Poesia by Joana Emídio Marques

De repente tudo era feito de silêncio.
A fome, as multidões, os acidentes, as chegadas e as partidas.
Quantas ausências há numa multidão?
Quantas mortes no bulicio das tardes idênticas?
Quanto silêncio há naquilo que é feito de Nós?
No acontecer ignorado das coisas ínfimas.
Soltou-se um fio de cabelo, levantei e desci os olhos em frente de tudo o que Não
O teu rosto é belo e eu digo:não sei a palavra.
Em ti a seda é a sabedoria dos bichos acuados.
A carne viva não contém um único sobressalto.
E sim. Eu grito. Eu grito para que nada se mova fora do meu existir.
Eu grito para interromper esse silêncio letal dos instantes que parecem Nós.
Para não adormecer no labirinto milenar que se levanta como um Começo.
De repente tudo era interior Nosso.
A casa, o corpo, as palavras que os vêem antes dos olhos e lhes roubarem o mistério e a graça.
Antes ( ou depois?) o ruído.
Frases acumuladas. Metal entrechocando. Motores, travagens.
Quantas multidões há numa ausência?
Quantas tardes idênticas no bulicio das mortes?
Quanto de Nós há naquilo que é feito de silêncio?
Nas coisas infimas de acontecer ignorado?
Há fios de cabelo por todo o lado,
cheiro a herança e cigarros.
E paredes que o comem lentamente.
Abro a janela como se houvesse passagem
Levanto e baixo os olhos ao compasso do que atravesso
Não danço, não grito.
Movo-me junto à quietude de uma memória sem Nós
e esforço-me para pensar um primeiro pensamento
que a empurre para longe.

Mercedes Pessoa de Moraes | Designer

Mercedes Pessoa de Moraes was born in Oporto,Portugal, in 1982. In 2003, completes the Bachelor of Fine Arts, Painting variant in ESAD, School of Arts and Design in Caldas da Rainha. At the professional level, she worked 3 years as a Graphic Designer in Parfois, a fashion accessories brand, designing some of their campaigns, flyers, posters,newsletters.Another highlight is the collaboration with publishers in making book pagination and creating some of their illustrations. Currently she lives in Barcelona and studies at IDEP,Escuela Superior Universitaria de imagen y diseño.

FONTE:  http://mercedesmoraes.blogspot.com.es

mercedes moraes

mercedes moraes

PRIMEIRO A TUA MÃO SOBRE O MEU SEIO | ROSA LOBATO FARIA

Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé – o meu – sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.

Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama

Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.

ROSA LOBATO FARIA

seio

Diana Damrau | Diva Divina

Damrau bounds from one phenomenal success to the next, appearing on the world’s leading stages.

Yet in spite of her busy private and professional life, the soprano agreed to let filmmaker Beatrix Conrad accompany her over the course of nine months. We are there, at performances and rehearsals in Geneva, New York, Paris and Munich, at recitals and the recording studio. The film portrays a high-intensity, jet-set life tempered by the harmony of a rewarding family life with her husband, her parents and, at the end of the film, with her newborn baby!

http://www.medici.tv/#!/diana-damrau-diva-divina

FILOSOFIA POLÍTICA | Soares e os cobardes by Daniel Oliveira in “Arrastão”

ms

Nunca votei em Mário Soares. Muitas vezes discordei dele, outras concordei. Muitas vezes o considerei um adversário, outras um aliado. Muitas vezes me surpreendeu positivamente, outras desiludiu-me. Sei dos ódios e das paixões que provoca. O que apenas quer dizer que não se limitou a passar pela vida e fez diferença. Para o mal e para o bem. Discordando e concordando com ele, respeito a sua história e a sua coragem.

Mário Soares foi hospitalizado. Esperemos, espero pelo menos eu, que não seja nada de grave.

Ao ler os comentários que pululam na Net perante à notícia da sua hospitalização tentei não me chocar em demasia. A Net não se limita a revelar o melhor e o pior da condição humana. A revelar coisas que nos parecem ser impensáveis. Ela amplifica, pela possibilidade do anonimato da opinião, os mais abjectos dos sentimentos. Na realidade, como sempre soubemos – dos bufos aos linchadores -, o anonimato sempre permitiu que os constrangimentos sociais e morais desaparecessem e a escória humana se exibisse sem pudor.

Um dos comentários mais habituais foi a crítica ao facto de Mário Soares ter sido hospitalizado no Hospital da Luz. Um hospital privado. Seria, escreveram vários, sinal de incoerência. Mas nem todos os que escreveram eram anónimos.José Manuel Fernandes, antigo diretor do “Público”, escreveu no seu twitter: “O dr. Mário Soares não deveria ter ido para um hospital do SNS para dar o exemplo? É só para saber, nada mais.”

Não vou aqui elaborar sobre o direito de qualquer cidadão se bater pelos serviços públicos e usar, se assim entender, serviços privados. Não é o momento. O que me choca, o que me deixa mesmo próximo do vómito, é alguém aproveitar um momento destes para fazer combate político. Quem aproveita a hospitalização de um homem para o combate político, quem aproveita a fragilidade física de um adversário para o atacar, tem apenas um nome: é um cobarde. E com cobardes não se debate. Desprezam-se apenas.

Daniel Oliveira | Publicado no Expresso Online

FONTE: http://arrastao.org/2727389.html

Trailer de ”Melancolia” Legendado

Trailer legendado do filme ”Melancolia”, com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skarsgård) estão celebrando seu casamento em uma festa suntuosa na casa de sua irmã (Charlotte Gainsbourg) e cunhado (Kiefer Sutherland). Enquanto isso, o planeta, Melancolia, está se dirigindo em direção à Terra. Direção de Lars Von Trier.

Com a devida vénia à Autora.

brumasdesintra - Maria Elvira Bento's avatarbrumasdesintra

meryl-streep-in-movie-out-of-africa-1985

No filme África Minha (uma jóia de Sydney Pollack), há uma parte em que MerylStreep, que encarna na tela a personagem da escritora dinamarquesa Karen Blixten, na sua angustiada aventura (no Quénia) com a plantação de café (criada pelo marido sem o seu consentimento) que, desde o início, tinha tudo para não ter um resultado brilhante, derivado à escassez de água na zona e à altitude em que fora plantado.Tentando salvar esse investimento onde fora aplicado todo o seu dinheiro, Karen faz de tudo o que humanamente é possível, pensando triunfar contrariando a Natureza. Com a ajuda dos muitos empregados da fazenda, consegue ter uma reserva -uma espécie de lago artificial- com água desviada de um rio próximo.

Durante uns tempos a plantação é regada e, no seu tempo, os bagos de café começam a formar-se. Tudo parecia correr bem até uma madrugada em que a reserva de água, desviada do seu curso se revolta e salta vencendo (sem esforço) a barreira de sacos, pedras e areia que a aprisionava. Todos lutavam para travar essa fúria da Natureza mas aí, completamente esgotada, Karem põe um pé sobre uma rocha e, encharcada, exausta, diz:

Chega. Parem. Não adianta

Derrotada, olha para a água rebelde que quebra todas as barreiras e, vitoriosa, sai (saudosa) ao encontro de um leito que lhe pertence.

Esta água nunca deixou de viver em Mombaça! (Maria Elvira Bento)

 

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Experiencia y memoria | Elisa Silió

Campo de concentración de Auschwitz

Campo de concentración de Auschwitz

“Una crisis como la actual dio pie a la llegada de Hitler al poder. Deben de sonar todas las alarmas, pero no suenan”, razona el Nobel de literatura húngaro Irme Kertész en la portada del número de mañana de Babelia. El autor de 83 años ha visto reducidos sus movimientos por el Parkinson y la medicación le aletarga, pero ello no le impide seguir escribiendo. Este perfil de Kertész se basa en varias conversaciones con Adan Kovacsics, su traductor al español. En estos momentos este superviviente del Holocausto trabaja con esfuerzo en una novela sobre la creación en la vejez, publica sus diarios en Hungría y Cartas a Eva Haldimann en España. El libro de Acantilado repasa la correspondencia que mantuvieron durante más de veinte años (entre 1977 y 2002) Kertész y la crítica y traductora de origen húngaro Eva Haldimann. En sus cartas comentan su trabajo, las dificultades profesionales hasta alcanzar el Nobel o su salida de la Asociación de Escritores.

Esta semana visitamos el rincón de trabajo en la Academia de Cine de Enrique González Macho, su presidente, que se enfrenta a la primera gala de los Goyas totalmente organizada durante su mandato. En Ida y vuelta Antonio Muñoz Molina se plantea el hecho de que a “algunos expertos en arte o en literatura rara vez deja de notárseles la ausencia de familiaridad inmediata y material con las obras que estudian”. Y el novelista encuentra respuestas enNada es bello sin el azar, una colección de quince ensayos de Artur Ramon. El libro transita entre las épocas históricas, entre la erudición y el ojo clínico.

 La amiga estupenda (Lumen), de la italiana Elena Ferrante, es nuestro Libro de la semana. En la novela, primera parte de una trilogía, aparecen multitud de personajes de un barrio pobre de Nápoles en los años cincuenta y abarca la infancia y juventud de dos amigas cuyas vidas se van distanciando.

FONTE: http://blogs.elpais.com/papeles-perdidos/2013/01/experiencia-y-memoria.html

El cementerio del amor | Rodrigo Fresán

Cuando en 1984 apareció Jóvenes corazones desolados –sexta y penúltima novela de Richard Yates (Nueva York, 1926-1992)— sucedió lo que solía suceder desde hacía ya demasiado tiempo. Loas a su precisión realista, advertencias al lector por las profundas y ahogadoras tristezas de lo que allí se exhibía, y más o menos velados reproches al autor por volver a ofrecer más de lo mismo. A saber: la radiografía con metástasis de un matrimonio terminal.

En las páginas de The New York Times el crítico de prestigio y cuidado Anatole Broyard fue aún más lejos a la hora de castigar a alguien que había comenzado siendo joven y refulgente promesa y había acabado siendo, apenas, un “escritor para escritores” asfixiado por la sombra de los benditos Hemingway y Fitzgerald, de los malditos Dick Diver y de Francis Macomber. Para Broyard –y su reseña, dicen, fue el tiro de gracia para que el autor en desgracia cayera en una barrena de alcohol y cigarrillos y enfisema y entradas y salidas de hospitales y trabajos temporarios como profesor, caída en picado que ya no remontaría– Yates se había quedado sin temas ni ideas. Y su novela era algo así como un estribillo repetitivo y casi inaudible en busca de una canción que lo contenga y abrace. Con el tiempo –no sería redescubierto y canonizado hasta diez años después de su muerte, luego de ser extáticamente invocado en Hannah y sus hermanas de Woody Allen o inspirado a un inestable personaje en Seinfeld– el mismo Yates acabó renegando de la novela considerándola “una telenovela para cumplir con un contrato”. Richard Price –quien lo trató por entonces como alumno y colega— describió así a Yates: “Estaba amargado. Tenía todo el derecho de estar amargado. Estaba realmente amargado”.

Jóvenes corazones desolados también.

Aquí y ahora, Jóvenes corazones desolados –ahora en RBA y de la que hubo traducción en Argentina, en los 80s, como El salvaje viento que pasa; ambos títulos salen de los versos de “Mirando las embarcaciones en San Sabba” de James Joyce, abriendo todo como epígrafe—está apenas por debajo de esa cumbre que es Las hermanas Grimes(1976) y muy por encima de la debutante y consagratoria Vía revolucionaria (1961) a la que revisita y mejora con elegante brutalidad y sin precavida anestesia.

Porque en esta nueva encarnación de aquellos muy trágicos Frank y April Wheeler no existe, ni siquiera el “consuelo” final de una tragedia irreparable con aborto y muerte que le de algún sentido épica a sus vidas y muertes. Por lo contrario, lo que aquí impera es una ácida comicidad con el lector (que no puede dejar de mirar con curiosidad entre culposa y regocijada) suplantando todo aquello. Y poco y nada les sucede al macho alpha y veterano de la Segunda Guerra Mundial y aprendiz de poeta que nunca llega a maestro Frank Davenport (transparente y más que algo autoindulgente alter-ego de Yates) y a su esposa la rica heredera con (como la difunta April) pretensiones artísticas Lucy Davenport Blaine. Frank desprecia y envidia y sólo parece preocuparle demostrar en público la musculatura abdominal de quien alguna vez fue campeón de boxeo universitario y que ahora se la pasa –entre soneto frustrado y soneto frustrado—desafiando a desconocidos en las fiestas para que golpeen con fuerza su vientre y comprueben su dureza de hombre de acero. Y Lucy fantasea y abandona y entra y sale de proyectos que siempre se quedan en planos mal bocetados o, a lo sumo, en alguna endeble y mal plantada maqueta. Y uno y otra se enamoran. Burgueses con ilusiones de acomodada y segura bohemia en el Village neoyorquino. Mad man y crazy woman cuyas transgresiones son apenas las que permiten un férreo manual de buenas costumbres y, enseguida, los protocolos de barrios residenciales siempre on the rocks. Se aman, se casan e inician el lento y arduo ascenso de una montaña en cuya cima no les espera otra cosa que el superpoblado cementerio del amor. Frases como lápidas, la terrible oportunidad de contemplar y leer sus epitafios en vida, y la recurrencia de episodios como losas en los días y noches nunca suaves ni tiernas de dos zombis que –a lo largo de tres décadas y demasiados años– no se soportan pero que, tampoco, pueden separarse del todo mientras entran y salen de camas adúlteras y divanes psiquiátricos y se contemplan el uno al otro, en círculos más abiertos o cerrados, pero siempre infernales.

Y es en este constante y arrítmico ritornello de Jóvenes corazones desolados –en su momento considerado defecto pero, para mí, una de sus más grandes virtudes y al que el poema de Joyce parece aludir con el ruego no escuchado de un “¡Nunca más, no volvednunca más!”— donde reside la miserable grandeza de una trama que no deja de latir porque, sí, no le queda otra. Lo que narra aquí Yates, con genio y crueldad, sofocante y agotadora, es la larga inercia del desamor que sigue al en más de una ocasión breve impulso del amor. Y, alrededor de los Davenport, sexo (regular) y alcohol (mucho) y conversaciones en falso y confesiones mentirosas (tantas) y frustraciones (todas). Y ni siquiera –al caer el sol y salir al jardín a contar estrellas fugaces– la posibilidad de una de esas epifanías con las que el igualmente cáustico pero algo más piadoso John Cheever redimía a los suyos en su hora más luminosamente oscura.

Sobre el final, Lucy parece comprenderlo todo: “Al carajo con el arte… El mundo del arte es un mundito sospechoso. ¿No es gracioso que nos hayamos pasado la vida entera persiguiéndolo? ¿Muriéndonos por estar cerca de alguien que pareciera comprenderlo, como si eso pudiese servirnos de ayuda, no dejando nunca de preguntarnos si tal vez está irremediablemente fuera de nuestro alcance, o incluso si tal vez ni siquiera existe? Porque he aquí una interesante proposición para ti: ¿y si no existe?”

A lo que Frank responde: “Si en algún momento creyera que no existe, pienso que… no sé. Que me volaría la tapa de los sesos”.

Y Lucy contraataca: “No, no lo harías. A lo mejor hasta te relajarías por primera vez en tu vida. A lo mejor dejarías de fumar”.

Antes de esta última conversación, un muy yatesiano personaje secundario de primera explica que en realidad no hay diferencia entre las personas fuertes y débiles, que quienes creen eso sólo son los escritores a la hora de plantar sus personajes; pero que en la vida real es otra cosa. Y para los poderosamente frágiles y reales Davenport en Jóvenes corazones desolados –en cuya lectura se experimenta una mezcla de gozo admirado y de agobiante angustia—la vida sigue y sigue, a pesar de todo, de todos, de ellos mismos.

Lo que en el mundo según Yates, ya se sabe, no es necesariamente una buena noticia.

FONTE:  http://rodrigofresan.megustaescribir.com/2013/01/14/el-cementerio-del-amor/

Richard Yates

Richard Yates

Poesia | JOSÉ FANHA

A TERNURA EM FIGURA DE GENTE

Chama-se José Manuel mas já foi Manelinho, Zé, Zé Manel, Zé Fanha… Diz que escreve para saber quem é e que precisa de ler e escrever como de ar para respirar.

É arquitecto e já foi jornalista, desenhador, publicitário, actor, professor… Mas a poesia é a língua que melhor lhe permite falar dele a ele próprio e aos outros.

JOSÉ FANHA é símbolo de solidariedade, talento, incansável intervenção cívica, cultural e artística, ternura. O seu último livro de poesia será apresentado pela Poetria no próximo dia 19/1 no Palacete Balsemão (Pç. Carlos Alberto, Porto) pelas 17,30h. com a presença do autor e apresentação de Jorge Velhote (Obra) e Júlio Couto (Vida).

Serão lidos poemas por Ana Afonso, Rui Spranger e Rafael Tormenta, a acompanhamento musical (viola) de Carlos Andrade.

fanha2

A República das Putas por João Magueijo * in “O Vento que Passa”

João Magueijo

João Magueijo

O livro de Skvorecky e o tempo da invasão da Checoslováquia pelas tropas soviéticas são o ponto de partida para João Magueijo lembrar o“sentimento de um país traído, entregue ou vendido a uma ideologia questionável” e o valor dominante do dinheiro hoje. “Antes falar de tourada”, escreve o autor, no âmbito da série especial sobre os valores humanos

Ler aqui:

http://oventoquepassa.blogspot.pt/2013/01/a-republica-das-putas.html

Faleceu Fernando Couto

Faleceu, quinta-feira passada, aos 88 anos, Fernando Couto (pai de Mia Couto). Jornalista, escritor e editor, natural do Porto, publicou poesia, foi subchefe de redacção do principal diário moçambicano e dirigiu a editora Ndjira, hoje integrada no grupo Leya.
Ler mais em:

http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=66128

Crédito/Imagem: http://blogtailors.com/

Fernando Couto

Fernando Couto

Crédito/Imagem: http://blogtailors.com/

Filosofia Política | A DERIVA ANTIDEMOCRÁTICA A FAVOR DE UM GOVERNO “SEM ENTRAVES” by José Pacheco Pereira in “Abrupto”

(…) Este Governo, na arrogância dos seus primeiros tempos, não deu a mínima importância em falar com o PS para fazer uma revisão constitucional, no início da aplicação do memorando, quando tal era plausível. Depois, foi-se emaranhando num labirinto de arranques e recuos, como a discussão a propósito da “regra de ouro” e do Pacto Orçamental, cada vez com a sua posição mais fragilizada pelo desastre da política governativa. O PS foi crescendo, e tornando rígida a sua posição, Até que o patético apelo à “refundação” do Estado, que era na sua origem um apelo a uma revisão constitucional in extremis, revelou um Governo acossado perante um PS em que Passos Coelho conseguiu o milagre de colocar o seu alter-ego António José Seguro a crescer nas sondagens. (…)

http://abrupto.blogspot.pt/2013/01/a-deriva-antidemocratica-favor-de-um.html

OS GRANDES DESTRUIDORES DE ALTERNATIVAS by José Pcheco Pereira in “Abrupto”

Copy 3 of 2013-01-12

O grande destruidor das alternativas é o governo, mas o grande destruidor da alternativa ao governo é o PS de Seguro. Mas essa história fica para outra altura, porque remete para o terreno onde menos de facto há alternativas: a erosão por parte dos aparelhos partidários das elites governativas capazes de unir capacidade politica e eleitoral, saber e patriotismo. E hoje, o PS e o PSD, não produzem tal espécie. Aqui sim, há um grave problema de alternativa.

http://abrupto.blogspot.pt/2013/01/alternativas-pior-discurso.html

 

João Moreira de Sá

João Moreira de Sá

João Moreira de Sá

Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 42 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47). Engenheiro, embora possa e insista em provar que é apenas Bacharel em Línguas e Turismo, tem uma Graduação acentuada na lente esquerda e alergia aos ácaros. Presentemente desempregado por estar na moda mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir viver da escrita.
Com uma vasta obra literária por editar, lançou em 2008 o seu primeiro livro, “Manjares do Arcebispo de Cantuária”, obra pioneira em Portugal no estilo culinário-humorístico e escreve em diversos blogues enquanto forem gratuitos.

email: jmoreiradesa@gmail.com

Filosofias políticas | Portugal 2013 | O PS, se não estivesse entretido a dar toques na bola atrás da baliza… by Porfírio Silva [título nosso]

O relatório do FMI sobre como cortar o Estado em Portugal é um estranho objecto cheio de maravilhosas propriedades.

Desde logo, foi um maravilhoso isco: muitos dos que disseram antes que não estavam dispostos sequer a discutir a “refundação” passista do Estado como mera operação de corte de quatro mil milhões de euros… pronto, já estão a discutir. Essa é uma vitória do governo nesta história. Como podiam não discutir? É sempre má ideia jurar que não se vai a jogo, porque, quando o tema é a doer, qualquer “posição de princípio” que apareça como recusa de conversar será insustentável. Se este ou aquele partido da oposição tem exigências concretas para garantir que a discussão será justa, que coloque essas exigências, devidamente concretizadas e explicadas, em cima da mesa; o que não pode é tentar passar ao lado, porque acabará necessariamente atropelado.

Ler mais:  http://maquinaespeculativa.blogspot.be/2013/01/o-estranho-caso-do-obscuro-relatorio.html

Santana – Smooth (feat. Rob Thomas)

Man its a hot one
Like seven inches from the midday sun
I hear you whisper and the words melt everyone
But you stay so cool
My mu equita my Spanish Harlem Mona Lisa
Your my reason for reason
The step in my groove

Bridge
And if you say this life aint good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause you’re so smooth

Chorus
And just like the ocean under the moon
Well thats the same emotion that I get from you
You got the kind of lovin that can be so smooth
Gimme your heart make it real
Or else forget about it

Ill tell you one thing
If you would leave it would be a crying shame
In every breath and every word I hear your name calling me out
Out from the barrio you hear my rhythm from your radio
You feel the turning of the world so soft and slow
Turning you round and round

Carta aberta a Nuno Crato pede para revogar Acordo Ortográfico por Rita Pimenta in Jornal Público

Documento subscrito por mais de 200 pessoas contesta “nova ortografia” e revela disparidades na aplicação do acordo.

É uma carta aberta e é um estudo comparativo sobre as disparidades na aplicação do Acordo Ortográfico. O documento já chegou ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato. O objectivo é revogar o acordo.

Depois de o Governo brasileiro ter adiado por três anos a obrigatoriedade de aplicação do Acordo Ortográfico (AO) – para 1 de Janeiro de 2016 –, um grupo de cidadãos portugueses enviou uma carta aberta ao ministro da Educação e Ciência com “um estudo comparativo das incongruências ortográficas existentes entre o texto do AO90 e vários vocabulários e dicionários”.

Ler mais aqui: http://www.publico.pt/cultura/noticia/carta-aberta-a-nuno-crato-pede-para-revogar-acordo-ortografico-1580172

Downton Abbey Power Rankings

bluestockings magazine's avatarBluestockings Magazine

As the new Mad Men season aired last spring, Grantland writer Mark Lisanti wrote “Power Rankings” for each weekly episode, ranking the top ten most powerful characters that really held their own, characters that had the nerve do something bold and unprecedented. I set out to do the same with America’s new favorite period piece television obsession Downton Abbey, a Masterpiece Theater series created by Julian Fellowes. The series depicts the lives of the British aristocratic Crawley family and their servants at their country estate, Downton Abbey. Seasons one and two are set between April 1912 and December 1919, during which great world events shape the lives of the people at Downton and the British social hierarchy in general. These events include the sinking of the Titanic, WWI and the Spanish influenza epidemic.

The series begins with Lord Robert Crawley, head of the Downton estate, receiving news of the…

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O Estado | Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

Difícil é mudar o Estado.
A cultura do Estado.
A eficiência do Estado.
O mérito do Estado.
Até porque o Estado está capturado não só por grupos de interesses empresariais, mas também por um grupo que não mudou nada, rigorosamente nada durante a austeridade: os partidos políticos.
Antes e depois da troika, os partidos da governação são mesas redondas de distribuição de poder e de dinheiro.
E não vão abdicar da inércia que perpetua essa distribuição.

09 Jan, 2013 Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

Miguel Real

Miguel Real

Miguel Real

Sintrense, Miguel Real, professor do ensino secundário e investigador no CLEPUL – Centro de Literatura de Expressão Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa, publicou os romances A Voz da Terra (2005), O Último Negreiro (2006), O Último Minuto na Vida de S. (2007), O Sal da Terra (2008), A Ministra (2009) e Memórias Secretas da Rainha D. Amélia (D. Quixote), e os ensaios O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (2005), O Último Eça(2006), Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa(2007), Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa(2008) e Padre António Vieira e a Cultura Portuguesa(2008) na editora Quidinovi, bem como os ensaios A Morte de Portugal (2007, Campo das Letras), Matias Aires. As Máscaras da Vaidade (2008, Setecaminhos) e José Enes, Filosofia, Açores e Poesia (2009). Publicou também, em 2003, o romance Memórias de Branca Dias, sobre a primeira mulher a praticar cultos judaicos no Brasil, a primeira “mestra de meninas” (professora) e a primeira senhora de engenho do Pernambuco (Temas e Debates), levada à cena pelo Cendrev, de Évora, em 2008, com representação de Rosário Gonzaga e encenação de Filomena Oliveira.

No teatro, sempre em co-autoria com Filomena Oliveira, para além da dramaturgia deMemorial do Convento, de Saramago, encenado por Joaquim Benite, e de nova dramaturgia para cinco actores, em cena no Convento de Mafra, escreveu as peças Os Patriotas, sobre a Geração de 70 (Europress), O Umbigo de Régio e Liberdade, Liberdade, esta última sobre os presos políticos durante o regime do Estado Novo, e 1755 O Grande Terramoto (Europress), levado à cena no Teatro da Trindade, Lisboa, entre Abril e Julho de 2006. A peça, Vieira – O Céu na Terra, representada nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, no Verão de 2008, teve encenação de Filomena Oliveira e produção do Teatro Nacional D. Maria II.
Recebeu os Prémios Revelação Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio de romance Ler/Círculo de Leitores, o Prémio de Romance Fernando Namora, o Prémio Jacinto do Prado Coelho e, com Filomena Oliveira, o Grande Prémio de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores 2008 com a peça Uma Família Portuguesa, representada no teatro Aberto, em Lisboa, em 2010, com encenação de Cristina Carvalhal.

No Fly Zone. Unlimited Mileage | Cristina Guerra Contemporary Art

BerardoQuarta-feira, 30 de Janeiro de 2013

Museu Coleção Berardo | Belém | Lisboa

O Museu Coleção Berardo apresenta a exposição No Fly Zone dedicada a um conjunto de artistas da nova cena angolana. Ela é não só sinal de uma nova vida que Angola experimenta depois da descolonização e da guerra, como define um posicionamento num quadro problematizador sobre as heranças culturais e a sua redefinição, as migrações dos conflitos e o seu feedback, o lugar do artista e da sua produção num mundo que continuamente extravasa os limites do seu conhecimento e reconhecimento e se experimenta, agora por estes novos protagonistas.
Este aspeto é tanto mais pertinente quanto o presente histórico que vivemos assiste a uma profunda e radical alteração das coordenadas tradicionais dos lugares recorrentes da atenção prestada à produção artística.

Pedro Lapa
Diretor Artístico

No Fly Zone. Unlimited Mileage é um projeto concebido e desenhado por Fernando Alvim, Simon Njami e Suzana Sousa. Com os artistas Binelde Hyrcan, Edson Chagas, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Paulo Kapela, Yonamine.

Mesa-redonda com Fernando Alvim, Simon Njami, Suzana Sousa e Pedro Lapa
01.02.2013, 18h00, auditório (piso -1)
Entrada gratuita sujeita ao número de lugares disponíveis.
Sem marcação prévia.

FILOSOFIA POLÍTICA – Multiplicam-se as tomadas de posição contra o plano arrasador do FMI

Para António Arnaut as propostas do FMI são “uma subversão do regime democrático e constitucional”. O secretário-geral da CGTP afirma que o plano “confirma o falhanço absoluto das políticas de implementação do memorando da troika”. Também já criticaram o plano a Fenprof, a ordem dos médicos e o sindicato independente, a associação de oficiais das forças armadas, a associação sindical da polícia, a UGT, o movimento de utentes da saúde, PS, PCP, PEV e Bloco.
ARTIGO | 9 JANEIRO, 2013 – 16:05

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/multiplicam-se-tomadas-de-posi%C3%A7%C3%A3o-contra-o-plano-arrasador-do-fmi/26218

Basta

SPA recusa acordo devido às posições do Brasil e Angola

Leonel Vicente's avatarMemória Virtual

De acordo com um comunicado do Conselho de Administração da SPA, a entidade afirma que vai “continuar a utilizar a norma ortográfica antiga nos documentos e comunicação escrita com o exterior”.

A entidade sustenta que “este assunto não foi convenientemente resolvido e encontra-se longe de estar esclarecido, sobretudo depois do Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico, e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor” das novas regras. […]

Perante estas posições daqueles países, a SPA considera que “não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica, quando o Brasil, o maior país do espaço lusófono, e Angola, tomaram posições em diferente sentido”.

(Diário de Notícias)

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Felicidario

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Felicidario - surface and surfaceFelicidário is a collaboration between a group of creatives who’s mission is to complete 365 illustrations of what the definition of happiness may be for everyone as they move into the latter years of their lives. The illustrations are by Afonso Cruz, André Letria and Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque and Yara Kono.

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APRENDE QUE NÃO HÁ DISTÂNCIA PARA A AMIZADE

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Depois de algum tempo aprende a diferença (a subtil diferença), entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar as suas derrotas com a cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio. Depois de algum tempo aprende que o Sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam! E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e…

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Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000: Que farei com esta liberdade? | Ana Luísa Simões Gamboa em São Petersburgo

Semáforo, início do anos 90, óleo sobre tela, Aleksandre Petrov

Semáforo, início do anos 90, óleo sobre tela, Aleksandre Petrov

Quem visitou São Petersburgo talvez se recorde de ter visto, no Museu Russo – que alberga uma das maiores e mais imponentes colecções de arte russa do mundo – o quadro de Karl Briullov (1799-1852), um dos mais reconhecidos artistas do seu tempo, “A morte de Inês de Castro” (1834). Este encontro inesperado com uma página da história portuguesa na capital cultural da Rússia não deixa certamente de emocionar. Também o registou Fernando Namora, em “Os adoradores do sol” (1971), crónica de viagens à Escandinávia e a São Petersburgo, então Leninegrado. Na mesma obra, escreveu, também “O sol, como a saúde, como a liberdade, só se dá por ele se é escasso. Ou se o perdemos”.
Vêm estas palavras à memória, transmutadas em perguntas, a propósito da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, inaugurada no mesmo Museu Russo em Dezembro de 2012. Que acontece quando se reencontra a liberdade? Ou se adquire uma liberdade que nunca se teve antes?

Retrato de um tempo enquanto meio do artista que o retrata

1985-2000: estes foram os anos das reformas globais do sistema socialista soviético, a “Perestroika”, anos de revoluções profundas e sucessivas em todas as esferas da vida de um país que acabaria por deixar de existir e da dos países que lhe sobreviveram. Recordemos algumas datas fundamentais: em 1985-1990 dá-se o início da liberalização política; surge a imprensa independente, são legalizadas fontes de informação ocidentais, é publicada literatura antes silenciada; fazem-se as primeiras tentativas de reforma da economia planificada; 1989 é o ano da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria; desenrola-se o processo de desintegração da União Soviética, cuja existência cessa oficialmente em 1991, processo que envolveu confrontos com intervenção de forças militares nas ex-repúblicas; entretanto, intensifica-se a crise económica, verifica-se um défice total de produtos de primeira necessidade; em 1992 são levadas a cabo reformas económicas “de choque” de transição para a economia de mercado; a inflação sobe em flecha; em 1993 dá-se uma crise constitucional acompanhada por um conflito armado em Moscovo; em 1994 ocorrem actos terroristas em Moscovo e outra cidades russas, e também no Cáucaso; em 1998 dá-se uma profunda crise económica, com a desvalorização abrupta do rublo e a derrocada do sistema bancário; inúmeros cidadãos perdem as suas poupanças.
Escusado será dizê-lo, foram anos em que o Museu Russo não dispunha de meios para adquirir obras para o seu espólio. Mas foram os anos em que muitas obras que se encontravam nos depósitos foram expostas, de novo ou pela primeira vez. Entre outras, realizam-se no Museu Russo, nos finais dos anos 80, as exposições de Pavel Filonov (1883-1941), Vassili Kandinsky (1866-1944) e “Arte dos anos 1920-1930”, em 1996 a retrospectiva de Vladimir Tatlin (1885-1953) e em 1997-1998 a exposição “Mosteiros Russos: Arte e Tradição”. No vizinho Museu Ermitage, em 1988, acontece a exposição de arte ocidental do século XX “Época de descobertas”. Em 1989, no Parque de Exposições Lenexpo, também em Leninegrado, tem lugar a exposição “Da arte não-oficial à perestroika: 40 anos de underground em Leninegrado”.
Como escreveu Mark Petrov, num dos artigos incluídos no catálogo da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, assistiu-se naquele período ao “enfraquecimento abrupto das funções censório-repressivas dos institutos estatais, chamados a zelar pela cultura na sociedade do socialismo triunfante. (…) A ideologia enquanto sistema de medidas proibitivas deixa de ser factor determinante na organização da vida artística ainda antes da mudança de regime, e depois, durante os anos 90, deixa completamente de existir”.
Por escolha consciente, os mais de 200 artistas representados na presente exposição são artistas que não emigraram até 1985 ou que viviam na Rússia pré- ou pós-soviética na altura em que criaram as obras expostas. O olhar dos artistas que emigraram foi necessariamente influenciado pelas novas circunstâncias em que se encontraram, e talvez pelas expectativas da cultura com que se depararam; por exemplo, verifica-se que a desconstrução e desvalorização do sistema de símbolos soviéticos, quando patente, tem contornos mais suaves nas obras dos artistas que ficaram. Pretendeu-se que a exposição fosse sobretudo reflexo de uma vivência na Rússia em 1985-2000, mostrando os caminhos que foram trilhados como resposta à pergunta que se colocava, também, no plano artístico: que fazer com a nova liberdade?

Pintar a realidade, sem barreiras

E o que é isso de “liberdade”? Um “contra tudo e contra todos” por definição, uma liberdade egoísta e hedonista, ou responsável e com valores? E que valores, agora que “nada é proibido”? Que fazer, quando todos os caminhos, na arte como na vida, são uma possibilidade e não há regras, barreiras ou indicações, como simboliza o “Semáforo”, tela do início da década de 90, de Aleksandre Petrov (n. 1947), com as luzes vermelha, amarela e verde acesas em simultâneo?
Há ainda hábitos de receio: na tela “Autoretrato (com censura interior)” (1988), de Valeri Lukka (n. 1945), há um rosto sem feições definidas e um corpo como uma massa que se desprende, viscosamente, da massa envolvente.
Há o desejo de ironizar com os símbolos do passado soviético – a desconstrução semiótica de um sistema é uma constante da revolução que leva à mudança desse sistema. Na escultura “Lira russa” (1985), de Aleksandre Sokolov (1941-2009), a foice e o martelo transformam-se numa lira, rudimentar e tosca, mas que é, ao mesmo tempo, uma evocação do “Contra-relevo de canto” (1915) de Tatlin – símbolo da arte de vanguarda russa do princípio do século XX que foi inicialmente associada ao regime saído do Golpe Bolchevique de 1917, mas que passaria a ser, a partir dos finais dos anos vinte, arte “non grata”; na tela “Em Pereiaslavle” (1987), de Ekaterina Grigorieva (1928-2010), mulheres conversam numa praça da cidade de Pereiaslavle, levantando um braço num gesto que repete o braço estendido de Lenine na estátua no meio da praça; na paisagem fabril da tela “Levam-no” (1997-1998), de Iuri Chichkov (n. 1940), cinco homems levam em ombros uma estátua de Lenine, o mesmo braço estendido, num cortejo fúnebre, encabeçado por dois músicos de jazz; na tela “Ameixas em calda” (1988), de Oleg Zaika (n. 1963), uma lata de ameixas em calda é elevada à categoria de ícone “Soc-art” (“arte socialista”): trata-se de uma lata “artesanal” e imperfeita, em vez dos contornos bem definidos das latas de sopa Campbell’s de Andy Warhol.
Há o empenho em registar e narrar a realidade: telas realistas e hiper-realistas que não cantam a beleza idealizada do trabalho e das gentes, mas constatam a fealdade do quotidiano, como o bêbado em “Levanta-te, Ivan!” (1997), de Hélio Korjev (1925-2012), as filas intermináveis em “Fila” (1989), de Aleksei Sundukov (n. 1952) ou o desencanto no rosto dos mais velhos em “Velhice feliz” (1988), de Tatiana Nazarenko (n. 1944); que não descrevem celebrações populares solenes, mas momentos de descanso na relva, com vodca e pão com chouriço, sem pompa nem glória, como a tela “Na relva” (1983-85), de Fiodor Kunitzin (n. 1951); que não mostram as virtudes da vida no campo, mas desalento, como em “Jantar na aldeia” (1987-88), de Vladimir Cherbakov (1935-2008) – mãe e filho, pão e um ovo sobre a mesa, cansaço nos olhos da mãe, que deita leite numa chávena, mudez nos olhos do filho, que tudo vê.

Memórias, destroços, metáforas

A realidade rima com desencanto e inquietação: a escultura “Rapto” (1987), de Vladimir Soskiev (n. 1941); a tela de Igor Orlov (n. 1935), “Pressentimento” (1988), uma paisagem, à primeira vista, clássica e harmoniosa, com montes, árvores e casas, uma luz de fim de tarde, mas em que a harmonia logo se quebra, pois que as casas afinal resvalam para um abismo; “À procura de Ícaro” (1990), escultura de Pavel Chimes (n. 1930), em que Ícaro, de asas abertas, jaz, caído, e em cima dele a multidão amontoa-se, olhando para o longe à procura de um sinal, rostos que parecem murmurar “E agora?”; a escultura “Estrela caída” (1991), de Vassili Pavlovski (1932-2009).
Na tela “Recordação do futuro” (1989), de Mark Petrov (1933-2004), encontramos a saudade de ideais por cumprir, expressa nos rostos cinzentos-azulados que se recortam num fundo de referências a heróis de várias épocas, um rosto que olha para o momento presente, outro para o passado, outro para o futuro. Será também esta saudade, com ironia desencantada, que exprime Konstantin Persidski (1954-2008) na tela “O bolo” (1999-2000): a Rússia, simbolizada pela Praça Vermelha em Moscovo, é um enorme bolo coberto de velas, em cima de uma mesa à volta da qual, de pé, em vestes cinzentas e de rostos cinzentos, avidamente uns, tristemente outros, esperam, silenciosamente, a sua fatia, os “proletários e camponeses”, as longas mãos esguias e vazias. Velas que assinalam mais um aniversário do Golpe de Outubro de 1917, ou da mais recente revolução, a “Perestroika”; fatia que, claramente, não lhes chegará ao prato, como realça o contraste da cor – o bolo, cor desmaiada de tijolo, e a envolvente cinzenta da mesa e dos pratos vazios, dos corpos e das faces, do fundo azul de chumbo.
Há toda uma atmosfera de desesperança e abandono: na paisagem cinzenta e branca de neve, cães e corvos na tela “No boulevard” (1983-88), de Nikolai Andronov (1929-1998); nas manchas cinzentas do céu e das asas das aves na tela “O lento voo dos corvos” (1988), de Irina Starzhenetskaya (n. 1943); na tela de Vladimir Chinkarev (n. 1954) “No hospital Skvortzov-Stepanov” (1990), em que a enfermaria de um hospital se transforma em paisagem, também ela cinzenta, onde as paredes e o tecto são como o rio e o céu que prolongam o espaço das camas, a cidade é assim uma enorme enfermaria, um espaço colectivo de sofrimento; na tela “Chá” (1997), de Ludmila Markelova (n. 1959), onde muitas mãos se estendem para um único prato e para um único bule minúsculo, numa mesa em tons vermelhos escuros de amora e malva, visível um único rosto, cor de mostarda; na tela “Outono” (2000), de Serguei Kitchko (n. 1946), onde há maçãs e folhas caídas e caindo nas ervas e em cima de uma velha mesa e duas cadeiras de madeira, chagas abertas na tinta azul, um jarro de água esquecido sobre a mesa.
Há também a solidão: nas telas “Metro” (1986-88), de Gueorgui Koventchuk (n. 1933), em que o túnel das escadas rolantes ressoa em ondas de amarelos e vermelhos, como gritos de Edvard Munch, ou “Era uma vez Zinaida, a bela” (1992), de Vladimir Iachke (n.1948), um retrato de mulher que é uma síntese de Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.
Há o preservar da memória pessoal e íntima – por oposição à memória colectiva – no espaço e nos objectos, como na “Fotografia de recordação” (1984-85), de Erik Bulatov (n. 1933), uma paisagem bucólica em que, recortados como sombras chinesas, mas a vermelho – para que a recordação seja mais vívida? – estão quatro amigos, sentados num banco, talvez para sempre fisicamente longe da paisagem que conserva a memória deles, ou na escultura em ferro fundido e bronze “A sombra da minha Avó” (1999), de Marina Spivak (n. 1955), em que os contornos, como um espectro, de uma figura de mulher, sentada a uma máquina de costura Singer, tão metálicos como a própria máquina, fazem já parte dela.
Há a memória da repressão, traduzida em metáforas na tela “Sombra mortal” (1992), de Boris Sveshnikov (1927-1998), herdeira da arte analítica de Filonov, um mosaico em tons de azul e verde, que é feito, afinal, de caveiras; nesse mosaico há também dois rostos, um deles o rosto da morte, o galo, símbolo da traição, e a dança da morte, no horizonte, como nas cenas finais do filme “O sétimo selo” de Bergman.
Há o sentimento de mudança de uma era: na tela “Movimento dos gelos” (1987), de Victor Ivanov (n. 1924), em que a estética do “estilo austero”, renovação dentro do realismo socialista nos anos 60, faz parte da metáfora, pois veste aqui uma temática não correspondente e cheia de densidade psicológica, há um grupo de homens e mulheres, uma delas com uma criança ao colo, expressivas silhuetas gráficas recortadas na paisagem azul, que observam, imóveis e solenes, a passagem das massas de gelo flutuando no rio depois do inverno.
Há o sentimento de que é preciso começar tudo de novo, e não se sabe como: na tela de Helena Figurina (n. 1955), “Brincadeira na areia” (1988), com referências às telas de Henri Matisse “A dança” e “A música” (a propósito, ambas no Museu Ermitage) mas em amarelos e laranjas, cinco homens-embriões tentam, sem instruções e sem roteiro, (re)construir a realidade a partir da areia, matéria limitada e que se lhes escapa por entre os dedos.

Renascimento

Mas há também esperança no meio dos destroços: na tela “Rapazinho colhendo ameixas” (1999), de Larissa Naumova (n. 1945), um rapazinho, banhado pelo sol da manhã, procura ameixas no meio de um amontoado de troncos de bétula caídos, um bosque branco destroçado em que as ameixas são o único toque de cor, embora triste, e olha para nós, como que surpreendido pela nossa presença, talvez com um pedido mudo de auxílio.
Há curiosidade e amor pela vida: na escultura “É só o começo…” (1989), de Adelaida Pologova (1923-2008), em que uma mulher, engelhada pela idade, tenta caminhar, podem ler-se, na base, os versos finais do poema de Paul Claudel “A resposta do sábio Hsien Yuan”: “Porque é que dizemos que é o fim de tudo, quando, na verdade, é só o começo”.
Há, enfim, renascimento espiritual e religioso, depois do colapso do sistema que, propondo-se moldar o homem novo e livre, perseguiu o Cristianismo, demoliu igrejas e catedrais, arrasou cemitérios. Uma metáfora para este renascimento é a tela de Ivan Uralov (n. 1948), “O anjo da nossa aldeia (Achado)” (1998), harmoniosa como um fresco muito antigo, acentuando a ligação com o passado, onde duas mulheres, perto de um rio, se debruçam sobre a figura de um anjo, que jaz como que numa sepultura – o anjo reencontrado da igreja da aldeia (cada igreja tem um anjo, e o anjo continua nesse lugar, mesmo se a igreja tiver sido destruída).
Alguns artistas escolhem a Paixão de Cristo como tema das suas obras: as telas “Levando a Cruz” (1996), de Serguei Repin (n. 1948), “Crucificação” (1994), de Natália Nesterova (n. 1944) e “Gólgota” (1988), de Evcei Moiceenko (1916-1988).
Também profundamente simbólica é a tela “Ícone novo” (1990), de Ivan Lubennikov (n. 1951). Representa um ícone cujos traços são quase indefinidos, como que apagados, destruídos pelo tempo e pelo abandono. Mas sobre essa forma esfumada aparece claramente recortada uma cruz branca, e ainda outra cruz preta, mais pequena, e outra, e outra, cruzes essas que são, ao mesmo tempo, atributos das vestes dos santos em alguns ícones da Rússia Antiga e referências inequívocas ao suprematismo de Casimir Malevitch. “Ícone Novo” aparece assim como uma metáfora para a regeneração da fé Cristã: a religião renegada renasce, emergindo mesmo através das formas da arte que foi um dia símbolo do sistema que a renegou.

Extremos que se tocam

Em 1985-2000, há também artistas que aparecem como herdeiros do abstraccionismo russo e soviético das três primeiras décadas do século XX. A vanguarda de ontem tansforma-se assim em tradição interrompida, à qual se retorna para celebrar e expressar uma outra realidade nova. Encontramos, por exemplo, referências ao abstraccionismo expressivo de Kandinsky, na “Composição Nº3” (1990), de Leonid Tkatchenko (n. 1927) e ao construtivismo de Tatlin, no tríptico “Contra-relevo-estéreo” (1993), de Viacheslav Koleitchuk (n. 1941), em que o painel central, “Contra-relevo-estéreo em estilo arcaico”, é uma reinvenção do motivo da cruz.
Salientam-se ainda a renda geométrica dos barcos inquietos na paisagem metafísica verde de Mikhail Shvartzman (1926-1997), na tela “Perturbação” (1985), a perspectiva e a luz pastel da cidade abstracta de Valentin Levitin (n. 1931), evocando os pátios sempre presentes de São Petersburgo, na “Composição” (1990-92), a luz e as sombras nas texturas simultaneamente diáfanas e telúricas na tela “Obra apócrifa” (1999-2000), de Vladimir Dukhovlinov (n. 1950) e a arquitectura do edifício formado pela memória dos textos sucessivamente raspados e reescritos no “Palimpsesto (Deslocamento da haste)” (2000) de Serguei Sergueiev (n. 1953), tela que é mais uma metáfora para o desaparecimento de uma era e o aparecimento de outra.

Uma tradução é sempre uma interpretação, e o descodificar dos vários conteúdos apresentados na exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000” aqui proposto propõe-se ser ponto de partida para a leitura em contexto da mesma exposição. E, porque os extremos se tocam, nas espirais do tempo e das formas, poderá ser ainda ponto de partida para outras reflexões, dramaticamente relevantes no momento presente. “Durante a vida, fui vendo cair o que, em jovem, parecia estar de pedra e cal. Ou me diziam que estava firme como o aço”, diz um dos heróis do romance “A falha” (1999), de Luís Carmelo. Que fizemos com a nossa liberdade? Que fazemos com a nossa liberdade?

Ana Luísa Simões Gamboa, em São Petersburgo

O dever supremo de qualquer escritor | Pedro Guilherme-Moreira in “Facebook”

O dever supremo de qualquer escritor – de qualquer pessoa – é trabalhar para perceber com a maior clareza possível a sua mediocridade, e só perante um slêncio lúcido, mais ou menos prolongado, recomeçar. E há-de, mesmo que em glória aparente – sempre passageira – voltar a calar-se e a ler e a aprender e a trabalhar com muito afinco, novamente na percepção da sua mediocridade, e a mediocridade é tão móvel como a excelência, e nada tem de casual, como a excelência. E só quando lhe for claro que não faz nada de absoluto poderá fechar a primeira linha. E então sentirá que está esfomeado e juntar-se-á à – rara – alcateia de esfomeados que perora no monte, os que não clamam nada para si além da sobrevivência, tendo presente que não é próprio do lobo comer outros lobos para a alcançar. O escritor deve ser a fera pura, as balas hão-de ser balas, o jogo limpo. Caça-se a matéria do conhecimento, novo ou velho, não a mancha do par. Chegou a hora de nos erguermos acima da merda necessária. Desta mediocridade. Porque até para matar a fome é preciso lucidez.