Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami

Crónica do Pássaro de CordaToru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida.

Crónica do Pássaro de Corda, ao qual foi atribuído o Prémio Yomiuri, é considerado, por muitos, a obra-prima de Murakami.

Auto dos Danados, de António Lobo Antunes

Auto dos DanadosNa segunda semana de Setembro de 1975, na casa da família, Diogo, o patriarca, agoniza, ao longo dos cinco dias da festa da povoação. Projecta-se assim para primeiro plano a festa de Monsaraz, no terceiro dia da qual a pega de um touro culminará na sua morte, desenrolando-se os preparativos em simultaneidade com a agonia do ancião, o qual virá a morrer ao mesmo tempo que o animal. Neste contexto, os vários membros da família contam do círculo de ódio em que estão aprisionados, e em que participam, introduzindo-os nas histórias individuais, e do conjunto, desde crianças. Ao velho patriarca, a infância sofredora de filho punido a chicote, a traição do irmão e da mulher, a decepção com os filhos, levaram-no a proceder como dono de pessoas e bens, usufruindo do poder e do prazer malévolo de destruição de uns e de outros.

Edição comemorativa dos 30 anos da 1.ª Edição 1985-2015

O Sonho Português, de Paulo Castilho

O Sonho PortuguêsA Vivenda Pérola é o que resta da antiga opulência da família Mendes que agora espera ansiosamente pela herança do tio Leonardo, uma herdade no Alentejo, junto da barragem do Alqueva, que sonham transformar num empreendimento de luxo para turistas.

Um romance com um estilo muito coloquial e vivo com temas da actualidade: a política, os amores e desamores, as quezílias familiares e a ambição pelo dinheiro e pelo poder.

O Dia em Que o Sol se Apagou, de Nuno Gomes Garcia

O Dia em Que o Sol se ApagouNo dia 26 de Março de 1487, o Sol apaga-se subitamente no reino de Portugal. Sem explicação para tão súbitas trevas – que uns atribuem à maldade castelhana e outros à heresia dos judeus –, D. João II envia dois espiões em demanda da solução que restitua a luz ao País e evite o seu definhamento. Com Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva irá também, guardado num estojo, um par de olhos de diamante que outrora pertenceram a um menino chamado Mil-Sóis, cujo olhar cegava quem o encarasse, e que são a peça fundamental desta missão.

O Dia em Que o Sol Se Apagou, finalista do Prémio LeYa em 2014, é uma obra fascinante que inventa um cataclismo improvável para reescrever o período áureo da História de Portugal. Um romance de luz e sombra, de avanços e recuos, que cruza fantasia com rigor histórico. E que, no final, responderá a duas questões essenciais: irá o Sol regressar a Portugal? É a Europa o lugar certo para que Portugal continue a existir?

A Valsa do Adeus, de Milan Kundera

A Valsa do AdeusNumas termas, sete pessoas em busca da felicidade envolvem-se e afastam-se ao ritmo de uma «valsa» orquestrada por Milan Kundera com o seu habitual humor. Ruzena, uma bela enfermeira, Klima, um músico de jazz, Jakub, antigo militante e vítima das depurações, o doutor Skreta, diretor dos serviços de ginecologia das termas, e Bertlef, o americano, são algumas das personagens que durante cinco dias se debatem nesta Valsa do Adeus, construída com o rigor de um romance clássico e fruto de uma rara capacidade de síntese e do forte poder inventivo que caracterizam as obras do autor.

Se Eu Fosse Chão, de Nuno Camarneiro

Se Eu Fosse ChãoNum grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue.

Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de Se Eu Fosse Chão – diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas – contam histórias a quem as queira escutar.

Assim Nasceu Portugal, de Domingos Amaral

Assim Nasceu PortugalNa Páscoa de 1126, em Viseu, o príncipe Afonso Henriques conhece uma bela rapariga galega, de seu nome Chamoa Gomes, por quem se apaixona perdidamente. Contudo, sua mãe, Dona Teresa, regente do Condado Portucalense, irá proibir aquele casamento, pois Fernão Peres de Trava, seu amante, não admite que o príncipe se enlace com sua sobrinha Chamoa. A fúria de Afonso Henriques é imensa. Zangado com a mãe, arma-se a si próprio cavaleiro, na Catedral de Zamora; recusa prestar vassalagem ao novo rei de Leão, Castela e Galiza, o seu primo Afonso VII; e começa a liderar os portucalenses de Entre Douro e Minho, entre os quais Egas Moniz e seu irmão Ermígio, que vivem revoltados com a influência do Trava e as decisões de Dona Teresa.

Cresce a convulsão no Condado Portucalense e todos são arrastados por ela. Nobres e almocreves, amigos e conselheiros, mulheres e trovadores, pais e filhos, envolvem-se num conflito sangrento, que terminará com a inevitável batalha de São Mamede, em Guimarães.

História da Literatura Europeia, uma nova e fundamental disciplina | Adelto Gonçalves

Adelto-GoncalvesI

Distinguir História da Literatura de História Literária é tarefa das mais difíceis porque, muitas vezes, ambos os termos podem parecer sinônimos, mas esse é um ledo engano em que muitos historiadores costumam escorregar. Assim, História da Literatura seria a sequência de narrativas, autores, estilos literários e teorizadores de poéticas literárias, enquanto História Literária constituiria a disciplina que estuda a Literatura de um ponto de vista histórico. Ou ainda a compreensão da Literatura através dos seus contextos (políticos, econômicos, culturais).
Feitas estas distinções, Maria Luísa Malato, professora de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica Geral da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mestre e doutora em Literatura Comparada, partiu para compor História da Literatura Europeia: uma introdução aos Estudos Literários (Lisboa, Quid Júris, 2008), que desde o seu lançamento há sete anos tem constituído livro de referência na área e presença obrigatória na bibliografia dos cursos de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica nas universidades portuguesas.
Aliás, alguma editora brasileira deveria celeremente também publicar esta obra para que cumpra o mesmo caminho nas faculdades de Letras das universidades brasileiras, especialmente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), pois seria um complemento imprescindível ao que se lê em Literatura Comparada (São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000), da professora Sandra Nitrini.
Até porque os países de língua espanhola e portuguesa tomaram como modelo outras literaturas europeias, sobretudo a francesa, ainda que, a partir de certo momento no século XX, a literatura norte-americana tenha se tornado para os literatos desta parte do globo um novo polo de atração. Seja como for, é impossível estudar as literaturas do Brasil e dos países da América hispânica sem levar em conta as suas ligações com as diversas literaturas do continente europeu.

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Hanns e Rudolf, de Thomas Harding

NI_Hanns_HR«Um thriller incrível, um crime inenarrável e uma história essencial.» John Le Carré

Maio, 1945. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a primeira equipa britânica de investigação de crimes de guerra é reunida para caçar os oficiais nazis responsáveis pelas maiores atrocidades alguma vez vistas.

Um dos principais investigadores é o tenente Hanns Alexander, um judeu alemão que serve no Exército Britânico. Rudolf Höss é o seu alvo – como Kommandant de Auschwitz, não só foi o responsável pelo assassinato de mais de um milhão de pessoas, como também quem aperfeiçoou o programa de extermínio em massa idealizado por Hitler.

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O Livro dos Camaleões, de José Eduardo Agualusa

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Um ditador africano, muito respeitado em Portugal, escreve a sua biografia. Um famoso marinheiro maltês visita São Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa. Um antropólogo descobre-se nu e indefeso diante de uma mulher. Uma zebra persegue um escritor. Uma virgem perde a cabeça.

Neste O Livro dos Camaleões cruzam-se personagens em busca de uma identidade, ou em trânsito de identidade, atravessando diversas épocas, do século XIX aos nossos dias, e diversas geografias, das savanas do Sul de Angola às ruidosas ruas do Rio de Janeiro.

Algumas destas personagens são arrancadas à realidade ou inspiradas em figuras reais. Não se trata de saber onde termina a realidade e começa a ficção. Trata-se de questionar a própria natureza do real.

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O meteorologista, de Olivier Rolin

O_meteo_ORA Sextante Editora publica o mais recente romance de Olivier Rolin, O meteorologista, um relato surpreendente da história real de Alexei Vangengheim, um homem que, como muitos outros, perdeu o controlo sobre o seu destino e foi enviado para um dos primeiros gulags no Norte da Rússia, após ser alvo de uma denúncia de oposição ao regime.

Anos mais tarde, Olivier Rolin encontrou as cartas de Alexei para a filha – que vêm fac-similadas nesta edição – e decidiu investigar esta emotiva história que, como o próprio afirma, não é tão longínqua como poderíamos pensar.

Olivier Rolin vai estar em Portugal de 7 a 9 de maio para participar na 1ª edição do Festival Encontradouro, em Sabrosa.

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O Espião de D. João II – Pêro da Covilhã

O Espião de D. João IIPêro da Covilhã, o formidável espião de D. João II, injustamente esquecido pelos historiadores e quase desconhecido dos portugueses, é uma personagem histórica invulgar, cujas acções tiveram enorme repercussão no xadrez político da Europa. Escudeiro do rei, que o escolhia para as missões mais secretas e arriscadas, era dotado de qualidades e talentos excepcionais: memória fotográfica, extraordinária aptidão para aprender línguas, mestria na arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, capacidade de adaptação ao imprevisto, perícia no manejo de todas as armas do seu tempo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, ideais cavaleirescos da Demanda, da Aventura e do culto da Mulher e do Amor.

A autora convida-nos a acompanhar Pêro da Covilhã na sua longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mediterrâneo, Mar Vermelho, Arábia, Pérsia, costas do Índico, Calecut, África Oriental e Etiópia, e descobrir lugares, povos e culturas nunca antes vistos por um ocidental, cujos costumes lhe eram completamente estranhos.

Diário da Abuxarda – 2007-2014

Diário da Abuxarda - 2007-2014Abrangendo os anos de 2007 a 2014, Diário da Abuxarda é uma leitura fascinante sobre o correr do tempo, em que notas sobre o dia-a-dia alternam com considerações sobre factos políticos, viagens, amigos, família, literatura ou arte, sempre com a lucidez e a ironia subtil que tornam Marcello Duarte Mathias um caso ímpar na escrita diarística em Portugal.

(…) «No fundo, fui toda a vida um flâneur – sorte, a minha! – e se estas páginas algum mérito têm é essa atenção simultaneamente empenhada e distraída com que olho o tempo e o mundo à minha volta. E cá vou ficando à espera do que tarda em chegar: uma verdade em forma de conclusão.»

Marcello Duarte Mathias

Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah GrossEm 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.

Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.

Um romance trepidante, finalista do Prémio Leya 2014, que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História.

Choriro, ou o retrato de um povo, por Ungulani Ba Ka Khosa

ChoriroA extraordinária história do rei branco Nhabezi é o ponto de partida de Ungulani Ba Ka Khosa em Choriro, romance que a Sextante Editora publica a 24 de abril. Baseando-se em factos reais, o escritor faz neste livro (cujo título significa choro ou luto, na língua local) um retrato valioso do vale do Zambeze no século XIX, representativo da identidade moçambicana, antes do despontar do colonialismo mercantil. Em destaque está o reinado de Nhabezi, ou antes Luís António Gregódio, um líder carismático que marcou a História de Moçambique. Com Choriro, o autor diz ter procurado «resgatar a alma de um tempo, a voz que não se grudou aos discursos dos saberes».

Ungulani Ba Ka Khosa, que exerce atualmente as funções de diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco e é secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, vai estar brevemente em Portugal para participar na 85ª Feira do Livro de Lisboa.

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Dom Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes

Dom Quixote de la ManchaA imortal história do Cavaleiro da Triste Figura que, acompanhado pelo seu fiel escudeiro, Sancho Pança, atravessa montes e vales, lutando contra moinhos de vento e cavaleiros imaginários em nome da justiça. Retrato do anti-herói, Dom Quixote, o fidalgo enlouquecido, representa a capacidade de transformação do homem em busca dos seus ideais.

Escrito no século XVII, é um livro intemporal que continua a fascinar sucessivas gerações de leitores em todo o mundo. Repleto de aventuras e situações fantásticas, com um imaginário único, que marcou a história da literatura, este é muito mais do que um romance de cavalaria. Pelo contrário, ao satirizar os romances de cavalaria, em voga na época, Dom Quixote afirma-se como o clássico fundador do romance moderno. O humor, as digressões e reflexões, a oralidade nas falas e a metalinguagem marcaram o fim da Idade Média na literatura.

A sua importância é tal que as figuras de Dom Quixote e de Sancho Pança são talvez visualmente familiares a mais pessoas em todo o mundo do que qualquer outra personagem literária.

Eu não Venho Fazer um Dircurso

Eu não Venho Fazer um DiscursoEu não Venho Fazer Um Discurso é a terceira frase do texto que, aos dezassete anos, Gabriel García Márquez leu aos seus colegas do liceu de Zipaquirá e é também o título que escolheu para este livro onde se reúnem todos os textos que escreveu para ler em público. Em 1972, afirmou na cerimónia de entrega do Prémio Rómulo Gallegos por Cem Anos de Solidão que havia duas coisas que tinha prometido a si mesmo nunca fazer: «receber um prémio e pronunciar um discurso».

Mas, dez anos depois, recebeu o Prémio Nobel, e teve de fazer o discurso mais importante da sua vida de escritor. Desde então, este género tornou-se essencial para a sua carreira como autor cuja presença era solicitada em todo o mundo.

Perante ouvintes tão variados como companheiros de secundária, reis e presidentes, militares, cineastas, jovens admiradores, ou colegas jornalistas e escritores, García Márquez aborda, entre inúmeros temas, a sua vocação, a paixão pelo jornalismo, a inquietação perante o perigo da proliferação nuclear, a proposta para simplificar a gramática, os problemas da sua terra colombiana ou a lembrança emocionada de amigos escritores como Julio Cortázar e Álvaro Mutis, entre outros.

Bichos – Edição Comemorativa – 75 anos

BichosUma nova edição que assinala os 75 anos de uma obra que tem acompanhado várias gerações de leitores. Sobre este livro, dirigindo-se ao leitor, Miguel Torga escreveu o seguinte no prefácio:

(…) «És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes».

 

Cifra, de Mai Jia

planoK_CifraUm dos livros do ano. Um dos mais aclamados livros da última década e um bestseller internacional.

Os números escondem palavras e segredos. Escondem a ordem e a desordem do mundo – bem como comunicações militares e códigos que ninguém consegue decifrar. Até aparecer este homem.
Neste seu romance de estreia, Mai Jia revela o misterioso mundo da unidade 701, uma secretíssima agência de inteligência chinesa, cujo único propósito é decifrar códigos.
Combinando brilhantemente o mistério e a tensão de um thriller de espionagem com as nuances de uma profunda observação psicológica e as qualidades mágicas de uma fábula chinesa, Cifra revela-nos na criptografia a chave do coração humano.
Um livro misterioso e fascinante que apresenta Mai Jia como um dos maiores e mais populares escritores da China dos nossos dias, e que conquistou o reconhecimento internacional.

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Suite Francesa, de Irène Némirovsky

Suite FrancesaSuite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta.

Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes, Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte.

O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial.

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Para que não te percas no bairro, de Patrick Modiano

Para_q_n_percas_PMO mais recente romance do Nobel da Literatura 2014.

Várias décadas passaram desde que Jean Daragane, em criança, viveu em Saint-Leu-la-Forêt. Agora, sexagenário, escritor, mal pensa nisso. Leva uma existência solitária, o telefone raramente toca, praticamente não escreve. Até que acontece um «quase nada». Como que uma picada de inseto, que a princípio parece muito leve. Esse «quase nada» é o aparecimento de uma velha agenda telefónica onde figura o nome de Guy Torstel. Arrastado para o passado, para a Paris dos anos 1950 e 1960, Daragane vai-se confrontar com a memória de Annie Astrand, que foi para ele uma espécie de mãe e, mais tarde, talvez uma amante…

Depois de O horizonte, As avenidas periféricas e Dora Bruder, todos eles muito bem recebidos pelos leitores e críticos literários, este é o quarto romance do Nobel da Literatura 2014 no catálogo da Porto Editora.

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Fantasia para dois coronéis e uma piscina, de Mário de Carvalho

Fantasia_MdCNova edição do romance de Mário de Carvalho premiado pelo PEN Clube.

A Porto Editora publica, Fantasia para dois coronéis e uma piscina, de Mário de Carvalho, romance agraciado com o Prémio PEN Clube Português Ficção 2003 e com o Grande Prémio de Literatura ITF/DST.

Neste livro, protagonizado por dois coronéis reformados do Exército, ex-combatentes da Guerra Colonial, Mário de Carvalho faz, como nos tem vindo a habituar, uso da sátira para promover uma reflexão sobre a sociedade portuguesa do início do século XXI – questionando mesmo, no final do livro, se «Há emenda para este país?». Sobre Fantasia para dois coronéis e uma piscina, o crítico literário Pedro Mexia escreveu: «foi provavelmente o melhor romance português publicado em 2003. […] Coisa rara na ficção portuguesa, cada página provoca o desejo da releitura: mas da releitura imediata, para saborear a prosa, a graça e a inteligência. Este é um livro brilhante, com momentos geniais. Portugal não tem uma dezena de escritores assim. Por favor, estimem-nos.»

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Judith Teixeira – Poesia e Prosa

Judith Teixeira - Poesia e Prosa“Com esta edição, propositadamente publicada no ano em que se comemora o primeiro centenário do Orpheu, pretende-se combater uma certa amnésia cultural marcada pelo género nas letras portuguesas, arquivar o longo ‘processo disciplinar’ desta pioneira, e desvendar materiais inéditos, no intuito de confirmar o lugar de comprovada importância simbólica ocupado por Judith Teixeira no palco modernista português.”

da introdução de Cláudia Pazos Alonso

Nascida em 1888, tal como Fernando Pessoa, e contemporânea de Florbela Espanca, outra mulher a quem quiseram aplicar o rótulo de “poetisa”, Judith Teixeira rompeu corajosamente com o padrão do silenciamento das mulheres no contexto de Portugal das anées folles, para se tornar um sujeito activo, que desvendou o corpo feminino sem pejo. Esta edição traz a lume cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita, além de reunir cinco obras de poesia e prosa que a autora publicou em vida. No seu conjunto, o presente volume permite-nos situar devidamente esta escritora no lugar que lhe pertence por direito próprio, ou seja, em plena vanguarda modernista.

O Que Não Pode Ser Salvo, de Pedro Vieira

PrintUm triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul. Uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence; um rapaz que luta para sair do meio devorador em que nasceu; um miúdo burguês, canhestro, com uma família de fachada; e um quarto elemento que completa o elenco de uma tragédia contemporânea de ressonâncias clássicas: história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center. O Que Não Pode Ser Salvo é também o retrato dos males sociais e culturais que afligem um país enfraquecido pela crise económica e pela falência dos valores.

Pedro Vieira nasceu em Lisboa, em 1975, cidade onde escreve, desenha e vive. Trabalha como consultor na empresa Booktailors, como guionista no Canal Q  das Produções Fictícias, como ilustrador na revista LER – e como português entre os escombros.

 

As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino

As Cidades Invisíveis“Se o meu livro As Cidades Invisíveis continua a ser para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido reunir numa única representação todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas.”

Assim se refere o próprio Italo Calvino – um dos escritores mais importantes e estimulantes da segunda metade do século xx – a este livro surpreendente, em que a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana.

As Terras Devastadas, de Stephen King

PrintO livro 3 da série A Torre Negra.

Neste terceiro volume da série de culto, Roland prossegue com a sua demanda pela Torre Negra, mas agora já não está sozinho. Treinou Eddie e Susannah, que entraram no Mundo Médio em momentos diferentes no livro anterior, à velha maneira dos pistoleiros. Mas o seu ka-tet ainda não está completo. Falta escolher um terceiro elemento: alguém que já esteve no Mundo Médio, um menino que morreu não uma, mas duas vezes, mas que continua vivo. Os quatro do ka-tet, unidos pelo destino, terão de fazer uma longa viagem até às terras devastadas e à cidade destruída de Lud, que fica para além delas. Pelo caminho, encontrarão a fúria de um comboio, que pode muito bem ser o seu único meio de fuga…

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O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë

O Monte dos VendavaisÚnico romance de Emily Brontë, publicado em 1847, um ano antes da sua morte, O Monte dos Vendavais foi considerado lúgubre e chocante pelos padrões de meados do século XIX. No entanto, esta história sombria de paixão e vingança, ambientada nas charnecas solitárias do Norte da Inglaterra, provou ser um dos clássicos mais duradouros da literatura inglesa. A turbulenta e tempestuosa história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff abrange duas gerações: desde o tempo em que Heathcliff, um rapaz grosseiro e estranho, é adoptado pelo patriarca da família Earnshaw – o senhor do Monte dos Vendavais –, passando pelo casamento de Cathy com Edgar Linton e a terrível vingança de Heathcliff, até à morte de Cathy, anos mais tarde, e à eventual união dos herdeiros das famílias Earnshaw e Linton.

Uma das mais maravilhosas histórias de amor de todos os tempos, O Monte dos Vendavais permanece hoje tão comovente e convincente como quando foi publicado pela primeira vez.

A Vida Amorosa de Nathaniel P. – Adelle Waldman

A Vida Amorosa de Nathaniel P.Nathaniel (Nate) Piven é uma estrela em ascensão. O seu primeiro livro vai ser publicado por uma editora importante, a sua reputação como crítico literário é irrepreensível, as mulheres adoram-no. Vive em Brooklyn há alguns anos, mas em termos sociais é como se tivesse acabado de chegar. Com estrondo. Nate deveria, pensamos, estar feliz.

Mas ele é demasiado obsessivo para se limitar a apreciar a vida. Uma noite, ao sair de casa, Nate é (mais uma vez) vítima desse campo minado de ex-amantes que é Nova Iorque. Entre acusações e tentativas de fuga, ele prevê (corretamente) que “a noite acabará como tantas outras, em lágrimas”. Mas essa é também a noite em que conhece Hannah Leary. Como ele, Hannah vai ter a sua obra publicada por uma editora de renome. Nate fica fascinado. Ela é atraente, culta e sofisticada. Melhor do que todas as outras. Uma mulher, acredita, à sua altura. Hannah é já o objeto do seu desejo. Será também aquilo que ele realmente quer?

Veio Depois a Noite Infame, de Margarida Palma

Veio Depois a Noite InfameLisboa, 1921.Vivem-se ainda as sequelas da Grande Guerra e os temores causados pela Revolução Russa, mas sente-se sobretudo o descrédito dos políticos, responsáveis por uma crise sem fim à vista que mergulha o País na miséria e acende, por todo o lado, focos de violência. O assunto é tema de conversa em casa do advogado viúvo Eugénio Furtado – o «palacete» onde reside com as irmãs e a sua bela e encantadora filha Madalena –, mas também no prédio ao lado, do qual são inquilinos um casal de aristocratas russos refugiados, um velho fidalgo monárquico, uma prima de Eugénio e a famosíssima Elisa, actriz de grande talento mas reputação duvidosa, que organiza continuamente festas e jantares.

Com um riquíssimo leque de personagens – republicanos convictos e saudosos do rei, devotos de Fátima e ateus, aristocratas, burgueses e populares –, Margarida Palma parte do microcosmos de um bairro lisboeta para nos dar conta de como se vivia e amava em Portugal no mais violento período da I República.

Má Luz, de Carlos Castán

ma_luz_CCJacobo e o narrador são velhos companheiros que partilham afinidades literárias, filosóficas e, sobretudo, vitais, como o álcool, as noitadas, a solidão insuportável e o amor às mulheres. Porém, quando Jacobo aparece morto à facada na sua casa de Zaragoza, o amigo decide apropriar-se da vida dele, como se essa fosse a única possibilidade que lhe resta de fugir da sua. E, assim, conhece a bela e enigmática Nadia, junto de quem empreenderá uma investigação obsessiva para esclarecer o assassinato de Jacobo.

Má Luz é uma ficção melancólica, sensual e romântica sobre o desejo e a busca de um sentido para a vida, mas é também uma espécie de thriller intenso e vertiginoso que se lê em absoluta tensão da primeira à última página.

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

Operação Negócios Privados, de Paulo Reis

Op_Neg_Privados_PR«Durante cerca de uma hora, Pedro Baltazar e Jorge Oliveira debruçaram-se sobre os segredos do Grupo Privado de Negócios. À medida que a informação ia correndo, o Velho foi-se apercebendo da verdadeira dimensão e poder do grupo. Quando Jorge Oliveira lhe explicou os detalhes do arranque do grupo, concluiu que havia ali algo de profundamente estranho.»

Pedro Baltazar, o Velho, como é conhecido nos meios da secreta, tem contas antigas a ajustar com a verdade. Mas hoje, a verdade esconde-se de tantas maneiras, e sob tantas camadas de informação cuidadosamente injectada, que parece impossível sequer de localizar.

Desde a operação em curso às ramificações do fundamentalismo islâmico que actua em Portugal, à «toupeira» a que é preciso dar caça dentro dos próprios Serviços de Segurança e Informação, o Velho é posto à prova em várias direcções.

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O Fotógrafo e a Rapariga, de Mário Cláudio

O_Fotografo_MCCom O Fotógrafo e a Rapariga, conclui Mário Cláudio uma trilogia dedicada às relações entre pessoas de idades muito diferentes, iniciada em 2008 com Boa Noite, Senhor Soares – que recria o microcosmo do Livro do Desassossego, trazendo para a cena um aprendiz que trabalha no mesmo escritório de Bernardo Soares – e continuada em 2014 com Retrato de Rapaz – fascinante relato da vida atribulada de um discípulo no estúdio do grande Leonardo da Vinci.

No presente volume, os protagonistas são o britânico Charles Dodgson, que se celebrizou com o pseudónimo Lewis Carroll com que assinou, entre outros, o clássico Alice no País das Maravilhas, e Alice Lidell, a rapariga que o inspirou, posando provocadoramente para os seus retratos e alimentando as suas fantasias.

Nas livrarias a 24 de Fevereiro

A Casa das Rosas, de Andréa Zamorano

planoK_Casa_das_rosas3Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período

épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha pelas eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo

onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam. Ao longo desta história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um

jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade, um animal que fala, um fantasma que aparece e

desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño. E um final empolgante e inesperado.

A estreia de uma autora que cruza as culturas (e ortografias) de uma mesma língua.

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O Morcego, de Jo Nesbo

O Morcego_JNO inspector Harry Hole, da Brigada Anticrime de Oslo, é enviado numa missão a Sydney, na Austrália, para investigar um homicídio. Deve colaborar com as autoridades locais, mas tem instruções para se manter longe de sarilhos. A vítima é uma norueguesa de 23 anos, em tempos uma celebridade televisiva no seu país.

Harry não consegue ser um simples espectador e, à medida que se envolve na investigação, trava amizade com um dos detectives responsáveis pelo caso. Juntos concluem que estão a lidar com o último de vários homicídios por resolver e, pelo padrão, estar na presença de um psicopata que actua ao longo do país. Prestes a descobrir a identidade do assassino, Harry começa a temer que ninguém esteja a salvo, principalmente as pessoas envolvidas na investigação… e os seus receios transformam-se no seu mais profundo pesadelo.

Primeiro livro da série Harry Hole

Nas livrarias a 10 de Fevereiro

Um Homem e o Seu Cão, de Thomas Mann

HomemeCao_TMUm Homem e o Seu Cão é a comovente história da relação de Thomas Mann com o seu perdigueiro alemão. Desde o primeiro encontro, numa quinta, Mann conta como gradualmente começa a amar este animal inteligente, leal e cheio de energia. Durante os seus passeios diários, Mann começa a compreender e apreciar Bauschan enquanto ser vivo, testemunha o seu prazer em caçar lebres e esquilos e as suas meticulosas inspeções a pedras, galhos e folhas húmidas. Mann reflete sobre a vida interior do animal e maravilha-se com a facilidade com que ele confia totalmente em si. pondo a sua vida nas mãos do dono.
Os dois desenvolvem uma compreensão mútua com o passar do tempo, mas Mann ganha também consciência de uma divisão intransponível que os separa. E, como em todas as relações, existem momentos de tensão, frustração ou desilusão, mas que são sempre superados por uma ligação íntima, profunda e de grande amizade entre os dois.
Uma história encantadora de amizade entre um homem e um cão.

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Com Um Sonho na Bagagem, de Maria José de Lancastre

Com um Sonho na BagagemCom um Sonho na Bagagem é em primeiro lugar o relato de uma viagem que Luigi Pirandello fez a Portugal em Setembro de 1931. O pretexto foi o convite para participar, na qualidade de hóspede de honra, no V Congresso da Crítica Dramática e Musical que António Ferro organizou em Lisboa com a extravagante e engenhosa ideia de o tornar «itinerante», de modo a destacar Portugal na ribalta da imprensa internacional.

O livro de Maria José de Lancastre, fruto de cuidadosas pesquisas em arquivos públicos e privados e rico em documentos inéditos, relata um importante acontecimento cultural hoje esquecido onde, paradoxalmente, se debateu a liberdade de opinião e a independência da crítica num país que estava à beira da ditadura. A viagem de Pirandello, aparentemente ocasional, torna-se assim um acontecimento relevante e, para além de um encontro entre duas culturas, é também motivo de uma análise comparada entre duas poéticas e duas visões da vida geograficamente e linguisticamente distantes, mas substancialmente e intrinsecamente contíguas.

O Último Europeu, de Miguel Real

O Último EuropeuEm 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que mentalmente.

Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade.

Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.

Desamparo, de Inês Pedrosa

desamparo_IPA saga de uma mulher que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos de idade e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa.
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes. Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.

Um Crime na Exposição, de Francisco José Viegas

Crime_expo_FJVPorto Editora publica nova edição do romance de Francisco José Viegas passado na Expo’98.

No dia 23 de janeiro, chega às livrarias a nova edição de Um Crime na Exposição, o romance de Francisco José Viegas que tem como cenário a Expo’98. Esta trama policial, protagonizada pela famosa dupla de detetives Jaime Ramos e Filipe Castanheira, foi inicialmente publicada em folhetim semanal nas páginas do Diário de Notícias, e viu a sua primeira publicação integral ainda em 1998.

Francisco José Viegas é autor de uma vasta obra, de diferentes géneros, tendo sido agraciado em 2005 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo romance Longe de Manaus, já publicado pela Porto Editora.

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A ridícula ideia de não voltar a ver-te, de Rosa Montero

A_Ridicula_RMA ridícula ideia de não voltar a ver-te é «um livro sobre a vida, apaixonado e alegre, sentimental e brincalhão», diz a autora O mais recente livro de Rosa Montero nasceu durante o luto pelo seu marido, após ler o diário de Marie Curie, que havia passado por um processo semelhante. Contudo, A ridícula ideia de não voltar a ver-te está longe de ser sombrio – é antes uma celebração à vida, e é publicado pela Porto Editora no dia 23 de janeiro.

Aclamado pela crítica e pelos seus pares, A ridícula ideia de não voltar a ver-te foi considerado o melhor livro de memórias pelos leitores do jornal El País, apesar de ser um livro desprendido de género: não é um romance, nem ensaio, nem biografia, embora englobe a visão mais íntima e pessoal da escritora. Original e autêntico, reúne histórias, lembranças, fotografias e hashtags.

Rosa Montero vai estar em Lisboa de 28 a 30 de janeiro para contactos com a comunicação social.

 

Alegria Breve, de Vergílio Ferreira

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No ano em que se comemoram os 50 anos sobre a primeira publicação de Alegria Breve, a Quetzal disponibiliza uma nova edição deste importante marco da narrativa vergiliana.

«Ganharei o jogo? Perco sempre. Porque tentar ainda? Ganhar uma vez. Uma vez só. Às vezes penso: ganhar uma vez e não jogar mais. Esqueceria as derrotas, a memória do homem é curta. E no entanto… Começo a sentir-me bem, perdendo. Quer dizer: começo a não sentir-me mal. A capela de S. Silvestre já não brilha. Mas ainda se vê bem. É triste o entardecer, boiam coisas mortas na lembrança, como afogados. Uma nuvem clara passa agora não sobre o monte de S. Silvestre, mas sobre o outro, o pico d’El-Rei. É um pico menos aguçado, forma um redondo de uma cabeça. Há quanto tempo já lá não vais? Para o lado de trás, vê-se o sinal de uma aldeia (aldeia?), um sinal breve, trémulo, branco. Quando se olha, o tempo é imenso, e a distância — a vida é frágil e temos medo. Dou xeque duplo, vou-te comer a torre, Padre.»

Nas livrarias a 16 de Janeiro.

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NOCTURNO, o romance de Chopin – em braille

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NOCTURNO, o romance de Chopin”, de Cristina Carvalho, publicado por Sextante / Porto Editora, recomendado no Plano Nacional de Leitura (PNL) para o ensino secundário encontra-se agora – desde hoje – disponibilizado em braille na Biblioteca Nacional de Portugal para leitores invisuais.

Depois da edição em audiolivro, leitura com duração de 4 horas e 57 minutos pela escritora Maria Manuel Viana, chega-nos numa outra forma de acessibilidade. Também está disponibilizado como livro digital.

Sinopse
Como um piano solitário em que o artista desenha os quadros musicais de melodias e harmonias com timbres, ritmos e tempos diversos, assim foi desenhado este romance polícromo, tecido de amores e paixões, que conta a vida de Chopin, desde o seu nascimento em 1 de Março de 1810, na Polónia, até à sua morte, em 17 de Outubro de 1849, em Paris. Uma história feita de subtilezas, paixões intensas, escuras intrigas, vivências e amizades sinceras, presenças e saudades.

Raimundo – Conto I | Cole©tivo Nau | Cristina Drios

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“…ter mundo para onde ir quando está farta disto.” Para que serve conhecer muito mundo se não conseguimos evadir-nos? Cristina Drios inicia esta participação do Cole©tivo Nau no Das Letras. Um folhetim que tem como ponto de partida o Raimundo que, dizem, conhecia muito mundo.

A um ritmo quinzenal, Raimundo virá até nós na voz dos autores do Cole©tivo Nau. Encontro marcado no Das Letras.

Saiba mais aqui.

 

O Meu Irmão – Prémio LeYa 2014

O Meu IrmãoEm O Meu Irmão, considerado pelo júri, de forma unânime, o melhor original apresentado este ano a concurso, o narrador, um professor universitário de meia-idade, passa férias com o irmão deficiente numa pequena casa de família situada numa aldeia abandonada no interior de Portugal. O isolamento força-o a rememorar a vida em comum com o irmão, em particular porque os acontecimentos mais recentes podem pôr em causa o seu relacionamento. No fim desvenda-se o mistério.

Recordando as palavras do júri no dia da atribuição do Prémio, o livro aborda um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e humor, o desconforto de quem vive este problema.

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Um Circo que Passa, de Patrick Modiano

Um Circo que Passa

Um Circo que Passa revela bem o estilo de Patrick Modiano, fortemente marcado pela Guerra, pelos anos 40 e pela sua própria infância.

A polícia, os bares duvidosos e as ruas de uma cidade simultaneamente amiga e inimiga – é nesta Paris dos anos 60 que acompanhamos a fuga e as deambulações de um casal à procura do amor. Uma história que tem como narrador Jean, e em que toda a acção gira em torno do seu relacionamento, aos dezassete anos, com a misteriosa Gisèle.

Ambos têm muito a esconder um do outro. Partilham, porém, os mesmos sonhos.

Domingos de Agosto, de Patrick Modiano

Domingos de Agosto

Em Domingos de Agosto entramos num fascinante labirinto de mistérios. Por que motivo o narrador fugiu das margens do Marne com Sylvia para se esconderem num obscuro quarto de Nice? Qual a origem do diamante Cruz do Sul, que Sylvia arrasta consigo como uma promessa e uma maldição?

De que morreu o popular ator Aimos? Quem é Villecourt? Quem são os Neal, esse estranho casal cujo carro ostenta uma matrícula diplomática?

E por que estão tão interessados em Sylvia, no narrador e no Cruzeiro do Sul? Ao longo das páginas deste misterioso romance, onde se cruzam todos estes enigmas, nasce uma história de amor que exala um fascínio que irá dominar o leitor por muito tempo.

Meninas, de Maria Teresa Horta

MeninasDo fabuloso monólogo de Lilith num paradisíaco ventre materno, primeiro conto deste volume, até «Estrela», que fecha o livro, numa violenta, mas irresistível, história de abuso sexual paterno que leva a filha ao suicídio, Maria Teresa Horta traça, num português sumptuoso, ao longo de trinta e dois contos, uma vasta e belíssima galeria de meninas. Quase todas negligenciadas, quando não abandonadas e maltratadas, entregam-se à magia ou à leitura salvadoras. É assim com Beatriz, à beira do abismo no Faial, com Laura, abandonada pela mãe em «Eclipse», com Branca, perseguida pela madrasta e o pai, com Maria do Resgate, que abre a porta aos anjos na falta da mãe, com Rute, ladra «sem culpa» de uma rosa apaixonante. Mas também com a infância de personagens históricas como a sanguinária condessa húngara Erzsébet, com a rebelde Carlota Joaquina, inconformada com um destino que não quis, a seduzir e a enfeitiçar o pintor Maella, autor do seu retrato oficial, ou literárias como Katie Lewis, apaixonada pela leitura e assim retratada por Edward Burne-Jones, a gerar o fascínio de Oscar Wilde.

A Viagem do Elefante – em BD

A_Viagem_Elefante_JSJosé Saramago em BD
João Amaral adapta para banda desenhada A Viagem do Elefante.
No dia 21 de novembro, a Porto Editora publica um livro surpreendente: A Viagem do Elefante, romance de José Saramago, adaptado para banda desenhada por João Amaral. Resultado de um trabalho de quase três anos, este livro, que tem a particularidade de ser narrado pelo Nobel português, relata a viagem do elefante Salomão, um presente do rei D. João III para o arquiduque Maximiliano da Áustria, de Lisboa até Viena, guiado pelo indiano Subhro.
Como diz Pilar del Río, no prefácio que escreveu para este livro, «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso».

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

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Vila Algarve, de Francisco Duarte Azevedo

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Este romance conta a história de um homem – um branco, português, de uma família de retornados a Portugal com a descolonização – que regressa à cidade onde viveu a sua infância e juventude.
A cidade é a mesma, e é outra – chama-se Maputo. Na alterada geografia poucos marcos se mantêm: uma amizade, os fantasmas que lhe povoam a solidão, e a Vila Algarve.

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Nove Mil Passos, de Pedro Almeida Vieira

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Um livro narrado por Francisco d’Ollanda, ou melhor pelo seu espírito, já que o narrador está morto, num tom cheio de humor, que nos relata as peripécias que o seu ser imaterial vai acompanhando.
Francisco d’Ollanda foi o primeiro arquitecto e visionário a quem D. João III pediu estudos para a construção de um aqueduto que abastecesse de água a cidade de Lisboa e aqui conta, quase dois séculos depois, como se processou todo o estudo, adjudicação e construção do Aqueduto das Águas Livres, já no reinado de D. João V.
Ficamos a saber tudo sobre os seus construtores e as tramóias, as intrigas, as traições, os golpes de génio que vão fazendo andar de um para outro dos arquitectos e engenheiros que ficaram com o seu nome ligado ao fabuloso monumento.

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O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón

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Com um estilo deslumbrante e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo à Barcelona de o Cemitério dos Livros Esquecidos para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos, onde o encantamento dos livros, a paixão e a amizade se conjugam num romance magistral.

Na turbulenta Barcelona dos anos de 1920, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe a proposta de um misterioso editor para escrever um livro como nunca existiu, em troca de uma fortuna e, talvez, de muito mais.

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O Leopardo, de Jo Nesbo

O Leopardo

Perturbado com os acontecimentos que levaram à detenção do Boneco de Neve, o inspector Harry Hole refugia-se em Hong Kong onde as únicas regras a que obedece são as que lhe são impostas na sordidez das salas de ópio. Enquanto isso, em Oslo, num inverno excepcionalmente ameno, a Polícia depara-se com o brutal assassino de duas mulheres.

Sem pistas, sem perceber que arma do crime seria capaz de provocar os ferimentos que apresentavam, e com a investigação num impasse, só lhe esta encontrar Harry Hole e convencê-lo a colaborar.

Com o pai gravemente doente no hospital, Harry Hole acaba por regressar à Noruega. Não tenciona trabalhar na investigação mas o instinto leva a melhor quando a Polícia encontra uma terceira vítima num parque da cidade, violentamente assassinada. Quando consegue desvendar a ligação entre as vítimas, Harry Hole percebe que está a lidar com um psicopata que, tal como O Boneco de Neve, o vai levar ao limite das suas capacidades.

Prémio Literário Fernando Namora 2013

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As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral vence o prémio literário Fernando Namora 2013.

Neste romance, somos convidados a reviver um país suburbano, pobre e bairrista, que o dinheiro, injetado pela União Europeia, parecia ter resgatado de forma definitiva. Um país onde frases deste tipo fazem todo o sentido: o doutor Santos era médico, de especialidade indeterminada, ou ainda, Diógenes nasceu completo de dedos. Hoje, não é só o Bruno desempregado que regressa ao Bairro Amélia e à sua realidade degradada, é todo um país que é violentamente atirado para a sua periferia europeia. Um país, onde uma minoria de privilegiados deita um olhar crítico e estende o dedo acusatório: falta aí o Olímpio.

Leia a recensão completa em Acrítico, leituras dispersas.

 

O Rei Pálido, de David Foster Wallace

PrintO romance inacabado do autor de A Piada Infinita.
O aborrecimento. Se há alguém capaz de escrever um grande romance sobre este tema é certamente David Foster Wallace: o aborrecimento e os seus efeitos sobre o espírito.
Em A Piada Infinita, explorava o entretenimento e o prazer – que obliteram a dor; aqui, em O Rei Pálido, Wallace leva até às últimas consequências a observação e o estudo da tristeza, da monotonia, do tédio. E, para isso, não poderá haver ambiente mais natural e propício do que a Autoridade Tributária, um centro regional de processamento de IRS algures no Midwest.
O Rei Pálido foi publicado postumamente e editado a partir dos manuscritos encontrados – doze capítulos prontos e outros ainda em construção –, seguindo-se as anotações do autor ou apenas a lógica interna do texto.

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Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão

GuaChuCintilantesPublicado pela primeira vez em 1984, o livro e diário Os guarda-chuvas cintilantes – Cadernos I, de Teolinda Gersão, regressa às livrarias no dia 7 de novembro, com chancela da Sextante Editora. A propósito deste livro, José Emílio Nelson defende que «Teolinda Gersão escreve “a forma inteira” das inquietações contemporâneas num tempo difícil de definir. Os guarda-chuvas cintilantes, livro “sobre tudo”, cintilante entre dois planos de redação oximora (racional/irracional, a um tempo), exemplo de contestação e exemplar alternativa à noção de ficção, vulgarizada por obras contemporâneas menores».
A Sextante Editora havia já publicado, em 2013, As águas livres, o segundo volume dos Cadernos da autora.

A dimensão simbólica oscila entre um sentido lúdico e um sentido fantástico, mas também incide sobre o domínio sobrenatural das coisas e dos seres. Ultrapassar fronteiras de territórios mentais aparentemente incomunicáveis é operação que constantemente se pratica neste livro. Maria Alzira Seixo

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Lugar Caído no Crepúsculo, de João de Melo

Lugar Caído no Crepúsculo

O que nos acontece depois da morte? É esta a pergunta implícita ao longo das páginas deste romance. Um livro que impõe a vida, em protesto contra a tragédia da morte humana, recusando-se a aceitar o silêncio e a escuridão do desconhecido e do sagrado: os mistérios acreditados pela fé de muitos, mas não pela angústia dos que questionam o Além.

Com uma abordagem distinta dos conceitos tradicionais, e numa escrita marcada pelo realismo fantástico, João de Melo humaniza a imagética cristã, conferindo-lhe uma realidade mais próxima do mundo e da vida.

Uma viagem pela vida e pelo Além em que o leitor é guiado por diversos narradores: vozes comprometidas, trágicas, cómicas, que narram a excepção e a realidade do Homem no nosso mundo.

O Exército Furioso, de Fred Vargas

O-exercito-furiosoO Exército Furioso foi premiado com o International Dagger Award.
Fred Vargas é uma das mais importantes escritoras francesas atuais, sendo um nome incontornável quando se fala dos grandes escritores de policiais do momento. Depois de Um lugar Incerto e A Terceira Virgem, a Porto Editora publica o seu mais recente romance, O Exército Furioso.
Este livro, que chega às livrarias nacionais a 31 de outubro, foi distinguido em 2013 com o International Dagger Award, atribuído pela Crime Writers’ Association do Reino Unido, sendo já a quarta vez que a autora recebe este prémio. Em todo o mundo, os livros de Fred Vargas venderam mais de 10 milhões de exemplares e estão traduzidos para 35 países.

SINOPSE
Uma lenda medieval ensombra a pequena cidade de Ordebec, na região francesa da Normandia: uma horda de cavaleiros mortos, descarnados, sem braços nem pernas, o Exército Furioso, erra à noite por um trilho na floresta, espalhando o terror entre os habitantes. Segundo reza a lenda, o exército de mortos-vivos vem anunciar a morte aos pecadores e, regra geral, os eleitos são os habitantes mais odiados: os assassinos e os ladrões.

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A Filha do Papa, de Dario Fo

A Filha do Papa

Filha de um papa, três casamentos, um marido assassinado, um filho ilegítimo… tudo em apenas trinta e nove anos, em pleno Renascimento.

A vida de Lucrécia Borgia foi realmente incrível e merece, sem dúvida alguma, ser contada. Tentaram-no escritores, filósofos, historiadores, e, recentemente, foram-lhe dedicadas séries televisivas de sucesso, tanto em Itália como no estrangeiro. Agora, Dario Fo, Prémio Nobel, afastando-se das reconstituições escandalosas ou puramente históricas, revela-nos num romance magistral, o único escrito pelo autor, toda a humanidade de Lucrécia, libertando-a dos clichés de mulher dissoluta e incestuosa e inserindo-a no contexto histórico e na vida quotidiana da sua época. Assim, ante os nossos olhos desfila o fascínio das cortes renascentistas, com o papa Alexandre VI – o mais corrupto dos pontífices –, o diabólico irmão Cesare, os maridos de Lucrécia – perseguidos, mortos, humilhados – e os seus amantes, acima de todos Pietro Bembo, com o qual partilhava o amor pela arte e, em especial, pela poesia e pelo teatro. Todos peões dos impiedosos jogos de poder. Uma verdadeira academia do nepotismo e do obsceno, entre festas e orgias.

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

Amálgama, de Rubem Fonseca

AmalgamaA Sextante Editora publica o novo livro de contos de Rubem Fonseca, Amálgama. Aqui, reencontramos o estilo único do maior contista brasileiro em histórias onde residem a crueza, o erotismo, a violência, a velocidade narrativa, o clima noir. Ao longo de 32 contos e dois surpreendentes poemas, somos confrontados com personagens e situações unidas pela tristeza, pela dor, pela raiva, pelo fracasso, pela ternura e pelo amor, uma verdadeira amálgama de vidas que se constroem e se destroem num instante.
Rubem Fonseca é um dos maiores escritores lusófonos da atualidade e, nos últimos anos, considerado por muitos como o principal candidato ao primeiro Prémio Nobel da Literatura brasileiro. A Sextante Editora tem já publicados seis livros deste consagrado autor.
O LIVRO
Um assassino de anões que reflete sobre o amor; um homem que mata gatos e cães mas tem pudor em proferir palavras torpes; um rapaz que odeia gente má e usa a sua bicicleta como instrumento da justiça; vários escritores frustrados. No mais recente livro de Rubem Fonseca, os contos e alguns poemas – pungentes, intrigantes, secos como um soco – perambulam pela cidade.

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O Exército Iluminado, de David Toscana

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Ignacio Matus é um professor que, ano após ano, insiste em transmitir aos alunos a vergonha nacional que constituiu a perda do estado mexicano do Texas para os Estados Unidos da América, o que leva à sua expulsão do estabelecimento de ensino.

Ferido no seu patriotismo, decide criar um exército no qual se alistam crianças deficientes, que sai da cidade de Monterrey com a missão de atravessar o rio Bravo para recuperar o Texas e, com ele, a dignidade nacional.

Ao chefiar este louco plano militar, Ignacio Matus revela um antiamericanismo que se deve não só à perda do território mexicano, mas também à firme convicção de que um atleta norte-americano lhe arrebatou a glória nas Olimpíadas de Paris.

Romance inquietante, irónico e comovente, onde os fracassos das personagens os transformam em verdadeiros heróis, O Exército Iluminado ilustra o génio literário de David Toscana, confirmando-o como um dos mais originais escritores dos nossos dias.

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Pão e Vinho, de Paulo Moreiras

Pão & Vinho

Com crise ou sem ela, o pão e o vinho nunca faltaram na mesa dos Portugueses, fazendo parte da sua matriz identitária; nas últimas décadas, tornaram-se até produtos de culto, multiplicando-se pelo País fora as padarias que vendem pães de todo o tipo e os produtores de vinho que oferecem verdadeiros elixires a que ninguém resiste.

O presente livro aborda as origens destes dois elementos tão típicos da nossa gastronomia, mas vai muito mais longe, resgatando do património etnográfico as tradições a eles associadas.

Adivinhas, provérbios, superstições, contos e lendas, manifestações religiosas e culturais, apontamentos sobre o seu uso na culinária, bem como um sem-número de curiosidades divertidas e inesperadas, compõem uma obra irresistível sobre a história do pão e do vinho que tantas vezes se confunde, afinal, com a da nossa existência e sobrevivência.

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

O livro, o 25º romance do autor, tem como fio condutor um prédio algures em Lisboa e as vidas das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.

A Conversa de Bolzano, de Sándor Márai

A Conversa de Bolzano

A Conversa de Bolzano — mais uma das obras-primas do grande escritor húngaro — é um romance sensual e repleto de suspense sobre o sedutor mais famoso do mundo e o encontro que o irá mudar para sempre. Em 1756, Giacomo Casanova escapa de uma prisão veneziana e ressurge na pequena cidade de Bolzano. Aqui, Giacomo recebe um visitante indesejado: o envelhecido, mas ainda temível, duque de Parma, que anos antes o havia derrotado num duelo por uma dama deslumbrante chamada Francesca, tendo-lhe poupado a vida sob a condição de que não voltasse a vê-la. Agora, o duque está casado com Francesca — e intercetou uma carta de amor do seu antigo rival. Ao invés de matar Casanova de imediato, o duque faz-lhe uma oferta surpreendente, que é lógica, perversa e irresistível.

Transformando um episódio histórico numa brilhante exploração ficcional sobre a ligação entre desejo e morte, A Conversa de Bolzano é outra prova de que Sándor Márai é uma das vozes mais marcantes do século xx.

Afonso Reis Cabral – Prémio LeYa 2014

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O júri do Prémio LeYa, reunido ontem e hoje em Alfragide, deliberou por unanimidade distinguir a obra O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral.

 O livro premiado trata de um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas, podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e de humor, o desconforto de quem vive este problema.

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A Festa da Insignificância, de Milan Kundera

A Festa da Insignificância

Lançar luz sobre os problemas mais sérios e, ao mesmo tempo, não proferir uma única frase séria, estar fascinado pela realidade do mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, evitar qualquer realismo, eis A Festa da Insignificância, o novo romance de Milan Kundera, 13 anos depois do anterior, no qual o autor coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea Os que conhecem os livros de Kundera sabem que a intenção de incorporar uma parte de «não-sério» num romance não é de todo inesperada. Em A Imortalidade, Goethe e Hemingway passeiam juntos por vários capítulos, conversando e divertindo-se.

E, em A Lentidão, Vera, a esposa do autor, diz a seu marido: «Sempre me disseste que um dia querias escrever um romance em que nenhuma palavra fosse a sério… Só quero avisar-te: cuidado, os teus No entanto, em vez de prestar atenção, Kundera realiza finalmente na plenitude o seu velho sonho estético neste romance, que pode ser visto como um resumo surpreendente de toda a sua obra.

LIÇÃO DE CAVALARIA

Dom Quixote visita propriedade de Vincent van Gogh — Colagem de Vicente Freitas

Dom Quixote visita propriedade de Vincent van Gogh — Colagem de Vicente Freitas

Amigo Francisco: Lendo seu monólogo, ou melhor, seu diálogo consigo mesmo, sobre lição de cavalaria, me senti, de repente, encantado, ou seja, de início, achei mesmo que eu não passava de um cavalo, depois estive meditando, e, como cavalo não medita, acho, cheguei à conclusão que sou, no mínimo, um centauro; afinal, todos nós temos um pouco de centauro, não é mesmo?

E já que estamos comemorando os quatrocentos anos do D. Quixote. E como D. Quixote é, na verdade, um centauro, pois não existe D. Quixote sem parte de homem e parte de cavalo, assim como não existe D. Quixote sem Sancho Pança. Mas antes da personagem genial de Cervantes vamos matutar um pouco sobre os centauros…

Na mitologia grega, eram eles a personificação das forças naturais. Centauro era um animal fabuloso que habitava as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens das zonas agrestes da Grécia. Segundo a lenda, era filho de Ixíon e de Nefele, deusa das nuvens, ou então de Apolo e Hebe. A estória mitológica dos centauros está quase sempre associada a episódios de barbárie. Convidados para o casamento de Pirito, rei dos lápitas, os centauros, enlouquecidos pelo vinho, tentaram raptar a noiva, desencadeando-se ali uma terrível batalha. O episódio está retratado nos frisos do Partenon e foi um motivo freqüente nas obras de arte pagãs e renascentistas. Os centauros também teriam lutado contra Hércules que os teria expulsado do cabo Mália. Contudo, nem todos os centauros apareciam caracterizados como selvagens. Um deles, Quirão, foi instrutor e professor de Aquiles, Heráclito, Jasão e outros heróis, entre os quais Esculápio. Entretanto, enquanto grupo, foram eles notórias personificações da violência, como se vê em Sófocles. Continuar a ler

Citando Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O Leopardo

Não somos cegos, caro padre, somos apenas homens. Vivemos numa realidade movediça a que tentamos adaptar-nos tal como as algas se vergam sob os empurrões do mar. À Santa Madre Igreja foi explicitamente prometida a imortalidade; a nós, enquanto classe social, não. Para nós, um paliativo que prometa durar cem anos equivale à eternidade. Poderemos talvez preocupar-nos pelos nossos filhos, ou até pelos netinhos; mas para além do que possamos ter a esperança de acariciar com estas mãos não temos obrigações; e eu não posso preocupar-me com o que serão os meus eventuais descendentes no ano de 1960.

A Igreja, sim, tem de tratar disso, porque está destinada a não morrer. No seu desespero está implícito o conforto. E julgais que, se pudesse agora ou se puder no futuro salvar-se com o nosso sacrifício, ela não o faria? É claro que o faria, e faria bem.

O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, D. Quixote.

(diálogo entre o príncipe de Salina e o seu confessor, o padre Pirrone, na expectativa do desembarque na Sicília das tropas piemontesas lideradas pelo general Garibaldi, em 1860).

Leia mais em Acrítico, leituras dispersas.

Grande Prémio APE – Mário de Carvalho

A Liberdade de Pátio, venceu hoje o Grande Prémio APE de Conto Camilo Castelo Branco, na sua 22ª edição. É já a segunda vez que o escritor Mário de Carvalho recebe este prémio.

Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Grande Prémio do Conto destina-se a galardoar uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa.

Em A Liberdade de Pátio, Mário de Carvalho oferece-nos, na sua inconfundível escrita, um conjunto de narrativas curtas onde o insólito, a sua invulgar capacidade de observação e um apurado sentido de humor, são o fio condutor que nos prende à leitura.

Sobre este livro leia mais em Acrítico, leituras dispersas.

 

Amarrada à Tua Mão, de José Fialho Gouveia

Amarrada à Tua Mão

Sara cresceu, deixou de ser criança e arrumou a sua velha boneca dentro de uma caixa. Tornou-se jornalista, mas sente-se desanimada com a vida e a profissão, até porque lhe sobra cada vez menos tempo para dedicar à filha. Um desabafo com Vasco, o marido, leva-os a empreender uma viagem à infância e aos sonhos que acalentavam antes de se tornarem adultos. Será que ainda irão a tempo de os cumprir?
Entretanto, também a Boneca dá a conhecer o que foi a sua vida e a forma como se sente hoje, fechada numa arrecadação, sem sequer uma janela por onde ver o mundo.

Amarrada à Tua Mão é uma peça de teatro intercalada de canções compostas por Manuel Paulo, mas é, além disso, um texto profundamente actual e oportuno, fundamental para compreendermos a vertigem da sociedade contemporânea e o seu impacto nas nossas vidas.

Ver: Amor, de David Grossman

Ver Amor

Na década de 1950, em Israel, Momik, um rapazinho de nove anos, filho de judeus sobreviventes do Holocausto nazi, interpreta à sua maneira os silêncios e os fragmentos de conversas dos adultos sobre o que viveram na terra «de Lá». Convencido de que a «Besta nazi» é, literalmente, um monstro horrendo, resolve atraí-la à cave de sua casa para poder domesticá-la com a ajuda do avô Anshel Wasserman, que aparentemente ficou louco num campo de concentração.

Já adulto, e agora romancista, Momik recria literariamente a história de Bruno Schulz (1892-1942), escritor polaco morto por um soldado nazi no gueto de Drohobycz. Na variante inventada por Momik, porém, Schulz foge para Danzig e atira-se ao mar do Norte, em cujas profundezas vive uma aventura fantástica e alegórica.

Narrado a várias vozes, fundindo géneros e estilos, o romance Ver: Amor percorre de modo não linear praticamente todo o século xx, tendo como núcleo a experiência indizível do Holocausto.
Nas livrarias a 30 de Setembro

A Peregrinação do Rapaz Sem Cor, de Haruki Murakami

A Peregrinação do Rapaz Sem Cor

Nos seus dias de adolescente, Tsukuru Tazaki gostava de ir sentar-se nas estações a ver passar os comboios. Agora, com 36 anos feitos, é engenheiro de profissão e projecta estações, mas nunca perdeu o hábito de ver chegar e partir os comboios. Lá está ele na estação central de Shinjuku, ao que dizem «a mais movimentada do mundo», incapaz de despregar os olhos daquele mar selvagem e turbulento «que nenhum profeta, por mais poderoso, seria capaz de dividir em dois».
Leva uma existência pacífica, que talvez peque por ser demasiado solitária, para não dizer insípida, a condizer com a ausência de cor que caracteriza o seu nome. A entrada em cena de Sara, com o vestido verde-hortelã e os seus olhos brilhantes de curiosidade, vem mudar muita coisa na vida de Tsukuru. Acima de tudo, traz a lume uma história trágica, que a memória teima em não esquecer.
Um romance marcadamente intimista sobre a amizade, o amor e a solidão dos que ainda não encontraram o seu lugar no mundo.
Nas livrarias a 30 de Setembro

Os Luminares, de Eleanor Catton

Os Luminares

Simultaneamente um thriller e um romance histórico, este é um livro original e inovador: original pelos temas que traz – um mistério por resolver em 1866 na cidade de Hokitika, Nova Zelândia, que reagrupa o destino de doze personagens – e inovador pela estrutura reinventada dos romances vitorianos.

A corrida ao ouro, o tráfico de ópio, a prostituição e a expiação do passado de cada uma das personagens, além de um grandioso mistério por resolver, relevam a singularidade desta obra, iluminada por referências astrológicas, chaves simbólicas orientadoras do destino das personagens. Surpreendente e viciante, trata-se de ficção ao mais alto nível literário. Este romance de Eleanor Catton é incontornável, tendo sido reconhecido com o Man Booker Prize 2013.

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O Organista, de Lídia Jorge

O Organista

Antes do princípio, ao vazio chegou um órgão. Com esse órgão, o vazio encheu-se de música, e o Criador, atraído pelo som, resolveu tocar ele mesmo o extraordinário instrumento. Então a música passou a ser invenção e revelação, e a cada sopro do órgão apareceram o cosmos, o tempo, os primeiros seres vivos e, por fim, o homem e a mulher, tal como os conhecemos, criados pelo Organista.

Esta é uma prodigiosa fábula sobre a criação do Universo e a relação dos homens com Deus, pela mão de uma escritora que dispensa apresentações.

Um livro em edição bilingue, português e inglês, que será publicado poucos dias antes de mais uma edição do Escritaria, em Penafiel, que este ano homenageia a autora de O Dia dos Prodígios.

Nas livrarias a 30 de Setembro

O que nos separa…

Pat_Leya

Desculpa, é a primeira palavra desta novela, atitude de quem timidamente inicia uma conversa que sabe intrusiva, de quem receia incomodar. Não espera respostas, nem pretende ser entendido, a barreira da língua assegura-lhe essa reserva de intimidade. Um ser escutado sem ser ouvido. Pouco mais lhe pede, adormecido em expectativas ausentes que não afectam ninguém. Só ali, em Macau, com um copo de whisky na mão isso é possível, ali ou em outro local qualquer onde fosse mais um homem com um copo de whisky na mão.

Este é o mais recente livro de Patrícia Reis, cujo lançamento é daqui a bocado.

Leia mais em Acrítico, leituras dispersas.

 

Stoner, de John Willimans

Stoner

O Stoner do título é o protagonista deste romance – um obscuro professor de literatura, que até ao dia da sua morte dá aulas numa obscura universidade do interior americano. A sua vida, brevemente descrita nos dois primeiros parágrafos, oferece um triste obituário. O que se segue, numa prosa precisa, despojada, quase cruel, é a sucessão dos falhanços de uma personagem que perde quase tudo menos a entrega à literatura. O romance foi publicado em 1965, e caiu no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams.

Passados quase 50 anos, porém, o mesmo cego amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora francesa, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia – e não as novidades publicadas nesse ano. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”.

Amor Entre Guerras, de Sofia Ferros

Amor Entre Guerras

Quando a Alemanha declara guerra a Portugal em 1916, Miguel Vieira, um jovem médico do Porto, voluntaria-se para integrar o Corpo Expedicionário Português e parte para a frente de combate, na Flandres. Encontra-se nas trincheiras aquando do ataque devastador dos alemães às tropas portuguesas, naquela que ficará conhecida como a Batalha de La Lys. Como responsável pelo Posto de Socorro Avançado, é chamado a tomar decisões dramáticas, uma das quais envolve o seu melhor amigo. Será, de resto, por causa dele que, num castelo transformado em hospital de guerra, conhece e se apaixona por Alexandrine Roussel, uma francesa de espírito indomável que tem a ambição de se tornar médica e trava uma luta sem tréguas pela emancipação das mulheres e pela liberdade.

Amor Entre Guerras, que se baseia na história dos bisavós maternos da autora, é um romance fascinante sobre uma família entre 1916 e as vésperas da Segunda Guerra Mundial, oferecendo-se ainda como relato das convulsões que o mundo atravessou na época e como testemunho da vida quotidiana em Moçambique.

Mustang Branco, de Filipa Martins

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Uma mulher cresce protegida pela austeridade do pai – um Coronel – que, para além do bem-estar da família, tem como paixão um Ford Mustang branco titânio a rolar nas estradas da cidade da Beira, em Moçambique. Alheada da guerra civil que domina a ex-colónia portuguesa, apaixona-se pela pele curtida de um guerrilheiro. Vinte anos mais tarde, no seu apartamento, numas minúsculas águas-furtadas em Saint-Germain-des-Près, ela continua marcada pelas lembranças que tem deste catanador de chissamba – Caju, de seu nome, tal como o fruto.

Quando um conjunto de acasos a leva ao septuagésimo nono andar da Torre Montparnasse, reencontra o seu velho amor no ambiente cosmopolita de Paris, apertado pelos fatos cintados da alta-costura e de braço dado com o dinheiro.

De imediato, é enredada numa teia de negociatas de contornos densos, misteriosos e devassos que a conduzem à prisão – e ao passado.

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A prisão do Gungunhana pelo “valente Mousinho” – no DN

O DIA EM QUE O DN CONTOU: O ‘leão de Gaza’, senhor do segundo maior império de África no século XIX, seria capturado a 28 de dezembro de 1895, pelo jovem major de cavalaria Mouzinho de Albuquerque. A notícia chegaria a Lisboa sete dias depois. O folhetim haveria de marcar presença nas páginas do DN entre 4 e 10 de janeiro. E regressar de 13 a 16 de março para relatar a chegada da “pretalhada” que, metida numa jaula, atravessaria a cidade e pararia no Jardim Botânico… para exibição.
Um artigo de Artur Cassiano.

No dia em que Gungunhana desembarca na Praça do Comércio, não é só o régulo Moçambicano que se encontra perdido, também Mouzinho lhe seguirá os passos, acabando “desterrado” de Moçambique, enviado para a corte como percetor do príncipe herdeiro. Um confronto de personalidades onde o lado selvagem e cru habita as circunstâncias de cada um. Este é um dos eixos narrativos do romance que Ana Cristina Silva dedicou a este episódio da história da presença portuguesa em África.

Um livro que o Acrítico – leituras dispersas – recomenda.

COMO SE FOSSE A ÚLTIMA VEZ, António Lopes

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«Quando o desejo de viver é imenso, uma vida não é suficiente»

A vida de C. parecia perfeita: era uma mulher bonita e inteligente, tinha um casamento realizado, um emprego estável, uma vida tranquila. Um dia, inesperadamente, o seu corpo é encontrado sem vida. Estamos perante um suicídio? Foi a jovem e bela mulher assassinada?

Enquanto o marido, homem egocêntrico e ambicioso, e a melhor amiga, racional e objectiva, procuram entender as razões da morte, o aparecimento em cena de um amante solitário e de um enigmático amigo poeta complicam uma explicação.

A par destas quatro vozes que relatam a secreta, enigmática ou frustrada relação que mantinham com a vítima, numa tentativa de compreender o mistério em volta desta morte, também a polícia vai fazendo o seu trabalho. Que segredos escondem estas quatro pessoas?

Obra de intenso mistério, Como se fosse a última vez é uma viagem às profundezas das emoções humanas e uma inteligente procura do sentido da vida. Sobretudo, quando o desejo de a viver é incontrolável…

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O Que Nos Separa dos Outros Por Causa de Um Copo de Whisky

O Que Nos Separa Dos Outros Por Causa de Um Copo de Whisky

Um homem está sozinho num bar, em Macau. Longe da pátria, mas afogado no whisky e nas memórias – pequenos momentos, frases, acontecimentos que vão derretendo como o gelo no fundo do copo. A sua interlocutora imaginária é a mulher estranha que está do outro lado do balcão. Uma mulher que lhe parece ser uma potencial salvação, mas que se torna apenas o eco do seu monólogo interior. Ela não sabe quem ele é e tão-pouco falam o mesmo idioma. Raramente o encara. Ele continua a contar-lhe a sua história de vida. Por pedaços. De forma não-linear. Ao mesmo tempo, inventa-lhe diversos cenários. Será ela alguém que, como o personagem principal, é um acumular de histórias ou de banalidades?

Esta novela, vencedora do Prémio Nacional de Literatura Lions Portugal 2013-2014, é uma nova forma de trabalhar o discurso interno, as memórias, sempre com a indicação de uma certa polifonia, já habitual nos livros de Patrícia Reis.

O Anjo Negro, de Antonio Tabucchi

O Anjo Negro

Um admirável conjunto de seis contos, que de algum modo retractam o lado negro da alma humana: a cobardia, a traição, a prepotência, a vaidade.

Um dos contos, «Noite, mar ou distância» passa-se em Lisboa, em 1969, e remete, sem o dizer, para um célebre poema de Alexandre O’Neill «Sigamos o Cherne» e para uma Lisboa sombria nos anos finais da ditadura.

Na sua nota introdutória, Antonio Tabucchi define assim os anjos que lhe inspiraram estes contos: «Os anjos são seres difíceis, principalmente os da espécie de que se fala neste livro. Não têm penas macias, têm um pelame ralo, que pica.»

Nas livrarias a 16 de Setembro

A Última Dama do Estado Novo, de Orlando Raimundo

A Última Dama do Estado Novo

Orlando Raimundo – o jornalista que trouxe ao conhecimento público o famoso documento encontrado nos Arquivos de Salazar (de início atribuído a Franco Nogueira mas que veio a saber-se ser de André Gonçalves Pereira), propondo abdicar das colónias menos importantes para resistir em Angola e Moçambique – vem, neste ensaio biográfico, penetrar nos bastidores da história de Marcello Caetano para nos revelar as suas origens modestas, a ajuda dos amigos na sua formação, o núcleo de pressão que o levou ao poder, o drama vivido com a doença da mulher, a forma como a filha, Ana Maria Caetano, foi condenada a assumir o papel de primeira-dama – desistindo de um casamento com um advogado de grande prestígio – e, por fim, as determinações frias e racionais sobre a questão colonial que acabaram por levar à queda do regime em 1974 e ao seu exílio no Brasil.

Publicado originalmente em 2003, este livro foi revisto e aumentado, partilhando agora com os leitores novas e surpreendentes revelações que ajudam a entender ainda melhor o que foi, afinal, o marcelismo e o papel que desempenhou o império no imaginário e na política do século xx português.

Se Não Agora, Quando?, de Primo Levi

Se Não Agora, Quando

Este célebre romance de Primo Levi oferece-nos um novo quadro do judaísmo da Europa Oriental, centrado não já sobre a realidade das pequenas cidades-gueto da Galícia ou da Rússia, mas sobre a epopeia em parte ignorada dos seus grupos de resistentes que, durante a Segunda Guerra Mundial, travaram por vezes combates de vanguarda e lutaram frequentemente em duas frentes pela conquista de uma pátria, de uma dignidade e de uma identidade que até então lhes haviam sido negadas.

Através das aventuras de um desses grupos, pode assim vislumbrar-se o destino de todos aqueles que, sendo simultaneamente polacos ou russos e judeus, encontraram na Resistência uma dramática oportunidade para a si próprios se resgatarem, afirmando-se como gente livre. «Tínhamos encontrado, na neve e na lama, uma nova liberdade, desconhecida dos pais e dos avós, um contacto até então inexperimentado com amigos e inimigos, com a natureza e a ação.» E se os não tivessem então assumido, quando teriam voltado a ter possibilidade de agir como protagonistas?

Nas livrarias a 9 de Setembro

Uma Noite de Inverno, de Simon Sebag Montefiore

Uma Noite de Inverno

Moscovo, 1945. Enquanto Estaline celebra a vitória sobre Hitler, ouvem-se tiros ao longe. Numa ponte da cidade são encontrados os corpos sem vida de um casal de adolescentes. É uma tragédia de contornos invulgares. Rosa e Nikolai eram filhos de dois líderes do Kremlin, estudavam numa escola de elite, eram modelos de virtude.

Estamos perante um crime? Um pacto suicida? Ou uma conspiração?
A investigação, conduzida pelo próprio Estaline, estende-se ao círculo restrito das famílias mais poderosas do império. Várias crianças são feitas prisioneiras e obrigadas a testemunhar contra os pais e amigos. A pouco e pouco, são revelados os amores ilícitos e os segredos da alta sociedade de Moscovo, cruelmente exposta no seu esplendor e decadência.

Protagonizado por algumas das mais marcantes figuras históricas do século xx, Uma Noite de Inverno é uma viagem única aos meandros da vida privada da elite soviética na década de 1940.
Nas livrarias a 9 de Setembro

As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, de António Tavares

As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia

Olhar para trás, para os anos mais importantes das nossas vidas – aqueles que nos tornaram o que hoje somos – nem sempre se revela tarefa fácil; mas o narrador deste romance terno e deslumbrante tem, desde pequeno, um companheiro inseparável que, até certo ponto, facilita as coisas: um caderno de papel pardo com linhas, comprado, ainda nos anos 1960, em Moçâmedes, no qual foi registando – com palavras, desenhos, fios de cabelo, pétalas, sangue, sémen – os episódios que marcaram decisivamente a sua história.

Com uma simplicidade invejável e, ao mesmo tempo, parecendo ter uma biblioteca dentro, As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, finalista do Prémio LeYa em 2013, é um romance de formação tão enternecedor como Cinema Paraíso, só que com livros em vez de filmes.

Os Interessantes, de Meg Wolitzer

Os Interessantes

Numa noite de verão de 1974, seis adolescentes encontram-se num campo de férias e planeiam uma amizade para toda a vida. Jules, Cathy, Jonah, Goodman, Ethan e Ash ensaiam a atitude cool que (esperam) os defina como adultos. Fumam erva, bebem vodka, partilham os seus sonhos. E, juram, serão sempre Os Interessantes.

Décadas mais tarde, a amizade mantém-se embora tudo o resto tenha mudado. Jules, que planeava ser atriz, resignou-se a ser terapeuta. Cathy abandonou a dança. Jonah pôs de lado a guitarra para se dedicar à engenharia mecânica. Goodman desapareceu. Apenas Ethan e Ash se mantiveram fiéis aos seus planos de adolescência. Ethan criou uma série de televisão de sucesso e Ash é uma encenadora aclamada. Não são apenas famosos e bem-sucedidos, têm também dinheiro e influência suficientes para concretizar todos os seus sonhos.

Mas qual é o futuro de uma amizade tão profundamente desigual? O que acontece quando uns atingem um extraordinário patamar de sucesso e riqueza, e outros são obrigados a conformar-se com a normalidade?

Nas livrarias a 2 de Setembro

A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea

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Hilariante, mordaz, um sucesso mundial traduzido para 36 países.

Estreia de Romain Puértolas é o maior fenómeno da literatura francesa atual.

A crítica foi unânime, também o foram os milhares de leitores: A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea, romance de Romain Puértolas, foi a grande surpresa da literatura francesa atual e chega finalmente às livrarias nacionais no dia 1 de setembro, numa edição Porto Editora.

Uma «pérola de humor» (Livres Hebdo), este é «o livro mais divertido do momento e, como se isso não bastasse, uma reflexão profunda sobre o destino dos imigrantes ilegais» (Radio RTL). Trata-se de uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor efervescente, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.

Romain Puértolas estará em Lisboa nos dias 10 e 11 de setembro e disponível para entrevistas.

 

Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade

Um romance a várias vozes, cada uma narrando uma história pessoal, todas encadeadas a partir da mudança de protagonista, ou de uma morte ou de outra perda qualquer. Cada nova voz surge quando a outra se cala para sempre. A vida que deixamos por viver carrega uma dor que se transmite. As vozes dão-lhe expressão, corpo e alimentam a narrativa deste romance numa estrutura invulgar tecida com inegável sensibilidade.

A história de uma família ao longo de um século; podia resumir-se este romance desta forma, porque tudo o mais não fará justiça a esta obra ou à escrita de Gabriela Ruivo Trindade. Um livro que convida a demorar-nos numa frase, a reler toda uma extensa passagem, descobri-la como um refrão cantado numa voz que não nos cansamos de escutar. Encontramos aqui a magia das histórias de encantar, da oralidade vertida numa escrita cuidada e trabalhada com enlevo e o relato lúcido de toda a solidão com que conseguimos preencher a nossa vida.

…entregar-me nos braços da morte como quem enrola um velho cobertor de que já conhece o cheiro.

leia a recensão completa no Acrítico – leituras dispersas.

Máscaras de Salazar, de Fernando Dacosta

Fernando Dacosta, acreditado como correspondente da imprensa internacional, transforma-se, por via da dona Maria, em assíduo de S. Bento, e consequentemente num quase confidente de Salazar. O autor não se assume como um homem da situação. Não fui eu quem escolheu a época do Salazarismo para existir, desabafa.

Salazar está aqui neste livro por inteiro, mais em lenda do que em relato histórico, e através do testemunho de Fernando Dacosta entramos na intimidade possível, nas suas máscaras e nas máscaras do próprio autor.

Leia mais em Acrítico – leituras dispersas.

Campo Santo, de W. G. Sebald

Campo-SantoPublicado logo após o acidente que vitimou Sebald, em 2001, este volume reúne textos sobre uma estada na Córsega. Aí, uma vez instalado num pequeno hotel, à semelhança do «método» utilizado noutras obras para aceder aos caminhos da memória – coletiva e individual –, dá longos passeios solitários pela ilha. Estas são, portanto, as notas de um viajante do tempo, na sua contínua busca pelo sentido profundo da História.

Ao conjunto de textos sobre a Córsega, segue-se uma série de pequenos ensaios literários sobre Nabokov, Kafka e Chatwin, entre outros.

W.G. Sebald nasceu em 1944 em Wertach, na Alemanha. Viveu desde 1970 em Norwich, no Reino Unido, onde foi docente de Literatura Alemã. Prosador e ensaísta, é autor de livros que marcaram a literatura contemporânea, como Os Anéis de Saturno, Austerlitz, Os Emigrantes ou História Natural da Destruição, entre outros, tendo sido galardoado com os prémios literários Mörike, Heinrich-Böll, Heinrich-Heine e Joseph Breitbach.

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II ARRUADA – Culsete

AssombrasdeD.JoãoII_conviteÉ já na próxima 5.ª feira, 10 de julho, às 18:30, que será lançado na Culsete o livro AS SOMBRAS DE D. JOÃO II, da autoria de Jorge Sousa Correia.

A obra será apresentada por Sandra Araújo e Elsa Santos.

Esta apresentação está incluída no programa da II Arruada de livros Culsete. Venha descobrir um pouco mais da vida deste rei tão ligado a Setúbal.

Esperamos por si.

A Ilha dos Espíritos, de Camilla Läckberg

A Ilha dos EspíritosErica e Patrik sobreviveram ao trágico final de A Sombra da Sereia, mas não saíram incólumes desses terríveis eventos. Ainda a recuperar, Patrik regressa à esquadra depois de uma baixa prolongada. Mal se sentou na secretária viu-se envolvido numa nova investigação. Mats Sverin, um antigo colega de liceu de Erica, foi encontrado morto em casa com uma bala na cabeça. Mas ninguém tem nada a dizer dele.

Por onde passou deixou boas recordações e todos parecem concordar que era um jovem simpático, apesar de nada deixar transparecer da sua vida E é este o grande desafio de Patrik: chegar à verdade por detrás das aparências. Mais uma vez vai contar com a inesperada ajuda de Erica para descobrir o horror que esconde a sinistra ilha de Gråskär, a ilha dos espíritos, onde se refugiou uma antiga namorada de Mats com o filho…

Contos Maravilhosos, de Hermann Hesse

Contos MaravilhososPoucos leitores parecem estar cientes de que Hermann Hesse, o autor de romances épi­cos como O Lobo das Estepes ou Siddharta, escreveu igualmente magníficos textos de prosa poética. Esta colectânea reúne os contos mais emblemáticos da obra do autor, onde se inclui Os Dois Irmãos (Die beiden Brüder), o seu pri­meiro trabalho em prosa, escrito quando Hesse tinha apenas dez anos.

São pequenas histórias, em linguagem sim­ples mas plenas de simbolismo e referências filosóficas, que remetem para um mundo além da efabulação. A experiência como elemento unificador do homem e do universo, a busca de harmonia e unidade do indivíduo no seu confronto com o mundo são temas que per­passam estes contos onde habitam a fantasia e a visão mágica dos seres e da Natureza.

Citando Gabriela Ruivo Trindade

Uma Outra Voz

Um completo estranho, o meu corpo. Às vezes parece-me que tenta falar comigo, mas não entendo patavina do que diz. Chego a acreditar que me roubaram o antigo corpo ou o deitei fora. Talvez o tenha despido, como quem arranca o pijama de manhã, e me tenha enfiado noutro. Usado, ainda por cima. Gasto, velho e com defeito.

O ventre é o meu pólo sul. Para lá não existe nada. Ou talvez devesse dizer: o ventre é uma espécie de fim do mundo. Uma falha geológica gigantesca que separasse uma península do continente e a lançasse, errante, no coração do oceano. Eu sou o que sobra desse continente desmembrado; o resto partiu, levado na corrente marítima, não sei para onde.

O resto. As pernas, os pés e o baixo-ventre; tudo o que fica abaixo do umbigo. Aliás, se não visse todos os dias as minhas pernas, pensaria que mas tinham amputado. Se não visse o tubo da algália, a sua extremidade a desembocar naquele saco em que se vai acumulando o líquido amarelo que (dizem) é a minha urina; se a enfermeira não viesse todos os dias baixar-me as calças em movimentos lentos e pacientes, abrir-me a fralda, retirar cuidadosamente o tubo de borracha em volta do pénis, depois virar-me de lado com a ajuda de dois auxiliares e lavar-me o rabo como se fosse um bebé, juraria que não tenho sexo, nem cu; que nem sequer cago, pois nem sinto a merda agarrada às nádegas, aos pêlos; eu deitado em cima da minha própria merda, um bebé de vinte e quatro anos. Queria ao menos vomitar o nojo. Mas nem isso. Arrancaram-me as tripas, os pulmões, o coração. Talvez só me reste o cérebro.

Uma Outra Voz, Gabriela Ruivo Trindade, prémio Leya 2013.

Gostas do que Vês?

Gostas do que Vês

Natália e Cecília não se conhecem. São duas mulheres jovens muito diferentes, uma introvertida e amargurada, a outra confiante e determinada. Mas têm a irmaná-las o excesso de peso – e, apesar de cada uma lidar com ele à sua maneira, fugindo do espelho ou assumindo o corpo, a verdade é que nem sempre é fácil viver numa sociedade com os cânones de beleza instituídos e na qual se convive diariamente com o preconceito.

Natália está convencida de que não merece ser feliz; Cecília, pelo contrário, numa atitude desafiante, defende a beleza das suas curvas e o seu direito à felicidade, independentemente da diferença e da discriminação social.

Num mundo em que se mascara a felicidade com plásticas e dietas loucas, Rute Coelho construiu uma história realista e surpreendente sobre a forma como podemos e devemos assumir o nosso corpo, aprendendo a gostar dele através das mudanças necessárias.

Amanhã nas livrarias.