INCOMODIDADES NEOLIBERAIS | por J. Manuel Correia Pinto (Jurista)

«Tanto os neoliberais como os seus aliados ostensivos ou envergonhados ficaram muito incomodados por Trump em quatro anos de mandato do Estado militarmente mais poderoso do mundo não ter desencadeado nenhuma guerra, ter acabado com outra que durava há dezassete anos, ter estabelecido relações cordiais com a Rússia e a Coreia do Norte, ter considerado a OTAN uma aliança anacrónica e sem futuro e ter ridicularizado a pseudo esquerda, politicamente correcta, que se abriga no Partido Democratico, pela defesa de causas imbecis que nada interessam ou até são rejeitadas pela maioria da população americana marginalizada e afectada pela política neoliberal.

A guerra na Ucrânia permitiu aos neoliberais que dominam a OTAN recrudescer a política belicista e expansionista da Organização, cercear drasticamente as liberdades públicas, proibindo e eliminando fontes de informação alternativas, criar por via das suas centrais de intoxicação um clima maniqueísta que faz com que imediatamente sejam associados aos “maus” todos aquele que apenas visam dar uma informação isenta tanto das causas do conflito como do seu desenvolvimento, impedindo a apresentacão ao público de uma informação plural e digna .

Os “moralistas” da guerra na Ucrânia são os aliados objectivos da OTAN, também de Zelensky e da sua camarilha. Impossibilitados pela sua “formação moral” de apoiar, justificar ou apenas compreender a acção da Rússia, aliam- se à OTAN, a Biden e a Ursula na diabolização de Putin e da sua ditadura (uma ditadura em que os potencialmente mobilizáveis para a guerra, que a ela se opõem ou nela não querem participar, puderam cruzar livremente as fronteiras do país, abandonando-o de carro).

São estes mesmos amigos da OTAN que nos países de que são nacionais não imputam aos seus governantes a responsabilidade pelas dificuldades por que a Europa está passando com uma inflacção altíssima que faz recair o grosso dos seus custos económicos e sociais sobre os trabalhadores e de um modo geral sobre todas as pessoas se baixos rendimentos.

A pseudo esquerda europeia que vai desde os auto intitulados marxistas críticos, aos trotskistas, aos defensores de causas marginais, aos verdes e aos que lutam pela “personalização” dos animais é, a maior parte dela, absolutamente incapaz de erguer a sua voz contra esta política que destrói a Europa.

A torna vassala de interesses alheios, afecta a classe média, e acima de tudo arruína o presente dos titulares de mais baixos rendimentos e hipoteca ou inviabiliza mesmo a possibilidade de um futuro digno para os seus descendentes.

Tudo isto em consequência de uma política autopunitiva, decidida e posta em prática à margem da intervenção popular, que remete a Europa para uma posição de vassalagem política e económica que levará necessariamente à sua secundarizacao no concerto das Nações

Essa esquerda moralista, aliada objectiva do belicismo da OTAN e da voragem neoliberal, nem uma palavra de condenação ou de contestação profere, corroborando com o seu silêncio cúmplice a acção política dos verdadeiros mandantes dos quais nunca se demarca por a tanto a impedir a “moral” que pauta o seu comportamento.

Uma “moral” que rejeita condenar esta política mas que aceita sem sobressaltos morais as suas consequências.»

José Manuel Correia Pinto | 18/10/2022

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