UM PAÍS QUE SE AUTODERROTA | Pedro Adão e Silva | in Jornal Expresso de 31/12/2020

Primeiro era o plano que não existia e as vacinas que não iam chegar. Depois, era a impreparação generalizada do país para administrar vacinas. No dia em que a vacina chegou, o problema passou a ser distinto: em lugar de um diretor do serviço de doenças infectocontagiosas de um dos maiores hospitais do país, o primeiro vacinado deveria ter sido outro.

É um padrão conhecido. Um país que desconfia, que se autoderrota, mesmo contra as evidências, e que aguarda com entusiasmo provinciano que as coisas corram mal.

Esquecemos com isso que nenhum país estava preparado para lidar com esta pandemia e que em todos os casos foram cometidos erros. Muitos erros, aliás. Mas, tendo em conta o que já percorremos, há motivos para nos congratularmos com a resposta que os serviços públicos portugueses deram às solicitações dos cidadãos: a segurança social que teve de processar centenas de milhares de pedidos de lay-off, enquanto os seus funcionários estavam em teletrabalho; o ensino que teve de se adaptar às aulas à distância; os lares, geridos numa combinação singular entre recursos públicos e boas vontades particulares, que se adaptaram a situações limite; e o Serviço Nacional de Saúde, que conseguiu lidar com uma pressão que se anunciava ingerível.

Temos níveis de cobertura de vacinação, por exemplo de sarampo e rubéola, superiores a 95%. Alguma coisa teremos feito bem.

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