Citando Baptista Bastos

“A distanciação é uma obscenidade que me põe fora de mim! Como se o jornalista não tivesse nada a ver com aquilo que está a escrever! Então, o jornalista é uma caneta? O jornalista é um microfone? O jornalismo é aproximação. O jornalismo é até amizade!
Depois, temos uma escola anglo-saxónica que fez um certo êxito junto daqueles que não têm criatividade, que esquecem que, quando se olha, já se começa a seleccionar e que, quando se escreve, se selecciona ainda mais. As próprias palavras escolhidas são diferentes de umas pessoas para as outras. O olhar é selectivo, como os sentimentos, como as emoções, como a memória. Tudo é selectivo na condição humana. Além disso, quando se começa a olhar, começa-se logo a interpretar.
Fala-se na imparcialidade e na neutralidade… Não há jornalismo neutro – o jornalismo é o lado humano das coisas. E expliquem-me como é que um locutor de futebol pode ser imparcial. Não pode! A emoção que transparece quando ele relata é a que passa para os ouvintes.
Expliquem-me como é possível afastarmo-nos. Então um tipo vê uma desgraça, escreve um artigo e depois vai beber um uísque? Não me venham com essa conversa. Eu sei que há pessoas assim, mas essas não deixam marca no jornalismo.”

Baptista Bastos in Jornalismo & Jornalistas

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