Fundação José Saramago | Eduardo Lourenço

No dia em que nos despedimos de Eduardo Lourenço, sobre quem José Saramago escreveu «Abriu-nos os olhos, mas a luz era demasiado forte. Por isso, tornámos a fechá-los.», recuperamos, dos diários de José Saramago (Cadernos de Lanzarote e O Caderno), algumas passagens sobre a duradoura relação de amizade e admiração que construíram.
Adeus, querido Eduardo Lourenço.

Abertura do «Último Caderno de Lanzarote», de José Saramago

23 de maio de 1993
Bastou-me esperar com paciência, e aí está: Eduardo Lourenço fez hoje 70 anos, apanhou-me. Jantámos juntos: Annie e Eduardo, Luciana, Pilar e eu. O restaurante chama-se El Callejón, também nomeado Rincón de Hemingway, cujas lembranças (fotos, nada mais que fotos) se mostram dentro. Espero que o Hemingway tenha tido a sorte de comer melhor do que nós: estes restaurantes que se gabam das celebridades que um dia por lá passaram, geralmente servem mal. Divertimo-nos como garotos em férias. Alguma má-língua risonha.

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