Uma gota de ternura em meio à miséria | Ivete Carneiro | Adelto Gonçalves

I

gota-capa-docxOs jornalistas começam sempre como repórteres, mas são poucos aqueles que se mantém na função até o fim da carreira porque a maioria acaba como editor ou até mesmo editor-chefe, sem contar aqueles que, atraídos pelo mundo dos negócios e da política partidária, aceitam participar do tráfico de influência e passam a ocupar cargos públicos ou assessorar canastrões ligados ao poder. De fato, raros são aqueles que continuam a viver o dia-a-dia das ruas ou a participar do cotidiano das populações marginalizadas e a escrever sobre suas esperanças e desilusões.

Ivete Carneiro, nascida em Versalhes, na França, mas portuguesa de quatro costados, jornalista do Jornal de Notícias, de Lisboa, desde outubro de 1993, constitui um desses raros exemplos, pois se mantém incólume nesse caminho há mais de duas décadas. Licenciada em Comunicação Social na Escola Superior de Jornalismo do Porto em 1994, desde logo fez a sua opção pelos pobres e desvalidos da terra. Em 2004, frequentou o curso de Jornalismo em ambientes hostis e técnicas de primeiros socorros da Centurion Risk Assesment Services, na Inglaterra.

Continuar a ler

Três poemas | Carlos Drummomd de Andrade

POESIA

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever,

no entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

Inunda minha vida inteira.

 

POEMA QUE ACONTECEU   

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

 

SEGREDO

A poesia  é incomunicável.

Fique torto no seu canto.

Não ame.

 

Ouço dizer que há tiroteio

ao alcance de nosso corpo.

E´ a revolução? o amor?

Não diga nada.

 

Tudo é possível, só eu impossível.

O mar transborda  de peixes.

Há homens que andam no mar

como se andassem na rua.

Não conte.

 

Suponha que um anjo de fogo

varresse a face da terra

e os homens sacrificados

pedissem perdão.

Não peça.

drummond-de-andrade

Vivaldi | Bajazet | Ildebrando D’Arcangelo / Patrizia Ciofi / David Daniels / Elina Garanca / Vivica Genaux / Marijana / Mijanovic

Une représentation éblouissante des arias pour voix féminines dans l’opéra baroque « Bajazet » de Vivaldi de ma divine enchanteresse Elïna Garanča du bel canto. Dirigé et mise en scène par le remarquable violoniste Fabio Blondi, la tragédie musicale est jouée par son petit orchestre original EUROPA GALANTE, utilisant des instruments anciens pour reproduire avec maestria le timbre particulier de l’époque. Avec la souplesse de la tessiture de sa voix mezzo pleine et douce, en écho avec le chant du premier violon, est rythmiquement exhalée, scandé avec finesse du fond sa gorge avec des intensités et tonicités du raffinement variée de la musicalité particulière de Vivaldi. La virtuosité des modulations subtiles sur tout le registre des couleurs de son suprême lyrisme, son admirable expressivité vocale rentrait en charmante euphonie avec les variétés des timbres rares des instruments anciens à corde, le clavecin, le basson et les adorables participations des hauts bois baroques. Peter, son « Cavalier de Prose » enchanté.

“Vivemos um tempo de secreta angústia: o amor é mais falado que vivido” | in “Revista Pazes” | Texto de Luciana Chardelli

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman

bauman

Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês. Serviu na Segunda Guerra Mundial pelo exército da União Soviética e conheceu sua esposa, Janine Bauman, nos acampamentos de refugiados polacos. Wikipédia
Nascimento: 19 de novembro de 1925 (90 anos), Poznań, Polônia
Nacionalidades: Britânico, Polonês
Ver: http://www.revistapazes.com/amor/

Passing through | Leonard Cohen

I saw jesus on the cross on a hill called calvary
“do you hate mankind for what they done to you? ”
He said, “talk of love not hate, things to do – it’s getting late.
I’ve so little time and I’m only passing through.”

Passing through, passing through.
Sometimes happy, sometimes blue,
Glad that I ran into you.
Tell the people that you saw me passing through.

I saw adam leave the garden with an apple in his hand,
I said “now you’re out, what are you going to do? ”
“plant some crops and pray for rain, maybe raise a little cane.
I’m an orphan now, and I’m only passing through.”

Passing through, passing through …

I was with washington at valley ford, shivering in the snow.
I said, “how come the men here suffer like they do? ”
“men will suffer, men will fight, even die for what is right
Even though they know they’re only passing through”

Passing through, passing through …

I was with franklin roosevelt’s side on the night before he died.
He said, “one world must come out of world war two” (ah, the fool)
“yankee, russian, white or tan, ” he said, “a man is still a man.
We’re all on one road, and we’re only passing through.”

Passing through, passing through …

Passing through, passing through …

Direitos Universais da Carneirada | in “mural de Facebook” de José Filipe da Silva

Olhai os poderosos do mundo e reflictam. É necessário estabelecer, desde já, os Direitos Universais da Carneirada.

1 – A carneirada deverá ter direito a pasto suficiente, para que não morra de fome;
2 – A carneirada deverá ter direito a um redil, de escolha do seu pastor;
3 – A carneirada tem direito a manter a cabeça sobre o corpo, independentemente do uso que lhe dá;
4 – A carneirada pode ser tosquiada, desde que lhe seja mantida lã suficiente para que não morra de frio;
5 – Ninguém poderá inibir o balir da carneirada, mesmo que haja total indiferença aos “més-més” e à interpretação dos mesmos;
6 – Mais do que um dever, é um direito do carneiro ser escolhido para imolação;
7 – Cada grupo de carneiros deverá ter direito a um cão pastor e “perceber” que ele está presente para sua protecção e segurança;
8 – Se o pastor tiver “patrões” ocultos a carneirada pode adorar esses “patrões” como se de o pastor se tratasse;
9 – A carneirada tem direito à procriação e à multiplicação do rebanho, desde que eduque os carneirinhos nos são princípios enunciados pelos pastores e de que não faça deles coisa sua;
10 – Sempre que a carneirada julgue ter razão poderá dar um “mês-més” mais altos, sem que nunca questione as soluções do pastor;
11 – A carneirada tem direito a um cantinho de pasto, desde que pague taxa de relva, taxa de ocupação de terra, taxa de rega, taxa de sol sobre a eira e taxa de ventilação de ar puro;
12 – É livre a circulação da carneirada, dentro dos limites do arame farpado definido pelos pastores;
13 – A carneirada tem o direito de escolher periodicamente o menos mau dos pastores e a fazer ensaios entre os mais improváveis para essa tarefa.

carneirada

DiEM25 | Podemos conversar no sábado?

diem25.2Nas últimas semanas temos lançado uma série de ações para te manter mais informado/a acerca das atividades do DiEM25. Tens agora acesso a resumos das discussões semanais do Coletivo Coordenador e uma nova secção no nosso site com atualizações quanto ao que estão a fazer os CEDs na Europa.

Agora queremos ter uma conversa mais direta contigo sobre o que estamos a fazer juntos e de que forma. Portanto, começando este fim-de-semana, os membros DiEM25 podem conversar ao vivo com os membros do Coletivo Coordenador.

Sábado 12 de novembro 12:30 CET o nosso membro do CC Lorenzo Marsili estará connosco por uma hora para responder às vossas questões e para debater assuntos que te são importantes (faremos o mesmo com os outros membros do CC no futuro).

Queres participar? A conversa vai estar disponível neste link – guarda-o e certifica-te que te juntas a Lorenzo e a outros membros do DiEM25 este fim de semana.

Conversamos então brevemente e Carpe DiEM!

Luis Martín
Coordenador de Comunicação

PS A nossa discussão quanto à posição pós-BrexitDiEM25 está a acontecer agora no Fórum, Junta-te agora para contribuir – vamos pedir aos membros para votarem na próxima semana.

SEM QUE EU PEDISSE, FIZESTE-ME A GRAÇA | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

de magnificar meu membro.

Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos

em posição devota.

O que se passou não é passado morto.

Para sempre e um dia

o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,

na total impossibilidade de gesto ou comunicação.

Não te vejo não te escuto não te aperto

mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

bocas01

ERA BOM ALISAR SEU TRASEIRO MARMÓREO | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (o amor natural)

Era bom alisar seu traseiro marmóreo
e nele soletrar meu destino completo:
paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se
Em alvos esponsais numa curva infinita.

Era amargo sentir em seu frio traseiro
a cor de outro final, a esférica renúncia
a toda a respiração de amá-la de outra forma.
Só a bunda existia, o resto era miragem.

faces50

31 de Outubro a 5 de Novembro, 2016 | Vasco Pulido Valente | in “O Observador”

vascoA “Europa” morreu há muito e hoje os portugueses não passam de um incómodo e de um prejuízo para a Alemanha e para os países que dependem dela. Nem assim Portugal percebe que não é e nunca foi europeu.

Segunda-feira

Dizem que por pressão de Angola e dos negócios do petróleo, Portugal aceitou a Guiné Equatorial (um antigo protectorado espanhol) na CPLP. A Guiné Equatorial é uma ditadura, governada desde 1979 à maneira norte-coreana, por um indivíduo chamado Teodoro Obiang e pelo filho Teodorino Obiang, um gangster internacional procurado pela polícia francesa. Neste paraíso dos direitos do homem continua a existir pena de morte e a máquina de repressão que produz para o pai Teodoro maiorias de 98 por cento dos votos. Muito bem, não se pode pedir perfeição a toda gente.

Continuar a ler

Elina Garanca | La clemenza di Tito | Mozart

A honest video of Latvian opera star Elina Garanca during recording of Mozart’s ” La clemenza di Tito” .
In early 2006, she stars in “La Clemenza di Tito” for a second time — only that she’s Sesto, the opera’s main character, instead of appearing on a side track. The reactions leave no room for interpretation: Elina Garanca is now being hailed as the best mezzo on the planet and dame Joan Sutherland, who carried that title herself in her prime, praises her exuberantly: “She has a superb voice and the natural born appearance of a diva” It is only shortly after, that Michael Lang comes knocking on her door.

 

Kohl sabia. Mitterrand também. A Europa nunca foi sobre economia, estúpidos. | Pedro Norton in “Escrever é Triste”

Quero falar-vos de Kohl e de Mitterrand. Hirtos, sobretudo negro, mãos dadas, olhar perdido no vazio, 70 anos volvidos sobre o massacre. A França e a Alemanha irmanadas na memória de uma tragédia. 

http://www.escreveretriste.com/2016/10/nunca-foi-a-economia-estupidos/

kohl-and-mitterand-in-verdun-1984-1

 

O SILÊNCIO DE AUSCHTWIZ-BIRKENAU | Ivo Filipe de Almeida

Por mais fotos que se façam dos testemunhos de horror que o viajante encontra numa visita a este célebre campo de concentração nazi, não existe mais intensa experiência do que sentir aquele silêncio. Um silêncio cheio de ausentes-presentes.

Nem os pássaros cantam em Auschtwiz, ainda medrosos dos gritos, das lágrimas, do martírio de tantos milhões de inocentes, sacrificados por gente hedionda. Quem ali entrar, deixa de acreditar em Deus. Não pode ter concebido monstros tão ignóbeis tão longe da humanidade. Porém, é o silêncio que nos devolve a ideia de Deus. Aquele estranho e infinito silêncio feito de pranto, lágrimas, dor, e tanto sofrimento que se torna lição sobre a crueldade e chegam-me aos ouvidos as palavras de Hemingway, ao ouvir um sino longínquo, ‘não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti’

ivo

Retirado do Facebook | Mural de Ivo Filipe de Almeida

“Aquele que mais lambe o patrão é o mais agressivo com a faxineira” | Leandro Karnal

Leandro Karnal (São Leopoldo, 1º de fevereiro de 1963) é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.

Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem publicações sobre o ensino de História, bem como sobre História da América e História das Religiões.

Neste trecho de uma palestra, o professor fala da tirania e sobre a religião que surge para “tornar suportável o insuportável”. Discorre ainda sobre a cascata de tirania de que se vale o tirano para estelecer-se.

Vejamos:

Visegrad Group (V4) – Poland, the Czech Republic, Slovakia, and Hungary | “no refugees, no money”

04_ultimatumAs the European Commission is currently reviewing the EU budget, the Greek and Italian Prime Ministers have warned the Visegrad Group (V4) – Poland, the Czech Republic, Slovakia, and Hungary – that they will veto their access to structural funds.

Athens and Rome demand the V4 group to comply with the European Commission’s mandatory refugee relocation plan put forward a year ago.

The plan envisages the relocation of 160,000 asylum seekers from Greece and Italy across the bloc. The European Commissioner for Migration, Dimitris Avramopoulos, told the Polish Rzeczpospolita on Thursday that the European Commission remains committed to the plan.

From Athens, the Prime Minister Alexis Tsipras said on Thursday that “if a member state does not want to adhere to the agreement, it will be a good idea to cut – or at least limit – it’s funding from Brussels.”

Speaking to Italy’s public broadcaster, RAI1, on Tuesday, Matteo Renzi said he would veto EU funds to countries that refuse to comply with the mandatory relocation plan. “We give 20 billion (euros) to Europe so that we can get back 12 — and if Hungary, the Czech Republic, and Slovakia want to preach at us about immigrants, allow Italy to say that the system is no longer working.”

“If you build walls against immigrants, you can forget about seeing Italian money. If the immigrants don’t go there, the money won’t go there either,” Renzi clarified.

The European Commission requested from Italy “clarifications” on its 2017 budget. Italy responded that it will have a higher budget deficit this year to meet the cost of refugees from arriving in Italy via the Mediterranean from North Africa. Up until October 2016 Italy had received 155,000 refugees.

Adonis [Ali Ahmad Said Esber] | Poeta Sírio | in revista do jornal “Expresso”

adonisTambém escreveu muita poesia das ruínas. Poemas sobre Beirute, sobre a cidade como inferno. Cidades onde a guerra e a violência são uma constante.

Isso está ligado também ao monoteísmo. A visão monoteísta do mundo deformou as relações do homem com o homem, do homem com a natureza, do homem com o além da natureza. Deformou tudo. O monoteísmo colonizou o nosso cérebri e não podemos ver a realidade do universo se não nos libertarmos desse fechamento do mono teísmo. É esse actualmente o nosso grande problema, não apenas no mundo árabe mas também no mundo ocidental.

A certa altura diz que o nosso tempo “não sabe ler senão o livro do assassínio”.

Não posso imaginar que o ser humano, que foi criado à imagem de Deus, seja selvagem, e mais selvagem do que os animais selvagens. Mesmo o animal selvagem só mata os outros animais para se alimentar, mas um ser humano mata outro ser humano por maldade.

Essa desumanidade não o desencorajou?

Não, eu acredito no ser humano, acredito no Homem. Mas as culturas monoteístas tornaram-se prisões contra a alegria, contra o corpo, contra a criatividade, contra tudo. O grande combate intelectual do mundo é saber como ultrapassar o monoteísmo e a sua cultura. É esse o nosso problema comum.

http://expresso.sapo.pt

Os “lambe-cus” | Elísio Estanque | in “Jornal Público”

ee_ri1(…) Mas a sua verdadeira recompensa está no próprio ato de lamber. Sem essa prática, constante e repetida, a sua existência não tem qualquer sentido. Eles são a contraparte da vontade de bajulação de personagens “importantes” cujos enormes umbigos – e as lambidelas diárias – os fazem sentir-se muito mais importantes do que realmente são.

No Portugal antigo, nos tempos da sociedade rural e do paroquialismo, era a “graxa” que dava “lustro” aos mais poderosos. Mais tarde surgiram os “lambe-botas”; e atualmente, é o tempo dos “lambe-cus”. A espécie não é obviamente um exclusivo do “habitat” lusitano. Mas não tenho dúvidas de que por cá ela germinou, floresceu e hoje multiplica-se a olhos vistos. Isto porque aqui encontra as condições ideais para a sua multiplicação. Os atuais lambe-cus são descendentes dos “lambe-botas”. Não deixa, no entanto, de ser curioso, e aparentemente paradoxal, que os lambe-botas (os pais dos lambe-cus) tenham sido tão combatidos, quase exterminados, com a restauração da democracia, e depois ressurgiram tão vigorosamente. À medida que o regime democrático se foi acomodando às suas rotinas burocráticas e, posteriormente, começou a ser corroído por dentro, eles brotaram das entranhas e estão agora por todo o lado. Digamos que a corrosão da democracia está em correspondência direta com o aumento dos lambe-cus. Porque será que isto ocorre e porque será que o país se tornou um “viveiro” tão fértil para esta espécie?

Continuar a ler

Leonard Cohen | If It Be Your Will

“If It Be Your Will”

If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing

If it be your will
If there is a choice
Let the rivers fill
Let the hills rejoice
Let your mercy spill
On all these burning hearts in hell
If it be your will
To make us well

And draw us near
And bind us tight
All your children here
In their rags of light
In our rags of light
All dressed to kill
And end this night
If it be your will

If it be your will.

Leonard Cohen | The Partisan

From 1969 album Songs from a room set to images from the Spanish Civil War and World War II

“The Partisan”

When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I have changed my name so often,
I’ve lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.

An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.

There were three of us this morning
I’m the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we’ll come from the shadows.

Les Allemands étaient chez moi (The Germans were at my home)
ils m’ont dit “Résigne-toi” (They said, “Surrender,”)
mais je n’ai pas pu (this I could not do)
j’ai repris mon arme (I took my weapon again)

J’ai changé cent fois de nom (I have changed names a hundred times)
j’ai perdu femme et enfants (I have lost wife and children)
mais j’ai tant d’amis (But I have so many friends)
j’ai la France entière (I have all of France)

Un vieil homme dans un grenier (An old man, in an attic)
pour la nuit nous a cachés (Hid us for the night)
les Allemands l’ont pris (The Germans captured him)
il est mort sans surprise (He died without surprise)

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we’ll come from the shadows.

Joan Baez | The Partisan

They poured across the borders
We were cautioned to surrender
This I could not do
Into the hills I vanished

No one ever asks me
Who I am or where I’m going
But those of you who know
You cover up my footprints

I have changed my name so often
I have lost my wife and children
But I have many friends
And some of them are with me

An old woman gave us shelter
Kept us hidden in a garrett
And then the soldiers came
She died without a whisper

There were three of us this morning
And I’m the only one this ev’ning
Still I must go on
Frontiers are my prison

Oh the winds, the winds are blowing
Thru the graves the winds are blowing
Freedom soon will come!
Then we’ll come from the shadow.

É aqui que nos encontramos | DiEM25

diem-25-200Estamos a construir em conjunto um movimento para democratizar a EU. Para o fazer de forma correta precisamos de partilhar informação de forma eficiente entre nós e assegurar que os membros estão no coração da tomada de decisão DiEM25.

Assim, tomámos recentemente algumas medidas para melhorar estas áreas que queremos partilhar contigo. Aqui está o que fizémos:

Demos início à primeira de muitas consultas aos membros para definir a nossa posição quanto a assuntos em específico.

O DiEM25 forma as suas posições políticas como um coletivo. Assim sendo, paralelamente à elaboração da nossa Agenda Progressista para a Europa juntamente com os nossos membros, a semana passada tivemos a nossa primeira consulta a todos os membros para decidir o lado que vamos apoiar nesta situação em específico. O tema foi s o referendo Italiano e 84.54% de vocês votou que o DiEM deverá apoiar o “Não”. Assim, esta torna-se agora a posição pela qual vamos fazer campanha em Itália e internacionalmente.

E na próxima semana iremos pedir aos membros para votar de forma a definir onde é que o nosso movimento se vai situar quanto a trazer conclusões progressistas em relação ao pós-Brexit no Reino Unido. Fiquem atentos.

Lançámos as “Notícias CED” para mostrar o que DiEM25 tem feito a um nível local.

Já sabes que o DiEM25 tem uma rede de coletivos locais (CEDs) crescente na EU com mais de 100 grupos e contando as mulheres e homens que trabalham para confrontar oEstablishment a partir da base para o topo. Mas as pessoas nestes CEDs e o que os coletivos estão a fazer, por vezes não recebem muito tempo de antena.

É por isso que lançámos o “ CED Notícias “ uma nova seção no nosso site que dá destaque ao trabalho incrível das pessoas entusiasmadas do DiEM25. A nossa primeira edição do CED Notícias contem entrevistas com os nossos coletivos de Amesterdão, Barcelona e Boémia do Sul escritas pelo Editor do CED Notícias Reto Thumiger. Confere aqui!

Começámos a publicar sumários das discussões do nosso Coletivo Coordenador

O nosso recém-formado Coletivo Coordenador reúne-se semanalmente através de teleconferência para decidir os próximos passos. Para que, enquanto membro, consigas estar atualizado quanto ao que foi debatido, começámos a publicar sumários destas conferências numa página dedicada a isto na nossa secção de Membros.

***

Em que é achas que o DiEM25 deve focar a sua atenção? 

Sempre dissemos que o nosso objetivo é o de agitar a Europa – gentilmente mas de forma firme. Para este fim estamos a planear uma série de eventos de maior dimensão nos próximos meses, com especial atenção às várias eleições nacionais a ter lugar em 2017 (mais informação sobre isto será brevemente divulgada)

Entretanto, também precisamos de nos focar nas campanhas em ação – as batalhas distintas que estão a abrir possibilidades para o nosso esforço de desobediência construtiva! E é aqui que precisamos da tua ajuda.

Quais são as ações e campanhas que o DiEM25 pode começar ou apoiar na tua comunidade? Responde a este email e diz-nos. Poderemos não ser capazes de cobrir tudo o que aparecer mas faremos o nosso melhor!

Carpe DiEM!

Luis Martín
Coordenador de Comunicação

PS – As candidaturas para o primeiro CV (Conselho de Validação) continuam abertas até à meia-noite de Terça-feira, 1 de Novembro. Se queres fazer parte do primeiro CV, candidata-te !

Poema | Blowin’ In The Wind | Bob Dylan

“Blowin’ In The Wind”

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must the cannon balls fly
Before they’re forever banned?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, and how many years can a mountain exist
Before it is washed to the sea?
Yes, and how many years can some people exist
Before they’re allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn’t see?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, and how many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, and how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, and how many deaths will it take ‘til he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

A tragédia dentro da própria tragédia | Inês Salvador

Ines Salvador -200A tragédia dentro da própria tragédia: casais às compras que se tratam por “mor”

– Mor, ó mor, vais ali pesar as cenouras?
– Porra, mor, ’tás aí há meia hora a escolher cenouras!
– Pá, mor, ´tava a ver as meloas…
– Também queres que pese as meloas, mor?
– Não sei, mor, olhó abacaxi… Também ’tá bom…
– Mor, decide-te, ’tou com fome, quero ir jantar!

 Por Mor de Deus!

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Eira do Choane | Minde | Pintura de Tiago Madeira Martins

Uma memória ligada à casa que tem este nome (Casa da Memória). Trata-se de um quadro de Tiago Madeira Martins a evocar o descarolamento do milho com a máquina do António Carrada (Lera) na eira do Choane, situada em Minde, frente da actual sede da Junta de Freguesia.

eira

Retirado do Facebook | Mural Casa da Memória

Quem aprendeu a gostar, então não gostou | Inês Salvador

salvador-200Leio por aqui posts “do coração” que me criam imensa perplexidade. Por exemplo, aconteceu a coisa certa com a pessoa errada. Isto quer dizer o quê? Que afinal o bacalhau era pescada? Ora, isto não é possível. O bacalhau ou é ou não é bacalhau. Ah, e tal, amo bacalhau à Brás, mas ando a comê-lo como  pescada. E, igualmente complexo, aconteceu a coisa errada com a pessoa certa. Amo bacalhau à Brás, mas ando a comê-lo à Gomes de Sá. Ora, vejamos isto com alguma pedagogia e pragmatismo, bacalhau à Brás é bacalhau à Brás, e, neste sentido, o bacalhau é à Brás e é bacalhau. E, depois, para remediar os azares gastronómicos, dizem que aprendem a gostar. Aprendem a gostar? Aprende-se gostar? Oh que tristeza! Do gostar, ou se gosta ou não se gosta! Mas há meio termo na esmagadora avalanche do se gostar? Um processo de aprendizagem? Uma alfabetização do sentimento? Hoje é a letra “q”, e o que é que aprendemos hoje? O quá-quá do gostar, que é gostar como os patinhos. Um gostar pequenino de bico amarelinho. Oh intrépidas e fulminantes existências! Oh que arrebatamento! Quem gosta do bacalhau, vai à Brás, à Gomes de Sá, à Zé do Pipo e o que o receituário aguentar. E não me macem com aprendizagens. Quem aprendeu a gostar, então não gostou. Foi mais o sento-me já aqui, que não sei se a carruagem da frente já vem cheia. E o que surpreende é isto num país de fadistas, de “olhos rasinhos de água”, que “por uma lágrima tua me mataria”. Opá, ou o fado ou comprar uma bimby, passar pela vida como um irlandês passa por Albufeira, e lá ficar fora de pé, é que só pode ser pior que a crise. Digo eu, sei lá.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Les Cabaret Capricho | FÁBRICA DE CULTURA em MINDE | 21 de Outubro

Na próxima Sexta-Feira (21 OUT) pelas 21.30h, a CPM vai promover mais uma excelente noite na FÁBRICA DE CULTURA em MINDE.
Um serão de arte circence e dança com performances e participação das companhias mexicanas “LES CABARET CAPRICHO e OME.

É o último espectáculo da companhia “Les Cabaret Capricho” na longa tornée na Europa e Ásia, e será destinado a Adultos e Crianças.

No After Hours, dois DJs animarão a noite com MÚSICA LATINA Para Pais, Filhos e Avós…. A NÃO PERDER!!!

ENTRADAS : Adultos – 2,5€ | Crianças até 10 anos – GRÁTIS

mexico

DiEM25 | Qual deverá ser a nossa posição relativamente ao referendo na Itália?

diem25.2Enquanto estamos a desenvolver em conjunto a nossa vital Agenda Progressista para a Europa, a política da UE continua a tremer, à medida que os poderes instalados tropeçam de crise em crise.

4 de Dezembro será o próximo momento crucial. Os cidadãos italianos votarão num referendo para alterar a Constituição do seu país, algo que terá um impacto europeu muito claro.

No Colectivo Coordenador (CC), temos recebido inúmeros pedidos dos nossos membros para que o DiEM25 tome uma posição sobre se a alteração proposta deve passar, e se deverá fazer campanha para ela!

Uma vasta maioria dos membros e CED’s de Itália têm recomendado um voto no “Não”, e o nosso CC acredita também que a posição do “Não” é mais forte. No entanto, em linha com o objetivo final do nosso movimento para democratizar a tomada de decisões na UE, bem como com a essência pan-europeia de DiEM25, pedimos aos nossos membros em toda a União para votarem em que lado devemos estar: “sim” ou “não”.

Porquê votar “Não”?

Se a emenda passar, ela irá dificultar o processo democrático em Itália. Haverá uma maior concentração de poder nas mãos do governo italiano, reduzindo o papel do Parlamento, e diminuindo a pluralidade, garantindo uma maioria absoluta ao partido com a maioria dos votos. Além disso, a emenda reduzirá o poder das regiões, prejudicando a autonomia local.

Mas de forma mais geral, a emenda seria ainda uma outra expressão da actual demanda da UE para que os governos nacionais fiáveis possam implementar decisões tecnocráticas, sem o incómodo de uma oposição política e discordância organizada. Seria garantir que vamos ver mais do mesmo “Não Há Alternativa”, a retórica que tem caracterizado a postura pós-2008 da UE.

Porquê votar “Sim”?

O Primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse que vai renunciar se a emenda for derrotada – o que poderia levar a um período de instabilidade num dos países-chave na Zona Euro. Os defensores do voto no “Sim” também sugerem que a alteração tornará o processo de tomadas de decisão mais rápido e eficiente, bem como reduzir a instabilidade dos governos futuros, garantindo uma maioria absoluta sólida no Parlamento.

Queres mais informações para tomares uma decisão? A LSE tem mais alguns detalhes sobre o que um “Sim” ou um “Não” significaria.

Pronto para votar? Dirige-te à página da votação e faz a tua voz ser ouvida! A votação encontra-se aberta a partir de agora e até à meia-noite de terça-feira, dia 25 de Outubro.
Carpe DiEM!

Luis Martín
Coordenador da Comunicação, em nome do Colectivo Coordenador do DiEM25

PS A partir de agora em diante, publicaremos sumários das discussões semanais do nosso Colectivo Coordenador no nosso site. Já se encontra disponível o sumário do último encontro!