Citando José Pacheco Pereira

jppPensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas. Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção: vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer.
(José Pacheco Pereira)

CHAMARAM-LHE PORTUGAL – 48 -por José Brandão

carlosloures's avatarA Viagem dos Argonautas

O país vive dias amargos. A todo o momento surgem novos confrontos com as forças policiais. D. Carlos escreve a João Franco e incita-o: «seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim… nem tu!»

«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declara o monarca.

A contrastar com esta determinação estão as dúvidas que se ouvem por todo o lado.

Até mesmo os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuram manter-se a uma certa distância de João Franco.

Os progressistas de Luciano de Castro e José de Alpoim aconselham reacção enérgica contra a Ditadura, enquanto, por seu turno, os regeneradores marcam uma posição de franca hostilidade ao Governo, com…

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And that’s the way it was: April 8, 1904 | Longacre Square is renamed Times Square after The New York Times

Ninety-nine years ago today, the city center in Midtown Manhattan, formerly known as Longacre Square, was officially redubbed “Times Square.”

In April 1904, The New York Times moved its operations to the newly constructed Times Building—then the second tallest building in the city—on 42nd Street at Longacre Square. Times publisher Adolph S. Ochs convinced Mayor George McClellan to build a subway station there and rename the area for his newspaper. (Three weeks later, as if carrying out some bit of genetic code, the first electrified ad appeared on the side of a bank at 46th Street and Broadway.)

The Times modestly published a story about the rededication the following day.

On December 31 of that year, Ochs began the tradition of celebrating New Year’s Eve at Times Square. And three years later, the famous Times Square Ball drop from the roof of the Times Building, known simply today as One Times Square, was added to the annual jamboree.

Here’s a picture of what Times Square looked like way back then:

timessquare1904

 

Vandalismo na Casa dos Bicos‏

Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição de Memorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.

Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.

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A BARRACA – ENCONTRO IMAGINÁRIO Nº 47

joaompmachado's avatarA Viagem dos Argonautas

Encontro imaginário nº 47

O Encontro Imaginário nº 47 será outro inesquecível acontecimento com a participação da sociedade civil.

António Vieira, o padre português, jesuíta, missionário, político, o maior orador da língua portuguesa, será interpretado por António Valdemar, jornalista e investigador, sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Nacional de Belas-Artes. Professor de Jornalismo, e dirigiu durante seis anos a galeria Diário de Notícias, no Chiado, em Lisboa, onde organizou dezenas de exposições de escultores, pintores e ceramistas. Entre os seus livros destacam-se: “Ser ou Não Ser Pelo Partido Único”, “Garrett, vida e Obra”, “Chiado: o Peso da Memória” e “Nemésio, sem limite de idade”. Medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores.

Maquiavel, o escritor e político do Renascimento, autor da obra-prima “O Príncipe”, a bíblia da acção política oportunista e amoral, será apresentado pelo notável jornalista Adelino Gomes,jornalista…

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Pentacórdio para Terça-feira, 9 de Abril

Rui Oliveira's avatarA Viagem dos Argonautas

por Rui Oliveira

 

 

  

   Se a Segunda foi parca, esta Terça-feira, 9 de Abril (aniversário, lembremos, de uma premonitória “chacina” europeia na batalha de La Lys – Flandres, corria o ano de 1918 duma chamada Grande Guerra) irá ser paupérrima, a ponto de o evento de destaque voltar a ser praticamente o mesmo.

 

                 Luigi_Boccherini    quarteto casals 1    Schubert (imagem grande)

   Assim, suscita curiosidade a nova actuação do Quarteto Casals no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, pois que, para lá de prosseguir a nobre tarefa de interpretar a integralidade dos Quartetos para Cordas de Schubert (aqui na sua 6ª sessão), junta-lhe a interpretação de duas obras de Boccherini.

eckart runge   Composto (como dissémos ontem) por Vera Martinez, violino, Abel Tomàs, violino, Jonathan Brown, viola e Arnau Tomàs, violoncelo, tem nesta noite a participação adicional do violoncelista Eckart Runge

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Citando Henrique Monteiro

Os Dois Garotos

Os Dois Garotos

O alargamento do Governo teria como vantagem uma relativa pacificação do país (ou menos crispação) e uma nova sensibilidade no modo como se cumprem os compromissos com a troika.

São cada vez mais as pessoas que defendem esta solução. Porém, o problema agora não é Sócrates, mas Passos e Seguro.

Passos porque acha (e é verdade) que esse alargamento corresponderia ao seu afastamento da liderança do Governo e, a prazo, do PSD; e assim diz que não desiste.

Seguro, porque entende (e também é verdade) que qualquer colaboração na solução da crise ditaria a prazo o seu afastamento da liderança do PS; e assim diz que só colabora depois de eleições (sabendo que elas não vão existir e que isso se lhe dá mais uns tempos de líder).

Ou seja, estamos reféns de estratégias pessoais que se sobrepõem a estratégias nacionais de superação da grave crise em que nos encontramos.

http://expresso.sapo.pt/como-seguro-se-tornou-o-seguro-de-passos=f798542#ixzz2PldCzfHh … (FONTE)

Citando Paulo Querido

Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.

Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.

Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.

Paulo Querido in Facebook

Pentacórdio para Domingo, 7 de Abril

Rui Oliveira's avatarA Viagem dos Argonautas

por Rui Oliveira

 

 

 

   Num Domingo, 7 de Abril calmo (e que já se não prevê chuvoso), será contudo prudente continuar a abrigar-nos em “templos da cultura” quais o CCB ou a FCG, com a particularidade de, neste dia, se ouvirem quase só artistas nacionais.

 

 

Ludovice Ensemble

   O destaque poderá ir para o concerto que neste Domingo dará, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o grupo de interpretação de Música Antiga “Ludovice Ensemble”, que aqui reúne diversos instrumentistas em torno de Miguel Jalôto (órgão e direcção), acompanhado de Hugo Oliveira (barítono).

Ludovice Ensemble 2   Criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim (na foto), com o objectivo de divulgar o repertório de câmara vocal e instrumental dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos, o nome de “Ludovice Ensemble”  homenageia o arquitecto…

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“União Europeia morreu em Chipre” | VIRIATO SOROMENHO MARQUES – DN 26-03-2013

“Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida.

A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.

Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains.

A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”

Quando fores velha | de W.B. Yeats

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

Uma antologia.

Tradução de José Agostinho Baptista.

Irene Papas

Irene Papas

Eric Clapton and Friends – Medley: Rambling On My Mind/Have You Ever Loved A Woman

http://www.youtube.com/watch?v=95dEfn0mrA4

Eric Clapton, guitar and vocals; Ray Cooper, drums and percussion; James Hooker, keyboard; Kenny Jones, drums; Andy Fairweather Low, guitar, keyboard and vocals; Fernando Saunders, bass and vocal; Chris Stainton, keyboard; Charlie Watts, drums; Steve Winwood, vocals, keyboard and mandolin; Bill Wyman, bass; Jeff Beck, guitar and vocals; Tony Hymas, keyboard; Ronnie Lane, vocals; Jimmy Page, guitar; Simon Phillips, drums.

eric-clapton

ESTÁ A AGITAÇÃO SOCIAL A DESENCADEAR-SE NA EUROPA? SE NÃO ESTÁ, PORQUE É QUE NÃO ESTÁ? De FABIUS MAXIMUS

joaompmachado's avatarA Viagem dos Argonautas

 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Fabius Maximus

 

Resumo : Já se contam cinco anos de crise na Europa e, no entanto,  as suas   ruas estão basicamente a manterem-se  calmas . O que é que explica isso? Quanto tempo é que a situação vai assim  continuar

“No centro da crise, está o grande desafio  de redefinir o contrato social para salvaguardar  a  sustentabilidade do modelo social europeu..”

— Speech by Benoit Coeure (Executive Board of the ECB), 2 March 2013

“Certo,  Benoit. O problema é que os líderes europeus e as suas instituições parecem querer redefinir o contrato de forma que pelo menos metade dos cidadãos europeus esteja contra  ou não confiam  neles seja para o que que seja tido como  necessário para ser feito. . Assim debaixo de uma crise de três frentes, a crise da dívida, a crise bancária e a crise da dívida soberana…

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9ª Edição do FESTIVAL DE JAZZ DE MINDE

Nos próximos dias 10, 11 e 12 de MAIO vai acontecer o IX ARRAIAL DA DO ANDRÈ DA TROMPETE DO NINHOU, ou seja, a 9ª Edição do FESTIVAL DE JAZZ DE MINDE.

É um festival internacional, considerado um dos maiores festivais de jazz e blues do país, com destaque para um dos mais consagrados contrabaixistas do mundo: AVISHAI COHEN que irá estar pela primeira vez em Portugal.
OTIS GRAND é outro dos internacionais e grande bluesman de Inglaterra, e a prestigiada orquestra italiana COLOURS JAZZ ORCHESTRA, que já foi dirigida por Maria Schneider.

10 MAIO – 22h – BLUES
MESSIAS & THE HOT TONES
OTIS GRAND (Inglaterra)
THE BLACK MAMBA

11 MAIO – 22h – JAZZ
MÁRIO DELGADO GUITAR ZHERO
COLOURS JAZZ ORCHESTRA (Itália)

12 MAIO – 18h – BIG JAZZ
“BANDA A DESIGNAR”
AVISHAI COHEN (Israel)

Pode consultar toda a informação com bilheteira on-line em  WWW.JAZZMINDE.COM.

CONVIDE OS SEUS AMIGOS (em Convidar Amigos), PARTILHE e ajude-nos a DIVULGAR este evento, pois iremos oferecer bilhetes a quem mais colaborar.

JUNTA-TE A NÓS, e todos juntos faremos um GRANDE FESTIVAL.
OBRIGADO, e ATÉ  JAAAZZZZZZZ!!!!

Otis

PASSEAR PELA FLORESTA PODERÁ REDUZIR O RISCO DE CANCRO – por Octopus

carlosloures's avatarA Viagem dos Argonautas

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Já há muitos anos que a Agência Florestal do Japão aconselha à sociedade nipónica o “banho” florestal como prática de relaxamento.

O contacto com a natureza reduz os níveis de adrenalina e cortisol no organismo, substâncias que se encontram aumentadas durante o stress e ansiedade.
Mas esta prática também poderá reduzir o risco de cancro.

A prática do “Shinrinyoku” (passeio pela floresta) é aconselhada por muitos médicos japoneses como prevenção de problemas de saúde.

Recentemente, a sociedade Internacional da Natureza e Medicina Florestal (Infom), sedeada no Japão, foi mais longe: dado que o stress é um dos factores que diminui a produção de “natural killer celles”, decidiram fazer a sua medição sanguínea ao fim de três dias de passear num bosque.

As “natural killer cells” (células exterminadoras naturais) são um tipo de glóbulos brancos responsáveis, em parte, no nosso corpo pelo combate às infecções virais e às células tumorais responsáveis…

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«Ode à Mentira», Jorge de Sena

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,
como sereis cruéis, como sereis injustas?
Quem torturais, quem perseguis,
quem esmagais vilmente em ferros que inventais,
apenas sendo vosso gemeria as dores
que ansiosamente ao vosso medo lembram
e ao vosso coração cardíaco constrangem.
Quem de vós morre, quem de por vós a vida
lhe vai sendo sugada a cada canto
dos gestos e palavras, nas esquinas
das ruas e dos montes e dos mares
da terra que marcais, matriculais, comprais,
vendeis, hipotecais, regais a sangue,
esses e os outros, que, de olhar à escuta
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,
vos contemplam como coisas óbvias,
fatais a vós que não a quem matais,
esses e os outros todos… – como sereis cruéis,
como sereis injustas, como sereis tão falsas?
Ferocidade, falsidade, injúria
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso
o coração que apavorado em vós soluça
a raiva ansiosa de esmagar as pedras
dessa encosta abrupta que desceis.
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?
Descereis, descereis sempre, descereis.
 

in Pedra Filosofal

jorge-de-sena

Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos e alguns marqueses caquéticos?

João de Sousa's avatarergo res sunt

“O Alves Coutinho calava-se, com prudência, engolindo buchas de pão.
— Eu que caiam ou que fiquem, – disse Julião – que venham estes ou que venham aqueles… Obrigado, conselheiro – e recebeu o seu prato de vitela – … é-me inteiramente indiferente. É tudo a mesma podridão!
O país inspirava-lhe nojo; de cima a baixo era uma choldra; e esperava breve que, pela lógica das coisas, uma revolução varresse a porcaria.
— Uma revolução! – fez o Alves Coutinho assustado, com olhares inquietos para os lados, coçando nervosamente o queixo.
O conselheiro sentara-se, e disse, então:
— Eu não quero entrar em discussões políticas, só servem para dividir as famílias mais unidas, mas só lhe lembrarei uma coisa, Sr. Zuzarte, os excessos da Comuna…
 Julião recostou-se, e com uma voz muito tranquila:
— Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos…

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Costa Coffee – Passeio dos Clérigos

oportocool's avatarOPORTOCOOL

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A Costa Coffee, cadeia londrina de cafetarias ao estilo Starbucks, tem o seu primeiro espaço de rua em Portugal em plena baixa da cidade, na zona dos Clérigos. Esta coffee house segue os padrões internacionais da marca, reconhecendo-se-lhe desde logo as cores, o conceito, a simpatia e a garantia de qualidade do serviço e dos seus baristas.

O espaço é amplo e confortável, com um ambiente descontraído e tranquilo, habitualmente frequentado por todo o tipo de clientes que procuram um sítio para beber um café, comer um snack e estar simplesmente. Ou então para levar. Entre as especialidades do Costa Coffee, podemos encontrar cafés, bolos, saladas, sanduíches, tostatos, paninis e “fruit coolers”.

Costa Coffee
Passeio dos Clérigos, Porto
http://www.facebook.com/CostaCoffeePortugal
Seg-Dom 07:00-23:00
Preços: café 1€, fruit coolers 2-4€, sandes 5,5€

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Jacques Delors redoute une «génération perdue» européenne

Dans une lettre ouverte, l’ancien président de la Commission européenne Jacques Delors et l’ancien Commissaire Antonio Vitorino proposent un triple pacte pour garantir la croissance et sortir l’Europe de la crise. Ils craignent une « génération perdue ».

Delors

Depuis maintenant cinq ans, le drapeau européen est en berne. Crise économique, croissance nulle ou négative, taux de chômage qui ne cesse d’augmenter, budgets plombés, déficits affolants… Des mesures doivent être prises et c’est au niveau national comme européen. Tous embarqués dans un même bateau qui coule… Pour Jacques Delors, ancien président de la Commission qui a notamment mené les Européens jusqu’au traité de Maastricht et à la monnaie unique, il y a urgence à agir. « Si la croissance ne se décrète pas, elle peut être durablement affaiblie lorsqu’on bafoue quelques principes élémentaires, qui forment autant de pactes à respecter ». Il explique son triple pacte publié par le Huffington Post comme suit :

1. Stabilité et « confiance » financière

Il faut « consolider le pacte de confiance financier ». Selon lui, l’Europe a un grand besoin de consolider et restructurer son système bancaire. Prenant exemple sur la crise chypriote, elle-même de nature bancaire, et sur la manière dont elle a été gérée, il insiste sur la nécessité de garder un lien de confiance entre les banques et ses clients. Or, celui-ci a été mis à mal par la proposition de taxer les épargnants.

« Les autorités européennes ont commis une erreur d’appréciation en approuvant le principe d’une taxation de l’ensemble des dépôts placés dans les banques chypriotes, et pas seulement des plus importants d’entre eux. Elles ont su corriger cette erreur, qui a malheureusement affecté le pacte de confiance conclu entre les banques et leurs clients, au point de nourrir la crainte de l’extension d’un tel procédé à d’autres pays que Chypre ».

« Le fait de mettre à contribution les déposants les plus riches dans des cas extrêmes (comme à Chypre) ne saurait par ailleurs constituer un précédent, comme l’a rappelé la BCE. Il est en tout cas crucial que de telles décisions soient expliquées et assumées de manière claire et que leur caractère exceptionnel soit souligné à chaque fois : c’est aussi sur ce point que les autorités européennes et nationales ont été prises en défaut dans le cas chypriote »

Delors prône la mise en place d’une véritable union bancaire européenne. Au mécanisme de supervision des banques sous l’égide de la BCE qui est actuellement en train de se mettre en place, il explique qu’il est nécessaire de créer un mécanisme européen de garantie des dépôts et de résolution des crises bancaires.

2. Rigueur budgétaire « réaliste »

Pour ce faire, il faut selon lui appliquer le Pacte de stabilité de manière plus réaliste. La notion de déficit structurel, comme appliquée pour le budget belge, a ses faveurs. « Elles ont ainsi utilement ouvert la voie à l’octroi d’un délai plus réaliste pour le retour en dessous du seuil de 3 % de déficit pour des pays comme le Portugal ou la France, en tenant compte des efforts déjà engagés. Ces reports dans le temps ont avant tout des vertus conjoncturelles, puisqu’ils permettent de ne pas asphyxier la demande, et donc la croissance ».

Cela doit aussi conduire les autorités européennes « à s’engager dans la création d’un Fonds d’amortissement des dettes (…) Aider les pays européens à se délester ensemble de leur « vieille dette » contribuerait sans nul doute à conforter leurs perspectives de croissance, tout en redonnant espoir à leurs citoyens ».

3. Pacte pour la jeunesse

« La crise actuelle fait de nombreuses victimes, en particulier chez les jeunes : ils pourraient à terme former une « génération perdue », aussi bien pour l’UE que pour ses pays, alors même que la place qui leur est accordée est cruciale dans l’Europe vieillissante. Si mettre en œuvre un « pacte européen pour la jeunesse » n’est pas une idée inédite, c’est donc plus que jamais une urgence ».

Il pointe trois initiatives : l’initiative pour l’emploi des jeunes, la mise en place d’une « garantie européenne pour la jeunesse », permettant à l’UE d’aider ses États membres à offrir une formation ou un emploi à tous leurs jeunes ; enfin les programmes de mobilité de type « Erasmus », qui aident efficacement les jeunes Européens à se doter de compétences linguistiques et transversales, et dont il faut encore accroître le financement.

http://www.lesoir.be/217915/article/economie/2013-04-01/jacques-delors-redoute-une-%C2%ABgeneration-perdue%C2%BB-europeenne … (FONTE)

Voltar ao Passado …

bulimundo's avatarBulimunda's Blog

 

 

E se procurarem saber porque é que todas as imaginações humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem, acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio e o único lugar onde possamos escapar dos nossos aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós mesmos. O presente é turvo e árido, o futuro está oculto.

Anatole France

 

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UNIÃO EUROPEIA MORREU EM CHIPRE

sinfoniaesol's avatarSINFONIAESOL

viriatopor VIRIATO SOROMENHO MARQUES

Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos…

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Primeiro número da revista Granta Portuguesa terá inéditos de Fernando Pessoa

O director Carlos Vaz Marques quer publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.

O primeiro número da edição portuguesa da revista literária Granta, que sairá em Maio, irá publicar inéditos de Fernando Pessoa, disse esta sexta-feira à Lusa o jornalista Carlos Vaz Marques, que a dirige.

A publicação de cinco sonetos de Fernando Pessoa, apresentados pelos investigadores pessoanos Jerónimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite, insere-se no primeiro objectivo da revista, que “é o de publicar bons textos literários inéditos”, disse Carlos Vaz Marques.

Referindo-se à publicação dos sonetos de Pessoa, Vaz Marques afirmou tratar-se de “uma revelação absoluta” que “já justificaria, por si só, este primeiro número da edição portuguesa da Granta”.
Segundo o responsável, há o interesse em publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.

Ler mais:

http://www.publico.pt/cultura/noticia/edicao-portuguesa-da-revista-granta-comeca-em-maio-com-ineditos-de-fernando-pessoa-1589530 … (FONTE)

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DOIS POEMAS DE MARIA JOÃO CANTINHO in “Mallarmagens”

Partes lentamente da vida

num barco ébrio de sangue
onde se inscreve a pele da noite
nesse festim. Dobras o vento, esse uivo
que chega do Norte, nas pegadas de um silêncio
interdito e em que calas os nomes
desenhados na lucidez das mãos.
Ninguém lê as pedras, os sinais,
Ninguém decifra o traço de sangue desse navio
Que navega em direcção a uma ilha,
Neste arquipélago de solidão.
Os gestos são irremediáveis, no instante
Em que tudo refulge para se afundar. Ninguém ouve
Este naufrágio perdido no canto de um marinheiro
Que sabe não voltar. A viagem é sem retorno.
Tu sabes, vais a caminho.
Essa mulher que caminha no orvalho da madrugada,
de pés nus, que dança na margem do rio,
ouvindo o vento da noite,
                                  essa mulher
que canta o silêncio até onde o grito,
traz na fronte a cicatriz,
que se desenha como a luz na água, a sua loucura,
                                 ela, alheia a tudo,
dança até onde a música eleva os seus pés,
ardem-lhe os lábios, morde a dor, a vida
e nada recusa.
Dança até onde a tempestade a leva.
Maria João Cantinho: nasceu em 1963, Lisboa. É poeta, ensaísta e pensadora. Profunda conhecedora da obra e pensamento do  filósofo Walter Benjamin. Formou-se  em Filosofia e realizou  tese de mestrado em estética sobre Walter Benjamin: “O Anjo Melancólico – análise do conceito de alegoria na obra de Walter Benjamin”. Tem vindo a colaborar em várias publicações (jornais e revistas) , tanto na área da poesia, como ensaio.  Publicou entre outros  títulos: “A Garça” (contos, 2001), “Abrirás a Noite com um Sulco” (Poesia, 2002) , “O Anjo Melancólico” (ensaio, 2002), o Traço do Anjo  ( poesia 2011)
mjc

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS | Tomás Vasques

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (1). | «Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado – e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos.»

Ferreira Fernandes, no DN.

—

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (2).«No ano em que soubemos que uma quadrilha de amigos do Presidente não paga o que deve ao BPN e temos nós de pagar por eles, milhares de milhões, as pessoas escolhem odiar Sócrates.»

Clara Ferreira Alves, no Expresso.

—

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (3).«Para memória futura: que fique registado que muita e boa gente defendeu, sem pudor, que José Sócrates devia ser silenciado para sempre.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso.

Exercício de independência impossível | Gabriela Ludovice

Tornar o mundo um miolo, achatá-lo com peso de corpo sobre o tampo atoalhado da mesa, arredondá-lo sob a palma linhosa da mão que o sente ínfimo desperdício, coisa que se pode perseguir se rola desatenta para o chão.

Olhá-lo desinteressadamente mesmo que já entre os pés calçados há horas, sem alterar uma pequena parte que seja da sua vaga importância, portanto nem sequer adesivá-lo com palavras inventadas e ele, o miolo, a ponto de esmiuçar-se perante a nossa indiferença e nós, a ruborizarmos sobre os ombros.

Gabriela Ludovice

http://pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=5619 … (FONTE)

Primeira mostra individual de Cao Guimarães no Itaú

Eduardo Coelho's avatarAutores e Livros

Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o Estadão:

Artista consagrado no circuito internacional e representado em coleções como a do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), o mineiro Cao Guimarães, 48, ganha sua primeira individual numa instituição brasileira, o Itaú Cultural, que será aberta hoje para convidados (e amanhã para o público). A mostra Ver É Uma Fábula, com curadoria de Moacir dos Anjos e arquitetura expositiva de Marta Bogéa, reúne seus oito filmes de longa- metragem, além de 21 vídeos e fotografias apresentadas em slide show. A exposição é a maior já feita do artista e ocupa três andares do instituto, onde também será realizado um workshop com Cao e os músicos do Grivo, grupo formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, que assina as trilhas de quase todos os filmes do realizador.

Inspirado numa passagem do livro Catatau, do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989)…

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Baixa 22

oportocool's avatarOPORTOCOOL

Designa-se Baixa 22 este restaurante-bar cujo nome se deve ao (já mítico) eléctrico 22, que passa entre este sítio e o luxuoso Hotel Infante de Sagres, do outro lado da praça. Onde antes havia uma antiga carpintaria, agora reinventada mas onde a madeira ainda impera, o sushi de fusão e a sangria, para muitos provavelmente a melhor da cidade, são a especialidade que nos leva frequentemente até lá. O ambiente é informal, despojado e despretensioso mas, sobretudo, honesto com o espírito e a arquitectura original do espaço, procurando manter-se fiel ao carácter muito próprio da cidade. E isso, para mim, é cool!

O espaço deste bar e restaurante é pequeno mas grande em personalidade. Duas estreitas portadas dão acesso a uma sala estreita e comprida, mas alta, com diversas mesas e cadeiras em madeira que mostram um ar robusto e austero como antigamente, tal como o balcão. As cores, bem…

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Good Friday Funeral Procession In Romont, Switzerland

Schwingen In Switzerland's avatarschwingeninswitzerland

We stopped by Romont, Switzerland to view a funeral procession on Good Friday.  Replete with mourners, it takes place in the medieval old town on cobblestone streets past a ancient buildings.

The ceremony begins with a mass and a reading from the Bible of the Passion of Christ. When the funeral procession is mentioned, the congregation exits the church to begin their procession through the streets of the old hilltop town.  The parade is led by a penitent in a black gown, wearing a black hood and carrying a large cross.  A young girl portraying the Virgin Mary follows.  Mourners are clothed and veiled in black come next.  Some of them carry the symbols resting on scarlet cushions.  They include: a crown of thorns, a whip, nails, a hammer, tongs, and St. Veronica‘s shroud.

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Cartas de Amor | Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21/10/1935

ca

Álvaro Cunhal por Pedro de Pezarat Correia

alvaro_1998_200pcNo passado sábado, 23 de Março, numa Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa completamente lotada, teve lugar uma sessão cultural evocativa da figura de Álvaro Cunhal, que inicia um ano dedicado às comemorações do centenário do seu nascimento. Não pertencendo nem nunca tendo pertencido ao Partido Comunista Português (PCP) situo-me, porém, no grupo daqueles que consideram que o PCP se inscreve na área política que gostariam de ver o povo português escolher para liderar os destinos do país. Aqui fica o meu registo de interesses para que não haja equívocos com esta nota no GDH.

Com muito gosto aceitei o convite que me dirigiram para integrar a Comissão Promotora e estive presente na Aula Magna onde, entre muitas vantagens, beneficiei da oportunidade de ouvir mais um magnífico discurso do reitor da Universidade, professor Sampaio da Nóvoa. Guardo de Álvaro Cunhal, do cidadão, do resistente e precursor do 25 de Abril, do político, do estadista, do intelectual multifacetado, um profundo respeito. Particularmente agora, quando as figuras menores que têm passado pelo poder sem honra e sem dignidade vêm aviltando a imagem dos políticos e da democracia – e este é dos pecados maiores que lhes devem ser cobrados –, é justo e é pedagógico, evocar alguém que se empenhou profundamente na política sem mácula, sem cedências susceptíveis de violarem os princípios, os valores, os compromissos. Álvaro Cunhal era uma referência para quantos, independentemente dos sectores ideológicos e partidários em que se situassem, cultivavam o rigor na gestão da polis, na política, porque era de uma enorme exigência. Mas começava por ser exigente consigo próprio. Concordasse-se ou discordasse-se dele, confiava-se nele.

Recordo que, quando partilhei algumas responsabilidades no país e, com os meus camaradas, discutíamos ou analisávamos a situação política, o sentimento generalizado em relação a Álvaro Cunhal era o de que se tratava de um homem de carácter, credível no que dizia, fiável naquilo com que se comprometia. Aí pela década de 90, quando eu já estava reformado da vida militar e Álvaro Cunhal já deixara a liderança do PCP, encontrávamo-nos, não com muita frequência mas com alguma regularidade, por vezes com mais dois ou três amigos. Eram conversas privadas, interessantíssimas, trocas de impressões passando em revista as conjunturas nacional e internacional. E Álvaro Cunhal gostava de frisar o que mais o marcara quando teve de lidar com os militares na política no período revolucionário e nos anos em que perdurou o Conselho da Revolução e um militar na presidência da República: eram homens de palavra. E isso fora decisivo na manutenção de relações de respeito mútuo.

Há um aspecto que não posso deixar de registar. Hoje, quando a União Europeia navega em águas agitadas sem rumo perceptível e em que os chamados países periféricos sofrem as consequências de decisões que parecem tudo menos inocentes, é oportuno recordara voz lúcida de Álvaro Cunhal que na altura muitos acusaram de “velho do Restelo”. Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão à Comunidade Económica Europeia e a entrada no “clube dos ricos”, quando a maioria do povo português embarcava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas.

Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso.

25 de Março de 2013

http://resistir.info/portugal/pezarat_cunhal_25mar13.html (FONTE)

AÇÃO SOBRE POESIA, POR JOÃO MANUEL RIBEIRO

No dia 5 de abril, sexta-feira, entre as 14h30 e as 16h00, a Biblioteca Municipal irá acolher uma ação sobre poesia intitulada “Amo-te – Poemas para gritar ao coração”, a cargo de João Manuel Ribeiro.

Organizada pela Equipa da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Beiriz, a iniciativa destina-se aos alunos do 8º ano de todas as escolas do concelho.

Promover o gosto pela poesia; desmistificar a dificuldade da escrita poética; participar de forma ativa na construção do texto poético; fomentar o gosto pela partilha; estimular o gosto/ consciencialização na divulgação de conhecimentos adquiridos são os objetivos desta atividade que pretende assinalar o Dia Mundial da Poesia (21 de março), sendo que este decorreu no período de interrupção letiva da Páscoa.

 

jmribeiroJoão Manuel Ribeiro nasceu em 1968, em Oliveira de Azeméis. A concluir Doutoramento em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre A Poesia na Escola – Resposta ao texto poético e organização do ensino.

Mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre  “A Poesia no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Das Orientações Curriculares às Decisões Docentes”.

Tem-se dedicado à escrita para crianças, acompanhando tal processo com um trabalho de dinamização da literatura em Escolas Básicas do 1º Ciclo e colégios, quer através de oficinas de escrita criativa, quer através de encontros onde diz poesia. Dinamizou alguns projetos de escrita colaborativa com alunos, resultando desse processo alguns livros.

Formador de professores. Formador de formadores. Formador da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas.

Sócio da Associação Portuguesa de Escritores. Sócio da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Membro da Children´s Literature Association (CHLA – USA).

Citando Paulo Querido | a propósito de José Sócrates

Há uma constante na televisão desde que José Sócrates começou a aparecer nela com regularidade, já lá vai uma década. Sempre que é entrevistado, nas horas seguintes recolhemos os cacos dos entrevistadores.

Sempre.

Quer-me por isso parecer que talvez devamos procurar a explicação não nos comentadores, mas na capacidade mediática dele. A capacidade de desarmar um discurso. De contrapor. A combatividade. De desrespeitar, respeitando o jogo democrático.

Sócrates escapa à docilidade da esmagadora maioria dos políticos, que preferem uma relação macia com os jornalistas. Se aceitarmos os argumentos sobre a sua ferocidade vindos precisamente dos mais experimentados desses entrevistadores ficará mais fácil analisar o trabalho deles.

Não acho que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves se tenham distinguido pela negativa. Não estiveram brilhantes, é certo, e tiveram os seus próprios momentos de se atropelarem mutuamente.

Mas o problema deles não foi a “má preparação”: foi Sócrates. E, se quisermos fazer mesmo justiça, a súbita existência de um discurso de contraponto aos números e guidelines com que a insistência ultraliberal acabou por adormecer o coletivo através da visão única e da voz monocórdica a repetir a mesma ladainha há 4 anos. Acaba por se entranhar e depois qualquer beliscadura faz estremecer.

O contraponto, para mais expresso por uma pessoa veemente, segura de si e com domínio perfeito — visceral — da narrativa televisiva e do timing, desarmou os entrevistadores, habituados a entrevistados concordantes ou no mínimo macios e oblíquos.

Uma notinha final: da próxima vez que quiserem entrevistar José Sócrates em televisão, para evitar o atropelamento pelo camião TIR televisivo que o homem é, não facilitem metendo 2 (ou mais) entrevistadores. Isso só o ajuda a desarmar — basta-lhe mudar o olhar de um para o outro para destruir uma pergunta.

https://www.facebook.com/PauloQuerido (FONTE)

O homem está em grande forma | por BAPTISTA-BASTOS in “Diário de Notícias”

Notoriamente, os dois jornalistas destacados para entrevistar José Sócrates estavam impreparados, ou não tomaram em consideração a aptidão dialéctica do ex-primeiro-ministro, ou, pior, não estavam ali para esclarecer, sim, acaso, para baralhar e entrar em chicana, colocando-se como protagonistas, quando deviam ser mediadores. Chegou a ser pungente a evidência com que o entrevistado repôs a natureza dos factos, perante a turva propriedade das enunciações. O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada “independência”, foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de “desincorporação” que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo. Ficámos esclarecidos? Não; porque os entrevistadores, além das deficiências apontadas, foram intimidados pelo “animal feroz”. O homem está em grande forma.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3134586 (FONTE)

Sem Regresso

 Quando penso na areia que se lava na água salgada de uma praia qualquer, recordo de imediato o meu metro de gente, que cheio de uma vontade, com sabor de vida, se encontrava preso num olhar perdido, mas feliz, de constante procura. A inquietude de um mundo ainda sonhado reflectia-se no sorriso de complacente alegria da minha avó. Ao longe os sons confundiam-se e ecoavam como amigas que me procuravam para brincar. O mundo era imenso, dentro e fora de mim.

Deslumbrado pela simplicidade dos mais insignificantes pormenores tudo em mim era luz. Procurava perceber o incompreensível, e, de certa forma encontrava o sentido para ele. Tudo era novo, mesmo o que se repetia continuadamente. Mas naquela praia perdida algures a areia não tinha textura e o mar… era apenas e só o mar.
O tempo passou. Os anos atropelaram-se num receio infundado de que não chegasse a sua vez. O meu pai deixou de ser Deus e a minha mãe perdeu a imortalidade. As ilusões desvaneceram-se, ou melhor, transformaram-se em realidades capazes de me assustam tanto quanto sombras de corpos que não estão lá para a justificarem.

Tornei-me melancólico e distante como a ilha que o homem não é. As lágrimas, passei a trata-las por tu, dei-lhes nomes para as distinguir. No entanto, nunca as deixo sair e lavrar as montanhas do meu rosto de expressão triste. No percurso que deixei o destino doar-me ceguei-me nos sentires, guardo-os no peito, para se quedar perfeito na espera de razões mais válidas que o deixem ver e olhar.
Sinto-me só. Sinto falta do que acredito ter sido. Sinto-me vazio de mim.

 

Whitman

 Há muito,

cruzei-me com Whitman.

 Olhou-me,

sorriu e seguiu caminho,

sem sequer me “ler” por alto.

 Do cheiro das suas barbas

senti-lhe o aroma a poesia.  

 Parado,

senti nos poros a revolta   

do sangrar da seiva branca,

por onde árvores feridas,

gritam molhadas de dor.

Desfraldo as velas do meu sonho,

agarrado às palavras por escrever.  Image

Solidões Sagradas

 

Há textos doridos,

esmagadores na mensagem.

 

Nascidos em pensamentos

lancinante de tristeza,

gritados em aroma perdido

de sofrimento sem mágoa.

 

Há letras esmagadas

por ingratas ilusões

e mãos que escrevem

incapazes de o negar.

 

As palavras

toldadas de verdade    

sangram do seu próprio acreditar.

CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

( De Sentimento do Mundo)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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O Assobiador, de Ondjaki

Numa aldeia de velhos, no interior de Angola, onde se observa um estranho ritual de adoração dos burros, chegam dois personagens vindos de fora. O caixeiro-viajante e o assobiador.

O primeiro espreita a aldeia com a consciência de alguém “treinado nos campos da vida”,  “vendedor de bugigangas, de objectos para distrair ou encantar”, e o segundo assobia um choro como se tivesse por missão exultar a aldeia a um ritual pagão, catalisador de todas as forças, ele, o assobiador, “ o distribuidor enganoso e exclusivo que a tristeza arranjara para mostrar à Humanidade apenas a sua face bela”.

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