José Mariano Gago | Carlos Fiolhais

José Mariano Gago faria 72 anos neste sábado, 16 de Maio, o Dia Internacional da Luz por determinação da UNESCO. Vi-o pela última vez em 19 de Janeiro de 2015, em Paris, na sede da UNESCO, na cerimónia inaugural das celebrações de 2015 – Ano Internacional da Luz. Eu estava lá, como Comissário Nacional para o Ano da Luz, nomeado pela Ciência Viva, acompanhado pelo Pedro Pombo, da Universidade de Aveiro, um grande entusiasta dos lasers, Deve ter sido a última cerimónia pública.do José Mariano. Eu e o Pedro falámos com ele em conversa amena. No fim do painel sobre cooperação internacional em que participou comentámos as declarações da ministra da Ciência da África do Sul, sua parceira, sobre ciência e cooperação, a quem ele deu inteira razão: África precisava de mais ciência e de mais cooperação científica. O mundo todo precisava e África, que a Europa não tratou bem, precisava ainda mais.

Ele já estava doente, mas nós não sabíamos. Nada me fez prever que nunca mais o voltaria a ver. Faleceu daí a três meses, a 17 de Abril de 2015. Lembro-me bem pois a notícia me chegou quando estava a começar uma sessão sobre História da Ciência em Portugal no El Corte Inglês em Lisboa. A comoção foi geral. No livro que a Sociedade Portuguesa de Física publicou no final de 2015 (“Histórias da Física em Portugal no século XX”) deixei um depoimento curto mas sentido. Se Mariano Gago, a história da ciência entre nós teria sido diferente.

Gago tem uma curiosíssima ligação ao laser: o seu dia de aniversário, 16 de Maio, é precisamente o mesmo que o aniversário do primeiro laser visível (a data do Dia Internacional da Luz foi escolhido por essa razão). A 16 de Maio de 1960, quando Theodor Maiman acendeu o primeiro laser de rubi em Malibu, Califórnia, o José Mariano apagava doze velas do seu bolo de aniversário. Morreu inesperada e precocemente: como seria bom celebrar com ele, no Dia Internacional da Luz, os seus 72 anos.

Entre os prémios que mais gostei de receber foi o Prémio José Mariano Gago, da Sociedade Portuguesa de Autores, que partilhei com o José Eduardo Franco. Mariano Gago é para nós uma luz na demanda de um mundo com mais e melhor ciência, com mais e melhor cultura científica. Neste Dia da Luz, de Mariano Gago e dos cientistas portugueses, em tempos escuros que temos de iluminar, saibamos seguir o seu tão claro exemplo.

Carlos Fiolhais

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fiolhais 

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