ONTEM NO PORTO – INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL PALMA INÁCIO

Bela homenagem…

A Viagem dos Argonautas

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Algumas dezenas de pessoas assistiram ontem, 11 de Maio, no  Porto à inauguração do Memorial Palma Inácio. O monumento, erguido por subscrição pública num espaço cedido pela Câmara Municipal do Porto, situa-se no Jardim do Museu Militar, no Largo Soares dos Reis, onde se localizava a prisão da PIDE. Em 11 de Maio de 1969, Hermínio da Palma Inácio evadiu-se protagonizando uma das mais arrojadas e famosas fugas. Esteve presente um representante da Associação 25 de Abril. No acto inaugural, falaram Camilo Mortágua, Fernando Pereira Marques e Jacinto Rodrigues. Procuraremos apresentar brevemente uma notícia mais desenvolvida sobre este acontecimento.

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” O Movimento das Forças Armadas e as sereias”

…. O antigo Regime, filho de um golpe militar que cedo se desviou do seu inicial neutralismo ordeiro para se converter num dos pilares da nova ordem antidemocrática, soube cultivar com cuidados de jardineiro babilónico a lisonja hiperbólica ao Exército redentor. Esta orgia de louvores foi durante dezenas de anos prato obrigatório e sem resistência. Não houve oposição cívica,eleitoral ou militante que o regime defunto não exorcizasse,cobrindo-se de alto a baixo com referência TABU ao papel do Exército na instauração do Estado Novo. Manobra óbvia e repelente, nunca a oposição a soube neutralizar com êxito. Nem era daquelas que, de fora, se neutralizam, como se viu. Foi o lisonjeado que acabou por se enjoar de tanto suspeito mel. Mundo à parte no seio da Nação, embora sua emanação primitiva, o Exército, ajudado pela prática histórica africana, acabou por compreender o papel da lisonja cultivada ou da auto-idolatria em que o Fascismo o instalara para melhor o utilizar e subsistir. A idolatria aberrante e ritual não o engrandecia, COMPROMETIA-O e ISOLAVA-O dos interesses globais do nosso Povo. Todos os seus valores de referência, sentido do interesse nacional, culto da generosidade activa e da isenção pessoal, coragem física e moral eram subtilmente desviados dos seus fins próprios para encarecimento de uma obra baseada em princípios opostos. Nunca houve entre nós uma tentativa mais bem lograda para corromper uma instituição através das suas próprias virtudes do que aquela que o Estado Novo, com constância digna de melhor fim e conivência de uma boa parte da hierarquia militar, filtrada por disposições maquiavélicas, soube levar a cabo, para mal da Nação e desespero dos seus cidadãos ávidos de liberdade……..

in EDUARDO LOURENÇO (1975) – OS MILITARES E O PODER seguido de O Fim de Todas as Guerras e a Guerra Sem Fim. Gradiva (ed)(2013),146

É O MOMENTO DE AGIR por José Loureiro dos Santos* in “Público”

gen loureiro dos santosEra visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.
Têm sido inúmeras, quase unânimes, as opiniões dos mais credíveis economistas portugueses e estrangeiros, no sentido de classificarem como contraproducentes as sucessivas medidas tomadas pelo Governo, sem suficiente confronto e entendimento com os interesses nacionais, já que, aparentemente, o ministro com o papel principal na definição e conduta da estratégia de resolução da crise financeira que atravessamos entende serem nossos os interesses alemães que Merkel defende, o parlamento germânico impõe e o respetivo tribunal constitucional monitoriza. E não só, pois vai mesmo além daquilo que os estrangeiros nossos credores nos exigem, numa atitude de inexplicável subserviência com as instituições sob cuja tutela nos encontramos (FMI, BCE e UE). Atitude também (e tão bem) ilustrada pelo “colaboracionismo” rasteiro com os alemães, demonstrado por altos funcionários europeus, alguns deles (lamentavelmente) portugueses.
A desmotivação que as sucessivas falhas de Vítor Gaspar têm gerado nos portugueses, pelo emprego que destroem e a desesperança e a miséria que criam, já há muito aconselham a sua demissão e substituição por um português que conheça a nossa realidade e esteja interessado em renovar o ânimo do país e fazer todos os esforços para o retirar do poço para que foi lançado pelo contabilista ainda em funções.
Só com esta decisão o primeiro-ministro poderá ter condições para pedir aos portugueses que readquiram a esperança e voltem a confiar nos governantes, desde que aproveite a oportunidade para também se ver livre do seu ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, transformado numa pedra amarrada ao seu chefe, que levará para o fundo se dela se não livrar, e corrói a credibilidade do Governo e das mulheres e homens sérios e competentes que o integram.
Se o primeiro-ministro não entender que deve e precisa de avançar urgentemente com esta solução, porventura acompanhada de outros ajustamentos que se divisem como necessários, poderemos deduzir que assume como suas as linhas executivas das orientações estratégicas do vetor financeiro que vêm sendo determinadas pelo ministro do Orçamento e não está disponível para reajustar o rumo até agora empreendido, nomeando outro responsável pelas Finanças que seja capaz de infletir a marcha para o abismo para que o seu atual encarregado nos atirou.
Neste caso, perante o facto de não ser possível a inversão do caminho até agora percorrido pelos atuais governantes e a perspetiva de uma ainda maior deterioração da situação do nosso país, é a altura de o Presidente da República – comandante supremo das Forças Armadas e percecionado pelos portugueses como último garante do bem-estar e da segurança de todos nós – assumir as suas responsabilidades e “dar um murro na mesa”, demitindo o atual Governo e dando início a um processo rápido que conduza à formação de um novo elenco governativo.
Não há tempo a perder. Se os órgãos institucionais próprios não tomarem as decisões que lhes competem em tempo útil, Portugal poderá ver-se a braços com momentos de grande perturbação social suscetíveis de produzir sérias situações de tensão política muito difíceis de conter. Além de ficar cada vez mais problemática a retoma da economia portuguesa, a possibilidade de saldarmos aquilo que devemos e a consequente restauração da nossa soberania. É O MOMENTO DE AGIR
Não nos encontramos apenas perante a necessidade de mais uma mudança de quem tem a tarefa de governar o país, a acrescentar às muitas que já se verificaram, pelas razões que se justificavam e tendo em vista os efeitos então pretendidos. O problema com que nos confrontamos não reside somente na conveniência de substituir alguém que nos governa por quem seja mais eficiente na direção e orientação do exercício das políticas públicas.
Agora, estão em causa: por um lado, o bem-estar, a autoestima, a esperança e o sentido de destino dos portugueses, que querem continuar a ser portugueses, prolongando com altivez uma História de quase nove séculos, de que se orgulham; por outro lado, a garantia de que Portugal tem capacidade de se regenerar e de voltar a agir de acordo com os seus interesses e não em função de interesses estranhos. Ou seja, estamos perante um problema que tem a ver com um Portugal livre e senhor do seu futuro, isto é, com a nossa independência nacional.
*General