Lisboa e Cervantes by Manuel S. Fonseca in “Escrever é Triste”

Pro­me­tido aqui ao Hen­ri­que, cum­pro. Num excesso de zelo, proponho mesmo tra­du­ção auda­ci­osa. Camões tinha mor­rido pouco tempo antes. Esta era a Lis­boa que os olhos do por­tu­guês tinham visto. Viam-na agora, assim, des­lum­bra­dos, os olhos de Cervantes:

Lisboa

Lisboa

Ao cabo des­tes ou pou­cos mais dias, ao ama­nhe­cer de um, disse um gru­mete, do cimo da gávea prin­ci­pal, donde ia des­co­brindo terra:

– Alvís­sa­ras, meus senho­res! Alvís­sa­ras peço e alvís­sa­ras mereço. Terra! Terra! E melhor seria dizer: Céu! Céu! Por­que é sem dúvida a Lis­boa que chegamos.

A notí­cia arran­cou lágri­mas ter­nas e ale­gres aos olhos de todos, espe­ci­al­mente aos de Ricla, dos dois Antó­nios e aos de sua filha Cons­tanza, por­que lhes pare­ceu terem che­gado à terra pro­me­tida por­que tanto ansiavam.

Antó­nio lançou-lhe os bra­ços ao pes­coço, dizendo:

– Sabes agora, minha bár­bara, o modo como hás-de ser­vir a Deus, com uma rela­ção mais copi­osa, ainda que não dife­rente, da que te ofe­reço eu; verás os ricos tem­plos onde é ado­rado; verás ao mesmo tempo as ceri­mó­nias cató­li­cas com que o ser­vem e como a cari­dade cristã atin­giu o cume. Aqui, nesta cidade, verás como os mui­tos hos­pi­tais são os ver­du­gos da doença que des­troem, e aquele que neles perde a vida, rode­ado pela efi­cá­cia de infi­ni­tas indul­gên­cias, ganha a do Céu. Aqui, o amor e a hones­ti­dade dão-se as mãos e pas­seiam jun­tos; a cor­te­sia não deixa que se pavo­neie a arro­gân­cia, nem a valen­tia que se acer­que a cobar­dia. Todos os seus mora­do­res são agra­dá­veis, são cor­te­ses, são libe­rais e são ena­mo­ra­dos, por­que são dis­cre­tos. A cidade é a maior da Europa e a de melho­res manei­ras; nela se des­car­re­gam as rique­zas do Ori­ente e daqui se espa­lham para todo o uni­verso. O porto é de grande capa­ci­dade e encerra não somente uma mul­ti­dão de navios, mas flo­res­tas móveis de árvo­res que os mas­tros das naus for­mam. A for­mo­sura das mulhe­res espanta e apai­xona. A galhar­dia dos homens pasma, como eles dizem. Esta é, enfim, a terra que ao Céu presta santo e gene­ro­sís­simo tri­buto. 

Miguel Cer­van­tes, “Libro Ter­cero de los Tra­ba­jos de Per­si­les y Sigis­munda, His­to­ria Setentrional”

Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes

FONTE:  http://www.escreveretriste.com/page/2/

Felicidário – 365 ideias para menores de 65

Se é difícil definir a felicidade aos 20, aos 30 e aos 40, imaginem aos 60 ou aos 70. Foi por isso que nasceu o Felicidário. O Felicidário é um calendário e também é uma espécie de dicionário com 365 definições práticas de felicidade. Aos 65, a felicidade é arrumar as botas e fazer crochet, é gozar o dolce fare niente ou fazer aquilo que nunca se fez? Todos os dias, durante um ano, o Felicidário sugere uma nova ideia de felicidade para maiores de 65 anos.

No Felicidário, a felicidade não tem idade e é ilustrada por Afonso Cruz, André Letria e Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque e Yara Kono.

O Felicidário é um projecto da Associação Encontrar+se em parceria com aLintas.

Ver aqui:  http://felicidario.encontrarse.pt

Ilustrada por Afonso Cruz

Ilustrada por Afonso Cruz

SOU EXU by Jorge Amado

Não sou preto, branco ou vermelho
Tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou exu!
mando e desmando,
traço e risco
faço e desfaço.
estou e não vou
tiro e não dou.
sou exu.
Passo e cruzo
Traço, misturo e arrasto o pé
Sou reboliço e alegria
Rodo, tiro e boto,
Jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher
Sou das praias, e da maré.
ocupo todos os cantos.
sou menino, avô, maluco até
posso ser João, Maria ou José
Sou o ponto do cruzamento.
durmo acordado e ronco falando
corro, grito e pulo
faço filho assobiando
sou argamassa
De sonho carne e areia.
sou a gente sem bandeira,
o espeto, meu bastão.
o assento? O vento!..
sou do mundo, nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
Pelos chifres da nação
Sou exu.
sou agito, vida, acção
sou os cornos da lua nova
a barriga da rua cheia!…
Quer mais? Não dou,
Não tô mais aqui!

Read more: http://sociologias-cultura.blogspot.com/2011/12/um-olhar-sobre-jorge-amado.html#ixzz2GwqHoCba

O que sobra das nossas Forças Armadas não vai servir para nada by JPP in “Abrupto”

O que sobra das nossas Forças Armadas não vai servir para nada – A “refundação do Estado” vai atingir ainda mais as Forças Armadas, o que é facilitado pela nula empatia dos governantes vindos das “jotas” pela instituição militar e pela crescente deslegitimação da própria existência de forças militares. Como a cada corte elas se tornam mais frágeis, aparecem cada vez como mais inúteis, e perdem razões de existência. Um dia, quando Portugal precisar de concorrer a um comando estratégico para os nossos interesses nacionais, ou defender a nossa ZEE, vai ver o que lhe falta, mas será tarde.

 

Mulheres vencem em todas as categorias de prémio literário no Reino Unido in “Diário Digital”

Pela primeira vez na história do prémio literário britânico Costa Book Awards, mulheres venceram em todas as categorias. Cada vencedor por categoria recebe 5 mil libras.

A romancista Hilary Mantel recebeu o prémio de melhor romance com «Bring up the Bodies», que já lhe tinha dado o prémio Man Booker e o National Book Award na categoria de Autor do Ano.
A escritora Mary Talbot e o seu marido Bryan Talbot -veterano da BD – receberam o prémio de melhor biografia com o romance gráfico «Dotter of her Father’s Eyes», a biografia da filha de James Joyce, Lucia, que se entrelaça com as memórias da relação perturbada da autora com o seu pai, o académico especialista em Joyce, James S. Atherton.

A jornalista e escritora Francesca Segal recebeu o prémio de melhor primeira obra com «The Innocents», que se passa numa comunidade judia em Londres.

A poeta escocesa Kathleen Jamie recebeu o prémio de poesia pela sua antologia «The Overhaul» e o prémio da literatura infantil foi para a escritora e ilustradora Sally Gardner por «Maggot Moon».

No próximo dia 29, numa cerimónia em Londres, será anunciado o livro do ano.

Diário Digital

Diário Digital

 

Bolas de Neve em Janeiro no Teatro Rápido

“Bolas de neve, Dalila. Bolas de neve. Toda a gente as causa vida fora. Atos particulares, aparentemente inocentes, que rebolam ladeira abaixo, arrastando um conjunto futuro de eventos. Às vezes, de crescente maléfico. E a Dalila, ao longo da vida, já causou muitas bolas de neve.”
Uma mulher presa num mundo imaginário sem fim, é confrontada com as suas ações, promessas, ou simples reações que afetam a vida de outros, mesmo sem ter noção disso.SALA 1 – Bolas de Neve
Horário das sessões: 18h00 / 18h25/ 18h50/ 19h15/ 19h40/ 20h05
de quinta a segunda | M/12 | 3€Texto Susana Romana
Encenação Bernardo Gomes de Almeida
Interpretação Ana Varela e Ricardo de Sá

Rua Serpa Pinto, 14, 1200-445 Lisboa
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Nemesis de Philip Roth por Urbano Tavares Rodrigues

A atmosfera fétida deste romance onde o pânico da poliomelite, dos micróbios, do contágio avassala populações inteiras de cidades e campos de jogos, mostra-nos um Philip Roth que sai dos seus registos habituais para mergulhar no horror.

O herói é um simples monitor de exercícios ginásticos, que vê fugir-lhe a rapariga pela qual se apaixonou para um jovem doente que ele ampara como se seu filho fosse e que, ainda todo lacerado pelo mal que o afetou, recusa por sua vez o amor dela, superaltruísta, nestas circunstâncias.

O herói firme, mas apagado, que é Buck Cantor glorifica-se, no final do romance, como lançador de dardo.

Um inesperado romance de Philip Roth, fora dos seus registos habituais.

FONTE:  http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=31115

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