | Pedro Marques in Diário de Notícias

Orescaldo das eleições presidenciais fez emergir uma interessante discussão no Partido Socialista relativamente ao seu posicionamento ideológico e à sua capacidade para integrar esse debate e a divergência de opiniões.

Se a discussão ideológica é particularmente salutar quando se aproxima o congresso, marcado para julho, as acusações de monolitismo e falta de liberdade interna são particularmente estranhas, tanto mais que os supostos representantes das correntes alternativas têm lugares relevantes na estrutura partidária, são membros do Governo ou foram indicados para cargos de destaque. Nada os tem impedido de apresentarem as suas posições, nem interna nem externamente, do mesmo modo que essas posições não foram obstáculo à sua escolha.

Estranha falta de liberdade e democracia interna esta, em que se pode discutir e divergir sem qualquer problema…

Convivem no PS diferentes linhas ideológicas. Acontece apenas que a linha maioritária entre militantes e eleitores do PS não é a que os críticos eventualmente gostariam. Estão no seu direito, mas isso não torna o PS menos democrático.
A linha atual – que é maioritária, tal como o foi na maior parte da história do partido – é a esquerda moderada, o centro-esquerda. Foi com essa linha ideológica que António Costa ganhou o PS e o Governo. É essa a linha que se mantém e foi sempre com ela que o PS ganhou o país.

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