No livro A Malta das Trincheiras, André Brun refere uma série de episódios sobre a sua dura experiência na I Guerra Mundial, na frente da Flandres, incorporado no C.E.P. – Corpo Expedicionário Português. Há dias, a 9 de Abril, passou mais um aniversário, o 95º, da batalha de La Lys, um terrível desastre para as forças portuguesas, que tem sido muitas vezes ocultado ou mitificado. Será oportuno transcrevermos aqui algumas das impressões que André Brun nos deixou, escritas em Biarritz, em 1918. Logo na introdução, num trecho que julgamos particularmente significativo, ele conta-nos:
…
Sobreveio o mês de Março, cujos dias cruéis não poderá olvidar a minha brigada encurralada sem justificação táctica na situação mais dolorosa de quantas até então tínhamos conhecido. Seguiram-se os primeiros dias de Abril, que fizeram sangrar dolorosamente o meu coração de soldado, e chegou esse dia nove, cuja história documentada um dia há de…
(Concepção do espaço por Atelier de Arquitetura Likearchitects)
A Arte Chegou ao Colombo, exposição “Andy Warhol – Icons” Psaier and the Factory Artworks. (11 de Abril a 11 de Julho)
Cerca de 30 obras de Andy Wharol e Pietro Psaier. Provando que não é necessário criar nada de novo, a partir do zero, Wharol “apenas” usou nos seus trabalhos novas directrizes conceptuais e artísticas. Um génio.
Faz sentido que se esteja a enviar para o espaço uma sonda para explorar Plutão enquanto aqui as pessoas morrem de fome? Estamos neuróticos. Não só existe desigualdade na distribuição da riqueza como também na satisfação das necessidades básicas. Não nos orientamos por um sentido de racionalidade mínima. A Terra está rodeada de milhares de satélites, podemos ter em casa cem canais de televisão, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? É uma neurose colectiva, as pessoas já não sabem o que é que lhes é essencial para a sua felicidade.
Não devia conspurcar esta sugestão musical com as minhas paupérrimas palavras mas, é a desvantagem de um blogue, “isto” que nós podemos e devemos ouvir em silêncio, de olhos fechados e com auscultadores, Bach só compôs para… afinar os órgãos. Como quem não quer a coisa, só para ver se o instrumento tinha ficado afinado.
Rafael Trobat é mais um fascinante fotógrafo da nova geração da fotografia espanhola.
O seu trabalho mais conhecido, dado à estampa no livro “Aquí, junto al agua. Nicaragua” corresponde a um projecto que, ao longo de 16 anos (1990-2006) desenvolveu no país.
O período escolhido não é, de todo, arbitrário. De facto, retrata a sociedade da Nicarágua nos anos de mudança que caracterizaram o consulado político da Presidente Violeta Chamorro, ou seja, o período que media o final da Revolução Sandinista (que, pela via armada, derrubou Anastacio Somoza em 1979 e governou o país durante uma década) e o regresso ao poder, pela via eleitoral, de Daniel Ortega, um dos comandantes sandinistas (Ortega, um dos cinco membros da Junta Sandinista, foi eleito presidente da Nicarágua em 1984. Foi derrotado, em eleição democrática, por Violeta Chamorro em 1990. Foi candidato vencido em 1996 e 2001, antes de ser novamente eleito presidente…
Back in December 2012 the New York Times published an article about the advent of a new genre in publishing, new adult. In simplistic terms they say new adult novels are young adult novels with sex. My own personal feelings, however, run a bit deeper. First let me say that this new genre is being marketed to 18-25 year-olds. Nobody doubts that being a teenager is hard, but so is coming into your own and becoming an adult. Those in the 18-25 age bracket are usually entering college/graduating college, thinking about sex, their future, taking care of themselves financially, mature relationships, and beginning life on their own two feet. As someone who can seriously relate to all of these thoughts, having gone through them myself fairly recently (I’m 26), I’ve been happy about the explosion of this genre. Books written with honesty and depth about the problems this age bracket…
Nó Cego, Carlos Vale Ferraz (Casa das Letras, 2008). “Puta compañía… maricones, chulos, seminaristas, niños de papá, vagabundos…”, así describe el Capitán a su grupo de comandos destinado en Mozambique. La novela relata con extrema crudeza las operaciones del grupo e indaga en las vidas de sus miembros. La historia de un joven campesino alentejano que se fue a buscar la vida a Lisboa, pero que en la capital solo encontró dolor y miseria, y que acabó enrolado en el Ejército, es el ejemplo de muchas vidas de jóvenes portugueses que acabaron implicados en las guerras africanas. Carlos Vale Ferraz, cuyo nombre es Carlos Matos Gomes, fue oficial del Ejército portugués y participó en operaciones especiales en Angola, Mozambique y Guinea Bisáu.
Numa das suas últimas crónica, no “Público”, fazendo uma crítica feroz deste Governo, J. Pacheco Pereira evocava “os intelectuais” e a tarefa que Emerson lhes atribuía: anular o destino, pelo pensamento. Pacheco Pereira é suficientemente lúcido, culto e conhecedor da história para não cair na nostalgia pelos intelectuais universais do tempo das visões do mundo, a que muita gente se abandona ciclicamente. Ele sabe muito bem que esse intelectual universal, que desempenhou um papel tão importante no final do século XIX e princípio do século XX, deu lugar a uma outra figura a que Foucault chamou o “intelectual específico”, com outro significado político. Mas o facto de evocar a obrigação do antigo intelectual – recordando também os erros e os crimes de que este foi autor ou cúmplice – mostra que se tornou inevitável, em certas circunstâncias, revisitar esta figura depositada nas caves da história, quando as circunstâncias reclamam mais do que escritores, artistas e filósofos que se limitam a gerir as regras autónomas do seu próprio campo. ¶
Como mostra Bauman num livro sobre a “decadência dos intelectuais”, estes passaram de legisladores modernos a intérpretes pós-modernos, e a elite intelectual é hoje um grupo social que se ocupa preferencialmente de si ou, na melhor das hipóteses, do sector específico a que pertence. Assim, a cultura já não pode ter uma função crítica relativamente à sociedade, pondo em confronto valores e modos de vida, na medida em que se tornou um mero sector ‘produtivo’, rendido às argúcias teológicas da mercadoria como fetiche. Sob administração de burocratas e comissários políticos que só pensam em termos de consenso, este território inofensivo luta apenas para se manter e reproduzir. A sua tarefa é fazer a síntese total, onde tudo é compatível com tudo, e não a cesura crítica que “anula o destino”.
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Atual, Portugal, 1.12.2012.
Por fim, alguém da classe política e da direita atreve-se a ser politicamente incorrecto. José Ribeiro e Castro arrisca-se a levar uma “bordoada” da irmandade aventaleira.
O anti-cristianismo (e não “cristofobia”, porque tal como uma fobia é irracional, o termo “cristofobia” é também irracional porque e multilateral anti-cristã) é um fenómeno político multilateral; ou seja, não existe uma só forma de anti-cristianismo: antes, existem várias formas que se conjugam no mesmo esforço anti-cristão na Europa.
Em primeiro lugar, temos o laicismo radical promovido pela irmandade aventaleira (que apoia incondicionalmente François Hollande) que concebe a sociedade sob um modelo gnóstico, em que existe uma elite de eleitos Pneumáticos (que têm direito à sua religião e estão automaticamente “salvos”) e os Hílicos que são a maioria e que não têm direito à “salvação”. O avental jacobino é intrinsecamente fascista mas acoberta-se e esconde-se sob uma “política de direitos humanos”…
Ao Anselmo Borges e ao Diário de Notícias, a devida vénia e os nossos cumprimentos. Obrigado por este interessante artigo.
Este – “as leis fundamentais da estupidez humana” – é o título de um livrinho famoso, publicado há muitos anos, mas sempre actual. Apareceu em inglês, depois em italiano. Acabo de lê-lo em francês. O seu autor, Carlo M. Cipolla (1922-2000), historiador da economia, foi professor na Universidade de Berkeley e na Escola Normal Superior de Pisa.
Para estabelecer as leis fundamentais da estupidez, é preciso, primeiro, definir quem é o estúpido. Para isso, ajudará a comparação com outros tipos de gente. Diz o autor que, quando temos um indivíduo que faz algo que nos causa uma perda, mas lhe traz um ganho a ele, estamos a lidar com um bandido. Se alguém realiza uma acção que lhe causa uma perda a ele e um ganho a nós, temos um…
No meio do caos instituído pelo (des)governo, as idas e vindas da troika, a Merkel a atribuir ao salário mínimo as culpas da brutal taxa de desemprego ( que é que ela quer? pouco a pouco chegar à escravatura? os custos de mão de obra reduzem-se ao combustível, a máquina humana tem que comer minimamente para poder continuar a produzir, uma chatice que não baixa o custo de mão de obra para zero), ouvir os dislates costumeiros dos comentadores e jornalistas e os elogios àquela que em vida foi uma besta humana. No meio deste caos, desta cacofonia, que nos invade os dias, contra o que temos que lutar, dois momentos luminosos.
Um em Sintra, onde 6ª feira, foi dado o primeiro passo para, finalmente, a obra de Bartolomeu Cid dos Santos, acompanhada pela sua preciosa colecção de artistas seus amigos, alunos e ex-alunos, um total de…
As Conferências do Casino podem considerar-se um manifesto de geração.
Denominam-se assim por terem tido lugar numa sala alugada do Casino Lisbonense e foram uma série de cinco palestras realizadas em Lisboa no ano de 1871 pelo grupo do Cenáculo formado, por sua vez, pelas mesmas pessoas, mais ou menos, que constituem a Geração de 70. Foi, então, um grupo de jovens escritores e intelectuais, reunidos em Lisboa após acabarem os seus estudos em Coimbra. Antero aparece como grande impulsionador desde 1868, iniciando os outros membros do grupo em Proudhon.
A ideia destas palestras surgiu na casa da Rua dos Prazeres, onde na época reunia o Cenáculo. Antero e Batalha Reis alugaram a sala do Casino Lisbonense, situado no Largo da Abegoaria, presentemente de Rafael Bordalo Pinheiro. Foi no jornal “Revolução de Setembro” que foi feita a propaganda a estas Conferências. A 18 de Maio foi divulgado o manifesto, já anteriormente distribuído em prospectos, e que foi assinado pelos doze nomes que tinham intenções organizadoras destas Conferências Democráticas.
22 de Maio de 1871
1ª Conferência: “O Espírito das Conferências”
Conferência proferida por Antero de Quental, de certa forma introdutória daquelas que se seguiram. De acordo com os relatos dos jornais da época, único testemunho que resta, esta palestra consistiu num desenvolvimento do programa que tinha sido previamente apresentado.
Antero começou por se referir à ignorância e indiferença que caracterizava a sociedade portuguesa, falando da repulsa do povo português pelas ideias novas e na missão de que eram incumbidos os “grandes espíritos” e que consistia na preparação das consciências e inteligências para o progresso das sociedades e resultados da ciência. Referiu o exemplo que constitui a Europa e a excepção formada por Portugal em face deste exemplo.
Para Antero o ponto fulcral que iria ser focado nas futuras Conferências seria a Revolução, o seu conceito, que Antero define como um conceito nobre e elevado.
A conclusão da palestra termina com o apelo que Antero faz às “almas de boa vontade” para meditarem nos problemas que iriam ser apresentados e para as possíveis soluções, embora estas últimas se constituíssem como opostas aos princípios defendidos pelos conferencistas.
27 de Maio de 1871
2ª Conferência: “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos”
Esta Conferência foi também proferida por Antero de Quental. Na introdução Antero pressupõe três atitudes ou pontos de partida. Em primeiro lugar “O Peninsular”, falar da Península como um todo; em seguida uma aceitação – os Povos obedecem a um estatuto anímico colectivo, estrutural – é a crença no génio de um Povo; e, por fim, uma atitude judicatória – Antero julga a História, como uma entidade, o juízo moral, social e político.
Em seguida enumera e discute as causas da decadência. A primeira causa apontada por Antero foi o catolicismo transformado pelo Concílio de Trento (1545-1563), com a Contra-Reforma e a Inquisição, que desvirtuara a essência do Cristianismo, conduzindo a uma atrofia da consciência individual; de seguida, aponta o Absolutismo, a Monarquia Absoluta que constituía a “ruína das liberdades sociais”, o centralismo imperialista viera coarctar as liberdades nacionais, levando a “raça” ibérica a uma cega submissão; por fim, a última causa é o desenvolvimento das conquistas longínquas, as conquistas ultramarinas, que exauriram as energias do país, levando à criação de hábitos prejudiciais de grandeza e ociosidade e que conduziram ao esvaziamento de população de uma nação pequena, substituindo o trabalho agrícola pela procura incerta de riqueza, a disciplina pelo risco, o trabalho pela aventura.
Para Antero a solução destes problemas é a seguinte:
“Oponhamos ao catolicismo (…) a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano (…), a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado. Oponhamos à monarquia centralizada (…) a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal (…). Finalmente, à inércia industrial oponhamos a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea (…), organizada de uma maneira solidária e equitativa…”*
A conclusão insere uma dimensão progressista, a instauração de uma revolução, a acção pacífica, a crença no progresso inspirado numa moralização social (Proudhon), sendo proferida num tom idealista e retórico.
5 de Junho de 1871
3ª Conferência: “A Literatura Portuguesa”
Conferência proferida por Augusto Soromenho, professor do Curso Superior de Letras.
Nesta palestra faz uma crítica aos valores da literatura nacional, concluíndo que ela não tem revelado originalidade. Há uma negação sistemática dos valores literários nacionais, exceptuando escritores como Luís de Camões, Gil Vicente e poucos mais, atacando os poetas, dramaturgos, romancistas e jornalistas seus contemporâneos. Transmite uma visão decadentista, ao negar originalidade e peculariedade à literatura nacional.
Tem a sua vertente revolucionária ao inculcar a ideia de que a literatura portuguesa deverá sofrer um processo de reconstrução que deverá partir de uma sociedade revitalizada.
Uma literatura com carácter nacional mas que se paute por valores universais.
O modelo e guia desta renovação salvadora da literatura nacional seria Chateaubriand, com o conceito de Belo absoluto como ideal da literatura, constituindo esta um retrato da Humanidade na sua totalidade.
12 de Junho de 1871
4ª Conferência: “A Literatura Nova ou o Realismo como Nova Expressão de Arte”
Conferência dada por Eça de Queirós e que encontra a sua inspiração em Proudhon e, no aspecto programático, no espírito revolucionário destas Conferências referido por Antero nas palestras que proferiu.
Eça salientou a necessidade de operar uma revolução na literatura, semelhante àquela que estava a ter lugar na política, na ciência e na vida social. A revolução é um facto permanente, porque manifestação concreta da lei natural de transformação constante, e uma teoria jurídica, pois obedece a um ideal, a uma ideia. É uma influência proudhoniana. O espírito revolucionário tem tendência a invadir todas as sociedades modernas, afirmando-se nas áreas científica, política e social. A revolução constitui uma forma, um mecanismo, um sistema, que também se preocupa com o princípio estético. O espírito da revolução procura o verdadeiro na ciência, o justo na consciência e o belo na arte.
A arte, nas sociedades, encontra-se ligada à seu progresso e decadência, sendo condicionada por causas permanentes, como o solo, o clima e a raça e causas acidentais – ideias que formam os períodos históricos e determinam os costumes, também denominadas históricas.
O artista encontra-se sob a influência do meio, dos costumes do tempo, do estado dos espìritos, do movimento geral, em conclusão às causas acidentais ou históricas. A arte obedece, então, às ideias directrizes da sociedade, ao seu ideal, à sua ideia-mãe, conduzindo esta situação à harmonização entre a arte e o ideal social. Esta teoria indicia a conciliação da teoria determinista de Taine, com a influência do meio e do momento histórica na criação artística, e o príncipio moral de Proudhon, que refere o papel social do artista e a utilidade da arte.
A revolução, que inspirara tantos escritores, como Rabelais e Beaumarchais, é renegada e esquecida pela arte contra-revolucionária. Faz uma crítica cerrada ao Romantismo, a Chateaubriand, refere a separação entre o artista e a sociedade que conduz à arte pela arte e, por fim, anuncia o príncipio da reacção salutar que começava a acontecer contra a “impostura oficializada” – o Realismo, que coincide com o despertar do espírito público.
“Que é, pois, o realismo? É uma base filosófica para todas as concepções do espírito – uma lei, uma carta de guia, um roteiro do pensamento humano, na eterna região do belo, do bom e do justo. Assim considerado, o realismo deixa de ser, como alguns podiam falsamente supor, um simples modo de expor – minudente, trivial, fotográfico. Isso não é realismo: é o seu falseamento. É o dar-nos a forma pela essência, o processo pela doutrina. O realismo é bem outra coisa: é a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático e do piegas. É a abolição da retórica considerada como arte de promover a comoção usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da congestão dos tropos. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o realismo é uma reacção contra o romantismo: o romantismo era a apoteose do sentimento; o realismo é a anatomia do carácter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade.” **
Dando uma noção mais concreta, Eça sistematiza:
“1º – O Realismo deve ser perfeitamente do seu tempo, tomar a sua matéria na vida contemporânea.(…);
2º – O Realismo deve proceder pela experiência, pela fisiologia, ciência dos temperamentos e dos caracteres;
3º – O Realismo deve ter o ideal moderno que rege a sociedade – isto é: a justiça e a verdade”***
Foca aqui as relações da literatura, da moral e da sociedade. A arte deve visar um fim moral, auxiliando o desenvolvimento da ideia de justiça nas sociedades. Fazendo a crítica dos temperamentos e dos costumes, a arte auxilia a ciência e a consciência. O Realismo conduzirá à regeneração dos costumes. Concluindo:
“A arte presente atraiçoa a revolução, corrompe os costumes. De tal forma, ou se há-de tornar realista ou irá até à extinção completa pela reacção das consciências. – O modo de a salvar é fundar o realismo, que expõe overdadeiro elevado às condições do belo e aspirando ao bem, – pela condenação do vício e pelo engrandecimento do trabalho e o da virtude.”****
19 de Junho de 1871
5ª Conferência: “A Questão do Ensino”
Palestra proferida por Adolfo Coelho que se inicia com uma posição de ataque às coisas portuguesas. Traça o quadro desolador do ensino em Portugal, mesmo o superior, através da História.
A solução proposta passa pela separação completa da Igreja e do Estado e por uma mais ampla liberdade de consciência, solução que, no entanto, era restrita a uma zona da vida nacional.
Para Adolfo Coelho a Igreja deprime o povo e do Estado nada havia a esperar. Tomando isto em consideração, o remédio seria apelar para a iniciativa privada, para que esta difundisse o verdadeiro espírito científico, o único que beneficiaria o ensino.
26 de Junho de 1871
Quando Salomão Saragga se preparava para realizar a sua Conferência “História Crítica de Jesus”, o Governo, por portaria, mandou encerrar a sala do Casino Lisbonense e proibir as Conferências.
No mesmo dia Antero redige um protesto no café Central, hoje Livraria Sá da Costa.
*QUENTAL, Antero de, 2ª Conferência: Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, Casino Lisbonense, 27 de Maio de 1871 in MEDINA, João, Eça de Queiroz e a Geração de 70, Lisboa, Ed. Moraes, 1980, 1ª ed., pp. 157-158.
**QUEIRÓS, José Maria Eça de, 3ª Conferência: A Literatura Nova ou O Realismo como Nova Expressão da Arte, Casino Lisbonense, 12 de Junho de 1871 (Reconstituição por António Salgado Júnior, o texto original perdeu-se) in MATOS, A. Campos (org. e coordenação), Dicionário de Eça de Queirós, Lisboa, Ed. Caminho, 1988, s/ed., pág. 127.
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Manipulação de fotos têm sido um pilar da fotografia, mesmo antes do advento do Photoshop, mas com o uso onipresente do programa por todos o mundo tornou-se inundado com trabalhos de seriedade questionável e dúvidosa. Felizmente o trabalho de Thomas Barbey nos enche de esperança. Suas peças trazem de volta uma qualidade surreal clássica, talvez porque ele faça seu trabalho a moda antiga – com fotografias de cinema cuidadosamente planejadas com base, seleção de negativos e até um pouco de aerografia.
Anos de viagem e artistas como René Magritte, MC Escher ou Roger Dean inspiraram Barbey a criar suas peças . Seus trabalhos em preto e branco jogam com escala e perspectiva de maneiras que torcem a realidade sem distorcer seus elementos individuais. Simplesmente fantástico!
Entre as duas nádegas
o pávido sulco
tem aroma de áfricas
e de uvas de outubro
Dirias que fora
um silvo de morte
a penetrar toda
a nocturna flora
até hoje intacta
que ainda aí tinhas
Respira Não fales
Murmura Não grites
Que travo
de amoras
Que túnel escuro
Que paz no que sofres
por mais uns minutos
o pescoço vergas
submissa e frágil
tal o de uma
égua que vai beber
água
mas encontra a
lua
E junto da cama
a rosa viúva
com lágrimas brancas
já pede os meus dedos
sacudido apoio
para a viuvez
em que a deixo hoje
Muito mais a
norte os queixumes
calas
E nem gemes Gozas
enquanto te invade
o suco da vara
vertido no sulco
Vê como foi fácil
Respira mais
fundo
Chrys CHRYSTELLO (n. 1949-) é um cidadão australiano que não só acredita em multiculturalismo, como é um exemplo vivo do mesmo. Nasceu no seio duma família mesclada de Alemão, Galego-Português (942 AD), Brasileiro (carioca) do lado paterno e Português e marrano do materno. Publicou aos 23 anos o livro “Crónicas do Quotidiano Inútil, vol. 1” (poesia). Viveu em Timor (1973- 75) e dedicou-se sempre ao jornalismo (rádio, televisão e imprensa). Durante décadas escreveu sobre o drama de Timor Leste enquanto o mundo se recusava a ver essa saga.
Na Austrália esteve envolvido nas instâncias oficiais que definiram a política multicultural daquele país, divulgou a descoberta de vestígios da chegada dos Portugueses (1521-1525, mais de 250 anos antes do capitão Cook) e difundiu a existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português (há quatro séculos).
È ACADÉMICO correspondente da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa). Tem vários livros publicados do ensaio, à crónica e à poesia. Traduziu inúmeras obras de autores açorianos para Inglês. Organiza desde 2001-2002, os Colóquios Anuais da Lusofonia [Bragança; Lagoa, Ribeira Grande e Maia (S. Miguel); Vila do Porto (Sta Maria, Açores), Brasil, Galiza e Macau]. É Editor dos CADERNOS (DE ESTUDOS) AÇORIANOS,publicação trimestral, online, dos Colóquios da Lusofonia, coordenados por Helena Chrystello e Rosário Girão.http://www.lusofonias.net/conteudo/estudos-acorianos/
Num registo tão elitista quanto a elegância o permite, Eduardo Pitta, deixa-nos um relato das suas viagens a Itália na forma de um quase diário. Não são viagens de turismo no seu sentido convencional. O autor recusa entregar-se à multidão, a essa horda de turistas basbaques e ao seu frenesi compulsório, ou à espontaneidade de uma opção de última hora. Este é o percurso estudado de um homem culto. Um percurso destinado a satisfazer o seu gosto pelo requinte, seja por uma paisagem, um apontamento arquitectónico ou uma refeição num restaurante de excelência (onde o preço, obviamente, não é impedimento).
O percurso divide-se por duas cidades, Veneza e Roma.
Da primeira, Eduardo Pitta, afirma: “Veneza é música e é luz”. E descobrimos ser também a sua gastronomia e os locais onde os seus ícones marcaram presença. Os restaurantes merecem um olhar demorado. “O ambiente é glamoroso, distendido, bem-humurado, sentimos que estamos envoltos numa aura de privilégio”. Ou, “caras bonitas, vozear controlado”.
Existe um percurso que é o olhar de Eduardo Pitta e é fácil deixarmo-nos enamorar por ele. Talvez, porque “a intimidade alheia sempre espicaçou os homens”, como refere a propósito da multidão de turistas que visitam o palácio dos Doges. A elegância dos ambientes é depurada como a prova de um grande vinho. Os aromas, a cor, a extensão dos saberes, o registo prolongado da memória, tudo avaliado com a mestria de um entendido, sem o deslumbramento do turista em excursão organizada.
Apontamentos breves são-nos servidos com um impecável sentido de humor. “…um bando de rapazes improvisara uma desastrada versão de Great Bird de Keith Jarrett. A temeridade é um atributo dos inocentes. Eles são jovens e pareciam dispostos a comer os dentes do piano. O poeta teria gostado”.
Quando se trata das suas desilusões é impiedoso, “o Babington’s Tea Room, tornou-se uma decepção: criadas mal resolvidas, pretensioso e caro. As freiras que vi no Vaticano têm melhor astral”.
Este livro é uma “abstracção da realidade”, mas não na sua forma de divertimento simples para consumo imediato, é antes um desafio ao bom gosto, ao grande relato das coisas simples da vida, mas belas. O relato sóbrio de uma certa forma de se estar. Depois de o ler nunca mais a Fontana de Trevi terá o mesmo encanto.
“Quem conhece, sabe do que falo. Quem não conhece, deve ir conferir”. Ou, neste caso, ler.
Há uma manobra em marcha nos escombros da política nacional, às vezes mais camuflada, outras vezes mais descarada, que merece ser seguida com alguma atenção e com não menos preocupação. De resto nem sequer é totalmente inédita, tem antecedentes, que radicam mesmo no limiar do sistema democrático desta Segunda República Constitucional.
A manobra passa por fazer crer que, neste (des)governo Passos Coelho/Paulo Portas há, desde a sua posse, o parceiro bom e o parceiro mau. É um pouco a reediçãoda história do bom ladrão e do mau ladrão. O parceiro mau é o PPD/PSD, o partido maioritário do primeiro-ministro e chefe do bando, do Miguel Relvas oportunista e sinistro manipulador dos bastidores políticos e de Vítor Gaspar, o frio tecnocrata e infiltrado da tróika no executivo nacional onde impõe as receitas da austeridade custe o que custar. O parceiro mau é o da insensibilidade social, que despreza as pessoas, impõe a ditadura das finanças, falha todas as previsões, joga despudoradamente com o desemprego galopante como factor determinante do modelo económico que perfilha, a competitividade externa baseada em baixos salários.
O parceiro bom é o CDS/PP, o partido minoritário de Paulo Portas que se serve do seu cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros para se por a recato nos momentos mais comprometedores, dum ministro da caridadezinha que tenta passar despercebido e distanciar-se dos calamitosos efeitos sociais dos golpes desferidos contra o Serviço Nacional de Saúde, contra a Escola Pública, contra o factor trabalho, contra os direitos mínimos dos desempregados, dos doentes, dos aposentados. O parceiro bom é o que tenta transmitir a imagem do sacrificado, do que está no governo sem prazer e sem benefícios mas por missão, que reconhece os pecados da governação mas se esforça por minimizá-los, que tenta introduzir as boas medidas ou atenuar as más medidas. Preocupa-se com o desemprego mas não domina a pasta da economia, é contra os enormes aumentos de impostos mas não tem nada a ver com a pasta das finanças, empenha-se no fomento das exportações mas vê-se bloqueado pela ineficácia do responsável pela economia, pela avareza do senhor das finanças, pela incompetência do chefe do governo. É contra a marginalização da oposição e dos sindicatos, pelo diálogo aberto, maschoca-se com a arrogância e a inépcia do parceiro maioritário. Apela por uma remodelação profunda do executivo, mas contenta-se com um superficial arranjinho. É muito sensível às carências, às desigualdades, às ruturas sociais, mas não pode levar as críticas às últimas consequências para evitar abrir uma crise política. O parceiro bom intriga nos corredores, lança recados pela comunicação social, deixa pairar ameaças, mas acaba sempre por ceder. Por necessidade. Por patriotismo.
Este é o quadro que se pretende exibir e que tem como principal promotor, obviamente, o CDS/PP e o seu inteligente mentor, Paulo Portas. Nada de novo.
O mais interessante é que o principal destinatário desta mensagem não só se mostra receptivo como até, por sua iniciativa, se encarrega de a alimentar. Também aí, nada de novo. É recorrente, no discurso do PS, a tentativa de demarcar o CDS do PSD, o bom do mau. E não apenas com a intenção de tentar fragilizar a coligação, dividi-la, provocar a rutura. O objectivo é mais longínquo, visa o pós-governo, assegurar o parceiro à direita, no mal-afamado “arco da governação”, quando de novas eleições lhe vier a cair no regaço um poder precário de maioria relativa.
O CDS está na mesma jogada. A sua ambiguidade de parceiro bom num governo péssimo visa assegurar a futura aliança com o PS. A lógica do arco da governação que tanto gosta de proclamar é essa, manter-se como parceiro menor, mas pivot da alternância entre PS e PSD. É este o pilar do maquiavelismo realista de Paulo Portas e já está em marcha.
O eleitorado português tem embarcado neste equívoco e com que preço. Tarda a acordar para a dura realidade, a ver que tem sido este arco da governação que, desde 1976, vem sistematicamente cavando o buraco em que nos vimos enterrando. É um arco em túnel e sem saída.
É um acontecimento histórico o que se está neste momento a passar no Estado Espanhol, onde um movimento de massas se organiza para defender o direito à habitação e conseguiu demonstrar que quando se luta, com tenacidade e persistência, se conseguem vitórias.
Em cada eleitorado aparelhístico há uma pequena Coreia do Norte que ama o seu grande líder.
Esta gente, estas autênticas quadrilhas têm um papel mais pernicioso na política atual que a corte tinha nas monarquias absolutas. Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga.
Estas são páginas do diário de uma menina que carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo demora uma sombra a ficar madura. Páginas feitas de memórias, para leitores de todas as idades.
No último piso do edifício da Casa da Música, as noites de sábado estendem-se quando o restaurante se transforma no Bar Casa da Música, com que partilha o espaço. Entre copos e conversas, num ambiente informal e de certa forma alternativo, dança-se noite dentro ao som das últimas tendências da música electrónica. A programação a cargo de Rui Trintaeum aposta em DJ’s nacionais, sendo que nas noites de Clubbing o bar tem uma dimensão mais internacional.
O espaço tem um ar industrial, com tecto alto e disforme, como o próprio edifício onde se insere, de onde pendem painéis metálicos. Por baixo fica a pista de dança, ao longo do bar propriamente dito onde se destaca a instalação multicolor de Pedro Cabrita Reis. Existe ainda o privilégio de se desfrutar da esplanada exterior, que nos dias mais quentes nos presenteia com uma vista de excelência sobre a cidade, voltada para…
Há muito por explicar em relação ao que se passa exactamente em Portugal e até que ponto os nossos governantes têm optado por mentir ou não sobre os números do défice e sobre as suas opções.
Perante uma afirmação de Mário Soares, por menos do que se está a fazer caiu Carlos de Bragança, a extrema-direita entrou em pânico. O problema desta gente é a noção de impunidade que imaginam protegê-los. Não há impunidade. Nem num ciclo político normal, onde se paga nas urnas, muito menos no golpe de estado que vão orquestrando, que conduz inevitavelmente a outras urnas.
Aquilo que estão a tentar fazer em Portugal falha sempre em democracia, seja porque esta funciona, seja porque deixa mesmo de funcionar.
Por enquanto não apareceu um Manuel Buiça e um Alfredo Costa, ilustres portugueses que sacrificaram a sua vida em combate contra uma ditadura, apenas porque ainda não foi tempo disso. Quem ataca doentes e desempregados com a desfaçatez de saberem que isso não os atinge, quem pensa que a humanidade é uma selva darwinista, arrisca-se a levar com a selva em cima e está a fabricar…
Estão abertas as inscrições para o Curso de Escrita Criativa – nível 1, com António Pacheco e a participação especial de Afonso Cruz. As sessões decorrerão nas instalações do Ginásio Clube Português. Aceda ao link para mais informações.
Portugal não pode ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu, defendeu nesta sexta-feira Maria João Rodrigues, conselheira do presidente da Comissão Europeia, na conferência “Portugal na Balança da Europa e do Mundo”.
Portugal só poderá superar a crise em que se encontra se a União Europeia avançar no sentido de completar a união económica e monetária, defendeu a economista, acrescentando que o Governo português devia apresentar uma proposta nesse sentido nas instâncias europeias.
“Não podemos ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu”, disse Maria João Rodrigues, acrescentando que a crise está actualmente a gerar níveis de divergência inaceitáveis entre os países da zona euro.
“Já não é um problema de crise financeira e um problema de crise da integração europeia”, declarou Maria João Rodrigues, para quem “o mais urgente é completar a união bancária e normalizar o acesso ao crédito nas empresas dos países da zona euro em situação problemática”
“O modelo português tem de ser mais competitivo, não pela via da compressão de salários mas da criação de produtos de valor acrescentado. Há ajustamentos a fazer mas não podemos pôr em causa funções sociais do Estado”, defendeu.
“O nosso objectivo central é evitar cair na espiral recessiva para consolidar as finanças públicas, o crescimento e o pleno regresso aos mercados. O caso português pode dar um contributo para resolver o problema europeu e temos o capital de contribuição para a construção europeia que nos permitirá ser ouvidos”, afirmou ainda.
A classe política decidiu que vivemos em liberdade, e como que por acção de uma varinha mágica, passamos a “viver em liberdade”.
Mas a verdade é que não é porque a classe política “decide” que vivemos em liberdade que, por sua alta recreação, passamos de facto a viver em liberdade. Para que vivamos em liberdade não chega a manipulação sistemática da opinião pública por parte da classe política: é preciso também que a classe política respeite o senso-comum e uma ética racional.
Quando a opinião pública muda tão rapidamente como tem mudado em assuntos tão diversos como a submissão canina e indigna à União Europeia ou ao “casamento” gay, então, ou a opinião não mudou de facto, ou a sociedade não é livre — porque a opinião pública, numa sociedade que seja de facto livre, não muda com a rapidez que tem mudado nos últimos dez anos. Já não vivemos em democracia; e a “liberdade” é apenas aquilo que a classe política quer que seja.
A classe política — tal como Rousseau preconizou mediante o conceito abstracto, abstruso e absurdo de “vontade geral” — “obriga os cidadãos a serem livres”. O povo é obrigado a ser livre em conformidade com o conceito exclusivista de “liberdade” imposto pelas elites.
Os media, as tvs, tratam com o mesmo entusiasmo, todos os acontecimentos que seleccionam como se todos tivessem a mesma importância. A expressão que há uns anos se tentou introduzir na área cultural, “indústria de conteúdos”, que, aliás, desapareceu com a mesma velocidade com que foi introduzida por algumas luminárias industriais, aplica-se com mais propriedade a esta máquina diária de produção de eventos; o que disse fulano é tratado como o que disse sicrano; a crise financeira de Chipre tem a mesma importância da crise financeira do Sporting; a remodelação de dois ministros é tratada como idêntica – como assunto propulsor de discursos – a uma manifestação de um milhão de pessoas; a gritaria da Assembleia de manhã é transposta para uma pequena gritaria à noite em vários canais em simultâneo sobre os mesmos assuntos que foram discutidos à tarde. E todos, mas todos os “acontecimentos” servem para uma tempestade imparável de comentários, debates, entrevistas, seguidas de análises das entrevistas anteriores e assim sucessivamente. Com uma variante: a crise de todos os dias é suspensa todas as segundas-feiras para se juntarem vários grupos de 3 pessoas e falarem de futebol à mesma hora, não de futebol propriamente dito, mas da vária miséria que anda à sua volta, da qual esses programas fazem parte integrante.
O inferno não deve ser muito diferente de tudo isto (somado multiplicado, amplificado e eternizado).
Quanto tudo é equivalente a qualquer outra coisa é o mesmo que qualquer coisa ser equivalente ao nada.
Claro que não é verdade. Mas parece. É uma indústria de “conteúdos” florescente, produtora de um stress síncrono no qual todos participamos (dentro ou fora) com maior ou menor alegria, ou com maior ou menor fúria.
Falta apenas um aspecto a constatar: a arte nunca existe.
editora: Companhia Nacional Editora – Successora de David Corazzi e Justino Guedes
colecção: Viagens Maravilhosas
edição: 2.ª
data: 1889
local: Lisboa
tradução: Manuel Pinheiro Chagas
língua: Português
páginas: 251
estado: usado, em estado razoável. capa a descolar-se do miolo.
O inglês John Gaunt, duque de Lancaster (os portugueses dizem e escrevem Lencastre…) é pretendente ao trono de Castela em virtude do seu casamento com Constança, filha de Pedro-o-Cruel. Já conquistou todo o norte da Galiza e agora muito lhe convém uma aliança com D. JOÃO I, Mestre de Avis, pois este, para garantir a independência de Portugal, está sempre em guerra contra os castelhanos. E a aliança, porque interessa a uma e outra parte, é assinada em 1386 e reforçada em 1387 através de um casamento político: John Gaunt dá a mão da sua primogénita D. Filipa de Lencastre a D. JOÃO I. O casamento realiza-se na Sé do Porto, a 2 de Fevereiro.
Em 14 anos, de 1388 a 1402, D. Filipa dá à luz oito filhos: D. Branca, D. Afonso, D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, D. Isabel, D. João e D…
O chefe da diplomacia portuguesa disse esta quinta-feira que o prazo para a aplicação plena do acordo ortográfico “tem uma diferença de seis meses” entre Brasil e Portugal e sublinhou a importância da afirmação das culturas num mundo globalizado. Leia mais clique aqui
Nascido em 1918, Edmundo Pedro conheceu, desde muito cedo, o significado de palavras como empenhamento cívico e político, ou liberdade. Com 15 anos apenas é condenado a um ano de prisão e à perda de direitos políticos por um período de cinco anos. De novo detido aos 17 anos, é deportado, com o pai, para o Tarrafal, onde permanece durante nove anos.
Em 1958 participa ativamente na campanha presidencial do General Humberto Delgado e, em 1973, a convite de Mário Soares, adere ao Partido Socialista. Entre 1976 e 1987, é deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito membro da Comissão política Nacional do PS em 2009.
Uma vida que traduz “Um Combate pela Liberdade”, título da sua Biografia, cujo III volume será apresentado no próximo sábado, dia 13 de abril, pelas 16h00, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, com a presença do autor. A apresentação estará a…
Ontem abordámos o culto que se gerou em torno da figura de Fernando Pessoa e o elevado preço que. num leilão em Lisboa, atingiram uma secretária e uma máquina de escrever que o poeta usou. E contámos como essa elevada licitação estava relacionada com um livro. Outro livro nos leva a que continuemos hoje com Pessoa – mais propriamente, com a sua correspondência com Armando Cortes Rodrigues,
Do livro “Cartas de autores portugueses”, editado pelos Correios e Telecomunicações de Lisboa, coligidas por José Ribeiro da Fonte, podemos apreciar extractos de cartas de grandes autores portugueses, divididos em: A Carta, Do amor, Da viagem, Da política, Da vida e do mundo e Da arte e do artista.
Aí encontrei algumas de Fernando Pessoa para Armando Côrtes-Rodrigues. Por também ter em minha posse uma carta deste último (para minha mãe Maria Cecília Correia) onde fala sobre a forma como conheceu…
A declaração ao país do primeiro-ministro depois dos absurdos chumbos ao Orçamento faz lembrar esses foliões fora de horas: agora, disse Passos, não haverá aumento de impostos; os cortes serão feitos na despesa do Estado; e Portugal continuará a renegociar os prazos dos empréstimos. Agora. Com um milhão de desempregados. E uma carga fiscal que destroçou a economia interna. E com falhanços sucessivos no défice (o que teria aconselhado a metas muito mais alargadas). Em resumo, agora: com o país a cair aos trambolhões pelo abismo recessivo, uma queda que será agravada pela voragem com que as travessas serão rapadas. Agora é tarde, Inês é morta. O anúncio do primeiro–ministro devia ter sido o seu programa desde o início. Quando ainda existia um país.
MANUEL SAN PAYO, pintor, expõe, individual ou colectivamente, desde 1981, estando a sua criação artística representada em diversas colecções, públicas e privadas.
É licenciado em pintura pela Escola Superior de Belas-Artes e docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Manuel San Payo ilustrou o conto “A Caligrafia de um Bárbaro” (capital Montevideu) escrito por JOÃO RICARDO PEDRO que se encontra incluído no livro CONTOS CAPITAIS publicado recentemente pela Parsifal.
A exposição “SÃO FLORES” de MANUEL SAN PAYO está à vista do público na Galeria Monumental em Lisboa – Campo Mártires da Pátria 101 – até ao dia 11 de Maio e posso garantir que não há Primavera mais bela a ser vista e apreciada!!
Na passada segunda-feira, morreu José Luis Sampedro. Cumprindo a vontade do escritor, ficcionista e economista catalão, a família só comunicou a sua morte na terça-feira, dia 9, após o funeral. Tinha 96 anos, mas como se pode confirmar no vídeo que aqui incluímos, o seu raciocínio era límpido .
Em 25 de Outubro de 2012, publiquei um artigo onde relatava a surpresa que, há muitos anos atrás (em 1993!), me produziu a leitura de La sonrisa etrusca. Terminava dando conta da minha intenção de voltar aqui a falar sobre este catalão que, como disse José Saramago, fez da reflexão uma forma de vida. Lamentavelmente, volto a falar dele pela pior das razões.
Eis o link para esse artigo.
E numa entrevista concedida em Dezembro de 2012 onde nos afirma que o sistema capitalista não atravessa uma crise – pura e simplesmente está esgotado:
Estamos a matar o homem europeu, que construiu a civilização mais racional, mais humanista, mais liberal que existiu na terra, que misturou raças, criou a democracia, a vontade popular democrática, criou a Carta dos Direitos Humanos, a Carta dos Direitos da Criança, defendeu os Direitos Ambientais.
Uma Europa de que a última tentativa de ser resgatada foi o projecto de comunidade europeia. E os valores portugueses e europeus estão a ser mortos por uma geração de economistas, que substitui o homem pelo número. Podem dizer que isto é demagógico, mas é a verdade.
[…] Hegel disse que a China estava a dormir há três mil anos, agora é a Europa que ficará a dormir, três mil anos ou mais. Como homem europeu, sinto revolta.
O júri da segunda edição do Prémio de Fotografia “Retratar um Livro”, composto por António Mega Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho e João Francisco Vilhena, reuniu no dia 9 de abril e deliberou atribuir o terceiro prémio a Fábio Roque pela fotografia com o título Mensagem:
1.º Prémio a Maria de Lurdes Poças, Jurista, pela fotografia Impressão Estranha:
O 2.º Prémio foi atribuído a Pedro Teixeira Neves,Jornalista , pela fotografia A vida que há em si:
O referendo prometido em 2017 por David Cameron não levará ele à saída definitiva do Reino Unido da União Europeia? “Marianne” imagina as consequências desta política não tão ficção como pode parecer .
Yves Logghe/AP/SIPA
A data foi escolhida com cuidado. O referendo britânico sobre a saída da União Europeia foi fixado para 24 de Abril, dia de São Jorge, festa do Santo padroeiro da Inglaterra que, do alto de seu cavalo, arrasa o dragão do mal. Se as sondagens mais recentes sugerem pouca esperança para os eurófilos, ninguém esperava uma tão clara vitória dos “União Europeia, NÃO”. Cinquenta e oito por cento dos britânicos votaram a favor do divórcio, soltando as amarras para um destino desconhecido.
Os eurocépticos deslocaram-se em massa para votar enquanto que os…
Enquanto a Europa dá sinais de senilidade global ao tentar apropriar-se das poupanças (e da inevitabilidade dos cidadãos terem contas bancárias onde se vêm obrigados a guardar os ordenados que não lhes chegam para as contas do fim do mês) o poder luso perde-se em discursos idiotas destinados a salas vazias proferidos pelo chefe do governo e o Ministro de Estado e das Finanças declara que o acordo com a tróica foi mal equacionado depois da tróica o acusar dos falhanços decorrentes da política do “ir além da própria tróica”.
No meio de todo este descalabro salva-se o Jesuíta que proclama a necessidade de cuidarmos uns dos outros dando a entender que isso não tem a ver com a nossa disponibilidade pontual para cuidar, mas antes com a necessidade permanente de cuidados dos nossos próximos.
O Mundo político está cada vez mais mal frequentado. Talvez a Igreja Católica reabra o caminho da esperança e da solidariedade que os agnósticos do dinheiro esqueceram quando deixaram de entender que nas quatro operações aritméticas está incluída a divisão. LNT
Foi há 2 anos que um grupo de dirigentes políticos impreparados, desgastados por sucessivas derrotas eleitorais e formatados num liberalismo doutrinário, viram no chumbo do PEC IV a possibilidade de precipitação de uma crise política. Com isso conseguiriam também obter cobertura externa para o seu programa, construindo uma poderosa narrativa que os desresponsabilizaria na crise.
O PEC IV não era um passe de mágica nem, tão pouco, inclua as medidas que o PSquisesse aplicar ou que fossem confortáveis para qualquer socialista: não eram. Não são. Eram, todavia e à época, as medidas possíveis de um Governo socialista isolado de uma economia periférica numa Europa guinada à direita, atravessando uma convulsão financeira mundial, com instrumentos limitados por uma integração monetária assimétrica.
O contexto nacional era de progressiva reorganização das forças financeiras e económicas, antecipando uma queda do Governo socialista minoritário. Pouco antes, desde 2008, com o estouro da desregulação mundial e a queda dos gigantes da finança norte-americana, a Comissão Europeia estimulava políticas expansionistas e de investimento público para combater a recessão – o que de facto foi conseguido -, agravando o défice e a dívida de todos os países europeus. A Alemanha, que viu nesta crise a oportunidade histórica de impor a sua hegemonia política e financeira na UE com pesados custos para o projecto europeu, rapidamente percebeu a oportunidade de fortalecer a sua economia estabelecendo os termos de troca nos restantes países e nas instituições europeias.
Desta forma, em relação a outros países, a excepção portuguesa foi a conjugação do pico da crise com a fragilização política do Governo de então, com um Presidente da República hostil e com a gula da banca pelas linhas de recapitalização de um programa de assistência, levando todos os principais banqueiros a uma inédita semana de entrevistas na televisão para forçar uma viragem política no país.
O PEC IV, de facto, permitiria o oxigénio possível até outras medidas por parte do BCE. Atendendo ao que entretanto sabemos de outros países, é bem provável que não tivéssemos chegado a um programa de assistência para toda a economia ou que as condições, nomeadamente de juros, tivessem sido mais vantajosas.
Dois anos volvidos, sabemos o que aconteceu. A direita não podia esperar e a esquerda à esquerda do PS, justiça seja feita, já tinha votado contra todos os anteriores PEC. O resultado foi a crise política e, com isso, a entrada definitiva de Portugal nos radares internacionais. O país foi despojado, os activos públicos foram vendidos a preço de saldo, os custos laborais baixaram pela via salarial, o desemprego disparou, o desespero grassa.
Portugal mergulhou numa tragédia económica e social sem fim à vista, os indicadores sociais recuaram décadas, temos o pior desempenho económico em 40 anos. As ideias dos que nos trouxeram até aqui estão enterradas, mas os resultados das suas políticas vão perdurar décadas.
Só poderemos virar esta página quando percebermos que o que estamos a viver resulta de opções políticas concretas, de programas, de doutrinas, de ideologia, e que o combate pela mudança faz-se também pela consciência muito clara dos momentos e atitudes que definiram a nossa história recente. Na altura, o Secretário-Geral da OCDE afirmava que «no caso de Portugal é sobretudo um problema político auto-infligido». Os números são indesmentíveis:
É por isso que o chumbo do PEC IV é um dos momentos mais marcantes da história portuguesa contemporânea que, por razões diversas, muitos querem ignorar. Infelizmente, quanto mais tempo passa, mais percebemos a sua importância para a definição do nosso futuro colectivo.
Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país
“1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.
2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.
3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?
4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro.
Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.”
Lisboa, 9 de Abril de 2013 António Sampaio da Nóvoa
Reitor, Universidade de Lisboa
Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa (em formato pdf)
Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos “credores”, nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.
(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional , – do género “ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais”, – mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início. A cada revés, e todas as semans há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos. Como este tom punitivo é dos que melhor “comunica” com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O governo já estava com dificuldades em “ir aos mercados”, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava a caminho de um segundo resgate, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava em crise profunda, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
A decisão do Tribunal Constitucional acelera todos estes processos mas não lhes deu origem. Nasceu deles. Nasceu de um Governo que, apesar de prevenido, mil vezes prevenido, insistiu num Orçamento de Estado assente em medidas ilegais. Bateu no peito cheio de ar e vento, insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
Pensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas. Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção: vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer. (José Pacheco Pereira)
O país vive dias amargos. A todo o momento surgem novos confrontos com as forças policiais. D. Carlos escreve a João Franco e incita-o: «seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim… nem tu!»
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declara o monarca.
A contrastar com esta determinação estão as dúvidas que se ouvem por todo o lado.
Até mesmo os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuram manter-se a uma certa distância de João Franco.
Os progressistas de Luciano de Castro e José de Alpoim aconselham reacção enérgica contra a Ditadura, enquanto, por seu turno, os regeneradores marcam uma posição de franca hostilidade ao Governo, com…
Ninety-nine years ago today, the city center in Midtown Manhattan, formerly known as Longacre Square, was officially redubbed “Times Square.”
In April 1904, The New York Times moved its operations to the newly constructed Times Building—then the second tallest building in the city—on 42nd Street at Longacre Square. Times publisher Adolph S. Ochs convinced Mayor George McClellan to build a subway station there and rename the area for his newspaper. (Three weeks later, as if carrying out some bit of genetic code, the first electrified ad appeared on the side of a bank at 46th Street and Broadway.)
The Times modestly published a story about the rededication the following day.
On December 31 of that year, Ochs began the tradition of celebrating New Year’s Eve at Times Square. And three years later, the famous Times Square Ball drop from the roof of the Times Building, known simply today as One Times Square, was added to the annual jamboree.
Here’s a picture of what Times Square looked like way back then:
Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição de Memorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.
Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.
Maquiavel, o escritor e político do Renascimento, autor da obra-prima “O Príncipe”, a bíblia da acção política oportunista e amoral, será apresentado pelo notável jornalista Adelino Gomes,jornalista…
Se a Segunda foi parca, esta Terça-feira, 9 de Abril (aniversário, lembremos, de uma premonitória “chacina” europeia na batalha de La Lys – Flandres, corria o ano de 1918 duma chamada Grande Guerra) irá ser paupérrima, a ponto de o evento de destaque voltar a ser praticamente o mesmo.
Assim, suscita curiosidade a nova actuação do Quarteto Casals no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, pois que, para lá de prosseguir a nobre tarefa de interpretar a integralidade dos Quartetos para Cordas de Schubert (aqui na sua 6ª sessão), junta-lhe a interpretação de duas obras de Boccherini.
Composto (como dissémos ontem) por Vera Martinez, violino, Abel Tomàs, violino, Jonathan Brown, viola e Arnau Tomàs, violoncelo, tem nesta noite a participação adicional do violoncelista Eckart Runge
O alargamento do Governo teria como vantagem uma relativa pacificação do país (ou menos crispação) e uma nova sensibilidade no modo como se cumprem os compromissos com a troika.
São cada vez mais as pessoas que defendem esta solução. Porém, o problema agora não é Sócrates, mas Passos e Seguro.
Passos porque acha (e é verdade) que esse alargamento corresponderia ao seu afastamento da liderança do Governo e, a prazo, do PSD; e assim diz que não desiste.
Seguro, porque entende (e também é verdade) que qualquer colaboração na solução da crise ditaria a prazo o seu afastamento da liderança do PS; e assim diz que só colabora depois de eleições (sabendo que elas não vão existir e que isso se lhe dá mais uns tempos de líder).
Ou seja, estamos reféns de estratégias pessoais que se sobrepõem a estratégias nacionais de superação da grave crise em que nos encontramos.
“O meu pai sempre me disse que quando uma pessoa está a subir deve ir cumprimentando toda a gente porque são os mesmos que há-de encontrar quando começar a descer”
Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.
Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.
Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.
Num Domingo, 7 de Abril calmo (e que já se não prevê chuvoso), será contudo prudente continuar a abrigar-nos em “templos da cultura” quais o CCB ou a FCG, com a particularidade de, neste dia, se ouvirem quase só artistas nacionais.
O destaque poderá ir para o concerto que neste Domingo dará, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o grupo de interpretação de Música Antiga “Ludovice Ensemble”, que aqui reúne diversos instrumentistas em torno de Miguel Jalôto (órgão e direcção), acompanhado de Hugo Oliveira (barítono).
Criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim (na foto), com o objectivo de divulgar o repertório de câmara vocal e instrumental dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos, o nome de “Ludovice Ensemble”homenageia o arquitecto…
“Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida.
A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.
Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains.
A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”