Faço questão de ir ver um destes dias mal chegue a Lisboa a exposição no Páteo da Galé sobre a vida e a obra do dr. Álvaro Cunhal…
Citando William Shakespeare
“Nos teus mais doces lábios ficam os meus livres do pecado”
William Shakespeare
Seis retratos
Lauren Bacall
Núa
Um olhar
Edmondo Senatore
Tore Serra
O Cidadão Lúcido em Vez do Consumidor Irracional | José Saramago
Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.
José Saramago
1994 – Cadernos de Lanzarote
Blondie “Mother” …
KIERKGAARD E MARX NASCERAM EM 5 DE MAIO
Dezenas de pessoas famosas nasceram neste dia. Vamos falar de duas – Soren Kierkgaard e Karl Marx.
O filósofo e teólogo dinamarquês Soren Kierkgaard nasceu em Copenhaga no ano de 1813 – passa hoje o seu segundo centenário. Morreu na mesma cidade em 1855. Karl Marx, filósofo e pensador político alemão, nasceu em Treveris no ano de 1818 e morreu em Londres em 1883.
Kierkgaard foi um acérrimo crítico do hegelianismo. <privilegiou nos seus estudos a área do comportamento humano, das
emoções, dos sentimentos, da ética cristã confrontada com a realidade social. Uma filosofia que, inspirada em Sócrates, e, pese embora a sua vertente teológica, viria a ter uma forte incidência em movimentos do século XX, tais como o Existencialismo e o Pós-Modernismo. Cruzando as fronteiras da filosofia, teologia, psicologia e literatura, tornou-se uma figura de grande influência para o pensamento contemporâneo. Entre a sua obra destacamos Três discursos edificantes…
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Metin Otu
Fernando Rosas no Muito cá de casa

O professor Fernando Rosas apresentou o seu último livro “Salazar e o Poder – A arte de saber durar”, na Casa da Cultura de Setúbal.
Segundo o autor, o livro divide-se em três partes: o que pensava Salazar sobre a política (caindo o mito que Salazar vivia acima das questões políticas), como chegou ao poder e finalmente como conseguiu manter-se no poder durante tantos anos.
O paralelismo com a situação actual era inevitável. Fernando Rosas citou o “Eu não fui eleito para coisíssima nenhuma” de Vítor Gaspar para ilustrar o primeiro degrau de entendimento da política por parte do Estado Novo. Para Salazar o primeiro nível político era o da governança que era técnico e devia ser confiado aos técnicos, dispensando-se a participação dos cidadãos (que não tinham de ser ouvidos) ou dos seus representantes (o parlamento não se devia preocupar com este tipo de assuntos).
Também Vítor Gaspar se considera um “técnico em exercício” fazendo o que é preciso para o bem da nação, mesmo que esta nação não o entenda e, até mesmo, rejeite em uníssono essas políticas – esquecendo-se que, em democracia, o governo é uma emanação da vontade popular expressa nas urnas.
Foi uma lição de história, estruturada, bem fundamentada e com sentido de humor que assistimos ontem na Casa da Cultura de Setúbal.
Torre de Belém
Jodie Foster
A geopolítica | Jorge Nascimento Rodrigues
“Em momentos de bloqueio, só uma decisão geopolítica nos safa…” Claro, a geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo. Até para a entrada na Europa da então CEE… Em 1985, não percebemos (o então embaixador em Bonna, Ernâni Lopes, percebeu-o, porém, muito bem, tal como Mário Soares) que só pela porta da geopolítica nos deixaram entrar nessa Europa. Meia-dúzia de anos depois (pós-queda do muro e implosão da URSS) já não nos teriam deixado entrar… Nós temos uma das mais interessantes e importantes situações geopolíticas da Europa e do Atlântico, não temos, porém, tido nas últimas décadas a inteligência e o conhecimento (nem sequer a dimensão simbólica…) para a saber potenciar e usar as suas imensas ‘vantagens comparativas’. A geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo… E terá de voltar a sê-lo.
Jorge Nascimento Rodrigues
Em Memória e Louvor de Álvaro Cunhal por interposto Shakespeare
Uma Tragédia Intemporal
Rei Lear é, provavelmente, a mais paradigmática obra de Shakespeare. Muito mais que um drama, é uma tragédia. Lear, senhor de enorme sageza e exímio na arte de governar, que tinha ganho com saber e experiência, acaba vítima das suas paixões, da egomania. Cego pela vaidade pessoal decide a sua sucessão o que desencadeia uma tragédia de complexa magnitude em que chocam violentamente o amor, a amizade, a frontalidade, a coragem, a generosidade, a gratidão, o perdão, a hipocrisia, o egoísmo, a traição, a perfídia, a ambição. Uma densa rede de inter-relacionamentos, sociais e psicológicos, magnificamente descrita pelo génio de Shakespeare com profundo sentido crítico da época, fazendo brilhar o que é melhor e o que vale a pena no comportamento humano. Ver no palco ou na versão cinematográfica de Kurosawa, Ran, é experiência excepcional. Mas ler esta “tradução” portuguesa do Rei Lear é usufruir o…
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Fabuloso invento
Castle Vischering, Germany
Jornal Sénior | Mário Zambujal
Fly me to the moon | Julie London
Maria Svarbova
Marianne Faithfull – “Working Class Hero”
MINIBLOGOTEATRO – COMEÇAMOS NO PRÓXIMO SÁBADO ÀS 18 HORAS
Following pilot, Hachette will make all of its ebooks available to libraries nationwide
A year after it launched a pilot program making new ebooks available to some libraries, Big 6 publisher Hachette announced Wednesday that it will make its entire catalog of over 5,000 ebooks available to libraries nationwide as of May 8.
New ebooks will be available to libraries at the same time as the print edition. For new ebooks, Hachette is charging libraries three times the price of the “primary” print book. One year after publication, the price of an ebook will drop to 1.5 times the price of the print book. Hachette defines “primary” book price as “the highest-price edition then in print. The ebooks can be checked out an unlimited number of times (with each ebook only available to one patron at a time), and the library does not have to buy a new copy after a year. The publisher says it will review its pricing policy annually.
Hachette…
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1º de Maio, Festa do Trabalho
1er mai, Fête du Travail
Les dieux avaient condamné Sisyphe à rouler sans cesse un rocher jusqu’au sommet d’une montagne d’où la pierre retombait par son propre poids. Ils avaient pensé avec quelque raison qu’il n’est pas de punition plus terrible que le travail inutile et sans espoir.
Albert Camus, Le Mythe de Sisyphe
En image – Sisyphe roulant éternellement son rocher, Abel de Pujol, 1819
Miséria | Citando Mia Couto
ENTREVISTA COM VASCO LOURENÇO – conduzida por Henrique Prior e Paulo F. Silva
Esta entrevista é transcrita, com a devida vénia, do site INCOMUNIDADE. Agradecemos a Henrique Prior, a Paulo Silva, ao INCOMUNIDADE e ao Coronel Vasco Lourenço. A foto é da autoria de Armando Isaac.
Estamos num tempo em que recordar e comemorar o 25 de Abril não chega. Aquele mesmo povo que agora canta o “Grândola, Vila Morena” como grito de revolta contra o sofrimento a que o poder actual o condena precisa como nunca que sejam lembrados os valores de Abril e que, para lá da simples revolta, sejam apontados os caminhos para alcançar os grandes desígnios do Movimento dos Capitães, que resgatou a Pátria para a Liberdade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Cumprindo o que sente ser o seu dever, a INCOMUNIDADE não poderia encontrar melhor para pensar o tempo presente e apontar os caminhos do futuro do que entrevistar Vasco Lourenço, que foi não só um dos heróis de…
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Haunted in the Best Way: A STRANGER IN OLONDRIA
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ORGIAS | Célia Moura
Cubram-me com organza,
um pouco de seda preta nos seios já desnudados
e muitas rendas a condizer,
por favor,
de preferência pretas!
Não me digam vozes
que desconheço
nem pérolas ou diamantes
que jamais sentirei.
Eis-me aqui,
finalmente nua,
finalmente serva
perante o céu,
perante o inferno,
ou pior,
perante vós somente
e coisa nenhuma!
Cubram-me com a gentileza de mimos,
por obséquio!
Sim!
Quero rendas pretas, sedas finas, carícias que me faltaram,
já que não poderei ter os diamantes!
Quero o meu fado!
Somente o meu alegre e triste fado!
O meu fado tão mal cantado!
Aquele que o povo cantarolava quando saia do trabalho, ou enquanto laborava,
em qualquer lado!
Aquele que eu sempre cantei e me fez muito feliz enquanto tive a coragem de ser eu e de ser povo, e que me fez sentir Eu no meio da minha cidade e do meu mundo…
Quero-o soletrado em jeito de poesia no baixar do meu caixão
o meu fado, a minha poesia.
Apenas isto!
Mas, tenham a gentileza
de me cobrir toda a nudez
nesta derradeira orgia manifesta
Tão exposta!
Que terá sido feito de mim?
Sabereis vós?
Vós que hoje me acompanhais, ter-me-eis conhecido algum dia?
Soubestes porventura da minha agonia um só instante?
Desculpai-me o mau aspecto, a palidez do rosto,
a falta de maquilhagem,
esta falta de cuidado…
Não me digam mais
desafios ou maré alta,
nem tão pouco,
término!
A propósito,
quem disse que eu queria coroas de flores?
São uma fortuna,
e sinceramente para mim
são uma ofensa!
Será que nada mais vos mereço
que uma bela, ornamentada e encomendada coroa de flores?
Que tal um punhado de sementes lançadas à terra do meu chão
para depois poderem florir ao vento, e às primeiras chuvas de Outono?
Que tal uma roseira?
Ai, que excentricidade – dirão vós!
Será que nem depois de morta deixará de ter caprichos?
Não é nada disso, meus queridos ,
só porque belas flores
de encomenda – tanto que sempre as desejei –
tive sede, tive fome tantas vezes!
Mordia-lhes a cor de as querer!
No auge da minha miséria, olhava-as e sorria-lhes nas montras das floristas, ansiando que alguém me oferecesse nem que fosse um botão de rosa num dia especial – mas ninguém o fazia.
Porque tendes que me dar agora, belas rosas,
as mais rubras rosas,
as mais puras rosas?!
Porquê,
Para que as quero eu
quando tão prostrada estou
neste profundo exílio de mim?
Vós, afinal não sois como os hipócritas, certo!
Vivi a vida inteira amando-vos sem flores,
agora, deixai-me ir embora, sem elas também.
Inundai-me de luar.
Quero o meu longo vestido de noiva negro,
ao qual tantos sorriram,
sobre mim.
Embrulhai-me nele, entre papoilas, hinos, fotografias velhas
e vento norte…
Cubram-me com a fúria dos amantes traídos
e todas as flores silvestres.
Cubram-me com a poesia,
quero os mais belos poemas
Os eleitos!
Colocai-os como um terço sagrado entre as minhas mãos!
Que capricho o meu,
o de uma morta!
Não vos pedirei mais nada, prometo!
Não acreditais, é verdade!
Juro!
Juro por tudo o que existe de mais sagrado!
Exijo-vos a Palavra de meu Aba Pai.
Porque agora até posso jurar pelo Divino e pelo sagrado já que efectivamente estou morta, porque em princípio não irei morrer outra vez, certo! E, também não tenho que estar com medo que alguma coisa me caia em cima, porque na realidade, por aquilo que ainda estou a sentir agora já morta é observar-vos muito chorosos sem poder falar ou me expressar de forma alguma. Será que é isto a tão famigerada morte, ou eu estou apenas eufórica com esta nova situação na minha vida e me esteja a dar para isto, para o sentido de humor, coisa que no meu caso, penso que nunca foi o meu atributo principal, nem sequer gostava de grandes piadas, no entanto, agora neste momento aqui onde me colocaram tão bem arranjadinha dentro disto a que sempre se chama de caixão, digamos que ao ver o espectáculo de outro prisma, estou a achar uma certa graça.
A observação de vós.
A sala onde decorre o meu velório não é muito espaçosa, talvez daí se explique a tremente necessidade da entrada e saída de pessoas. Somente algumas permanecem. São os familiares mais próximos, entre eles estão os meus pais. E, perante meu corpo já sem vida, continuam sem se falar, num ódio que permanece há mais de vinte anos, e, que só a morte de um deles conseguirá apagar. Como não tive mais irmãos, somos só nós ali, os três como há mais de vinte anos isso não acontecia, nós somente, separados pelas circunstâncias da vida que torna os homens incompreensíveis e impotentes uns para com os outros por muito que se amem – como foi o caso. Mas, por mais bizarro e triste que seja, eu, ali, no meu caixão, com a beleza que a violência da morte não tinha conseguido apagar totalmente, consegui a minha grande façanha, o meu sonho de adolescente, voltar a ver os meus pais juntos, unidos, ao lado um do outro, no mesmo banco, ainda que fosse de uma simples capela mortuária que acolhia a semente única do grande amor que haviam vivido e jurado na juventude, e que havia feito a alegria de um casamento – ver nascer, crescer um filho para depois o ver morrer – não deveria haver dor pior no coração humano.
Quis abraçá-los, dizer-lhes uma vida inteira de palavras que nunca consegui dizer a nenhum, por mais que os tivesse amado, embora de maneiras bem diferentes. O ódio de um para com o outro que inevitavelmente recaíra sobre mim, tornava tudo o que eu tivesse vontade de fazer ou falar, numa autêntica impossibilidade, e eu apenas sofria, e sofri até estar aqui bem aconchegadinha neste branco bordado a cetim, lindo, com flores tão bonitas por todos os lados.
Somente o meu amor por ambos foi o elo espiritual que os uniu ainda em vida e hoje finda aqui comigo, mas estou finalmente liberta e feliz.
Célia Moura – Excerto de I Cap. “Orgias” – Contos
Imagem – Annamaria Kowalsky
O amante da China do Norte, de Marguerite Duras
Ele diz:
-Vou magoar-te.
Ela diz que sabe.
Ele diz também que às vezes as mulheres gritam. Que as Chinesas gritam. Mas que só magoa uma vez na vida, e para sempre.
Neste livro existe uma palavra a partir da qual se ergue toda a história. Essa palavra é «criança», a criança. A paixão de um adulto por uma menina. A palavra criança enche este relato de inocência.
Um chinês adulto apaixona-se por uma menina. É rico e ocioso. Dedica-se às mulheres, ao jogo e a fumar ópio. “Não fazer nada é uma profissão. Muito difícil.” Um ambiente dócil e intencionalmente indolente, sem julgamentos. Era comum os chineses gostarem “das meninas pequenas”.
(in Acrítico)
Citando Eduardo Pitta (39 ANOS in ” Da Literatura”)
Relaunch (KW Institute for Contemporary Art)
> 25.08.2013
KW Institute for Contemporary Art (Berlim)
No seu primeiro projecto como curadora do KW – Instituto de Arte Contemporânea, em Berlim, Ellen Blumensteinanalisa o potencial da instituição. Durante quatro meses revela o que KW deseja ser, o que poderia ser e o que, eventualmente, será. Com Relaunch, Blumenstein testa a viabilidade destas ideias in situ: quais os interesses do público? o que o inspira e impressiona? que tipo de projectos (ainda) não podem ser concretizados, seja por razões financeiras ou por dificuldades externas, internas, políticas ou outras?
Inicialmente, o espaço de KW estará, simultaneamente, vazio e transbordante: vazio, porque não estará patente nenhuma exposição de arte, no sentido tradicional; transbordante, porque o seu potencial futuro será estabelecido e os conteúdos programáticos começam a assumir forma, mesmo que, em alguns casos seja apenas na imaginação do visitante.
O programa de actividades propaga-se, literalmente, por todo o edifício – da entrada…
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Thought for the Day
Cak Dony Chrismanto
Jovan Aditya
NASA’s close call with Saturn hurricane leads to amazing imagery
Ballet Rehearsal on the Set 1874 by Edgar Degas
Escultura | Barrocos | Beatriz Pacheco Pereira
We daydream
Contos Capitais
Neste livro, como uma página em branco, confiou-se uma cidade a cada escritor. Trinta escritores para trinta contos, para trinta capitais, um mundo de Contos Capitais.
São histórias que crescem dentro de nós, espreitando o momento em que se soltam e ganham vida própria.
Tantos e tantos outros contos a reinventar outras tantas capitais, a atrever-se na sua escrita e na forma de ilustrar essas narrativas. A experiência capital de cada escritor. Com este livro a Parsifal estreou-se como editora. Está de parabéns.
(mais in Acrítico)
Mats Schöld
Tatyana Tomsickova
Emese-durcka Laki
Maravilha!
Fabio Florio
Nicholas Javed
Selene Jawad – Una lágrima sobre mi guitarra de Alberto Abella
Gravado. Na pedra.
Nada mais verdadeiro.
Fulvio Pettinato
Isabelle Adjani photographed by Jean-Claude Deutsch, 1973.
As palavras do corpo
O lado interdito e incómodo do nosso corpo liberta-se pela palavra. Maria Teresa Horta resgata-o num banquete de partilha onde o amor assume o seu lado carnal. As palavras são esse corpo desvendado sem falsos pudores. Onde o poema se despe e se deita ao nosso lado. Poesia maior e de maioridade que resgata para todo o sempre a mulher (poeta) de qualquer laivo de menoridade; morreram as poetizas, nasceu a poesia completa, com o seu lado homem e o seu lado mulher.
(in acrítico)
Citando (do Eixo do Mal)
Tagging on Clarion Alley
Beyond: Two Souls trailer debuts at Tribeca — don’t mess with Ellen Page
Fundação Mário Soares | 5ª feira, 2 de Maio, às 18 horas
E ainda há a ginginha de Lisboa
O DESEMPREGADO COM FILHOS | Gonçalo M. Tavares
“Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.”
Gonçalo M Tavares (de “O Senhor Brecht”)
O medo está ao leme por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES in “Diário de Notícias”
O Presidente da República leu no 39.º Aniversário do 25 de Abril o mais aporético e contraditório discurso da história da III República. Denunciou a incompetência da troika, mas saudou o doloroso cumprimento do seu insensato programa pelo esforçado povo português. Apelou a uma mudança do rumo da Europa, mas concordou com a tese do Governo que condena a nação a carregar a albarda dos credores até ao fim dos tempos. O discurso de Cavaco, com as suas oscilações de 180º, é um raro exemplo do medo como política pública. O País está à deriva, pois quem toma decisões está paralisado pelo pânico, em estado quimicamente puro. A única maneira de a História ser benevolente para com Cavaco Silva, o político que deu rosto a todos os pecados e omissões da III República, é a de ela nunca ser escrita. Seria a benevolência do esquecimento, resultante do desaparecimento de Portugal como sujeito histórico, como lugar onde a aventura da vida comum se cristaliza em memória. Será essa a esperança do Presidente?
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3188363 … (FONTE)
Citando Martin Schulz
Lhasa De Sela – El Pajaro
Citando Agustina Bessa-Luis
“Eu, por exemplo, só tenho por amigos aqueles que possuem senso de humor. Não importa serem ricos, pobres, doutos ou ignorantes. Interessa o espírito fantástico, o amor da pirueta, e o espírito diligente e capaz de riso. O riso, essa bênção deixada aos homens quando os anjos selaram as portas do paraíso, é o que me liga seriamente às pessoas.”
Agustina Bessa-Luis
Canção de Mim Mesmo – Walt Whitman
1.
Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,
E aquilo que eu presumir também presumirás,
Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.
Descanso e convido a minha alma,
Deito-me e descanso tranqüilamente, observando uma haste da relva de verão.
Minha língua, todo átomo do meu sangue formado deste solo, deste ar,
Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais o mesmo e seus pais também o mesmo,
Eu agora com trinta e sete anos de idade, com saúde perfeita, dou início,
Com a esperança de não cessar até morrer.
Crenças e escolas quedam-se dormentes
Retraindo-se por hora na suficiência do que não, mas nunca esquecidas,
Eu me refugio pelo bem e pelo mal, eu permito que se fale em qualquer casualidade,
A natureza sem estorvo, com energia original.
2.
Casas e cômodos cheios de perfumes, prateleiras apinhadas de perfumes,
Eu mesmo respiro a fragrância…
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LISTEN: What Did Alexander Graham Bell Sound Like?
Ery Budi Nurhudha
Diane Keaton on Wine, Tantric Sex and Marriage
ABRIL ANO 39 – por Pedro de Pezarat Correia
Citando Carlos Matos Gomes “in facebook”
Do MFA ao FMI, a capa da Visão toca a essencia da atual situação de Portugal: de dependencia. O ponto essencial do programa do MFA (o movimentos dos militares que derrubaram a ditadura) era devolver o poder (a sobernia ao povo e retirá-lo do restrito grupo que o ocupva). O MFA considerava que o poder devia ser do povo e que detinha em si a capacidade para decidir do seu destino, tudo se passava e se resolvia dentro desta lógica. O FMI, pelo contrário considerava que os povos são meros organismos de produzirem os movimentos que fazem agitar os fluxos financeiros. Para o FMI não existe o poder nem a sobernia popular. O poder é de quem gere expetativas de lucros e impulsiona os movimentos de capitais. O MFA prtia do principio da existencia de poderes nacionais e de sociedades organizadas, o FMI segue a interpretação de Margaret Tatcher de que a sociedade não existe, mas sim o individuo (com o seu cartão de crédito, já agora e a sua estupidez para cumprir o papel de consumidor). O programa do MFA baseava-se num governo saído da vontade dos povos. O FMI funciona como um diretório apátrida que nomeia funcionários seus para conduzirem os diferentes agregados de consumidores.VIVA O 25 DE ABRIL!
New meets Old




Convent de Sant Francesc remodeled by architect David Closes is a church located in Santpedor, Spain. Built between 1721 and 1729 by Franciscan priests the church was long abandoned and its convent complex was demolished in 2000. The church renovation began in 2003 and the original building that stood in ruins was enhanced with some modern elements yet the traces of time and wear were preserved as part of the building’s history. The church was turned into an auditorium, cultural space while the upper levels of the chapels are to be turned into a historical archive.
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Charlie Joe
Gritar….

Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e
[escreviam
Demasiado baixo
Fiz retroceder os limites do grito
A acção simplifica-se
Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhe destinava um lugar perante mim
Com um grito
Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver
Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem
E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria
E esse fogo nu que me pesa
Torna a minha força suave e dura
Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo…
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Sónia Sá | poema
Cian McLoughlin
Some new paintings from New York based Irish Artist Cian McLoughlin. Cian will be exhibiting his work at the J. Cacciola Gallery in New York at the ‘Four Portrayals’ show with Shelley Adler, Edwige Fouvry and China Marks, running from May 2nd to 25th. More work from Cian McLoughlin here.
Ela foi encontrada! Quem? A eternidade. É o mar misturado Ao sol…

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...
— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.
Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.
Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Rimbaud
We find the gap

Photograph of a man walking in-between the stunning rock formations around the ancient Nabataean city of Petra, Jordan / photographed by Victoria Palmer
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Porto (re)visitado XX: junto às Virtudes
Na Rua Com Alma e Draw // Colectivo RUA
Bye bye life (finale di ‘All That Jazz’ di Bob Fosse)
Brigitte Bardot
Álvaro Cunhal no País dos Sovietes
um porto sentido
“E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa”

Foi com este pedaço de prosa do grande poeta Carlos Tê a ecoar na minha cabeça, eternizado no Porto Sentido do grande Rui Veloso, que aqui cheguei e aqui parei, quedo e calado, junto ao Douro com aquela sensação de sempre, da primeira vez. Depois de inspirar fundo o aroma da maresia, que se sentia, depois de seguir o rio deixando-me empurrar pelo movimento no regresso ao meu porto de abrigo, por estes caminhos de solidão, por este cruzeiro portuense, aqui gosto de abrandar o ritmo e apreciar o casamento perfeito do rio e das azáfamas. Aqui o tempo passa devagar, ritmado pela própria cadência do Douro que parece contrariar o burburinho da cidade. Aqui fico a assentar ideias, a libertar pensamentos, a alongar o tempo um pouco mais…
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Correspondência entre Jorge de Sena e Mécia de Sena
Companhia das Letras com 50% de desconto até 25/04
Patrick Desmet
Zoltán K. Bartha
Oulet Fayet Opera | Grande Sala de Espectáculos de Argel | Arqº João Paciência
ANDRÉ BRUN – A MALTA DAS TRINCHEIRAS, MIGALHAS DA GRANDE GUERRA, 1917-18.
No livro A Malta das Trincheiras, André Brun refere uma série de episódios sobre a sua dura experiência na I Guerra Mundial, na frente da Flandres, incorporado no C.E.P. – Corpo Expedicionário Português. Há dias, a 9 de Abril, passou mais um aniversário, o 95º, da batalha de La Lys, um terrível desastre para as forças portuguesas, que tem sido muitas vezes ocultado ou mitificado. Será oportuno transcrevermos aqui algumas das impressões que André Brun nos deixou, escritas em Biarritz, em 1918. Logo na introdução, num trecho que julgamos particularmente significativo, ele conta-nos:
…
Sobreveio o mês de Março, cujos dias cruéis não poderá olvidar a minha brigada encurralada sem justificação táctica na situação mais dolorosa de quantas até então tínhamos conhecido. Seguiram-se os primeiros dias de Abril, que fizeram sangrar dolorosamente o meu coração de soldado, e chegou esse dia nove, cuja história documentada um dia há de…
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Mahesh Balasubramanian
Isto é Arte!
(Concepção do espaço por Atelier de Arquitetura Likearchitects)
A Arte Chegou ao Colombo, exposição “Andy Warhol – Icons” Psaier and the Factory Artworks. (11 de Abril a 11 de Julho)
Cerca de 30 obras de Andy Wharol e Pietro Psaier. Provando que não é necessário criar nada de novo, a partir do zero, Wharol “apenas” usou nos seus trabalhos novas directrizes conceptuais e artísticas. Um génio.
Julie Driscoll – Season Of The Witch
Quatro fotos domingueiras
Estamos Neuróticos | José Saramago
Faz sentido que se esteja a enviar para o espaço uma sonda para explorar Plutão enquanto aqui as pessoas morrem de fome? Estamos neuróticos. Não só existe desigualdade na distribuição da riqueza como também na satisfação das necessidades básicas. Não nos orientamos por um sentido de racionalidade mínima. A Terra está rodeada de milhares de satélites, podemos ter em casa cem canais de televisão, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? É uma neurose colectiva, as pessoas já não sabem o que é que lhes é essencial para a sua felicidade.
José Saramago, in ‘Zero Hora (1997)’
Toccata and Fugue in D Minor (Best Version Ever)
Não devia conspurcar esta sugestão musical com as minhas paupérrimas palavras mas, é a desvantagem de um blogue, “isto” que nós podemos e devemos ouvir em silêncio, de olhos fechados e com auscultadores, Bach só compôs para… afinar os órgãos. Como quem não quer a coisa, só para ver se o instrumento tinha ficado afinado.
Rafael Trobat
Rafael Trobat é mais um fascinante fotógrafo da nova geração da fotografia espanhola.
O seu trabalho mais conhecido, dado à estampa no livro “Aquí, junto al agua. Nicaragua” corresponde a um projecto que, ao longo de 16 anos (1990-2006) desenvolveu no país.
O período escolhido não é, de todo, arbitrário. De facto, retrata a sociedade da Nicarágua nos anos de mudança que caracterizaram o consulado político da Presidente Violeta Chamorro, ou seja, o período que media o final da Revolução Sandinista (que, pela via armada, derrubou Anastacio Somoza em 1979 e governou o país durante uma década) e o regresso ao poder, pela via eleitoral, de Daniel Ortega, um dos comandantes sandinistas (Ortega, um dos cinco membros da Junta Sandinista, foi eleito presidente da Nicarágua em 1984. Foi derrotado, em eleição democrática, por Violeta Chamorro em 1990. Foi candidato vencido em 1996 e 2001, antes de ser novamente eleito presidente…
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Kim’s Review of Losing It (Losing It #1) by Cora Carmack
Back in December 2012 the New York Times published an article about the advent of a new genre in publishing, new adult. In simplistic terms they say new adult novels are young adult novels with sex. My own personal feelings, however, run a bit deeper. First let me say that this new genre is being marketed to 18-25 year-olds. Nobody doubts that being a teenager is hard, but so is coming into your own and becoming an adult. Those in the 18-25 age bracket are usually entering college/graduating college, thinking about sex, their future, taking care of themselves financially, mature relationships, and beginning life on their own two feet. As someone who can seriously relate to all of these thoughts, having gone through them myself fairly recently (I’m 26), I’ve been happy about the explosion of this genre. Books written with honesty and depth about the problems this age bracket…
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Nó Cego | Carlos Vale Ferraz in “Babélia” do “El Pais”
Nó Cego, Carlos Vale Ferraz (Casa das Letras, 2008). “Puta compañía… maricones, chulos, seminaristas, niños de papá, vagabundos…”, así describe el Capitán a su grupo de comandos destinado en Mozambique. La novela relata con extrema crudeza las operaciones del grupo e indaga en las vidas de sus miembros. La historia de un joven campesino alentejano que se fue a buscar la vida a Lisboa, pero que en la capital solo encontró dolor y miseria, y que acabó enrolado en el Ejército, es el ejemplo de muchas vidas de jóvenes portugueses que acabaron implicados en las guerras africanas. Carlos Vale Ferraz, cuyo nombre es Carlos Matos Gomes, fue oficial del Ejército portugués y participó en operaciones especiales en Angola, Mozambique y Guinea Bisáu.
in “Babélia” do “El Pais”















































































