MEIA CONFISSÃO | Maria Helena Ventura

Nunca poderás saber

como te espero e sinto

ou como vou desconstruindo

os dias

abraçada ao teu silêncio.

Bordo segredos limpos

no peito das horas despidas

sim

mas nem por palavras

poderei dizer-te como a alma

sente o lápis da emoção

e sinto.

a riscar: flores ou névoa.

Deste intervalo breve

olho o fumo do cigarro

que esbarra no meu desenho

o teu perfil

certa de que nunca

saberás sequer como

entre dois mundos

arquivo dias inteiros

dentro de mim

onde a fronteira entre nós

se dilui.

Nem terei forma de

embrulhar este vaso

de ternura sem retrocesso

que escorre

do fundo da alma

cantata de Bach

que te pudesse oferecer

ou poema de seda

pronto a vestir

em húmida noite de amor.

Resta-me a cronologia

do silêncio

a certeza como lâmina

aguçada:

nunca poderás saber

da rosa púrpura

desfolhada na pele

destas palavras

nuas e quentes

em que te espero

Maria Helena Ventura – CURRICULUM

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