Ontem abordámos o culto que se gerou em torno da figura de Fernando Pessoa e o elevado preço que. num leilão em Lisboa, atingiram uma secretária e uma máquina de escrever que o poeta usou. E contámos como essa elevada licitação estava relacionada com um livro. Outro livro nos leva a que continuemos hoje com Pessoa – mais propriamente, com a sua correspondência com Armando Cortes Rodrigues,
Do livro “Cartas de autores portugueses”, editado pelos Correios e Telecomunicações de Lisboa, coligidas por José Ribeiro da Fonte, podemos apreciar extractos de cartas de grandes autores portugueses, divididos em: A Carta, Do amor, Da viagem, Da política, Da vida e do mundo e Da arte e do artista.
Aí encontrei algumas de Fernando Pessoa para Armando Côrtes-Rodrigues. Por também ter em minha posse uma carta deste último (para minha mãe Maria Cecília Correia) onde fala sobre a forma como conheceu…
A declaração ao país do primeiro-ministro depois dos absurdos chumbos ao Orçamento faz lembrar esses foliões fora de horas: agora, disse Passos, não haverá aumento de impostos; os cortes serão feitos na despesa do Estado; e Portugal continuará a renegociar os prazos dos empréstimos. Agora. Com um milhão de desempregados. E uma carga fiscal que destroçou a economia interna. E com falhanços sucessivos no défice (o que teria aconselhado a metas muito mais alargadas). Em resumo, agora: com o país a cair aos trambolhões pelo abismo recessivo, uma queda que será agravada pela voragem com que as travessas serão rapadas. Agora é tarde, Inês é morta. O anúncio do primeiro–ministro devia ter sido o seu programa desde o início. Quando ainda existia um país.
MANUEL SAN PAYO, pintor, expõe, individual ou colectivamente, desde 1981, estando a sua criação artística representada em diversas colecções, públicas e privadas.
É licenciado em pintura pela Escola Superior de Belas-Artes e docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Manuel San Payo ilustrou o conto “A Caligrafia de um Bárbaro” (capital Montevideu) escrito por JOÃO RICARDO PEDRO que se encontra incluído no livro CONTOS CAPITAIS publicado recentemente pela Parsifal.
A exposição “SÃO FLORES” de MANUEL SAN PAYO está à vista do público na Galeria Monumental em Lisboa – Campo Mártires da Pátria 101 – até ao dia 11 de Maio e posso garantir que não há Primavera mais bela a ser vista e apreciada!!
Na passada segunda-feira, morreu José Luis Sampedro. Cumprindo a vontade do escritor, ficcionista e economista catalão, a família só comunicou a sua morte na terça-feira, dia 9, após o funeral. Tinha 96 anos, mas como se pode confirmar no vídeo que aqui incluímos, o seu raciocínio era límpido .
Em 25 de Outubro de 2012, publiquei um artigo onde relatava a surpresa que, há muitos anos atrás (em 1993!), me produziu a leitura de La sonrisa etrusca. Terminava dando conta da minha intenção de voltar aqui a falar sobre este catalão que, como disse José Saramago, fez da reflexão uma forma de vida. Lamentavelmente, volto a falar dele pela pior das razões.
Eis o link para esse artigo.
E numa entrevista concedida em Dezembro de 2012 onde nos afirma que o sistema capitalista não atravessa uma crise – pura e simplesmente está esgotado:
Estamos a matar o homem europeu, que construiu a civilização mais racional, mais humanista, mais liberal que existiu na terra, que misturou raças, criou a democracia, a vontade popular democrática, criou a Carta dos Direitos Humanos, a Carta dos Direitos da Criança, defendeu os Direitos Ambientais.
Uma Europa de que a última tentativa de ser resgatada foi o projecto de comunidade europeia. E os valores portugueses e europeus estão a ser mortos por uma geração de economistas, que substitui o homem pelo número. Podem dizer que isto é demagógico, mas é a verdade.
[…] Hegel disse que a China estava a dormir há três mil anos, agora é a Europa que ficará a dormir, três mil anos ou mais. Como homem europeu, sinto revolta.
O júri da segunda edição do Prémio de Fotografia “Retratar um Livro”, composto por António Mega Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho e João Francisco Vilhena, reuniu no dia 9 de abril e deliberou atribuir o terceiro prémio a Fábio Roque pela fotografia com o título Mensagem:
1.º Prémio a Maria de Lurdes Poças, Jurista, pela fotografia Impressão Estranha:
O 2.º Prémio foi atribuído a Pedro Teixeira Neves,Jornalista , pela fotografia A vida que há em si:
O referendo prometido em 2017 por David Cameron não levará ele à saída definitiva do Reino Unido da União Europeia? “Marianne” imagina as consequências desta política não tão ficção como pode parecer .
Yves Logghe/AP/SIPA
A data foi escolhida com cuidado. O referendo britânico sobre a saída da União Europeia foi fixado para 24 de Abril, dia de São Jorge, festa do Santo padroeiro da Inglaterra que, do alto de seu cavalo, arrasa o dragão do mal. Se as sondagens mais recentes sugerem pouca esperança para os eurófilos, ninguém esperava uma tão clara vitória dos “União Europeia, NÃO”. Cinquenta e oito por cento dos britânicos votaram a favor do divórcio, soltando as amarras para um destino desconhecido.
Os eurocépticos deslocaram-se em massa para votar enquanto que os…
Enquanto a Europa dá sinais de senilidade global ao tentar apropriar-se das poupanças (e da inevitabilidade dos cidadãos terem contas bancárias onde se vêm obrigados a guardar os ordenados que não lhes chegam para as contas do fim do mês) o poder luso perde-se em discursos idiotas destinados a salas vazias proferidos pelo chefe do governo e o Ministro de Estado e das Finanças declara que o acordo com a tróica foi mal equacionado depois da tróica o acusar dos falhanços decorrentes da política do “ir além da própria tróica”.
No meio de todo este descalabro salva-se o Jesuíta que proclama a necessidade de cuidarmos uns dos outros dando a entender que isso não tem a ver com a nossa disponibilidade pontual para cuidar, mas antes com a necessidade permanente de cuidados dos nossos próximos.
O Mundo político está cada vez mais mal frequentado. Talvez a Igreja Católica reabra o caminho da esperança e da solidariedade que os agnósticos do dinheiro esqueceram quando deixaram de entender que nas quatro operações aritméticas está incluída a divisão. LNT
Foi há 2 anos que um grupo de dirigentes políticos impreparados, desgastados por sucessivas derrotas eleitorais e formatados num liberalismo doutrinário, viram no chumbo do PEC IV a possibilidade de precipitação de uma crise política. Com isso conseguiriam também obter cobertura externa para o seu programa, construindo uma poderosa narrativa que os desresponsabilizaria na crise.
O PEC IV não era um passe de mágica nem, tão pouco, inclua as medidas que o PSquisesse aplicar ou que fossem confortáveis para qualquer socialista: não eram. Não são. Eram, todavia e à época, as medidas possíveis de um Governo socialista isolado de uma economia periférica numa Europa guinada à direita, atravessando uma convulsão financeira mundial, com instrumentos limitados por uma integração monetária assimétrica.
O contexto nacional era de progressiva reorganização das forças financeiras e económicas, antecipando uma queda do Governo socialista minoritário. Pouco antes, desde 2008, com o estouro da desregulação mundial e a queda dos gigantes da finança norte-americana, a Comissão Europeia estimulava políticas expansionistas e de investimento público para combater a recessão – o que de facto foi conseguido -, agravando o défice e a dívida de todos os países europeus. A Alemanha, que viu nesta crise a oportunidade histórica de impor a sua hegemonia política e financeira na UE com pesados custos para o projecto europeu, rapidamente percebeu a oportunidade de fortalecer a sua economia estabelecendo os termos de troca nos restantes países e nas instituições europeias.
Desta forma, em relação a outros países, a excepção portuguesa foi a conjugação do pico da crise com a fragilização política do Governo de então, com um Presidente da República hostil e com a gula da banca pelas linhas de recapitalização de um programa de assistência, levando todos os principais banqueiros a uma inédita semana de entrevistas na televisão para forçar uma viragem política no país.
O PEC IV, de facto, permitiria o oxigénio possível até outras medidas por parte do BCE. Atendendo ao que entretanto sabemos de outros países, é bem provável que não tivéssemos chegado a um programa de assistência para toda a economia ou que as condições, nomeadamente de juros, tivessem sido mais vantajosas.
Dois anos volvidos, sabemos o que aconteceu. A direita não podia esperar e a esquerda à esquerda do PS, justiça seja feita, já tinha votado contra todos os anteriores PEC. O resultado foi a crise política e, com isso, a entrada definitiva de Portugal nos radares internacionais. O país foi despojado, os activos públicos foram vendidos a preço de saldo, os custos laborais baixaram pela via salarial, o desemprego disparou, o desespero grassa.
Portugal mergulhou numa tragédia económica e social sem fim à vista, os indicadores sociais recuaram décadas, temos o pior desempenho económico em 40 anos. As ideias dos que nos trouxeram até aqui estão enterradas, mas os resultados das suas políticas vão perdurar décadas.
Só poderemos virar esta página quando percebermos que o que estamos a viver resulta de opções políticas concretas, de programas, de doutrinas, de ideologia, e que o combate pela mudança faz-se também pela consciência muito clara dos momentos e atitudes que definiram a nossa história recente. Na altura, o Secretário-Geral da OCDE afirmava que «no caso de Portugal é sobretudo um problema político auto-infligido». Os números são indesmentíveis:
É por isso que o chumbo do PEC IV é um dos momentos mais marcantes da história portuguesa contemporânea que, por razões diversas, muitos querem ignorar. Infelizmente, quanto mais tempo passa, mais percebemos a sua importância para a definição do nosso futuro colectivo.
Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país
“1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.
2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.
3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?
4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro.
Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.”
Lisboa, 9 de Abril de 2013 António Sampaio da Nóvoa
Reitor, Universidade de Lisboa
Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa (em formato pdf)
Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos “credores”, nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.
(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional , – do género “ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais”, – mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início. A cada revés, e todas as semans há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos. Como este tom punitivo é dos que melhor “comunica” com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O governo já estava com dificuldades em “ir aos mercados”, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava a caminho de um segundo resgate, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava em crise profunda, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
A decisão do Tribunal Constitucional acelera todos estes processos mas não lhes deu origem. Nasceu deles. Nasceu de um Governo que, apesar de prevenido, mil vezes prevenido, insistiu num Orçamento de Estado assente em medidas ilegais. Bateu no peito cheio de ar e vento, insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
Pensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas. Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção: vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer. (José Pacheco Pereira)
O país vive dias amargos. A todo o momento surgem novos confrontos com as forças policiais. D. Carlos escreve a João Franco e incita-o: «seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim… nem tu!»
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declara o monarca.
A contrastar com esta determinação estão as dúvidas que se ouvem por todo o lado.
Até mesmo os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuram manter-se a uma certa distância de João Franco.
Os progressistas de Luciano de Castro e José de Alpoim aconselham reacção enérgica contra a Ditadura, enquanto, por seu turno, os regeneradores marcam uma posição de franca hostilidade ao Governo, com…
Ninety-nine years ago today, the city center in Midtown Manhattan, formerly known as Longacre Square, was officially redubbed “Times Square.”
In April 1904, The New York Times moved its operations to the newly constructed Times Building—then the second tallest building in the city—on 42nd Street at Longacre Square. Times publisher Adolph S. Ochs convinced Mayor George McClellan to build a subway station there and rename the area for his newspaper. (Three weeks later, as if carrying out some bit of genetic code, the first electrified ad appeared on the side of a bank at 46th Street and Broadway.)
The Times modestly published a story about the rededication the following day.
On December 31 of that year, Ochs began the tradition of celebrating New Year’s Eve at Times Square. And three years later, the famous Times Square Ball drop from the roof of the Times Building, known simply today as One Times Square, was added to the annual jamboree.
Here’s a picture of what Times Square looked like way back then:
Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição de Memorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.
Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.
Maquiavel, o escritor e político do Renascimento, autor da obra-prima “O Príncipe”, a bíblia da acção política oportunista e amoral, será apresentado pelo notável jornalista Adelino Gomes,jornalista…
Se a Segunda foi parca, esta Terça-feira, 9 de Abril (aniversário, lembremos, de uma premonitória “chacina” europeia na batalha de La Lys – Flandres, corria o ano de 1918 duma chamada Grande Guerra) irá ser paupérrima, a ponto de o evento de destaque voltar a ser praticamente o mesmo.
Assim, suscita curiosidade a nova actuação do Quarteto Casals no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, pois que, para lá de prosseguir a nobre tarefa de interpretar a integralidade dos Quartetos para Cordas de Schubert (aqui na sua 6ª sessão), junta-lhe a interpretação de duas obras de Boccherini.
Composto (como dissémos ontem) por Vera Martinez, violino, Abel Tomàs, violino, Jonathan Brown, viola e Arnau Tomàs, violoncelo, tem nesta noite a participação adicional do violoncelista Eckart Runge
O alargamento do Governo teria como vantagem uma relativa pacificação do país (ou menos crispação) e uma nova sensibilidade no modo como se cumprem os compromissos com a troika.
São cada vez mais as pessoas que defendem esta solução. Porém, o problema agora não é Sócrates, mas Passos e Seguro.
Passos porque acha (e é verdade) que esse alargamento corresponderia ao seu afastamento da liderança do Governo e, a prazo, do PSD; e assim diz que não desiste.
Seguro, porque entende (e também é verdade) que qualquer colaboração na solução da crise ditaria a prazo o seu afastamento da liderança do PS; e assim diz que só colabora depois de eleições (sabendo que elas não vão existir e que isso se lhe dá mais uns tempos de líder).
Ou seja, estamos reféns de estratégias pessoais que se sobrepõem a estratégias nacionais de superação da grave crise em que nos encontramos.
“O meu pai sempre me disse que quando uma pessoa está a subir deve ir cumprimentando toda a gente porque são os mesmos que há-de encontrar quando começar a descer”
Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.
Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.
Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.
Num Domingo, 7 de Abril calmo (e que já se não prevê chuvoso), será contudo prudente continuar a abrigar-nos em “templos da cultura” quais o CCB ou a FCG, com a particularidade de, neste dia, se ouvirem quase só artistas nacionais.
O destaque poderá ir para o concerto que neste Domingo dará, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o grupo de interpretação de Música Antiga “Ludovice Ensemble”, que aqui reúne diversos instrumentistas em torno de Miguel Jalôto (órgão e direcção), acompanhado de Hugo Oliveira (barítono).
Criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim (na foto), com o objectivo de divulgar o repertório de câmara vocal e instrumental dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos, o nome de “Ludovice Ensemble”homenageia o arquitecto…
“Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida.
A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.
Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains.
A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
Eric Clapton, guitar and vocals; Ray Cooper, drums and percussion; James Hooker, keyboard; Kenny Jones, drums; Andy Fairweather Low, guitar, keyboard and vocals; Fernando Saunders, bass and vocal; Chris Stainton, keyboard; Charlie Watts, drums; Steve Winwood, vocals, keyboard and mandolin; Bill Wyman, bass; Jeff Beck, guitar and vocals; Tony Hymas, keyboard; Ronnie Lane, vocals; Jimmy Page, guitar; Simon Phillips, drums.
Resumo : Já se contam cinco anos de crise na Europa e, no entanto, as suas ruas estão basicamente a manterem-se calmas . O que é que explica isso? Quanto tempo é que a situação vai assim continuar
“No centro da crise, está o grande desafio de redefinir o contrato social para salvaguardar a sustentabilidade do modelo social europeu..”
“Certo, Benoit. O problema é que os líderes europeus e as suas instituições parecem querer redefinir o contrato de forma que pelo menos metade dos cidadãos europeus esteja contra ou não confiam neles seja para o que que seja tido como necessário para ser feito. . Assim debaixo de uma crise de três frentes, a crise da dívida, a crise bancária e a crise da dívida soberana…
Nos próximos dias 10, 11 e 12 de MAIO vai acontecer o IX ARRAIAL DA DO ANDRÈ DA TROMPETE DO NINHOU, ou seja, a 9ª Edição do FESTIVAL DE JAZZ DE MINDE.
É um festival internacional, considerado um dos maiores festivais de jazz e blues do país, com destaque para um dos mais consagrados contrabaixistas do mundo: AVISHAI COHEN que irá estar pela primeira vez em Portugal.
OTIS GRAND é outro dos internacionais e grande bluesman de Inglaterra, e a prestigiada orquestra italiana COLOURS JAZZ ORCHESTRA, que já foi dirigida por Maria Schneider.
10 MAIO – 22h – BLUES
MESSIAS & THE HOT TONES
OTIS GRAND (Inglaterra)
THE BLACK MAMBA
11 MAIO – 22h – JAZZ
MÁRIO DELGADO GUITAR ZHERO
COLOURS JAZZ ORCHESTRA (Itália)
12 MAIO – 18h – BIG JAZZ
“BANDA A DESIGNAR”
AVISHAI COHEN (Israel)
Pode consultar toda a informação com bilheteira on-line em WWW.JAZZMINDE.COM.
CONVIDE OS SEUS AMIGOS (em Convidar Amigos), PARTILHE e ajude-nos a DIVULGAR este evento, pois iremos oferecer bilhetes a quem mais colaborar.
JUNTA-TE A NÓS, e todos juntos faremos um GRANDE FESTIVAL.
OBRIGADO, e ATÉ JAAAZZZZZZZ!!!!
Já há muitos anos que a Agência Florestal do Japão aconselha à sociedade nipónica o “banho” florestal como prática de relaxamento.
O contacto com a natureza reduz os níveis de adrenalina e cortisol no organismo, substâncias que se encontram aumentadas durante o stress e ansiedade.
Mas esta prática também poderá reduzir o risco de cancro.
A prática do “Shinrinyoku” (passeio pela floresta) é aconselhada por muitos médicos japoneses como prevenção de problemas de saúde.
Recentemente, a sociedade Internacional da Natureza e Medicina Florestal (Infom), sedeada no Japão, foi mais longe: dado que o stress é um dos factores que diminui a produção de “natural killer celles”, decidiram fazer a sua medição sanguínea ao fim de três dias de passear num bosque.
As “natural killer cells” (células exterminadoras naturais) são um tipo de glóbulos brancos responsáveis, em parte, no nosso corpo pelo combate às infecções virais e às células tumorais responsáveis…
Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,
como sereis cruéis, como sereis injustas?
Quem torturais, quem perseguis,
quem esmagais vilmente em ferros que inventais,
apenas sendo vosso gemeria as dores
que ansiosamente ao vosso medo lembram
e ao vosso coração cardíaco constrangem.
Quem de vós morre, quem de por vós a vida
lhe vai sendo sugada a cada canto
dos gestos e palavras, nas esquinas
das ruas e dos montes e dos mares
da terra que marcais, matriculais, comprais,
vendeis, hipotecais, regais a sangue,
esses e os outros, que, de olhar à escuta
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,
vos contemplam como coisas óbvias,
fatais a vós que não a quem matais,
esses e os outros todos… – como sereis cruéis,
como sereis injustas, como sereis tão falsas?
Ferocidade, falsidade, injúria
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso
o coração que apavorado em vós soluça
a raiva ansiosa de esmagar as pedras
dessa encosta abrupta que desceis.
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?
Descereis, descereis sempre, descereis.
“O Alves Coutinho calava-se, com prudência, engolindo buchas de pão.
— Eu que caiam ou que fiquem, – disse Julião – que venham estes ou que venham aqueles… Obrigado, conselheiro – e recebeu o seu prato de vitela – … é-me inteiramente indiferente. É tudo a mesma podridão!
O país inspirava-lhe nojo; de cima a baixo era uma choldra; e esperava breve que, pela lógica das coisas, uma revolução varresse a porcaria.
— Uma revolução! – fez o Alves Coutinho assustado, com olhares inquietos para os lados, coçando nervosamente o queixo.
O conselheiro sentara-se, e disse, então:
— Eu não quero entrar em discussões políticas, só servem para dividir as famílias mais unidas, mas só lhe lembrarei uma coisa, Sr. Zuzarte, os excessos da Comuna… Julião recostou-se, e com uma voz muito tranquila: — Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos…
A Costa Coffee, cadeia londrina de cafetarias ao estilo Starbucks, tem o seu primeiro espaço de rua em Portugal em plena baixa da cidade, na zona dos Clérigos. Esta coffee house segue os padrões internacionais da marca, reconhecendo-se-lhe desde logo as cores, o conceito, a simpatia e a garantia de qualidade do serviço e dos seus baristas.
O espaço é amplo e confortável, com um ambiente descontraído e tranquilo, habitualmente frequentado por todo o tipo de clientes que procuram um sítio para beber um café, comer um snack e estar simplesmente. Ou então para levar. Entre as especialidades do Costa Coffee, podemos encontrar cafés, bolos, saladas, sanduíches, tostatos, paninis e “fruit coolers”.
Dans une lettre ouverte, l’ancien président de la Commission européenne Jacques Delors et l’ancien Commissaire Antonio Vitorino proposent un triple pacte pour garantir la croissance et sortir l’Europe de la crise. Ils craignent une « génération perdue ».
Depuis maintenant cinq ans, le drapeau européen est en berne. Crise économique, croissance nulle ou négative, taux de chômage qui ne cesse d’augmenter, budgets plombés, déficits affolants… Des mesures doivent être prises et c’est au niveau national comme européen. Tous embarqués dans un même bateau qui coule… Pour Jacques Delors, ancien président de la Commission qui a notamment mené les Européens jusqu’au traité de Maastricht et à la monnaie unique, il y a urgence à agir. « Si la croissance ne se décrète pas, elle peut être durablement affaiblie lorsqu’on bafoue quelques principes élémentaires, qui forment autant de pactes à respecter ». Il explique son triple pacte publié par le Huffington Post comme suit :
1. Stabilité et « confiance » financière
Il faut « consolider le pacte de confiance financier ». Selon lui, l’Europe a un grand besoin de consolider et restructurer son système bancaire. Prenant exemple sur la crise chypriote, elle-même de nature bancaire, et sur la manière dont elle a été gérée, il insiste sur la nécessité de garder un lien de confiance entre les banques et ses clients. Or, celui-ci a été mis à mal par la proposition de taxer les épargnants.
« Les autorités européennes ont commis une erreur d’appréciation en approuvant le principe d’une taxation de l’ensemble des dépôts placés dans les banques chypriotes, et pas seulement des plus importants d’entre eux. Elles ont su corriger cette erreur, qui a malheureusement affecté le pacte de confiance conclu entre les banques et leurs clients, au point de nourrir la crainte de l’extension d’un tel procédé à d’autres pays que Chypre ».
« Le fait de mettre à contribution les déposants les plus riches dans des cas extrêmes (comme à Chypre) ne saurait par ailleurs constituer un précédent, comme l’a rappelé la BCE. Il est en tout cas crucial que de telles décisions soient expliquées et assumées de manière claire et que leur caractère exceptionnel soit souligné à chaque fois : c’est aussi sur ce point que les autorités européennes et nationales ont été prises en défaut dans le cas chypriote »
Delors prône la mise en place d’une véritable union bancaire européenne. Au mécanisme de supervision des banques sous l’égide de la BCE qui est actuellement en train de se mettre en place, il explique qu’il est nécessaire de créer un mécanisme européen de garantie des dépôts et de résolution des crises bancaires.
2. Rigueur budgétaire « réaliste »
Pour ce faire, il faut selon lui appliquer le Pacte de stabilité de manière plus réaliste. La notion de déficit structurel, comme appliquée pour le budget belge, a ses faveurs. « Elles ont ainsi utilement ouvert la voie à l’octroi d’un délai plus réaliste pour le retour en dessous du seuil de 3 % de déficit pour des pays comme le Portugal ou la France, en tenant compte des efforts déjà engagés. Ces reports dans le temps ont avant tout des vertus conjoncturelles, puisqu’ils permettent de ne pas asphyxier la demande, et donc la croissance ».
Cela doit aussi conduire les autorités européennes « à s’engager dans la création d’un Fonds d’amortissement des dettes (…) Aider les pays européens à se délester ensemble de leur « vieille dette » contribuerait sans nul doute à conforter leurs perspectives de croissance, tout en redonnant espoir à leurs citoyens ».
3. Pacte pour la jeunesse
« La crise actuelle fait de nombreuses victimes, en particulier chez les jeunes : ils pourraient à terme former une « génération perdue », aussi bien pour l’UE que pour ses pays, alors même que la place qui leur est accordée est cruciale dans l’Europe vieillissante. Si mettre en œuvre un « pacte européen pour la jeunesse » n’est pas une idée inédite, c’est donc plus que jamais une urgence ».
Il pointe trois initiatives : l’initiative pour l’emploi des jeunes, la mise en place d’une « garantie européenne pour la jeunesse », permettant à l’UE d’aider ses États membres à offrir une formation ou un emploi à tous leurs jeunes ; enfin les programmes de mobilité de type « Erasmus », qui aident efficacement les jeunes Européens à se doter de compétences linguistiques et transversales, et dont il faut encore accroître le financement.
“Os Desastres da Guerra” da pintora Graça Morais inaugura o ciclo de exposições temporárias na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa. As pinturas foram criadas a partir de fotografias da imprensa e funcionam como um grito de alerta perante o que a artista transmontana considera um mundo a questionar.
E se procurarem saber porque é que todas as imaginações humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem, acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio e o único lugar onde possamos escapar dos nossos aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós mesmos. O presente é turvo e árido, o futuro está oculto.
Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos…
O director Carlos Vaz Marques quer publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.
O primeiro número da edição portuguesa da revista literária Granta, que sairá em Maio, irá publicar inéditos de Fernando Pessoa, disse esta sexta-feira à Lusa o jornalista Carlos Vaz Marques, que a dirige.
A publicação de cinco sonetos de Fernando Pessoa, apresentados pelos investigadores pessoanos Jerónimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite, insere-se no primeiro objectivo da revista, que “é o de publicar bons textos literários inéditos”, disse Carlos Vaz Marques.
Referindo-se à publicação dos sonetos de Pessoa, Vaz Marques afirmou tratar-se de “uma revelação absoluta” que “já justificaria, por si só, este primeiro número da edição portuguesa da Granta”.
Segundo o responsável, há o interesse em publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.
Maria João Cantinho: nasceu em 1963, Lisboa. É poeta, ensaísta e pensadora. Profunda conhecedora da obra e pensamento do filósofo Walter Benjamin. Formou-se em Filosofia e realizou tese de mestrado em estética sobre Walter Benjamin: “O Anjo Melancólico – análise do conceito de alegoria na obra de Walter Benjamin”. Tem vindo a colaborar em várias publicações (jornais e revistas) , tanto na área da poesia, como ensaio. Publicou entre outros títulos: “A Garça” (contos, 2001), “Abrirás a Noite com um Sulco” (Poesia, 2002) , “O Anjo Melancólico” (ensaio, 2002), o Traço do Anjo ( poesia 2011)
FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (1). | «Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado – e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos.»
Ferreira Fernandes, no DN.
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FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (2).«No ano em que soubemos que uma quadrilha de amigos do Presidente não paga o que deve ao BPN e temos nós de pagar por eles, milhares de milhões, as pessoas escolhem odiar Sócrates.»
Clara Ferreira Alves, no Expresso.
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FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (3).«Para memória futura: que fique registado que muita e boa gente defendeu, sem pudor, que José Sócrates devia ser silenciado para sempre.»
Tornar o mundo um miolo, achatá-lo com peso de corpo sobre o tampo atoalhado da mesa, arredondá-lo sob a palma linhosa da mão que o sente ínfimo desperdício, coisa que se pode perseguir se rola desatenta para o chão.
Olhá-lo desinteressadamente mesmo que já entre os pés calçados há horas, sem alterar uma pequena parte que seja da sua vaga importância, portanto nem sequer adesivá-lo com palavras inventadas e ele, o miolo, a ponto de esmiuçar-se perante a nossa indiferença e nós, a ruborizarmos sobre os ombros.
Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o Estadão:
Artista consagrado no circuito internacional e representado em coleções como a do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), o mineiro Cao Guimarães, 48, ganha sua primeira individual numa instituição brasileira, o Itaú Cultural, que será aberta hoje para convidados (e amanhã para o público). A mostra Ver É Uma Fábula, com curadoria de Moacir dos Anjos e arquitetura expositiva de Marta Bogéa, reúne seus oito filmes de longa- metragem, além de 21 vídeos e fotografias apresentadas em slide show. A exposição é a maior já feita do artista e ocupa três andares do instituto, onde também será realizado um workshop com Cao e os músicos do Grivo, grupo formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, que assina as trilhas de quase todos os filmes do realizador.
Inspirado numa passagem do livro Catatau, do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989)…
What a beautiful animated interpretation of “The Me Bird” by Pablo Neruda:
I like that it’s a true inspiration piece, not a video with the poem appearing as text or read aloud. A great reminder, just before National Poetry Month, that poems can inspire all sorts of works of art.
Designa-se Baixa 22 este restaurante-bar cujo nome se deve ao (já mítico) eléctrico 22, que passa entre este sítio e o luxuoso Hotel Infante de Sagres, do outro lado da praça. Onde antes havia uma antiga carpintaria, agora reinventada mas onde a madeira ainda impera, o sushi de fusão e a sangria, para muitos provavelmente a melhor da cidade, são a especialidade que nos leva frequentemente até lá. O ambiente é informal, despojado e despretensioso mas, sobretudo, honesto com o espírito e a arquitectura original do espaço, procurando manter-se fiel ao carácter muito próprio da cidade. E isso, para mim, é cool!
O espaço deste bar e restaurante é pequeno mas grande em personalidade. Duas estreitas portadas dão acesso a uma sala estreita e comprida, mas alta, com diversas mesas e cadeiras em madeira que mostram um ar robusto e austero como antigamente, tal como o balcão. As cores, bem…
We stopped by Romont, Switzerland to view a funeral procession on Good Friday. Replete with mourners, it takes place in the medieval old town on cobblestone streets past a ancient buildings.
The ceremony begins with a mass and a reading from the Bible of the Passion of Christ. When the funeral procession is mentioned, the congregation exits the church to begin their procession through the streets of the old hilltop town. The parade is led by a penitent in a black gown, wearing a black hood and carrying a large cross. A young girl portraying the Virgin Mary follows. Mourners are clothed and veiled in black come next. Some of them carry the symbols resting on scarlet cushions. They include: a crown of thorns, a whip, nails, a hammer, tongs, and St. Veronica‘s shroud.
No passado sábado, 23 de Março, numa Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa completamente lotada, teve lugar uma sessão cultural evocativa da figura de Álvaro Cunhal, que inicia um ano dedicado às comemorações do centenário do seu nascimento. Não pertencendo nem nunca tendo pertencido ao Partido Comunista Português (PCP) situo-me, porém, no grupo daqueles que consideram que o PCP se inscreve na área política que gostariam de ver o povo português escolher para liderar os destinos do país. Aqui fica o meu registo de interesses para que não haja equívocos com esta nota no GDH.
Com muito gosto aceitei o convite que me dirigiram para integrar a Comissão Promotora e estive presente na Aula Magna onde, entre muitas vantagens, beneficiei da oportunidade de ouvir mais um magnífico discurso do reitor da Universidade, professor Sampaio da Nóvoa. Guardo de Álvaro Cunhal, do cidadão, do resistente e precursor do 25 de Abril, do político, do estadista, do intelectual multifacetado, um profundo respeito. Particularmente agora, quando as figuras menores que têm passado pelo poder sem honra e sem dignidade vêm aviltando a imagem dos políticos e da democracia – e este é dos pecados maiores que lhes devem ser cobrados –, é justo e é pedagógico, evocar alguém que se empenhou profundamente na política sem mácula, sem cedências susceptíveis de violarem os princípios, os valores, os compromissos. Álvaro Cunhal era uma referência para quantos, independentemente dos sectores ideológicos e partidários em que se situassem, cultivavam o rigor na gestão da polis, na política, porque era de uma enorme exigência. Mas começava por ser exigente consigo próprio. Concordasse-se ou discordasse-se dele, confiava-se nele.
Recordo que, quando partilhei algumas responsabilidades no país e, com os meus camaradas, discutíamos ou analisávamos a situação política, o sentimento generalizado em relação a Álvaro Cunhal era o de que se tratava de um homem de carácter, credível no que dizia, fiável naquilo com que se comprometia. Aí pela década de 90, quando eu já estava reformado da vida militar e Álvaro Cunhal já deixara a liderança do PCP, encontrávamo-nos, não com muita frequência mas com alguma regularidade, por vezes com mais dois ou três amigos. Eram conversas privadas, interessantíssimas, trocas de impressões passando em revista as conjunturas nacional e internacional. E Álvaro Cunhal gostava de frisar o que mais o marcara quando teve de lidar com os militares na política no período revolucionário e nos anos em que perdurou o Conselho da Revolução e um militar na presidência da República: eram homens de palavra. E isso fora decisivo na manutenção de relações de respeito mútuo.
Há um aspecto que não posso deixar de registar. Hoje, quando a União Europeia navega em águas agitadas sem rumo perceptível e em que os chamados países periféricos sofrem as consequências de decisões que parecem tudo menos inocentes, é oportuno recordara voz lúcida de Álvaro Cunhal que na altura muitos acusaram de “velho do Restelo”. Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão à Comunidade Económica Europeia e a entrada no “clube dos ricos”, quando a maioria do povo português embarcava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas.
Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso.
No dia 5 de abril, sexta-feira, entre as 14h30 e as 16h00, a Biblioteca Municipal irá acolher uma ação sobre poesia intitulada “Amo-te – Poemas para gritar ao coração”, a cargo de João Manuel Ribeiro.
Organizada pela Equipa da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Beiriz, a iniciativa destina-se aos alunos do 8º ano de todas as escolas do concelho.
Promover o gosto pela poesia; desmistificar a dificuldade da escrita poética; participar de forma ativa na construção do texto poético; fomentar o gosto pela partilha; estimular o gosto/ consciencialização na divulgação de conhecimentos adquiridos são os objetivos desta atividade que pretende assinalar o Dia Mundial da Poesia (21 de março), sendo que este decorreu no período de interrupção letiva da Páscoa.
João Manuel Ribeiro nasceu em 1968, em Oliveira de Azeméis. A concluir Doutoramento em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre A Poesia na Escola – Resposta ao texto poético e organização do ensino.
Mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre “A Poesia no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Das Orientações Curriculares às Decisões Docentes”.
Tem-se dedicado à escrita para crianças, acompanhando tal processo com um trabalho de dinamização da literatura em Escolas Básicas do 1º Ciclo e colégios, quer através de oficinas de escrita criativa, quer através de encontros onde diz poesia. Dinamizou alguns projetos de escrita colaborativa com alunos, resultando desse processo alguns livros.
Formador de professores. Formador de formadores. Formador da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas.
Sócio da Associação Portuguesa de Escritores. Sócio da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Membro da Children´s Literature Association (CHLA – USA).
Há uma constante na televisão desde que José Sócrates começou a aparecer nela com regularidade, já lá vai uma década. Sempre que é entrevistado, nas horas seguintes recolhemos os cacos dos entrevistadores.
Sempre.
Quer-me por isso parecer que talvez devamos procurar a explicação não nos comentadores, mas na capacidade mediática dele. A capacidade de desarmar um discurso. De contrapor. A combatividade. De desrespeitar, respeitando o jogo democrático.
Sócrates escapa à docilidade da esmagadora maioria dos políticos, que preferem uma relação macia com os jornalistas. Se aceitarmos os argumentos sobre a sua ferocidade vindos precisamente dos mais experimentados desses entrevistadores ficará mais fácil analisar o trabalho deles.
Não acho que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves se tenham distinguido pela negativa. Não estiveram brilhantes, é certo, e tiveram os seus próprios momentos de se atropelarem mutuamente.
Mas o problema deles não foi a “má preparação”: foi Sócrates. E, se quisermos fazer mesmo justiça, a súbita existência de um discurso de contraponto aos números e guidelines com que a insistência ultraliberal acabou por adormecer o coletivo através da visão única e da voz monocórdica a repetir a mesma ladainha há 4 anos. Acaba por se entranhar e depois qualquer beliscadura faz estremecer.
O contraponto, para mais expresso por uma pessoa veemente, segura de si e com domínio perfeito — visceral — da narrativa televisiva e do timing, desarmou os entrevistadores, habituados a entrevistados concordantes ou no mínimo macios e oblíquos.
Uma notinha final: da próxima vez que quiserem entrevistar José Sócrates em televisão, para evitar o atropelamento pelo camião TIR televisivo que o homem é, não facilitem metendo 2 (ou mais) entrevistadores. Isso só o ajuda a desarmar — basta-lhe mudar o olhar de um para o outro para destruir uma pergunta.
Notoriamente, os dois jornalistas destacados para entrevistar José Sócrates estavam impreparados, ou não tomaram em consideração a aptidão dialéctica do ex-primeiro-ministro, ou, pior, não estavam ali para esclarecer, sim, acaso, para baralhar e entrar em chicana, colocando-se como protagonistas, quando deviam ser mediadores. Chegou a ser pungente a evidência com que o entrevistado repôs a natureza dos factos, perante a turva propriedade das enunciações. O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada “independência”, foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de “desincorporação” que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo. Ficámos esclarecidos? Não; porque os entrevistadores, além das deficiências apontadas, foram intimidados pelo “animal feroz”. O homem está em grande forma.