AS MONTANHAS | António Galopim de Carvalho

Um dos problemas que, durante mais tempo, intrigou filósofos, naturalistas e, mais tarde, geólogos, foi, sem dúvida, a formação das montanhas. O árabe Avicena, no século X, afirmava que um tremor de terra elevava o solo, podendo criar uma montanha. Dois séculos mais tarde, Alberto, o Grande, admitia que o calor libertado pelo interior da Terra erguia o relevo, fazendo nascer as montanhas. No século XV, Leonardo da Vinci afirmava que os fósseis encontrados nas montanhas eram restos de seres vivos depositados no fundo do mar, no que foi corroborado, dois séculos depois, pelo dinamarquês Nicolau Steno, dando, assim, corpo a uma ideia vinda da Antiguidade. Com efeito, para o geógrafo grego, Estrabão (63 a.C. – 24 d.C.) e numa notável antecipação, a existência de conchas marinhas, nas camadas rochosas das montanhas, eram prova da formação destas a partir da elevação de materiais acumulados no mar. Parecia, pois, evidente, que as montanhas eram porções da crosta terrestre soerguidas muito acima da superfície geral do planeta.

Que forças colossais poderiam ter elevado tão extensas e volumosas porções de crosta? Era a pergunta que não tinha e, durante muito tempo, não teve resposta. Uma outra interrogação, à época, era suscitada pela ocorrência de camadas de rochas, que se sabia serem rígidas, mas que se apresentavam intensamente dobradas, testemunhando uma plasticidade que, aparentemente, não têm.

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DIA MUNDIAL DA VOZ | Vítor Serrão

Porque hoje se assinala o dia em que se celebra a importância da voz e se avisa para os cuidados preventivos que ela impõe, recorro a um belíssimo quadro de Diego Velázquez, de 1619, exposto na Gemaldegalerie de Berlim.

O pintor, ainda à data estante em Sevilha mas já conhecedor das novas tendências caravagescas, desenvolve nesta tela precoce o apreciado «gosto costumbrista», próprio da pintura flamenga de género, mas visto à luz do novo naturalismo tenebrista que desde Itália se impunha.

Três músicos populares, de forte tónus realista, reunem-se em torno de uma mesa onde há pão, queijo e vinho, e cantam e tocam o seus instrumentos, confraternizando com os nossos olhares contemporâneos. E que vivam a música, a palavra e a voz, sempre !

Retirado do Facebook | Mural de Vitor Serrão | Quadro de Diego Velásquez