Feminismo | Ruth Bader Ginsburg | Maria João Pessoa

Quando a Ruth Bader Ginsburg era a única e a primeira mulher em tanta coisa. Quando a Ruth sabia que outras mulheres existiam anonimamente a serem a primeira e única em coisas tão simples como serem as pioneiras a fazerem um relatório financeiro na sua empresa, digno de merecer uma promoção, um aumento, um respeito. Quando a Ginsburg tinha em mente que jovens raparigas eram violentadas no seu corpo e na sua mente, ela sabia que tinha que chegar primeiro que homens aos lugares de decisão.

“Women belong in all places where decisions are being made. It shouldn’t be that women are the exception.”

A América, o mundo e eu acordamos com a sensação que morreu uma das feministas mais poderosas da sociedade contemporânea. Que é uma perda trágica. Que dadas as circunstâncias, estamos perdidas. A morte de Ruth Bader Ginsburg, a corda que parecia segurar a agora frágil democracia americana, parece abrir caminho a uma maioria conservadora que pode fazer recuar anos de progresso e engavetar o trabalho e mudanças e leis que, tanto a Ginsburg como milhares de mulheres americanas, lutaram para ser realidade e constância.

“I would like to be remembered as someone who used whatever talent she had to do her work to the very best of her ability.”

Não sou assim tão pessimista. O mundo sempre foi feito de Ginsburgs. De mulheres que não se envergonham de estar entre homens de gravata. Que ousam levantar-se. Que se atrevem a dizer. Que têm força e fúria para bater na mesa. Que vão contestar o status quo patriarcal até aos 87 anos. No dia seguinte a uma das mulheres mais inspiradoras que podemos olhar ter desaparecido, é por demais importante olharmos, não para os últimos dias dela, mas para os primeiros. É importante perceber que portas a Ruth teve que abrir para fazer o que fez e não olhar para as portas que agora se parecem fechar. Se o medo que a morte de Ginsburg traz serve para alguma coisa, é para trazer força para fazer levantar outras mulheres. Mulheres maduras que já trabalham por nós sem as vermos diariamente. Jovens mulheres. Mulheres destemidas. Mulheres que estão no meio de homens a lutar por mim e por ti e por ela mesma.

Vamos ser a primeira e não a única a prosseguir os ideais da Ruth e a levantar sem medo nas reuniões, a gritar nas manifs, a informar-nos melhor, a influenciar ainda mais outras, a inspirar meninas e meninos nas escolas e nas casas e na rua, a ser donas do nosso corpo, a ser livres e ousadas na nossa palavra. Borremo-nos de medo enquanto tiramos fotografias para a posteridade com homens. Mas que essas fotos sejam mesmo tiradas e que no futuro saibam que mesmo com medo, fomos.

“Fight for the things that you care about, but do it in a way that will lead others to join you.”

Notorious RBG

Retirado do Facebook | Mural de Maria João Pessoa

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