CARL SAGAN | Devemos compreender o Cosmos como ele é e não confundir isso com como gostaríamos que fosse.

“Não existe outra espécie na Terra que faça ciência. Ela é, até então, uma invenção inteiramente humana, evoluída através de uma seleção natural, no córtex cerebral por uma razão muito simples: ela produz. Não é perfeita e pode ser mal utilizada. É somente uma ferramenta, mas até agora a melhor que temos, autocorretiva, progressiva, aplicável a tudo.

Possui duas regras. Primeira: não existem verdades sagradas; todas as suposições devem ser examinadas criticamente; argumentos de autoridade não têm valor. Segunda: tudo que seja inconsistente com os fatos deve ser rejeitado ou revisto. Devemos compreender o Cosmos como ele é e não confundir isso com como gostaríamos que fosse.

O óbvio é algumas vezes falso, o inesperado algumas vezes verdadeiro. Os seres humanos em toda parte partilham dos mesmos objetivos quando o contexto é amplo o suficiente. O estudo do Cosmos provê o maior contexto possível. A cultura global atual é um tipo de recém-chegado arrogante. Chegou em um estágio planetário de quatro e meio bilhões de outros atos, e após olhar à volta por alguns milhares de anos declarou-se possuidora das verdades eternas. Em um mundo em rápida transformação como o nosso, isto é a prescrição do desastre.

Nenhuma nação, religião ou sistema econômico, nenhum grupo de conhecedores possui todas as respostas para a nossa sobrevivência. Deve haver muitos sistemas sociais que funcionam bem melhor do que qualquer um em andamento agora. Segundo a tradição científica, nossa tarefa é descobri-los.”

Carl Sagan, Cosmos, cap. 13, pág 333.

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