O Papa do exemplo | Daniel de Oliveira in jornal “Expresso”

Não sendo a Igreja Católica uma instituição democrática, o Papa percebeu que a adesão popular à sua liderança era indispensável para reformar e purificar a Igreja. De tal forma que, num tempo de desconfiança nas instituições democráticas, ele consegue concentrar em si a simpatia que falta aos líderes políticos. Fosse Bergoglio um verdadeiro político e poderia ser acusado de “populismo”, como está na moda escrever-se. E será, se isso apenas implicar responder, como é suposto a Igreja fazer, ao sofrimento dos mais pobres e abandonados, não apenas através do trabalho social, mas através de gestos, imagens, símbolos. Este é, sem qualquer dúvida, o seu Papa. A quem oferece o seu exemplo de despojamento e coragem. E a sua mensagem política é radical, como é sempre a mensagem profética. Numa história carregada de contradições, o Papa Francisco escolheu, nas muitas igrejas que há na Igreja, a Igreja libertadora à Igreja castigadora, a Igreja dos pobres à Igreja do poder. Eu, não crente desde sempre e dificilmente convertível, deposito imensa esperança na Igreja do exemplo que este Papa nos promete. Sei que não sou o único. E sei que uma igreja que se quer universal não se dirige apenas aos seus.

Retirado do Facebook | Mural de Daniel de Oliveira