Monthly Archives: Março 2013
“Revolução Social”, Diz Junker
“Não excluo a possibilidade de uma revolução social”, declara Jean-Claude Junker, ontem à margem do chamado Conselho Europeu. O primeiro-ministro do minúsculo Luxemburgo percebeu que a sua principal arma é a palavra, para dizer aquele óbvio que outros têm medo de assumir. Junker tinha, há dias, explicado aos alemães, através da Der Spiegel, que na Europa “os demónios da guerra estão apenas a dormir” e que a actual política imposta à Europa os pode acordar a qualquer momento. Ontem, alertou para a possibilidade de uma “revolução social”.
Junker tem razão e parece o único dirigente europeu a que ainda resta inteligência, lucidez e alguma coragem para falar. Mas, no que diz, não vai até ao fim dos seus raciocínios. O discurso dominante, o da chamada política “neo-liberal”, fechado numa matriz muito pobre e incapaz de integrar factores determinantes da vida política, esquece o essencial. Que Junker agora recordou. E é irónico que seja o “ortodoxo” Junker a fazê-lo. Ele tem mesmo de estar muito assustado com o andamento das coisas para tomar iniciativas deste tipo…
A política imposta por Berlim/Bruxelas aos Estados da Europa (e que só contempla os interesses nacionais da Alemanha e de um ou outro aliado de ocasião) está a ter consequências incontroláveis. Uma bem óbvia é a da ruptura do “contratro social” em sucessivos Estados da orla marítima e que começa também a manifestar-se em Estados mais continentais e tidos como mais ricos. O fenómeno, que começou na Grécia e atingiu pontos irreversíveis em Portugal e Espanha, já atingiu a Itália, como as últimas eleições mostraram. E, em França, a posição de Hollande nas sondagens, as decisões dos sindicatos e ascensão de Marine Le Pen deixam claro que a contaminação já aconteceu.
Ora, enquanto a questão da ruptura do “contrato social” só tocasse a gregos e portugueses, a pequenos países e economias sem peso, Berlim/Bruxelas não tinha de se inquietar e podia gerir o “drama” sem quaisquer preocupações. Mas quando o “contrato social” se rompe em Espanha, esgaça em Itália e ameaça a França, outro galo canta… As Merkels da Europa ficam sem saber que fazer e os Junkers assustam-se. O Verão de 2013 ameaça ser bem quente no continente europeu. Para nós, será a última oportunidade, antes de nos esmagarmos no fundo do abismo, de salvar a nossa Pátria e mantermos alguma dignidade. De anos de aperto já nada nos pode salvar, mas que sejam, ao menos, por algo que valha a pena e não para encher os cofres da banca alemã.
http://inteligenciaeconomica.com.pt … (FONTE)
La Belle Fabuleuse
CONFUTATIS (AMADEUS)
Tiffany Maher and George Lawrence II — Contemporary — So You Think You Can Dance
Black & White Netherlands Dance Theatre Choreography
Another Brick In The Wall – Roger Waters – The Wall Live at Berlin
Final Routine Together – Tiffany Maher/Cyrus “Glitch” Spencer
Final Routine Together – Tiffany Maher/Chehon Wespi-Tschopp
Gregory Hines Solo Tap Scene White Nights
Beethoven Sinfonia 6
Rómulo de Carvalho / António Gedeão, de Cristina Carvalho
Esta não é uma biografia escrita de uma forma convencional, um conjunto de eventos enumerados por ordem cronológica ou alinhados pela sua relevância. Um objecto de estudo. Esta é uma biografia escrita por quem arrisca, quem arrisca tudo e muito, sem perder a noção do lado simples da vida: “Eu percebo-o. Não porque tenha o mesmo pensamento, mas porque o percebo. Apenas.”
É esse entendimento que Cristina Carvalho nos transmite neste livro sobre Rómulo de Carvalho, também seu pai. Usando todos os seus recursos de ficcionista ousa, de forma destemida, construir a imagem do homem que muito admirou e muito amou. Fá-lo, por vezes, em registo de miniconto, como se um ritmo próprio (e misterioso) lhe ditasse a ordem pela qual esses eventos lhe surgem na memória.
texto integral no PNet
Can Can exercise
Dansa Serpentina (1900, Anonymous)
Vicente Amigo (Callejon de la luna)
Vanessa Paradis
Citando Al Berto
Hino 378 CCB – Hinário 5 (Piano e Orquestra)
Joni Mitchell – Hejira
Citando Mia Couto
A China quer as Lajes in “Inteligência Eonómica”
Há poucos meses, sugerimos aqui (como ironia e para sublinhar os limites estreitos do quadro financeiro-económico em que Merkel e amigos puseram a Europa a definhar) que os responsáveis portugueses deveriam antecipar as ordens de Merkel e do ‘Bild’ para “vender as ilhas” e começarem já a trabalhar nesse cenário. Mal adivinhámos na altura que o trágico da realidade vai bem à frente da nossa ironia. Não que Cavaco, Passos, Gaspar & Cª antecipem o quer que seja mas sim porque alguém o faz. Não são os portugueses que pensaram em vender as ilhas… São os chineses que pensaram em comprá-las! A começar pela Terceira, nos Açores, a da Base das Lajes! O ‘Bild’, entretanto, não deu a notícia deste interesse chinês… Pena que assim seja.
No fim de Junho passado, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao fez por arranjar, no regresso de uma viagem à América do Sul, uma “escala técnica” nas Lajes. Durante 4 horas, Wen Jiabao visitou (e também os homens da sua comitiva…) a base e a ilha. As campaínhas de alarme tocaram nas grandes capitais europeias e em Washington.
Bizarro… A delegação chinesa partira do aeroporto de Santiago do Chile e a viagem normal de regresso à China seria, simplesmente, um atravessar do Pacífico. Como é, aliás, habitual os chineses fazerem. Então, perguntou-se alguma gente, o que levou Wen Jiabao a mais que duplicar o percurso de regresso? Olhando para o percurso, a resposta parece simples. A alteração do percurso de regresso tinha apenas como objectivo encontrar um pretexto para esta “escala técnica” que não era tal mas sim a oportunidade para Jiabao inspeccionar a base e a ilha… Essa era a única razão para o seu avião não estar no Pacífico mas no Atlântico.
Em Washington, houve imediatamente quem interpelasse o Pentágono sobre os seus planos para ‘desinvestir’ nas Lajes (decisão que de um ponto de vista técnico-militar pode fazer sentido mas que de um ponto de vista estratégico é muito questionável). Com o já alto desemprego existente na Terceira (10%) e dado que a base assegura 5% dos empregos da ilha, a conclusão em certos círculos de Washington é que Portugal terá de encontrar um novo ‘inquilino’ para as Lajes. Como também é conhecido que Pequim escolheu Portugal como a sua grande porta de entrada na Europa Ocidental e no Atlântico, as contas não foram difíceis de fazer quando Wen Jiabao desembarcou nas Lajes.
A Base Aérea nº4 é uma grande atracção para Pequim. Se lá puser o pé, a China pode patrulhar as zonas norte e centro do Atlântico, pode mesmo cortar o tráfego aéreo e marítimo entre a Europa e os EUA (que vingança para quem tem o poderio naval americano no estreito de Taiwan e em todo o chamado mar da China…) e também negar o acesso ao Mediterrâneo.
Uma, apenas uma, das ilhas portuguesas do Atlântico chega para fazer ‘tocar campaínhas’ de Pequim a Washington passando pela Europa e por Moscovo… Para evitar mais alarmes, o Pentágono que faça o favor de proibir Merkel de dar ‘ordens’ para “vender as ilhas” e mandá-la portar-se bem. Talvez que Putine também possa ajudar nisso… É que pode haver alguém que siga a ‘ordem’ à risca… “Quantos milhões são precisos para tomar conta desse partido no governo?”, perguntava, já há tempos, um ‘jornalista’ oriental aos seus convidados na mesa de um restaurante de Lisboa. Não foi possível ouvir a resposta.
Marianne Faithfull | As Tears Go By
Clotilde Fava
David Bowie | Marianne Faithfull | I Got You Babe
Marianne Faithfull – Ruby Tuesday
Sofia Ribeiro | Interditas Palavras
Interditas Palavras
talvez
inscritas na dor de uma armadura agarrada a silêncios
mil vezes guardados
mil vezes entornados
nessa (re)câmara
violentamente reconhecida
dual sensação
DO AMOR
qual orgia sísmica pintada a escarlate, onde amantes acedem à visão deste espaço-tempo, ainda floreado em êxtase… porque não?
eis que irrompe o som
obscuro punhal, que num acto de loucura executa o ritual
pacto de sangue
o duo
nesta urgência de querer
não querer
aprender a ser fogo e gelo
num qualquer mar onde a linguagem se quebra…
Sofia Ribeiro
Marianne Faithfull | I’m a loser
Mikhail Baryshnikov in “White Nights”, dancing “Koni” (Horses) by Vladimir
Dia Internacional da Mulher
Un 8 de marzo de 1857, un grupo de obreras textiles tomó la decisión de salir a las calles de Nueva York a protestar por las míseras condiciones en las que trabajaban.
Distintos movimientos se sucedieron a partir de esa fecha. El 5 de marzo de 1908, Nueva York fue escenario de nuevo de una huelga polémica para aquellos tiempos. Un grupo de mujeres reclamaba la igualdad salarial, la disminución de la jornada laboral a 10 horas y un tiempo para poder dar de mamar a sus hijos. Durante esa huelga, perecieron más de un centenar de mujeres quemadas en una fábrica de Sirtwoot Cotton, en un incendio que se atribuyó al dueño de la fábrica como respuesta a la huelga.
En 1910, durante la Segunda Conferencia Internacional de Mujeres Trabajadoras celebrada en Copenhague (Dinamarca) más de 100 mujeres aprobaron declarar el 8 de marzo como Día Internacional de la Mujer Trabajadora.
Actualmente, se celebra como el Día Internacional de la Mujer.
Top 4 Performance: Eliana & Tiffany | SO YOU THINK YOU CAN DANCE | FOX BROADCASTING
As tears go by Mick Jagger & Marianne Faithfull
Alabama Song by Marianne Faithfull
Dylan Thomas reciting his villanelle ‘Do Not Go Gentle into that Good Night’
Marianne Faithfull | Monday, Monday
Vinicius de Moraes | A minha homenagem a todas as mulheres
“A mulher que passa
Rio de Janeiro
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.”
Vinicius de Moraes
Citando João de Melo
A superior inutilidade das coisas. Há que tornar útil a superior inutilidade das coisas. Isso!
João de Melo
Marianne Faithfull | Sister Morphine
The Rolling Stones – Sister Morphine – Live 1997
Citando Eça de Queirós | O riso
“O riso é a mais útil forma da crítica, porque é a mais acessível à multidão. O riso dirige-se não ao letrado e ao filósofo, mas à massa, ao imenso público anônimo. É por isso que hoje é tão útil como irreverente rir das ideias do passado: a multidão não se ocupa de ideias, ocupa-se das fórmulas visíveis, convencionais das ideias…”
– Eça de Queirós, in ‘Carta a Joaquim de Araújo’, 25 de Fevereiro de 1878.
Por ocasião do falecimento de Estela Costa Gomes
Maria Estela Veloso de Antas Varajão Costa Gomes (1927-2013)
Foi no atelier do pintor e amigo Henrique Medina que Francisco da Costa Gomes viu o retrato a óleo de uma linda minhota com o tradicional traje de mordoma. A beleza enigmática daquela jovem despertou-lhe o interesse, conseguindo que o pintor os apresentasse. Do encontro – no Porto, em casa da madrinha dela – nasceu um correspondido amor-à-primeira vista e um apaixonado namoro, iniciado em Maio de 1952. Casaram sete meses depois, na Sé de Viana do Castelo. Maria Estela acompanhou sempre a carreira militar e política do marido, vivendo em Lisboa, nos Estados Unidos da América, em Moçambique e em Angola. Em Setembro de 1974, Costa Gomes assume funções como Presidente da República e em Novembro de 1974, fruto da instabilidade política, o casal é aconselhado a mudar-se para o Palácio de Belém. Maria Estela recordará sem saudade os tempos que viveu na residência oficial, pela agitação e pela falta de comodidade daquele espaço, desabitado desde o Presidente Craveiro Lopes. O regresso à casa particular, em 1976, foi, pois, um momento de alívio para os dois e de regresso à tranquilidade, abalada anos depois pela morte inesperada do único filho, Francisco. O casal apoia-se mutuamente nesse momento trágico fortalecem os laços que os unem. Costa Gomes manteve uma actividade discreta mas intensa, sempre acompanhado por Maria Estela, que o ex-Presidente tratava carinhosamente por “Estelinha”. A morte dele, em 2001, pôs fim a uma vida em conjunto de 49 anos. Estela Costa Gomes – que nunca se reconhecera no papel de primeira-dama – faleceu no passado dia 2, no mês em que completaria 86 anos.
http://www.museu.presidencia.pt/index_detail.php?sid=2301 (FONTE)
Marianne Faithfull | Green are your eyes
“Picasso’s Studio, Cannes” Damian Elwes, 2007 56 x 66 in
Marianne Faithfull | The Ballad Of Lucy Jordan
Poesia | C.Drummond de Andrade
‘E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse….
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
[C.Drummond de Andrade]
Escritório de Albert Einstein
Corazón espinado-Maná-Santana
Museu Marítimo de Ílhavo
Rui Tavares in “Facebook” | “Literatura de cordel brasileira. Coleção Arnaldo Saraiva”
A Biblioteca Nacional apresenta a mostra “Literatura de cordel brasileira. Coleção Arnaldo Saraiva”, que decorrerá entre 8 de março à 22 de junho deste ano. A Literatura de Cordel chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e passou por várias adaptações regionais até se popularizar com o seu formato atual. Representa uma parcela preciosa da nossa história, assumindo-se como um elemento de importante valor cultural, principalmente por se tratar de um documento literário que tem as suas raízes no mundo antigo e cuja existência se justifica (também) pela necessidade dos mais desfavorecidos em contar suas histórias. A Literatura de Cordel merece ser relembrada e tratada com a mesma dignidade que trouxe para a cultura popular lusófona, nutrindo-a de alegria, crítica social e imaginação.
The Monkees – I’m a Believer [official music video]
Chuck Berry – You Can’t Catch Me (Rock Rock Rock 1956)
CHUCK BERRY – You Never Can Tell
Utte Lemper En Veu Alta “Alabama song” Brecht/Weill Versions històriques 1992
UTE LEMPER ~ “L’Accordeoniste” & “Polichinelle” (1992 live)
UTE LEMPER – Youkali Tango
The first duty of love is to listen | Paul Tillich
Ute Lemper – In Search of Cabaret (documentary)
Marlene Dietrich – Lili Marlene Original Song !
O lumpencapitalismo | Daniel Oliveira in “Jornal Expresso”
“Os limites aos bónus dos gestores da banca, definidos pela União Europeia, são o primeiro sinal de uma revolta cívica contra esta nova espécie de marginal económico. E que terminará com uma pergunta que até já nos Estados Unidos se faz (e no passado se fez muitas vezes): pode toda a economia ficar refém de uma minúscula elite financeira, que põe em perigo os Estados, as economias e até a sobrevivência do próprio capitalismo?
Ler mais:
http://expresso.sapo.pt/o-lumpencapitalismo=f791337#ixzz2MkMGNbPm” (FONTE)
Edith Piaf – Non, Je ne regrette rien
Ute Lemper ‘All That Jazz’
Citando Edmund Burke
Para o triunfo do mal, basta homens de bem nada fazerem.
Edmund Burke
Ute Lemper – I Am A Vamp
The Thin Ice by Ute Lemper , The Wall — Live in Berlin
UTE LEMPER ~ “Allein” & “Lili Marlene” & “Black Market” (1992 live)
Cinema Monumental | Praça do Saldanha em Lisboa | 1964
Jefferson Airplane -Somebody to love , White rabbit (live at Woodstock)
Peter Gabriel – Games Without Frontiers
AUTOR no blog “Das Culturas”
Joni Mitchell – Both Sides Now
Goodbye Blue Sky by Joni Mitchell , The Wall — Live in Berlin
Eduardo Nery
Queen | Delilah (Lyrics)
Citando VICTOR HUGO
Queen | The Show Must Go On (Lyrics)
Se precisa de dar cor à sua vida
7ª Gala A Voz de Portugal — Bianca Adrião — “The Show Must Go On”
José Teófilo Duarte | Blogoperatório | CARREIRAS E ELITES
Amor Electro | Foram cardos foram prosas
Amor Electro – Rosa Sangue
Elliott Erwitt
Isabella Rossellini | Irving Penn | 1997
Marylin Monroe
Citando Ortega y Gasset
Claude Debussy – Arabesque No. 1
Isabelle Adjani
Citando António Campos in “Facebook”
… e perguntam-me, num tom sarcástico, onde estava eu quando os governos anteriores cometeram os crimes de lesa-pátria que nos levaram ao buraco?
… e eu respondo: estava a trabalhar para pagar os ordenados dos juízes, do PGR, do colectivo do Tribunal de Contas, do presidente do Banco de Portugal, do presidente da república, das administrações das autoridades reguladoras e muitos outros, a quem lhes é exigido que cumpram com honra e lealdade as funções que lhes foram confiadas.
Ou seja, evitar o que aconteceu.
A sedução totalitária | Adelto Gonçalves
I
Por que o século XX foi um período tão propício a experiências totalitárias? Sabe-se que Hitler, Mussolini, Stalin, Franco, Salazar, Vargas e outros ditadores menos cotados ou conhecidos não chegaram ao poder e muito menos governaram sozinhos, contando com o apoio não só de grandes homens de negócios, que sustentaram as maiores ignomínias praticadas contra seres humanos, em troca de interesses pessoais e, muitas vezes, mesq uinhos, como do homem comum, o das ruas, o homem-massa, conforme o definiu o pensador espanhol Ortega y Gasset (1883-1955).
Examinar a gênese do pensamento totalitário e as razões que o levaram a encantar multidões foi o que motivou a XIII Semana de Filosofia, realizada em 2010 na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), em Minas Gerais. São os 12 estudos apresentados durante esse seminário que estão reunidos em Poder e Moralidade: o totalitarismo e outras experiências antiliberais na modernidade (São Paulo, Annablume/UFSJ, 2012), com apresentação e organização do filósofo e psicólogo José Maurício de Carvalho, professor titular de Filosofia Contemporânea do Departamento de Filosofia da UFSJ, doutor em Filosofia pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro.
Em poucas palavras, os estudos revelam que o totalitarismo é adversário do homem livre, ou seja, daquele que se percebe responsável por seu destino histórico, que escolhe e é capaz de sustentar responsavelmente suas opções, como assinala o professor José Maurício de Carvalho na apresentação que escreveu para este volume. Isso não significa que nos regimes ditos liberais não existam focos de totalitarismo, como sabe muito bem quem já trabalhou em redações de jornais e revistas e viu de perto grandes empresas e autoridades públicas procurarem asfixiar a liberdade de pensamento à custa de pressões econômicas. Sem contar que a chamada liberdade de imprensa quase sempre é a liberdade do dono do jornal de publicar o que quiser, mas não a do empregado jornalista.
II
Para o professor Selvino Antonio Malfatti, da Universidade Federal de Santa Maria, do Rio Grande do Sul, o fenômeno totalitário é uma experiência relativamente recente na história política do Ocidente e constitui um desvio de rota da moralidade ocidental. Em seu estudo “Moralidade e Política no Totalitarismo”, Malfatti diz que o fenômeno é resultado da falência dos valores humanos e da descrença na capacidade do homem de se organizar sozinho.
Essa é uma ideia muito antiga e que, ao final de 1797, por exemplo, serviu para o intendente-geral de Polícia, Diogo Inácio de Pina Manique, organizar uma sessão da Nova Arcádia na grande sala da Real Casa Pia, no Castelo de São Jorge, em Lisboa, em homenagem ao aniversário de D. Maria, em que o acadêmico Manuel Bernardo de Sousa e Melo, presidente do encontro, defendeu “a solidez interna das monarquias reais” e condenou “a fraqueza das fórmulas republicanas”. Dirigindo-se ao príncipe regente D. João, o acadêmico dizia que “os homens não nascem bons e, por isso, onde quer que vão levam consigo a depravação de origem”.
Dizia mais: “Portanto, os homens levarão consigo a depravação, a ambição, o ódio, a sensualidade, o ciúme, a vingança; enfim, levarão as paixões, estes ímpetos precipitados do nosso ânimo, estes monstros domésticos do nosso coração, mais indomáveis que feras exteriores, pois, desenfreados e livres, não respeitam outro direito que o da força nem conhecem outras virtudes mais que as suas mesmas satisfações”. Era o que o intendente queria que o príncipe regente ouvisse para justificar mais repressão, como se lê em Bocage: o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003, p. 241), deste articulista.
Muitos anos mais tarde, do outro lado da Europa, em São Petersburgo, um morador de um prédio que fica no cruzamento da rua Koppuznetchny com a rua Dostoevskaia, antiga Iamskaïa, não muito distante da igreja do Ícone de Nossa Senhora de Vladimir, escreveria que “nada de grandioso se pode esperar do homem”, seguindo na mesma linha do acadêmico Sousa e Melo. Esse morador chamava-se Fiodor Dostoievski (1821-1881) e ninguém como ele retratou com tanta fidelidade a humanidade em toda a sua miséria e degradação.
Esse pensamento deve ter ficado na alma das gerações que os sucederam. Se o Portugal joanino e o Portugal salazarista como a Rússia czarista e a Rússia soviética eram países atrasados e com altos índices de analfabetismo, a conclusão a que se poderia chegar é que constituíam terreno fértil para a sedução do totalitarismo. Mas como explicar que a Alemanha, já desenvolvida à época e com altos índices de alfabetização, também se tenha deixado atrair pela insânia nazista?
III
Diz o professor Malfatti que, em troca da adesão, o totalitarismo oferece uma ideologia que se propõe a explicar toda a vida da sociedade. “Todos devem professar a ideologia como se fosse uma fé religiosa”, diz o professor. “O ditador, rodeado de uma pequena parcela da população, submete o resto. Para tanto”, diz, “cria um partido, único evidentemente, dirigido por ele à frente de fanáticos seguidores. O passo seguinte é instaurar um sistema de terrorismo policial que invade e vasculha toda vida pública e privada dos indivíduos. O outro passo é o controle dos meios de comunicação para que só a ideologia oficial seja ouvida. Tudo isso permeado por ideais salvacionistas”. E acrescenta: “Os líderes soviéticos no período stalinista e os chefes do nazismo estavam imbuídos de que estavam cumprindo uma missão para a humanidade”.
De fato, durante a ditadura militar (1964-1985) no Brasil, uma parte dos torturadores e de seus financiadores imaginava que estava colocando o País a salvo da ameaça comunista, mas a maior parte fazia o serviço sujo não só por sadismo e mau-caratismo como para se aproveitar de vantagens pessoais e oportunidades que se ofereciam com o saque dos despojos das vítimas.
IV
Já José Maurício de Carvalho e Vanessa da Costa Bessa, da UFSJ, em “Totalitarismo e ética em Ortega y Gasset”, defendem que a recusa do homem-massa em assumir a sua vida é o sangue que impulsiona os governos totalitários que a Europa produziu no século passado. Para os autores, as ideias de Ortega y Gasset ainda permitem entender o fenômeno, embora o mundo de hoje seja outro e pior, pois assolado por violência urbana, pelo crime organizado associado ao tráfico de drogas, fanatismo religioso convertido em terrorismo e ameaças de desequilíbrio ecológico.
Seja como for, para os autores, continuamos a viver um tempo de massas, tal como definiu Ortega y Gasset. Por isso, dizem, os riscos de nos depararmos com novas propostas totalitárias não estão afastadas de todo enquanto a responsabilidade com a construção do futuro não for retomada e o medo da liberdade não for vencido. “O risco é real porque poucas vezes na história humana os Estados Nacionais possuíram informações e controles tão completos da vida de seus cidadãos”, acrescentam.
Pior ainda no Brasil de hoje em que se vive uma época de desmoralização da representação parlamentar, tal qual na Espanha pré-franquista. E essa desmoralização se dá pelos muitos parlamentares, que, em troca de vantagens pessoais e de grupos, acabam virando despachantes de contraventores, facilitadores de grandes negócios à custa do erário público – aliás, desde os tempos coloniais, o caminho mais fácil para o enriquecimento rápido. Desmoralizado o Parlamento, o caminho fica aberto à tentação totalitária. Eis aqui bem depositado o ovo da serpente.
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PODER E MORALIDADE: O TOTALITARISMO E OUTRAS EXPERIÊNCIAS ANTILIBERAIS NA MODERNIDADE, de José Maurício de Carvalho (organizador). São Paulo: Annablume/Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), 232 págs., 2012, R$ 40,00. E-mail: dfime@ufsj.edu.br Site: annablume.com.br
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(*) Texto publicado na Revista Estudos Filosóficos, do Departamento de Filosofias e Métodos da Universidade Federal de São João del Rei-MG, nº 9, 2012, p. 171-173.
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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br
Inês Pedrosa | A Eternidade e o Desejo | Dom Quixote
«A noite passada sonhei que voltava à Bahia. O sol atacava a pique, e eu andava de igreja em igreja à procura de alguém que não conseguia encontrar. Na rua a força do sol impedia-me de ver, nas igrejas ficava atordoada com o excesso de turistas e talha dourada. Queria gritar, mas não conseguia. Dizes-me que é uma sensação muito comum, nos sonhos. Mas eu creio que já não posso voltar a ser uma pessoa muito comum.»
Inês Pedrosa, A Eternidade e o Desejo, Dom Quixote
Citando o Povo
Mar de Gente | Carlos Zorrinho in “Facebook”
“Não é por isso destruindo os Partidos, mas obrigando-os a reformarem-se e a abrirem-se com transparência à sociedade, que se dará sentido ao Mar de Gente com o qual esta nação quase milenar deu ao mundo mais uma extraordinária prova de vida.”
Num povo de marinheiros, descobridores, aventureiros por vontade própria ou quando a crise faz transbordar quem não encontra o ganha-pão na sua terra, a descrição da manifestação popular de 2 de Março como um “Mar de Gente” que vi reproduzida em muitos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, parece-me particularmente feliz.
Um mar é um mar! Aquilo que significa é bem mais importante do que a dimensão que representa. Em vez de tentar compreender o que significa um mar de gente indignada, muitos entraram na discussão sobre o mar era grande, médio ou pequeno. Era Enorme.
Sendo cauteloso e consultando as diversas fontes foram mais de um milhão de portugueses. Mas esse milhão de portugueses foi recebido cm simpatia pelos outros. Não houve crispação nem contra-manifestações. Ninguém (nem o próprio!) deu a cara para defender o governo. Neste cenário que sentido tem discutir quantidades? O que se passou foi uma demonstração simbólica e qualitativa brutal da agonia política de um Governo, institucionalmente legítimo.
Mas houve também quem dissesse que o mar não tinha rumo. Que as pessoas estavam ali pela festa mas não tinham alternativas. Pois talvez muitos do que se manifestaram não soubessem bem o que queriam, mas todos estavam unidos por aquilo que não queriam, ou seja, por uma recusa clara da política de empobrecimento global do país que nos pretende alinhar competitivamente com os Países menos desenvolvidos do Planeta, tentando vender produtos apenas porque pagamos mal a quem os produz e não temos mercado interno para os comprar.
E naquele mar faltavam já muitos que a crise fez emigrar, não por escolha própria, mas por impossibilidade de se realizarem e sobreviverem no nosso território. Acredito, como Fernando Pessoa, que a nossa Pátria é a Língua Portuguesa. Por isso é em português que nos indignamos e é por Portugal que lutamos.
Lutamos enquanto cidadãos. É preciso fazê-lo com a consciência de que não podemos destruir a democracia representativa. Temos que mudar os seus procedimentos, obrigá-la a abrir-se mais à sociedade civil, a compreender que a governação se faz antes de mais com as pessoas e em nome delas.
Não é por isso destruindo os Partidos, mas obrigando-os a reformarem-se e a abrirem-se com transparência à sociedade, que se dará sentido ao Mar de Gente com o qual esta nação quase milenar deu ao mundo mais uma extraordinária prova de vida.
Carlos Zorrinho
No rescaldo da manifestação de 2 Março 2013 | Carlos Matos Gomes in “Facebook”
No rescaldo da manife vi na SIC uma conversa a propósito do direito dos políticos estarem na manife enquanto tal. Um dos “comentadores” indignava-se. Jamais. Lembrei-me do velho Salazar e do seu hipócrita horror à política. Mas, o que em Salazar é fruto de um pensamento integrado numa ideologia, é inconsciência e ignorância nestes amanuenses do jornalismo. É evidente que a manif era um acto eminentemente político e os políticos deviam lá estar enquanto tal. Todos lá estávamos enquanto políticos, incluindo os cidadãos que exercem a política como atividade principal. Salazar adotou a definição de Estado dos regimes totalitários, classificando-o como: a Nação “socialmente organizada”, quando o Estado é a Nação “politicamente” organizada. Salazar também considerava que «Na melhor hipótese a representação parlamentar oferece o aspecto duma duplicação de forças, que ou se revelam hostis ou pelo menos inarmónicas…» Os atuais situacionistas, os defensores da atual maioria, não parece restarem mais do que os argumentos de Salazar e do integrismo do Estado Novo para expurgar a manifestação de repúdio de ontem daquilo que é a sua essência: a sua natureza de ato eminentemente politico, que tem de ter consequências politicas. Logo: que estas têm de ser protagonizadas por políticos e pelas organizações políticas – os partidos políticos. Gostariam, os mais ou menos inconscientes salazaristas que ontem tivesse ocorrido um evento social, mas não foi isso, foi uma manifestação política que deve ser aproveitada por políticos e partidos. E que será. É essa função dos partidos! E, mais, convinha que todos os políticos, não só os milhares que ontem se manifestaram por todo o país, pensassem politicamente e partidariamente no que se passou…
Carlos Matos Gomes in “Facebook”
Gabriel García Márquez completa 86 anos
No próximo dia 6 de março, daqui a três dias, Gabriel García Márquez completará 86 anos. O escritor, jornalista, político e Prêmio Nobel de Literatura (1982), nasceu em Arataca (Colômbia).
O escritor de “Cem anos de solidão”, uma narrativa de realismo fantástico sobre a saga de uma família durante 100 anos, os Buendía – Iguarán, que sofre de uma espécie de maldição, uma ideia mística, que envolve pergaminhos e ciganos. A maldição só será revelada quando o último da família estiver prestes a morrer.
As últimas notícias sobre a saúde de “Gabo” não são boas: ele sofre de demência senil, vem perdendo a memória. E o que é um escritor sem memória? Essa doença é genética, há outros casos na família do escritor e inclusive, um dos seus personagens em “Cem anos de solidão”, o patriarca da família, também sofre dessa doença degenerativa. Uma espécie de presságio ou temor?
Um documentário sobre Gabriel Garcia Márquez, onde ele conta sobre o peso de ter ganhado um Prêmio Nobel de Literatura aos 54 anos (jovem), sobre seu labor de jornalista, a etiqueta para receber o prêmio e sua aversão ao fraque, a superstição arraigada na família, seus 16 irmãos, a influência da sua avó nas suas escrituras, e que toda a sua obra tem um ponto de partida na realidade, etc…
http://fernandajimenez.com/2013/03/03/gabriel-garcia-marquez-completa-86-anos-e-sem-memoria/ … (FONTE)
Sophie Hunger plays Souldier live (HD) at the Jazz Cafe, London 9.11.2012
Citando Alberto Einstein
TODOS NO “CONTRA” | Inteligência Económica
Os oficiais generais disseram o óbvio no “prós e contras” da RTP sobre a Defesa da Nação. Pena que o senhor ministro da Defesa não tenha aceite o convite e se tenha “desenfiado” ao debate (este “desenfiado” é um velho termo militar equivalente ao civil “baldar-se” e que em linguagem casernática também pode ser substituído pelo “pôr-se nas p….”). A coisa ficou assim reduzida a “contras”, dada a ausência dos “prós”…
E os oficiais generais disseram o óbvio de forma muito civilizada e controlada e também manifestando o seu apego à democracia. Aliás, nem outra coisa faria sentido pois esta democracia só existe pelo mesmo motivo que a Constituição Liberal dos anos 20 do século XIX quando, como muito bem conta Oliveira Martins, o marechal Saldanha desequilibrou os pratos da balança ao lançar a sua espada no lado da Constituição. Uns 150 anos depois, as armas dos militares foram lançadas na balança do lado da democracia e assim se criou um regime que os políticos têm gerido sem inteligência e sem coerência.
Mas se disseram o óbvio (que não há Estado que sobreviva sem Defesa e que no caso português a Defesa é essencial para termos algum peso nas decisões europeias e outras), a verdade é que poderiam ter ido muito mais longe. Poderiam, por exemplo, ter demonstrado como a Defesa pode ser tornada o motor da Economia e do desenvolvimento acelerado do País (as discussões já havidas sobre o “conceito estratégico de defesa” também têm ignorado este aspecto essencial e estratégico da Defesa no século XXI) e como também é imprescindível e decisiva no êxito da consensual viragem do País para o mar, aspecto que o general Loureiro dos Santos, sem ser marinheiro, domina muito bem (ainda recordo um luminoso briefing com ele, no tempo em que estava no comando da Região Militar da Madeira).
Mar e tecnologias, duas áreas por onde passa a sobrevivência imediata do País e em que as Forças Armadas e, em sentido lado, a Defesa têm um papel decisivo a desempenhar. Não haja ilusões, sem umas FA e uma Defesa à altura não haverá sucesso algum na viragem para o mar e nem num acelerado desenvolvimento tecnológico. Os generais poderiam ter explicado isto e acrescentado que um euro investido numa tal Defesa tem um retorno imensamente superior ou, em linguagem para Gaspar entender, um elevadíssimo ROI…
Tal como poderiam ter dito que estão dispostos a defender a democracia, que criaram, dos perigos que a ameaçam. Mas ter dito o óbvio e em linguagem clara foi já um balão de oxigénio num país moribundo e entregue aos cuidados dos médicos loucos da troika e seus sequazes.
Obrigado, senhores oficiais generais.
Nota: Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna e ex-Director do SIS, foi o único politico que aceitou sentar-se com os generais e participar neste “prós e contras”. Ganhou o meu voto para primeiro-ministro ou, pelo menos, ministro da Defesa, de um próximo governo português.
ESCADA ACIMA , ESCADA ABAIXO | Sérgio de Lisboa
O golpe de estado de Passos Coelho | por ANTÓNIO PINHO VARGAS in “Facebook”
O governo de Passos Coelho prepara-se para aproveitar o pretexto dos 4 mil milhões que os medíocres da troika agiota lhe pedem, para, em lugar de cortar nas gorduras do estado como prometera com perfídia, cortar nos próprios fundamentos do que ainda resta do estado social e, ao mesmo tempo, pôr em causa questões do próprio regime político e do contrato social, muito para além das competências que lhe foram atribuídas. Sempre teve esse plano e a “ajuda externa” dá-lhe os pretextos necessários. Aproveita igualmente a total impotência dos seus aliados do CDS, a impotência, hipocrisia, medo (e, quem sabe, as histórias mal contadas) do paralisado Cavaco (que só com os seus ventríloquos oficiais não vai lá), para ir minando os fundamentos da democracia na qual assentava o Estado Social e vice-versa, dada a sua interligação. Faz tudo isto com a conivência dos organismos da Europa, já ridícula nas suas hesitações exasperantes, do FMI, grande e histórico destruidor de economias no mundo há várias décadas, em favor de entidades financeiras, ainda com a ajuda dos conhecidos agentes locais do Goldman Sachs, obscuro banco implicado na crise e destruidor do antigo capitalismo, já moribundo, a favor do novo capitalismo financeiro predador que domina o mundo. Enquanto isso Relvas e outros aguardam o momento de consumar as privatizações de empresas do estado para os empresários amigos, dando seguimento à transferência brutal de dinheiro dos pobres – que não poupa com total despudor – e da classe média, para os já muito-ricos e os seus interesses financeiros sem fim e imparáveis.
Passos Coelho e os seus vários aliados estão a levar a cabo um verdadeiro golpe de estado, talvez legal do ponto de vista formal mas sem dúvida ilegítimo, através da tomada do poder executivo no interior do próprio estado e do seu prolongamento para objectivos mais vastos e sinistros. Aquilo que foi anunciado como “refundação do memorando”, no seu peculiar uso da língua portuguesa, torna-se agora mais claro. É o golpe de estado que não parece um golpe de estado.
Não vejo de que forma o irão – ou o iremos – impedir de o levar a cabo. Lamento isso profundamente.
António Pinho Vargas






























