1640 | DEANA BARROQUEIRO

(O POETA, O PROSADOR, A PROFESSA E O PREGADOR)


«1640» é o título do que considero o meu principal romance, que me levou 13 anos a fazer, embora alternando com outros de mais fácil construção. É a data em que os portugueses dos três Estados – povo, clero e nobreza – se revoltaram contra o governo dos burocratas, a mando de um Rei estrangeiro (D. Filipe IV de Espanha),, que os humilhava e esmagava, e soltaram o grito de liberdade, elegendo um Rei português, Dom João IV, para tomar o destino do país nas suas mãos, defendê-lo dos predadores e fazê-lo sair da crise pelos seus próprios meios.
A acção decorre num período de cinquenta anos (1617-1667), riquíssimo em acontecimentos, dramas e personagens, num Portugal esgotado que tentava desesperadamente sobreviver como país independente, acossado por nações inimigas – a Espanha e as suas aliadas –, mas também pelas «amigas» de longa data, como a Inglaterra e a França, que impuseram condições esmagadoras em troca da sua ajuda.


Para o leitor abarcar melhor a complexidade da época, os seus jogos políticos, nacionais ou internacionais, e a mentalidade dos seus agentes, decidi proporcionar-lhe uma visita a esse distante mundo, guiada por um Poeta épico (Brás Garcia de Mascarenhas), uma freira Professa (Soror Violente do Céu), um Prosador (D. Francisco Manuel de Melo) e um Pregador (Padre António Vieira).
Quatro personalidades, que marcaram profundamente o seu tempo, dar-lhe-ão de sua própria voz quatro pontos de vista diferentes, mas complementares, sobre os acontecimentos em que tomaram parte, ao mesmo tempo que lhe irão fazendo confidências das suas vivências e dramas pessoais, pelo que tive de ler a TOTALIDADE DAS SUAS OBRAS!

«No dia 1 de Dezembro de 1640, ao soarem as nove horas da manhã, de umas carruagens discretamente paradas no Terreiro do Paço saíram alguns fidalgos que, ocultando as armas sob as capas, assaltaram o Paço Real, sem encontrar resistência. Em 15 minutos os amotinadores mataram o secretário Miguel de Vasconcelos, que descobriram escondido num armário, lançaram o seu corpo pela janela para junto do povo na praça e proclamaram rei de Portugal o 8º Duque de Bragança.
A multidão saqueou o Palácio e deu vivas ao futuro rei D. João IV, mas a cerimónia oficial da aclamação só teve lugar na manhã de 15 de Dezembro num palco armado no Terreiro do Paço, aos gritos de “Real, Real, Real, por El-Rei D. João IV, rei de Portugal!”. A vice-rainha espanhola, a Duquesa de Mântua, refugiou-se no Convento de Santos-o-Novo e vai regressar a Espanha.
O movimento da Restauração despertou grande entusiasmo por todo o país…»

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.