A GUERRA (2) – A União Europeia enredada em nacionalismos | Carlos Esperança

Poucas notícias são tão alarmantes como os exercícios militares conjuntos da China e da Rússia, duas potências rivais que a Nato uniu contra a Europa e os EUA, ainda que não coincidam sobre a invasão da Ucrânia.

A UE, ansiosa por alargar a sua influência a leste, na convicção de que seria herdeira do colapso soviético, não mediu as consequências da hipoteca ao espaço anglo-americano, e preferiu promover a expansão da Nato à sua coesão. Em vez de se tornar uma potência não hostil, garantindo a independência face aos EUA, tornou-se seu satélite, enquanto a aliança anglo-americana se reforçou. A Europa entrou na guerra, sem estratégia própria, sem prever os custos financeiros, sem gás, sem cereais e sem alternativas.

O Reino Unido, cujo império é uma fachada mantida no fausto da monarquia, corroeu a coesão europeia e estimulou a UE, depois de a ter traído, a seguir a NATO. A belicosa sr.ª Ursula Von der Leyen, sem o carácter e coragem de Jacques Delors, reduz à míngua os europeus, e alinhou a política externa pela da Nato, pseudónimo militar dos EUA.

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Assim o quiseste, assim o tiveste | o preço da energia | por Carlos Matos Gomes

Os agentes de comunicação de massas impuseram uma verdade. Essa verdade tem consequências que começam a doer. Agora, os mesmos que apoiavam as sanções e os embargos perguntam aos políticos o que vão fazer. É hipocrisia em estado puro. Os assim designados jornalistas são cúmplices da situação que estamos e vamos viver.


Os jornalistas têm responsabilidades sociais. Não podem atirar a pedra e esconder a mão.

Digámos. Assim começava um dos televangelistas contratados para formatar a opinião pública para das intenções expansionistas da Rússia as suas prédicas diárias. Era necessário formar uma opinião que aderisse à narrativa de que a Ucrânia era pacífica e democrática, um Estado exemplar que, de um momento para o outro, e sem qualquer motivo, se vê invadido pelo ameaçador vizinho.

Houve alguns, poucos, que se atreveram a desmascarar esta história de cobertura de intenções. Os grandes meios de manipulação adotaram com fervor militante a tese da iníqua e criminosa invasão, que contrariava os princípios do Direito Internacional e até a doutrina da guerra justa de Santo Agostinho.

Sabe-se hoje pela voz da administração americana e do governo do Reino Unido que americanos e ingleses, com a cobertura da NATO (essa virtuosa aliança defensiva) andavam a treinar o exército ucraniano desde 2004, com maior intensidade a partir de 2014, que lhe haviam fornecido material moderno e apoio de informações (intelligence), incluindo via satélite. Um exército especialmente criado para o efeito foi instalado na zona russófila do Leste da Ucrânia, causando cerca de 14 mil mortos. O novo governo pró-americano da Ucrânia, que tinha como figura de boca de cena Zelenski, foi incentivado a provocar a Rússia com um pedido de adesão à NATO. O que tinha ficado acordado que não aconteceria e que colocaria Moscovo a 10 minutos de voo dos novos misseis táticos. Isto é, a capital da Rússia ficava dentro do teatro de combate e sem possibilidades de defesa!

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