O espectro de uma ideia que mudou o mundo | Karl Marx | MANUEL CARVALHO, 5 de Maio de 2018 in Jornal “Público”

A leitura que Karl Marx fez do capitalismo e o programa de acção que propôs para o demolir mudaram o curso da História. Para o bem? Para o mal? Dos regimes brutais que se serviram das suas ideias à apologia da sua mensagem libertadora, que sentido faz Marx hoje? A crise de 2007, a desigualdade crescente ou o gigantismo de empresas como a Google podem ressuscitar a sua crítica do capitalismo? Karl Marx nasceu há 200 anos.

 Os últimos dias de Fevereiro de 1848 Paris entrou em estado de sítio. Soldados em parada ousaram vaiar o rei Luís Filipe, milhares de operários e estudantes tomaram as ruas de assalto, montaram barricadas, afrontaram as classes médias, determinaram a demissão do primeiro-ministro (Guizot), ousaram reclamar o poder e logo a seguir ditaram a abdicação do monarca e a criação da Segunda República. Não foi coincidência, mas por esses dias tumultuosos, a 24 de Fevereiro, Karl Marx publicava o Manifesto Comunista que parecia adivinhar e explicar a insurreição de Paris. “Um espectro assombra a Europa… o espectro do comunismo”, lia-se na primeira linha do Manifesto. A França habituada aos tumultos revolucionários acabaria por derrotar os sublevados e na verdade Marx já não era vivo quando, em Outubro de 1917, a sua deixou de ser sombra para se tornar realidade nas ruas de Petrogrado (São Petersburgo). Pela primeira vez, um projecto de comunismo estava em execução.

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MANUEL CARVALHO DA SILVA | Agressões escondidas

mcdasilva(…) trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”.

O que esta semana se escreveu e disse sobre o Orçamento do Estado (OE), analisado por especialistas ou explicado pela ministra das Finanças e pelo primeiro-ministro, trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”. E explica: não é capaz de respeitar novas realidades do Mundo, nomeadamente geoestratégicas; mente ao afirmar a possibilidade de universalização do estilo de vida que propagandeia como modelo; intervém unilateralmente e na base de pressupostos feitos de mentira e agredindo brutalmente milhões de pessoas. Também o Governo PSD/CDS se foi apurando como viciado compulsivo da dissimulação, da manipulação e da mentira.

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