Apresentação de “A Ironia do Projeto Europeu”, de Rui Tavares

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Na sexta-feira, 9 de maio, a editora Tinta da China promove a apresentação do livro “A Ironia do Projeto Europeu“, da autoria de Rui Tavares.

A apresentação estará a cargo de Clara Ferreira Alves e Viriato Soromenho Marques e terá lugar na sede de campanha do LIVRE, no espaço Frágil (Rua da Atalaia, 126, ao Bairro Alto, Lisboa).

Saudações LIVREs

O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho? | ALEXANDRA PRADO COELHO in Jornal Público 21/04/2013

No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho

O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.

Jappe – que tem três livros editados em Portugal pela Antígona, entre os quais As Aventuras da Mercadoria (2006) – faz uma conferência, na próxima terça-feira, dia 23, no Teatro Maria Matos, no âmbito do ciclo Transição. Na conferência (em português), com curadoria de António Guerreiro, Jappe vai explicar por que devemos repensar o conceito de trabalho.

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“The Bridge” Homeless Assistance Center | Dallas | Overland Partners Architects

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Completed in May 2008 and situated on a previously developed 3.41-acre site in Dallas’ central business district, The Bridge provides a broad spectrum of care including housing, emergency and transitional care for more than 6,000 people in Dallas experiencing long-term homelessness. Consisting of five buildings that create a courtyard in the center of the campus as well as engaging the surrounding community, The Bridge incorporates a three-story services building, a one-story welcome building, a storage building, an open air pavilion, and a dining facility, which serves as a focal point to the interior landscaped courtyard of the campus and also as a food magnet providing social workers with an opportunity to connect with the homeless.

“The Bridge,” meets the growing concerns of homelessness in Dallas, Texas. A safe haven and focus for services for more than 6,000 needy, it empowers chronic and newly homeless to come off the streets and sustain permanent housing in order to live productively. The Center supports guests, provides a safe and attractive work environment, and improves the surrounding community. As a beacon of hope, it provides a strong visual presence within the city and elevates the quality of public spaces. It engages the community in transforming the lives of its most disenfranchised members, proving that shelters should not be isolated, but an integrated part of our community; they are valuable civic buildings representing the compassion of our society. To learn more about The Bridge and The Metro Dallas Homeless Alliance please visit http://www.mdhadallas.org/

DESIGN ACCOLADES

Because of its multiple sustainable features such as its green-roofed dining room, grey water recycling system, and natural daylighting used throughout the buildings, the project was awarded LEED (Leadership in Energy & Environmental Design) Silver Certification from the U.S. Green Building Council, making it the largest homeless shelter in the United States to be LEED certified. Other national and international design accolades include the American Institute of Architects’ (AIA) 2009 National Housing Award, the AIA/Housing and Urban Development (HUD) Secretary Award, a 2009 National Excellence in Design Award from Environmental Design + Construction magazine and the 2009 Chicago Athenaeum’s American Architecture Award.

ABOUT OVERLAND PARTNERS

Overland Partners Architects, founded in 1985 in San Antonio, Texas, is a realization of a vision to bring together a wide range of talents in architecture and planning, in order to provide comprehensive and design services. Sensitive to the environmental and aesthetic contexts of their projects, the firm strives for a thoughtful integration of technology, art, and craft through highly sustainable solutions. Overland Partners Architects offers its clients the ultimate goal of creating a beautiful, functional and enduring design through a process that inspires long-term relationships and is rewarding to the entire project team. For more information, visit http://www.overlandpartners.com.

ABOUT CAMARGOCOPELAND

Founded in 1985, CamargoCopeland Architects, LLP, offers architectural, interior architecture/design, and planning services. The company’s principals, Myriam E. Camargo, AIA and E.J. Copeland, AIA and its staff form an accomplished and highly skilled team with experience in corporate development, educational/public institutions, hospitality/club developments, and retail facilities. CamargoCopeland Architects is registered with the State of Texas as a Historically Underutilized Business and operates as a Minority/Woman Owned Business Enterprise. In 1999, the Dallas Business Journal recognized CamargoCopeland Architects in its annual Book of Lists as the “Largest Woman-Owned Full Service Architecture Firm in the Dallas Metroplex.” For more information, visit http://www.camargocopeland.com.

DIVULGAÇÃO | O LIVRE precisa de ajuda!

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Caros signatários do Manifesto para uma Esquerda Livre:

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Muito obrigado & Saudações LIVREs,

A equipa do LIVRE

ATENÇÃO!

Alertamos para os seguintes artigos previstos na lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais:

Os partidos políticos não podem receber doações em nome de pessoas colectivas nacionais ou estrangeiras;
Os partidos políticos não podem receber doações anónimas;
Os partidos políticos só podem receber doações por cheque ou transferência bancária;
O valor máximo permitido por doador é de 10480,50 euros.

Para mais informações consulte a lei de financiamento dos partidos em: http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/Legislacao_Anotada/
FinanciamentoPartidosPoliticosCampanhasEleitorais_Anotado.pdf

Vasco Graça Moura faleceu | soneto do amor e da morte

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quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz o nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos

AQUELE CASAL | carlos drummond de andrade

 

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Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
– Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
– Como assim?
– Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
– É a moda.
– Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
– Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
– Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
– Que é que tem as maneiras, os gestos?

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A NOSSA ACÇÃO PARALELA | António Guerreiro in Jornal Público

As comemorações dos quarentas anos do 25 de Abril, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, são completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia. Parecem directamente inspiradas no modelo da Acção Paralela, esse comité de príncipes do espírito, inventado por Robert Musil, em O Homem Sem Qualidades, que tinha a seu cargo a missão patriótica de celebrar os 70 anos do Imperador da Cacânia, isto é, do Império Austro-húngaro.

Mas em vez de culminar numa celebração grandiosa a sua busca de um fundamento da civilização austríaca, conforme aos mais altos espíritos da época, a Acção Paralela submerge num princípio vazio e torna-se a parábola satírica de uma ausência. A celebração de que a Acção Paralela está encarregada não tem objeto. No romance de Musil, Ulrich, “herói” nihilista, ao menos compreendeu que a época em que vive, dotada de um saber superior a qualquer outra época precedente, de um saber imenso, é incapaz de intervir no curso da história e já nada acontece. Já não existem acontecimentos, apenas notícias. Ao contrário de Ulrich, os nossos príncipes do espírito mobilizados numa semelhante Acção Paralela, encarregada de uma tarefa esterilizadora e sem outro desígnio que não seja o de designar o centro vazio das comemorações, vieram todos demasiado tarde. São espíritos retardados e não heróis nihilistas. Parecem, aliás, uma repulsiva síntese do bom democrata com o conceito nietzschiano de último homem.

Desconhecem muito de tudo e desconhecem absolutamente que esta história é sem época. Na nossa Cacânia, a reificação conformista do passado garante-nos que o futuro não tem porvir e, da esquerda mais à esquerda até à direita, o que vemos é o mesmo nada – nihil – que se dá a ver em grandes poses. Todos se treinaram no exercício que consiste em fazer um uso público da História, mas todos desconhecem a lição que torna o passado carregado de presente, isto é, citável sem ser neutralizado e reificado. O significante vazio que mais recitam é “democracia”, tornada religião civil à escala planetária. Uns falam de democracia referindo-se a uma ordem jurídico-política; outros entendem-na no plano da prática administrativa, gestionária. Uns e outros parecem incapazes de interrogar tal conceito, de perceber a cisão que o habita e que o fez divergir em duas direcções diferentes.

Por isso, deixámos de saber a que ordem de realidade política pertence a democracia. O que sabemos muito bem é que ela se tornou um mero dispositivo do discurso dos políticos. Ao ponto de poder ser entendida, hoje, como a religião dos governantes abandonada pela falta de fé dos governados.

A guerra situa-se também, ou sobretudo, no plano da linguagem. Porque são festivas e pacíficas, as comemorações devem, portanto, ter um vocabulário reduzido, ficar pela língua cristalizada da maquinação “democrática”, quer por estratégia, quer porque já não se conhece outra. A grande missão patriótica da nossa Acção Paralela nem precisa de se esforçar para encontrar a palavra de ordem que mais lhe convém, a verdade mais cristalina da ideia e do fundamento que buscava para comemorar. Essa palavra de ordem foi-lhe oferecida por uma alta representante da Nação, paralela em nas acções e muito oblíqua nas palavras, e resume-se a uma tirada que deve ser elevada a digno emblema das comemorações: “Isso não existe!”.

António Guerreiro: http://www.publico.pt

Ganador del Premio Nobel Gabriel Garcia Márquez muere a los 87 años | Do Facebook do Escritor

Gabriel

D.F., México (17 abril, 2014): Una fuente cercana a la familia ha confirmado que Gabriel Garcia Márquez ha fallecido. Tenía 87 años. El realismo mágico en las novelas y cuentos de Garcia Márquez impactaron a millones de lectores, y resaltó la pasión de Latino America. Considerado el escritor más popular desde Miguel de Cervantes del siglo 17, Garcia Márquez alcanzó la celebridad literaria que se comparan a Mark Twain y Charles Dickens. Su novela Cien años de soledad vendió más de 50 millones de copias en 25 idiomas.

Sophia de Mello Breyner Andresen | Noite de Abril

Noite de Abril
Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.

Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.

Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera

Alguém que ela conhece.
E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.



Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho

NE ME QUITTES PAS | JACQUES BREL

Ne me quitte pas

Il faut oublier

Tout peut s’oublier

Qui s’enfuit déjà

Oublier le temps

Des malentendus

Et le temps perdu

À savoir comment

Oublier ces heures

Qui tuaient parfois

À coups de pourquoi

Le coeur du bonheure

Ne me quitte pas

 

Moi je t’offrirai

Des perles de pluie

Venues de pays

Où il ne pleut pas

Je creuserai la terre

Jusqu’après ma mort

Pour couvrir ton corps

D’or et de lumière

Je ferai un domaine

Où l’amour sera roi

Où l’amour sera loi

Où tu seras reine

Ne me quitte pas

 

Ne me quitte pas

Je t’inventerai

Des mots insensés

Que tu comprendras

Je te parlerai

De ces amants là

Qui ont vu deux fois

Leurs coeurs s’embrasser

Je te raconterai

L’histoire de ce roi

Mort de n’avoir pas

Pu te rencontrer

Ne me quitte pas

 

On a vu souvent

Rejaillir le feu

De l’ancien volcan

Qu’on croyait trop vieux

Il est paraît-il

Des terres brûlées

Donnant plus de blé

Qu’un meilleur avril

Et quand vient le soir

Pour qu’un ciel flamboie

Le rouge et le noir

Ne s’épousent-ils pas

Ne me quite pas

 

Ne me quite pas

Je ne vais plus pleurer

Je ne vais plus parler

Je me cacherai là

À te regarder

Danser et sourire

Et à t’écouter

Chanter et puis rire

Laisse-moi devenir

L’ombre de ton ombre

L’ombre de ta main

L’ombre de ton chien

JACQUES BREL – 1929 – 1978

BREL

Amar | Florbela Espanca

xiu

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

China heading off cold war through economic diplomacy

china russia

During his visit to Duisburg, Chinese President Xi Jinping made a master stroke of economic diplomacy that runs directly counter to the Washington neo-conservative faction’s effort to bring a new confrontation between NATO and Russia.

Using the role of Duisburg as the world’s largest inland harbor, an historic transportation hub of Europe and of Germany’s Ruhr steel industry center, he proposed that Germany and China cooperate on building a new “economic Silk Road” linking China and Europe. The implications for economic growth across Eurasia are staggering.

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Lettre de Georges Pompidou à Jacques Chaban Delmas

PompidouLa sauvegarde des arbres plantés au bord des routes, […] est essentielle pour la beauté de notre pays.

Mon cher Premier Ministre,

J’ai eu, par le plus grand des hasards, communication d’une circulaire du Ministre de l’Equipement — Direction des routes et de la circulation routière — dont je vous fais parvenir photocopie. Cette circulaire, présentée comme un projet, a en fait déjà été communiquée à de nombreux fonctionnaires chargés de son application, puisque c’est par l’un d’eux que j’en ai appris l’existence. […] Bien que j’ai plusieurs fois exprimé en Conseil des Ministres ma volonté de sauvegarder « partout » les arbres, cette circulaire témoigne de la plus profonde indifférence à l’égard des souhaits du Président de la République. Il en ressort, en effet, que l’abattage des arbres le long des routes deviendra systématique sous prétexte de sécurité. Il est à noter par contre que l’on n’envisage qu’avec beaucoup de prudence et à titre de simple étude, le déplacement des poteaux électriques ou télégraphiques.

C’est que là, il y a des administrations pour se défendre. Les arbres, eux, n’ont, semble-t-il, d’autres défenseurs que moi-même et il apparaît que cela ne compte pas. La France n’est pas faite uniquement pour permettre aux Français de circuler en voiture, et, quelle que soit l’importance des problèmes de sécurité routière, cela ne doit pas aboutir à défigurer son paysage. La sauvegarde des arbres plantés au bord des routes  — et je pense en particulier aux magnifiques routes du Midi bordées de platanes — est essentielle pour la beauté de notre pays, pour la protection de la nature, pour la sauvegarde d’un milieu humain. La vie moderne dans son cadre de béton, de bitume et de néon créera de plus en plus chez tous un besoin d’évasion, de nature et de beauté. L’autoroute sera utilisée pour les transports qui n’ont d’autre objet que la rapidité. La route, elle, doit redevenir pour l’automobiliste de la fin du vingtième siècle ce qu’était le chemin pour le piéton ou le cavalier : un itinéraire que l’on emprunte sans se hâter, en en profitant pour voir la France. Que l’on se garde donc de détruire systématiquement ce qui en fait la beauté !

Georges Pompidou

http://www.deslettres.fr … (FONTE)

Rodrigo Sousa e Castro | “O PREC é filho da direita, não é filho da esquerda”

RodrigoA via social-democrata é esmagada por Spínola no 11 de Março, defende o coronel Rodrigo Sousa e Castro

Rodrigo Sousa e Castro nasceu numa família “remediada” e em vez do seminário, um destino possível naquele tempo, escolheu a Academia Militar. Ainda fez admissão à Faculdade, mas não tinha dinheiro. Mais tarde, já envolvido com o movimento dos capitães, frequentará o Instituto Superior de Economia. Sousa e Castro desfaz dois D da revolução de Abril, nomeadamente a descolonização que, na sua opinião, não existiu e a democratização que falhará logo por culpa do golpe de Spínola – e entretanto por outras culpas também.

Quando é que começou a perceber que o regime da ditadura não funcionava?

Comecei a perceber que vivíamos numa situação estranha na altura da eleição do general Humberto Delgado. Eu era ainda muito jovem, estava no colégio São Gonçalo de Amarante, mas houve lá já um movimento entre os alunos, frequentávamos uma livraria – o dono era do “reviralho”. O meu pai era ferroviário e entre os ferroviários havia uma grande solidariedade contra o regime. Era um grupo profissional que tinha alguma organização política que julgo que era dominada pelo Partido Comunista. Às vezes passavam panfletos nas estações…

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Fernando Pessoa | COMO ORGANIZAR PORTUGAL

fernando-pessoa-620x340Quando a guerra findou — como se a guerra alguma vez findasse, ou houvesse neste mundo senão guerra! —, quando, enfim, esta guerra de há pouco findou, passou a ser assunto de primeiro plano aquilo, já bastante discutido, a que mais vulgarmente se chamou “os problemas da reconstrução”. A frase é inglesa, e, como participa da nebulosidade mental que caracteriza os ingleses, susceptível de ser mal interpretada. Se o termo diz respeito ao mero restabelecimento das vias normais da vida pacífica, tem cabimento etimológico; se diz respeito à reconstituição das indústrias estagnadas, à reedificação das cidades destruídas, tem cabimento também. A frase porém tem um sentido vulgar arbitrariamente mais lato: quando se diz “reconstruir”, quer, em geral, dizer-se simplesmente “organizar”. E esta ideia de organização não tem origem simplesmente na necessidade de preencher lacunas, que a guerra abrisse, ou de reparar estragos, que os exércitos fizessem. Tem uma, de certo modo, mais vergonhosa origem.

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Há Palavras que Nos Beijam | Alexandre O’Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill  |  “No Reino da Dinamarca”

O balde

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Um agricultor alentejano, já entrado nos anos, tinha uma bela barragem na sua  herdade.

Depois de algum tempo sem ir ao local, decidiu naquele dia ir dar uma olhadela geral para ver se estava tudo em ordem.

Pegou num balde para aproveitar o passeio e trazer fruta do pomar e, ao aproximar-se do lago, ouviu vozes femininas, animadas e divertidas.

Então viu um grupo de jovens a tomar banho no lago, completamente nuas.

Chegou mais perto e com isso, todas elas fugiram para a parte mais funda do lago, deixando apenas a cabeça fora de água.

Uma delas gritou: -Não saímos daqui enquanto o senhor não se for embora.

O alentejano, que não era burro, respondeu: – Calma meninas, eu não vim até aqui para as ver a nadar ou para as ver sair nuas do lago, e levantando o balde, disse:

-Eu só vim dar comida ao crocodilo…

(Idade e experiência sempre triunfarão sobre a juventude e o entusiasmo)

Charles Bukowski | um poema de amor

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todas as mulheres

todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

(Tradução: Jorge Wanderley)

Os rapazes dos tanques | Carlos Matos Gomes in Facebook

A primeira questão que vos trago: o que esperamos de um livro? O que esperamos de um quadro, de um filme, de uma música, de uma dança, de uma obra de arte, em geral? Eu já tive várias respostas, mas hoje, se me perguntassem responderia o que vou responder depois de ter lido este livro do Adelino Gomes e do Alfredo Cunha: que me emocione.
Julgo que é de emoções de quem viveu estes factos do dia dos prodígios, deste dia limpo e claro, como o classificaram duas grandes escritoras, Lídia Jorge e Sophia de Mello Breyner e de quem os relata que este livro nos transmite e nos provoca.
Os relatos e as fotografias revelam-nos as emoções das personagens. É emoção em estado puro: a propósito dos factos reais, vividos, cada um dos homens atuais que foram os jovens militares deste dia de 25 de abril de 1974 estabelece a verdade das emoções que esses acontecimentos lhe causaram e causam.
Este livro coloca-nos um problema insolúvel e de que nós não gostamos de nos aperceber: vivemos todos num mundo de fantasia. A realidade existiu, mas passa a ser outra quando a relatamos. A questão das reconstruções credíveis, de que fala Adelino Gomes a propósito de um dos personagens, que, para ter vivido o que se lembra de ter vivido nesses momentos dramáticos teria de ser ele e outro, de ter estado em dois lugares ao mesmo tempo, leva-nos às interrogações: Nós somos quem? Fizemos o quê? A que a memória vai dando respostas cada vez mais imaginativas, que não deixam de ser verdade.

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General Garcia dos Santos: “Aguentámos a ditadura tranquilamente” | in Jornal i

Garcia LeandroA guerra colonial: “Liquidámos aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem em alguns casos”

Faz agora 40 anos que Otelo foi pedir a Amadeu Garcia dos Santos para montar o plano de transmissões do golpe de Estado do 25 de Abril. Às três da manhã de dia 25, Garcia dos Santos intercepta uma conversa entre dois ministros sobre a visita nesse dia de Américo Thomaz a Tomar. Um preocupava-se pela falta de segurança, o outro garantia que não se iria passar nada. Mas dois meses antes, o chefe máximo da Pide, Barbieri Cardoso, tinha encontrado Garcia dos Santos numa festa de anos e feito a estranha pergunta: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães, o que é que se passa?” Amadeu respondeu que não sabia de nada, mas hoje está convencido que a Pide suspeitava que algo estava em preparação. No dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso já tinha abandonado o país.

Aqui há uns tempos, disse-nos numa entrevista que Salazar nos moldou a todos e que ainda continua a moldar- -nos de certa maneira. 40 anos depois do fim da ditadura, podemos dizer que existem ainda resquícios a andar por aí?

Tenho uma opinião muito pessoal sobre isso. O Salazar foi uma pessoa que resolvia todos os problemas e que forçava os portugueses a não se preocuparem com nada. E, portanto, os nossos pais não aprenderam a viver em democracia, não souberam ensinar os filhos a viver em democracia e, por sua vez, nós, filhos dos nossos pais, temos dificuldades em ensinar os filhos em viver em democracia. Isto significa que nós, pelo menos durante quatro gerações, não vamos saber viver em democracia. E isso é visível hoje no dia-a-dia.

Diga-me como.

Acha que os nossos actuais políticos são democratas, sabem viver em democracia? Sabem governar o nosso país? Os políticos que temos hoje são uns garotos que nunca fizeram nada na vida, por um lado, e nem sequer sabem o que é a vida com dificuldades. Nós vamos ter dificuldades durante longos anos.

 

Temos problemas económicos graves. Mas acha, de facto, que ainda não nos adaptámos verdadeiramente à democracia?

Não nos adaptámos porque não sabemos viver em democracia. Mas temos um problema ainda mais grave. Os portugueses são excelentes executantes, mas não somos capazes de nos organizar, preparar o futuro, de dirigir. Em termos de características genéricas do povo português, o português não planeia, vive um pouco ao sabor do dia-a-dia. E o país tem esse grande problema. Não temos nenhum projecto de futuro enquanto país. Sabe o que é que o país quer ser? O que é que o país quer fazer? O país não tem um rumo, não sabe aquilo que quer. Depois, temos outro grande problema. Somos incapazes de punir aqueles que fazem asneiras e são responsáveis por essas asneiras. Nós não cortamos cabeças!

O 25 de Abril também não cortou muitas cabeças…

Claro! Na nossa história temos sido sempre assim…

Há o assassinato do rei D. Carlos…

… salvo períodos relativamente escassos. O que quero dizer é que um indivíduo faz uma asneira e perdoamos uma vez, perdoamos segunda vez. É essa a nossa maneira de ser e não pode ser assim. Uma pessoa que comete uma asneira tem de ser castigado. Tem de pagar a responsabilidade de ter cometido essa asneira. E isso leva à irresponsabilidade e ao mau exemplo. E depois dizem: “Se aquele senhor roubou e não lhe aconteceu nada porque é que eu não hei-de roubar também?”

Está a falar dos processos que prescrevem…

De tudo, desde a justiça à vida do dia-a-dia. É o deixa andar. Nós somos assim.

Se pensarmos bem, há 50 anos só uma minoria muito minoritária é que combatia verdadeiramente a ditadura… Temos de reconhecer que a esmagadora maioria combatia nos cafés.

Claro! Lembro-me perfeitamente do meu pai e do grupo de amigos que ele tinha que se reuniam ali numa loja na rua do Ouro e discutiam e criticavam, chamavam todos os nomes possíveis e imaginários ao Salazar e aos seus capangas, etc. Mas, de facto, não faziam nada! Apenas um deles tinha sido preso e tinha o corpo cheio das cicatrizes das vergastadas que tinha levado na Pide. No fundo, somos assim. Falamos muito, mas fazer “tá quieto”.

E acha que é por essa nossa maneira de ser que aguentámos durante tanto tempo a ditadura?

Aguentámos isso tranquilamente. Havia de facto reacções, mas espaçadas no tempo.

Havia o Partido Comunista organizado…

Claro. Mas que grandes acções fizeram, em concreto, no sentido de acabar com a ditadura? Foram muito pequeninas. Infelizmente não somos capazes de nos organizar. E é uma consequência da pesada herança do passado. Os nossos pais não tiveram preparação, nós não tivemos preparação, os nossos filhos vão aprendendo alguma coisa e só daqui a três ou quatro gerações é que isto irá talvez entrar nos carris. Talvez os jovens consigam arranjar uma solução para resolvermos os nossos problemas. Vamos ver. Se calhar já cá não estou para ver.

Quando é que começou a perceber que a ditadura não era um regime aceitável?

Desde muito jovem que ouvia falar do “reviralho”, do pessoal do “reviralho”. Ouvia falar contra o regime, contra o Salazar, defender a eleição do Norton de Matos, do Delgado. Vivi tudo isso muito de perto. Nunca gostei do Salazar. Tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, quando foi das henriquinas [comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique] em 1960. Participei nas comemorações henriquinas, tinha acabado de sair da Escola do Exército. Ainda fiz parte do grupo que, em representação da academia militar, fez parte dessa organização. E um dia esse grupo foi ao Salazar. Digo-lhe que fiquei impressionadíssimo com o olhar daquele homem! Quando ele olhava para as pessoas parecia que nos sentíamos furados! Uma coisa impressionante! Mas digo-lhe uma coisa: quando em 1928 Salazar entrou para o Ministério das Finanças foi de facto um homem extraordinário! Agora, a sua forma de pensar, a pouco e pouco, desactualizou-se. Nomeadamente no problema colonial.

Ele sabia que o colonialismo estava a desaparecer e tinha a obrigação de resolver o problema ou de prever que iríamos atravessar uma situação desse tipo. Era inevitável. Se ele tivesse tido essa presciência e tivesse conseguido evitar a guerra colonial nós hoje estaríamos completamente diferentes.

Mas havia a Pide, havia a censura…

Isso é outra coisa. Estou a falar agora da questão colonial e das relações com as antigas ex-colónias. Fiz duas comissões em África. Em Angola de 62 a 64 e na Guiné de 68 a 70, no tempo da ditadura. Depois do 25 de Abril fui à Guiné, a Angola, a Moçambique. Em todos os lados me diziam “vocês venham para cá que a gente precisa de vocês”. Dos portugueses. Ainda hoje temos uma relação com aquela gente completamente diferente de qualquer outro país. E se nós não tivéssemos tido aqueles 13 anos de guerra não teria havido 300 mil homens em guerra, milhares de mortos de um lado e de outro e teríamos uma situação completamente diferente. Salazar nunca quis alterar a relação entre colonizadores e colonizados. Para ele Portugal era do Minho a Timor. E não podia ser assim. Mas nós temos formas de relacionamento com aquela gente como mais ninguém tem. Tive oportunidade de ver isso na guerra colonial: em várias situações verifiquei a fraternidade que existia entre soldados brancos e soldados pretos…

Os soldados do contingente português, claro.

Claro que sim. Mas se calhar os que estavam do outro lado, se não tivesse havido guerra, poderiam conviver connosco da mesma maneira.

A descolonização deveria ter sido feita mais cedo.

Evidentemente, mas de uma forma pacífica. E estaríamos hoje a conviver com aqueles países de uma forma completamente diferente. Se calhar estamos a caminhar para aí, mas só trinta ou quarenta anos depois e com custos muito elevados.

Só agora, 40 anos depois, se está a começar a falar mais abertamente dos massacres da guerra colonial, dos crimes cometidos pelas tropas portuguesas.

Com certeza. Houve crimes cometidos por nós e crimes cometidos por eles. Eles na defesa dos seus territórios e das suas nações e nós liquidando aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem, em alguns casos. Vou contar–lhe uma cena a que assisti na Guiné. Fui uma vez a um quartel no mato e havia uma cova enorme que estava cheia de cadáveres dos chamados terroristas e os soldados portugueses à volta. E às tantas percebeu-se que um dos cadáveres não era cadáver. Ainda estava vivo. E alguém disse: “eh pá aquele ainda mexe!!!!” E depois ta-ta-ta-ta. [imita o ruído de uma metralhadora]. Isto é uma coisa absolutamente selvagem. E resulta da forma como foi instigada no espírito das pessoas a inimizade de uns em relação aos outros.

Demorámos tanto tempo a conseguir falar da guerra porque os homens que fizeram a guerra foram os mesmos que nos deram a democracia?

Talvez. Nós, militares, temos uma certa psicose em falar das coisas que vivemos na vida profissional. Como sabe, é muito raro encontrar-se alguém que conte o que viveu na guerra e não é só na nossa guerra colonial. Quem conta o que se passou na primeira guerra, ou na segunda guerra mundial são 3 ou 4 pessoas ou 10. As pessoas que viveram essas coisas não falam, porque têm os tais stresses de guerra, os traumatismos. A guerra afecta a qualidade do ser humano e a forma como o ser humano encara o relacionamento com os outros. Isso é de tal maneira que muitos dos homens que fizeram a nossa guerra colonial têm problemas de stress de guerra. Imagine um rapazinho com 20 anos. Faz aqui o serviço militar durante seis meses e é metido num barco ou num avião e vai para a guerra… Foram milhares deles assim! Chega lá, se fosse oficial miliciano, alferes, metiam-lhe 30 homens na mão, que era um pelotão. E vai pelo mato fora, para a guerra, um indivíduo que não fazia a mínima ideia do que era isso. Com 30 homens na mão! E ele tinha de responder pela vida ou pela morte desses 30 homens. Está a ver o que isto representa? Estes rapazinhos com 20, 25 anos, eram uns garotos! Isto marca para toda a vida!

Quando entra na conspiração para derrubar a ditadura?

A conspiração começou com os capitães em 73. Eu nessa altura já era mais velho, tinha 38 anos. Os capitães começaram por se mobilizar em torno dos decretos em que os oficiais milicianos faziam cursos de seis meses e eram equiparados aos do quadro que já tinham uma data de anos de serviço. Isso começou a criar reacções muito fortes nesses rapazes que viam o seu futuro perturbado por essas situações. Claro que isto é uma consequência das dificuldades cada vez maiores que as forças armadas portuguesas tinham no recrutamento de pessoal para a guerra colonial. Nós chegámos a ter quase 300 mil homens nos três teatros de operações. Já tínhamos atingido o limite dos limites! Entre o pessoal do quadro permanente, os profissionais, houve alguns que chegaram a fazer quatro e cinco comissões de dois anos cada! Iam dois anos, voltavam, estavam cá uns meses, e voltavam para a guerra! Atingimos uma situação em que a solução era impossível. E daí que os capitães tivessem chegado à conclusão que o problema da guerra colonial só se resolvia pela via política. Tinha de haver qualquer coisa que alterasse a situação e só poderia acontecer se o regime caísse. Quando é que eu entro? Em 73 eu tinha 38 anos, era bastante mais velho do que os outros, era professor na Academia Militar, tinha sido professor de alguns daqueles capitães. E um dia o Fisher Lopes Pires, já falecido, veio perguntar-me se eu estava disposto a aderir ao movimento dos capitães. E eu digo logo “com certeza”. Entrei no final de 73, princípio de 74. Depois aquilo evoluiu, houve o 16 de Março que foi um flop e o Otelo foi encarregado de fazer uma coisa com cabeça, tronco e membros. O 25 de Abril foi uma operação clássica militar.

Um golpe de Estado?

Uma operação clássica militar, como qualquer outra operação em guerra. Nós tivemos as unidades do Exército português mobilizadas de um lado e de outro, do Algarve até ao Minho. Portugal esteve à beira de uma guerra civil. O Otelo é encarregado de fazer o estudo das operações que iriam levar ao 25 de Abril e, como nós nos conhecíamos muito bem, vem ter comigo para planear a parte das transmissões. Não há operação militar nenhuma que funcione capazmente se as transmissões não funcionarem! E funcionaram absolutamente. Eu sou de engenharia, depois fui para transmissões. Nós, nas transmissões militares, temos várias coisas: as transmissões fixas, que fazem as ligações entre os quartéis. Depois, temos as transmissões de campanha, que são aquelas que são utilizadas em operações, com o aparelho às costas no mato ou no terreno. E depois temos outra coisa que se chama guerra electrónica. O que é a guerra electrónica? É um processo que procura obter o mais possível de informações através das transmissões do inimigo. Eu fui especialista dessas três áreas. Montei as ligações permanentes entre Portugal e a Guiné e Cabo Verde. Fiz as transmissões de campanha em Angola. Quando o Otelo me contactou disse “sim, senhor” e montei um esquema. Tinha vivido a minha vida toda a lidar com quartéis e conhecia muita gente. Conhecia o quartel da Graça como as minhas mãos, estive lá 12 anos. Tinha confiança a 100% em alguns deles. Montei então o esquema todo. Fui roubar material ao depósito de transmissões em Linda-a-Velha, arrombei a porta e roubei o material. Montei o esquema na Pontinha e a coisa funcionou. E foi assim.

Portanto, no dia 24 estava a roubar o material…

No dia 24 foi quando montei as coisas todas na Pontinha. Fui para o posto de comando da Pontinha no dia 24 à tarde, montei as antenas e depois vim para casa. E depois voltei para lá a seguir ao toque do Paulo de Carvalho [a canção “E Depois do Adeus”, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa]. Nós tínhamos ligação com vários postos civis e militares. De tal maneira que às 3 da manhã do dia 25 interceptei uma chamada telefónica entre o ministro da Defesa e o ministro do Exército em que diziam que Américo Thomaz no dia seguinte ia a Tomar e saía cedo. Um deles preocupava-se por Thomaz não levar segurança enquanto o outro dizia: “Não há problema nenhum porque isto está tudo tranquilo”. Às três e meia da manhã já tínhamos as unidades todas na rua! E ninguém tinha dado por isso.

Nunca duvidou do sucesso do golpe?

Preparámos tudo de forma a que tivesse sucesso. Mas houve uma altura em que ainda tivemos um aperto de coração. O pior foi a fragata defronte do Terreiro do Paço. Nós sabíamos que a fragata tinha recebido ordens para bombardear as forças do Movimento das Forças Armadas que estavam no Terreiro do Paço. E nós fizemos isto: mandámos para o Cristo-Rei uma bateria de Artilharia e ordenámos que os canhões ficassem apontados para a fragata. E foi transmitido à fragata que se desse um único tiro iria imediatamente ao fundo. Foi o momento mais nervoso que passámos. Não sabíamos como iriam reagir, felizmente reagiram bem. Talvez porque houvesse mais gente na fragata que estava connosco.

Estamos a fazer esta entrevista no dia 16 de Março. Há 40 anos, o general Spínola deu-lhe uma coisa e tentou um golpe que ninguém percebeu muito bem o que era. Quem era o general Spínola, afinal?

O general Spínola era excepcional em termos militares. Era um militar na verdadeira acepção da palavra. Mas tinha ideias velhas, antiquadas. E, por outro lado, era do tipo “quero, posso e mando”. Quando contactámos o Spínola, ele começou logo a dizer “eu é que mando”. E nós “calma aí, não é o senhor que manda, ainda mandamos nós”. Aí as coisas contemporizaram-se, houve a possibilidade de ele perceber que não tinha capacidade de alterar certo tipo de coisas que estavam em curso.

Como é que viviam nesses dias? Chamavam-vos os homens sem sono.

Depois do Otelo me entregar a ordem de operações, para poder montar o plano de transmissões, levei não sei quantos dias a passar aquilo tudo a escrito. Não dormi duas ou três noites seguidas. Não preguei olho. A minha irmã faz anos no dia 23 de Abril. Acabei o anexo de transmissões precisamente no dia 23 de Abril e entreguei ao Otelo. Foi quando ele foi distribuído pelas unidades todas. Nem a minha mulher na altura, nem a minha irmã, ninguém sabia de nada. No dia dos anos da minha irmã, resolvemos ir todos ao cinema, ao São Jorge. Eu cheguei ao São Jorge, apagaram-se as luzes e adormeci. Quando o filme acabou a minha mulher teve de me acordar. Não sei que filme foi, não sei o que era, não faço a mínima ideia.

E o que se passou com a Pide? A Pide mantém-se nas colónias a seguir ao 25 de Abril…

Aí tenho uma coisa para lhe contar. Não vou falar em pessoas, mas eu tinha um relacionamento com alguém muito próximo do Barbieri Cardoso. Eram laços que eu tinha com familiares, não interessa quem eram as pessoas. O Barbieri Cardoso era o responsável máximo da Pide. E dois ou três meses antes, eu fui à festa de anos da filha dele, ali numa moradia em Linda-a-Pastora, e ele estava lá. A certa altura, o senhor chama-me de lado e diz-me: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães… O que é que se passa?” E eu disse: “Não sei de nada nem nunca ouvi falar”. E eu já estava metido no assunto até ao pescoço! “Mas então se souber de alguma coisa diga, está bem?” “Eu digo, eu digo” (risos). Portanto, a Pide sabia que havia qualquer coisa, só não sabia o que era. Ou se sabia, ele disfarçou, porque queria saber mais coisas. E provavelmente até sabia que eu estava envolvido nisso. Agora, no dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso não estava cá! Estava em Paris e não voltou. Ele soube qualquer coisa e foi-se embora. Mas queria dizer-lhe o seguinte: a Pide cá era uma coisa, a Pide em África era outra coisa completamente diferente. E qual era a diferença? A Pide em África era um organismo de informações. Obtinham informações sobre o nosso inimigo e depois davam essas informações ao Exército português. Não andavam à procura dos portugueses contra o regime. Nas antigas colónias, a Pide trabalhava em prol do Exército português e teve uma acção muito importante, porque o Exército não tinha a capacidade para saber coisas que eles tinham.

E isso não contribuiu para ter havido um certo perdão nacional relativamente à Pide? Com os políticos foi a mesma coisa…

Aí voltamos ao que eu comecei por dizer. Nós perdoamos muito. Acabamos por dizer “o gajo no fundo não é mau rapaz, não volta a fazer”. Nós somos assim. Em relação à Pide quase houve uma atitude deste tipo. Em qualquer outro sítio do mundo, com outro tipo de pessoas, se calhar cortavam a cabeça à Pide. Eles tinham feito coisas terríveis. Era natural que houvesse uma vingança sobre esse organismo. É claro que muitos deles cavaram, os mais responsáveis já cá não estavam quando as coisas aconteceram. E hoje em dia o edifício da rua António Maria Cardoso é um prédio de luxo tipo hotel de 5 estrelas (risos).

Por Ana Sá Lopes e foto de Eduardo Martins

http://www.ionline.pt … (FONTE)

 

O golpe visto da janela de minha casa | Adelto Gonçalves

Livro_Adelto_Gonçalves_BrasilEm 1964, eu tinha 12 anos de idade e assisti ao golpe militar da janela de minha casa. A morada de meus pais era no Largo Teresa Cristina, 27, defronte para o prédio do Sindicato dos Operários Portuários de Santos, localizado à Rua General Câmara, cuja lateral direita dava para a praça. Foi por ali que chegaram os soldados da Polícia Marítima, do comandante Seco, ostensivamente armados. Da janela, vi como alguns daqueles homens de uniforme azul com metralhadoras em punho e longos bastões – que no cais eram mais conhecidos como “pés de mesa” – escalaram o muro dos fundos do sindicato, assumindo posições estratégicas.

            Depois, ouvi o estilhaçar de uma vidraça do edifício do sindicato, talvez rompida por uma granada de efeito moral ou uma pedra. E, então, percebi algumas poucas cabeças que se desenhavam nas vidraças: eram os dirigentes do sindicato acuados, provavelmente à espera de notícias que pudessem vir de Brasília sobre um eventual esquema de resistência ao golpe.

Mais tarde, ainda da janela, pude perceber uma aglomeração na Rua General Câmara com o Largo. Então, tomei coragem e desci à rua e vi quando alguns daqueles homens que estavam acuados na parte de cima do sindicato desceram as escadarias, sob a mira de metralhadoras, e entraram numa espécie de “corredor polonês” aos tapas e pescoções em direção a um caminhão coberto. Entre eles, lembro-me de ter visto Manoel de Almeida, que era o presidente do sindicato, e Rafael Babunovitch, diretor. Com outros diretores e alguns associados solidários, seriam conduzidos para o navio-prisão, que por muitos dias ficaria ancorado em frente ao porto de Santos com sua presença ameaçadora, tal como uma forca na praça principal de uma pequena cidade.

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Royal Philharmonic Orchestra | Royal Albert Hall

Royal Philharmonic Orchestra

Looking ahead to Christmas 2014 yet? Well, we are! You can now book tickets for John Rutter’s Christmas Celebration 2014!

Conducted and presented by John Rutter himself and performed by the Royal Philharmonic Orchestra, you can enjoy this festive favourite by singing along to the world’s favourite carols with a 100+ orchestra and choir and by listening to timeless Christmas classics, all in the magnificent surroundings of the Royal Albert Hall.

With 9 months until Christmas (wow!), this magical, winter treat is not to be missed, so get booking!

Book tickets for the matinee (3pm): http://www.royalalberthall.com/tickets/royal-philharmonic-orchestra/john-rutter-christmas-matinee/default.aspx

Book tickets for the evening show (7.30pm): http://www.royalalberthall.com/tickets/royal-philharmonic-orchestra/john-rutter-christmas-evening/default.aspx

Photo from John Rutter’s Christmas Celebration 2013 – credit goes to Nick Rutter.

Noam Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação dos Media

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

Noam Chomsky

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

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Presidente ou Presidenta?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio activo do verbo ser?  O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade..

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.

Portanto, em Português correcto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela “ardenta”; diz-se estudante, e não estudanta”; diz-se adolescente, e não “adolescenta”; diz-se paciente, e não “pacienta”.

Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

“A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.

Causerie | Charles BAUDELAIRE (1821-1867)

Causerie

Vous êtes un beau ciel d’automne, clair et rose !
Mais la tristesse en moi monte comme la mer,
Et laisse, en refluant sur ma lèvre morose
Le souvenir cuisant de son limon amer.

– Ta main se glisse en vain sur mon sein qui se pâme ;
Ce qu’elle cherche, amie, est un lieu saccagé
Par la griffe et la dent féroce de la femme.
Ne cherchez plus mon coeur ; les bêtes l’ont mangé.

Mon coeur est un palais flétri par la cohue ;
On s’y soûle, on s’y tue, on s’y prend aux cheveux !
– Un parfum nage autour de votre gorge nue !…

Ô Beauté, dur fléau des âmes, tu le veux !
Avec tes yeux de feu, brillants comme des fêtes,
Calcine ces lambeaux qu’ont épargnés les bêtes !

cabelos 24

Engenharia e Construção | Renovação do primeiro andar da Torre Eiffel

A Torre Eiffel vai ter o seu primeiro andar renovado numa altura que comemora 125 anos da sua inauguração. O primeiro andar já foi transformado algumas vezes desde 1889, e até ao final deste ano será apresentada a sua “nova cara” remodelada e modernizada, responsabilidade do gabinete de arquitectura Moatti-Rivière. No total serão 4582 metros quadrados de obra.

Nesta obra está incluída a renovação do restaurante 58 Tour Eiffel e a reformulação da estrutura de apoio aos elevadores. O vidro é um dos elementos em destaque neste projecto de renovação: o chão será de vidro, assim como todas as varandas e os dois pavilhões que irão albergar diferentes eventos culturais. Os acessos para os visitantes com mobilidade reduzida também vão ser melhorados.

De resto, outro aspecto fundamental do projecto de renovação do primeiro andar da Torre Eiffel é a redução da pegada ecológica desta, assim como a introdução de vários sistemas sustentáveis:

  • Recolha e reutilização das águas pluviais
  • Painéis solares que fornecem metade da energia necessária para a água quente utilizada nos dois pavilhões
  • Captação de energia eólica através da instalação de 4 moinhos de vento com eixos verticais.

Fique de seguida com algumas imagens do projecto de renovação do primeiro andar da Torre Eiffel

projecto torre eiffel 1

projecto torre eiffel 1.5

projecto torre eiffel 2

projecto torre eiffel 3

projecto torre eiffel 4

projecto torre eiffel 5

FONTE: http://www.engenhariaeconstrucao.com

 

CRIMEIA | José Goulão in “Facebook”

Bm_krimDe repente, a plêiade de dirigentes político-mercantis que gerem a União Europeia e os Estados Unidos da América, até há dias incapazes de apontar no mapa uma coisa chamada “Crimeia”, tornaram-se fervorosos ucranianos da Crimeia, até tártaros da Crimeia, defensores de direitos de pessoas de cuja existência, em boa verdade, jamais se tinham lembrado.

De Hollande a Obama, de Cameron a Merkel – os outros batem palmas e acenam com a cabeça – todos acham que o pecado é a realização de um referendo, uma consulta aos cidadãos para saber se querem ficar sob a pata de Bruxelas e Washington ou de Moscovo, já que independência ou autonomia não contam para o caso, o que conta são os portos no Mar Negro, que não gelam nem sob as ordens do temido general Inverno, o que conta são influências e negócios.

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Santana Lopes | Jornal Público 2014.03.16 | Entrevista de BÁRBARA REIS e MARGARIDA GOMES

Santana Lopes C(…) Há um ponto em que estou de acordo com o Pacheco Pereira, que diz sempre que vivemos numa mistificação constante, uma confabulação permanente em que passamos ao lado de questões essenciais como a que estão a colocar. Sobre o manifesto: o acordo do pós-guerra seguiu o princípio de que a dívida seria amortizada em função dos ciclos da economia. Parece-me sensato. Defendi-o. Quando Seguro propôs que a dívida superior a 60% fosse mutualizada, manifestei simpatia pela proposta. Quem já exerceu funções de chefia do Governo sabe o quanto a União Europeia fiscalizava à lupa, já antes desta crise, as contas do Estado. Os países não se endividaram às escondidas da Europa.

(…)

Eu não sou daqueles que fustiga o engenheiro Sócrates a dizer que ele é o culpado por tudo o que se passa em Portugal. Acho essa ideia absolutamente caricata e ridícula. A principal culpa pelo que se passa em Portugal são factores externos. O engenheiro Sócrates desorientou-se na parte final do mandato, tomou muitas medidas erradas, mas durante vários anos desenvolveu políticas correctas e tomou muitas boas medidas. O Governo agora até adoptou o Simplex 2. Na área da investigação científica fez muitas coisas bem-feitas e teve muita visão nessa matéria das novas tecnologias.

Foi um primeiro-ministro com visão em várias áreas. Ele era vários deuses ao mesmo tempo, depois caiu em desgraça e passou a ser o culpado de tudo. Isso é caricato. Ele foi um primeiro-ministro com várias qualidades, um chefe de Governo com autoridade e capaz de impor a disciplina no seio do seu Governo.

O que me irrita mais na política é que a política seja um desfile na passerelle. Agora vem aí o Marcelo, o Santana, o Durão, o Costa, qual é que escolhemos? Qual é que tens ideia que é o melhor? Acho que é aquele. E o que pensa sobre este assunto em concreto sobre o qual ele vai ter de decidir? Ai isso não sei. E o outro? Também não. 

(…)

http://www.publico.pt/politica/noticia/socrates-foi-um-primeiro-ministro-com-visao-1628395#/0 … (FONTE)

 

Centro Ciência Viva do Alviela | CARSOSCÓPIO | 15 de Março de 2014

Basic RGBNo dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. O Centro Ciência Viva do Alviela, situado junto à maior nascente cársica do país, assinala este dia com uma saída de campo e um dia bem passado nos Olhos de Água do Alviela. “Alviela, (quase) tudo uma questão de água” revela-nos o papel erosivo e construtivo da água, nas regiões calcárias. Bacias sedimentares, formação de grutas, chaminés de fada, fósseis de ambiente, poluição da água e traçado de um rio, são alguns dos muitos aspetos a abordar e a visualizar durante o percurso.

Este percurso pedestre, que se estende ao longo de 5kms, tem início no Centro Ciência Viva do Alviela, com a visita à exposição interativa “Carso”, onde ficamo! s a saber como a água moldou a região do Maciço Calcário Estremenho. Pomos os pés a caminho e percorremos o percurso interpretativo dos Olhos de Água do Alviela, descemos à praia fluvial e observamos a forma do rio Alviela e, em Monsanto, descobrimos porque surge a nascente do Alviela, no local onde se encontra.

Não perca esta saída de campo e venha caminhar com ciência!

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Uma “Crise” Muito Maior Que a Ucrânia | in Inteligência Económica

Putin“Para os mercados, a posição de Putine sobre a Ucrânia e a Crimeia é irracional”. Um velho amigo, recém-contaminado por uma vulgata neo-liberal, explicou-mo pacientemente. Compreendo. A posição de Putine é irracional para os mercados. Mas, o que o meu amigo não tinha percebido, é que na equação de Putine os mercados “já foram” (a resposta de um seu conselheiro sobre as sanções ocidentais deixa isso muito claro…). Neste quadro, são os mercados que perderam a racionalidade. Mesmo se ainda não o sabem… A crise ucraniana tem uma óbvia natureza geopolítica, mas tem também uma derivada tão interessante quanto inesperada: tornou-se, subitamente, a batalha maior da guerra que há anos os mercados financeiros vêm a fazer contra os Estados soberanos (e de que Portugal é uma vítima exemplar). O que se joga nesta “crise ucraniana” é muito mais que o destino da Crimeia ou mesmo de todos os ucranianos… Esta crise é o maior conflito político deste século e vai modelar e moldar o mundo das próximas décadas.

George Friedman viu-o muito bem, já há anos, (obviamente, sem a dimensão da guerra dos mercados contra os Estados soberanos que, na altura, ainda não se manifestava). A análise geopolítica do nosso amigo Friedman é de uma lucidez cortante e antecipou (em vários anos) toda a evolução da situação e a actuação de Putine. Se Obama ou algum dirigente político europeu for capaz de a compreender será conveniente que a leia…

LER TUDO:

http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=20269

UKRAINE: L’ineptie des Occidentaux pousse l’Ukraine vers le chaos

SPIKED | FRANK FUREDI | 5 MARS 2014
0403-Ukraine-UK-AREND
C’est la diplomatie occidentale inculte et superficielle qui exacerbe la situation très tendue en Ukraine. Pis, elle met la Russie sur la défensive, avec des conséquences imprévisibles, affirme un chroniqueur britannique.

Il se dit que les gouvernements occidentaux ont été pris au dépourvu par la vitesse des événements en Ukraine. Cela n’a rien d’étonnant. La surprise des responsables occidentaux et de leurs observateurs face, en particulier, à la rapide évolution du conflit en Crimée est l’illustration de leur inculture géopolitique et de la superficialité de la diplomatie occidentale moderne. Quiconque a une connaissance minime de l’histoire et de la position géopolitique de la Russie peut comprendre que ce qui se passe en Crimée a tout autant d’importance pour Moscou que les événements dans des villes russes comme Rostov ou Volgograd.

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Marquês de Pombal e padre Malagrida | as entranhas de um confronto | Daniel Pires

 marques

Por Adelto Gonçalves

 I

Depois de publicar Padre Malagrida: o último condenado ao fogo da Inquisição (Setúbal, Centro de Estudos Bocageanos, 2012), o pesquisador Daniel Pires ainda dispunha de tantos documentos sobre o assunto que resolveu escrever O Marquês de Pombal, o Terramoto de 1755 em Setúbal e o Padre Malagrida (Setúbal, Centro de Estudos Bocagenos, 2013), que traz maiores detalhes sobre o confronto entre Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), conde de Oeiras e, depois, marquês de Pombal, secretário de Estado dos Negócios do Reino, com os jesuítas que teve o seu epílogo com a condenação do padre Gabriel Malagrida (1689-1761), já demente, ao fogo da Inquisição.

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The Skills of Leonardo da Vinci

Leonardo

Some time in the 1480s (experts tend to agree with 1483/84, at which point he was approximately 32-years-old) Leonardo da Vinci applied for a job at the court of Ludovico Sforza, the then de facto ruler of Milan. He did so by way of the following application letter — essentially a fascinating CV which, in an effort to appeal to Sforza’s needs at the time, is dominated by his undeniably impressive military engineering skills and doesn’t even hint at his artistic genius until the end.
Da Vinci’s efforts paid off, and he was eventually employed. A decade later, it was Sforza who commissioned him to paint The Last Supper.

(Source: Leonardo on Painting: An Anthology of Writings by Leonardo da Vinci with a Selection of Documents Relating to His Career; Image: Leonardo da Vinci, a self-portrait, via.)

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Je ne voulais pas te laisser partir sans t’avoir connue | Lettre de Georges Simenon à sa mère décédée

Ma chère maman,

Voilà trois ans et demi environ que tu es morte à l’âge de quatre-vingt onze ans et c’est seulement maintenant que, peut-être, je commence à te connaître. J’ai vécu mon enfance et mon adolescence dans la même maison que toi, avec toi, et quand je t’ai quittée pour gagner Paris, vers l’âge de dix-neuf ans, tu restais encore pour moi une étrangère.

D’ailleurs, je ne t’ai jamais appelée maman mais je t’appelais mère, comme je n’appelais pas mon père papa. Pourquoi ? D’où est venu cet usage ? Je l’ignore.

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Autopsicografia | Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

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GENERAL PIRES VELOSO DEFENDE UM NOVO 25 DE ABRIL in DN

generalO general Pires Veloso, um dos protagonistas do 25 de Novembro de 1975 que naquela década ficou conhecido como “vice-rei do Norte”, defende um novo 25 de Abril, de raiz popular, para acabar com “a mentira e o roubo institucionalizados”.

“Vejo a situação atual com muita apreensão e muita tristeza. Porque sinto que temos uma mentira institucionalizada no país. Não há verdade. Fale-se verdade e o país será diferente. Isto é gravíssimo”, disse, em entrevista à Lusa .

Para o general, que enquanto governador militar do Norte foi um dos principais intervenientes no contra-golpe militar de 25 de Novembro que pôs fim ao “Verão Quente” de 1975, “dá a impressão de que seria preciso outro 25 de abril em todos os termos, para corrigir e repor a verdade no sistema e na sociedade”.

Pires Veloso, 85 anos, considera que não poderão ser as forças militares a promover um novo 25 de Abril: “Não me parece que se queiram meter nisto. Não estão com a força anímica que tinham antigamente, aquela alma que reagia quando a pátria está em perigo”.

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À l’heure, si sombre encore, de la civilisation où nous sommes, le misérable s’appelle l’homme.

Lettre de Victor Hugo sur les Misérables à M. Daelli

Vous avez raison, monsieur, quand vous me dites que le livre les Misérables est écrit pour tous les peuples. Je ne sais s’il sera lu par tous, mais je l’ai écrit pour tous. Il s’adresse à l’Angleterre autant qu’à l’Espagne, à l’Italie autant qu’à la France, à l’Allemagne autant qu’à l’Irlande, aux républiques qui ont des esclaves aussi bien qu’aux empires qui ont des serfs. Les problèmes sociaux dépassent les frontières. Les plaies du genre humain, ces larges plaies qui couvrent le globe, ne s’arrêtent point aux lignes bleues ou rouges tracées sur la mappemonde. Partout où l’homme ignore et désespère, partout où la femme se vend pour du pain, partout où l’enfant souffre faute d’un livre qui l’enseigne et d’un foyer qui le réchauffe, le livre les Misérables frappe à la porte et dit : Ouvrez-moi, je viens pour vous.

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Para Sempre | Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

A Espantosa Realidade das Cousas | Alberto Caeiro

 

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. Naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

 

 

PNETliteratura de novo online

Vitor_foto _120x1201 – Após período de ausência por graves  dificuldades financeiras felizmente resolvidas, voltamos a ter o site online.

2 – Do facto apresentamos as nossas desculpas, aceitando desde já as críticas por não termos de imediato informado do problema.

3 – A coordenação do site continuará a cargo de Vítor Coelho da Silva, deixando de haver Editor.

4 – Os escritores que pretenderem publicar no site deverão enviar os textos e fotos para vcs.viplano@hotmail.com.

5 – Estamos a desenvolver nova versão que entrará brevemente online.

6 – O URL http://www.pnetliteratura.pt foi entretanto capturado e registado por outra entidade. Do facto demos conhecimento à FCCN que em resposta nos aconselhou a recorrer a um Tribunal Arbitral. Esse site pirata tem alguns textos copiados do nosso, o que muito lamentamos. Pedimos desculpa aos autores por este abuso que nos é alheio. Obviamente que não cederemos à chantagem de negociar com este cavalheiro.

7 – Por avaria num dos quatro discos do servidor onde está instalado, de que só tardiamente nos apercebemos, alguns textos de vários autores desapareceram. Estamos a desenvolver esforços para a sua completa recuperação, nomeadamente aguardando a entrega de back-ups antigos.

8 – Registámos os URL http://www.pnetliteratura.com e http://www.literatura-pnet.com. De futuro passaremos a utilizar estes dois endereços.

9 – O signatário continua a desenvolver esforços no sentido de se realizar um Festival Literário em Fátima com periodicidade anual. A 1ª edição deverá ocorrer ainda este ano, de 19 a 22 de Novembro.

Lisboa 15 de Fevereiro de 2014

Vítor Coelho da Silva, administrador

A “NOVA NORMALIDADE” | José Pacheco Pereira in Abrupto

É por isso que, quando os governantes dizem que é apenas porque são obrigados pelatroika a tomar medidas como os cortes retrospectivos nas pensões e reformas, estão de facto a enganar-nos. Na verdade, é intencional e faz parte de um plano. É ali que atacam, não pelo peso dessas prestações sociais, (o mesmo se passa no processo paralelo do embaratecimento do valor do trabalho), mas sim porque isso é um elemento do seu plano. Podiam ter todo o ouro do mundo para pagar as dívidas, que não o usariam. Eles têm um alvo.

Ler tudo aqui:

http://abrupto.blogspot.pt/2014/01/a-nova-normalidade-alguns-dos-autores.html

Um dia isto tinha que acontecer | Mia Couto

id_331_2Um dia isto tinha que acontecer Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

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Edgar – Poe(mas) em estórias de Eduíno de Jesus | Onésimo Teotónio Almeida

Está a circular por aí uma preciosa colecção de pequenos volumes vestidos de capas divinalmente desenhadas por um poeta chamado Eduardo Bettencourt Pinto que, na lonjura de Vancouver, sempre me pareceu o açoriano mais plantado nas ilhas que nem sequer lhe foram berço. Eduardo Bettencourt Pinto deu em editor de preciosidades e fez questão de primar conseguindo para cada volume uma apresentação gráfica correspondente. Depois de A Sagração do Amor, de Anabela Mimoso, e de Aubrianne, do próprio Eduardo Bettencourt Pinto, surge-nos a surpresa de Edgar, de Eduíno de Jesus.

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