No próximo sábado, 31 de maio, André Barata, e Renato Carmo estarão presentes num debate na 84ª Feira do Livro de Lisboa subordinado ao tema “Estado Social – De Todos para Todos”, com base no livro homónimo organizado por estes dois membros do Grupo de Contacto do LIVRE.
São também convidados do debate: o historiador Rui Tavares, também do Grupo de Contacto do LIVRE, o deputado João Galamba e psicóloga Joana Amaral Dias.
O debate inicia-se às 15h00 na Praça Laranja.
O livro “Estado Social – De Todos para Todos” (Tinta da China), foi recentemente lançado e resulta de reflexões resultantes da Conferência Vencer a Crise com o Estado Social e com a Democracia, organizada pelo Congresso Democrático das Alternativas a 11 de maio de 2013 no Fórum Lisboa.
Com a participação de ALDINA DUARTE, a realizar na próxima quinta-feira, 29 de Maio, 2014, às 18:30H
Centro Cultural de Belém, Lisboa
Nada mais apropriado para o fecho do Ciclo A CANTAR e a CONTAR, 2014, do que a conferência do Professor RUI VIEIRA NERY dedicada ao MITO de ORFEU. A Música sara as feridas da alma – e do corpo – e a história do apaixonado sedutor que, com a sua lira, aquietava e enfeitiçava o Cosmos – a terra, os céus, os oceanos, o mundo subterrâneo, os mortais e os imortais, os seres humanos, as plantas e os animais, enquanto mantinha , inalterável , o seu amor por Eurídice – tem atravessado os tempos como uma poderosa alegoria. Orfeu, o músico por excelência, foi também o homem que quebrou o tabu e ousou olhar o Invisível.
Entrada livre. Sala Luís de Freitas Branco
A Cantar e a Contar
A partir de uma ideia de ALDINA DUARTE, este ciclo, centrado na figura da cantora e intitulado genericamente A CANTAR e a CONTAR, regressou em 2014 com mais convidados e mais quatro sessões. Com a moderação de Helena Vasconcelos e a partir da relação de excelência entre os grandes textos da Literatura, a Música e o Canto, cada sessão desenvolver-se-á a partir da visão muito particular das personalidades convidadas as quais, pela sua sabedoria, sensibilidade e inteligência ajudarão a iluminar e engrandecer estes encontros, tendo por base os temas propostos.
Esquecer as conotações visuais de uma mesquita e traduzir no espaço a religiosidade muçulmana é o que propõe o atelier de arquitectura Aires Mateus que ganhou o projecto para o Centro Muçulmano de Bordéus, em França.
A ambição de construir um espaço contínuo e em que a ideia de unidade entre a religião e o quotidiano são centrais fez do projecto do arquitecto Manuel Aires Mateus o escolhido pela Fédération Musulmane de la Gironde.
A obra com o valor de 24 milhões e meio de euros e com quase 12 mil metros quadrados centra-se no culto e na cultura muçulmana, em que o lado religioso de cada indivíduo se estende à sua vida quotidiana. Foi esta ideia de continuidade e unidade da vida religiosa com a vida social que o atelier procurou neste projecto que vai ser erguido de raíz junto ao rio Garona, na zona nova de Bordéus, em França.
“Para este projecto procurámos um espaço absoluto, uma topografia contínua, uma arquitectura onde tudo está ligado: os diferentes usos [do edifício], os percursos que os relacionam, a luz filtrada que os caracteriza. Um todo sem partes”, lê-se na nota explicativa que acompanha o projecto.
Para a concretização física deste conceito, há um andar térreo de ligação à cidade com lojas e cafetarias – o lado social – e um outro superior onde estão as funções culturais – salas de aula. Entre estes dois, há um espaço aberto, revestido a vidro dedicado ao culto: duas salas, uma com 350 lugares para uso diário, e outra com 4 mil, para uso semanal. “Esse espaço é o grande vazio, em continuidade com o mundo, em que a luz exterior que se prolonga é um espaço para a religião sem fronteiras”, explica Aires Mateus ao PÚBLICO, acrescentando que o “culto é este lugar que está entre o céu e a terra, que o une e que nos interessa”.
O piso térreo quer ser ainda um lugar de ligação da comunidade muçulmana com a comunidade de Bordéus: este espaço é perfurado para que se possa circular por ele sem se seja um objecto fechado, perturbador da circulação na cidade.
“É mais estimulante por ser um espaço religioso, em que o que interessa é a espiritualidade e transcendência”, disse o arquitecto Manuel Aires de Mateus a propósito do primeiro projecto do atelier Aires Mateus para um espaço religioso. Apesar desta novidade, como nos anteriores trabalhos deste atelier, a centralidade do projecto volta a estar numa ideia de espaço.
O PS não capitalizou o descontentamento que afundou a Direita Unida, o que significa que, em tese, ficou em aberto quem ganhará as eleições legislativas do ano que vem. E tão grave quanto isso, o PS, mesmo em caso de vitória, ter de constituir governo com o PSD. Muita gente atribui este facto a António José Seguro, à pessoa mais do que à política de oposição por ele prosseguida. É um facto que Seguro não caiu no goto de ninguém e, aparentemente, parece ser uma menos-valia para os socialistas. No entanto, nunca saberemos se outro secretário-geral dos socialistas (quem?) obteria resultado diferente. Vale a pena lembrar, a tempo, ao PS, que se chegar ao governo para fazer “mais do mesmo”, arrisca-se a levar os socialistas no futuro aos 13% dos socialistas franceses ou aos 7% dos socialistas gregos.
SARA DIAS OLIVEIRA 26/05/2014 – 07:30 in Jornal Público Boaventura de Sousa Santos, director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, constata que a Europa da coesão social acabou e que a troika despromoveu Portugal, acentuando-lhe o estatuto de país semi-periférico.
O sociólogo de Coimbra avisa que, dentro de cinco anos, poderemos ter uma sociedade irreconhecível. E acusa o Governo de apresentar opções políticas como fatalidades.
Três anos de austeridade, de cortes. Como será o país no pós-troika?
Portugal carrega a condição de semi-periférico no contexto europeu há vários séculos. O pós-troika vem mostrar que esta condição vai durar muito mais tempo e que o objectivo que se pretendeu com a integração na União Europeia – tentar ver se Portugal saía desse estatuto – não foi possível. E a tentativa foi tão mal gerida que ficámos pior. Não ganhámos nada em termos da nossa posição no sistema mundial, não ganhámos nada com a integração na União Europeia e ficámos pior, porque perdemos os instrumentos que poderiam, de alguma maneira, provocar uma retoma significativa da nossa economia e da nossa sociedade. Portugal não é ainda um país subdesenvolvido, mas tem mais características de subdesenvolvido do que antes. Tínhamos passado a ser um país de imigrantes, voltámos a ser um país de emigrantes. Tínhamos direitos sociais no domínio do trabalho, velhice, educação e saúde, que têm sido precarizados de modo a que Portugal se pareça, cada vez mais, com um país subdesenvolvido ou do terceiro mundo. Este conceito de “pós-troika” precisava de uma análise semântica. O pós-troika foi criado por uma certa ideia nacionalista que existe no Governo, que foi amplificada simbolicamente como retoma da soberania nacional. Assim, quem não quer o pós-troika? Todos querem. O que não estão a ver é que a troika vai ficar, deixou tudo planeado.
SÉRGIO ANÍBAL Anunciado por uns como o “novo Marx”, mas acusado por outros de ter renegado o trabalho do autor de O Capital, Thomas Piketty agitou o debate político e económico nos Estados Unidos e na Europa com um alerta: a actual sociedade capitalista está cada vez mais parecida com o mundo desigual do século XIX descrito por Jane Austen e Honoré de Balzac.
. Darcy não é de muitas falas e faz tudo para manter uma figura misteriosa, mas há algo sobre ele que toda a gente sabe: o seu rendimento anual é desde a morte do seu pai e continuará a ser até à sua própria morte de mais de 10 mil libras. É esse rendimento garantido, uma verba astronómica inalcançável pela grande maioria, que lhe permite uma vida inteira sem trabalhar e que o torna uma oportunidade única de ascensão social que nenhuma jovem pretendente de mente sã deve rejeitar. Mr. Darcy é uma personagem criada por Jane Austen em 1813 e representa a classe alta da sociedade britânica do início do século XIX, onde o mérito e o esforço de cada um estavam longe de ser vistos como passaportes para o sucesso financeiro.
Mr. Gates não é uma personagem de um livro. Criou a Microsoft em 1977 e acabou por se tornar o homem mais rico do mundo. Nos últimos anos, parece estar a fazer tudo o que pode para ficar com menos dinheiro. Deixou de trabalhar, vendeu quase toda a sua participação na Microsoft e entregou 29 mil milhões de dólares à sua fundação. Mas, mesmo assim, a fortuna não o deixa. Está avaliada actualmente em 79 mil milhões de dólares, um valor que é 16 mil milhões mais elevado do que era há dois anos.
Roma atrasou o reconhecimento da existência soberana de Portugal durante décadas (36 anos, exactamente) mas acabou por ter de a reconhecer! Fê-lo com a bula ‘Manifestis Probatum’, emitida a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III, que reconhece Afonso Henriques como “Ilustre Rei dos Portugueses” e seu “excelso domínio, o reino de Portugal”… E reconhece a validade ao Tratado de Zamora de 5 Outubro 1143 em que Afonso VII de Leão e Castela reconhece Portugal como reino independente e Afonso Henriques como seu “rex”… Quase no fim da sua vida, Afonso Henriques obtinha mais uma vitória, agora sobre a má vontade do Vaticano e seus papas pró-castelhanos, e ganhava uma guerra que vinha desde 1139, quando os seus guerreiros o haviam proclamado Rei de Portugal nos campos de Ourique.
Ontem, ao discursar na sede de campanha do LIVRE, improvisando perante tanta gente que ainda há poucos meses não imaginava que iria fazer um partido junta, saiu-me uma frase em que não tinha pensado antes, mas que está na essência do nosso projeto político: “peço-vos que nunca digamos uma palavra em que não acreditemos”.
O projeto do LIVRE está em trazer conteúdo à política e significado a algumas palavras que foram esvaziadas pela política sem conteúdo. Há palavras que só ganham vida se estivermos dispostos a agir por elas. E, nos últimos anos, demasiadas palavras foram esvaziadas. Não basta falar de democracia, é preciso praticá-la — e por isso fizemos primárias abertas. Não basta falar de mudança, é preciso ser a mudança — e por isso usamos a democracia deliberativa como método. Não basta falar de Europa — é preciso explicar o que fazer com ela, e por isso temos o programa mais completo e bem fundamentado destas eleições.
O objetivo é ter uma política que deixe de tratar os cidadãos como se eles tivessem uma mera câmara de eco no lugar da cabeça. E aventura só agora começou. Há tantas palavras a preencher de significado nos dias de hoje. Há quem fale de patriotismo, sem estar disposto a modificar a sua tática partidária quando o país está em risco. Há quem fale de europeísmo, quando viu a pior crise abater-se sobre a Europa e não levantou a sua voz contra a política de vistas curtas que nos dominou. Há quem fale de esquerda, e recuse admitir que a esquerda será sempre uma aliança de diferentes — de todos os que não são ricos nem poderosos — cujo objetivo é mudar o mundo presente, e não digladiar-se em disputas bizantinas sobre quem é mais puro no reino dos céus.
Nós não podemos continuar a esperar que o significado desça sobre estas palavras como quem reza pela chuva. Temos de ser nós a fazer algo por estas palavras: solidariedade, justiça, progresso, futuro, liberdade. Temos uma responsabilidade perante elas, que é uma responsabilidade perante nós mesmos e os nossos concidadãos. Queremos viver numa política em que haja correspondência entre o que se diz e o que se faz. E, por uma vez, basta querer para se começar a fazer.
Nestas semanas explicámos o “porquê” do LIVRE — porque era necessário um partido mais aberto, mais democrático, mais libertário, com uma voz autónoma para a ecologia, no meio da esquerda portuguesa. Para logo depois explicar o “para quê”: para que serve votar no LIVRE, eleger deputados e deputadas que implementarão o nosso programa legislativa, e fazer do LIVRE uma surpresa que tenha impacto na formação de governo em Portugal.
E ontem juntámos ao “porquê” e ao “para quê”, mais duas palavras: o “contra” e o “como”.
O “contra” é uma palavra muito importante. Não se pode viver sem recusar, não se pode ser pessoa sem poder dizer não, sem desobedecer. Mas cada “contra” encerra em si uma responsabilidade política: a do “como”. Não se pode estar contra sem ao menos tentar procurar um “como”: como sair da situação em que nós encontramos, como combater o que nos aflige, como reformular as regras do jogo, como ser a mudança que queremos fazer.
Tenho muito orgulho de estar num partido que a cada momento leva a sério essas palavras: porquê, para quê, contra, como. Temos brio em explicar claramente o que queremos fazer com cada uma delas.
Agora chegámos ao início da aventura. Vamos pela primeira vez apresentar-nos ao voto dos nossos concidadãos, com um sorriso estampado na cara. Nós não acreditamos só na democracia; gostamos dela. Vamos contentes ao encontro dela. Estamos contentes porque fizemos uma campanha digna, porque falámos do futuro e da Europa (e de Portugal nela), porque não nos deixámos desviar do nosso caminho, porque não fizemos um único ataque pessoal, não caímos numa única controvérsia artificial ou inflacionada, não perdemos um segundo com aquilo que não interessava. Ao invés de jogar para a agenda mediática das próximas 24 horas, pensámos e falámos sempre dos próximos 5 anos.
E agora falta uma hora para fechar a campanha. É a hora dos últimos telefonemas, dos últimos panfletos, dos últimos argumentos. Estamos bem perto de conseguir mudar a política portuguesa. Falem com toda a gente que puderem nestes minutos. Expliquem o que é este partido, o que ele pode fazer, como ele pode melhorar a democracia, como os seus deputados e deputadas no PE legislarão para mudar a Europa. Persuadam muitos, convençam todos os que puderem.
Só vos peço uma coisa: que nunca digam uma palavra em que não acreditem.
BREVE HISTÓRIA DE CINCO REVOLUÇÕES FINANCEIRAS
Do “papel-voador” na China aos algoritmos que dominaram Wall Street
A emergência do capital e do capitalismo é comummente associada ao processo de acumulação primitiva ligado à Revolução Industrial, no Reino Unido. Mas, na realidade, é muito mais antiga. A China e o império muçulmano foram o berço de inovações de mercado e financeiras que se estenderam por séculos. A cronologia que se publica percorre mais de um milénio de história desde a criação por mercadores chineses do “papel-voador”, no final do distante Império Tang, aos algoritmos financeiros que conquistaram Wall Street em pleno século XXI e fazem tremer o sistema financeiro surpreendido com derrocadas-relâmpago. Inclui-se uma passagem obrigatória pelo papel globalizador da Expansão portuguesa nos séculos XV e XVI, que atrairia a alta finança europeia para o Atlântico e transformaria o “português de ouro” manuelino em divisa internacional.
Este livro tem dois objectivos: Por um lado, projectar um filme rápido sobre a história mais do que milenar do nascimento e expansão do capital financeiro, através das revoluções que liderou desde o final do século VIII. A sua história está cheia de inovações surpreendentes. Não se trata de uma história breve do dinheiro, nem dos bancos, nem da política monetária soberana. Mas dos principais capítulos da projecção estratégica deste segmento do capitalismo.
Por outro lado, ressaltar que a financeirização é a maior mudança estrutural no capitalismo nos últimos dois séculos. Compreender esse fenómeno é hoje crucial.
(…) A melhor opção, diz o fundador da École d’Économie de Paris, é um imposto extraordinário progressivo sobre o valor líquido das fortunas acima de €1 milhão, com uma taxa de 1% entre 1 e 5 milhões e de 2% acima de 5 milhões, aplicado ao longo de um período de tempo como medida fiscal de emergência. (…)
A taxa anual progressiva sobre as fortunas (avaliadas em termos líquidos, insiste o autor para não assustar as classes médias) acima de €1 milhão, poderia abranger, no caso da União Europeia (UE), uma minoria de 2,5% da população adulta e permitir uma arrecadação fiscal anual na ordem de €300 mil milhões, equivalente atualmente a 2% do PIB. Essa taxa deve aplicar-se a todo o tipo de ativos detidos por esses escalões de contribuintes.
In June 2014 the Helmut Newton Foundation celebrates its tenth year anniversary. The museum first opened its doors with the exhibitions “Us and Them” and “Sex and Landscapes”, which were selected by Helmut Newton shortly before his death. Now, ten years later, foundation president June Newton (a.k.a. Alice Springs) has chosen the same combination.
“Us and Them” is a joint exhibition and book project by Helmut and June Newton. A photographic journal of their life together, the project includes self-portraits, at times intimate, reciprocal portraits, as well as photographs of actors, artists, and other prominent figures of the times. Taken during the 1980s and 1990s at separate sittings, the photographs of the international jet set by Helmut Newton and Alice Springs are presented side-by-side in pairs.
The exhibition “Sex and Landscapes” brings together large-format landscapes and nude photographs taken in black-and-white and color between 1974 and 2001. Overclouded seascapes and breaking waves outside Monte Carlo or neo-baroque Madonna figurines in small Italian towns mingle with nudes in glamorous and provocative scenes of erotic obsession, played out by a female cast.
HELMUT NEWTON FOUNDATION
Museum of Photography
Jebensstrasse 2 / 10623 Berlin
info@helmut-newton-foundation.org http://www.helmut-newton.com
phone +49 30 3186 4856
Já era tempo de os portugueses poderem candidatar-se a eleições sem estarem reféns de uma direcção partidária. Esta é uma das ideias que Ricardo Araújo Pereira vai usar para justificar o apoio que decidiu dar ao partido Livre e à reeleição de Rui Tavares como deputado europeu.
A dirigente do Livre Marta Loja Neves confirmou ao PÚBLICO que o humorista gravou um tempo de antena que irá para o ar na SIC na próxima terça-feira. Durante cerca de dois minutos, Ricardo Araújo Pereira, que não tem filiação partidária, justifica a opção com a crença de que o Livre “viabiliza novas combinações à esquerda”. Uma esquerda, diz, “que não abdique dos seus princípios, mas que não atire a governação para os braços da direita.”
Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.
Organizado pela Revista Rubra, a realizar no dia 20 de Maio, terça-feira, entre as 19:00H e as 21:300H, com Hillel Ticktin, editor da revista Critique – Journal of Socialist Theory; Raquel Varela, historiadora e Renato Guedes, físico teórico.
É tempo de organizar uma conferência com os governos e os novos Parlamento e Comissão para resolver os problemas do excesso de dívida, crescimento económico anémico e falta de robustez institucional do euro
A crise da zona euro apanhou a União Europeia mal equipada, desprevenida e desorientada. A arquitetura da moeda única estava incompleta e era incoerente, as contas de alguns estados-membro foram falsificadas com a cumplicidade de grandes bancos internacionais e a aquiescência dos seus parceiros europeus, Bancos faliram, contribuintes foram chamados a segurar os bancos, as dívidas soberanas explodiram e, sobretudo, perante a passi idade dos “líderes” europeus e a resistência do governo da Alemanha, explodiram os seus juros. A reação, quando chegou, passou pela criação semi-improvisada de novos mecanismos — o Fundo Europeu de Estabilização Financeira — e organismos — a troika — que não estavam previstos pelos Tratados ou violavam os seus artigos.
Ge travaille chaque matin depuis la leve du soleill
et je la satisfaction de pouvoir vous assure
que je suis entrain de peindre des veritables chefd’euvre dans le genre de ceux que l’on faisait aux epoques de Rafael.
Merci, merci avec votre geni iberique
integral et categorique vous havais tue
Buguereau et aussi et surtout l’art moderne
tout entier ! maintenant on peut de
nouveau peindre originallement
Bon jour ! vous embrasse
et viendre vous montrai encore une fois mais tableux
vous serai fou de joie votre
Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.
A música é um adereço para expor o grotesco ou será o contrário? O vencedor(a) do festival da Eurovisão venceu porque tem uma bela voz e uma bela canção ou porque é uma coisa extravagante? A Miley Cyrus canta bem, mas porque precisa de simular um broche a uma pila enorme num concerto? Ou porque necessitará a Rihanna de roçar a peida nas paredes como se estivesse com cio? Coitado do Brahms e do Schubert! No tempo deles não havia disto.
(…) Registe-se contudo que este caso foi uma acção levada a efeito por Putin para ganhar vantagem, aproveitando uma situação de vulnerabilidade criada por erros ocidentais e aproveitando a oportunidade que lhe foi dada pela iniciativa da Alemanha, que também por motivos de interesse geopolítico idêntico mas de sentido inverso aos de Moscovo, financiara a revolta de Kiev para apear o Presidente da República da Ucrânia afeto à Rússia, visando assim garantir o controlo do espaço geopolítico ucraniano que os alemães também procuravam alcançar. (…)
L’Europe ne se fera pas d’un coup ni dans une construction d’ensemble. Elle se fera si des réalisations concrètes créent d’abord une solidarité de fait.
Deux jours avant son discours historique du 9 mai 1950 lançant une solidarité économique et industrielle entre les Etats européens, autour de la production de charbon et d’acier, Robert Schuman cherche encore à convaincre le Chancelier allemand, Konrad Adenauer, de l’importance d’une telle résolution. Lettre capitale dans les coulisses de la construction de la Communauté Européenne, alternative géniale et historique à la guerre qui décime, chaque siècle, le Vieux Continent.
9 de Maio às 21h30
Na sexta-feira, 9 de maio, a editora Tinta da China promove a apresentação do livro “A Ironia do Projeto Europeu“, da autoria de Rui Tavares.
A apresentação estará a cargo de Clara Ferreira Alves e Viriato Soromenho Marques e terá lugar na sede de campanha do LIVRE, no espaço Frágil (Rua da Atalaia, 126, ao Bairro Alto, Lisboa).
No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho
O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.
Jappe – que tem três livros editados em Portugal pela Antígona, entre os quais As Aventuras da Mercadoria (2006) – faz uma conferência, na próxima terça-feira, dia 23, no Teatro Maria Matos, no âmbito do ciclo Transição. Na conferência (em português), com curadoria de António Guerreiro, Jappe vai explicar por que devemos repensar o conceito de trabalho.
Completed in May 2008 and situated on a previously developed 3.41-acre site in Dallas’ central business district, The Bridge provides a broad spectrum of care including housing, emergency and transitional care for more than 6,000 people in Dallas experiencing long-term homelessness. Consisting of five buildings that create a courtyard in the center of the campus as well as engaging the surrounding community, The Bridge incorporates a three-story services building, a one-story welcome building, a storage building, an open air pavilion, and a dining facility, which serves as a focal point to the interior landscaped courtyard of the campus and also as a food magnet providing social workers with an opportunity to connect with the homeless.
“The Bridge,” meets the growing concerns of homelessness in Dallas, Texas. A safe haven and focus for services for more than 6,000 needy, it empowers chronic and newly homeless to come off the streets and sustain permanent housing in order to live productively. The Center supports guests, provides a safe and attractive work environment, and improves the surrounding community. As a beacon of hope, it provides a strong visual presence within the city and elevates the quality of public spaces. It engages the community in transforming the lives of its most disenfranchised members, proving that shelters should not be isolated, but an integrated part of our community; they are valuable civic buildings representing the compassion of our society. To learn more about The Bridge and The Metro Dallas Homeless Alliance please visit http://www.mdhadallas.org/
DESIGN ACCOLADES
Because of its multiple sustainable features such as its green-roofed dining room, grey water recycling system, and natural daylighting used throughout the buildings, the project was awarded LEED (Leadership in Energy & Environmental Design) Silver Certification from the U.S. Green Building Council, making it the largest homeless shelter in the United States to be LEED certified. Other national and international design accolades include the American Institute of Architects’ (AIA) 2009 National Housing Award, the AIA/Housing and Urban Development (HUD) Secretary Award, a 2009 National Excellence in Design Award from Environmental Design + Construction magazine and the 2009 Chicago Athenaeum’s American Architecture Award.
ABOUT OVERLAND PARTNERS
Overland Partners Architects, founded in 1985 in San Antonio, Texas, is a realization of a vision to bring together a wide range of talents in architecture and planning, in order to provide comprehensive and design services. Sensitive to the environmental and aesthetic contexts of their projects, the firm strives for a thoughtful integration of technology, art, and craft through highly sustainable solutions. Overland Partners Architects offers its clients the ultimate goal of creating a beautiful, functional and enduring design through a process that inspires long-term relationships and is rewarding to the entire project team. For more information, visit http://www.overlandpartners.com.
ABOUT CAMARGOCOPELAND
Founded in 1985, CamargoCopeland Architects, LLP, offers architectural, interior architecture/design, and planning services. The company’s principals, Myriam E. Camargo, AIA and E.J. Copeland, AIA and its staff form an accomplished and highly skilled team with experience in corporate development, educational/public institutions, hospitality/club developments, and retail facilities. CamargoCopeland Architects is registered with the State of Texas as a Historically Underutilized Business and operates as a Minority/Woman Owned Business Enterprise. In 1999, the Dallas Business Journal recognized CamargoCopeland Architects in its annual Book of Lists as the “Largest Woman-Owned Full Service Architecture Firm in the Dallas Metroplex.” For more information, visit http://www.camargocopeland.com.
Caros signatários do Manifesto para uma Esquerda Livre:
O LIVRE precisa de ajuda!
Se cada um de nós ajudar com 10 ou 20 euros ou até mais, conforme as possibilidades nestes tempos que sabemos difíceis para a maioria, o LIVRE terá as condições necessárias para fazer uma boa campanha.
Os dados bancários são os abaixo apresentados.
No descritivo da transferência deve indicar “donativo campanha PE 2014”.
LIVRE CAMPANHA PE 2014
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BIC : MPIOPTPL
Muito obrigado & Saudações LIVREs,
A equipa do LIVRE
ATENÇÃO!
Alertamos para os seguintes artigos previstos na lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais:
Os partidos políticos não podem receber doações em nome de pessoas colectivas nacionais ou estrangeiras;
Os partidos políticos não podem receber doações anónimas;
Os partidos políticos só podem receber doações por cheque ou transferência bancária;
O valor máximo permitido por doador é de 10480,50 euros.
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz o nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
– Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
– Como assim?
– Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
– É a moda.
– Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
– Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
– Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
– Que é que tem as maneiras, os gestos?
As comemorações dos quarentas anos do 25 de Abril, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, são completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia. Parecem directamente inspiradas no modelo da Acção Paralela, esse comité de príncipes do espírito, inventado por Robert Musil, em O Homem Sem Qualidades, que tinha a seu cargo a missão patriótica de celebrar os 70 anos do Imperador da Cacânia, isto é, do Império Austro-húngaro.
Mas em vez de culminar numa celebração grandiosa a sua busca de um fundamento da civilização austríaca, conforme aos mais altos espíritos da época, a Acção Paralela submerge num princípio vazio e torna-se a parábola satírica de uma ausência. A celebração de que a Acção Paralela está encarregada não tem objeto. No romance de Musil, Ulrich, “herói” nihilista, ao menos compreendeu que a época em que vive, dotada de um saber superior a qualquer outra época precedente, de um saber imenso, é incapaz de intervir no curso da história e já nada acontece. Já não existem acontecimentos, apenas notícias. Ao contrário de Ulrich, os nossos príncipes do espírito mobilizados numa semelhante Acção Paralela, encarregada de uma tarefa esterilizadora e sem outro desígnio que não seja o de designar o centro vazio das comemorações, vieram todos demasiado tarde. São espíritos retardados e não heróis nihilistas. Parecem, aliás, uma repulsiva síntese do bom democrata com o conceito nietzschiano de último homem.
Desconhecem muito de tudo e desconhecem absolutamente que esta história é sem época. Na nossa Cacânia, a reificação conformista do passado garante-nos que o futuro não tem porvir e, da esquerda mais à esquerda até à direita, o que vemos é o mesmo nada – nihil – que se dá a ver em grandes poses. Todos se treinaram no exercício que consiste em fazer um uso público da História, mas todos desconhecem a lição que torna o passado carregado de presente, isto é, citável sem ser neutralizado e reificado. O significante vazio que mais recitam é “democracia”, tornada religião civil à escala planetária. Uns falam de democracia referindo-se a uma ordem jurídico-política; outros entendem-na no plano da prática administrativa, gestionária. Uns e outros parecem incapazes de interrogar tal conceito, de perceber a cisão que o habita e que o fez divergir em duas direcções diferentes.
Por isso, deixámos de saber a que ordem de realidade política pertence a democracia. O que sabemos muito bem é que ela se tornou um mero dispositivo do discurso dos políticos. Ao ponto de poder ser entendida, hoje, como a religião dos governantes abandonada pela falta de fé dos governados.
A guerra situa-se também, ou sobretudo, no plano da linguagem. Porque são festivas e pacíficas, as comemorações devem, portanto, ter um vocabulário reduzido, ficar pela língua cristalizada da maquinação “democrática”, quer por estratégia, quer porque já não se conhece outra. A grande missão patriótica da nossa Acção Paralela nem precisa de se esforçar para encontrar a palavra de ordem que mais lhe convém, a verdade mais cristalina da ideia e do fundamento que buscava para comemorar. Essa palavra de ordem foi-lhe oferecida por uma alta representante da Nação, paralela em nas acções e muito oblíqua nas palavras, e resume-se a uma tirada que deve ser elevada a digno emblema das comemorações: “Isso não existe!”.
D.F., México (17 abril, 2014): Una fuente cercana a la familia ha confirmado que Gabriel Garcia Márquez ha fallecido. Tenía 87 años. El realismo mágico en las novelas y cuentos de Garcia Márquez impactaron a millones de lectores, y resaltó la pasión de Latino America. Considerado el escritor más popular desde Miguel de Cervantes del siglo 17, Garcia Márquez alcanzó la celebridad literaria que se comparan a Mark Twain y Charles Dickens. Su novela Cien años de soledad vendió más de 50 millones de copias en 25 idiomas.
Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.
Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.
Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera
Alguém que ela conhece.
E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho
During his visit to Duisburg, Chinese President Xi Jinping made a master stroke of economic diplomacy that runs directly counter to the Washington neo-conservative faction’s effort to bring a new confrontation between NATO and Russia.
Using the role of Duisburg as the world’s largest inland harbor, an historic transportation hub of Europe and of Germany’s Ruhr steel industry center, he proposed that Germany and China cooperate on building a new “economic Silk Road” linking China and Europe. The implications for economic growth across Eurasia are staggering.
La sauvegarde des arbres plantés au bord des routes, […] est essentielle pour la beauté de notre pays.
Mon cher Premier Ministre,
J’ai eu, par le plus grand des hasards, communication d’une circulaire du Ministre de l’Equipement — Direction des routes et de la circulation routière — dont je vous fais parvenir photocopie. Cette circulaire, présentée comme un projet, a en fait déjà été communiquée à de nombreux fonctionnaires chargés de son application, puisque c’est par l’un d’eux que j’en ai appris l’existence. […] Bien que j’ai plusieurs fois exprimé en Conseil des Ministres ma volonté de sauvegarder « partout » les arbres, cette circulaire témoigne de la plus profonde indifférence à l’égard des souhaits du Président de la République. Il en ressort, en effet, que l’abattage des arbres le long des routes deviendra systématique sous prétexte de sécurité. Il est à noter par contre que l’on n’envisage qu’avec beaucoup de prudence et à titre de simple étude, le déplacement des poteaux électriques ou télégraphiques.
C’est que là, il y a des administrations pour se défendre. Les arbres, eux, n’ont, semble-t-il, d’autres défenseurs que moi-même et il apparaît que cela ne compte pas. La France n’est pas faite uniquement pour permettre aux Français de circuler en voiture, et, quelle que soit l’importance des problèmes de sécurité routière, cela ne doit pas aboutir à défigurer son paysage. La sauvegarde des arbres plantés au bord des routes — et je pense en particulier aux magnifiques routes du Midi bordées de platanes — est essentielle pour la beauté de notre pays, pour la protection de la nature, pour la sauvegarde d’un milieu humain. La vie moderne dans son cadre de béton, de bitume et de néon créera de plus en plus chez tous un besoin d’évasion, de nature et de beauté. L’autoroute sera utilisée pour les transports qui n’ont d’autre objet que la rapidité. La route, elle, doit redevenir pour l’automobiliste de la fin du vingtième siècle ce qu’était le chemin pour le piéton ou le cavalier : un itinéraire que l’on emprunte sans se hâter, en en profitant pour voir la France. Que l’on se garde donc de détruire systématiquement ce qui en fait la beauté !
A via social-democrata é esmagada por Spínola no 11 de Março, defende o coronel Rodrigo Sousa e Castro
Rodrigo Sousa e Castro nasceu numa família “remediada” e em vez do seminário, um destino possível naquele tempo, escolheu a Academia Militar. Ainda fez admissão à Faculdade, mas não tinha dinheiro. Mais tarde, já envolvido com o movimento dos capitães, frequentará o Instituto Superior de Economia. Sousa e Castro desfaz dois D da revolução de Abril, nomeadamente a descolonização que, na sua opinião, não existiu e a democratização que falhará logo por culpa do golpe de Spínola – e entretanto por outras culpas também.
Quando é que começou a perceber que o regime da ditadura não funcionava?
Comecei a perceber que vivíamos numa situação estranha na altura da eleição do general Humberto Delgado. Eu era ainda muito jovem, estava no colégio São Gonçalo de Amarante, mas houve lá já um movimento entre os alunos, frequentávamos uma livraria – o dono era do “reviralho”. O meu pai era ferroviário e entre os ferroviários havia uma grande solidariedade contra o regime. Era um grupo profissional que tinha alguma organização política que julgo que era dominada pelo Partido Comunista. Às vezes passavam panfletos nas estações…
Quando a guerra findou — como se a guerra alguma vez findasse, ou houvesse neste mundo senão guerra! —, quando, enfim, esta guerra de há pouco findou, passou a ser assunto de primeiro plano aquilo, já bastante discutido, a que mais vulgarmente se chamou “os problemas da reconstrução”. A frase é inglesa, e, como participa da nebulosidade mental que caracteriza os ingleses, susceptível de ser mal interpretada. Se o termo diz respeito ao mero restabelecimento das vias normais da vida pacífica, tem cabimento etimológico; se diz respeito à reconstituição das indústrias estagnadas, à reedificação das cidades destruídas, tem cabimento também. A frase porém tem um sentido vulgar arbitrariamente mais lato: quando se diz “reconstruir”, quer, em geral, dizer-se simplesmente “organizar”. E esta ideia de organização não tem origem simplesmente na necessidade de preencher lacunas, que a guerra abrisse, ou de reparar estragos, que os exércitos fizessem. Tem uma, de certo modo, mais vergonhosa origem.
Um agricultor alentejano, já entrado nos anos, tinha uma bela barragem na sua herdade.
Depois de algum tempo sem ir ao local, decidiu naquele dia ir dar uma olhadela geral para ver se estava tudo em ordem.
Pegou num balde para aproveitar o passeio e trazer fruta do pomar e, ao aproximar-se do lago, ouviu vozes femininas, animadas e divertidas.
Então viu um grupo de jovens a tomar banho no lago, completamente nuas.
Chegou mais perto e com isso, todas elas fugiram para a parte mais funda do lago, deixando apenas a cabeça fora de água.
Uma delas gritou: -Não saímos daqui enquanto o senhor não se for embora.
O alentejano, que não era burro, respondeu: – Calma meninas, eu não vim até aqui para as ver a nadar ou para as ver sair nuas do lago, e levantando o balde, disse:
-Eu só vim dar comida ao crocodilo…
(Idade e experiência sempre triunfarão sobre a juventude e o entusiasmo)
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.
suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.
principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.
há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.
sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.
mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.
sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.
algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.
todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.
essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.
A primeira questão que vos trago: o que esperamos de um livro? O que esperamos de um quadro, de um filme, de uma música, de uma dança, de uma obra de arte, em geral? Eu já tive várias respostas, mas hoje, se me perguntassem responderia o que vou responder depois de ter lido este livro do Adelino Gomes e do Alfredo Cunha: que me emocione.
Julgo que é de emoções de quem viveu estes factos do dia dos prodígios, deste dia limpo e claro, como o classificaram duas grandes escritoras, Lídia Jorge e Sophia de Mello Breyner e de quem os relata que este livro nos transmite e nos provoca.
Os relatos e as fotografias revelam-nos as emoções das personagens. É emoção em estado puro: a propósito dos factos reais, vividos, cada um dos homens atuais que foram os jovens militares deste dia de 25 de abril de 1974 estabelece a verdade das emoções que esses acontecimentos lhe causaram e causam.
Este livro coloca-nos um problema insolúvel e de que nós não gostamos de nos aperceber: vivemos todos num mundo de fantasia. A realidade existiu, mas passa a ser outra quando a relatamos. A questão das reconstruções credíveis, de que fala Adelino Gomes a propósito de um dos personagens, que, para ter vivido o que se lembra de ter vivido nesses momentos dramáticos teria de ser ele e outro, de ter estado em dois lugares ao mesmo tempo, leva-nos às interrogações: Nós somos quem? Fizemos o quê? A que a memória vai dando respostas cada vez mais imaginativas, que não deixam de ser verdade.
A guerra colonial: “Liquidámos aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem em alguns casos”
Faz agora 40 anos que Otelo foi pedir a Amadeu Garcia dos Santos para montar o plano de transmissões do golpe de Estado do 25 de Abril. Às três da manhã de dia 25, Garcia dos Santos intercepta uma conversa entre dois ministros sobre a visita nesse dia de Américo Thomaz a Tomar. Um preocupava-se pela falta de segurança, o outro garantia que não se iria passar nada. Mas dois meses antes, o chefe máximo da Pide, Barbieri Cardoso, tinha encontrado Garcia dos Santos numa festa de anos e feito a estranha pergunta: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães, o que é que se passa?” Amadeu respondeu que não sabia de nada, mas hoje está convencido que a Pide suspeitava que algo estava em preparação. No dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso já tinha abandonado o país.
Aqui há uns tempos, disse-nos numa entrevista que Salazar nos moldou a todos e que ainda continua a moldar- -nos de certa maneira. 40 anos depois do fim da ditadura, podemos dizer que existem ainda resquícios a andar por aí?
Tenho uma opinião muito pessoal sobre isso. O Salazar foi uma pessoa que resolvia todos os problemas e que forçava os portugueses a não se preocuparem com nada. E, portanto, os nossos pais não aprenderam a viver em democracia, não souberam ensinar os filhos a viver em democracia e, por sua vez, nós, filhos dos nossos pais, temos dificuldades em ensinar os filhos em viver em democracia. Isto significa que nós, pelo menos durante quatro gerações, não vamos saber viver em democracia. E isso é visível hoje no dia-a-dia.
Diga-me como.
Acha que os nossos actuais políticos são democratas, sabem viver em democracia? Sabem governar o nosso país? Os políticos que temos hoje são uns garotos que nunca fizeram nada na vida, por um lado, e nem sequer sabem o que é a vida com dificuldades. Nós vamos ter dificuldades durante longos anos.
Temos problemas económicos graves. Mas acha, de facto, que ainda não nos adaptámos verdadeiramente à democracia?
Não nos adaptámos porque não sabemos viver em democracia. Mas temos um problema ainda mais grave. Os portugueses são excelentes executantes, mas não somos capazes de nos organizar, preparar o futuro, de dirigir. Em termos de características genéricas do povo português, o português não planeia, vive um pouco ao sabor do dia-a-dia. E o país tem esse grande problema. Não temos nenhum projecto de futuro enquanto país. Sabe o que é que o país quer ser? O que é que o país quer fazer? O país não tem um rumo, não sabe aquilo que quer. Depois, temos outro grande problema. Somos incapazes de punir aqueles que fazem asneiras e são responsáveis por essas asneiras. Nós não cortamos cabeças!
O 25 de Abril também não cortou muitas cabeças…
Claro! Na nossa história temos sido sempre assim…
Há o assassinato do rei D. Carlos…
… salvo períodos relativamente escassos. O que quero dizer é que um indivíduo faz uma asneira e perdoamos uma vez, perdoamos segunda vez. É essa a nossa maneira de ser e não pode ser assim. Uma pessoa que comete uma asneira tem de ser castigado. Tem de pagar a responsabilidade de ter cometido essa asneira. E isso leva à irresponsabilidade e ao mau exemplo. E depois dizem: “Se aquele senhor roubou e não lhe aconteceu nada porque é que eu não hei-de roubar também?”
Está a falar dos processos que prescrevem…
De tudo, desde a justiça à vida do dia-a-dia. É o deixa andar. Nós somos assim.
Se pensarmos bem, há 50 anos só uma minoria muito minoritária é que combatia verdadeiramente a ditadura… Temos de reconhecer que a esmagadora maioria combatia nos cafés.
Claro! Lembro-me perfeitamente do meu pai e do grupo de amigos que ele tinha que se reuniam ali numa loja na rua do Ouro e discutiam e criticavam, chamavam todos os nomes possíveis e imaginários ao Salazar e aos seus capangas, etc. Mas, de facto, não faziam nada! Apenas um deles tinha sido preso e tinha o corpo cheio das cicatrizes das vergastadas que tinha levado na Pide. No fundo, somos assim. Falamos muito, mas fazer “tá quieto”.
E acha que é por essa nossa maneira de ser que aguentámos durante tanto tempo a ditadura?
Aguentámos isso tranquilamente. Havia de facto reacções, mas espaçadas no tempo.
Havia o Partido Comunista organizado…
Claro. Mas que grandes acções fizeram, em concreto, no sentido de acabar com a ditadura? Foram muito pequeninas. Infelizmente não somos capazes de nos organizar. E é uma consequência da pesada herança do passado. Os nossos pais não tiveram preparação, nós não tivemos preparação, os nossos filhos vão aprendendo alguma coisa e só daqui a três ou quatro gerações é que isto irá talvez entrar nos carris. Talvez os jovens consigam arranjar uma solução para resolvermos os nossos problemas. Vamos ver. Se calhar já cá não estou para ver.
Quando é que começou a perceber que a ditadura não era um regime aceitável?
Desde muito jovem que ouvia falar do “reviralho”, do pessoal do “reviralho”. Ouvia falar contra o regime, contra o Salazar, defender a eleição do Norton de Matos, do Delgado. Vivi tudo isso muito de perto. Nunca gostei do Salazar. Tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, quando foi das henriquinas [comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique] em 1960. Participei nas comemorações henriquinas, tinha acabado de sair da Escola do Exército. Ainda fiz parte do grupo que, em representação da academia militar, fez parte dessa organização. E um dia esse grupo foi ao Salazar. Digo-lhe que fiquei impressionadíssimo com o olhar daquele homem! Quando ele olhava para as pessoas parecia que nos sentíamos furados! Uma coisa impressionante! Mas digo-lhe uma coisa: quando em 1928 Salazar entrou para o Ministério das Finanças foi de facto um homem extraordinário! Agora, a sua forma de pensar, a pouco e pouco, desactualizou-se. Nomeadamente no problema colonial.
Ele sabia que o colonialismo estava a desaparecer e tinha a obrigação de resolver o problema ou de prever que iríamos atravessar uma situação desse tipo. Era inevitável. Se ele tivesse tido essa presciência e tivesse conseguido evitar a guerra colonial nós hoje estaríamos completamente diferentes.
Mas havia a Pide, havia a censura…
Isso é outra coisa. Estou a falar agora da questão colonial e das relações com as antigas ex-colónias. Fiz duas comissões em África. Em Angola de 62 a 64 e na Guiné de 68 a 70, no tempo da ditadura. Depois do 25 de Abril fui à Guiné, a Angola, a Moçambique. Em todos os lados me diziam “vocês venham para cá que a gente precisa de vocês”. Dos portugueses. Ainda hoje temos uma relação com aquela gente completamente diferente de qualquer outro país. E se nós não tivéssemos tido aqueles 13 anos de guerra não teria havido 300 mil homens em guerra, milhares de mortos de um lado e de outro e teríamos uma situação completamente diferente. Salazar nunca quis alterar a relação entre colonizadores e colonizados. Para ele Portugal era do Minho a Timor. E não podia ser assim. Mas nós temos formas de relacionamento com aquela gente como mais ninguém tem. Tive oportunidade de ver isso na guerra colonial: em várias situações verifiquei a fraternidade que existia entre soldados brancos e soldados pretos…
Os soldados do contingente português, claro.
Claro que sim. Mas se calhar os que estavam do outro lado, se não tivesse havido guerra, poderiam conviver connosco da mesma maneira.
A descolonização deveria ter sido feita mais cedo.
Evidentemente, mas de uma forma pacífica. E estaríamos hoje a conviver com aqueles países de uma forma completamente diferente. Se calhar estamos a caminhar para aí, mas só trinta ou quarenta anos depois e com custos muito elevados.
Só agora, 40 anos depois, se está a começar a falar mais abertamente dos massacres da guerra colonial, dos crimes cometidos pelas tropas portuguesas.
Com certeza. Houve crimes cometidos por nós e crimes cometidos por eles. Eles na defesa dos seus territórios e das suas nações e nós liquidando aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem, em alguns casos. Vou contar–lhe uma cena a que assisti na Guiné. Fui uma vez a um quartel no mato e havia uma cova enorme que estava cheia de cadáveres dos chamados terroristas e os soldados portugueses à volta. E às tantas percebeu-se que um dos cadáveres não era cadáver. Ainda estava vivo. E alguém disse: “eh pá aquele ainda mexe!!!!” E depois ta-ta-ta-ta. [imita o ruído de uma metralhadora]. Isto é uma coisa absolutamente selvagem. E resulta da forma como foi instigada no espírito das pessoas a inimizade de uns em relação aos outros.
Demorámos tanto tempo a conseguir falar da guerra porque os homens que fizeram a guerra foram os mesmos que nos deram a democracia?
Talvez. Nós, militares, temos uma certa psicose em falar das coisas que vivemos na vida profissional. Como sabe, é muito raro encontrar-se alguém que conte o que viveu na guerra e não é só na nossa guerra colonial. Quem conta o que se passou na primeira guerra, ou na segunda guerra mundial são 3 ou 4 pessoas ou 10. As pessoas que viveram essas coisas não falam, porque têm os tais stresses de guerra, os traumatismos. A guerra afecta a qualidade do ser humano e a forma como o ser humano encara o relacionamento com os outros. Isso é de tal maneira que muitos dos homens que fizeram a nossa guerra colonial têm problemas de stress de guerra. Imagine um rapazinho com 20 anos. Faz aqui o serviço militar durante seis meses e é metido num barco ou num avião e vai para a guerra… Foram milhares deles assim! Chega lá, se fosse oficial miliciano, alferes, metiam-lhe 30 homens na mão, que era um pelotão. E vai pelo mato fora, para a guerra, um indivíduo que não fazia a mínima ideia do que era isso. Com 30 homens na mão! E ele tinha de responder pela vida ou pela morte desses 30 homens. Está a ver o que isto representa? Estes rapazinhos com 20, 25 anos, eram uns garotos! Isto marca para toda a vida!
Quando entra na conspiração para derrubar a ditadura?
A conspiração começou com os capitães em 73. Eu nessa altura já era mais velho, tinha 38 anos. Os capitães começaram por se mobilizar em torno dos decretos em que os oficiais milicianos faziam cursos de seis meses e eram equiparados aos do quadro que já tinham uma data de anos de serviço. Isso começou a criar reacções muito fortes nesses rapazes que viam o seu futuro perturbado por essas situações. Claro que isto é uma consequência das dificuldades cada vez maiores que as forças armadas portuguesas tinham no recrutamento de pessoal para a guerra colonial. Nós chegámos a ter quase 300 mil homens nos três teatros de operações. Já tínhamos atingido o limite dos limites! Entre o pessoal do quadro permanente, os profissionais, houve alguns que chegaram a fazer quatro e cinco comissões de dois anos cada! Iam dois anos, voltavam, estavam cá uns meses, e voltavam para a guerra! Atingimos uma situação em que a solução era impossível. E daí que os capitães tivessem chegado à conclusão que o problema da guerra colonial só se resolvia pela via política. Tinha de haver qualquer coisa que alterasse a situação e só poderia acontecer se o regime caísse. Quando é que eu entro? Em 73 eu tinha 38 anos, era bastante mais velho do que os outros, era professor na Academia Militar, tinha sido professor de alguns daqueles capitães. E um dia o Fisher Lopes Pires, já falecido, veio perguntar-me se eu estava disposto a aderir ao movimento dos capitães. E eu digo logo “com certeza”. Entrei no final de 73, princípio de 74. Depois aquilo evoluiu, houve o 16 de Março que foi um flop e o Otelo foi encarregado de fazer uma coisa com cabeça, tronco e membros. O 25 de Abril foi uma operação clássica militar.
Um golpe de Estado?
Uma operação clássica militar, como qualquer outra operação em guerra. Nós tivemos as unidades do Exército português mobilizadas de um lado e de outro, do Algarve até ao Minho. Portugal esteve à beira de uma guerra civil. O Otelo é encarregado de fazer o estudo das operações que iriam levar ao 25 de Abril e, como nós nos conhecíamos muito bem, vem ter comigo para planear a parte das transmissões. Não há operação militar nenhuma que funcione capazmente se as transmissões não funcionarem! E funcionaram absolutamente. Eu sou de engenharia, depois fui para transmissões. Nós, nas transmissões militares, temos várias coisas: as transmissões fixas, que fazem as ligações entre os quartéis. Depois, temos as transmissões de campanha, que são aquelas que são utilizadas em operações, com o aparelho às costas no mato ou no terreno. E depois temos outra coisa que se chama guerra electrónica. O que é a guerra electrónica? É um processo que procura obter o mais possível de informações através das transmissões do inimigo. Eu fui especialista dessas três áreas. Montei as ligações permanentes entre Portugal e a Guiné e Cabo Verde. Fiz as transmissões de campanha em Angola. Quando o Otelo me contactou disse “sim, senhor” e montei um esquema. Tinha vivido a minha vida toda a lidar com quartéis e conhecia muita gente. Conhecia o quartel da Graça como as minhas mãos, estive lá 12 anos. Tinha confiança a 100% em alguns deles. Montei então o esquema todo. Fui roubar material ao depósito de transmissões em Linda-a-Velha, arrombei a porta e roubei o material. Montei o esquema na Pontinha e a coisa funcionou. E foi assim.
Portanto, no dia 24 estava a roubar o material…
No dia 24 foi quando montei as coisas todas na Pontinha. Fui para o posto de comando da Pontinha no dia 24 à tarde, montei as antenas e depois vim para casa. E depois voltei para lá a seguir ao toque do Paulo de Carvalho [a canção “E Depois do Adeus”, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa]. Nós tínhamos ligação com vários postos civis e militares. De tal maneira que às 3 da manhã do dia 25 interceptei uma chamada telefónica entre o ministro da Defesa e o ministro do Exército em que diziam que Américo Thomaz no dia seguinte ia a Tomar e saía cedo. Um deles preocupava-se por Thomaz não levar segurança enquanto o outro dizia: “Não há problema nenhum porque isto está tudo tranquilo”. Às três e meia da manhã já tínhamos as unidades todas na rua! E ninguém tinha dado por isso.
Nunca duvidou do sucesso do golpe?
Preparámos tudo de forma a que tivesse sucesso. Mas houve uma altura em que ainda tivemos um aperto de coração. O pior foi a fragata defronte do Terreiro do Paço. Nós sabíamos que a fragata tinha recebido ordens para bombardear as forças do Movimento das Forças Armadas que estavam no Terreiro do Paço. E nós fizemos isto: mandámos para o Cristo-Rei uma bateria de Artilharia e ordenámos que os canhões ficassem apontados para a fragata. E foi transmitido à fragata que se desse um único tiro iria imediatamente ao fundo. Foi o momento mais nervoso que passámos. Não sabíamos como iriam reagir, felizmente reagiram bem. Talvez porque houvesse mais gente na fragata que estava connosco.
Estamos a fazer esta entrevista no dia 16 de Março. Há 40 anos, o general Spínola deu-lhe uma coisa e tentou um golpe que ninguém percebeu muito bem o que era. Quem era o general Spínola, afinal?
O general Spínola era excepcional em termos militares. Era um militar na verdadeira acepção da palavra. Mas tinha ideias velhas, antiquadas. E, por outro lado, era do tipo “quero, posso e mando”. Quando contactámos o Spínola, ele começou logo a dizer “eu é que mando”. E nós “calma aí, não é o senhor que manda, ainda mandamos nós”. Aí as coisas contemporizaram-se, houve a possibilidade de ele perceber que não tinha capacidade de alterar certo tipo de coisas que estavam em curso.
Como é que viviam nesses dias? Chamavam-vos os homens sem sono.
Depois do Otelo me entregar a ordem de operações, para poder montar o plano de transmissões, levei não sei quantos dias a passar aquilo tudo a escrito. Não dormi duas ou três noites seguidas. Não preguei olho. A minha irmã faz anos no dia 23 de Abril. Acabei o anexo de transmissões precisamente no dia 23 de Abril e entreguei ao Otelo. Foi quando ele foi distribuído pelas unidades todas. Nem a minha mulher na altura, nem a minha irmã, ninguém sabia de nada. No dia dos anos da minha irmã, resolvemos ir todos ao cinema, ao São Jorge. Eu cheguei ao São Jorge, apagaram-se as luzes e adormeci. Quando o filme acabou a minha mulher teve de me acordar. Não sei que filme foi, não sei o que era, não faço a mínima ideia.
E o que se passou com a Pide? A Pide mantém-se nas colónias a seguir ao 25 de Abril…
Aí tenho uma coisa para lhe contar. Não vou falar em pessoas, mas eu tinha um relacionamento com alguém muito próximo do Barbieri Cardoso. Eram laços que eu tinha com familiares, não interessa quem eram as pessoas. O Barbieri Cardoso era o responsável máximo da Pide. E dois ou três meses antes, eu fui à festa de anos da filha dele, ali numa moradia em Linda-a-Pastora, e ele estava lá. A certa altura, o senhor chama-me de lado e diz-me: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães… O que é que se passa?” E eu disse: “Não sei de nada nem nunca ouvi falar”. E eu já estava metido no assunto até ao pescoço! “Mas então se souber de alguma coisa diga, está bem?” “Eu digo, eu digo” (risos). Portanto, a Pide sabia que havia qualquer coisa, só não sabia o que era. Ou se sabia, ele disfarçou, porque queria saber mais coisas. E provavelmente até sabia que eu estava envolvido nisso. Agora, no dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso não estava cá! Estava em Paris e não voltou. Ele soube qualquer coisa e foi-se embora. Mas queria dizer-lhe o seguinte: a Pide cá era uma coisa, a Pide em África era outra coisa completamente diferente. E qual era a diferença? A Pide em África era um organismo de informações. Obtinham informações sobre o nosso inimigo e depois davam essas informações ao Exército português. Não andavam à procura dos portugueses contra o regime. Nas antigas colónias, a Pide trabalhava em prol do Exército português e teve uma acção muito importante, porque o Exército não tinha a capacidade para saber coisas que eles tinham.
E isso não contribuiu para ter havido um certo perdão nacional relativamente à Pide? Com os políticos foi a mesma coisa…
Aí voltamos ao que eu comecei por dizer. Nós perdoamos muito. Acabamos por dizer “o gajo no fundo não é mau rapaz, não volta a fazer”. Nós somos assim. Em relação à Pide quase houve uma atitude deste tipo. Em qualquer outro sítio do mundo, com outro tipo de pessoas, se calhar cortavam a cabeça à Pide. Eles tinham feito coisas terríveis. Era natural que houvesse uma vingança sobre esse organismo. É claro que muitos deles cavaram, os mais responsáveis já cá não estavam quando as coisas aconteceram. E hoje em dia o edifício da rua António Maria Cardoso é um prédio de luxo tipo hotel de 5 estrelas (risos).
Em 1964, eu tinha 12 anos de idade e assisti ao golpe militar da janela de minha casa. A morada de meus pais era no Largo Teresa Cristina, 27, defronte para o prédio do Sindicato dos Operários Portuários de Santos, localizado à Rua General Câmara, cuja lateral direita dava para a praça. Foi por ali que chegaram os soldados da Polícia Marítima, do comandante Seco, ostensivamente armados. Da janela, vi como alguns daqueles homens de uniforme azul com metralhadoras em punho e longos bastões – que no cais eram mais conhecidos como “pés de mesa” – escalaram o muro dos fundos do sindicato, assumindo posições estratégicas.
Depois, ouvi o estilhaçar de uma vidraça do edifício do sindicato, talvez rompida por uma granada de efeito moral ou uma pedra. E, então, percebi algumas poucas cabeças que se desenhavam nas vidraças: eram os dirigentes do sindicato acuados, provavelmente à espera de notícias que pudessem vir de Brasília sobre um eventual esquema de resistência ao golpe.
Mais tarde, ainda da janela, pude perceber uma aglomeração na Rua General Câmara com o Largo. Então, tomei coragem e desci à rua e vi quando alguns daqueles homens que estavam acuados na parte de cima do sindicato desceram as escadarias, sob a mira de metralhadoras, e entraram numa espécie de “corredor polonês” aos tapas e pescoções em direção a um caminhão coberto. Entre eles, lembro-me de ter visto Manoel de Almeida, que era o presidente do sindicato, e Rafael Babunovitch, diretor. Com outros diretores e alguns associados solidários, seriam conduzidos para o navio-prisão, que por muitos dias ficaria ancorado em frente ao porto de Santos com sua presença ameaçadora, tal como uma forca na praça principal de uma pequena cidade.
Looking ahead to Christmas 2014 yet? Well, we are! You can now book tickets for John Rutter’s Christmas Celebration 2014!
Conducted and presented by John Rutter himself and performed by the Royal Philharmonic Orchestra, you can enjoy this festive favourite by singing along to the world’s favourite carols with a 100+ orchestra and choir and by listening to timeless Christmas classics, all in the magnificent surroundings of the Royal Albert Hall.
With 9 months until Christmas (wow!), this magical, winter treat is not to be missed, so get booking!
O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade..
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, em Português correcto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela “ardenta”; diz-se estudante, e não estudanta”; diz-se adolescente, e não “adolescenta”; diz-se paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Vous êtes un beau ciel d’automne, clair et rose !
Mais la tristesse en moi monte comme la mer,
Et laisse, en refluant sur ma lèvre morose
Le souvenir cuisant de son limon amer.
– Ta main se glisse en vain sur mon sein qui se pâme ;
Ce qu’elle cherche, amie, est un lieu saccagé
Par la griffe et la dent féroce de la femme.
Ne cherchez plus mon coeur ; les bêtes l’ont mangé.
Mon coeur est un palais flétri par la cohue ;
On s’y soûle, on s’y tue, on s’y prend aux cheveux !
– Un parfum nage autour de votre gorge nue !…
Ô Beauté, dur fléau des âmes, tu le veux !
Avec tes yeux de feu, brillants comme des fêtes,
Calcine ces lambeaux qu’ont épargnés les bêtes !
A Torre Eiffel vai ter o seu primeiro andar renovado numa altura que comemora 125 anos da sua inauguração. O primeiro andar já foi transformado algumas vezes desde 1889, e até ao final deste ano será apresentada a sua “nova cara” remodelada e modernizada, responsabilidade do gabinete de arquitectura Moatti-Rivière. No total serão 4582 metros quadrados de obra.
Nesta obra está incluída a renovação do restaurante 58 Tour Eiffel e a reformulação da estrutura de apoio aos elevadores. O vidro é um dos elementos em destaque neste projecto de renovação: o chão será de vidro, assim como todas as varandas e os dois pavilhões que irão albergar diferentes eventos culturais. Os acessos para os visitantes com mobilidade reduzida também vão ser melhorados.
De resto, outro aspecto fundamental do projecto de renovação do primeiro andar da Torre Eiffel é a redução da pegada ecológica desta, assim como a introdução de vários sistemas sustentáveis:
Recolha e reutilização das águas pluviais
Painéis solares que fornecem metade da energia necessária para a água quente utilizada nos dois pavilhões
Captação de energia eólica através da instalação de 4 moinhos de vento com eixos verticais.
Fique de seguida com algumas imagens do projecto de renovação do primeiro andar da Torre Eiffel
La maggior parte delle persone ti dimostrerà interesse fin quando avrà la speranza di prendere qualcosa. Poi passerà oltre, tornando ogni tanto a sbirciare la tua vita per vedere a che punto sei.
De repente, a plêiade de dirigentes político-mercantis que gerem a União Europeia e os Estados Unidos da América, até há dias incapazes de apontar no mapa uma coisa chamada “Crimeia”, tornaram-se fervorosos ucranianos da Crimeia, até tártaros da Crimeia, defensores de direitos de pessoas de cuja existência, em boa verdade, jamais se tinham lembrado.
De Hollande a Obama, de Cameron a Merkel – os outros batem palmas e acenam com a cabeça – todos acham que o pecado é a realização de um referendo, uma consulta aos cidadãos para saber se querem ficar sob a pata de Bruxelas e Washington ou de Moscovo, já que independência ou autonomia não contam para o caso, o que conta são os portos no Mar Negro, que não gelam nem sob as ordens do temido general Inverno, o que conta são influências e negócios.
(…) Há um ponto em que estou de acordo com o Pacheco Pereira, que diz sempre que vivemos numa mistificação constante, uma confabulação permanente em que passamos ao lado de questões essenciais como a que estão a colocar. Sobre o manifesto: o acordo do pós-guerra seguiu o princípio de que a dívida seria amortizada em função dos ciclos da economia. Parece-me sensato. Defendi-o. Quando Seguro propôs que a dívida superior a 60% fosse mutualizada, manifestei simpatia pela proposta. Quem já exerceu funções de chefia do Governo sabe o quanto a União Europeia fiscalizava à lupa, já antes desta crise, as contas do Estado. Os países não se endividaram às escondidas da Europa.
(…)
Eu não sou daqueles que fustiga o engenheiro Sócrates a dizer que ele é o culpado por tudo o que se passa em Portugal. Acho essa ideia absolutamente caricata e ridícula. A principal culpa pelo que se passa em Portugal são factores externos. O engenheiro Sócrates desorientou-se na parte final do mandato, tomou muitas medidas erradas, mas durante vários anos desenvolveu políticas correctas e tomou muitas boas medidas. O Governo agora até adoptou o Simplex 2. Na área da investigação científica fez muitas coisas bem-feitas e teve muita visão nessa matéria das novas tecnologias.
Foi um primeiro-ministro com visão em várias áreas. Ele era vários deuses ao mesmo tempo, depois caiu em desgraça e passou a ser o culpado de tudo. Isso é caricato. Ele foi um primeiro-ministro com várias qualidades, um chefe de Governo com autoridade e capaz de impor a disciplina no seio do seu Governo.
O que me irrita mais na política é que a política seja um desfile na passerelle. Agora vem aí o Marcelo, o Santana, o Durão, o Costa, qual é que escolhemos? Qual é que tens ideia que é o melhor? Acho que é aquele. E o que pensa sobre este assunto em concreto sobre o qual ele vai ter de decidir? Ai isso não sei. E o outro? Também não.
No dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. O Centro Ciência Viva do Alviela, situado junto à maior nascente cársica do país, assinala este dia com uma saída de campo e um dia bem passado nos Olhos de Água do Alviela. “Alviela, (quase) tudo uma questão de água” revela-nos o papel erosivo e construtivo da água, nas regiões calcárias. Bacias sedimentares, formação de grutas, chaminés de fada, fósseis de ambiente, poluição da água e traçado de um rio, são alguns dos muitos aspetos a abordar e a visualizar durante o percurso.
Este percurso pedestre, que se estende ao longo de 5kms, tem início no Centro Ciência Viva do Alviela, com a visita à exposição interativa “Carso”, onde ficamo! s a saber como a água moldou a região do Maciço Calcário Estremenho. Pomos os pés a caminho e percorremos o percurso interpretativo dos Olhos de Água do Alviela, descemos à praia fluvial e observamos a forma do rio Alviela e, em Monsanto, descobrimos porque surge a nascente do Alviela, no local onde se encontra.
Não perca esta saída de campo e venha caminhar com ciência!
“Para os mercados, a posição de Putine sobre a Ucrânia e a Crimeia é irracional”. Um velho amigo, recém-contaminado por uma vulgata neo-liberal, explicou-mo pacientemente. Compreendo. A posição de Putine é irracional para os mercados. Mas, o que o meu amigo não tinha percebido, é que na equação de Putine os mercados “já foram” (a resposta de um seu conselheiro sobre as sanções ocidentais deixa isso muito claro…). Neste quadro, são os mercados que perderam a racionalidade. Mesmo se ainda não o sabem… A crise ucraniana tem uma óbvia natureza geopolítica, mas tem também uma derivada tão interessante quanto inesperada: tornou-se, subitamente, a batalha maior da guerra que há anos os mercados financeiros vêm a fazer contra os Estados soberanos (e de que Portugal é uma vítima exemplar). O que se joga nesta “crise ucraniana” é muito mais que o destino da Crimeia ou mesmo de todos os ucranianos… Esta crise é o maior conflito político deste século e vai modelar e moldar o mundo das próximas décadas.
George Friedman viu-o muito bem, já há anos, (obviamente, sem a dimensão da guerra dos mercados contra os Estados soberanos que, na altura, ainda não se manifestava). A análise geopolítica do nosso amigo Friedman é de uma lucidez cortante e antecipou (em vários anos) toda a evolução da situação e a actuação de Putine. Se Obama ou algum dirigente político europeu for capaz de a compreender será conveniente que a leia…
SPIKED | FRANK FUREDI | 5 MARS 2014
C’est la diplomatie occidentale inculte et superficielle qui exacerbe la situation très tendue en Ukraine. Pis, elle met la Russie sur la défensive, avec des conséquences imprévisibles, affirme un chroniqueur britannique.
Il se dit que les gouvernements occidentaux ont été pris au dépourvu par la vitesse des événements en Ukraine. Cela n’a rien d’étonnant. La surprise des responsables occidentaux et de leurs observateurs face, en particulier, à la rapide évolution du conflit en Crimée est l’illustration de leur inculture géopolitique et de la superficialité de la diplomatie occidentale moderne. Quiconque a une connaissance minime de l’histoire et de la position géopolitique de la Russie peut comprendre que ce qui se passe en Crimée a tout autant d’importance pour Moscou que les événements dans des villes russes comme Rostov ou Volgograd.
Depois de publicar Padre Malagrida: o último condenado ao fogo da Inquisição (Setúbal, Centro de Estudos Bocageanos, 2012), o pesquisador Daniel Pires ainda dispunha de tantos documentos sobre o assunto que resolveu escrever O Marquês de Pombal, o Terramoto de 1755 em Setúbal e o Padre Malagrida (Setúbal, Centro de Estudos Bocagenos, 2013), que traz maiores detalhes sobre o confronto entre Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), conde de Oeiras e, depois, marquês de Pombal, secretário de Estado dos Negócios do Reino, com os jesuítas que teve o seu epílogo com a condenação do padre Gabriel Malagrida (1689-1761), já demente, ao fogo da Inquisição.