Marie-Pierre Rey | La Russie face à l’Europe | D’Ivan le Terrible à Vladimir Poutine

Nouvelle édition augmentée du Dilemme russe

La Russie est-elle européenne? Qu’est-ce qu’être russe? Depuis le XVIe siècle, la Russie entretient un lien complexe et ambigu avec l’Europe occidentale.
À la tête d’un véritable État-continent s’étendant de l’Europe à l’Asie, les tsars de Russie puis les leaders soviétiques n’ont cessé de s’ interroger sur l’identité de leur pays et les relations à nouer avec l’Europe, tour à tour perçue comme modèle de modernité et d’efficacité ou comme source de danger et de subversion. D’Ivan le Terrible à Vladimir Poutine, les décideurs russes ont été confrontés à ce «dilemme» : fallait-il imiter l’Europe pour mieux la dépasser, ou bien s’en protéger?
D’une plume alerte, en s’appuyant sur un vaste ensemble documentaire, Marie-Pierre Rey explore les tourments de l’identité russe, à la croisée de l’histoire des relations internationales et de l’histoire des représentations.

Champs – Champs histoire | 512 pages – 108 x 178 mm

Paru le 10/02/2016 | Format poche | Genre : Histoire

CHARLES BUKOWSKI | “A escravidão nunca foi abolida, apenas foi expandida para incluir todas as cores.”

“A escravidão nunca foi abolida, apenas foi expandida para incluir todas as cores.”

O que dói é a perda constante de humanidade daqueles que lutam para manter empregos que não desejam, mas temem uma alternativa pior.

Simplesmente acontece que as pessoas se esvaziam. Eles são corpos com mentes temerosas e obedientes.

A cor sai de seus olhos. A voz é feia. E o corpo. O cabelo. As unhas. Os sapatos. Tudo.

A GUERRA | “O medo está a encostar os europeus à extrema-direita” | Carlos Esperança

É preciso ser demasiado ingénuo ou excessivamente cínico para imaginar que o nível de vida dos europeus se manterá durante e depois da guerra que a Rússia trava com a Nato, na Ucrânia, agora com apoio explícito da UE e dificuldades crescentes da Rússia.

Só o delírio de quem duvida das alterações climáticas e ignora as catástrofes que, ano após ano, aumentam a frequência, duração e intensidade, pode levar a acreditar que as economias europeias vão resistir aos aumentos brutais da energia e de bens essenciais de cuja importação dependem.

A exaltação de quem pensou ter encontrado uma causa nobre, por que valia a pena lutar, impediu de prever que as sanções europeias à Rússia e as contrassanções desta à Europa destruiriam as economias de ambas e levariam o caos e o desespero aos seus países, e o colossal sacrifício de vidas aos ucranianos e russos. A inflação galopante, a subida dos juros e a escassez de bens essenciais são o ónus que, independentemente da bondade ou leveza das decisões tomadas, todos pagaremos, com especial sofrimento dos países e das pessoas mais pobres.

Surpreende que os que mais demonizaram a Rússia não tenham ponderado a loucura de quem é capaz de recorrer à chantagem nuclear e, quiçá, à utilização desesperada do seu último recurso. Há quem prefira a guerra à paz, com o risco nuclear a agravar-se. Não se pode ver a supremacia ucraniana na vontade de combater como uma vitória, pois o risco de um ato desesperado da Rússia agrava o perigo para a Humanidade.

Há quem acredite que a Rússia bombardeia as suas próprias tropas na central nuclear de Zaporizhzhia. A censura e a propaganda são armas poderosas de que não prescindem as partes em conflito, seja qual for a guerra, quaisquer que sejam os beligerantes.

Perigoso é ignorar esta verdade, tautologicamente demonstrada ao longo dos tempos e, hoje, com meios nunca antes disponíveis. Perante a incúria coletiva para procurar fontes de informação alternativa, criam-se entusiasmos com as primeiras verdades perfilhadas, que conduzem à divulgação acrítica e, em muitos casos, à negação dos factos e à recusa obstinada dos argumentos que as contrariem.

É este o ambiente propício às verdades únicas, à intolerância e ao maniqueísmo numa deriva que cria o húmus onde medram os totalitarismos, não faltando censores e bufos voluntários para a sua defesa. O medo está a encostar os europeus à extrema-direita.

Julgando defender a liberdade, movidos por entusiasmos solidários, podemos tornar-nos cúmplices da repetição de regimes autoritários que, no passado, combatemos.

Em nome do humanismo reabilitamos uns e execramos outros, capazes de escolher, entre crápulas, os heróis e os vilões, os anjos e os demónios, os amigos e os inimigos, exonerando todas as dúvidas e recusando os factos que, por mais evidentes que sejam, nos contrariem.

Imagina-se a felicidade de quem acredita sem ver e a dilaceração de quem se interroga, sabendo-se que é feliz quem tem certezas e se angustia quem carrega dúvidas.

Para defesa das ditaduras bastavam os que sempre as apoiaram, e as ditaduras são mais baratas do que as democracias.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

Literatura | 145 anos da morte de Alexandre Herculano | in Antena 1 RTP

Alexandre Herculano morreu faz hoje 145 anos. Aderiu às ideias em voga na Europa do seu tempo, do Romantismo enquanto movimento literário e na vertente política, batendo-se pelos ideais de liberdade dos povos e monarquias constitucionais.

Era, portanto, um liberal, numa altura em que o regime vigente repudiava esta ideologia. Lutou contra os setores mais conservadores do clero e da sociedade portuguesa.

O seu envolvimento numa revolta militar, em 1831, obrigou-o a fugir de Portugal e a procurar refúgio em Inglaterra e, posteriormente, em França. Regressou a Portugal integrado no exército liberal e participou no desembarque do Mindelo, em 1832, ao lado de Almeida Garrett, e foi soldado durante o tempo que durou a guerra civil.

Nisto tudo, foi essencialmente um intelectual, homem de letras que refletiu sobre os problemas do seu tempo. Deixou uma importante obra literária, sobretudo romances históricos, mas também peças de teatro, poesia e ensaios, opúsculos e reflexões sobre o Estado, a sociedade e a Igreja de Portugal.

Foi o introdutor do Romantismo, a par de Almeida Garrett. Contudo, o seu maior contributo foi no campo da História. Pode afirmar-se que Alexandre Herculano foi o primeiro historiador moderno português, tendo-se dedicado, sobretudo, ao estudo das origens de Portugal e dos problemas políticos e sociais da Idade Média, assim como à publicação de documentos, de forma crítica e rigorosa. Assume particular relevância a sua História de Portugal, em vários volumes, que continua a ser um trabalho de grande valor e de importância fundamental para os medievalistas dos nossos dias.

Retirado do Facebook | Mural de Antena1 | #alexandreherculano#antena1rtp