Paulo Raimundo, o homem dos vários ofícios que chega a secretário-geral do PCP | in Lusa

A infância foi passada entre a vivência “de rua” e a acompanhar a mãe nos trabalhos na agricultura, nas limpezas e nas obras. Aos 46 anos é o novo líder do PCP, partido ao qual se juntou em 1991, aquando da implosão da União Soviética.

Paulo Raimundo entrou para os órgãos diretivos mais restritos do PCP no último Congresso, em 2020, e exerceu vários ofícios que o ligam ao mundo do trabalho, substituindo, aos 46 anos, Jerónimo de Sousa na liderança do partido.

Nas notas biográficas divulgadas pelo PCP, destaca-se que o dirigente comunista “começou como carpinteiro, foi padeiro e animador cultural na Associação Cristã da Mocidade na Bela Vista”, realidades que “lhe permitiram medir o pulso às “contradições do dia-a-dia”, como os baixos salários, a exploração e a precariedade, mas também a “camaradagem e solidariedade” entre os trabalhadores.

A divulgação do nome proposto para secretário-geral, depois de uma “auscultação” às estruturas comunistas, foi feita pelo gabinete de imprensa do PCP em comunicado ao início da noite de sábado e causou alguma surpresa já que Paulo Raimundo é conhecido nas bases do partido mas relativamente desconhecido na esfera mediática.

Num comício comemorativo dos 101 anos do PCP, no início do ano, fez uma intervenção com o título “a força organizada dos trabalhadores é capaz de tudo” e pronunciou-se contra o aumento do custo de vida, da alimentação à energia, que atribuiu a uma “autêntica pilhagem liberal que há muito está em curso”.

O dirigente aderiu à JCP em 1991, e ao PCP em 1994, passando a funcionário dez anos depois. Apenas dois anos depois de se filiar, é eleito membro do Comité Central e e 2016 sobe ao Secretariado. Em 2000, no XVI Congresso, em 2020, é eleito para a Comissão Política do Comité Central comunista, acumulando a presença nos dois órgãos mais restritos da direção, ao lado de nomes como Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, Jorge Cordeiro e José Capucho.

Raimundo nasceu em Cascais, no distrito de Lisboa. Os pais, naturais de Beja, trabalhavam como funcionários do Estoril Futebol Clube quando nasceu e viviam nas instalações do clube, de acordo com os dados disponibilizados pelo partido.

Com três anos, foi viver com os pais para Setúbal, onde frequentou a Escola Primária do Faralhão, na freguesia do Sado, uma escola construída em pleno período revolucionário. A infância foi passada entre a vivência “de rua” e a acompanhar a mãe nos trabalhos na agricultura, nas limpezas e nas obras. Houve momentos em que chegou a trabalhar com a mãe na apanha do marisco, relata o PCP.

O 5.º e 6.º anos foram concluídos graças à telescola, mas foi na Escola Secundária da Bela Vista, por altura do seu 10.º ano, que contactou com a política como integrante das listas para associação de estudantes. Acabou o 12.º ano à noite já como trabalhador-estudante.

Já com o serviço militar obrigatório concluído, em Vila Nova de Gaia e no Porto, em 1991 Paulo Raimundo “desperta para a política partidária e junta-se à JCP”. Quatro anos depois já figura no quadro de funcionários da juventude comunista, onde também progrediu até à direção nacional, comissão política e secretariado.

No último congresso, em novembro de 2020, foi reeleito para os três principais órgãos da direção do PCP.

Juntamente com Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, Jorge Cordeiro e José Capucho, Paulo Raimundo era um dos poucos militantes a acumular funções nos órgãos mais restritos da direção comunista – Comissão Política e Secretariado.

Paulo Raimundo, casado e pai de três filhos, foi também eleito na Assembleia Municipal de Setúbal, cidade onde cresceu.

O futuro secretário-geral do PCP é apresentado pelo partido como um dirigente que “associa qualidade humanas próprias a uma experiência densa e diversificada”, um trabalho político de proximidade com todas as estruturas do partido, desde a juventude comunista aos órgãos mais circunscritos da direção.

O PCP descreve o militante de há quase três décadas como um homem com “um percurso de vida dedicado à defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo português, por um Portugal com futuro, pelo ideal e projeto comunistas”.

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