FLOR DA LIBERDADE | Miguel Torga

mario-soares-d-rSombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós… Também nós… E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Miguel Torga

Selecção de Maria Isabel Fidalgo

Poème | Louis Aragon

aragon

 

 

 

 

Connaissez-vous l’île
Au cœur de la ville
Où tout est tranquille
Eternellement


L’ombre souveraine
En silence y traîne
Comme une sirène
Avec son amant


La Seine profonde
Dans ses bras de blonde
Au milieu du monde
L’enserre en rêvant


Enfants fous et tendres
Ou flâneurs de cendres
Venez-y entendre
Comment meurt le vent


La nuit s’y allonge
Tout doucement ronge
Ses ongles ses songes
Tandis que chantant


Un air dans le soir
Est venu s’asseoir
Au fond des mémoires
Pour passer le temps

Louis Aragon

O Tempo Histórico d’ O Ano da Morte de Ricardo Reis | Professor Carlos Reis

ricardo-reisPodemos dizer que o tempo histórico d’O Ano da Morte de Ricardo Reis corresponde ao período de entre duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45. Nesse tempo histórico o Estado Novo salazarista impõe-se como regime político com evidentes semelhanças com o fascismo italiano e mesmo com o nazismo alemão; ao mesmo tempo, a política do salazarismo apoia, ainda que de maneira discreta, os revoltosos que iniciaram a guerra civil espanhola.
Fala-se de tudo isto n’O Ano da Morte de Ricardo Reis. Através da ficção e de uma sua personagem atenta ao que se passa no mundo, José Saramago confirma que a literatura e o romance podem antecipar aquilo que, mais tarde, é já a história de um tempo ainda próximo de nós. Sendo Ricardo Reis quem é, a sua posição é a de alguém que observa, lê e ouve, parecendo manter-se passivo perante o tempo histórico, como se este o não afetasse. Ganham, assim, sentido duas das epígrafes do romance:
• Uma dela diz: “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, primeiro verso de uma ode do próprio Ricardo Reis .
• A segunda epígrafe é um prolongamento desta: “Escolher modos de não agir foi sempre a atenção e o escrúpulo da minha vida”, palavras de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego.

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Demain, dès l’aube… | Victor Hugo

victor_hugo-exileDemain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.

Selecção de Maria Isabel Fidalgo