Engates e virgens ofendidas | Jorge Alves

Volta e meia deparo aqui no face com posts a desancar na escassez de neurónios do género masculino e no total desinteresse que a minha espécie merece da raça contrária. Para além disso, uma parcela das autoras dos referidos posts colocam-se num pedestal e arvoram-se em virgens ofendidas, alardeando aos sete ventos que andam a ser convidadas para isto e para aquilo. Pessoalmente, já recebi vários convites para cafés ou jantares. A todos disse uma simples palavra – não. E não me senti na pele de virgem ofendida. Que não sou, nunca fui nem pretendo ser. Servem estas linhas para uma leve lembrança a essas falsas beatas, catequistas arrependidas e santinhas de altar – isto é uma rede social, um canal aberto, onde aparece de tudo, inclusive prostituição descarada e gajos menos bem formados, é verdade. Basta pô-los no lugar e, se necessário, bloqueá-los. Sendo o inverso também verdadeiro. É tão simples como isso. Lembremo-nos também que essa coisa de ser gajo e andar no mercado é muito bonita, mas é tudo menos fácil.

Por exemplo, um tipo quer arranjar uma namorada a sério, dessas que se podem apresentar à família e aos amigos. Engraça com uma nortista, leva-a a jantar a um sítio decente, paga uma pipa de massa e de seguida vão a um bar XPTO, onde ele pede um Chivas de 18 anos e lhe pergunta o que vai tomar. Ela responde: “Benha uma Faunta!”. Bem, noite estragada. Sem desanimar, no dia seguinte convida uma sulista, jantam, bebem um copo e finalmente convida-a a passar lá por casa. Cria um ambiente e põe a tocar o concerto para violino em dó menor de Sibelius. Ela dá um salto, aterrorizada, como se tivesse ouvido um chiar de ratos a sair da aparelhagem. Depois, com um sotaquezinho de Marvila, pergunta-lhe se não tem qualquer coisa do Ricky Martin. Ele inventa uma dor de cabeça daquelas e delicadamente convida-a a sair. Em desespero, no dia seguinte convida uma centrista. Ela passa as duas primeiras etapas e ele, à cautela, prescinde de Sibelius. Falar de política? Muito complexo. Talvez Física Quântica? Nem pensar, lá se ia a noite. Opta por algo mais simples, de que toda a gente ouviu falar – A Queda de um Anjo, do Camilo. Ela diz que gostava muito do Camilo, que numa ocasião até o foi ver ao teatro e que tinha muita pena que tivesse morrido. Ele abre a janela do quinto andar e atira-a para a rua. Vai preso, mas pelo menos vai dormir em paz. (Nota: onde se lê “gajo” pode naturalmente também ler-se “gaja”. Isto não está fácil para ninguém. Se a estupidez pagasse imposto já tínhamos liquidado a dívida. Mas por amor da santa não nos armemos em virgens. As virgens riem-se pouco ou nada. E todos precisamos pelo menos de sorrir e de não nos levarmos muito a sério.)

Retirado do Facebook | Mural de JorgesAlves

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