Mar de Gente | Carlos Zorrinho in “Facebook”
“Não é por isso destruindo os Partidos, mas obrigando-os a reformarem-se e a abrirem-se com transparência à sociedade, que se dará sentido ao Mar de Gente com o qual esta nação quase milenar deu ao mundo mais uma extraordinária prova de vida.”
Num povo de marinheiros, descobridores, aventureiros por vontade própria ou quando a crise faz transbordar quem não encontra o ganha-pão na sua terra, a descrição da manifestação popular de 2 de Março como um “Mar de Gente” que vi reproduzida em muitos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, parece-me particularmente feliz.
Um mar é um mar! Aquilo que significa é bem mais importante do que a dimensão que representa. Em vez de tentar compreender o que significa um mar de gente indignada, muitos entraram na discussão sobre o mar era grande, médio ou pequeno. Era Enorme.
Sendo cauteloso e consultando as diversas fontes foram mais de um milhão de portugueses. Mas esse milhão de portugueses foi recebido cm simpatia pelos outros. Não houve crispação nem contra-manifestações. Ninguém (nem o próprio!) deu a cara para defender o governo. Neste cenário que sentido tem discutir quantidades? O que se passou foi uma demonstração simbólica e qualitativa brutal da agonia política de um Governo, institucionalmente legítimo.
Mas houve também quem dissesse que o mar não tinha rumo. Que as pessoas estavam ali pela festa mas não tinham alternativas. Pois talvez muitos do que se manifestaram não soubessem bem o que queriam, mas todos estavam unidos por aquilo que não queriam, ou seja, por uma recusa clara da política de empobrecimento global do país que nos pretende alinhar competitivamente com os Países menos desenvolvidos do Planeta, tentando vender produtos apenas porque pagamos mal a quem os produz e não temos mercado interno para os comprar.
E naquele mar faltavam já muitos que a crise fez emigrar, não por escolha própria, mas por impossibilidade de se realizarem e sobreviverem no nosso território. Acredito, como Fernando Pessoa, que a nossa Pátria é a Língua Portuguesa. Por isso é em português que nos indignamos e é por Portugal que lutamos.
Lutamos enquanto cidadãos. É preciso fazê-lo com a consciência de que não podemos destruir a democracia representativa. Temos que mudar os seus procedimentos, obrigá-la a abrir-se mais à sociedade civil, a compreender que a governação se faz antes de mais com as pessoas e em nome delas.
Não é por isso destruindo os Partidos, mas obrigando-os a reformarem-se e a abrirem-se com transparência à sociedade, que se dará sentido ao Mar de Gente com o qual esta nação quase milenar deu ao mundo mais uma extraordinária prova de vida.
Carlos Zorrinho
No rescaldo da manifestação de 2 Março 2013 | Carlos Matos Gomes in “Facebook”
No rescaldo da manife vi na SIC uma conversa a propósito do direito dos políticos estarem na manife enquanto tal. Um dos “comentadores” indignava-se. Jamais. Lembrei-me do velho Salazar e do seu hipócrita horror à política. Mas, o que em Salazar é fruto de um pensamento integrado numa ideologia, é inconsciência e ignorância nestes amanuenses do jornalismo. É evidente que a manif era um acto eminentemente político e os políticos deviam lá estar enquanto tal. Todos lá estávamos enquanto políticos, incluindo os cidadãos que exercem a política como atividade principal. Salazar adotou a definição de Estado dos regimes totalitários, classificando-o como: a Nação “socialmente organizada”, quando o Estado é a Nação “politicamente” organizada. Salazar também considerava que «Na melhor hipótese a representação parlamentar oferece o aspecto duma duplicação de forças, que ou se revelam hostis ou pelo menos inarmónicas…» Os atuais situacionistas, os defensores da atual maioria, não parece restarem mais do que os argumentos de Salazar e do integrismo do Estado Novo para expurgar a manifestação de repúdio de ontem daquilo que é a sua essência: a sua natureza de ato eminentemente politico, que tem de ter consequências politicas. Logo: que estas têm de ser protagonizadas por políticos e pelas organizações políticas – os partidos políticos. Gostariam, os mais ou menos inconscientes salazaristas que ontem tivesse ocorrido um evento social, mas não foi isso, foi uma manifestação política que deve ser aproveitada por políticos e partidos. E que será. É essa função dos partidos! E, mais, convinha que todos os políticos, não só os milhares que ontem se manifestaram por todo o país, pensassem politicamente e partidariamente no que se passou…
Carlos Matos Gomes in “Facebook”
Gabriel García Márquez completa 86 anos
No próximo dia 6 de março, daqui a três dias, Gabriel García Márquez completará 86 anos. O escritor, jornalista, político e Prêmio Nobel de Literatura (1982), nasceu em Arataca (Colômbia).
O escritor de “Cem anos de solidão”, uma narrativa de realismo fantástico sobre a saga de uma família durante 100 anos, os Buendía – Iguarán, que sofre de uma espécie de maldição, uma ideia mística, que envolve pergaminhos e ciganos. A maldição só será revelada quando o último da família estiver prestes a morrer.
As últimas notícias sobre a saúde de “Gabo” não são boas: ele sofre de demência senil, vem perdendo a memória. E o que é um escritor sem memória? Essa doença é genética, há outros casos na família do escritor e inclusive, um dos seus personagens em “Cem anos de solidão”, o patriarca da família, também sofre dessa doença degenerativa. Uma espécie de presságio ou temor?
Um documentário sobre Gabriel Garcia Márquez, onde ele conta sobre o peso de ter ganhado um Prêmio Nobel de Literatura aos 54 anos (jovem), sobre seu labor de jornalista, a etiqueta para receber o prêmio e sua aversão ao fraque, a superstição arraigada na família, seus 16 irmãos, a influência da sua avó nas suas escrituras, e que toda a sua obra tem um ponto de partida na realidade, etc…
http://fernandajimenez.com/2013/03/03/gabriel-garcia-marquez-completa-86-anos-e-sem-memoria/ … (FONTE)
Sophie Hunger plays Souldier live (HD) at the Jazz Cafe, London 9.11.2012
Citando Alberto Einstein
TODOS NO “CONTRA” | Inteligência Económica
Os oficiais generais disseram o óbvio no “prós e contras” da RTP sobre a Defesa da Nação. Pena que o senhor ministro da Defesa não tenha aceite o convite e se tenha “desenfiado” ao debate (este “desenfiado” é um velho termo militar equivalente ao civil “baldar-se” e que em linguagem casernática também pode ser substituído pelo “pôr-se nas p….”). A coisa ficou assim reduzida a “contras”, dada a ausência dos “prós”…
E os oficiais generais disseram o óbvio de forma muito civilizada e controlada e também manifestando o seu apego à democracia. Aliás, nem outra coisa faria sentido pois esta democracia só existe pelo mesmo motivo que a Constituição Liberal dos anos 20 do século XIX quando, como muito bem conta Oliveira Martins, o marechal Saldanha desequilibrou os pratos da balança ao lançar a sua espada no lado da Constituição. Uns 150 anos depois, as armas dos militares foram lançadas na balança do lado da democracia e assim se criou um regime que os políticos têm gerido sem inteligência e sem coerência.
Mas se disseram o óbvio (que não há Estado que sobreviva sem Defesa e que no caso português a Defesa é essencial para termos algum peso nas decisões europeias e outras), a verdade é que poderiam ter ido muito mais longe. Poderiam, por exemplo, ter demonstrado como a Defesa pode ser tornada o motor da Economia e do desenvolvimento acelerado do País (as discussões já havidas sobre o “conceito estratégico de defesa” também têm ignorado este aspecto essencial e estratégico da Defesa no século XXI) e como também é imprescindível e decisiva no êxito da consensual viragem do País para o mar, aspecto que o general Loureiro dos Santos, sem ser marinheiro, domina muito bem (ainda recordo um luminoso briefing com ele, no tempo em que estava no comando da Região Militar da Madeira).
Mar e tecnologias, duas áreas por onde passa a sobrevivência imediata do País e em que as Forças Armadas e, em sentido lado, a Defesa têm um papel decisivo a desempenhar. Não haja ilusões, sem umas FA e uma Defesa à altura não haverá sucesso algum na viragem para o mar e nem num acelerado desenvolvimento tecnológico. Os generais poderiam ter explicado isto e acrescentado que um euro investido numa tal Defesa tem um retorno imensamente superior ou, em linguagem para Gaspar entender, um elevadíssimo ROI…
Tal como poderiam ter dito que estão dispostos a defender a democracia, que criaram, dos perigos que a ameaçam. Mas ter dito o óbvio e em linguagem clara foi já um balão de oxigénio num país moribundo e entregue aos cuidados dos médicos loucos da troika e seus sequazes.
Obrigado, senhores oficiais generais.
Nota: Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna e ex-Director do SIS, foi o único politico que aceitou sentar-se com os generais e participar neste “prós e contras”. Ganhou o meu voto para primeiro-ministro ou, pelo menos, ministro da Defesa, de um próximo governo português.
ESCADA ACIMA , ESCADA ABAIXO | Sérgio de Lisboa
O golpe de estado de Passos Coelho | por ANTÓNIO PINHO VARGAS in “Facebook”
O governo de Passos Coelho prepara-se para aproveitar o pretexto dos 4 mil milhões que os medíocres da troika agiota lhe pedem, para, em lugar de cortar nas gorduras do estado como prometera com perfídia, cortar nos próprios fundamentos do que ainda resta do estado social e, ao mesmo tempo, pôr em causa questões do próprio regime político e do contrato social, muito para além das competências que lhe foram atribuídas. Sempre teve esse plano e a “ajuda externa” dá-lhe os pretextos necessários. Aproveita igualmente a total impotência dos seus aliados do CDS, a impotência, hipocrisia, medo (e, quem sabe, as histórias mal contadas) do paralisado Cavaco (que só com os seus ventríloquos oficiais não vai lá), para ir minando os fundamentos da democracia na qual assentava o Estado Social e vice-versa, dada a sua interligação. Faz tudo isto com a conivência dos organismos da Europa, já ridícula nas suas hesitações exasperantes, do FMI, grande e histórico destruidor de economias no mundo há várias décadas, em favor de entidades financeiras, ainda com a ajuda dos conhecidos agentes locais do Goldman Sachs, obscuro banco implicado na crise e destruidor do antigo capitalismo, já moribundo, a favor do novo capitalismo financeiro predador que domina o mundo. Enquanto isso Relvas e outros aguardam o momento de consumar as privatizações de empresas do estado para os empresários amigos, dando seguimento à transferência brutal de dinheiro dos pobres – que não poupa com total despudor – e da classe média, para os já muito-ricos e os seus interesses financeiros sem fim e imparáveis.
Passos Coelho e os seus vários aliados estão a levar a cabo um verdadeiro golpe de estado, talvez legal do ponto de vista formal mas sem dúvida ilegítimo, através da tomada do poder executivo no interior do próprio estado e do seu prolongamento para objectivos mais vastos e sinistros. Aquilo que foi anunciado como “refundação do memorando”, no seu peculiar uso da língua portuguesa, torna-se agora mais claro. É o golpe de estado que não parece um golpe de estado.
Não vejo de que forma o irão – ou o iremos – impedir de o levar a cabo. Lamento isso profundamente.
António Pinho Vargas
Do Paulo Dentinho in “Facebook”
O marido, homem rico e dado à política, apresenta-a ao amigo. Ela é agora uma mulher de trato e requinte, mas ele reconhece-a de imediato, e o passado de libertinagem regressa-lhe à memória.
– É um prazer, diz ela.
– O prazer foi todo meu, diz ele.
Kathryn McCormick and Chehon Wespi
Londres | Encontro com a escritora Cristina Carvalho no King’s College London
A escritora Cristina Carvalho (n. 1949) vai falar da sua carreira e trabalho literários numa sessão que decorre a 14 de março, em Londres, a convite do Camões Centre for Studies in Portuguese Language and Culture do King’s College London.
Apresentada pela diretora do centro, Luísa Pinto Teixeira, a escritora que acaba de lançar em fevereiro um novo romance, Marginal, em que aborda «uma época onde a liberdade sexual se começou a afirmar e as mulheres começaram a conquistar a sua independência na sociedade portuguesa», debaterá com Maria José Homem Ribeiro, leitora do Camões, IP, e responderá a perguntas do público.
Autora de vários romances, Cristina Carvalho, filha da escritora Natália Nunes e do professor e poeta Rómulo de Carvalho, tem também publicado em revistas e jornais, nomeadamente no Jornal de Letras e revista Egoísta.
Publicou o seu primeiro livro, Até Já Não É Adeus, em 1989. Em março de 2009 saiu o romance O Gato de Uppsala, e mais recentemente, publicou, entre outras obras, Nocturno, um romance biográfico sobre Chopin, A Casa das Auroras e Lusco-Fusco. Algumas dos seus romances estão integrados no Plano Nacional de Leitura.
Mick looking like a dandy.
Annie Leibovitz
Man Ray
Man Ray, nato Emmanuel Rudnitzky (Filadelfia, 27 agosto 1890 – Parigi, 18 novembre 1976), è stato un pittore, fotografo e regista statunitense esponente del Dadaismo.
Pur essendo un pittore, un fabbricante di oggetti e
un autore di film d’avanguardia ,
è conosciuto soprattutto come fotografo surrealista, avendo realizzato le sue prime fotografie importanti nel 1918_♥
Marcelle Doupount | la timidezza estrema di Kabel
Mikhail Baryshnikov by Irving Penn
FACTOR “EXóGENO” — 4 andamentos e um quinto andamento coxo | Jorge Nascimento Rodrigues in “Facebook”
1- Em princípios e meados de 2011 quando se falava do papel do factor “exógeno” (evolução da crise financeira internacional e das políticas ziguezagueantes da dupla Merkozy) e da “sincronização” da crise da dívida soberana nos PIIGS, uma parte dos comentadores irritava-se e insultava porque se desprezava a “sujeira interna”. O que valia era o factor endógeno, a situação interna, o resto era proteger o governo que conduzia à bancarrota.
2- Quando a maré política mudou, o factor exógeno continuou o seu caminho, empurrando a crise portuguesa até um pico de bancarrota iminente em 30 de janeiro de 2013. Então, já não havia crime nessa “exogeneidade”. A culpa de não haver milagre com a reeleição presidencial e a nova maioria governativa era do factor exógeno.
3- Depois os juros da dívida começaram a descer, e o factor exógeno desapareceu, de novo, de cena — agora era o sucesso do ajustamento “interno” que convencera os investidores. Os analistas independentes sublinhavam que era, uma vez mais, o factor exógeno que sobretudo tinha feito descer abruptamente os juros no mercado secundário em relação a Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, e mesmo Grécia. Os investidores baixaram o prémio de risco em relação aos periféricos, por duas razoes sucessivas: primeiro, a reestruturação da dívida grega decidida em dezembro de 2011 e o segundo programa de resgate a Atenas anularam o medo de uma saída do euro que pudesse provocar um efeito em cadeia; segundo, desde o verão, Draghi, à frente do BCE, anuncia um programa OMT que servia de bombeiro de ultima instancia aos investidores em caso de necessidade. É claro que nada destas coisas “exógenas” contavam para o que se estava a passar. A narrativa era que o sucesso do ajustamento dera frutos.
4- Subitamente a recessão prolonga-se na zona euro e qualquer “anomalia” política, como o caso Bárcenas em Espanha ou o tsunami recente eleitoral em Itália, afetam, de novo, os juros e o risco. Claro, a partir de agora, voltou o discurso do maldito factor “exógeno”. A culpa do desastre na própria aplicação do plano de ajustamento é culpa “lá de fora”. Do Berlusconi e do Grillo, até. Provavelmente da “incompetência” do professor Monti, essa figura reverendíssima que se verifica agora que entusiasma pouco mais de 10% do eleitorado italiano. Subitamente a “sincronização” dos efeitos pelos periféricos é o culpado. O factor exógeno regressou de alma e coração.
5- O mais espantoso é que os que culpavam o factor exógeno pelos PECs sucessivos e pela quase-bancarrota a que se chegou com o disparo dos juros para os 7% e acima, agora, agorinha, dizem que falar do factor exógeno é querer “limpar” a sujeira do factor interno, da governação atual.
Vá a gente entender esta gente incongruente. (uns dirão, vigaristas e intelectualmente desonestos, em português corrente).
Moral da história —
a) é evidente que o factor “interno” conta (como se vê bem exemplificado na Irlanda que tem crescimento e não recessão e que tem conseguido resolver os pendentes herdados da troika, como a questão das promissórias);
b) mas o determinante no filme da crise das dívidas soberanas desde 2009 é o contexto exógeno: a evolução das políticas de Bruxelas e do BCE desde 2009, desde a dupla Merkozy e as políticas sucessivas, contraditórias, que foram defendendo para a zona euro, bem como o dogmatismo de Trichet e dos banqueiros centrais e dos fãs do austerismo monetário e orçamental convencidos que seria benigno passando pelo erro do FMI no multiplicador implícito, até às manobras que Draghi tem feito para salvar a honra do convento;
c) estando nós subordinados a uma zona monetária e pertencendo a uma União, o determinante é a condução política a esse nível;
d) mesmo sendo bom aluno, os resultados macroeconómicos são péssimos e até os “sucessos” no mercado da dívida são condicionados pelos eventos à escala europeia, como agora bem se vê.
Jorge Nascimento Rodrigues
Citando Pedro Lains
A ver se a gente se entende
Marcello Mastroianni
Romy Schneider as princess Sissy | Directed by Luchino Visconti
Boccace 70 (Boccaccio ’70) de Luchino Visconti
Do Paulo Dentinho in “Facebook”
– Olá! Já não te lembras de mim…
Ele fica meio atónito a olhar para aquele rosto… Até que descobre.
– Ah! És tu! No meio de tantas plásticas estava-me a ser difícil…
são dois para lá, dois para cá | Patrícia Reis
O bar podia estar vazio, para ela pouco fazia.
Era um bar de hotel e não tinha história. Era internacional e não asiático, podia ser mais interessante. Não era. A mulher pediu um martini.
Depois desistiu.
Pediu um vodka preto e, na casa-de-banho, verificou que tinha a boca preta, a língua de fora, mesmo perto do espelho, riu-se de si e depois chorou.
Chorou pela língua preta.
Deveria ter bebido o martini e fingir que era uma bond girl nas arábias.
Há dias assim.
Citando Barack Obama
“É graças aos soldados, e não aos sacerdotes, que podemos ter a religião que desejamos. É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa. É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público. É graças aos soldados, e não aos professores, que existe
liberdade de ensino. É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo. É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar.”
Barack Hussein Obama – Presidente dos USA, que no baile da cerimónia da sua tomada de posse dançou com uma sargento das FA americanas, enquanto a sua mulher dançava com um sargento.
Do outro lado do espelho, de Maria João Martins
O meu primeiro livro de poesia. Não o primeiro que li, mas o primeiro que comento neste espaço.
Habituei-me à poesia da blogosfera, que é diferente da poesia em papel. Todos os poemas deviam ser lidos em papel, e de preferência em livro. Não é possível ler-se poesia sobre um vidro que nos pode reflectir. A poesia precisa de papel, de uma página que se vira, do cheiro a tinta impressa, do peso de um livro que nos ocupa as mãos.
Hoje, a poesia da bloga saltou para o papel. Ganhou força. Num livro em que a capa se reflecte na contracapa, sendo espelho de si mesmo, fechado sobre si mesmo. Não espreitamos o que está do outro lado do espelho, simplesmente o folheamos e lemos o seu interior. E descobrimos silêncios, partilhas e a imensidão que sendo humana nos estranha. Interroga-nos com a força do verbo e encanta-nos com a sua melodia.
sabendo-me…
simples poça de água
berço das gotas de chuva.
Seja eu esse silêncio em partilha que encontro na poesia da Maria João. odagirbO.
15 de Maio de 2011
Estilismo | Retratos
Grândola, Vila Morena e a hipótese comunista | Patrícia Vieira in jornal “Público”
O mundo vai mal e Portugal ainda pior. Basta olharmos à nossa volta e, se um empirismo circunstancial não nos convencer, recorrermos às estatísticas: taxa de desemprego acima de 16%, contração do PIB de 3,2% no último ano e 2,5 milhões de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social. Não é assim de admirar o regresso da famosa canção de Zeca Afonso, Grândola, Vila Morena, à boca de cena da política nacional. Só nos últimos dias, Grândola foi ouvida por Pedro Passos Coelho no debate quinzenal do Parlamento (15.02), pelo ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, em Vila Nova de Gaia (18.02) e à saída do ISCTE em Lisboa (19.02) e pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, no Porto (20.02). A melodia que pôs em marcha a Revolução dos Cravos tem vindo a ser recuperada por diferentes grupos de manifestantes para protestar contra as políticas do Governo e os ditames da troika.
Vale a pena fazer uma pausa neste mar de protestos para refletir sobre a apropriação do imaginário revolucionário no presente. Por que razão nos remetem os manifestantes para a canção de Zeca Afonso? O que significa Grândola para Portugal nos dias que correm? E, mais importante ainda, será que a “hipótese comunista” que a canção evoca é ainda viável? Destacarei, entre inúmeras outras, três conotações distintas, se bem que relacionadas, de Grândola, Vila Morena, que tornam esta música particularmente eficaz como catalisador de protestos e que nos permitem utilizá-la como ponto de partida para uma análise do momento sócio-político que atravessamos.
Em primeiro lugar, Grândola evoca um sentimento de nostalgia em relação a um acontecimento heróico da história portuguesa recente. Temos saudades de um passado não tão distante em que todos distinguíamos claramente o bem (a democracia) do mal (o Estado Novo e a Guerra Colonial). Temos saudades de acreditar que podemos tomar decisões coletivas para mudar o nosso futuro e de que este será melhor do que o presente. E temos acima de tudo saudades do próprio futuro, da ideia de que existem portas abertas.
Em segundo lugar, a canção de Zeca Afonso apela para uma revitalização da atividade política. O slogan “o povo é quem mais ordena” assinala que as deliberações políticas não cabem apenas a uma elite, muitas vezes manipulada por interesses económicos que não os da população em geral. Grândola invoca uma política feita pelos cidadãos e pautada pelos objetivos da comunidade. A soberania popular, que implica a participação direta de todos nas decisões que os afectam, é uma das soluções mais promissoras para sairmos do impasse político em que tanto Portugal como a União Europeia se encontram atolados.
Por fim, Grândola funciona como uma metonímia da “hipótese comunista”. Esta expressão, cunhada pelo filósofo francês Alain Badiou, remete-nos para a o princípio de igualdade (“Em cada esquina, um amigo / Em cada rosto, igualdade”), ou seja, para a noção de que a apropriação da riqueza produzida por todos por um grupo cada vez menor de pessoas é fundamentalmente injusta. A “hipótese comunista” é um princípio regulador tanto da economia como da política e não um esquema de organização social (o erro do comunismo soviético foi precisamente ter-se apropriado desta ideia para justificar um estado totalitário). Cabe a cada sociedade decidir como melhor concretizar a “hipótese comunista” de igualdade e justiça social.
Nestes tempos de transferência maciça de fundos do Estado para o sector privado, seja através de privatizações de empresas públicas, seja através do resgate de bancos com fundos públicos, passando depois a fatura para os contribuintes, não surpreende que a “hipótese comunista” surja como uma alternativa viável ao statu quo. Os nossos governantes continuarão certamente a ouvir cantar Grândola, Vila Morena nas suas futuras intervenções públicas.
(Universidade de Georgetown – www.patriciavieira.net)
http://www.publico.pt/ … (FONTE)
Francisco Louçã | La crisis regional golpea a Portugal
Justyna Kopania | Biografia
My name is Justyna Kopania. I am a painter. Art is my asylum, life, poetry, music, the best cigar, tasty strong tea, everything.My Art reflects the world I perceive with all mysenses; people I meet and love; nature I admire, and all the things that affect the way I am.The Man is my main inspiration and This Man is the principal topic of my project. I am focusing on Their psyche, attitudes, as well as Their appearance, manners and all the complex processes that take place both outside and inside the Man.I cannot imagine existing without my art, my paintings, my inspirations – it is, and will be, an intrinsic part of my life. I prefer oil painting on huge canvases. People from all around Europe find the pieces of their selves in my works and are impressed with the sincerity and truth expressed through them.In my studio – work – I paint a few, sometimes several hours a day. This is typical painting – easel, oil, structural. Paintings are “fleshy.” Paint requires both painting, as well as brushes – and I do not regret the paint. Paintings are painted this way – creates a kind of reliefs. Paintings are painted in a sort of style, original … – Inspired by certain passages of what I see, and stay in my memory. Paitings are entirely painted by hand. I always try to give the climate the moment that stuck in my memory.
Rain | Painting by Justyna Kopania
A influência russa na literatura brasileira | por Adelto Gonçalves, doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo
I
Que a literatura russa influenciou boa parte da literatura produzida no Brasil, especialmente no final do século XIX e na primeira metade do século XX, nenhum crítico de bom senso pode colocar em dúvida. Até que ponto chegou essa influência e como seu deu, pois, na maioria, por desconhecimento do idioma russo, os autores tiveram acesso apenas a traduções de segunda mão do francês, é que nunca ninguém havia estabelecido.
Essa questão, porém, já está devidamente esclarecida e aprofundada, depois da pesquisa de proporções ciclópicas empreendida pelo professor Bruno Barretto Gomide em sua tese de doutoramento apresentada ao Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em junho de 2004, que saiu em livro em 2011 pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp): Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936), Prêmio Jabuti 2012, da Câmara Brasileira do Livro, na categoria Teoria e Crítica Literária.
As fontes deste livro foram extraídas de arquivos particulares de escritores e de uma extensa pesquisa que o estudioso fez em jornais, revistas e livros publicados entre 1887 e 1936, valendo-se também de consulta não só em arquivos públicos e de universidades em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro como nos Estados Unidos, especialmente nas bibliotecas das universidades de Illinois, Indiana, Stanford e Califórnia.
Neste livro, a recepção da literatura russa no Brasil é estudada a partir de dois eixos: pesquisa documental da recepção crítica do romance russo e estudo da vasta bibliografia comparatista que lida com outros casos de recepção da literatura russa no Ocidente. Tudo isso acompanhado pelas discussões específicas fornecidas pela crítica literária e pela historiografia da cultura brasileira, como observa o autor na introdução.
Os primeiros textos que utilizavam os romancistas russos como contraponto a questões literárias candentes no Brasil datam da segunda metade da década de 1880. Já o final da década de 1930 marca um momento em que tais discussões perdem sua força e deixam de ser relevantes para a crítica. O trabalho conta ainda com um anexo que reproduz algumas fontes significativas, privilegiando as de mais difícil acesso.
II
É observar que a chegada do romance russo ao Brasil foi uma consequência marginal de um processo internacional iniciado na França, que o tornou uma sensação europeia em meados da década de 1880. Foi quando surgiram as traduções em escala industrial e livros de crítica que assinalavam a recepção desses romances em língua francesa.
Gomide aponta o ensaio O Romance Russo, de Eugène-Melchior de Vogüé (1848-1910), publicado em 1886, como o elemento basilar dessa recepção, pois era a ele que recorria a maior parte dos ensaístas, inclusive no Brasil. Entre os romancistas brasileiros, Lima Barreto (1881-1922) foi o que mais se deixou influenciar pelas ideias que o romances russos traziam implícitas, especialmente a partir do prefácio que Vogüé escreveu para Recordações da Casa dos Mortos, de Dostoiévski (1821-1881).
O pesquisador observa que já havia conhecimento da literatura russa no Brasil antes mesmo da década de 1880, mas esses contatos se davam em escala diminuta. A partir daquela data, o seu “surgimento súbito” no País, em função do que ocorria na França, passou a atiçar a criação de uma literatura genuinamente nacional, como observaram ao tempo José Carlos Jr. (?-?), um crítico paraibano hoje quase esquecido e justamente “ressuscitado” por Gomide, e Clóvis Bevilacqua (1859-1944). Mas, como constata Gomide, essa interpretação não foi unânime. Para Tobias Barreto (1839-1889), por exemplo, os romancistas russos eram a negação de tudo o que a cultura francesa representava.
Para Silvio Romero (1851-1914), os russos seriam também o melhor exemplo antípoda de Machado de Assis (1839-1908). Se o escritor fluminense construía delicados estados psicológicos de suas personagens à maneira do francês Paul Charles Joseph Bourget (1852-1935), Romero fazia o contraste com a estética radical do choque, exemplificada por Edgar Allan Poe (1809-1849) e Dostoiévski, observa Gomide. E acrescenta: para Romero, o autor fluminense ficava “bem abaixo de Dostoiévski, Poe e até de Hoffmann (1766-1822), quando este envereda, como o próprio Machado diria, pelo distrito da patologia literária”.
Portanto, o caráter inovador da prosa russa foi imediatamente detectado pelos críticos brasileiros, que passaram a utilizá-lo largamente como termo de comparação em suas críticas e recensões. E até a apresentá-lo como um modelo de emancipação para a literatura brasileira.
III
Na primeira parte de seu livro, Gomide trata da divulgação dos romancistas russos a partir da metade dos anos 1880, especialmente de 1883 a 1886. E apresenta exemplos do aumento vertiginoso do número de traduções e do entusiasmo nos meios intelectuais pelo novo fenômeno literário. Mostra ainda que, quando a revolução de 1917 assustou o mundo, já havia no Brasil uma tradição de três décadas de discussão do romance russo em periódicos e livros de crítica.
Portanto, associar autores como Dostoiévski, Turgueniev (1818-1883), Leon Tolstói (1828-1910) e Alexandr Pushkin (1799-1837) ao bolchevismo só podia partir de mentes obnubiladas, o que não é de admirar, pois, à época da última ditadura militar (1964-1985), o livro Juan Rulfo: Autobiografia Armada (Buenos Aires, Corregidor, 1973), de Reina Roffé, teve a sua importação barrada, por volta de 1975, porque o censor fez uma interpretação beligerante da palavra “armada”, quando o título queria dizer apenas que a autobiografia havia sido “armada” com declarações do escritor retiradas de entrevistas publicadas em épocas diversas. Santa ignorância…
Na segunda parte de seu trabalho, Gomide estuda as décadas de 1920 e 1930, quando era flagrante o impacto da revolução bolchevique. E mostra claramente que, ao contrário do que se supõe, a literatura russa nunca foi uma espécie de patrimônio da esquerda, pois intelectuais católicos, como Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), Tasso da Silveira (1895-1968) e Jackson Figueiredo (1891-1928), já discutiam sua influência na literatura mundial, especialmente a partir de Dostoiévski, Máximo Górki (1868-1936) e Leon Tolstói.
A segunda parte do livro apresenta, além de um panorama do mercado editorial da década de 1930, textos que desconfiam abertamente das interpretações geradas no fim do século e tentam cercar os romancistas russos por outros ângulos. E contestam a ideia de que o niilismo de Dostoievski e de outros escritores russos teria preparado terreno para o avanço do comunismo e a vitória dos bolcheviques em 1917, apenas porque a literatura russa sempre esteve associada a questões sociais. Na conclusão, Gomide defende que é anacrônico reler os primeiros momentos da recepção da literatura russa no Brasil de acordo com os resultados posteriores à revolução de 1917.
Como o livro vai até 1936, fora da análise de Gomide fica o recente renascimento do interesse do leitor brasileiro pelo romance russo que, a rigor, deu-se depois do lançamento, em 2001, da primeira tradução de Crime e Castigo, de Dostoiévski, feita diretamente do russo por Paulo Bezerra, pela Editora 34, de São Paulo. Em seguida, saíram vários livros traduzidos diretamente do russo por Paulo Bezerra, Boris Schnaiderman, Fátima Bianchi, Lucas Simone e outros. Em 2011, saiu também Gente Pobre, de Dostoiévski, com tradução de Luíz Avelima, pela editora Letra Selvagem, de Taubaté-SP.
IV
Bruno Gomide (1972) é doutor em Letras pela Unicamp, com estágio de doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Realizou cursos nas universidades de Illinois, Indiana, Cambridge e Linguística de Moscou. Foi pesquisador-visitante no Instituto Gorki de Literatura Mundial, em Moscou, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). É o organizador do grupo de trabalho de Literatura Russa da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic).
Organizou a Nova Antologia do Conto Russo (1792-1998), lançada recentemente pela Editora 34, que reúne nomes conhecidos no Brasil como Pushkin, Gógol, Dostoiévski, Tchekhov, Tolstói, Pasternak, Bábel e Nabókov e outros menos conhecidos, como Odóievski, Grin, Chalámov, Kharms, Platónov e Sorókin, num total de 40. Tem publicado artigos em periódicos internacionais, como Tolstoy Studies Journal eVopróssi Literaturi, e participado dos principais congressos de eslavística.
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DA ESTEPE À CAATINGA: O ROMANCE RUSSO NO BRASIL (1887-1936), de Bruno Barretto Gomide. 1ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), 768 págs., 2011, R$ 120,00.
E-mail: edusp@usp.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999),Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br
1941 Victoria Station London
Almeirim | Exposição fotográfica pelo olhar de Fátima Condeço
Fátima Condeço inaugurou na sexta feira, dia 22 de Fevereiro, a Exposição de Fotografia intitulada “Hoje não…” na Galeria Municipal de Almeirim.
A exposição “Hoje não…” compõe-se de uma mostra de 22 fotografias em redor do retrato, a temática vista no olho até ao extremo do nem por isso. Mais um evento cultural em Almeirim divulgando assim o trabalho desta talentosa cidadã.
Este evento decorre até dia 30 de Março e conta com o olhar atento de todos os visitantes.
http://www.almeirinense.com … (FONTE)
Félix Vallotton – Naked Women Playing Checkers (Femmes nues jouant aux dames). 1897. Oil on wood. 25.5 x 52.5 cm. Musee d’Art et d’Histoire, Geneva, Switzerland
Johnny B Goode – Jeff Beck,Santana & Steve Lukather
Auguste Renoir -“Le déjeuner des canotiers”
Liberdade, onde estás, quem te demora? | José Pacheco Pereira in “Público”
Não é bom viver no Portugal onde reina o engano e a mentira institucionalizada.
Este artigo é um panfleto. Não acrescenta nada de novo àquilo que digo há mais de dois anos, pelo que não tem interesse mediático. Não é distanciado, nem racional, nem equilibrado, nem paciente, nem tem um átomo da imensa gravitas de Estado que enche a nossa vida pública no PS e no PSD, cheia daquilo a que já chamei redondismo e pensamento balofo.
http://www.aofa.pt/rimp/Pacheco_Pereira_Liberdade_onde_estas.pdf (FONTE)
Hedy Lamarr
Uma sombra de medo | Rui Bebiano in “A Terceira Noite”
De repente, uma sombra de medo começou a pairar sobre as cabeças de muitos dos nossos políticos de tribuna e comentadores de cátedra. Um medo não declarado, mas certo e percetível. Medo da atual vaga de protestos «antidemocráticos» e não conduzidos – materializados, veja-se a desfaçatez, na propagação pacífica da bela canção de fraternidade que anunciou o fim da velha ditadura – poder mostrar ao comum dos cidadãos que o exercício da democracia não se limita a depositar o voto na urna e, de seguida, a hibernar durante quatro anos com a consciência tranquila e a boca fechada. Passando uma procuração com plenos poderes aos governantes e aos deputados eleitos, inimputáveis durante toda uma legislatura ainda que já nem se recordem do rosto dos seus eleitores e, sem ponta de vergonha, rasgado o contrato que com eles assinaram.
Mas bem mais do que a presença do protesto imprevisível, sonoro, irrefreável, que consideram perverso e inadmissível só porque não concebem a autoridade política fora da redoma «representativa» consignada em Diário da República, preocupa-os a possibilidade, na situação extrema que vivemos, de as pessoas comuns compreenderem que têm mais poder do que aquele que acreditavam possuir, e, ainda pior para eles, de perceberem que existe política para além dos programas vagos, repetitivos, irresponsáveis e descartáveis com os quais tantos eleitores têm sido iludidos. Perturba esta espécie de gente, que da democracia possui uma visão estreita e sitiada, a possibilidade mínima do fim da reverência e da submissão projetarem a possibilidade de um mapa político novo e dotado de novos equilíbrios. Numa paisagem que sejam incapazes de compreender, de explicar e, para eles o mais intolerável, de controlar.
http://aterceiranoite.org/2013/02/23/uma-sombra-de-medo/ … (FONTE)
In a manner of speaking | Nouvelle Vague
Do Paulo Dentinho in “Facebook”
– Vim tomar o pequeno-almoço contigo. O brioche és tu!
Robert de Niro
Se Tenho Medo | John Keats

Se tenho medo de meus dias terminar
antes de a pena me aliviar o espírito, antes
de muito livro, em alta pilha, me encerrar
os grãos maduros como em silos transbordantes;
se vejo, nas feições da noite constelar,
enormes símbolos nublados de um romance
e penso que não viverei para copiar
as suas sombras com a mão maga de um relance;
quando sinto que nunca mais hei de te ver,
formosa criatura de um momento ideal!
Nem hei de saborear o mítico poder
do amor irrefletido! – então no litoral
do vasto mundo eu fico só, a meditar,
até ir Fama e Amor no nada naufragar.
Carole Lombard and Gary Cooper
New York, New York
Alec Guiness | Georges Lucas
Porto
Carlos Carvalhas acredita que se a União Europeia tivesse cedido a José Sócrates – ao não pedir resgate – a história tinha sido outra, porque Merkel e Trichet teriam cedido e não deixariam cair Portugal.
Entrevista a Carlos Carvalhas
John Butler Trio | Losing You
Bombeiros prometem não participar mais de ações de despejo na Espanha
Agrupamentos de bombeiros nas regiões de Madri, Catalunha e Galícia anunciam que não participarão mais de despejos, que têm ocorrido com mais frequência na Espanha devido à crise econômica. Decisão foi impulsionada por bombeiros da cidade galega de Corunha, que se recusaram a entrar na casa de uma octogenária que não havia pagado o aluguel.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21644 … (FOTO)
La Sexilinea
Non sono italiana, sono napoletana! È un’ altra cosa! Sophia Loren by Ariel
David Hurn | G.B. 1964 | England | London | The BEATLES in the Abbey Road Studios
John Butler | Ocean
Somebody That I Used To Know (Jazz) | Lindsay and Alex (All Star)
David Hurn | GREAT BRITAIN |1957 | England | London | The Partisan Coffee-Bar in Soho | Fifties cultural meeting place
Citando Oscar Wilde
So You Think You Can Dance | Marko and Allison | Contemporary
FRANCE | 1972 | Ile de France region | Paris | Painting by Paul DELVAUX
Cornell Capa | 1952 London | Alec GUINNESS studying his lines.
PS (Política Surrealista) | Boaventura Sousa Santos
Por que é que um cidadão de esquerda, preocupado com o rumo que o país está tomar, temendo que a distância dos cidadãos em relação ao sistema político democrático se agrave, inconformado com a falta de unidade entre as forças de esquerda sociologicamente maioritárias, tem dificuldade em conter a raiva ante as insondáveis uniões divisionistas e divisões unitaristas do PS?
Por três razões. Primeiro, sentimento de impotência: sabe que se der um murro na mesa o único efeito possível é magoar-se, tal a incapacidade do partido em distinguir luta política de luta por cargos políticos. Segundo, sensação de perigo: o país precisa de uma alternativa política e o PS parece apostado em desistir dela antes mesmo de tentar. Terceiro, inconformismo ante o desperdício da oportunidade: o PS tem algum potencial para reinventar-se como partido de esquerda, um potencial muito limitado e problemático, mas mesmo assim existente.
Só esta última razão permite transformar a raiva em esperança, mesmo que esta mal se distinga do desespero. Dois factos bloqueiam esse potencial e outros dois podem ativá-lo. O primeiro bloqueio decorre da qualidade dos líderes. A estatura de Mário Soares criou uma sombra difícil de dissipar. Os líderes que se seguiram distinguiram-se mais pela integridade ética do que pela coragem política (Vítor Constâncio, Jorge Sampaio e António Guterres). O mais lúcido e corajoso de todos, Ferro Rodrigues, foi assassinado politicamente de forma sumária e vergonhosa.
O segundo bloqueio advém da perda de cultura socialista (e até de cultura geral) entre os dirigentes, o que amortece as clivagens políticas e aguça as clivagens pessoais. Quem não for militante do PS não entende a hostilidade entre José Sócrates e António José Seguro, quando ambos são produto da mesma terceira via (entre capitalismo e capitalismo) que vergou os partidos socialistas europeus às exigências do neoliberalismo e os fez vender a alma do Estado de bem-estar social. Seguro está condenado a continuar Sócrates em piores condições. Causa arrepios pensar que não frustrará as expectativas apenas por estas serem nulas.
O primeiro facto potenciador de transformação no PS é o contexto europeu e mundial. O Sul da Europa, o Médio Oriente e o Norte de África são as faces mais visíveis da vertigem predadora de um capitalismo selvagem que só se reconhece na extração violenta dos recursos humanos e naturais. É agora mais visível que o socialismo democrático foi construído contra a corrente, com muita luta e coragem que a Guerra Fria foi tornando desnecessárias. Tornou-se então claro que a coragem e a vontade de luta dos socialistas se tinham transformado, elas próprias, num instrumento da Guerra Fria, capazes de se exercitar contra comunistas e esquerdistas mas nunca contra capitalistas. É bem possível que não sejam os socialistas a reinventar o socialismo democrático. Uma coisa é certa: a ideia de um outro mundo possível nunca foi tão urgente e necessária, e reside nela a última reserva democrática do mundo.
O segundo facto potenciador é que os socialistas portugueses já mostraram estar conscientes de que qualquer vitória que o atual líder lhes proporcione a curto prazo será paga no futuro com pesadas derrotas. Os militantes socialistas jovens e pobres – que (ainda não enriqueceram no governo nem nas empresas – leram com atenção o livro de António Costa, Caminho Aberto, publicado em 2012, e ficaram tão impressionados como nós com a experiência governativa, lucidez política, capacidade de negociação com adversários, revelada pelo autor num livro que retrata como poucos o Portugal político dos últimos 20 anos e abre pistas luminosas sobre os desafios que a sociedade portuguesa enfrenta. Devem sentir, como nós, a dificuldade em conter a raiva.
Poderão dar um murro na mesa e terem algum efeito além de se magoarem? A tragédia do socialismo democrático atual é ser um fogo apagado que só reacende as brasas quando troca a coragem política pela ética, como se a coragem política não fosse eminentemente ética.
Ler mais:
http://visao.sapo.pt/ps-politica-surrealista=f711257#ixzz2LfAxL5py … (FONTE)
Sebastião Salgado
O roubo do presente | José Gil in “Visão”
“Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.
O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.
O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-/ine enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).
O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro – para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.
Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos – porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças – em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português.
Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país.”
http://visao.sapo.pt … (FONTE)
José Pacheco Pereira: “As pessoas que nos governam não conhecem Portugal” in “Quadratura do Círculo”
“As razões porque este exercício do governo está a falhar é porque lhe falta uma dimensão política; tem que haver consistência política entre queixarmo-nos de um orçamento europeu de contenção e defendermos o contrário cá dentro sem que ninguém se deva queixar, entre sermos keynesianos lá fora e hayekianos cá dentro.
Laura Antonelli
Citando Viviane Reding
“Feliz é o país que protesta com uma canção”
Viviane Reding
Nascimento: 27 de abril de 1951 (61 anos), Esch-sur-Alzette
Educação: Universidade de Paris
NO CENTENÁRIO DE ÁLVARO CUNHAL | José Pacheco Pereira in “Público”
A personalidade de Álvaro Cunhal merece neste ano do seu centenário um conhecimento menos preso à mitologia, quer hagiográfica, quer hostil, para poder devolver-se à memória histórica dos portugueses um homem real e bem pouco comum, em vez de uma abstracção mecânica, que, essa sim, será rapidamente esquecida. Ora, nos anos desta década infeliz, precisamos bem dessa memória mais profunda e complexa da história, para não nos embrutecermos mais do que o que já estamos.
José Pacheco Pereira
http://abrupto.blogspot.pt/2013/02/no-centenario-de-alvaro-cunhal-deixado.html … (FONTE)
O Homem do Turbante Verde, de Mário de Carvalho
“Quanto ao professor, estava manifestamente a mais nesta fase da expedição e todos pareciam concordes com isso.”
A trama parece, desde o início, revelar o seu desfecho final, como se no plot traçado não tivesse implícito um volt face. Uma mestria que faz destes contos uma verdadeira aventura para o leitor. São vários os ambientes percorridos por estas narrativas, desde os mais exóticos, ao conturbado período de sobrevivência à ditadura portuguesa. Em todos, um tema comum, uma certa crueldade que parece contida na mente e atitudes dos homens, que se liberta ao sabor do acaso ou do destino. Um mal sem objectivo aparente ou moral assertiva.
A escrita destas narrativas curtas é cuidada e clara, dotada de apontamentos fora do léxico comum que reforçam o ritmo da acção. “Num instante, a multidão oscilou, dividiu-se, sombras correram, a vaia modelou-se em vozeios diferenciados, crepitaram ruídos corridos de passos, desaustinaram tropeios de botas.” E tudo ficou dito sobre a multidão em fuga sujeita a uma carga policial. Toda a emoção e toda a tensão num ritmo desaustinado, num relato perfeito. Dispensam-se mais palavras.
Citando Stephen Leacock
Fechado para almoço
Todos se espantam quando digo que aqui em Fartura as farmácias fazem plantão até às 22h. Perguntam-me e depois, como é que faz. Não faz. Pode-se bater à porta do farmacêutico. Pode-se também ir ao Pronto-Socorro, que está pronto a socorrer qualquer um. Só não garante cura. Sequer alívio. Mas a crônica é outra.
Em Apucarana há um restaurante que fecha pra almoço. O leitor não está a enxergar mal. Se se vai ao tal restaurante para almoçar, não almoça-se. Uma plaquinha atenta para o fechamento temporário.
Mas a gerência já providencia melhoras: especificando hora de retorno, construindo uma área de espera com uma recepcionista especialmente contratada para o serviço de recepcionar quaisquer famélicos clientes, estacionamento mais amplo dividido por categorias: 1ª) “Clientes da manhã” (que abarca os que querem frutas ao acordar); 2ª) “Clientes da espera” (àqueles que chegam ao restaurante entre meio-dia e duas da tarde); 3ª) “Clientes noturnos” (que podem ser tanto os que chegam para o almoço quanto os que vão jantar); e 4ª) “Clientes esporádicos” (àqueles que surgem de quando em vez apenas a petiscar), além de reformas para maior conforto da clientela.
Com toda essa preocupação, é de se considerar justificável a ausência da equipe do restaurante, pois, como ensinam os pais, para tudo tem hora.
As Menízias do Ninhou nestes passos | As Mantas de Minde nos nossos dias | Museu de Aguarela Roque Gameiro – Minde
No próximo sábado, dia 23 de fevereiro, às 15h, no Atelier de Desenho e Pintura, abrirá ao público a exposição. A função das mantas como proteção contra o frio, mantém-se. Hoje, abrem-se novas oportunidades da sua utilização.
No entanto, mantemos os padrões, a textura, a matéria-prima (lâ 100% portuguesa), os processos de tingimento e de fabrico, sempre a pensar na qualidade e beleza das verdadeiras “Mantas de Minde”.
Venha descobrir os novos produtos.
A entrada é livre.
Gabriele Rigon
Correntes d’ Escritas abre hoje as portas | Póvoa do Varzim
Começa hoje à noite, na Póvoa de Varzim, a 14ª edição do Festival Literário Correntes d”Escritas que este ano vai homenagear os escritores Urbano Tavares Rodrigues e Manuel António Pina.
A edição deste ano contará com a presença de mais de 50 escritores (de Portugal, Angola, Espanha e Brasil), tradutores, editores, designers, ilustradores, jornalistas que se vão espalhar por várias escolas da cidade, por mesas redondas, onde se vai debater literatura, e pelos vários lançamentos de livros que decorrem durante os três dias que dura o evento.
Este ano serão muitas as estrelas do firmamento literário de a marcar presença no festival. Entre eles estarão a brasileira que venceu o último prémio Saramago, Andrea del Fuego, os espanhóis Ignácio Martínez de Píson, Susana Fortes e Domingo Villar, os portugueses , António Mega-Ferreira, Vasco Graça Moura, Valter Hugo Mãe, Hélia Correia, Rui Zink, Richard Zimmler ou Nuno Camarneiro (prémio Leya) num evento em que a poesia estará em destaque.
Ler mais:
http://josesaramago.org/384111.html … (FONTE)
Portal de Moda | PNET fashion | Moda, Cosmética, Tendências, Criadores, Shopping
Escrita Criativa Online | Coordenação de Luís Carmelo
João Tordo, José Eduardo Agualusa, Margarida Fonseca Santos, Patrícia Reis, Filipa Melo, Margarida Martins, Paulo Querido, Possidónio Cachapa, Valesca de Assis, Wu Yipei, Paulo Simões, Joaquim Paulo Nogueira, Miguel Real e António Carlos Cortez.
As gaivotas querem voar
Poesia ao fim da tarde | Ericeira
Citando Clarice Lispector
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto.” –Clarice Lispector (imagem: site oficialwww.claricelispector.com.br)
John Locke: o direito de resistir à tirania | por Irene Pimentel
«But if a long train of abuses, prevarications and artifices, all tending the same way, make the design visible to the people, and they cannot but feel, what they lie under, and whither they are going, ‘tis not to be wondered, that they should then rouse themselves, and endeavour to put the rule into such hands, which may secure to them the ends for which government was at first enacted». (Second Treatise, Chapter 19).
Filarmónica Fraude | E Tudo Acabou em 69 | Editora Guerra e Paz
Este é um livro que conta a história – curta mas cheia de grandes episódios – da Filarmónica Fraude, uma banda de rock portuguesa que marcou o fim dos anos 60 com um disco profundamente revolucionário, Epopeia, cuja real importância só agora começa a ser verdadeiramente entendida.
Oferta de CD
com 4 temas inéditos
14,00 €
Não Ficção/Música
Nas livrarias a 21 de Fevereiro
Guerra e Paz
Mila Kunis
IV Encontro-Livreiro | 7 de Abril na Livraria Culsete em Setúbal
Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira
Livraria Galileu – Cascais
A Livraria Galileu, que completou 40 anos de vida no passado dia 22 de Dezembro de 2012, é um exemplo de sonho transformado em realidade, de persistência, de esperança e de grande confiança no futuro do livro, da leitura e das livrarias.
Obrigado, Caroline Tyssen!
«Uma pequena obra-prima» | José Guardado Moreira in “Documenta”
«A novela O Mentiroso revela toda a arte do escritor anglo-americano Henry James (1843-1916): virtuosismo, atenção ao pormenor, sentido de ironia subtil – marcas de um mestre que se queixava ao irmão William, filósofo, de não ser reconhecido, mas que recolhia a admiração de Robert Louis Stevenson, Edith Wharton ou Joseph Conrad. Graham Greene disse que ele era “tão solitário na história do romance como Shakespeare na história da poesia”. Seria redescoberto por T.S. Eliot, Ezra Pound, Hemingway e W.H. Auden, […].Pedro Teixeira Neves | Mercado do Bolhão
Requiem pour un Clown | LE CLOWN LYRIQUE
Adenor Gondim
Helmut Newton for Vogue Paris, 1974
The Mother’s Hand | 1966 by Antanas Sutkus
A rendeira (1669-70) Johannes Vermeer, Museu do Louvre, Paris
Passatempo | Qual o autor? | Qual o nome do conto?
– Quantos males te esperam, oh, desgraçado! Antes ficasses, para toda a imortalidade, na minha ilha perfeita, entre os meus braços perfeitos…
Ulisses recuou, com um brado magnífico:
– Oh, deusa, o irreparável e supremo mal, está na tua perfeição!
E, através da vaga, fugiu, trepou sofregamente à jangada, soltou a vela, fendeu o mar, partiu para os trabalhos, para as tormentas, para as delícias das coisas imperfeitas!
«Um livro triste e belo», por Ana Cristina Leonardo
«Creio ser com legitimidade que podemos considerar Judeus Errantes um livro de História, com H maiúsculo. História abreviada do povo judaico, mas também uma história onde se identifica um olhar nostálgico, pelo menos perplexo, sobre esse tempo singular em que o Império Austro-Húngaro cede lugar aos estados-nação, conceito envolto em autodeterminação e liberdade que não deixará de arrastar sangrentos resultados. Joseph Roth, testemunha privilegiada desse período, traça um retrato preciso da cultura, religiosidade e idiossincrasias judaicas, centrando-o nos judeus orientais e, com isso, desmistificando o mito do judeu inevitavelmente rico, banqueiro, conselheiro de príncipes e poderosos. […] O livro é uma “declaração de amor” e reconhecimento das origens […]Intuindo com argúcia o carácter antirreligioso do nazismo, conclui profeticamente: “Não há nenhum conselho, nenhum consolo, nenhuma esperança. […] Morre em 1939, em Paris, e a História dar-lhe-á razão. Um livro triste e belo.»
Algumas linhas sobre a urbanização colonial em Angola | in BUALA por Andréia Moassab
Estas brevíssimas reflexões resultam de diálogo profícuo com a arquiteta, professora e pesquisadora Manuela da Fonte, sobretudo a partir da sua tese de doutorado Urbanismo e Arquitectura em Angola: de Norton de Matos à Revolução, defendida na Universidade Técnica de Lisboa (Portugal) em 2007. Para além da agradável leitura, seu trabalho organiza um excelente material de pesquisa sob um primoroso rigor acadêmico. Das histórias não contadas na tese, vale a pena destacar a imensa dificuldade que é qualquer incursão pelos arquivos angolanos. Plantas, relatórios e documentos estão perdidos (e perdendo-se) pelas instituições, sem catalogação tampouco disposição adequada. É uma parte da história do país e da história da arquitetura e do urbanismo do século XX que literalmente desfaz-se.
Ler texto completo em BUALA:
http://www.buala.org/pt/cidade/algumas-linhas-sobre-a-urbanizacao-colonial-em-angola … (FONTE)
Bertold Brecht
“Primeiro puseram no desemprego os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida mandaram para o desemprego alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois lançaram no desemprego uns miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois deixaram de pagar fundo de desemprego uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me pondo no desemprego
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”
David Seymour | ITALY. Naples. 1948.
ITALY. Naples. 1948.
Some of the young Napolitans placed in a reformatory in the Albergo dei Poveri by order of the Juvenile Court. They work in different workshops attached to the reformatory. They also go to school in the same building. Discipline is very rigid and the boys’ faces are wary and suspicious. The reformatory is a vast building erected by Charles, King of Sardinia at the end of the 19th century, which now houses orphanages and reformatories.
http://www.magnumphotos.com/C.aspx?VP3=CMS3&VF=MAGO31_10_VForm&ERID=24KL53Z58C … (FONTE)
Ry Cooder Paris, Texas
Insónia | Álvaro de Campos
Insónia
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê…
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada…
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.
Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa






































































