Ivan Berger: estreia tardia, mas ainda a tempo | por Adelto Gonçalves     

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            Depois de cumprir uma carreira jornalística de cinco décadas, mesclando o tempo em redação e o trabalho informal como cronista e poeta, Ivan Berger, finalmente, vê o seu primeiro livro impresso, este Quase Não Sou Mais Eu – O Balacobaco do Deus Ex-Machina (São Paulo, Literando Editora, 2022), que reúne 188 peças em prosa poética, poemas em versos livres e contos curtos. São textos em que rememora não só os seus primeiros anos de vida na pequena cidade de Cachoeira do Sul, na região central do Rio Grande do Sul, às margens do rio Jacuí, a chamada “capital nacional do a rroz”, como boa parte da infância e da adolescência passada em Curitiba, capital do Estado do Paraná, antes de sua família se transferir para a litorânea Santos em busca de melhores oportunidades para sobrevivência.
            Dividida em três blocos, a obra, em sua primeira parte, depois de dois textos em prosa em que o autor faz uma espécie de apresentação de seu trabalho, deixando claro que não escreve para ser agradável ao leitor nem para “fazer proselitismo”, segue por mais de cem páginas com poemas em versos que se caracterizam por uma tonalidade noturna, de introspecção, ou seja, um mergulho no interior de uma alma solitária.

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Pátria ou Morte! O histórico discurso de Che Guevara na ONU em 1964 | In Jornalistas Livres

Senhor Presidente, distintos delegados:

A representação cubana perante esta Assembleia tem o prazer de cumprir, em primeiro lugar, com o agradável dever de saudar a incorporação de três novas nações ao importante número daqueles que aqui discutem os problemas mundiais. Saudamos, portanto, nas pessoas do seu Presidente e Primeiros Ministros, os povos da Zâmbia, Malawi e Malta e esperamos que estes países se incorporem desde o primeiro momento no grupo das nações não-alinhadas que lutam contra o imperialismo, o colonialismo e o neocolonialismo (…)

Em alguns casos, é a cegueira causada pelo ódio das classes dominantes de países latino-americanos contra nossa Revolução; em outros, mais tristes ainda, é o produto dos deslumbramentos com o brilho de Mammon².


(² Termo bíblico usado para descrever riqueza material, ganância, cobiça, ou literalmente, dinheiro.)


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A GUERRA NATO-RÚSSIA | CONTEXTO ACTUAL | Editorial in Foicebook, 16/09/2022 via Estátua de Sal

Conforme dissemos anteriormente, a ofensiva Nato/Ucrânia, parou, tentativas de retomar têm sido anuladas. O próprio Stoltenberg o reconhece: “o contra ataque da Ucrânia foi muito eficaz, mas isto não é o fim da guerra, temos de estar preparados para um longo caminho.”

Desde o fim de fevereiro um total de mais de 47 mil toneladas de material foram entregues para a Ucrânia. O exército ucraniano é na realidade um exército Nato composto por ucranianos, mercenários e “conselheiros” Nato. A organização e os equipamentos são Nato, que tem proporcionado milhares de milhões de dólares em equipamento e treino. Dezenas de milhares de efetivos foram e estão a ser treinados pela Nato.

Neste contexto, a guerra prosseguirá até a Ucrânia esgotar a sua vontade de lutar e morrer, a Nato esgotar a sua capacidade de continuar a fornecer material e dinheiro ou a Rússia esgotar a sua disposição de combater um conflito inconclusivo na Ucrânia. O resultado são mais forças ucranianas e russas mortas, mais civis mortos e mais equipamentos destruídos.

As baixas que a Ucrânia sofreu e sofre são insustentáveis. A Ucrânia está a esgotar as suas reservas estratégicas, e eles terão que ser reconstituídos se a Ucrânia tiver alguma aspiração de continuar a guerra. A Rússia, por sua vez, perdeu nada mais do que um espaço indefensável. As baixas russas foram mínimas e as perdas de equipamentos foram prontamente substituídas.

De acordo com um documento assinado pelo Comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Zaluzhny, até o início de julho de 2022, 76 640 soldados ucranianos tinam sido mortos (dez semanas depois, devem ser quase 100 000). Com os feridos graves geralmente numa proporção de 1 para 1, isso significa que até 200 000 tropas de Kiev podem ter sido postos fora de ação permanentemente. E isso não inclui desertores, capturados e desaparecidos em ação, o que poderia fazer outros 50 000.

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