‘Ar de arestas’: uma meditação sobre a dor | Iacyr Anderson Freitas | por Adelto Gonçalves

Livro de Iacyr Anderson Freitas: poeta presente em mais de 20 antologias no Brasil e no exterior, e Ozias Filho, jornalista, fotógrafo e poeta: carioca radicado em Portugal há três décadas (em baixo).                                                             

A precariedade da vida ou a dor da partida – este é o tema de um longo poema de Iacyr Anderson Freitas que se lê em Ar de arestas (São Paulo, Escrituras Editora, Juiz de Fora-MG, Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage-Funalfa, 2013), livro finalista do Prêmio Jabuti e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom. Em quadras rimadas, com versos heptassílabos, trata-se de um peça que medita sobre a precariedade iminente do ser, sobrepujado pela manifestação da dor, que lhe é transfigurada “através da exploração sistemática de um sistema de símiles e metáforas”, como observou o crítico, contista, ensaísta e tradutor Paulo Henriques Britto em enriquecedor posfácio que escreveu para este livro.

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UM DISCURSO COM ALMA SOBRE O ESTADO DA UNIÃO | de Ursula von der Leyen | Paulo Sande

“Se sembra impossibile allora si può fare”

Como todos os anos, ritual inaugurado pelo muito nosso (salvo seja) Durão Barroso, quando Presidente da mesma Comissão, Ursula von der Leyen, actual incumbente no cargo, pronunciou ontem, 15 de setembro, o seu discurso da União – em 2021, num ano ainda duro, dolorosamente presente, de futuro indecifrável, onde mora o medo mas também a coragem, o desânimo mas também a esperança.

Aqui ficam dez apontamentos sobre este discurso – um grito pela Alma da Europa.

1. A Europa, em tempo de pandemia, assegurou o acesso praticamente simultâneo de todos os países europeus à vacina. E foi a única região a partilhar metade das vacinas com o resto do Mundo (700 milhões de doses para os europeus, 700 milhões espalhadas pelo globo). E mais de 70% dos adultos europeus estão vacinados. E o projeto europeu HERA, num investimento de 50 mil milhões €, visa garantir que nenhum vírus transformará no futuro uma epidemia local numa pandemia global.

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As Inseparáveis | Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir tinha nove anos quando conheceu Zaza, Élisabeth Lacoin. Da intensa amizade que nasceu desse encontro, e que apenas a morte trágica de Zaza, aos 21 anos, terminou, nasce o livro As Inseparáveis, uma pequena preciosidade literária que a Quetzal publica pela primeira em Portugal, com tradução de Sandra Silva e posfácio de Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha adotiva da autora, Simone de Beauvoir.

Esta é a história de duas amigas inseparáveis, da infância à idade adulta, um livro de grande valor literário e documental e uma peça importante no conhecimento da vida e obra da autora. Zaza foi uma personalidade extraordinária em vida, e a sua memória perdurou através das personagens em vários livros de Beauvoir, como Memórias de uma Menina Bem-Comportada Os Mandarins.

Escrito em 1954, As Inseparáveis narra, em registo ficcional, a história das duas raparigas rebeldes, ao longo da sua educação sexual e intelectual, personificadas em Andrée e Sylvie. Quando Andrée começa a frequentar a escola de Sylvie, esta fica imediatamente fascinada com a nova colega: tão inteligente, elegante, sensível e autoconfiante como uma adulta. Ficaram logo amigas, conversavam e faziam planos durante horas a fio. Mas Andrée escondia algumas feridas e sofria uma educação demasiado exigente e repressora. Andrée é Zaza; e Sylvie, a pequena Simone.

Nesta edição, Sylvie Le Bon de Beauvoir faz um relato factual e cronológico desta amizade da sua mãe, da vida e do contexto familiar de Zaza, e inclui um conjunto de cartas e de fotografias que ajudam a documentar a história que as une. Disponível a partir de hoje.  

Quetzal | Grupo Bertrand Círculo