Extrait de l’opéra de Mozart, Cosi fan tutte, dirigé par Jérémie Rhorer à la tête du Cercle de l’Harmonie et mis en scène par Eric Génovèse (Valérie Nègre, metteur en scène associé).
Avec Camilla Tilling, Michèle Losier, Claire Debono, Markus Werba, Bernard Richter et Pietro Spagnoli.
Au Théâtre des Champs-Elysées, 5 représentations du 22 au 31 mai 2012
La critique française l’a consacré « Révélation musicale » de l’année 2008. Né en 1973 à Paris, Jérémie Rhorer a fait des études de clavecin, d’analyse et de composition au Conservatoire National Supérieur de Paris, avant de devenir l’assistant de Marc Minkowski et, plus tard, de William Christie. En 2005, au festival de Pâques de Deauville, il crée avec le violoniste Julien Chauvin Le Cercle de l’Harmonie, un ensemble sur instruments d’époque qui se focalise sur le répertoire de la fin du XVIIIe siècle.
C’est en 2006, au Festival International d’Opéra Baroque de Beaune, que Rhorer et Le Cercle de l’Harmonie sont découverts par un plus large public grâce à leur interprétation électrisante d’Idomeneo. LeursNoces de Figaro (version de concert), données également à Beaune en 2007, leur vaut des échos enthousiastes et un franc triomphe lors de leur reprise au Théâtre des Champs-Élysées. En 2008, c’est le Festival d’Aix-en-Provence, où il dirige L’Infedeltà delusa de J.Haydn, qui, cette fois, récompense les mérites de ce jeune interprète des partitions de Mozart, en lui remettant le Prix Gabriel Dussurget.
Le Théâtre des Champs-Élysées l’invite avec le Cercle de l’Harmonie à diriger son festival Mozart avec notamment trois productions scéniques, Idomeneo en 2011, Così fan tutte en 2012 et Don Giovanni en 2013.
Il fait ses débuts au Wiener Staatsoper en janvier 2011 avec Così fan tutte, suivis directement d’une invitation pour les Noces de Figaro en 2012. Il fait ses débuts au festival de Salzbourg en 2010 lors de deux matinées Mozart avec Diana Damrau. Il est l’invité du Mostly Mozart du Lincoln center à New York en 2011 et en 2013.
A la Monnaie de Bruxelles, il dirige successivement Les Noces de Figaro, Idomeneo et il y reviendra en 2013 et 2014. A l’Opéra-Comique, il dirige Auber (2009), Grétry (2010) et J.C.Bach (2011) etMahagonny Songspiel et les Sept péchés capitaux de K.Weill au théâtre des Champs-Élysées avec Angelika Kirchschlager.
En 2011 il dirige le Requiem de Brahms à Hambourg avec la Deutsche Kammerphilharmonie, ainsi que l’orchestre de chambre de Munich, le Kammerorchester Basel et l’Orchestre National de Bordeaux-Aquitaine. En 2012, il est invité pour les Noces de Figaro à la tête du Cercle de l’Harmonie au Festival d’Aix-en-Provence et dirige à la Radio de Francfort, à la Radio d’Amsterdam et à Poznan.
Parmi ses projets figurent ses débuts au festival de Glyndebourne en 2013 avec les Noces de Figaro à la tête du London Philharmonic, des invitations du philharmonique de Rotterdam ainsi que La Vestalede Spontini et les Dialogues des Carmélites au Théâtre des Champs-Elysées.
Jérémie Rhorer s’est par ailleurs fait un nom en tant que compositeur. Il a été récompensé, entre autres, par le Prix Pierre Cardin de l’Académie des Beaux-Arts et obtenu plusieurs commandes de Radio France. L’intégrale de sa musique de chambre a été donné au festival de La Roche-Posay en 2006. L’Orchestre National de France créé la version pour orchestre de son œuvre Le cimetière des enfants en novembre 2008.
Il a enregistré plusieurs disques pour EMI/Virgin Classics avec Diana Damrau, Philippe Jaroussky et Le Cercle de l’Harmonie, tous salués par la critique. Ses enregistrements avec Le Cercle de l’Harmonie sont désormais publiés chez Ambroisie/Naïve, tel Beethoven : the birth of a master sorti en juin 2011 suivi par le Paris des Romantiques avec Bertrand Chamayou et Julien Chauvin en solistes et la Lodoïska de Cherubini.
A semana passada foi dominada pelos 2 primeiros personagens e por aquilo que as suas organizações representam. O novo papa da Igreja Católica, um desconhecido que de uma hora para a outra se transformou numa estrela planetária, reuniu o circo mediático para dizer o que os sacerdotes de todas as religiões há milhares de anos dizem: acreditemos nos deuses que só eles nos resolvem os problemas.
O segundo (Durão Barroso), também um apostolo da fé no pensamento comum, veio dizer-nos, através do assalto aos depositantes dos bancos de Chipre, que a sua organização faliu, mas convém que não fujamos sem sermos devidamente sangrados, como os cordeiros dos sacrificios pascais. Os dois são figuras conhecidas, omnipresentes.
Reunem à sua volta os holofotes para nos deitarem água chilra sobre as nossas chagas e contarem lengalengas para nos iludirem as dúvidas e os receios. O terceiro é um desconhecido para a maioria. Robert Castels, um pensador (filósofo?, sociólogo?) francês, que morreu na passada semana (a da eleição do papa Francisco e da inaudita medida da Uniião Europeia sacar 10% dos depósitos, para já em Chipre).
Conheci Robert Castels, no ISCTE, através dos livros, no inicio da década de 80. Ele fez-me confrontar com o paradoxo da sociedade industrial, de que a atual situação é o corolário: de tanto nos esforçamos para não termos que nos esforçar, de termos entendido o progresso como a varinha mágica que tudo se resolve com um botão de eficiência, chegámos à sociedade do mercado e do desemprego (nesta sociedade, desde que haja energia barata, tudo pode ser alcançado sem trabalho), da precaridade, da insegurança social. À sociedade em que os homens são, em primeiro lugar desnecessários, depois prejudiciais, e a seguir um custo a eliminar. À situação em que estamos. É evidente que o circo mediático coloca diante dos nossos olhos em doses macissas os que nos garantem que nada mais há a fazer que rezar, deixar-nos levar e confiar em quem nos tosquia antes de nos sacrificar.
“Não excluo a possibilidade de uma revolução social”, declara Jean-Claude Junker, ontem à margem do chamado Conselho Europeu. O primeiro-ministro do minúsculo Luxemburgo percebeu que a sua principal arma é a palavra, para dizer aquele óbvio que outros têm medo de assumir. Junker tinha, há dias, explicado aos alemães, através da Der Spiegel, que na Europa “os demónios da guerra estão apenas a dormir” e que a actual política imposta à Europa os pode acordar a qualquer momento. Ontem, alertou para a possibilidade de uma “revolução social”.
Junker tem razão e parece o único dirigente europeu a que ainda resta inteligência, lucidez e alguma coragem para falar. Mas, no que diz, não vai até ao fim dos seus raciocínios. O discurso dominante, o da chamada política “neo-liberal”, fechado numa matriz muito pobre e incapaz de integrar factores determinantes da vida política, esquece o essencial. Que Junker agora recordou. E é irónico que seja o “ortodoxo” Junker a fazê-lo. Ele tem mesmo de estar muito assustado com o andamento das coisas para tomar iniciativas deste tipo…
A política imposta por Berlim/Bruxelas aos Estados da Europa (e que só contempla os interesses nacionais da Alemanha e de um ou outro aliado de ocasião) está a ter consequências incontroláveis. Uma bem óbvia é a da ruptura do “contratro social” em sucessivos Estados da orla marítima e que começa também a manifestar-se em Estados mais continentais e tidos como mais ricos. O fenómeno, que começou na Grécia e atingiu pontos irreversíveis em Portugal e Espanha, já atingiu a Itália, como as últimas eleições mostraram. E, em França, a posição de Hollande nas sondagens, as decisões dos sindicatos e ascensão de Marine Le Pen deixam claro que a contaminação já aconteceu.
Ora, enquanto a questão da ruptura do “contrato social” só tocasse a gregos e portugueses, a pequenos países e economias sem peso, Berlim/Bruxelas não tinha de se inquietar e podia gerir o “drama” sem quaisquer preocupações. Mas quando o “contrato social” se rompe em Espanha, esgaça em Itália e ameaça a França, outro galo canta… As Merkels da Europa ficam sem saber que fazer e os Junkers assustam-se. O Verão de 2013 ameaça ser bem quente no continente europeu. Para nós, será a última oportunidade, antes de nos esmagarmos no fundo do abismo, de salvar a nossa Pátria e mantermos alguma dignidade. De anos de aperto já nada nos pode salvar, mas que sejam, ao menos, por algo que valha a pena e não para encher os cofres da banca alemã.
saiu para a rua.
embrenhou-se na espessura da noite,
amou e traiu,
seduziu e deixou-se seduzir,
morreu um pouco todas as manhãs
e nunca mais regressou ao que tinha sido.
Há poucos meses, sugerimos aqui (como ironia e para sublinhar os limites estreitos do quadro financeiro-económico em que Merkel e amigos puseram a Europa a definhar) que os responsáveis portugueses deveriam antecipar as ordens de Merkel e do ‘Bild’ para “vender as ilhas” e começarem já a trabalhar nesse cenário. Mal adivinhámos na altura que o trágico da realidade vai bem à frente da nossa ironia. Não que Cavaco, Passos, Gaspar & Cª antecipem o quer que seja mas sim porque alguém o faz. Não são os portugueses que pensaram em vender as ilhas… São os chineses que pensaram em comprá-las! A começar pela Terceira, nos Açores, a da Base das Lajes! O ‘Bild’, entretanto, não deu a notícia deste interesse chinês… Pena que assim seja.
No fim de Junho passado, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao fez por arranjar, no regresso de uma viagem à América do Sul, uma “escala técnica” nas Lajes. Durante 4 horas, Wen Jiabao visitou (e também os homens da sua comitiva…) a base e a ilha. As campaínhas de alarme tocaram nas grandes capitais europeias e em Washington.
Bizarro… A delegação chinesa partira do aeroporto de Santiago do Chile e a viagem normal de regresso à China seria, simplesmente, um atravessar do Pacífico. Como é, aliás, habitual os chineses fazerem. Então, perguntou-se alguma gente, o que levou Wen Jiabao a mais que duplicar o percurso de regresso? Olhando para o percurso, a resposta parece simples. A alteração do percurso de regresso tinha apenas como objectivo encontrar um pretexto para esta “escala técnica” que não era tal mas sim a oportunidade para Jiabao inspeccionar a base e a ilha… Essa era a única razão para o seu avião não estar no Pacífico mas no Atlântico.
Em Washington, houve imediatamente quem interpelasse o Pentágono sobre os seus planos para ‘desinvestir’ nas Lajes (decisão que de um ponto de vista técnico-militar pode fazer sentido mas que de um ponto de vista estratégico é muito questionável). Com o já alto desemprego existente na Terceira (10%) e dado que a base assegura 5% dos empregos da ilha, a conclusão em certos círculos de Washington é que Portugal terá de encontrar um novo ‘inquilino’ para as Lajes. Como também é conhecido que Pequim escolheu Portugal como a sua grande porta de entrada na Europa Ocidental e no Atlântico, as contas não foram difíceis de fazer quando Wen Jiabao desembarcou nas Lajes.
A Base Aérea nº4 é uma grande atracção para Pequim. Se lá puser o pé, a China pode patrulhar as zonas norte e centro do Atlântico, pode mesmo cortar o tráfego aéreo e marítimo entre a Europa e os EUA (que vingança para quem tem o poderio naval americano no estreito de Taiwan e em todo o chamado mar da China…) e também negar o acesso ao Mediterrâneo.
Uma, apenas uma, das ilhas portuguesas do Atlântico chega para fazer ‘tocar campaínhas’ de Pequim a Washington passando pela Europa e por Moscovo… Para evitar mais alarmes, o Pentágono que faça o favor de proibir Merkel de dar ‘ordens’ para “vender as ilhas” e mandá-la portar-se bem. Talvez que Putine também possa ajudar nisso… É que pode haver alguém que siga a ‘ordem’ à risca… “Quantos milhões são precisos para tomar conta desse partido no governo?”, perguntava, já há tempos, um ‘jornalista’ oriental aos seus convidados na mesa de um restaurante de Lisboa. Não foi possível ouvir a resposta.
inscritas na dor de uma armadura agarrada a silêncios
mil vezes guardados
mil vezes entornados
nessa (re)câmara
violentamente reconhecida
dual sensação
DO AMOR
qual orgia sísmica pintada a escarlate, onde amantes acedem à visão deste espaço-tempo, ainda floreado em êxtase… porque não?
eis que irrompe o som
obscuro punhal, que num acto de loucura executa o ritual
pacto de sangue
o duo
nesta urgência de querer
não querer
aprender a ser fogo e gelo
num qualquer mar onde a linguagem se quebra…
Un 8 de marzo de 1857, un grupo de obreras textiles tomó la decisión de salir a las calles de Nueva York a protestar por las míseras condiciones en las que trabajaban.
Distintos movimientos se sucedieron a partir de esa fecha. El 5 de marzo de 1908, Nueva York fue escenario de nuevo de una huelga polémica para aquellos tiempos. Un grupo de mujeres reclamaba la igualdad salarial, la disminución de la jornada laboral a 10 horas y un tiempo para poder dar de mamar a sus hijos. Durante esa huelga, perecieron más de un centenar de mujeres quemadas en una fábrica de Sirtwoot Cotton, en un incendio que se atribuyó al dueño de la fábrica como respuesta a la huelga.
En 1910, durante la Segunda Conferencia Internacional de Mujeres Trabajadoras celebrada en Copenhague (Dinamarca) más de 100 mujeres aprobaron declarar el 8 de marzo como Día Internacional de la Mujer Trabajadora.
Actualmente, se celebra como el Día Internacional de la Mujer.
“A mulher que passa Rio de Janeiro
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.”
“O riso é a mais útil forma da crítica, porque é a mais acessível à multidão. O riso dirige-se não ao letrado e ao filósofo, mas à massa, ao imenso público anônimo. É por isso que hoje é tão útil como irreverente rir das ideias do passado: a multidão não se ocupa de ideias, ocupa-se das fórmulas visíveis, convencionais das ideias…”
– Eça de Queirós, in ‘Carta a Joaquim de Araújo’, 25 de Fevereiro de 1878.
Maria Estela Veloso de Antas Varajão Costa Gomes (1927-2013)
Foi no atelier do pintor e amigo Henrique Medina que Francisco da Costa Gomes viu o retrato a óleo de uma linda minhota com o tradicional traje de mordoma. A beleza enigmática daquela jovem despertou-lhe o interesse, conseguindo que o pintor os apresentasse. Do encontro – no Porto, em casa da madrinha dela – nasceu um correspondido amor-à-primeira vista e um apaixonado namoro, iniciado em Maio de 1952. Casaram sete meses depois, na Sé de Viana do Castelo. Maria Estela acompanhou sempre a carreira militar e política do marido, vivendo em Lisboa, nos Estados Unidos da América, em Moçambique e em Angola. Em Setembro de 1974, Costa Gomes assume funções como Presidente da República e em Novembro de 1974, fruto da instabilidade política, o casal é aconselhado a mudar-se para o Palácio de Belém. Maria Estela recordará sem saudade os tempos que viveu na residência oficial, pela agitação e pela falta de comodidade daquele espaço, desabitado desde o Presidente Craveiro Lopes. O regresso à casa particular, em 1976, foi, pois, um momento de alívio para os dois e de regresso à tranquilidade, abalada anos depois pela morte inesperada do único filho, Francisco. O casal apoia-se mutuamente nesse momento trágico fortalecem os laços que os unem. Costa Gomes manteve uma actividade discreta mas intensa, sempre acompanhado por Maria Estela, que o ex-Presidente tratava carinhosamente por “Estelinha”. A morte dele, em 2001, pôs fim a uma vida em conjunto de 49 anos. Estela Costa Gomes – que nunca se reconhecera no papel de primeira-dama – faleceu no passado dia 2, no mês em que completaria 86 anos.
‘E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse….
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
A Biblioteca Nacional apresenta a mostra “Literatura de cordel brasileira. Coleção Arnaldo Saraiva”, que decorrerá entre 8 de março à 22 de junho deste ano. A Literatura de Cordel chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e passou por várias adaptações regionais até se popularizar com o seu formato atual. Representa uma parcela preciosa da nossa história, assumindo-se como um elemento de importante valor cultural, principalmente por se tratar de um documento literário que tem as suas raízes no mundo antigo e cuja existência se justifica (também) pela necessidade dos mais desfavorecidos em contar suas histórias. A Literatura de Cordel merece ser relembrada e tratada com a mesma dignidade que trouxe para a cultura popular lusófona, nutrindo-a de alegria, crítica social e imaginação.
“Os limites aos bónus dos gestores da banca, definidos pela União Europeia, são o primeiro sinal de uma revolta cívica contra esta nova espécie de marginal económico. E que terminará com uma pergunta que até já nos Estados Unidos se faz (e no passado se fez muitas vezes): pode toda a economia ficar refém de uma minúscula elite financeira, que põe em perigo os Estados, as economias e até a sobrevivência do próprio capitalismo?
Estamos tramados. Há um raminho de políticos, fazedores de opinião, jornalistas, entrevistados de luxo e outros lustrosos manhosos, que não hesitam em espremer os seus briosos miolos, extraindo daí todo o surtido de esterco contaminante. Não se calam. Divulgam barbaridades como verdades absolutas. Um qualquer negociante, sem qualquer curiosidade intelectual ou formação humanística, chega a super-ministro e exibe incompetência e demência. Miguel Relvas é apenas um símbolo coadjuvado por uma trupe incontável. Até foi convidado para botar sabedoria num inclassificável Clube de Pensadores que se expõe em blogue redigido com os pés. Mas há muitos mais crentes na capela do neoliberalismo insensível. O beato César das Neves, que acredita nas virtudes da crise para corrigir os nossos excessos, surge de vez em quando do nada para o púlpito. Mário Crespo, na SIC-N, convoca volta e meia o inenarrável avô Cantigas Esteves para as contas de subtrair. Ele próprio opina e desatina com outros convidados, menos alinhados com o seu tosco pensamento, envolto em sebosa sabedoria de obter e deitar fora. É também nesta estação que o justiceiro Gomes Ferreira ataca quem pode e bajula quem manda com descontração de figurante de anúncio publicitário. Há uma senhora na TVI que convida cromos de luxo: o professor Medina, a um dia certo da semana, subtraindo e corrigindo como se não houvesse amanhã, e o alucinado professor Marcelo, aos domingos, como cartomante encartado.
Mas há muitos mais em outras montras da comunicação: um cretino chamado Camilo Lourenço, depois dos fretes a Passos e ao seu governo, vem agora propor o fim do ensino da história, concretizando-o com a proposta de extinção dos professores da disciplina, já que nada fazem pela economia. E depois há as esclarecidas mentes empresariais e banqueiras. Recuso-me a conspurcar estas singelas linhas com as mediáticas atitudes do merceeiro do pingo doce e do banqueiro do BPI, mas não podemos ignorar a muito recente sugestão do “ex-fascista” e posterior “social-democrata” João Salgueiro no sentido da instauração do trabalho forçado – mandar indiscriminadamente pessoas desempregadas para a limpeza de florestas e velhinhos é uma ideia que não lembraria ao mais empedernido dos seus ex-companheiros ideológicos. Também o movimento Reformados Indignados, dirigido por um ex-banqueiro e formado por pensionistas milionários, vem colocar a saborosa cereja no topo do bolo. Que elite é esta? Porque será que em Portugal até a elite é manhosa? Já não nos espantaria ver a dupla Santana Lopes – Pedro Granger associada na constituição de um clube de reflexão e análise. Nem me admirava nada que o saltitante João Baião, ou os inacreditáveis Homens da Luta, motivados pelas votações italianas, formassem um grupo contra-sistema para se candidatarem a eleições legislativas. Tudo é possível, em terra onde quem deveria transmitir conhecimento influente, influencia o poder contra quem de facto produz e luta pela sua existência com inteligência e exigência: a classe média. Alguém sabe de uma carreira que nos transporte daqui para fora?