PERMANÊNCIAS | Vítor Serrão

Na entrevista de Luís Miguel Cintra saída ontem no Expresso, o actor narra uma conversa com Manoel de Oliveira onde o cineasta lhe disse: «Sabe como é a morte ? A pessoa deita fora o último suspiro, é o espírito que abandona o corpo.

O corpo morre completamente, é lixo, mas o espírito sai e mistura-se com o espírito universal.

É como os rios, que perdem o seu carácter quando chegam ao mar. Mas fazem parte dele, e ele é igual em toda a parte». Conclui Cintra (que é crente): «Esta explicação é aquela que, usando conceitos nossos, humanos, me pareceu a melhor».

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DIA MUNDIAL DA VOZ | Vítor Serrão

Porque hoje se assinala o dia em que se celebra a importância da voz e se avisa para os cuidados preventivos que ela impõe, recorro a um belíssimo quadro de Diego Velázquez, de 1619, exposto na Gemaldegalerie de Berlim.

O pintor, ainda à data estante em Sevilha mas já conhecedor das novas tendências caravagescas, desenvolve nesta tela precoce o apreciado «gosto costumbrista», próprio da pintura flamenga de género, mas visto à luz do novo naturalismo tenebrista que desde Itália se impunha.

Três músicos populares, de forte tónus realista, reunem-se em torno de uma mesa onde há pão, queijo e vinho, e cantam e tocam o seus instrumentos, confraternizando com os nossos olhares contemporâneos. E que vivam a música, a palavra e a voz, sempre !

Retirado do Facebook | Mural de Vitor Serrão | Quadro de Diego Velásquez