A Ilha, de David Mourão-Ferreira, in Mural de Maria Helena Manaia, Facebook

É talvez o meu poema preferido. Gostava de ser capaz de escrever assim: (Maria Helena Manaia)

A Ilha

Deitada és uma ilha. E raramente

Surgem ilhas no mar tão alongadas

Com tão prometedoras enseadas

Um só bosque no meio florescente

–

Promontórios a pique e de repente

Na luz de duas gémeas madrugadas

O fulgor das colinas acordadas

O pasmo da planície adolescente.

–

Deitada és uma ilha que percorro

Descobrindo-lhe as zonas mais sombrias

E nem sabes se grito por socorro

–

Ou se te mostro só que me inebrias.

Amiga, amante, amada, eu morro

Da vida que me dás todos os dias.

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