Está aí a reforma eleitoral | José Ribeiro e Castro in Jornal “i”

Com a petição pública “Legislar o poder de os Cidadãos escolherem e elegerem os seus Deputados”, está finalmente em cima da mesa a reforma eleitoral. Agora, já podemos tomar posição e puxar o tema para o centro dos debates da Assembleia da República.

petição, lançada pela histórica SEDES e pela APDQ, outra associação cívica mais recente, contém um projecto de lei cuja adopção muda para melhor, num instante, o sistema eleitoral português. Além de podermos escolher os partidos ou coligações da nossa preferência, determinando a proporção das representações parlamentares, passaríamos a eleger também os deputados que representam os territórios de maior proximidade e a influenciar o processo de escolha dos demais. Com esta lei, que concretiza plena e rigorosamente a Constituição, deixará de haver deputados mais dependentes dos directórios que do eleitorado. Entraremos numa democracia de qualidade e a abstenção cairá, de imediato, para perto dos 20% ou menos ainda.

Estamos à espera de quê?

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O Bochechas, a descolonização e nós | José Ribeiro e Castro in Jornal “Público”

ribeiro1. O falecimento de Mário Soares era notícia esperada. Sabia-se da fragilidade da sua saúde, desde que, há um ano, desaparecera da televisão — Mário Soares foi figura pública, activa e opiniosa, até ao último dia que lhe apeteceu. Após o recente internamento, esperava-se a qualquer momento. Foi sem surpresa que soubemos e até com algum alívio: o alívio que reservamos aos que estimamos — por se abreviar o sofrimento próprio, dos familiares e amigos mais próximos.

Na voz popular, “morreu o Bochechas”. Peço licença, com a mesma irreverência com que ele sempre lidou com os poderes e os mitos, para usar o cognome por que a generalidade dos portugueses o conheceu. Expressão de bom humor, era sinal de carinho e não de sarcasmo. Também se riu disso. Esse cognome e o sorriso cúmplice abraçam o essencial da razão por que o rodeia na hora da morte uma quase unanimidade. É um eco, novo e refrescado, da quase unanimidade que marcou a reeleição presidencial em 1991. Explica que ele tenha inaugurado, como mais ninguém poderia ter feito, aquela expressão e ideia que, desde então, nunca mais se apagou: “o Presidente de todos os Portugueses”. E é o eco popular da excepcionalidade de estatuto que, progressivamente, lhe foi sendo reconhecida.

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