DEMOCRACIA | José Manuel Correia Pinto

É hoje do conhecimento geral que a entrada da União Europeia na guerra na Ucrânia, a mando dos Estados Unidos, está destruindo as economias dos países europeus, principalmente dos mais desenvolvidos, com efeitos devastadores nos demais dada a íntima ligação das suas economias. É um mal que não se cura com o tempo. Pelo contrário, tornar-se-á tanto mais grave quanto mais tempo passar .

Este alinhamento da União Europeia e dos seus Estados membros com a política americana levou a que os custos da guerra não apenas em armamento, em si brutais, mas também nos auxílios da mais diversa natureza, sejam, sem retorno econômico, suportados pelos europeus. Se a isto juntarmos as consequências decorrentes da estúpida política das sanções “decretadas” pela União Europeia e respectivos Estados membros contra Russia, cujos efeitos devastadores recaem sobre os próprios Estados Europeus sancionadores, temos aquilo a que se pode chamar a mais perfeita auto-destruição de uma zona de conforto e bem estar invejável aos olhos da esmagadora maioria da população deste planeta que pelas mais variadas razões e causas não pode gozar de idêntica situação

Se a isto ainda acrescentarmos a inoperância da fúria sancionatória contra os seus destinatários bem como o seu efeito reflexo positivo para a política imperialista americana que por esta via reforça a seu poder hegemónico sobre um dos seus principais concorrentes a nível mundial e se nos lembrarmos que todas estas consequências eram previsíveis e antecipaveis, como se demonstra por uma simples consulta ao que nas redes sociais se foi escrevendo sobre o assunto antes iniciada a guerra bem como logo que se começaram a esboçar as principais linhas políticas norteadores da política europeia, a pergunta que inevitavelmente terá de ser feita é esta:

Quem autorizou os governantes europeus a actuar no sentido indicado? Como se pode legítimar uma política de tão funestas consequências para os povos europeus?

A resposta é aparentemente muito simples: mediante a criação de um clima emocional orquestrado por toda a comunicação social apoiada em falsas ou unilaterais notícias e imagens bem como pelo massacre diário de comentadores imbuídos das mais diversas fobias com vista a criação e exploração emocional de um ambiente maniqueísta como fonte legitimadora substitutiva da vontade popular

A isto se chama DEMOCRACIA , tida, neste ocidente em que a UE se integra, como conceito valorativo impositivo universal

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