QUAL A MINHA IDEIA SOBRE O MOVIMENTO DOS CAPITÃES? | Aniceto Afonso | In Blog “Fio da História”

anicetoEm 2010, fui convidado a participar numa Jornada de Estudos no ISCTE, sobre o tema “Militares e Sociedade, Marinha e Política”.

Apresentei uma comunicação sobre o Movimento dos Capitães e a forma como eu próprio via o aparecimento e o desempenho desse movimento.

O texto veio depois a ser publicado, pelo que destaco aqui apenas a sua primeira parte, como enquadramento da questão.

A primeira vez que me propus estudar este movimento como fenómeno social, fi-lo com o meu amigo, coronel e sociólogo, Manuel Braz da Costa, sendo o texto publicado na Revista Crítica de Ciências Sociais (CES, Coimbra), nº 15/16/17 de Maio de 1985, acessível on-line. 

Reformulado, este estudo foi depois publicado por Luísa Tiago de Oliveira em “Militares e Política – o 25 de Abril”, 2014.

Aqui fica, com um título um pouco diferente…

Após o 25 de Abril, os participantes do Movimento dos Capitães sabiam bem que o movimento era obra de uns tantos, e não de todos, nem sequer de muitos. A nossa lógica construiu-se em bases bem determinadas, mas nem sempre coincidentes. É certo que não ignorávamos a oposição ao regime, pois a história nos ensinava que ao longo da ditadura muitas vozes de militares se tinham levantado, sempre prontamente dominadas pela acção dos defensores do regime. Mas o que nos uniu, a um certo número de militares do Exército, foi a oposição à guerra, ou à forma de fazer aquela guerra, ou ao desprestígio das Forças Armadas (a que pertencíamos) por causa daquela guerra. Tudo começou com pequenos ou muito pequenos núcleos de oficiais que se atreveram (porque a necessidade era premente) a falar sobre a guerra e sobre o regime a propósito da guerra.

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Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial” | Continuação

fotocarlosmatosgomesAinda a propósito das efervescências patrioteiras a despropósito das responsabilidades do dr Mário Soares na descolonização.
Em primeiro lugar não foi o doutor Mário Soares que decidiu derrubar o a ditadura, nem terminar com o sistema colonial que após 13 anos de guerra não tinha outra solução que não fosse continuar a guerra.
Não foi o dr Mario Soares que decidiu o cessar fogo na Guiné, nem o estabelecimento de conversações com o PAIGC.
Não foi o dri Mário Soares que decidiu estabelecer ligações com a Frelimo, nem com os 3 movimentos em Angola. Foram alguns militares, entre os quais me orgulho de estar incluído.
Antes desses militares, os do 25 de Abril, já o professor Marcelo Caetano estabelecera conversações com o PAIGC em Londres, com o MPLA através de Paris e Roma, com a Frelimo através do engenheiro Jardim e de Keneth Kaunda.da Zambia (planos Lusaka).
Já vários generais conspiravam para derrubar Marcelo Caetano, Spinola, Kaulza de Arriaga, entre outros.
Mas, antes de tudo, já o doutor Salazar se tinha comportado com a estranha inação perante os massacres de Março de 1961, para se manter no poder e mais tarde, em Dezembro, deixaria os militares portugueses . abandonados na Índia.
Isto é, quanto a “traidores”, traidores a sério, chefes que traem os seus militares estamos conversados.

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ANGOLA | OS MASSACRES DE MARÇO DE 1961 | Os sinais que Salazar não quis receber | Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial”

carlosdematosgomesSoares e a descolonização. Circula por aí um texto de propaganda negra de pretensas afirmações de Mário Soares sobre a descolonização com o título de uma frase referente aos colonos: “Atirem-nos ao mar”, ou qq coisa do género, que há uns anos aparecia atribuída a Rosa Coutinho. O texto é uma manifestação de estupidez de quem os publica. Acreditar que algum dirigente político faça uma afirmação daquelas em público é estupidez, ninguem faz. Tive divergências políticas sérias com a forma como as opções políticas do doutor Mário Soares após o 25 de abril, mas há a verdade, a descolonização tem outro responsável.  Tentar que alguém acredite é tomar os outros por estúpidos. Agora o que é verdade é que Salazar sabia que os massacres de Março de 1961 iam ocorrer naquela data e nada fez. E isso sim é verdadeiramente criminoso. Eu e o Aniceto Afonso publicámos o seguinte texto na obra “Os Anos da Guerra Colonial” – Edição QuidNovi Porto 2010 com 9 (Nove) notícias do que ia acontecer e que eram do conhecimento do governo de Salazar, que não agiu.

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