Em Memória e Louvor de Álvaro Cunhal por interposto Shakespeare

Praça do Bocage

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Uma Tragédia Intemporal

 

Rei Lear é, provavelmente, a mais paradigmática obra de Shakespeare. Muito mais que um drama, é uma tragédia. Lear, senhor de enorme sageza e exímio na arte de governar, que tinha ganho com saber e experiência, acaba vítima das suas paixões, da egomania. Cego pela vaidade pessoal decide a sua sucessão o que desencadeia uma tragédia de complexa magnitude em que chocam violentamente o amor, a amizade, a frontalidade, a coragem, a generosidade, a gratidão, o perdão, a hipocrisia, o egoísmo, a traição, a perfídia, a ambição. Uma densa rede de inter-relacionamentos, sociais e psicológicos, magnificamente descrita pelo génio de Shakespeare com profundo sentido crítico da época,  fazendo brilhar o que é melhor e o que vale a pena no comportamento humano. Ver no palco ou na versão cinematográfica de Kurosawa, Ran, é experiência excepcional. Mas ler esta “tradução” portuguesa do Rei Lear é usufruir o…

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