Author Archives: Das Culturas
Sarah | DANNY McBRIDE
DANNY McBRIDE was born in 1951 in Toronto, and has spent all of his working years in the arts as a musician, composer, singer and artist.
First as a musician, composer and songwriter, Danny made world tours with the likes of David Hasselhoff, Chris de Burgh and Joe Cocker. His illustrious music career has netted him several gold and platinum records and a profile that still keeps him newsworthy. In 1996 he wrapped up a US and Taiwan concert tour and began to slow his pace.
Danny, now a painter, moved to British Columbia and began a new phase in his life. He is a self-taught artist whose unique figurative style soon emerged. His acrylic images come alive on canvas in textured still-lifes and smoothly finished ladies in hats. His art is always exciting as he creates scenes that are light-hearted and fun. His images are frequently sculptural in form, with layers of paint built up on the canvas, creating a very textured and bold composition.
His paintings have made a large impact with collectors across North America and Europe.
FILOSOFIA POLÍTICA | A Irlanda também já teve o seu perdão de dívida in “Diário de Domingos Amaral”
Ora, pergunto eu, porque não renegociar a dívida e baixar a fatura altíssima de juros? Se a Irlanda e a Grécia já o fizeram, porque não o faz Portugal? E, já agora, que sentido faz cortar 4 mil milhões de euros em despesas sociais quando se gastam quase 14 mil milhões nos nossos bancos? A austeridade não se aplica à banca e aos banqueiros?
http://domingosamaral.com/67675.html … (FONTE)
Paulo Tavares
Paulo Tavares (Lisboa, 1977), poeta e professor de Português e de Inglês, é, actualmente, investigador do CETAPS (Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies) e do CECL (Centro de Estudos de Comunicações e Linguagens) da Universidade Nova de Lisboa, estando a desenvolver, como bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, uma tese de doutoramento na área dos Estudos Literários. Publicou os livros de poesia Pêndulo (Quasi, 2007), Minimal Existencial(Artefacto, 2010) e Linhas de Hartmann (&etc, 2011). É editor da Artefacto e director da revista Agio, ambas integrantes do Departamento Literário da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul.
Mantém, com alguma intermitência, o blogue Atravessando o Inverno (atravessandooinverno.blogspot.com)
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Milla Jovovich
Alunos de La Salle | Abrantes | Almoço em Fátima | 24 de Março de 2013, Domingo
Milla Jovovich by Peter Lindbergh 1998
Citando Michel Rocard
L’Europe, première économie mondiale, peut encore changer le cours des choses. À condition que ses dirigeants, la gauche française en particulier, décident enfin “d’arrêter les rustines”. Cela suppose de prendre conscience des causes réelles de la crise financière : la déformation du partage de la valeur ajoutée depuis l’arrivée au pouvoir de Ronald Reagan aux États-Unis et de Margaret Thatcher en Grande-Bretagne.
Lisa Ekdahl | Tea For Two
Running | Pedro Teixeira Neves
Pedro Tiago
Pedro Tiago nasceu em Óbidos, em 1983. Vai mantendo o seu percurso existencial. Lê livros. Vê filmes. Ouve música. Vai a concertos. Gosta de ir ao cinema. Passeia. Vai a cafés. Bebe cafés. Fuma muito. Pedro Tiago ainda insiste em acabar uma licenciatura naquilo a que, em tempos, se chamou de “Línguas e Literaturas Modernas” e que, hoje em dia, possui uma imensidão de nomenclaturas. Em 2011 publicou o seu primeiro livro, por intermédio das Edições Artefacto, sob o nome de O Comportamento das Paisagens. Pedro Tiago mantém blogs vários, ou, pelo menos, nunca se deu ao trabalho de os apagar e, de quando em vez, ainda vai lá deixando coisas. Uma vez que o mais frequentemente actualizado é o blog lonely gigolo, fica a referência apenas a esse, teimosamente alojado no servidor blogdrive. Leva para todo o lado o seu caderno de capa preta, à espera de uma epifania joyciana, e escreve sempre, sempre muito, sempre muito tempo.
Tesoro nacional y sádico | Virginia Collera in “Papeles Perdidos”
Como enumera Elaine Sciolino enThe New York Times, en Los 120 días en Sodoma el Marqués de Sade describe “orgías y abusos […], actos de pedofilia, necrofilia, incesto, tortura, violación, asesinato, infanticidio, zoofilia…”.En algunos países esto bastaría para ordenar su retirada de las bibliotecas públicas, pero no en Francia, donde consideran que la obra es un tesoro nacional. No puede decirse lo mismo de obra fotográfica del poeta Allen Ginsberg, un álbum de recuerdos beat que ahora se expone en Nueva York, pero sí deJane Austen: ni un solo periódico/suplemento cultural se ha olvidado del cumpleaños de Orgullo y prejuicio y, además, según un reciente estudio, ella ySir Walter Scott son los escritores más influyentes del siglo XIX. Empezamos.
FRANCIA
Los 120 días de Sodoma era, según su autor, el Marqués de Sade, “la historia más impura jamás contada desde que el mundo es mundo”. Bruno Racine, director de la Biblioteca Nacional de Francia, considera que es una obra “depravada”, sin duda. Pero también un tesoro nacional y por ello está dispuesto a pagar en torno a cuatro millones de euros por el manuscrito de la obra escrita por Sade mientras se encontraba preso al coleccionista suizo Gérard Nordmann. “El documento de Sade es una obra atroz, extrema y radical. Pero no la juzgamos moralmente”, insiste Racine. Éste dirige la institución francesa desde 2007 y entre sus objetivos siempre estuvo el de recuperar importantes manuscritos clasificados como “tesoros nacionales”. En 2010 se hizo con las memorias de Casanova, y también ha comprado los archivos de Michel Foucault o Guy Debord. (vía The New York Times)
Los artistas belgas Auriae Harvey y Michaël Samyn han creado un videojuego basado en la novela Moderato cantabile de Margerite Duras. (víaLe Nouvel Observateur)
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http://blogs.elpais.com/papeles-perdidos/2013/01/tesoro-nacional-y-sadico.html … (FONTE)
Mick Jager by Helmut Newton
Maria dos Canos Serrados | de Ricardo Adolfo
«Velhinho,
Estamos fodidas. Estamos muito fodidas. Estamos fodidas como o caralho.
Há uma série de coisas que são um problema:
1. A tua pessoa;
2. A tua pessoa nunca estar cá;
3. Não termos sexo porque a tua pessoa nunca está cá;
4. Não termos orgasmos porque não temos sexo porque a tua pessoa nunca está cá;
5. Andarmos totalmente putas da vida porque não temos orgamos porque não temos sexo porque a tua pessoa nunca está cá;
6. Não falarmos porque não temos as nossas conversas depois dos orgasmos que não temos porque não temos sexo porque a tua pessoa nunca está cá.
Por mais que tentemos, não conseguimos perceber porque é que continuas em Armação a fazer turistas por vinte e cinco euros, em vez de estares aqui a cumprir o teu dever com a cabeça entalada no meio das nossas pernas.
Vamos abrir outra garrafa e cheirar o que ainda aí houver, para clarear as ideias. Esperamos que não tenhas tomado tudo, como fazes sempre. E essa é a outra coisa que nos deixa ainda mais fodidas. Nós às vezes também fumamos os restos do chocolate ou damos o último tirinho. Mas sentimo-nos mal. Sabemos que não o devíamos fazer. Tu não. Tu nem pensas nisso. Quando vês uma carreirinha de sobra, se for preciso até vais para a cozinha só para não teres de a dividir, como aconteceu no mês passado.
qué que tás a fazer?
tava a cheirar o restinho
vieste cheirar e não me chamaste?
era o meu resto
e não podias dividir?
já tínhamos dividido, tu ficaste com quase tudo e sobrou meia linha pra mim
metade dessa meia dava na boa pra mim
tu fizeste as outras três cavia
isso foi antes
era só um tirinho, nem deu pra nada
deu pra ti, podia ter dado pra mim
mas tu já tinhas dado, dama
tu não me dames
amanhã há mais, prometo, era só uma miséria
é bom caja, pobre
não me chames pobre
preto
mulato, se fosse preto matava-me.»
[in Maria dos Canos Serrados, de Ricardo Adolfo, Alfaguara, 2013]
Citando Voltaire
O Lago Avesso (excerto) | Joana Bértholo
Ella, junto a uma multidão de gente exasperada, perante uma viagem que aparenta não querer ser boa ideia. Ansiedade alcatifada pelos corredores onde a sinalética para a casa de banho, Damen e Herren, é o único vestígio de uma humanidade que outrora tivemos antes de aprendermos a voar. Ella duvida, se calhar o melhor era deixar-se colada ao chão, segura:
»Cagar e mijar e nunca ambicionar ser mais que um animal rastejante«
As paredes de vidro junto às quais aguarda contemplam a pista de aterragem donde avião nenhum descola há mais de três dias. Está sozinha e traz consigo apenas uma bagagem de mão. Não se permite ter medo, mas nota que o seu corpo não sossega dentro dos limites da sua pele.
Uma voz mecânica e altifalada tenta sobrepor-se ao descontentamento das pessoas, visivelmente exaustas e indignadas. Anuncia mais dois voos que, todos pelo mesmo motivo, vêem-se forçados a ficar em terra. Muitas pessoas vão e voltam para suas casas, para casas de amigos, ou para hotéis, mas Ella deixa-se ficar no aeroporto. Há já quem monte tendas, estenda roupa, e se prepare para fazer do aeroporto morada. Há quem planeie um dia chegar ali a ser feliz.
Não tarda alguém irá encontrar uma forma de cozinhar algo, vai cheirar a comida, os miúdos farão dos cinzeiros de pé balizas de futebol, e lentamente surgirá neste aeroporto uma pequena maqueta social. As pessoas começarão a distinguir-se pelo que nelas é diferente e não pelo que as une, e surgirá dentro de cada grupo o primeiro casal. O enamoramento deles terá um efeito contagiante, e por escassos momentos reinará a harmonia. As pessoas especularão, incrédulas:
– Como não nos lembrámos antes de vir viver para o aeroporto?
Até alguém começar a cobiçar um terceiro:
Alguém do grupo do átrio B do pavilhão das partidas cobiçará porventura alguém da zona de chegadas. Os diferentes grupos começarão também a cobiçar espaço, mais território, invejosos das espaçosas casas de banho a que têm acesso os da zona do pessoal de voo. Surgirão os primeiros conflitos. A guerra virá logo atrás da cobiça, mas por ora tudo isto se reduz ao barulho que faz um homem no arrastar de vários bancos, motivado que está em construir uma cama mais confortável para si e para a companheira. Alguém que por isso terá de ficar a dormir no chão – protesta.
Resolve então vaguear por outros terminais. Dirige-se para o pavilhão das chegadas, onde ninguém chega há três dias, pelo mesmo motivo que ninguém parte. Imagina-o por esse motivo mais vazio, mas quando lá chega constata que não. Pelo contrário. Junto ao corrimão das chegadas depara-se com um grupo obstinado de pessoas que ali aguardam, ainda, ou já, segurando ao peito folhas com tipografias variadas, apelidos de distantes proveniências, e alguém até que insiste numa pequena bandeirola, escrito nela um hispânico e colorido:Bienvenida ! Duvidando de si mesma, procura um painel electrónico para confirmar aquilo que já sabe – não estão a chegar voos. Observa a resiliência destas pessoas e não percebe como podem conseguir enganar-se assim, e manter o desengano ao longo dos dias.
Mobilizada por tudo aquilo, atravessa por uma porta sem fechadura e trancada apenas pela convenção social de um símbolo vermelho e as palavras: Kein Zutritt. Infiltra-se pelos corredores da recolha de bagagens, rasteja por passadeiras rolantes paradas, olha directamente para uma câmara de vigilância que deve estar neste momento a denunciar a sua entrada furtiva. Mas ninguém virá a tempo de a impedir de fazer nada arrojado, pois tudo o que ela quer fazer é atravessar as portas de abertura automática:
Como alguém que chega.
Ainda incorre é certo num furto ligeiro, ao agarrar de uma das passadeiras uma bagagem de porão esquecida, ou extraviada, uma mala que ali está e que ela sabe que ninguém virá tão cedo reclamar. Respira fundo e espera um sinal vindo do outro lado da porta de abertura automática que lhe sirva de deixa de entrada. Os focos todos virados a ela, um palco só seu.
Abrem-se a par as portas automáticas. Uma dezena de rostos iluminam-se ao vê-la, mal ocultando o seu espanto. As pessoas reordenam-se e agitam mais alto as suas folhas contendo nomes tipografados à mão ou impressos a computador. Alguns logótipos. Certas folhas dentro de capas de plástico outras coladas a um suporte rígido. Todos querem ser o eleito.
Ella desfruta da sensação de ser quem todos eles esperavam. Já tinha seleccionado de antemão, e por intuição, um senhor baixinho e careca na extrema ponta esquerda, com ar cabisbaixo e cansado, segurando desesperançado um papel nele escrito: MMELLE. FRANKA ALLONTANT. Ella Bouheart dirige-se a ele em passo determinado, e sorri.
O rosto do homenzinho descobre-se de esperança – percebe que é ele o escolhido. Fala-lhe em francês, ela não entende, mas ouve o seu nome, o seu novo nome, e sabe que tem de dizer: Oué Oué; e por veracidade adiciona um: Bonjour; mas não se arrisca a mais. Sorri, cala-se, e segue-o.
Ele já lhe tomou ambas as bagagens e já a conduz ao exterior do enorme edifício. Atravessam juntos o enorme parque de estacionamento, onde se podem contar o número de viaturas pelos dedos, e o dedo mindinho é o dele, um carro à proporção do seu condutor. Ele coloca as malas na bagageira traseira, e Ella sorri, mas permanece calada. O homem transpira entusiasmo, fala por ele e por ela. Ella entretém-se todo o percurso com a sua chanson française, maravilhada pela cidade lá fora. A mesma onde vive faz mais de duas décadas.
O homem coloca então uma pergunta que soa importante pelo tom e pela posição das pausas. Olha-a e espera resposta. Ella sorri-lhe, ele aguarda-a, e enche-se o carro de um silêncio incómodo. Por sorte, cruzam nesse preciso momento uma enorme rotunda, centreada por uma colunata com uma cúpula impressionante ao topo, decorada a filigrana dourada, e Ella encavalita-se para fora da janela, fascinada pelo monumento que na realidade já está cansada de ver. Mesmo assim, desta vez, olha-o como se nunca o tivesse visto antes. Sem fingimentos:
»Como é belo !…«
Pensa. E quando recolhe de novo ao interior do carro a pergunta parece ter sido esquecida. O homem parece consolado pelo entusiasmo infantil dela perante os tesouros arquitectónicos da sua cidade natal. Sente-se orgulhoso de ter nascido e crescido ali, como se ela admirasse um membro do seu próprio corpo, é tanto o quanto ele se confunde com a sua cidade.
excerto de “O Lago Avesso” (romance) publicação prevista 2013, editorial Caminho
Joana Bértholo
Citando François Hollande
Stana Katic
Ética e Vergonha (ou a falta dela) por António Marques*
Josie Maran
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Nascimento: 8 de maio de 1978 (34 anos), Menlo Park
Altura: 1,70 m
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Vasco Graça Moura | Alfreda ou a Quimera
Alfreda ou a Quimera é a história de uma obsessão, de uma paixão por uma bela e misteriosa mulher com quem o protagonista deste romance – um bibliófilo portuense – se relaciona intima e fugazmente. Essa paixão passa a reger a sua vida, os seus interesses, os seus actos, os seus pensamentos, enquanto ele tenta reencontrá-la. Quando a reencontra, ou quando a verdade sobre ela é revelada, apesar do desapontamento que o atinge e do seu desinteresse em reencontrá-la carnalmente, João de Melo renuncia a uma vida normal, a um amor tranquilo e equilibrado que entretanto encontrara com outra mulher, para se entregar à quimera de Alfreda. As histórias que acabam bem não fazem história; mas alguns episódios obscuros e mal resolvidos marcam-nos para sempre. Além da história central do livro, destaquem-se ainda a relação do protagonista com Pips, o seu amigo homossexual inglês, e a relação apaixonada que mantém com o mundo dos livros e com a sua cidade do Porto.
Teatro Rápido | Programação TR Fevereiro – POR AMOR
No mês em que se comemora o Dia de São Valentim, o Teatro Rápido oferece-lhe quatro peças de 15 minutos para ser apaixonar. Sob o tema de Por Amor, tudo aqui vai ser permitido. Porque ninguém gosta de estar sozinho, porque todos sonham em encontrar a outra metade da laranja. O problema é quando os sonhos se tornam realidade. Sim! Porque às vezes os sonhos concretizados revelam ser o maior problema…
Tiago Torres da Silva volta a escrever e encenar no TR, desta vez com os atores Fernanda Neves e João Passos. Assinalamos também o regresso de Ana Saragoça enquanto autora do texto que Rosa Villa encena e interpreta ao lado de Hugo Costa Ramos. O TR recebe em estreia Cristina Areia com encenação de João Ricardo e Lídia Muñoz pela mão de Miguel Graça. Um leque de nomes a não perder!
SALA 1 – Onde é que julgas que vais
Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00
quinta a segunda | M/12 | 3€
Autoria, encenação e cenografia: Tiago Torres da Silva
Interpretação: Fernanda Neves e João Passos
Fotografia: Inês Torres da Silva
SALA 2 – Não sou eu, és tu
Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05
quinta a segunda | M/16 | 3€
Texto: Ana Saragoça
Encenação: Rosa Villa
Interpretação: Hugo Costa Ramos e Rosa Villa
Cartaz: Luís Covas
SALA 3 – Goodbye
Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15
quinta a segunda | M/16 | 3€
Texto: José Pinto Carneiro
Dramaturgia e Encenação: João Ricardo
Interpretação: Cristina Areia
Instalação Cenográfica: João Ricardo / SP Televisão
Design Gráfico: Inês Gois
Execução de Figurinos: José Graça
SALA 4 – Onde é que estavas quando te vi pela última vez
Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25
quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto e Encenação: Miguel Graça
Interpretação Lídia Muñoz
PARA A INFÂNCIA aos Sábados e Domingos de Manhã:
SALA 4 – Pequenas Propostas Para Ti # Maior
Horário das sessões: 11h30 | 11h55 | 12h20
sábados e domingos | M/4 | 3€
Encenação: Yola Pinto
Interpretação: Carla Carreiro Mendes e Tiago Ortis
Espaço Sonoro e Vídeo Divulgação: Pedro Moura
Apoio à Instalação Cénica: Joana Ratão
Desenho de Luz: Paulo Santos
Fotografia: Sofia Ferreira
Produção: Gato que Ladra
No TR BAR
Dia 15 de Fevereiro às 22h
Café Improv
Elenco: Duarte Grilo, Fábio Sousa, Nuno Barbosa, Pedro Pereira e Pedro Vercesi.
Direção de Nuno Barbosa
Entrada: 7€ com oferta de imperial
Dia 22 de Fevereiro às 22h
Oásis de Contos de Amor
Sessão de Contos pelo Coletivo Os Inadaptados (M/12)
Entrada: 4€
Contadoras: Ana Lúcia Santos, Ana Luisa de Oliveira e Eva Barros
Dia 23 de Fevereiro às 22h
Regra de 3 Simples
Concerto de Covers de Música Portuguesa
Entrada: 6€
Voz: Diana Afonso
Piano: Joana Tavares
Guitarra: Pedro Santos
Dia 24 de Fevereiro às 16h00
Tertúlia Rápida
Moderadores: Joana Sousa e Mário Pires
ENTRADA GRATUITA
Aniversário de Sebastião Salgado
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior é um fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por seu estilo único de fotografar. Nascido em Minas Gerais, é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Wikipedia|
Nascimento: 8 de fevereiro de 1944 (69 anos), Aimorés
Prêmio: Prêmio internacional da Fundação Hasselblad
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PUB | Economia para Jornalistas | Acção de formação da rede Economia com Futuro
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Sábado, 9 Fev. 2013
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9:30 até 13:00
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ICS-Instituto de Ciências Sociais – Sala Polivalente – Av. Professor Aníbal de Bettencourt, 9 – 1600-189 Lisboa – Portugal
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Entrada livre.
Inscrição obrigatória através do mail comfuturo.economia@gmail.com.
O “Assunto/Subject” da mensagem deve referir ACÇÃO DE FORMAÇÃO PARA JORNALISTAS.
O mail deve conter:
– Nome profissional
– Órgão de comunicação para onde trabalha
– Área profissional / Secção
– Mail
– Telefone
– Um parágrafo especificando as razões por que esta formação lhe interessa.
Esta acção de formação destina-se não apenas a jornalistas de Economia mas a todos os jornalistas que sentem necessidade de reforçar os seus conhecimentos de Economia para compreender melhor o contexto social, político e económico onde se movem.
FORMADORES
Carlos Farinha Rodrigues – ISEG-UTL
Ricardo Paes Mamede – ISCTE-IUL
Eugénia Pires – Universidade de Londres
A formação está limitada a DOZE formandos. A selecção será feita com base no perfil dos formandos.
FILOSOFIA POLÍTICA | A economia e a fé por André Macedo in “Diário de Notícias”
Ricardo Cabral é economista e professor na Universidade da Madeira. Na segunda-feira, deu uma entrevista ao Público. Vale a pena ler o que ele diz. Quando já se acha que está tudo dito, quando até parece que o clima económico está a virar, Cabral destrói a narrativa do Governo: a de que a recuperação se fará pelas exportações e que isso bastará para que o Sol volte a brilhar. Os argumentos de Cabral são simples. A receita da troika implica um ajustamento externo inconcebível. Tradução: “Um país que nos últimos 236 anos teve apenas sete anos com superavits comerciais – vendeu ao exterior mais do que comprou – se torne um país com um desempenho no sector externo superior à média histórica da Alemanha.”
Alguém acredita nesta coisa? É bom notar que este triplo salto teria de acontecer numa altura em que a Zona Euro vem de uma recessão, pode até não conseguir sair dela neste trimestre (o ritmo de crescimento nominal das exportações portuguesas está a cair desde março de 2011). Além de que o nosso principal parceiro comercial – Espanha – está a arder financeira e politicamente.
Ricardo Cabral vai mais longe. Diz ele: embora exportar seja fundamental, as empresas que exportam não vivem no limbo. Elas estão ligadas ao mercado interno: ou porque também vendem para ele – e, portanto, sofrem com o colapso da procura -, ou porque têm relações com fornecedores internos, sujeitos a impostos draconianos, ou ainda porque são confrontados com uma força de trabalho esmagada pela violência fiscal. Ou seja: a economia não é compartimentada. Embora quem exporte sobreviva melhor, não deixa de tornar-se menos competitivo por causa do contexto.
E qual é o contexto? Além do que já se conhece, o Governo admite que a retoma prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias. O contributo do consumo privado para a taxa prevista de crescimento (0,8% ) será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna, que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. É bom perceber que estamos a falar de uma previsão e que as previsões são sempre otimistas.
No fundo, a coisa está assim: o ajustamento era inevitável, a herança uma tragédia, mas a recessão está a ser tão profunda que: 1) o desemprego vai a caminho dos 17%; 2) em proporção do PIB, as empresas devem hoje mais do que quando começou a crise; 3) a dívida pública está nos 123% e não está estabilizada; 4) não há crédito e os bancos (em cartel?) continuam a cobrar juros de usura, apesar de o comprarem barato ao BCE. Acreditar que o crescimento surgirá de geração espontânea é não apenas otimista – tem tudo para dar errado. Veremos.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3038982 … (FONTE)
Citando Tomás Vasques in “Facebook”
Todas as cartas de amor são ridículas | Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS – ÁLVARO DE CAMPOS, in POESIAS DE ÁLVARO DE CAMPOS. FERNANDO PESSOA.[ Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993)
Capela Sistina
Palimpsesto de Arquimedes
O palimpsesto de Arquimedes é o nome pelo qual se conhece habitualmente um palimpsesto – texto antigo escrito sobre outro anterior empergaminho – formando um códice, que originariamente foi uma cópia em grego de diversas obras de Arquimedes, antigo matemático, físico eengenheiro de Siracusa e de outros autores. Posteriormente foi apagado rudimentarmente e usado para escrever salmos e orações de um convento.
O Palimpsesto de Arquimedes inclui cópias de diversas obras do matemático grego:
- ‘‘Sobre o equilíbrio dos planos’’
- ‘‘Sobre as espirais’’
- ‘‘Medida de um círculo’’
- ‘‘Sobre a esfera e o cilindro’’
- ‘‘Sobre os corpos aboiantes’’ (única cópia conhecida em grego)
- ‘‘O método dos teoremas mecânicos’’ (única cópia conhecida)
- ‘‘Stomachion’’ (a cópia mais completa de todas as conhecidas)
Arquimedes viveu no século III a.C., mas o palimpsesto não foi escrito até o século X por um escriba anônimo. Em algum momento do século XII o manuscrito foi desatado, rascado e lavado, com outros seis manuscritos em pergaminho, entre os que se incluía um com obras de Hipérides. As folhas de pergaminho foram dobradas pela metade e reutilizadas para copiar um texto de caráter litúrgico de 177 páginas, de maneira que cada página do escrito antigo se converteu em duas páginas do texto litúrgico. Contudo, o apagado não foi completo, e a obra de Arquimedes está agora acessível graças a que o trabalho científico e acadêmico realizado entre 1998 e 2008 usando métodos de processamento digital de imagens obtidas usando diversas frequências de radiação, incluindo radiação infravermelha, luz ultravioleta, e raios X.[2][3] O acadêmico Constantine Tischendorf visitou Constantinopla (a atual Istambul) na década de 1840, e intrigado pelo escrito matemático grego visível no palimpsesto, levou com ele uma das suas páginas. Esta página atualmente encontra-se na Biblioteca da Universidade de Cambridge. Contudo, seria o filólogodinamarquês Johan Ludvig Heiberg (1854-1928) que se daria conta, quando inspecionou o palimpsesto em 1906, que se tratava de um texto de Arquimedes, e que continha obras que se acreditavam perdidas.
Johan Ludvig Heiberg tomou fotografias da obra, a partir das quais obteve transcrições que publicou entre 1910 e 1915. Contudo, o seu trabalho ficou interrompido pelo começo da primeira guerra mundial. Pouco depois, a obra foi traduzida para o inglês por Thomas Heath, momento em que começou a ser mais acessível e conhecida pelos coletivos de historiadores, físicos e matemáticos. O texto ficou em posse da biblioteca de Constantinopla e cedo desapareceu. Desconhece-se como reapareceu na França após a Primeira Guerra Mundial como propriedade de um colecionador particular que assegura que foi comprado em Istambul pelo seu avô.[4]
Desde a década de 1920 o manuscrito permaneceu em Paris, na posse de um colecionador de manuscritos e dos seus herdeiros. Em 1998 a discussão sobre a propriedade do manuscrito chegou à Corte Federal do Estado de Nova Iorque, no caso que enfrentava o Patriarcado de Jerusalémcontra Christie’s, Inc. Segundo o Patriarcado, o manuscrito pertencia à biblioteca do mosteiro de Mar Saba, que o adquirira em 1625, sendo roubado de um dos seus mosteiros na década de 1920. Porém, o juiz determinou em favor da casa Christie’s, considerando que a ação reivindicatória do Patriarcado de Jerusalém estava prescrita. Após a sentença, Christie’s subastou o palimpsesto, que se vendeu por dois milhões de dólares a um comprador anônimo. Simon Finch, o representante do comprador, indicou que se tratava de um americano que trabalhava na indústria da alta tecnologia, e matizou que não se tratava de Bill Gates.[5] A revista alemã ‘‘Der Spiegel’’ informou de que o comprador provavelmente poderia ser Jeff Bezos.[6]
O Palimpsesto de Arquimedes foi submetido entre 1999 e 2008 a um intenso estudo no Museu Walters, em Baltimore, Maryland, bem como a um processo de restauração (o pergaminho sofrera deterioro por efeito do mofo). Os trabalhos foram dirigidos pelo Dr. Will Noel, curador de manuscritos do Museu, e sob a gestão de Michael B. Toth, com a Dra. Abigail Quandt encarregue dos trabalhos de conservação do manuscrito.
Por outro lado, uma equipa de cientistas usou um sistema de processamento computacional das imagens digitais de várias faixas espectrais, entre as que se incluíam a luz ultravioleta e a visível, para revelar a maior parte do texto oculto, incluindo a obra de Arquimedes. Após processar e digitalizar o palimpsesto completo em três faixas espectrais até 2006, em 2007 redigitalizaram a imagem do palimpsesto em 12 faixas espectrais.[7] A equipa processou digitalmente as imagens para revelar a maior parte do texto oculto. Também digitalizaram as imagens originais de Heidberg. Finalmente, Reviel Netz, da Universidade de Stanford, e Nigel Wilson criaram uma transcrição do texto, recheando os vazios da transcrição de Heiberg com as novas imagens. [8].
Adicionalmente, em algum momento posterior a 1938, algum proprietário do manuscrito falsificou quatro imagens religiosas de estilo bizantino incluídas no manuscrito com a finalidade de incrementar o seu valor. Acreditava-se que estas imagens tornaram completamente ilegível o texto que havia debaixo, mas em maio de 2005 um sistema de raios X de alta definição foi empregue para tentar revelar aquelas partes do pergaminho. A fluorescência produzida com os raios X permitiu aceder também a essa parte do texto oculto.[9]
Em abril de 2007 foi anunciada a descoberta de um novo texto no palimpsesto, consistente num comentário à obra de Aristóteles atribuído a Alexandre de Afrodisias. Anteriormente tinha-se descoberto um texto de Hipérides, um político ateniense do século IV a.C.,[1] e em particular do seu discurso ‘‘Contra Diondas’’, que foi publicado em 2008 na revista acadêmica alemã ‘‘Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik’’, vol. 165.[10]
Em 29 de outubro de 2008, coincidindo com o décimo aniversário da aquisição do palimpsesto por leilão, toda a informação derivada do documento, incluindo imagens e transcrições, foram publicadas na Internet para o seu uso sob Licenças Creative Commons, e as imagens processadas do palimpsesto foram publicadas em Google Livros.[11]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Palimpsesto_de_Arquimedes … (FONTE)
Rafał Kostrzewa
Uma viagem à índia – 13 | Gonçalo M. Tavares by Susana Leite
O tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os sentimentos momentaneamente incontroláveis vivem acesos no íntimo do humano Bloom, mas podem ser aplacadas. Bloom espera conseguir manter-se sempre em controlo delas. Mas reproduzem-se até à exaustão do auto-controlo, o limite, que é o regresso. Esse percurso é acompanhado da moral, ou da procura dela: e a procura de uma ética é um itinerário que pode paradoxalmente, matar. Não é, por isso, paradoxal que as regras de substituição da ética individual, como a moral religiosa, matem uma vida de experiências limites. Isso já é sabido, pois a sociedade também as criou como mecanismo de auto-regulação. Mas é paradoxal que depois de se terem construído, descoberto, analisado, melhorado as religiões do mundo, o séc. XIX ainda esteja consumido pela questão da moral. Ela parece ter de acompanhar-nos.
“We need an imaginative approach to redesigning a more complete travel experience.” Alain de Botton, Lufthansa Magazin (12/10). Embora o autor se refira à experiência física e real da viagem, a ficção de Tavares vai-lhe ao encontro: o tema da Índia, o guru e a meditação, o desapego e a procura de desidentificação com o ego na procura de si fazem parte da epopeia. E que parte desempenham nesse percurso o tédio e a forte melancolia? Que mais é a vida de um contemporâneo senão um pouco de tudo isto?
David Mourão-Ferreira | poema
Uma relíquia! Laurel and Hardy | clique no link
FILOSOFIA POLÍTICA | Um gesto que abalou o mundo | “Gostaria de ser lembrada como alguém que quis ser livre, para que os outros pudessem também ser livres” Rosa Parks | por Nuno Ramos de Almeida in “Jornal i”

Precisamos de gente fiel à luta contra aquilo que está mal, necessitamos da singularidade de um acto, como o de Rosa Parks.
Parecia um dia como outro qualquer, 1 de Dezembro de 1955. Uma costureira de 42 anos sentou-se no autocarro nos lugares disponíveis para “gente de cor”. Na cidade de Montgomery, no estado do Alabama, a lei dizia explicitamente que quando os brancos não tivessem lugares sentados podiam obrigar os negros a levantar-se, e se o veículo estivesse muito cheio os negros podiam ser despejados para a rua.
Nesse dia vários brancos entraram no autocarro e muitos negros levantaram–se dos seus lugares. Mas não todos. Rosa Parks recusou fazê-lo. “Estou cansada de ser tratada como uma pessoa de segunda classe”, disse ao condutor.
O funcionário chamou a polícia. A mulher foi presa por não aceitar ser tratada como escrava.
Nesse mesmo dia, os habitantes negros da cidade de Montgomery deixaram de andar de autocarro. São os pobres que viajam nos transportes públicos. São os pobres que trabalham por salários de miséria. São eles que criam a riqueza de cidades como Montgomery. E aí, no estado do Alabama, os pobres são quase todos negros. O boicote durou 381 dias. 75% dos passageiros dos autocarros, os negros, não cederam. No fim do seu protesto, o Supremo Tribunal dos EUA considerou ilegais as leis racistas do estado do Alabama que discriminavam os negros nos espaços públicos. No dia 21 de Dezembro de 1956, o Reverendo Martin Luther King e outros activistas dos direitos cívicos foram os primeiros negros a viajar, como cidadãos iguais de direito, num autocarro da cidade de Montgomery.
Um acto que mudou a história. Rosa recusou-se a levantar-se do banco do autocarro para dar lugar aos brancos. Foi presa, mas a sua recusa atiçou a revolta pelos direitos iguais. As coisas nunca mais foram as mesmas. Um só gesto fez toda a diferença.
Vivemos hoje em Portugal em condições cada vez piores para a maioria da população.
Ao contrário dos contos de fadas ou dos filmes em que se come pipocas, nada obriga a que depois de uma tragédia haja um final feliz. Mas na nossa liberdade está inscrita a possibilidade de mudar as coisas. Por vezes basta um gesto corajoso.
Porque temos de viver num país em que em tempos de vacas gordas os banqueiros distribuem dividendos à conta dos nossos depósitos e em tempo de vacas magras esses mesmos banqueiros distribuem dividendos à conta dos nossos impostos?
Porque somos obrigados a aturar os governos do grande centrão que foram cúmplices das negociatas do BPN e das parcerias público-privadas?
Porque estamos condenados a aceitar um país que vai ao fundo enquanto os do costume enriquecem?
Numa das tragédias clássicas do teatro grego, “Antígona” opõe-se às leis da cidade que a impedem de enterrar o irmão. Para ela as leis da cidade não estão acima do dever. O seu sofrimento vai derrubar a tirania. Há milhares de anos, como agora, a liberdade vale mais que os repressores de turno. Basta um gesto para o perceber.
Precisamos de gente fiel à luta contra aquilo que está mal, necessitamos da singularidade de um acto, como o de Rosa Parks. Um acto de contágio que sirva para inocular a recusa de qualquer submissão.
Editor-executivo
Escreve à terça-feira
A arte de fingir orgasmo
‘Os Desastres da Guerra’ de Graça Morais na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Os Desastres da Guerra, pintura e desenho de Graça Morais
31 de Janeiro · 14 de Abril de 2013
Como você geme?
Joana Bértholo
Joana Bértholo
nasceu em Lisboa em 1982 e passou boa metade desse entretanto no estrangeiro.
Em Lisboa formou-se em Design de Comunicação, em Buenos Aires mestrou-se em praticas artísticas de intervenção social e em Berlim doutora-se (ainda, e demoradamente) em Estudos Culturais. A sua tese fala muito de sombras.
Publicados tem pela editorial Caminho o romanceDiálogos para o Fim do Mundo (2010) e Havia – histórias de coisas que havia e de outras que vai havendo (2012) que saiu antes em versão mais curta pela editora Primeiro Exemplar (2006); e ainda pela Baleiazul o argumento banda-desenhado Ausência de Cor (1999).
Premiados tem vários contos, o projeto Boa-Nova(Prémio Jovens Criadores – Literatura, Clube Português de Artes e Ideias, 2005) e o romanceDiálogos para o Fim do Mundo (Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, 2009).
A mencionar ainda o 1.º lugar no Concurso Literário Persona (2006), ou o Prémio Escrevendo a Partir da Pintura (Fundação Calouste Gulbenkian, 2000); a menção honrosa no Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro (1998); o Melhor Argumento para BD (SOSracismo e editora Baleiazul, 1999); Melhor Ensaio sobre o Movimento Olímpico (Comité Olímpico Português, 2000); e a menção honrosa no Prémio UP-Utopia (Universidade de Letras do Porto, 2005); entre outros.
Acredita no coletivo e faz parte de bastantes, a mencionar a plataforma Xerem e a plataforma editorial Amor-Livro. Há até livros-coletivos para os quais contribuiu com um capítulo, como é o caso d’O Caso do Cadáver Esquisito (edição Prado, 2011)
O último romance tem por título O Lago Avesso, e deve estar a sair.
mais?
http://www.unscratchable.info
http://cargocollective.com/amorlivro
Perdendo a virgindade
O HOMEM QUE NÃO SABIA MENTIR
Joana Vasconcelos | Ponto de Encontro
A celebração interior da literatura | Luís Carmelo
Foi Ducrot quem escreveu que o fenómeno religioso não se poderia explicar, caso “a própria língua não tornasse possível a fala de alguém ser simplesmente a fala de outrem” (1 ).
Este ponto de vista simplista, mas interessante, põe em paralelo a voz do profeta que transmitia a voz de deus e o encantamento digital das mil mediações que nos repõem, hoje, o mundo na nossa sala de estar. Há em ambos os casos uma distância entre a voz que se ouve e uma outra voz que se oculta.
Mas eu não creio, sinceramente, que o fascínio pelo sagrado resida nesse jogo – por mais sofisticado que seja – entre bastidores e boca de cena. O sagrado não é, pois, apenas uma forma dramatúrgica de conforto.
O que nos atrai ao sagrado é o mesmo que faz o homem pensar. Nós pensamos com imagens que se reproduzem como cerejas (Damásio, em O Sentimento de Si, prefere falar de um fluxo de imagens que se move “para a frente no tempo, depressa ou devagar, de forma ordeira ou sobressaltada e, algumas vezes, avança não apenas numa sequência mas em várias” (2 ). Apesar de não nos podermos comparar a um catavento, andamos, por vezes, lá perto: passeamo-nos na rua, entramos num café, guiamos um carro e, ao lado da concentração, a nossa cabeça é um moinho sempre a rodar, sempre em movimento.
O que é que esta turbulência da nossa mente tem a ver com o sagrado? É simples: o sagrado baseia-se no mistério. E há uma vantagem no mistério que é, ao mesmo tempo, também, a sua essência. É que o mistério é como uma sombra em torno da qual é possível construir ilimitados percursos. Não se trata de explicar por que razão essa sombra existe, mas de a contornar, de a percorrer, de a envolver, porventura de a amar. Grande parte da existência e do discurso dos homens faz-se a partir dessa circum-navegação que nunca mais acaba. Um ritual de imagens, ritos, palavras segredadas e gestos que se reproduz, ao longo do tempo, apenas para sublinhar a importância da sombra. Uma circularidade interior que move e faz mover a mesma intensidade com que a poesia nos conquista no centro da sua afirmação muito específica e intemporal.
No fundo, o labirinto do culto é muito semelhante ao labirinto com que as imagens encenam a consciência, ou com que as palavras encontram as suas cenografias a bordo dos poemas que as fazem aparecer e ser.
O cinema, quando foi inventado, também trouxe para o lado de fora da nossa cabeça esta luta livre entre a montagem e o modo desabrido com que as imagens se podem conotar ou reproduzir, na nossa frente, sem cessar. O cinema é, sob o ponto de vista físico, como substância, uma verdadeira sombra. Melhor: sombra e luz que se alternam. E que, com o seu movimento, nos mobilizam a pulsação mais vital. O mesmo se pode dizer da literatura, a maior produtora de imagens da nossa experiência milenar.
O sagrado é, ao fim e ao cabo, um modo confortável de imitar e plagiar a nossa mente, mas é também a radiografia permanente do seu funcionamento. É por isso que o sagrado e o homem se confundem. Ao lado do sagrado, o cinema e a literatura têm sido uma ilustração fantástica e fantasmática deste desejo profundo de brindarmos ao universo com uma máscara de nós próprios. É por isso que ainda aqui continuamos: a respirar a faúlha incerta de que é feita a literatura e a sua permanente e silenciosa celebração.
Luís Carmelo
(1 ) – Enunciação em Enciclopédia Einaudi, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1984/II, pp. 387.
(2 ) – O Sentimento de Si – O corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência, Publicações Europa-América, Lisboa, 2000, p.362.
A esmagadora maioria dos eBooks, no Brasil, ainda vendem pouco.
A esmagadora maioria dos eBooks, no Brasil, ainda vendem pouco. Não importa quem os publica, se autores independentes ou grandes editoras – as vendas são fracas. Os “culpados” pelas vendas fracas costumam ser vários: a falta de uma base consistente de dispositivos (ereaders ou tablets) no país; o preço dos eBooks, que seria muito alto; a dificuldade para se comprar e baixar um ebook nas lojas brasileiras; e a quantidade pequena de ebooks em português à venda.
http://revolucaoebook.com.br/vendas-baixas-culpa-nao-peixe/ … (FONTE)
HUMOR | O próximo reforço do Sporting
Porque o desporto também é cultura…
Vista de Delft (1661) Jan Vermeer
The Girl with a Pearl Earring, 1665 | Jan Vermeer
David Bowie | Markus Klinko and Indrani
Anne Hathaway by Klinko and Indrani
Patti Hansen | Helmut Newton
Led Zeppelin | Stairway to Heaven
Citando Carlos Fuentes
“Deve-se ter muito medo de escrever. Não é um ato natural como comer ou fazer amor, é de certa forma, um ato contra a natureza. É dizer à natureza que não se basta a si própria, que precisa de outra realidade, da imaginação literária.”
(Declaração do escritor na ocasião de seu aniversário de 80 anos)
Doubting Thomas | Caravaggio
PAIXÕES LITERÁRIAS: Carlos Fuentes (1928-2012) | Cecília Prada
Apascento meus livros.
É um gigante – não há dúvida.
Antes de mais nada, impressionava pelo seu físico. Homem muito bonito, de extraordinário porte, distinto, educado, um dos maiores escritores do século XX mas também adequado modelo do “perfeito diplomata de carreira” que também foi, tendo chegado a embaixador do México na França, de de 1972 a 1976 – juntando às duas carreiras também a de professor em algumas das mais renomadas universidades , como Princeton, Harvard e Cambridge.
E assim se conservou o até sua morte,em 15 de maio de 2012, aos 83 anos, atuante, cheio de energia – deixou-nos 43 livros publicados, de ficção e de ensaios. Em suas últimas entrevistas, poucos meses antes de morrer, comentava um livro que acabara de escrever, Federico en su balcón, no qual ressuscitara Nietzsche para manter uma conversa com ele, e, incansável, declarava ter começado a escrever mais um de seus alentados romances de fundo histórico, El baile del centenario.
Caracteriza sua obra de ficcionista tomar como tema a história do seu país , criando, porém, uma série de personagens de primeiro plano, em sua integralidade e em suas particularidades existenciais ( “personagens redondos”, como preconizava Flaubert), situados contra o grande cenário histórico – uma integração perfeita, como realizou em La muerte de Artemio Cruz (1962), Terra nostra (1975) e Los años con Laura Diaz (1999) . No primeiro, o personagem, em seu leito de morte, no ano de 1959, recorda episódios de sua vida pessoal e de seu envolvimento em lutas políticas subsequentes à Revolução Mexicana de 1910, remontando depois até a data do seu nascimento, 1889.É um livro complexo, não-linear, e Fuentes vale-se de recursos estilísticos imprevisíveis, no entrelaçamento dos diversos períodos históricos retratados. Ainda mais extenso, e de estrutura complexa e desafiadora é Terra Nostra, em que abrange a história mexicana desde os primórdios da conquista espanhola. Laura Diaz, em plena maturidade criativa, é mais simples e linear. Exige menos conhecimentos do leitor e cria uma personagem calcada em uma pessoa real, a fotógrafa e ativista comunista Tina Modotti – que pertenceu ao circuito famoso de Diego Rivera e Frida Khalo – e através das circunstâncias de sua vida descreve um painel histórico que abrange o contexto conturbado do México, durante todo o século XX.
Pela sua imensa erudição, seu aprofundamento em história e disciplinas afins como sociologia e ciências políticas, por ser um dos raros ficcionistas-pensadores que a América Latina conta, Fuentes tem sofrido em maior gráu com a ignorância, a mediocridade, a falta de iniciativa dos editores, entre nós (falo pelo Brasil, pois desconheço o que se passa em Portugal) – ocupados em correr atrás das insignificâncias de escritores que visam somente o lucro fácil, a alta vendagem para um público cada vez mais imbecilizado.Muito poucos são os editores conscientes, bem informados, que ainda se lembram de que a literatura tem sido, com as outras artes, e antes de todas, o sustentáculo de qualquer tipo de civilização. Não-traduzida para o português permanecem, portanto, não somente uma grande parte da obra de Fuentes (como o colossal romance Terra Nostra ), mas um grande número de outros escritores “sérios”, significativos, do mundo – enquanto na enxurrada diária dos lançamentos, passam desvairados cinquenta, cem, milhão de “tons de cinza” que vão encabeçar a coluna dos “mais lidos”.
Seu primeiro romance de sucesso foi La región más transparente, de 1958 – ele tinha 29 anos, então. Um sucesso estrondoso, saudado pela crítica como “o primeiro grande mural da modernidade urbana”, pois descrevia a complexa realidade da vida na capital mexicana, desvelando uma série de circunstâncias e de personagens das mais variadas classes sociais. Não perdeu até hoje sua atualidade, no mundo hispânico, mas também permanece sem tradução em português.
Carlos Fuentes mereceria, sem dúvida, o Prêmio Nobel – pela qualidade, pelo volume da obra, pelo vigor do seu empenho na transformação cultural e social do seu país e da América Latina. Não o obteve, mas foi muito reconhecido no mundo hispânico e recebeu importantes prêmios, como o Miguel de Cervantes em 1987 e o Príncipe de Astúrias em 1994.
Como sempre acontece após a morte de um artista importante, há uma revalorização imediata de sua obra por parte de críticos, editores e professores universitários. Em minha próxima crônica pretendo continuar a examinar alguns aspectos da obra de ficção de Fuentes, mas termino esta reproduzindo apenas duas manifestações de críticos que julgo fundamentais para que meus leitores possam avaliar o que ele representa.
O crítico mexicano Christopher Dominguez disse, de sua obra: “É o conjunto mais complexo e variado da narrativa mexicana e reúne todas as conquistas e tendências da literatura contemporânea”. E o escritor argentino Tomás Eloy Martinez, em artigo publicado no jornal La Nación , disse: “El siglo XX está poblado de intelectuales emblemáticos. Ninguno de ellos ha reflejado tan bien como Carlos Fuentes las atmósferas, los humores, las obsesiones y los cambios de piel de América Latina”.
Cecília Prada
Machado de Assis | Biografia
Machado de Assis (Joaquim Maria M. de A.), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor deO Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.
Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência. Foi criado no morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858, era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 60, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro. Escrevia regularmente também para a revista O Espelho, onde estreou como crítico teatral, a Semana Ilustrada e o Jornal das Famílias, no qual publicou de preferência contos.
O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução deQueda que as mulheres têm para os tolos (1861), impresso na tipografia de Paula Brito. Em 1862, era censor teatral, cargo não remunerado, mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou também a colaborar em O Futuro, órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de sua futura esposa. Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. Em agosto de 69, morreu Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois (12 de novembro de 1869), Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais. Foi companheira perfeita durante 35 anos. O primeiro romance de Machado,Ressurreição, saiu em 1872. No ano seguinte, o escritor foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, iniciando assim a carreira de burocrata que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência. Em 1874, O Globo (jornal de Quintino Bocaiúva), em folhetins, o romance A mão e a luva. Intensificou a colaboração em jornais e revistas, como O Cruzeiro, A Estação, Revista Brasileira (ainda na fase Midosi), escrevendo crônicas, contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e depois eram publicados em livros. Uma de suas peças, Tu, só tu, puro amor, foi levada à cena no Imperial Teatro Dom Pedro II (junho de 1880), por ocasião das festas organizadas pelo Real Gabinete Português de Leitura para comemorar o tricentenário de Camões, e para essa celebração especialmente escrita. De 1881 a 1897, publicou naGazeta de Notícias as suas melhores crônicas. Em 1880, o poeta Pedro Luís Pereira de Sousa assumiu o cargo de ministro interino da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e convidou Machado de Assis para seu oficial de gabinete (ele já estivera no posto, antes, no gabinete de Manuel Buarque de Macedo). Em 1881 saiu o livro que daria uma nova direção à carreira literária de Machado de Assis –Memórias póstumas de Brás Cubas, que ele publicara em folhetins na Revista Brasileira de 15 de março a 15 de dezembro de 1880. Revelou-se também extraordinário contista em Papéis avulsos(1882) e nas várias coletâneas de contos que se seguiram. Em 1889, foi promovido a diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia.
Grande amigo de José Veríssimo, continuou colaborando naRevista Brasileira também na fase dirigida pelo escritor paraense. Do grupo de intelectuais que se reunia na Redação da Revista, e principalmente de Lúcio de Mendonça, partiu a idéia da criação da Academia Brasileira de Letras, projeto que Machado de Assis apoiou desde o início. Comparecia às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, à qual ele se devotou até o fim da vida.
A obra de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, inicia com o romantismo deCrisálidas (1864) e Falenas (1870), passando pelo Indianismo emAmericanas (1875), e o parnasianismo em Ocidentais (1901). Paralelamente, apareciam as coletâneas de Contos fluminenses(1870) e Histórias da meia-noite (1873); os romances Ressurreição(1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico. A partir daí, Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o escritor maior das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa.
A obra de Machado de Assis foi, em vida do Autor, editada pela Livraria Garnier, desde 1869; em 1937, W. M. Jackson, do Rio de Janeiro, publicou as Obras completas, em 31 volumes. Raimundo Magalhães Júnior organizou e publicou, pela Civilização Brasileira, os seguintes volumes de Machado de Assis: Contos e crônicas(1958); Contos esparsos (1956); Contos esquecidos (1956); Contos recolhidos (1956); Contos avulsos (1956); Contos sem data (1956);Crônicas de Lélio (1958); Diálogos e reflexões de um relojoeiro(1956). Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura e encabeçada pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, organizou e publicou, também pela Civilização Brasileira, as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes, reunindo contos, romances e poesias desse escritor máximo da literatura brasileira.
http://www.machadodeassis.org.br/ … (FONTE)
Elina Duni Quartet: Nenocke & Hapi syte e zes
A Venus at Her Mirror | Diego Rodriguez de Silva y Velazquez
FUTEBOL POLÍTICO | José Pacheco Pereira in “Abrupto”
Há um pequeno problema no futebol político: se olhassem para as bancadas apercebiam-se de duas coisas. Uma, a de que ninguém os está a ver; a outra, de quem os está a ver prepara-se para saltar para o campo e linchar as equipas. Isto assim não vai longe.
http://abrupto.blogspot.pt/2013/02/futebol-politico-vivemos-nos-ultimos.html … (FONTE)
MARGINAL | Cristina Carvalho | Lançamento nas Correntes d’ Escritas
Vai para as livrarias no próximo dia 18 de Fevereiro
Lançamento em CORRENTES D’ESCRITAS, Póvoa de Varzim
Lançamento em Lisboa em 6 de Março.
Lançamento em Setúbal em 8 de Março.
Lançamento em Sines em 9 de Março
Apresentação deste livro e de toda a minha obra no KING’S COLLEGE em LONDRES no dia 14 de Março (a convite do Instituto Camões)
Capa de JOSÉ TEÓFILO DUARTE
CRISTINA CARVALHO
THE NEW HARD DRIVE LACIE BLADE RUNNER […]
Lendemain de Cuite, 1894-95 | Edvard Munch
Who’s Afraid Of Virginia Woolf Dance Scene
O dia em que Patti Smith encontrou Virginia Wolf
No Pop Literário de hoje, Patti Smith, também conhecida como “madrinha do punk”, lê um pequeno trecho do romance “As ondas”, de Virginia Woolf – e improvisa mais do que lê – ao som do piano e do violão tocados por seus filhos Jesse e Jackson numa performance de 2008. O clima amadorístico-familiar da apresentação da cantora-compositora-poeta-fotógrafa-ativista consegue, de alguma forma periclitante, combinar com a pretendida homenagem à grande escritora inglesa cujo suicídio, em 28 de março de 1941, fazia aniversário naquele dia em que se inaugurava uma retrospectiva de fotografias e desenhos de Patti em Paris. Vale lembrar que depois disso ela se revelou uma prosadora de talento com a autobiografia “Só garotos”, que saiu aqui pela Companhia das Letras no fim de 2010. Consta que tem ainda um romance policial no forno. (ViaOpen Culture, onde se pode ouvir também a única gravação remanescente da voz de Virginia Woolf, lendo o trecho de um ensaio de sua autoria para um programa da BBC em 1937.)
http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/ … (FONTE)
OS SIGLOS DE UN CLÁSICO DE LA LITERATURA | Qué es lo que más te gusta de ‘Orgullo y prejuicio’, de Austen? | Por: Winston Manrique Saboga in “Papeles Perdidos”
“Es una verdad universalmente aceptada que un hombre soltero en posesión de una notable fortuna necesita una esposa”. Así empieza Orgullo y prejuicio, de Jane Austen (1775-1817), a la sazón uno de los comienzos más populares y memorables de la literatura. Una obra que hoy cumple 200 años (en la imagen primera página de la edición del 28 de enero de 1813), con muchos seguidores y unos cuantos detractores, y a la que EL PAÍS le dedica hoy un especial que puedes ver AQUÍ. Pero sin duda, Austen es una escritora que con sus pocas novelas contribuyó a fomentar la lectura en su época, a popularizar la novela como género en el siglo XIX y a crear las pautas de la comedia romántica moderna.
Ciertos sectores han infravalorado o subestimado a la escritora británica y la han acusado, entre otras cosas, de banal, intrascendente y de falta de hondura o compromiso con su entorno. Sin embargo, creo que las obras de Austen relatan y describen historias cotidianas y personales que solo en apariencia son triviales; su mirada es certera y fotográfica y sus palabras aceradas dando como resultado un buen retrato, como pocos, de la sociedad de la época y los sentimientos, aspiraciones, sueños y emociones. Me gusta Austen y también Tólstoi y Stendhal y Nabokov y Faulkner y Dickens y Victor Hugo y Woolf y Mann y Brontë y García Márquez, por citar novelistas clásicos, sin establecer ahora un ranking. Y todos conviven felices en mi imaginación y memoria.
Atanur Doğan-Suluboya
ESPONJADO IV | A. Loureiro
Lauren Bacall
A História de Che Guevara | Lucía Álvarez Toledo
Biografia de Che Guevara retrata o “sofrimento” do homem que escolheu a guerrilha
Lucía Álvarez Toledo, autora do livro “A História de Che Guevara”, que vai ser publicado na Argentina defende que, ao contrário da imagem que se popularizou, o revolucionário argentino viveu “um profundo sofrimento”.
A autora do livro que se publica na altura em que se assinalam os 45 anos sobre a morte de Che Guevara afirma ter dados da infância e da juventude do revolucionário sul-americano que lhe permitiram escrever uma biografia que “oferece uma imagem mais aproximada e mais íntima”.
“Este personagem é muito conhecido pela sua gesta guerrilheira mas eu queria dar a conhecer outros aspetos da personalidade dele que nunca foram destacados porque ficamos sempre presos aos assuntos relacionados com a guerrilha, o marxismo e a luta armada”, explica a autora argentina, residente em Londres, em entrevista à agência EFE.
“Descobri o sofrimento deste homem. Ele tinha uma missão, tinha uma ideia do que tinha que fazer. Fez uma escolha e escolheu a luta armada”, diz Lucía Toledo.
Apesar de na juventude Ernesto Guevara ter lido Gandhi, “compreendeu muito cedo que o problema dos latino-americanos só podia ser resolvido através da luta armada”, afirma a escritora.
“Toda a gente acredita que quando tomou a decisão passou a usar uma boina e partiu pelos caminhos do mundo, mas não foi assim: sofreu muito por ter feito essa escolha, mas o sofrimento não foi registado nem compreendido”, sublinha a biógrafa de Che Guevara.
Para se aproximar da figura do guerrilheiro e oferecer, segundo as suas próprias palavras, uma “visão mais íntima”, Lucía Toledo recorreu à própria memória, falou com amigos de infância de Ernesto Guevara, consultou documentos e deslocou-se a Cuba para conhecer a viúva, Aleida March, os filhos e percorreu os caminhos do revolucionário na Bolívia.
“Há uma carta dirigida à mulher em que Che escreve que o que toda a gente pensa que ele não passa de um robot que tem de lutar, mas que, na verdade, tem sentimentos, e que sofre muito por não ver crescer os filhos”, conta Lucía Alvarez.
“Guevara esperava que os filhos o pudessem recordar caso fosse morto, e por isso escrevia-lhes cartas e contos. Nunca vi essa faceta exposta de uma forma clara e que complementa o retrato total do homem”, disse.
A autora não esconde uma espécie de “paixão” juvenil pela figura de Che Guevara cuja participação na revolução cubana chegaram muito cedo aos ouvidos dos jovens burgueses do Bairro Norte de Buenos Aires, na Argentina.
“Eu tinha 18 anos quando os jornais publicavam e escreviam títulos de primeira página sobre ele”, recorda a escritora, que acrescenta que o Exército Argentino não o chamou para cumprir serviço militar porque “não tinha boa saúde”, mas que acabou por ser comandante em Cuba numa “gesta impressionante”.
“Era um homem carismático, bonito, simpático, na linha de Carlos Gardel”, continua a autora, que durante a preparação do livro encontrou um velho bilhete de entrada para um jogo de rugby em que participou Ernesto Guevara.
“Dei-me conta de que o tinha visto durante um jogo no clube San Isidro, mas ainda não era o Che, era o Ernesto Guevara. E nada podia prever que eu ia passar parte da minha vida a investigar a vida dele”, diz.
Ernesto Guevara foi morto no dia 09 de outubro de 1967 pelo Exército boliviano, mas para a autora desta nova biografia Che “continua entre nós”.
Brasil(is) América(s) do Sul: fronteiras e comarcas do frio e do úmido | Vicente Franz Cecim
Ligia Chiappini
– uma dimensão simbólica para a Amazônia, como em Viagem a Andara oO livro invisível
– lugar da desmesura, a floresta inspira o poético e o fantástico, aproximando a literatura brasileira da hispanoamericana
– para Vicente Franz Cecim é preciso sonhar mais para ser digno do mundo mágico que os escritores amazônicos querem expressar. Por isso, Andara, que designa o lugar onde se encena uma viagem interminável pela Amazônia e pela vida: Andara, é um nome inventado, como Macondo, de Gabriel García Marques. Esse lugar, sendo a Amazônia, é, simultaneamente, como o sertão de João Guimarães Rosa, o mundo. Metáfora da vida sonhada, que corrige pelo mito as mazelas da vida real, o Livro Invisível quer repor o mistério da natureza, nos convidando a melhor respeitá-la.
[fragmentos do texto integral]
Do Rato e dos homens por FERNANDA CÂNCIO in “Diário de Notícias”
Não fossem os portugueses ainda com emprego ficar mesmerizados com os recibos do ordenado de janeiro, o PS encenou, esta terça-feira, um grandioso espetáculo no Rato. Coisa shakespeariana: um rei fraco rodeado de lugares-tenentes aos gritos de deslealdade e conspiração ante o anúncio de uma pretensão ao trono, uma reunião à porta fechada e um final em que o monarca, depois de chamar e deixar chamar tudo a quem possa pô-lo em causa, abraça o concorrente que não chega a sê-lo e assume o compromisso de com ele trabalhar em prol da união do reino.
Em Shakespeare, como em geral, o pano nunca cai depois de uma cena destas. É só o princípio da intriga e de sangrentas congeminações que inevitavelmente nos revelam a natureza das personagens e da sua relação com o poder. E que sabemos nós das personagens? Comecemos pelo rei. Há um ano e meio no trono, não só tarda em mostrar o seu projeto e valor no campo de batalha como se rodeia de uma corte apagada e sem chama que, na noite de terça, mostrou também (com raras exceções, como a de Zorrinho) ser vil. É um monarca que não hesita em recorrer ao insulto, à ameaça e a insinuações de conspiração – chama desleais aos que com ele não concordam e que o consideram inadequado, fala ou deixa que por ele falem de “limpar o partido e o grupo parlamentar” (atribuído pela SIC, na noite de terça, à direção socialista), acusa quem o defronta de “querer regressar ao passado”, dando alento aos boatos que dizem ser o rei anterior a comandar, do exílio, a sublevação. Para, numa entrevista na noite seguinte, fazer de magnânimo e amnésico, cumulando de elogios o adversário da noite transata.
Quanto a este, alcaide valoroso e respeitado, com legítimas aspirações ao trono, renunciou a bater-se por ele quando ficou livre. Desde a coroação, porém, não perde uma ocasião de demonstrar o seu desagrado e até desprezo pelo ora rei. Era, pois, previsível que aglutinasse a esperança dos que consideram estar o reino mal dirigido e veem nele a esperança da vitória contra o inimigo e a salvação do povo. Como explicar, pois, que na famosa noite, quando todos esperavam que se perfilasse como candidato ao trono – o que só pode decorrer do facto de o ter confirmado aos próximos – se tenha ficado? Faltou-lhe a coragem, as ganas? Percebeu que não estava garantida a vitória e só quer arriscar não arriscando? Habituou-se ao conforto de criticar, na sua cátedra da SIC, sem correr o risco de provar que sabe e quer fazer melhor? Sentiu-se traído, na hora H, por aqueles de quem esperava apoio? Ou, como alguns aventam, recuou para tomar balanço, fazendo do recuo (o acordo da união) repto? Seja qual for a resposta certa (senão todas), sabemos, como sabem os protagonistas, isto: que na noite de terça algo se partiu no PS, e não há pantomina de união que o disfarce. O trono pode ter sido segurado, mas o reino está longe de seguro.
Gonçalo M. Tavares nomeado para o Prémio Literário Europeu na Holanda | com Aprender a Rezar na Era da Técnica
O escritor Gonçalo M. Tavares foi nomeado para o Prémio Literário Europeu 2013 para o melhor romance europeu traduzido para holandês no ano transacto, com Aprender a Rezar na Era da Técnica, editado em Portugal pela Caminho, anunciou a Fundação Holandesa para a Literatura.
Publicado na Holanda pela Querido, Aprender a Rezar na Era da Técnica (Leren bidden in het tijdperk van de techniek ) foi traduzido por Harrie Lemmens.
Entre os vinte finalistas contam-se nomes como Martin Amis (com Lionel Asbo), Javier Marías (com Os Enamoramentos), Emmanuel Carrère (com Limonov), Hilary Mantel (com Bring Up the Bodies) e Ian McEwan (com Sweet Tooth).
O Prémio Literário Europeu é uma iniciativa do Centro Académico Cultural SPUI25, da Fundação Holandesa para a Literatura.
Este galardão literário vai já na sua terceira edição, tendo distinguido Marie NDiaye, com Três Mulheres Poderosas (Teorema), e Julian Barnes, com O Sentido do Fim (Porto Editora), em 2011 e 2012, respetivamente.
O autor da obra vencedora receberá 10 mil euros e o tradutor 2,5 mil euros.
A obra Aprender a Rezar na Era da Técnica de Gonçalo M. tavares, que tem sido aclamada internacionalmente, está também nomeada para o IMPAC Dublin Literary Award 2013 e já venceu o Prémio para Melhor Romance Estrangeiro em França em 2010, tendo sido finalista, nesse mesmo ano, do Médicis e do Femina.
Caricatura de Mário Soares | Augusto Cid
Caricatura de Mário Soares que serviu de capa ao livro “Soares é Fish” de Augusto Cid; oferecido pelo mesmo a 20 de Março de 1997.(moldura 40 x 34,2 cm.)
Novo horário da Sala de Leitura | Fundação Mário Soares
A partir do dia 7 de Janeiro de 2013, a sala de leitura da Fundação Mário Soares terá o seguinte horário de funcionamento: Terças, Quartas e Quintas feiras, das 10 às 18 horas.
Patric Shaw | Liliana Dominguez, Flair N°3, Italie, Avril 2003
Veneza
Carlos Matos Gomes comenta in “Facebook” | Ulrich: “Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?”
O aguenta-aguenta anda a brincar com o fogo! Mesmo os grandes criminosos da História tinham consciência de que as suas falhas de caráter, de sentido de pertença à humanidade, as suas filhas da putice, em suma, deviam ser embaladas ou disfarçadas. Umas vezes justificavam os seus crimes com a religião, de outras com a pátria. Raramente ousavam afirmar que era a cupidez que os fazia matar, que se deleitavam com a miséria do seu povo. O sadismo foi sempre considerado uma aberração. Este aguenta-aguenta é um doente mental. Começa por ter a pesporrência dos ignorantes: o sofrimento individual é, por natureza, diferente do sofrimento de uma sociedade. O facto de, numa dada sociedade, existirem seres com capacidade para suportar elevados níveis de provação, de dor, não faz dessa sociedade uma sociedade de estóicos, como o aguenta aguenta julga. Faz, quase sempre, dessa sociedade, uma sociedade de revoltados. Os neo-liberais, que deixaram de considerar as sociedade constituídas por seres humanos, para os incluirem na categoria de clientes, de consumidores, de “targets”, dão aberrações como este aguenta aguenta quando, fiados na impunidade de meninos da mamã, decidem dizer em voz alta o que ouvem em casa. A maezinha do aguenta-aguenta devia dizer às criadas que também deviam aguentar o trabalho sem regras nem horários, que deviam aguentar-se com os restos das refeições dos patrões, com a vida no tugúrio da cave ou do sótao. É disto que este aguenta-aguenta está a falar: de desprezo!
Carlos Matos Gomes in “Facebook”
Federico Patellani | Vidas
Federico Patellani
(b Monza, 1911; d Milan, 1977). Italian photographer and painter. He studied law before becoming a painter, and he was associated with various artistic movements in Lombardy, in particular the Chiaristi group, which was close to the avant-garde critic Edoardo Persico. Patellani took up photography in 1935, the same year in which he served in the war in East Africa. His first photographs were published in the Milanese newspaper L’Ambrosiano. In 1939 he became part of the team of photographers on the weekly magazine Tempo, which was inspired by the first great international illustrated magazines, in particular Life. Here, he devised the fototesta, an innovative way of presenting news stories using a large number of photographs with a few brief captions, the story thus being told mainly through images, with the photographer as narrator. This was the first time in Italy that the photographer was considered as an intellectual in his own right and not simply a subordinate craftsman.
http://www.answers.com/topic/federico-patellani-2#ixzz2JZxVcFG9 … (FONTE)
Joni Mitchell | California
Goodbye Blue Sky by Joni Mitchell | The Wall | Live in Berlin
The Wall | Roger Waters | Mother(Sinéad O’Connor)+Goodbye blue sky(Joni Mitchell) live Berlin 1990
Cindy Lauper | Another Brick In The Wall Live In Berlin
Rolling Stones | She’s a rainbow
Norberto Lobo | Mudar de Vida
Carlos Paredes | Mudar de Vida
É da torre mais alta | José Carlos Ary dos Santos
É da torre mais alta
Que eu canto este meu pranto
Que eu canto este meu sangue,
Este meu povo
Dessa torre maior
Em que apenas sou grande
Por me cantar de novo,
Por me cantar de novo.
Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
Como quem bebe
A água da saudade,
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Chama que nasce e cresce
Em plena liberdade.
Mas nunca se dói só
Quem a cantar magoa
Dói-me o Tejo vencido
Dói-me a secura
Dói-me o tempo perdido
Dói-me o mal da lonjura
Dói-me o povo esquecido
E morro de ternura
Dói-me o tempo perdido
E morro de ternura.
Pink Floyd | Comfortably Numb
Beware! 100/73 cm pintura a óleo | Dominik Jasiński
Norberto Lobo | Rua da Palma Blues
“Rua da Palma Blues” é a sétima música do quarto disco de originais de Norberto Lobo. “Mel Azul” foi lançado a 6 de Novembro de 2012, pela Mbari Música. O disco foi gravado, misturado e masterizado por Eduardo Vinhas e Pedro Magalhães.
Trecho do livro | A Casa das Belas Adormecidas | Yasunari Kawabata
– Mamãe! – chamou a garota, como num grito contido. – Oh! Oh! A senhora vai embora? Por favor, perdoe-me, perdoe…
– Com o que está sonhando? É um sonho, é um sonho! – diante das palavras da garota que dormia, o velho Eguchi apertou-a ainda com mais força, tentando acordá-la. A tristeza contida na voz dela chamando pela mãe penetrou em seu coração. Seus seios estavam tão comprimidos contra o peito dele que estavam achatados. Ela estendeu os braços na direção dele. O teria confundido no sonho com sua mãe que desejava abraçar? Não. Embora adormecida, embora virgem, não havia a menor dúvida de que era uma coquete. Parecia que o velho Eguchi, em 67 anos de vida, nunca tivera a oportunidade de tocar com tamanha plenitude a pele de uma jovem. Se havia uma mitologia sensual, esta seria sua jovem heroína.
Começou a lhe parecer que não era apenas uma coquete, mas uma garota vítima de encantamento. Por isso, ela estava “viva mesmo adormecida”, ou seja, sua alma adormecia profundamente, mas seu corpo, ao contrário, mantinha-se acordado em toda a sua feminilidade. Não havia nela uma alma humana, apenas um corpo de mulher. Estaria tão bem treinada para servir de companhia aos velhos a ponto de a mulher da casa anunciá-la como “experiente”?
Eguchi afrouxou o braço que apertava a garota com força, abraçou-a com carinho e ajeitou seus braços nus de modo que ela o enlaçasse. E ela o abraçou docilmente. O velho manteve-se nessa posição e permaneceu quieto. Fechou os olhos. Aquecido, sentia-se num deleite. Era quase um êxtase inconsciente. Parecia compreender o bem-estar e a felicidade sentidos pelos velhotes que freqüentavam a casa. Ali eles não sentiriam apenas o pesar da velhice, sua fealdade e miséria, mas estariam se sentindo repletos de dádiva da vida jovem. Para um homem no extremo limite da sua velhice, não haveria um momento em que pudesse se esquecer por completo de si mesmo, a não ser quando envolvido por inteiro pelo corpo da jovem mulher. No entanto, estariam os velhotes pensando que compraram sem pecado as garotas adormecidas como oferenda para satisfazê-los? Ou, então, que por causa do sentimento secreto de pecado teriam um prazer ainda maior? Completamente fora de si, o velho Eguchi esquecera que a garota era a oferenda ao sacrifício, e procurou com o pé as pontas dos pés dela. Somente ali ele ainda não havia tocado. Os dedos eram longos e moviam-se gracio-sos. As articulações, de modo semelhante às dos dedos das mãos, ora se dobravam ora se desdobravam, o que já bastava para exer-cer em Eguchi a forte sedução de mulher misteriosa. Mesmo durante o sono, ela era capaz de trocar palavras de carinho com ele por meio dos pés. Entretanto, o velho contentou-se, interpretando os movimentos dos dedos dela como os de uma música hesitante e inocente, embora sensual. E continuou por algum tempo a acompanhá-la.
Parecia que a garota estava sonhando, mas teria o sonho acabado? Talvez tenha adquirido o hábito de falar e reclamar enquanto dormia em protesto aos toques insistentes dos velhotes. Eguchi pensou nessa possibilidade. Talvez fosse apenas isso. Mesmo sem falar nada e adormecida, a garota era plenamente sensual e apta a manter um diálogo com o velho apenas por meio do seu corpo. Porém, mesmo que fossem palavras desconexas em sonho, ele queria estabelecer um diálogo com ela em viva voz. Era provável que por não estar acostumado ainda com os segredos da casa, Eguchi não conseguisse desvencilhar-se dessa esperança. Perguntando a si mesmo, perplexo, o que dizer ou que parte do corpo pressionar para que a garota lhe respondesse, ele disse:
– Não está sonhando mais? Um sonho em que a sua mãe foi embora para algum lugar? – deslizou a mão ao longo da coluna, acariciando cada vértebra. Ela sacudiu os ombros e virou de bruços. Parecia ser a posição preferida dessa garota para dormir. Seu rosto continuava voltado para o lado do velho, com a mão direita abraçando de leve o travesseiro. Ela então pousou o braço esquerdo sobre o rosto dele. No entanto, não falava mais nada. O sopro suave da sua respiração chegava-lhe quente. Mas o braço sobre o rosto de Eguchi se mexia, procurando o equilíbrio. Então, com ambas as mãos, ele colocou-o sobre os seus olhos. As pontas das unhas compridas da garota arranharam de leve o lóbulo da orelha dele. A articulação do pulso dobrava-se sobre a pálpebra direita de Eguchi, de forma que a mesma ficou coberta com a parte mais fina do antebraço. Desejando conservar a posição, o velho apertou a mão da garota sobre seus olhos. O cheiro da pele dela penetrava-lhe os globos oculares e lhe proporcionava novas e fartas fantasias. Era bem nessa época do ano que duas ou três flores de peônia de inverno, banhadas pelo sol tépido como de um dia de primavera, floresciam ao pé do alto muro de pedras do velho templo da região de Yamato, e que sazanka* brancos cobriam amplamente o jardim até a beira do corredor externo do pavilhão Shisendo, onde homenageiam-se os poe-tas. Também, mais tarde, na primavera em Nara, as flores de ashibi* * e as glicínias, além das camélias despetaladas, estariam em pleno florescimento no Templo das Camélias.
* Arbusto nativo do Japão, da família das teáceas, a mesma das camélias. Enquanto estas florescem no início da primavera, os sazanka, o fazem no outono. (N.T.)
* *Arbusto da família da azálea, com flores brancas miúdas em cachos. (N.T.)
Motivo | Fagner
Do Disco “Eu Canto – 1978″… Fagner sobre poesia de Cecília Meireles | FAGNER : Compositor, poeta, cantor, produtor
Björk | Unravel
Entrelinhas | Literatura Erotica
Charlene Cleo Eiben | Charlene Zechender
JUÍZO
Citando Eduardo Pitta in “Da Literatura”
ANTÓNIO COSTA E O FUTURO DO PS
O PS reúne hoje a Comissão Política e, no próximo 10 de Fevereiro, a Comissão Nacional que decidirá a data das directas e do congresso do partido. Tudo aponta para o fim de Março. Gostava de ver António Costa avançar nas directas. O PS precisa de alguém com fibra, e um passado de provas dadas, para surgir como alternativa à direita. Só não percebo a parte dos que defendem que eleições internas em Março constituem óbice às autárquicas de Setembro ou Outubro. Não sou militante do partido, mas a liderança do PS é um assunto demasiado sério para ficar entregue a uma clique. António José Seguro assegurou o período de nojo, mas chegou a altura de começar a construir o futuro.
http://daliteratura.blogspot.pt/2013/01/antonio-costa-e-o-futuro-do-ps.html … (FONTE)
Citando João Moreira de Sá in “Micro Cuts”
Era incapaz de roubar. Mas sabia que naquela tarde devia ter-lhe roubado um beijo.
(João Moreira de Sá)
http://micro-cuts.blogs.sapo.pt/153035.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook … (FONTE)
























































