JESUS – UM BREVE ROTEIRO HISTÓRICO Reinaldo José Lopes

O milagre da multiplicação dos livros sobre a figura histórica de Jesus já virou uma das tradições da Semana Santa. No entanto, não é fácil achar uma obra com essa temática que se disponha a começar do começo, explicando as bases dessa área de pesquisa, em vez de expor uma nova hipótese bombástica sobre o Nazareno. Para quem quer dar os primeiros passos nessa discussão, um livro recém lançado por um historiador brasileiro pode ser útil.

“Jesus – Um Breve Roteiro Histórico para Curiosos” é a primeira obra escrita sobre o tema por Alex Fernandes Bohrer, professor do IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais) e especialista em história da arte. Com uma estrutura simples, a partir de capítulos em formato de perguntas —“Oque é a Bíblia?”, “Como foi a infância de Jesus” etc.—, a obra busca explicar, com considerável sucesso, o que os historiadores sabem sobre Cristo e sobre as origens do cristianismo.

Pintura de Matthias Grunewald, representando a morte e o sepultamento de Jesus Cristo

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A exuberância do riso | Manuel S. Fonseca

As saudades que eu já tinha deste sol maluco e do riso desaustinado destes candengues. Estes candengues vivem perto de uma praia ao sul de Luanda. São, segundo informação do fotógrafo, LQ Geor, filhos de pescadores. Foi, confessa ele, a exuberância do riso deles que cativou o olhar do fotógrafo.

A minha legenda? Brinca na areia.

E a tua?

Retirado do Facebook | Mural de Manuel S. Fonseca

Há 2021 anos | Paulo Mendes

Há 2021 anos, um judeu marxista foi torturado e cruxificado por uma potência imperialista por causa da uma mensagem revolucionária de igualdade e fraternidade entre os homens. Nos 20 séculos a seguir, esta mensagem foi sistematicamente expurgada do seu teor político de justiça social e igualdade, e vendida aos pobres como uma treta pseudo-espiritual de defesa da resignação para com as injustiças dos poderosos em troca de um reino imaginário após a morte, pela mais antiga, mais pérfida e bem sucedida corporação empresarial da História.

Esta corporação, 20 séculos depois, é gerida por um pequeno e geriátrico grupo de homens brancos que entretanto justificaram a acumulação de riqueza por tiranos, o genocídio de indígenas, o femicídio da inquisição, a escravatura, o holocausto e sujeitaram milhares de crianças a seu cargo aos mais horríveis crimes sexuais causados pelos seus juramentos de celibato forçado, que por sua vez derivam da necessidade que a corporação tem, ainda hoje, de proteger a propriedade acumulada, limitando o direito sucessório dos seus agentes comerciais que vendem a palavra adulterada daquele revolucionário judeu palestiniano.

Feliz Páscoa a todos e vivam os judeus revolucionários e os seus filhos que ainda hoje fazem, sempre que podem, a cabeça em água aos poderosos deste mundo.

Paulo Mendes

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

PENSÃO CENTRAL – CENÁRIO DA MINHA INFÂNCIA | Carlos Fino

Em pleno centro de Fronteira, a dois passos da imponente Igreja Matriz mandada construir por D. Sebastião em 1571, aquele velho casarão de dois pisos da rua da Lagoa sempre teve localização privilegiada para o negócio que os meus avós maternos – Mané da Rôla e António Rita –  nele montaram no começo do século passado: “Pensão Central – quartos e refeições”, conforme informava a tabuleta – hoje desaparecida – pendurada na fachada.

Eu e as minhas duas irmãs – a Cândida e a Anabela – morávamos com os pais e os avós paternos no começo da rua de São Miguel, junto aos Correios, já no início do declive que desce para a ribeira. No entanto, muitas vezes, atravessando o adro, íamos comer à Pensão, onde a avó Antónia sempre tinha alguma coisa apetitosa preparada para nos dar. Tanto bastou para que logo fossemos crismados: “Olha, lá vão os austríacos…” – diziam com sarcasmo, comparando-nos aos jovens refugiados da segunda guerra que haviam sido acolhidos por algumas das famílias mais ricas da vila. Ninguém escapa, no Alentejo, à crisma do povo…

Na inocência desprevenida da nossa primeira infância, esses comentários não nos afetavam minimamente – para a minha mãe era um alívio poder de vez em quando folgar de fazer comida e para a minha avó uma satisfação ter os netos reunidos debaixo da sua asa.

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Passo e fico, como o Universo. Fernando Pessoa

Ah! querem uma luz melhor que a  do Sol!

Querem prados mais verdes do que estes!

Querem flores mais belas do que estas que vejo!

A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.

Mas, se acaso me descontentam,

O que quero é um sol mais sol que o Sol,

O que quero é prados mais prados que estes prados,

O que quero é flores mais estas flores que estas flores –

Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Sim, choro às vezes o corpo perfeito que não existe.

Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver.

E o resto são os sonhos dos homens,

A miopia de quem vê pouco,

E o desejo de estar sentado de quem não sabe estar de pé.

Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.

E como a alma é aquilo que não aparece,

A alma mais perfeita é aquela que não aparece nunca —

A alma que está feita com o corpo

O absoluto corpo das cousas,

A existência absolutamente real sem sombras nem erros,

A coincidência exacta e inteira de uma cousa consigo mesma.

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Alberto Caeiro

In Poemas Inconjuntos

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001

Imagem: Themistokles von Eckenbrecher

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CES MONTAGNES À JAMAIS | Joe Wilkins | par Hanane Trinel Ourtilani

Les jours de ce mois d’avril risque de se rallonger avec un confinement qui n’en est pas vraiment un, enfin confusion et restrictions et besoin que le moral remonte en flèche, … j’attendais avec impatience en avril une avalanche de polars, dont un grand nombre seront chroniqués ici … dès que je les aurais lus, bien sûr, le polar et moi , c’est toute une histoire ! En attendant, voici ceux que j’ai apprécié 😊

Sortir de sa sphère de contact, être déstabilisé par une intrigue, la réaction d’un personnage, ou même changer carrément de décor, se plonger dans un futur imaginaire et imaginé, pour se poser des questions, avancer ou juste s’amuser.

Dans cette dernière catégorie, au rayon Angoisse, La maison à Claire-Voie de Brice Tarvel (Zinedi) est un recueil de nouvelles dont la précision d’écriture fait monter sans cesse la tension.

Au rayon Anticipation, Cinquante-trois présages de Cloé Mehdi (Seuil) démontre la talent de cette jeune auteure qui, après nous avoir expliqué l’avènement d’une Multitude de divinités, nous présente une de leurs messagers avec toutes ses difficultés spirituelles et matérielles. Ce roman nous offre la possibilité de réfléchir à la fois sur les pauvres et leur manque d’espoir mais aussi sur la religion et son devenir, ce qui en fait un roman puissant.

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