Operação Militar da Rússia na Ucrânia | Raul Luís Cunha

Nos oito anos anteriores à Operação Militar da Rússia na Ucrânia, o exército ucraniano estava a combater activamente no Donbass, tendo sofrido por vezes alguns cercos e revezes e tendo experimentado muitas outras situações menos agradáveis. Durante esses oito anos (sobretudo nos primeiros), as Forças Armadas da Ucrânia cometeram a maioria dos possíveis erros numa guerra em todos os níveis de comando do exército, mas foram igualmente rápidas em corrigi-los. Todo esse processo decorreu com a participação activa de conselheiros e instrutores da OTAN, bem como com o apoio financeiro e logístico do Ocidente. De facto, no início da invasão russa, o exército ucraniano estava quase no auge das suas capacidades. Pode ainda ser dito, que desde o início da invasão, as FA ucranianas também ganharam mais experiência, mas não melhoraram muito mais, pois as suas capacidades já estavam quase no limite.

Por outro lado, o exército russo, iniciou o combate na Ucrânia sem nenhuma experiência em operações de combate em larga escala contra um adversário possuidor de elevada tecnologia. A experiência tida na Síria não foi essa: Aí, os oponentes não estavam tão evoluídos em termos de armamento e tecnologia, e as funções da infantaria do lado russo foram desempenhadas e a respectiva experiência foi obtida, principalmente pelas forças mercenárias Wagner e não pela infantaria regular. Somente com o início da operação militar na Ucrânia resultaram óbvias as falhas a todos os níveis nas Forças Armadas Russas. Falhas na logística, falhas no comando das tropas e na coordenação entre os ramos das forças armadas, e ainda o facto de as tácticas de combate estarem ultrapassadas para as condições actuais. Mau grado um bom desempenho ao nível da arte operacional, muitos outros erros e problemas foram evidenciados logo no início da operação militar.

Agora, esses erros estão a ser corrigidos. Lentamente, mas finalmente, começaram a sê-lo. Se essa tendência continuar (e penso que continuará), muito em breve o exército russo será uma organização bem diferente para melhor, com componentes mais adequadas, tanto na qualificação do seu pessoal como no equipamento técnico – veja-se, por exemplo, a sua rápida evolução no emprego dos ‘drones’ em toda a multiplicidade de tarefas que estes podem e devem desempenhar.

Por outras palavras, o exército ucraniano entrou nesta moderna guerra no auge das suas capacidades e o exército russo estava num nível inferior em termos de adequação táctica e da actualidade das suas possibilidades, que só foi compensado devido à qualidade da sua manobra. Considerando que, de momento, as Forças Armadas da OTAN e as Forças Armadas Russas parecem ser oponentes que se equivalem no campo de batalha, se o exército russo continuar a desenvolver e a desbloquear o seu potencial, a determinada altura poderá estar a um nível superior e isso ainda não será o limite do seu desenvolvimento. Para esse efeito, terão de continuar a corrigir os erros e os problemas terão de ser admitidos para que sejam solucionados correctamente e com presteza, e eu penso que estão a proceder deste modo.

Conforme a minha condição de militar ocidental e apesar de reformado, exorto os meus camaradas no activo em Portugal e nos outros países da OTAN, a acompanharem, com isenção e sem arrogância (uma infeliz característica dos anglo-saxões), o conflito que está a decorrer, que estudem e analisem as tácticas e técnicas utilizadas por todos os contendores e tirem as necessárias ilações em termos das eventuais necessidades de evolução da nossa doutrina de emprego e exijam do poder político a aquisição dos modernos meios técnicos aplicáveis, bem como uma verdadeira constituição de reservas de guerra em quantidades minimamente suficientes para aguentar um conflito mais prolongado. Isto em vez das inúteis preocupações com a aplicação da infame ideologia de género. A persistir a incúria e inação vigentes corre-se o risco de os russos adquirirem a capacidade para nos darem uma coça.


Pontos nos “is” | Título de VCS

Não gosto nada de criticar camaradas, sobretudo aqueles que estão a dar a cara nos ecrãs da tv para tentar esclarecer os telespectadores sobre os aspectos militares do conflito, mas há limites que o bom senso, o decoro e a verdade exigem.

Num comentário de pura propaganda miserável e completa falsidade um camarada (que não nomeio, mas que já mais vezes teve destas atitudes) afirmou que devido à incapacidade dos seus comandantes, tinham sido mortos 700 militares russos no assalto a uma povoação…

Pois hoje, talvez por graça divina, esses 700 militares e apesar de mortos, conquistaram a dita povoação… esse meu camarada até parece querer estar ao mesmo nível da insuflada HFG, que dizia que os russos na central nuclear atiravam as granadas de modo a que lhes caíssem em cima…!

Retirado do Facebook | Mural de Raul Luis Cunha | General


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