A geopolítica | Jorge Nascimento Rodrigues

“Em momentos de bloqueio, só uma decisão geopolítica nos safa…” Claro, a geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo. Até para a entrada na Europa da então CEE… Em 1985, não percebemos (o então embaixador em Bonna, Ernâni Lopes, percebeu-o, porém, muito bem, tal como Mário Soares) que só pela porta da geopolítica nos deixaram entrar nessa Europa. Meia-dúzia de anos depois (pós-queda do muro e implosão da URSS) já não nos teriam deixado entrar… Nós temos uma das mais interessantes e importantes situações geopolíticas da Europa e do Atlântico, não temos, porém, tido nas últimas décadas a inteligência e o conhecimento (nem sequer a dimensão simbólica…) para a saber potenciar e usar as suas imensas ‘vantagens comparativas’. A geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo… E terá de voltar a sê-lo.

Jorge Nascimento Rodrigues

Em Memória e Louvor de Álvaro Cunhal por interposto Shakespeare

Praça do Bocage

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Uma Tragédia Intemporal

 

Rei Lear é, provavelmente, a mais paradigmática obra de Shakespeare. Muito mais que um drama, é uma tragédia. Lear, senhor de enorme sageza e exímio na arte de governar, que tinha ganho com saber e experiência, acaba vítima das suas paixões, da egomania. Cego pela vaidade pessoal decide a sua sucessão o que desencadeia uma tragédia de complexa magnitude em que chocam violentamente o amor, a amizade, a frontalidade, a coragem, a generosidade, a gratidão, o perdão, a hipocrisia, o egoísmo, a traição, a perfídia, a ambição. Uma densa rede de inter-relacionamentos, sociais e psicológicos, magnificamente descrita pelo génio de Shakespeare com profundo sentido crítico da época,  fazendo brilhar o que é melhor e o que vale a pena no comportamento humano. Ver no palco ou na versão cinematográfica de Kurosawa, Ran, é experiência excepcional. Mas ler esta “tradução” portuguesa do Rei Lear é usufruir o…

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