PUB | Economia para Jornalistas | Acção de formação da rede Economia com Futuro

  • Sábado, 9 Fev. 2013
  • 9:30 até 13:00

ICS-Instituto de Ciências Sociais – Sala Polivalente – Av. Professor Aníbal de Bettencourt, 9 – 1600-189 Lisboa – Portugal

Entrada livre.

Inscrição obrigatória através do mail comfuturo.economia@gmail.com.
O “Assunto/Subject” da mensagem deve referir ACÇÃO DE FORMAÇÃO PARA JORNALISTAS.
O mail deve conter:
– Nome profissional
– Órgão de comunicação para onde trabalha
– Área profissional / Secção
– Mail
– Telefone
– Um parágrafo especificando as razões por que esta formação lhe interessa.

Esta acção de formação destina-se não apenas a jornalistas de Economia mas a todos os jornalistas que sentem necessidade de reforçar os seus conhecimentos de Economia para compreender melhor o contexto social, político e económico onde se movem.

FORMADORES
Carlos Farinha Rodrigues – ISEG-UTL
Ricardo Paes Mamede – ISCTE-IUL
Eugénia Pires – Universidade de Londres

A formação está limitada a DOZE formandos. A selecção será feita com base no perfil dos formandos.

FILOSOFIA POLÍTICA | A economia e a fé por André Macedo in “Diário de Notícias”

Ricardo Cabral é economista e professor na Universidade da Madeira. Na segunda-feira, deu uma entrevista ao Público. Vale a pena ler o que ele diz. Quando já se acha que está tudo dito, quando até parece que o clima económico está a virar, Cabral destrói a narrativa do Governo: a de que a recuperação se fará pelas exportações e que isso bastará para que o Sol volte a brilhar. Os argumentos de Cabral são simples. A receita da troika implica um ajustamento externo inconcebível. Tradução: “Um país que nos últimos 236 anos teve apenas sete anos com superavits comerciais – vendeu ao exterior mais do que comprou – se torne um país com um desempenho no sector externo superior à média histórica da Alemanha.”

Alguém acredita nesta coisa? É bom notar que este triplo salto teria de acontecer numa altura em que a Zona Euro vem de uma recessão, pode até não conseguir sair dela neste trimestre (o ritmo de crescimento nominal das exportações portuguesas está a cair desde março de 2011). Além de que o nosso principal parceiro comercial – Espanha – está a arder financeira e politicamente.

Ricardo Cabral vai mais longe. Diz ele: embora exportar seja fundamental, as empresas que exportam não vivem no limbo. Elas estão ligadas ao mercado interno: ou porque também vendem para ele – e, portanto, sofrem com o colapso da procura -, ou porque têm relações com fornecedores internos, sujeitos a impostos draconianos, ou ainda porque são confrontados com uma força de trabalho esmagada pela violência fiscal. Ou seja: a economia não é compartimentada. Embora quem exporte sobreviva melhor, não deixa de tornar-se menos competitivo por causa do contexto.

E qual é o contexto? Além do que já se conhece, o Governo admite que a retoma prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias. O contributo do consumo privado para a taxa prevista de crescimento (0,8% ) será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna, que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. É bom perceber que estamos a falar de uma previsão e que as previsões são sempre otimistas.

No fundo, a coisa está assim: o ajustamento era inevitável, a herança uma tragédia, mas a recessão está a ser tão profunda que: 1) o desemprego vai a caminho dos 17%; 2) em proporção do PIB, as empresas devem hoje mais do que quando começou a crise; 3) a dívida pública está nos 123% e não está estabilizada; 4) não há crédito e os bancos (em cartel?) continuam a cobrar juros de usura, apesar de o comprarem barato ao BCE. Acreditar que o crescimento surgirá de geração espontânea é não apenas otimista – tem tudo para dar errado. Veremos.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3038982 … (FONTE)

Todas as cartas de amor são ridículas | Álvaro de Campos

cartas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS – ÁLVARO DE CAMPOS, in POESIAS DE ÁLVARO DE CAMPOS. FERNANDO PESSOA.[ Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993)