MADRE PAULA DE ODIVELAS | A AMANTE MAIS FAMOSA DE D. JOÃO V | Jorge Henrique Letria

Religiosa portuguesa, Paula Teresa da Silva e Almeida, a mais célebre amante do rei D. João V, nasceu no ano de 1701, em Lisboa. Neta de João Paulo de Bryt, antigo soldado da guarda estrangeira de Carlos V e, mais tarde ourives em Lisboa, Paula Teresa entra, aos 17 anos, para o convento de Odivelas. Depois de um ano de noviciado, aí professa.
Por sua vez, D, João V, frequentador do convento de Odivelas onde tinha várias freiras amantes, que ia substituindo
conforme lhe parecia, uma vez topou com a soror Paula. Nessa altura, já a formosa freira era amante de D. Francisco de Portugal e Castro, conde de Vimioso e que recentemente havia sido agraciado com o título de marquês de Valença. Mas isso não constituía obstáculo à inflexível vontade do soberano que, chamando à parte o fidalgo lhe propôs: “Deixa a Paula que eute darei duas freiras à escolha”.


Assim se fez e soror Paula passou a ser amante do rei que era trinta anos mais velho que ela,
Jovem e bela, Paula rapidamente subiu ao posto e honra de Madre do Convento, passando a receber todas as atenções do rei e uma generosidade extensiva à sua família. Em Memorial do Convento, de José Saramago, o rei caracteriza Madre Paula como “flor de claustro perfumada de incenso, carne gloriosa”.
Odivelas era um local frequentado pela nobreza da cortena época em que Paula se tornou freira. Em 1719, decorreu no mosteiro a festa do Desagravo do Santíssimo Sacramento, organizada pelo conde de Penaguião e por Francisco de Assis de Távora, na qual se ofereceu “um magnífico jantar a toda a nobreza que assistiu” à cerimónia. Ainda em 1719, no dia 23 de Outubro, decorreu em Odivelas, com a presença da Corte, a tourada comemorativa do casamento de D. Brás Baltasar da Silveira e D. Joana de Meneses (filha dos condes de Santiago).

Não faltariam oportunidades para o Magnânimo se deslocar a Odivelas.
D. João V mandou construir para Madre Paula aposentos luxuosos, com tectos em talha dourada, onde era auxiliada por nove criadas. As camas eram de dossel, forradas com lâmina de prata e rodeadas de veludos vermelhos e dourados, e os jarros onde urinava eram de prata. Ao longo dos 10 anos que durou esta relação, o monarca atribuiu-lhe um rendimento anual de 1708$000 réis, mas apenas podia ir para Odivelas ter relações com a freira quando o médico do paço o autorizava.

Das relações da Madre Paula com D. João V nasce, a 8 de Setembro de 1720, o infante D. José, chamado um dos
“Meninos de Palhavã” (por ter sido criado neste palácio, como D. António e D. Gaspar, filhos de outras amantes do rei), que se forma em Teologia pela Universidade de Coimbra e chega a inquisidor- mor em 1758.
Madre Paula, viveu sumptuosamente, mesmo após a morte do rei. Faleceu com 67 anos, sendo sepultada na Casa
do Capítulo do Convento de Odivelas.

Retirado do Facebook  |  Mural de Jorge Henrique Letria

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