… como no Inferno quando se entra pela porta maldita e se deixa a dita esperança à entrada. Agosto é um bom mês para percebermos tudo. Milhares e milhares de jovens que não lêem um livro, passam o mês em festivais no meio do lixo, do pó, da cerveja e dos charros. Milhares e milhares de adultos vão meter o corpo na água e na areia, sem verdadeira alegria nem descanso. Outros muitos milhares de jovens e adultos nem isto podem fazer porque não tem dinheiro. No interior, já que não há correios, nem centros médicos, nem tribunais, proliferam as capitais, da chanfana, do caracol, do marisco, do bacalhau, dos enchidos, da açorda, as “feiras medievais” de chave na mão, as feiras de tudo e mais alguma coisa desde que não sejam muito sofisticadas. Não é uma Feira da Ciência, nem Silicon Valley.
As televisões, RTP, SIC e TVI “descentralizam-se” e fazem arraiais com umas estrelas pimba aos saltos no palco, mais umas “bailarinas”, nem sequer para um grande público. Incêndios este ano há pouco, pelo que não há imagens fortes, ficamos pelo balde de água. Crimes violentos “aterrorizam” umas aldeias de nomes entre o ridículo e o muito antigo, que os jornalistas que apresentam telejornais com tudo isto gostam de repetir mil vezes. Felizmente que já começa outra vez a haver futebol, cada vez mais cedo. O governo, com excepção das finanças e dos cortes contra os do costume, não governa, mas isso é o habitual.
A fina película do nosso progresso, cada vez mais fina com a crise das classes ascendentes, revela à transparência todo o nosso ancestral atraso, ignorância, brutalidade, boçalidade, mistura de manha e inveja social. No tempo de Salazar falava-se do embrutecimento dos três f: futebol, Fátima e fado. Se houvesse Internet acrescentar-se-ia o Facebook como o quarto f. Agora não se pode falar disso porque parece elitismo. Áreas decisivas do nosso quotidiano hoje não são sujeitas à crítica, porque se convencionou que em democracia não se critica o “povo”.
Agosto é um grande revelador e um balde de água fria em cima da cabeça para aparecer na televisão ou no You Tube. Participar num rebanho, mesmo que por uma boa causa, podia pelo menos despertar alguma coisa. Nem isso, passará a moda e esquecer-se-á a doença. Pode ser que para o ano a moda seja meter a cabeça numa fossa séptica, a favor da cura do Ebola.
Assim não vamos a lado nenhum. Como muito bem sabem os que não querem que vamos a qualquer lado.
A Materiais Diversos é uma associação cultural sem fins lucrativos que tem como missão incentivar a investigação e experimentação artísticas e sensibilizar o público para as artes performativas, com especial enfoque na dança. Integra a rede europeia de apoio ao desenvolvimento coreográfico europeu Open Latitudes, bem como a Rede de Estruturas de Dança nacional. No quadriénio 2013-2016, a MD é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal/Secretário de Estado da Cultura – DGArtes e pelos os Municípios de Alcanena, Torres Novas e Cartaxo, domiciliada no espaço Alkantara (Lisboa) e em Minde (Alcanena). A actividade da MD desenvolve-se em três eixos: Produção e difusão de projectos associados; Festival Materiais Diversos; e Programação Regular nos Municípios de Torres Novas e Cartaxo. O/a produtor/a executivo/a irá integrar o núcleo de difusão e produção, dedicado aos projectos associados dos criadores Filipa Francisco, Lander Patrick, Marcelo Evelin, Sofia Dias & Vítor Roriz. O/a produtor/a representará a Materiais Diversos na sua relação com os criadores e os seus colaboradores e com parceiros de difusão, nomeadamente estruturas de acolhimento. Deverá estabelecer e manter relações harmoniosas entre todas as partes, respeitando as necessidades específicas de cada projecto/artistas em difusão e as condições acordados com a estrutura de acolhimento.
Quando oiço dizer que vivemos, em Portugal e nesta complicada Europa que nos cabe, «pior que no tempo do fascismo», ocorrem-me três argumentos contra uma afirmação tão imperfeita e perigosa. Em primeiro lugar, ninguém que tenha vivido ou conheça de forma cabal o tempo e a experiência dos fascismos que envenenaram o século passado, fazendo dos Estados aparelhos de coação e não de garantia dos direitos fundamentais, é incapaz de proferir em consciência uma afirmação dessa natureza. Em segundo lugar, estabelecer uma comparação que incide de forma particularmente negativa sobre o presente é prova de um claro desconhecimento da História, pois nenhum dos conflitos e formas de opressão pelos quais passamos hoje, sobretudo no mundo industrializado e nas suas contíguas periferias, se compara, em escala e na brutalidade, com aqueles que cruzaram as décadas em que os fascismos se impuseram. Em terceiro lugar, quem o diz vive provavelmente no terreno nebuloso de um wishful thinking feito de enormes simplificações, com recurso às quais pensa agudizar contradições e desta forma prover as «condições objetivas» para impor mudanças julgadas redentoras, necessariamente ilusórias. No fundo, quem de tudo isto beneficia são de facto os novos fascismos, agora mais insidiosos e apurados nos seus métodos, que pelo efeito de banalização que uma tal afirmação provoca vão podendo desbravar caminho. Desta maneira, em vez de se baterem pela defesa dos direitos alcançados em décadas de lutas pela democracia e pelo bem-estar, muitos cidadãos desenvolvem uma consciência política feita essencialmente de ressentimento, que acaba por isolá-los, desmobilizando-os de facto e colocando-os à mercê dos algozes. À noite, nas suas casas, adormecem narcotizados, tentando esquecer um mundo que os atemoriza e não compreendem.
Há um momento na vida em que a tirania mansa esgota a paciência e atiça o fogo da revolta. E a revolta não é mansa e gera o mal que se faz sofrer a partir do mal que se sofreu. E há sempre as vítimas sem razão.
Mas há um momento em que a violência brutal, que nos chega como quotidiana, já está para além da capacidade de a suportar.
Quando era miúdo não conseguia ver filmes que se diziam para a minha idade porque havia um nó na garganta, de dor, que me sufocava e as lágrimas contidas a tal ponto que os olhos pareciam implodir. Era uma forma, ouvia dizer, de, por esse meio, nos educarem a sensibilidade, gerando na nossa afectividade em formação, os bons sentimentos. E havia o cão que, morrendo, deixava o menino sozinho e o rapaz que, porque órfão, nunca seria menino. E a vida era um Natal gélido e faminto vivido do lado de cá da vidraça.
E depois era a mágoa dos amores quando ainda eram apenas ternuras inconsequentes, o medo dos adultos e da sua violência castigadora, os remorsos pelo tanto que se poderia ter feito ou por outra forma. E o pecado. E o dia em que as coisas de que gostávamos e as pessoas que amávamos começavam a morrer.
Hoje já não há muito disso que aleijou a alma. Torná-mo-nos adultos. Atentos ao mundo, há, porém, o que nos chega pelas notícias: a selvajaria das guerras entre povos e o mesmo povo, a cruel violência no seio da própria família. E, na dança macabra dos fins de festa, há a estupidez acéfala dos embriagados pela futilidade, a indiferença que nasce pela banalização do horror. Que não magoa menos.
Confesso que sinto de novo a surgir essa até agora longínqua incapacidade de suportar.
Quando, porque nascido em Malanje, me chegaram, tinha eu doze anos, os primeiros sinais da violência feroz que se tornou em guerra, vinda da revolta indígena na Baixa de Cassanje, mais a violência feroz da retaliação e a ferocidade angustiante do medo, quando, tudo tornado pavor e insónia, a ingenuidade infantil quebrou estilhaçada em cacos, senti que se me franqueara do mundo o horrível e o feio. E tentei encontrar então uma razão que ao menos me desse a paz de uma explicação.
Hoje, como insecto estonteado ante a luz, dói-me só de ouvir e dói também constatar que evito saber. Não nasce aí o regresso à inocência, sim o enfrentar o espelho acusador da má consciência.
É que foi este, afinal, o mundo que criámos e deixámos que surgisse.
Há um momento na vida em que a tirania mansa esgota a paciência e atiça o fogo da revolta. E a revolta é connosco mesmo por causa daquilo em que nos tornámos.
O povo da televisão — e esse é o segredo da sua telegenia — coincide quase sempre com os pobres, os deserdados, os excluídos, os que não têm acesso aos centros do poder. Mas a televisão não concede ao seu povo existência política. Pelo contrário, retira-lha e despolitiza-o, mesmo quando ele surge enquadrado num contexto ou num motivo políticos.
O espírito popular desapareceu”, escreveu Pasolini num dos seus textos de crítica e resistência ao presente. Quarenta anos depois, esta proposição tornou-se um axioma, mas de onde se ausentou o sentido que tinha para Pasolini: o de uma catástrofe. Desapareceu o espírito popular, mas os vários canais portugueses de televisão insistem, quase sem excepção, em construir um povo que não existe, mas cujo simulacro — pensam eles, os “produtores de conteúdos” televisivos — é telegénico que se farta e tem aquela qualidade tão apreciada pelos construtores de mentiras: o “efeito de real”. Trata-se daqueles programas, reportagens e concursos frequentados por pessoas que são submetidas à deformação pelos próprios apresentadores, repórteres e entertainers para satisfazer os ditames televisivos do expressionismo grotesco. O povo construído pela televisão é degenerado, ridículo, monstruoso. E os seus criminosos construtores têm nomes publicamente conhecidos e sucesso alargado: são as Júlias, as Luísas, os Joões, os Manueis e os seus directores de programas, produtores, chefes, empresários, até ao topo da hierarquia. Há o “povo” que vem aos estúdios dos programas da televisão (quase sempre um “povo” suburbano que já conhece bem os códigos da televisão e sabe imitá-los); e há o povo que a televisão visita no seuhabitat natural, geralmente os recantos profundos do país onde se vai em busca de arquétipos. Um e outro são descaradas mentiras, falsas construções que deformam até à degradação. Qualquer que seja o sentido da palavra, tenha ela um sentido sociológico e político ou aponte na direcção utópica da criação artística para a qual há sempre “um povo que falta”, existe mais “povo” em qualquer filme de Pedro Costa (um povo que vem, isto é, venturo, como o nome de Ventura) do que em todos os programas de televisão. O povo da televisão — e esse é o segredo da sua telegenia — coincide quase sempre com os pobres, os deserdados, os excluídos, os que não têm acesso aos centros do poder. Mas a televisão não concede ao seu povo existência política. Pelo contrário, retira-lha e despolitiza-o, mesmo quando ele surge enquadrado num contexto ou num motivo políticos. Quantas vezes não assistimos já às câmaras a fazerem um zoom sobre as mãos encarquilhadas, ou qualquer outra parte do corpo, do indivíduo do “povo” que se queixa de uma qualquer decisão — ou da ausência dela — dos governantes? Nesse momento, a pessoa é espoliada do seu estatuto político e ganha uma espécie de qualidade étnica. Já alguém deu por a televisão fazer um grande plano das mãos de um ministro? Já alguém viu, na televisão, as mãos de Marcelo Rebelo de Sousa a não ser como instrumentos de gesticulação expressivo-didáctica? O povo da televisão não é representado como sujeito minoritário do populus, do corpo de todos os cidadãos. É visto, antes, como espécie castiça de um parque natural que fica longe, muito longe, da Comporta. Deste modo, este povo que a televisão reconstrói e deforma à medida das suas exigências tem alguns pontos de coincidência com o povo do populismo. Mas há uma diferença fundamental: o populismo dirige-se à classe geralmente excluída da política e que, por isso, não tem privilégios de sujeito político constitutivo, reclamando que essa classe é o único poder legítimo, é uma parte do populus, do povo como categoria política, detentor da soberania, que deve funcionar como a totalidade da comunidade. A televisão, pelo contrário, quer tudo muito bem arrumado nos seus lugares e que não se quebre a harmonia estabelecida no parque natural do povo.
Vítor Gaspar sentiu-se atingido por Lobo Xavier e Pacheco Pereira terem reconhecido, com honestidade, que a verdadeira razão que levou Portugal a ter de pedir ajuda externa foi o assalto ao poder lançado pela direita com a rejeição do PEC IV, que tinha recebido o apoio do BCE e dos nossos parceiros europeus.
A resposta de Gaspar insiste na falsificação da história.
O Festival Materiais Diversos decorre de 18 a 27 de Setembro e temos muito gosto em convidá-lo/a para a conferência de imprensa do próximo dia 1 de Setembro, às 18h00, na Fábrica de Cultura, em Minde. Queremos partilhar consigo os pormenores desta programação de Dança, Teatro e Música que preencherá durante duas semanas Minde, Torres Novas, Alcanena e Cartaxo com uma nova vida.
A 6.ª edição do FMD\2014 será a mais internacional apresentada até hoje. Mas terá também dois espectáculos desenvolvidos com a comunidade e um conjunto de actividades paralelas como conferências, workshops, cinema e DJs.
A conferência terá a presença do director artístico do FMD\2014, Tiago Guedes, e de artistas do Festival.
Por favor, confirme a sua presença até 29 de Agosto através deste email ou contacte:
Assessoria de Imprensa – Tiago Mansilha
(+351) 91 558 66 35
tiago.mansilha@materiaisdiversos.com
Lettre de Natalie Portman aux éditeurs du Harvard Crimson
Natalie Portman est cette célèbre actrice israélo-américaine que ses premiers succès, dans Léon, de Luc Besson et Star Wars (La Menace fantôme) n’ont pas empêchée d’être diplômée de très réputée Université d’Harvard. Etudiante engagée, elle réagit, en avril 2002, à un article de Faisal Chaudry sur le conflit israélo-palestinien et fait connaître, au travers du Harvard Crimson, ses positions sur un sujet qui la touche et la préoccupe particulièrement. Un message de paix trop rarement lu par ces temps de guerre continue.
Aux éditeurs :
Faisal Chaudry a écrit sur le désir qu’ont les Américains et les Israéliens de « reconstruire le système idéologique » de l’actuel Moyen-Orient, avant d’en déduire et de mettre en scène de manière inventive une opposition entre « blancs » et « bruns » (Op-Ed, « Une idéologie de l’Oppression », 11 avril). A un moment, Chaudry compare même cette situation à l’Apartheid. C’est une déformation des faits étant donné que la plupart des Israéliens et des Palestiniens sont impossibles à distinguer physiquement.
Le gouvernement israélien lui-même est composé d’un grand nombre de Juifs séfarades dont certains sont originaires de pays Arabes. Le chef du personnel des armées, le ministre de la défense (qui est le nouveau leader du parti travailleur), le ministre des finances et le président d’Israël sont tous « bruns. » Chacun devrait se faire une idée de la ressemblance physique entre Arabes et Israéliens en examinant cette semaine la couverture de Newsweek sur laquelle une jeune kamikaze palestinienne de 18 ans et sa victime israélienne de 17 ans auraient pu passer pour jumelles.
Historiquement, les Israéliens et les Arabes sont cousins. Tant que nous n’aurons pas accepté le fait que nous sommes les constituants d’une même famille, nous serons prisonniers d’une erreur si nous pensons qu’une perte pour un « camp » – ou, comme Chaudry l’appelle, une « couleur » – n’est pas une perte pour l’ensemble de l’espèce humaine.
Scandaleuse et erronée, la dénonciation est une tactique infantile qui méprise la responsabilité de chacune des parties concernées, c’est-à-dire, en plus d’Israël et des autorités Palestinienne, l’Europe, les Nations Arabes et les Etats-Unis.
Nous devons avoir honte de chaque acte de violence et pleurer chaque enfant comme s’il était le nôtre. Je prie pour la sûreté de tous ceux qui sont dans cette région et j’espère que nous parviendrons un jour à utiliser les spécificités humaines de langage et d’empathie plutôt que des technologies militaires ou de propagande pour résoudre ce conflit.
A jovem trompista Ana Beatriz Menezes venceu o 1º Prémio no concurso “International Horn Society Premier Soloist Competition”, em Londres. Os concorrentes foram seleccionados através de gravação, currículo e carta de recomendação. Apenas cinco concorrentes conseguiram chegar a final, que decorreu perente um júri de trompistas como Froydis, Jeffery Nelson e Susan McCullough.
Ana Beatriz Menezes nasceu em Minde, em Abril de 1992. Frequenta actualmente o Mestrado em Ensino da Música, com a especialização em Trompa, na Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação do professor Paulo Guerreiro.
Para a esquerda ser alternativa, é indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência e imprescindível constituírem-se veículo de um programa político.
A recomposição da esquerda portuguesa está na ordem do dia. Uma esquerda antiausteritária que se queira consequente não pode satisfazer-se com o papel de protesto. Por bem que cumpra esta função, se ao protesto não se seguir nenhuma mudança, se dele nada se esperar além da catarse da rua, então é justo concluir que o protesto serve sobretudo de válvula de escape ao descontentamento social, com benefício exclusivo, na ressaca do dia, para a própria política de austeridade, cuja continuidade se vê assim mais bem assegurada.
Também não basta a desmontagem argumentativa da austeridade, dos três ângulos, social, político e económico, por que tem sido feita: a) Fazer a demonstração, do ponto de vista social, de como a austeridade naturaliza a desigualdade, impinge a precariedade como normalidade social e instala no quotidiano das pessoas o medo da incerteza sobre o futuro próximo, recusando-lhes a capacidade de projectarem as suas vidas. b) Deixar claro, do ponto de vista político, como a dívida se substitui de facto ao soberano e como a precariedade restitui ao poder político atributos de um absolutismo que não conceberíamos há alguns anos atrás. c) Fazer evidência de como, do ponto de vista económico, a austeridade não resulta, em nada diminui a dívida soberana, antes transforma-a em dívida eterna, que nos subjugará social, política e economicamente por décadas.
Tornar consequentes estas vocações de protesto e de desmontagem argumentativa, exige à esquerda antiausteritária que encontre uma terceira vocação: mostrar-se alternativa credível de poder face à austeridade que nos governa. Sem esta vocação, a esquerda portuguesa, por empenhada e brilhante que seja, nulifica todos os seus esforços. E para a esquerda antiausteritária ser alternativa, é tão indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência real como é imprescindível constituírem-se veículo de um programa político. Em poucas palavras: uma alternativa política para uma política alternativa.
Se a recomposição da esquerda for mais do que um espectro e servir para fechar este triângulo – protesto, argumentação, alternativa – far-se-á um pouco de história, pois desde que há democracia em Portugal nunca a esquerda à esquerda do PS teve ambições de governar. Mas, outra governação valerá a pena se, além disso, consumar a oportunidade histórica para uma recomposição da própria ideia de esquerda. Não deve preocupar à esquerda apenas as suas dificuldades em convergir, mas também de se renovar ideologicamente a sua capacidade propositiva. Não é certamente esse o caso de uma esquerda refugiada no patriotismo em extremidade peninsular ou, ainda, na nostalgia do regresso ao passado do escudo. Propor é fundamentalmente projectar, com linhas de futuro como horizonte. E pelo menos dois eixos merecem futuro:
1. Quando nos citam pela enésima vez a espirituosa frase de Churchill sobre a que considerou ser a pior forma de governo à excepção de todas as outras, fica bem explicado por que a democracia liberal é inaceitavelmente tímida, com eleitores postos à margem sempre que não há eleições, a democracia europeia resumida a um clube de chefes de governo, a democracia nacional a um clube de partidos, a democracia partidária a um clube de dirigentes. É preciso a esquerda reivindicar-se mais radicalmente democrata e bater-se pela inclusão plena das comunidades no processo político.
2. Hoje não restam dúvidas que a social-democracia, assente no Estado social e na função redistributiva das transferências sociais está a falhar maciçamente. As desigualdades aumentam por toda a parte, a concentração de riqueza também, mau grado as transferências sociais tradicionais. Pior ainda: mau grado o empobrecimento da sociedade. É preciso a esquerda propor-se a mais do que remediar, a jusante do ciclo económico, a desigualdade. Assumindo que as sociedades mais iguais fazem melhor, é preciso complementar as políticas redistributivas, radicalizando-as com políticas de pré-distribuição, que façam da igualdade força geradora de prosperidade económica.
Dois cursos internacionais de verão dedicados à programação informática para línguas sem recursos digitais e à documentação e revitalização de línguas ameaçadas vão decorrer, no mês de agosto, em Minde, Alcanena, anunciou hoje a organização.
A escola de verão “Codificação para comunidades linguísticas” vai trabalhar na criação de respostas para a falta de hardware em línguas ameaçadas (por exemplo, teclados) e software (para transliteração e completação de texto, por exemplo) “para que os mais diversos idiomas possam ser utilizados no dia-a-dia sob recursos adequados”, disse à Lusa a presidente do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS).
Segundo Vera Ferreira, “das cerca de 7.000 línguas faladas atualmente no mundo uma língua morre, em média, por mês”, o que se deve, segundo a linguista, a uma “forte tendência de aprender e usar apenas as principais línguas, como inglês, alemão e francês, especialmente nas comunicações eletrónicas”.
O objetivo da escola de verão “é dar às pessoas a capacidade de usar a sua língua materna na comunicação eletrónica de todos os dias”, enfatizou, lembrando que o minderico, língua em extinção em Minde, tem hoje cerca de 100 falantes ativos, dos quais apenas 24 são falantes fluentes.
“É um exemplo de uma língua que está ameaçada e que necessita de novas ferramentas que a protejam e defendam, mantendo-a e expandindo-a por novas vias de comunicação”, disse.
A decorrerem entre os dias 11 e 15 de agosto e 18 e 23 de agosto, os cursos vão decorrer na Quinta da Malgueira, em Minde, e vão contar com a participação de mais de 70 alunos, investigadores e professores de países como o Japão, Austrália, Camarões, Índia, Noruega, Nigéria, Alemanha, Islândia e Estados Unidos da América.
O caso GES-BES tem suscitado uma pergunta simples: como foi possível que gravíssimas práticas fraudulentas tivessem escapado durante anos à vigilância das autoridades de regulação, incluindo à vigilância da troika sobre o setor bancário? A resposta é tão dura quanto simples: nos últimos 30 anos muitos governos (de direita e de esquerda) foram responsáveis pela criação dos alçapões e das opacidades que transformaram o sistema financeiro europeu (e mundial) num campo minado onde aventureiros põem em perigo a segurança de milhões de pessoas. Em 1933, em plena Grande Depressão, o Congresso dos EUA produziu uma lei (Glass-Steagall Act) que restaurou a confiança no sistema financeiro: separou e protegeu os bancos comerciais, face aos bancos de investimento. Por outras palavras: os bancos que recebiam as poupanças dos depositantes e que emprestavam às empresas na economia real não podiam fazer operações especulativas com produtos financeiros. Durante décadas essa higiénica distância permitiu prosperidade económica, a par de visibilidade e eficácia no trabalho dos reguladores. Contudo, o lóbi financista, embalado pelo mantra do neoliberalismo, não descansou enquanto não meteu no bolso os governos e os parlamentos necessários para misturar tudo de novo. Em 1999, o Congresso americano revogou a lei de 1933, regressando à promiscuidade especulativa. Por todo o lado, incluindo a UE, as leis “liberalizaram-se”, no sentido de criar obscuridade, onde antes havia transparência. Criaram-se condições para mascarar a exposição da poupança das famílias, no labirinto arriscado das ações, das obrigações e de uma miríade de derivados toxicamente imaginativos. Os políticos que se queixam dos banqueiros deveriam ter vergonha. O caos habita nas leis que eles próprios assinaram. Seria interessante saber como e porquê…
No início do século passado havia um homem chamado Ivar Kreuger, sueco de nacionalidade, que se especializou inicialmente em produzir fósforos.
Na raiz da sua fortuna havia uma inovação: os fósforos de segurança vermelhos, que conhecemos hoje, superiores aos anteriores de fósforo amarelo que podiam acender-se sozinhos acidentalmente. A procura e utilização de fósforos era naqueles tempos praticamente fixa, o que tornava aquele mercado muito apetecível como monopólio.
A outra parte da história é que, após a I Guerra Mundial, havia países para reconstruir e alguns que eram independentes pela primeira vez. Ivar Kreuger viu aí uma oportunidade. Era fácil para ele fazer um empréstimo soberano à Polónia, por exemplo, em troca do monopólio dos fósforos naquele país. E depois era fácil usar esse monopólio para subir o preço dos fósforos, uma vez que toda a gente precisava deles e não havia como substituí-los de maneira prática. Kreuger seria reembolsado duas vezes: pelos estados e pelos consumidores.
Para onde quer que nos voltemos, os sinais de que Portugal é hoje um país à deriva são manifestos.
Com a saída da troika tornou-se ainda mais evidente que o Governo não tinha qualquer agenda que não fosse fazer a dobragem para português, por vezes com erros dolosos de tradução, das exigências dos nossos credores. Confundindo os efeitos com as causas, a austeridade falhou. Depois de três anos de destruição da economia, do emprego, dos direitos sociais, depois de a própria troika, através do FMI e da Comissão Europeia, ter admitido erros de conceção no memorando (algo que o Governo nunca fez com seriedade e de forma escrita), o País mergulha em cheio num novo turbilhão, que destrói ainda mais a confiança no sistema financeiro.
As causas da doença prevalecem sempre sobre os seus sintomas. Se o Governo emudece, deixando-se humilhar (e ao País) no processo da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou sacudindo os ombros perante o que parecem ser graves erros de gestão na TAP, do lado da oposição, o debate interno no PS desnuda um abismo entre o excesso de pompa retórica e a escassez de ideias alternativas operacionais. Ser oposição de esquerda não dispensa, antes exige o esforço de pensar. É verdade que ainda não temos petardos a rebentar nas ruas, como na I República, mas há algo de profundamente violento no modo como o improviso, a ausência de conhecimento e reflexão, ou a pura sanha destruidora (veja-se a “política de ciência”, desenhada com bazuca), tomaram conta dos destinos do País. Estamos no deserto, sem bússola. As nações também podem morrer de sede. Quando lhes falta a promessa líquida do futuro.
Os estudos que li nos anos 90 sobre a reputação de Portugal no mundo – sobretudo na Europa e mundo anglo-saxónico, o mundo dos mercados – indicavam que o país era simpático, tradicional e hospitaleiro; características potenciadoras de estima mas não de respeito.
Nos estudos que mais tarde fiz na BBDO, em 2004/5, explorando a reputação de Portugal em dimensões geradoras de respeito, as conclusões foram mais ou menos as esperadas: Portugal continuava a ser um país patusco e estimado mas nada de suficientemente relevante e gerador de respeito por cá se fazia ou produzia. Nas dimensões que alimentam sentimentos de respeito por marcas, instituições ou nações, como a inovação, a competência, a produtividade, a riqueza, o poder, a influência, Portugal não aparecia considerado.
Com estas crises, apesar de termos mais notoriedade no mundo (até Obama disse que os Estados Unidos não eram Portugal), temos vindo a acentuar as mesmas características. Não vislumbro, no horizonte da minha vida, nada que possa voltar a fazer Portugal crescer nesse eixo. Até porque a nossa principal contribuição para o mundo, à parte de jogadores de futebol, é irrelevância.
O que aconteceu foi que os valores instrumentais foram, a pouco e pouco, substituindo na hierarquia os valores fundamentais. O êxito passou a ser a recompensa, o credo do mercado passou a substituir o credo dos valores, com a filosofia de que a iniciativa privada em liberdade é responsável pelo progresso e pela abundância, quando uma coisa não é incompatível com a outra. A crise que vivemos, que é ocidental e geral, mostra que o credo do mercado passou a ter uma vida independente do credo dos valores, e essa é a correcção que deve ser feita.
O líder histórico do CDS acredita que Portugal tem duas saídas: uma é a CPLP, a outra é o mar e a plataforma continental estendida
Histórico do CDS, faz 92 anos em Setembro e mantém a genica e as ideias como se a idade não pesasse. Adriano Moreira, estadista, ex-deputado e antigo ministro do Ultramar, recebeu o i no seu gabinete na Academia das Ciências de Lisboa, no dia em que a Guiné Equatorial entrou para a CPLP. Um erro, na sua opinião. Uma conversa que deu a volta ao mundo.
Uma saída progressista para a crise que estamos a viver requer um apertado controlo dos capitais de curto prazo, como há pouco fez a Islândia e, quando a zona euro tiver sido desmantelada, a criação de um arranjo cooperativo do tipo “moeda comum”, com taxas de câmbio flexíveis e domesticação da banca, como defendia Keynes na conferência de Bretton Woods.
Em 25 de novembro de 2011 o Centro de Estudos Sociais (CES) da universidade de Coimbra organizou um colóquio sobre João Martins Pereira (JMP), um dos mais argutos pensadores políticos da esquerda portuguesa. Participei nesse colóquio com um texto sobre as esquerdas, intitulado “A esquerda e o poder”, que me parece ainda servir para dizer o que penso sobre a crise do BE, que é, para mim, um sintoma da crise da esquerda europeia, mais do que um caso de habitual guerrilha de fações dentro de um grupúsculo, ou de vaidades pessoais, como alguns o apresentam.
A grande questão no centro da crise do BE é, para mim, o seu posicionamento relativamente ao poder. Dizia JMP na nota inicial de um artigo que citei, na Revista Critica de Ciências Sociais de Maio de 1985: “entendo que um projeto político tem de comportar uma concepção de organização da sociedade, a expressão mais ou menos coerente de uma ideologia de classe, ou de grupo de interesses sociais homogéneo e uma intenção/projeto de luta pela conquista e pelo exercício do poder, a fim de dar corpo à organização social proposta.”
Tal como a João Martins Pereira, o poder, a sua conquista e o seu exercício parece-me ser o centro da acção politica.Há quem pense assim no BE e o afirme e quem não pense e não o diga, refugiando-se num discurso maximalista de poder total e de classe – ditadura do proletariado, ou perto disso, ou de açãocentrada na denúncia e de protesto. Estas duas visões deixaram de ser compatíveis dentro do BE.
Há alguns meses, Le Monde des Livres publicou um interessante e inesperado manifesto, assinado por 33 escritores de várias nacionalidades, propondo, com base num conceito abrangente e inovador, a criação de uma Cidade Internacional da Literatura. O manifesto, que não prescreveu nem caiu no esquecimento, é assinado, entre outros, por Paul Auster (Estados Unidos da América), Javier Cercas (Espanha), Peter Esterházy (Hungria), Pierre Bayard, Pierre Michon, Nancy Huston, Ersi Sotiropoulos (Grécia) e Alberto Manguel (Canadá).
Alguém teve acaso a curiosidade de ler as frases escritas na fachada dos ônibus das seleções participantes da Copa do Mundo? O que atraiu minha curiosidade foi ver na quarta-feira numa reportagem do Jornal Nacional, ainda sobre a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha, a que escolheram para o ônibus da seleção brasileira: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Cotejei-a com as das demais seleções. Quase todas invocam o espírito de orgulho nacional, unidade nacional, exaltação mítica da nação, espírito competitivo e guerreiro, valores enfim previsíveis em um contexto de competição esportiva entre nações.
Numa entrevista à Agência Bloomberg, o presidente do Instituto alemão IFO considera que o alívio da dívida é essencial para retomar o crescimento económico.
Dá como exemplo a crise financeira asiática de 1997, que foi resolvida com recurso a perdão de parte da dívida.
O prestigiado economista diz que o alívio parcial é um assunto que deve ser discutido e negociado em conjunto com os vários países, numa altura em que o peso da dívida está em níveis quase insuportáveis.
Aquela não é terra para velhos. Gente
jovem, de braços dados, pássaros nas ramas
— gerações de mortais — cantando alegremente,
salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,
peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente
tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.
Ao som da música sensual, o mundo esquece
as obras do intelecto que nunca envelhece.
Um homem velho é apenas uma ninharia,
trapos numa bengala à espera do final,
a menos que a alma aplauda, cante e ainda ria
sobre os farrapos do seu hábito mortal;
nem há escola de canto, ali, que não estude
monumentos de sua própria magnitude.
Por isso eu vim, vencendo as ondas e a distância,
em busca da cidade santa de Bizâncio.
Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado,
como se num mosaico de ouro a resplender,
vinde do fogo santo, em giro espiralado,
e vos tornai mestres-cantores do meu ser .
Rompei meu coração, que a febre faz doente
e, acorrentado a um mísero animal morrente,
já não sabe o que é; arrancai-me da idade
para o lavor sem fim da longa eternidade.
Livre da natureza não hei de assumir
conformação de coisa alguma natural,
mas a que o ourives grego soube urdir
de ouro forjado e esmalte de ouro em tramas,
para acordar do ócio o sono imperial;
ou cantarei aos nobres de Bizâncio e às damas,
pousado em ramo de ouro, como um pássaro,
o que passou e passará e sempre passa.
Amor — pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro de vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstracção que se faz carne,
a ideia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no húmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, quais estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.
Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saísses de lá. Está lá tudo! “Estou muito bem aqui sozinho!”. Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: ‘Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!”. Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.
“1 – A ARTE deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade. Mas não é só a liberdade individual do artista que importa. Sabemos que quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Há sempre uma profunda e estrutural unidade na liberdade. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro.
2 – NÃO PENSO que exista uma arte para o povo. Existe sim uma arte para todos à qual o povo deve ter acesso porque esse acesso lhe deve ser possibilitado através dos meios de comunicação. Primeiro os “aedos” cantaram no palácio dos reis gregos “o canto venerável e antigo”. Era uma arte profundamente aristocrática. Depois os rapsodos cantaram esse mesmo canto na praça pública. E Homero, foi, como se disse, o educador da Grécia. Isto é: a cultura foi posta em comum. E por isso os gregos inventaram a democracia. A política começa muito antes da política.
O coreógrafo e bailarino Tiago Guedes é o vencedor do concurso público para encontrar o futuro director do Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Campo Alegre. A decisão foi conhecida ao final do dia desta terça-feira, mas a Câmara do Porto não a quis comentar por estarem ainda a correr prazos decorrentes do concurso.
Dos quatro candidatos admitidos à segunda fase do concurso público, só três propostas foram consideradas. Por ordem classificativa ficaram, assim, ordenados, Tiago Guedes, José Luis Ferreira e Ana Figueira. A proposta de Pedro Jordão foi excluída por não conter a assinatura digital essencial à aceitação do processo.
Na primeira fase do concurso, Tiago Guedes já se destacara dos restantes candidatos, obtendo quase o dobro da pontuação conseguida, na altura, pelo segundo classificado, o director do S. Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, José Luis Ferreira. Contudo, o arranque da segunda fase previa que as pontuações previamente alcançadas não contassem para a avaliação final, partindo os candidatos em igualdade de circunstâncias.
Voici donc la paix signée. Il reste à la faire exécuter par l’ennemi, car tel que nous le connaissons, il ne fera rien, il ne cédera rien, il ne paiera rien, qu’on ne le contraigne à faire, à céder, à payer, et non pas seulement au moyen de la force, mais bien par la dernière brutalité. C’est le seul procédé à employer à son égard. Ses engagements sont une fumée, sa signature une mauvaise plaisanterie. Heureusement nous tenons, et il nous faut absolument garder, la rive gauche du Rhin. Les motifs d’y demeurer ne manqueront certes pas, car je ne crois pas une seconde à des paiements sérieux d’indemnités de la part de l’Allemagne. Non pas certes qu’elle ne puisse payer, mais parce qu’elle ne le veut pas. Nous allons donc nous heurter de suite à toute cette science de chicanes gémissantes, de délais prolongés, d’entêtements sournois, qui est la plus claire aptitude de cette race. Nous avons éprouvé cette science à mainte occasion, et notamment à propos de chacun des articles du traité d’armistice qu’il fallut plusieurs interventions impatientées du maréchal Foch pour faire exécuter à peu près.
Seulement nous n’allons plus avoir à brandir d’épée flamboyante, avec nos troupes démobilisées, et celles de nos alliés rentrées chez elle. Au fur et à mesure des années, l’Allemagne se redressant deviendra plus arrogante, et finalement ne nous paiera pas à beaucoup près ce qu’elle nous doit. Il faut craindre du reste que nos alliés ne soient d’ici à très peu de temps nos rivaux et ne se désintéressent de notre sort. La rive gauche du Rhin devra donc nous rester.
Francisco Bethencourt faz uma história do racismo no mundo ocidental. É uma obra surpreendente, publicada em inglês, e que traz à historiografia portuguesa uma ambição temática a que não estamos habituados.
O historiador português Francisco Bethencourt, que publicou o livro Racisms: from the crusades to the twentieth century (Princeton University Press), não é, definitivamente, um saudosista do luso-tropicalismo do sociólogo e ensaísta brasileiro Gilberto Freyre. Não defende que o império colonial português tenha sido menos racista do que impérios como o britânico.
O seu livro, ao convocar um tema como o racismo e ao fazer uma história comparativa, vai ao coração das sociedades coloniais e à gestão dessas populações. Como é que se deve lidar com a intensa miscigenação no Brasil dos portugueses com a população indígena e com os escravos africanos, consequência de uma reduzida emigração de mulheres portuguesas logo desde o início da colonização? Porque é que esta população de raça mista ganhou muito mais privilégios sociais e políticos do que no império britânico? Porque é que na América do Norte no século XIX a raça mista desapareceu das classificações raciais e posteriormente passou a ser possível ser apenas branco ou preto? Por que razão, ao contrário, no fim do período colonial no Brasil a nomenclatura racial chegou a ter 150 categorias?
Um estudo da NASA prevê o fim da atual civilização, afirmando que, o mundo tal como o conhecemos, não vai durar mais que algumas décadas.
A conclusão deste estudo patrocinado pela NASA refere que a civilização industrial se está a aproximar do fim, devido à exploração não sustentável de recursos energéticos e à desigualdade económica e social.
Financiado pela NASA e divulgado pelo jornal britânico The Guardian, o estudo assegura que a atual civilização industrial está condenada a desaparecer nas próximas décadas por razões que, para os críticos observadores da dinâmica civilizacional não serão surpreendentes – surpreendente é, isso sim, o facto de ser a própria NASA a assumir o impacto social generalizado das assimetrias socio-económicas e de desenvolvimento… isto porque as razões apontadas para esta conclusão consistem no reconhecimento da existência de uma exploração não sustentável dos recursos energéticos e numa insustentável desigualdade na distribuição da riqueza.
O grupo de investigadores liderados pelo matemático Safa Motesharri estudaram os fatores que levaram ao declínio das antigas civilizações e concluíram que o “processo de progresso e declínio das civilizações é, na verdade, um ciclo recorrente ao longo da história”, cita o The Guardian. Os investigadores estudaram a dinâmica homem-natureza das várias civilizações que desapareceram ao longo dos séculos e identificaram os fatores (população, clima, água, agricultura e energia) que melhor explicam o declínio civilizacional e que configuram contribuir de forma decisiva para determinar o risco do fim da atual civilização, uma vez que podem levar ao colapso civilizacional quando, ao convergirem, geram “uma exploração prolongada dos recursos energéticos” – com evidente influência no clima e no equilíbrio ecológico. Além disso, a “a estratificação económica da sociedade em elites e massa” é outro dos problemas que contribuem para o fim de um ciclo. Segundo os investigadores, estes fenómenos sociais desempenharam, ao longo dos anos, um “papel central no processo do colapso civilizacional”, constituindo-se também como fatores que vão levar a atual sociedade industrial ao fim.
A título de comentário desta notícia que já tem uns meses, resta dizer que, afinal!, a capacidade humana de percepção, compreensão, adaptação e reajustamento é muito mais reduzida do que desejaríamos e que a nossa competência global de sobrevivência não revela nenhum dote eficaz para a garantir!… Aliás, se assim não fosse, como poderíamos justificar e aceitar que uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, assente em estruturas económicas e financeiras interdependentes internacionalmente, integre, sem efetivos esforços de correção, a fome, a guerra, a violação das mulheres, os maus tratos a crianças e idosos, a violência social, a pobreza, o desemprego, a degradação do respeito pelos Direitos Humanos, a destruição dos serviços públicos de saúde, educação e proteção social ou que, por exemplo, num pequeno país europeu como Portugal, todos os dias, 80 famílias deixem de poder pagar as prestações da casa, aumentando, exponencial e potencialmente, o número de pessoas sem abrigo ou cada vez mais expostas à vulnerabilidade da exploração multifacetada da economia paralela?!
Investigadores de Australia declaran que los fotones pueden moverse a través del tiempo. Físicos simulan el envío de partículas de luz cuántica al pasado por primera vez en la historia.
Un grupo de investigadores de la Universidad de Queensland, en Australia, simularon cómo dos fotones viajando en el tiempo interactúan, lo que sugiere que podría ser posible saltar a través del tiempo al menos a nivel cuántico, informa ‘DailyMail’.
El estudio, dirigido por el estudiante de doctorado Martin Ringbauer, utilizó fotones, partículas individuales de luz, para simular las partículas cuánticas que viajan a través del tiempo. En la simulación, el equipo de investigación examinó dos posibles resultados de un experimento con un fotón viajando en el tiempo.
El ‘fotón uno’ viajaría a través de un agujero de gusano (también conocido como puente de Einstein-Rosen) hacia el pasado e interactuaría con su versión anterior. El ‘fotón dos’ viaja a través del espacio-tiempo normal, pero interactúa con un fotón que se ha quedado atascado en un bucle de tiempo de un agujero de gusano, conocido como curva cerrada de tipo tiempo.
La simulación del comportamiento del ‘fotón dos’ permitió investigar el comportamiento del ‘fotón uno’ y los resultados revelaron que el viaje en el tiempo podría ser posible en un nivel cuántico.
Sin embargo, se desconoce si esta misma simulación podría demostrar la posibilidad de viajar en el tiempo de partículas más grandes o grupos de partículas como átomos, indica la revista científica ‘The Speaker’.
Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num “spa” de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois – “Voilà!” – desapareço num orgasmo.
Laissez-moi dire sans modestie que je suis le seul capable de commander ce corps qui sera notre suprême ressource.
Quelques jours avant l’appel du 18 juin, et d’écrire l’une des plus glorieuses pages de l’histoire de France, le général de Gaulle s’adressait une dernière fois au Président du Conseil, Paul Reynaud. Dernière tentative avant l’inéluctable ou mise au clair de ses idées, voici l’une des dernières lettres du général de Gaulle avant de devenir le sauveur de la France et le héros de la seconde guerre mondiale.
Monsieur le Président,
Nous sommes au bord de l’abîme et vous portez la France sur votre dos. Je vous demande de considérer ceci :
1. Notre première défaite provient de l’application par l’ennemi de conceptions qui sont les miennes et du refus de notre commandement d’appliquer les mêmes conceptions.
2. Après cette terrible leçon, vous qui, seul, m’aviez suivi, vous êtes trouvé le maître, en partie parce que vous m’aviez suivi et qu’on le savait.
3. Mais une fois devenu le maître, vous nous abandonnez aux hommes d’autrefois. Je ne méconnais ni leur gloire passée ni leurs mérites de jadis. Mais je dis que ces hommes d’autrefois – si on les laisse faire – perdront cette guerre nouvelle.
4. Les hommes d’autrefois me redoutent parce qu’ils savent que j’ai raison et que je possède le dynamisme pour leur forcer la main. Ils vont donc tout faire aujourd’hui comme hier – et peut-être de très bonne foi – , pour m’empêcher d’accéder au poste où je pourrais agir avec vous.
5. Le pays sent qu’il faut nous renouveler d’urgence. Il saluerait avec espoir l’avènement d’un homme nouveau, de l’homme de la guerre nouvelle.
6. Sortez du conformisme, des situations « acquises », des influences d’académie. Soyez Carnot, ou nous périrons. Carnot fit Hoche, Marceau, Poreau.
7. Venir près de vous comme irresponsable ? Chef de cabinet. Chef d’un bureau d’étude ? Non ! J’entends agir avec vous, mais par moi-même. Ou alors, c’est inutile et je préfère commander !
8. Si vous renoncez à me prendre comme sous-secrétaire d’Etat, faites tout au moins de moi le chef – non point seulement d’une de vos quatre divisions cuirassées – mais bien du corps cuirassé groupant tous ces éléments.
Laissez-moi dire sans modestie, mais après expérience faite sous le feu depuis vingt jours, que je suis le seul capable de commander ce corps qui sera notre suprême ressource. L’ayant inventé, je prétends le conduire.
Para assinalar o Dia Internacional da Luta Contra o Abuso e Tráfico de Drogas, a Biblioteca Municipal de Alcanena promove uma Palestra, dia 26 de junho a partir da 18…h30. Esta iniciativa conta com o apoio do Centro de Saúde de Alcanena e com a Guarda Nacional Republicana.
A droga é uma das principais causas de morte entre os jovens Europeus. Estima-se que morreram mais de 70,000 pessoas na Europa por “overdose” na primeira década do século 21.
Para mais informações é favor contactar a Biblioteca através do 249891207.
Vivemos de felicidades pequeninas, e inventamos esses instantes com a intuição secreta de que são precários e fugazes. Pouco temos a que nos pegar. Os amigos ou aqueles que estimamos vão-se embora, para outros sítios ou para sempre, encerrando o anel que parecia ligar-nos. Agarramo-nos, com o desespero de quem nada tem a perder e nada tem a ganhar, ao gosto de uma palavra, a um sonho ou, até, a um jogo de futebol, criando a ilusão de que somos felizes. Mas é sempre uma felicidade pequenina, e nós sabemo-lo com a noção dessa fatalidade irrevogável. Fomos alguma vez grandes? Inculcam-nos a ideia de que sim. Mas grandes para quem? Fomos nas caravelas, criámos um leito de nações deitando-nos com tudo o que era mulher. Talvez a nossa grandeza resida aí: no gosto e no apreço pela mulher.
Lançamento do livro “Puramente Simples” de Buno Dias – 28 de Junho de 2014 – na BMA No dia 28 de Junho, às 15H00, terá lugar o lançamento do livro “Puramente Simples” de Bruno Dias, na Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira de Alcanena. A apresentação será feita pelo Sr. Vicente Batalha.
Para mais informações é favor contactar a Biblioteca através do 249891207
O Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim, reabriu as portas depois de um longo processo de recuperação. Em Fevereiro do próximo ano, será aí o palco das Correntes d’Escritas, mas quem puder estar pela Póvoa no próximo dia 18 de Junho, às 21:30, poderá acompanhar uma mesa fora de tempo das Correntes. Os participantes serão Ana Luísa Amaral, Gastão Cruz, Lídia Jorge e Manuel Jorge Marmelo, todos autores distinguidos com o Prémio Literário Casino da Póvoa/ Correntes d’Escritas, moderados por Carlos Quiroga. O tema é tirado de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett: “Há livros, e conheço muitos, que não deviam ter título, nem o título é nada neles”. A entrada, como de costume, é gratuita.
Como é que não há bloqueio se numa sondagem a sério, as eleições, apenas 27% votou nos dois partidos do governo, nos dois sublinhe-se, e em sondagens mais precárias, mas todas coincidentes, mais de 60% dos portugueses querem Costa à frente do PS e pouco mais de 18% querem Seguro? Com este estado de opinião e voto, como é que a maioria dos portugueses se pode sentir representada pelos partidos que se reivindicam do “arco da governação”?
(…)
Se a vida fosse a ideal, o PSD mudaria de liderança, mas, mais importante que tudo, deixaria para trás esta continuada traição ao seu programa, à sua génese, ao seu papel histórico (…)
Herberto Helder é um poeta voluntariamente retirado dos palcos onde a “vida literária” se exibe e se representa. Não é uma regra monástica, é uma atitude que manifesta certamente algo que é de uma ordem pessoal, privada. Mas é ao mesmo tempo uma regra de defesa da autonomia da obra, condição para que esta seja lida sem a interferência de quaisquer ruídos de fundo. Uma sociologia literária empírica e imediata dá-lhe toda a razão: no acesso e até na legitimação da obra literária acumularam-se as intereferências dos factores externos, extra-literários. Porém, o impoluto poeta Herberto Helder foi, desde há algum tempo, atraiçoado por uma lógica editorial que apela ao valor e ao fetichismo da mercadoria. E isso verificou-se com toda a evidência no ano passado, quando se assistiu a uma corrida pouco edificante para a aquisição de Servidões. Numa semana, venderam-se cinco mil exemplares, como se se tratasse de um produto de especulação financeira. Os livros de Herberto Helder entravam assim numa bolsa de valores que nada tem a ver com as leis da consagração de um escritor. O anúncio de que não haverá uma segunda edição justificam a corrida, se aceitarmos que o produto ganhou valor de provinciano prestígio e de falsa raridade. E assim se criou, de maneira artificial e que nenhuma sociologia da literatura conseguirá explicar, a ideia de que a oferta era escassa para tanta procura. O resultado é conhecido: muitos leitores de poesia, e do Herberto Helder em particular (aqueles que justificariam todos os cuidados especiais na edição e na comercialização do livro), ficaram arredados da corrida. De repente, a única justificação para o livro não ter reedições ou não ter uma tiragem que satisfizesse a procura (uma justificação que só pode ser a preservação da autonomia literária) ruía por todos os lados e o livro entrava num tráfico comercial que se assemelhava ao de um produto financeiramente rentável. A acção repete-se agora de maneira ainda mais sofisticada: anuncia-se o livro só com uma semana de antecedência, aparentemente para evitar a corrida especulativa. Mas, ao mesmo tempo, escolhe-se o momento da Feira do Livro, que é quando a editora mais vende directamente ao público. Tudo está preparado para que o editor venda nas suas próprias redes de livrarias e através dos seus canais de comercialização, de modo a que o livro nem chegue — ou apenas em número reduzido — às pequenas livrarias. Além disso, contra tudo aquilo a que o autor nos habituou, explora-se da maneira mais despudorada uma relação fetichista: o livro traz um CD (espantemo-nos), onde o ouvimos a ler cinco poemas; tem uma sobrecapa de papel luxuoso a imitar papel de embrulho onde se reproduz a assinatura e a caligrafia do poeta. Diz uma “Nota do Editor”: “Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor. A sobrecapa da presente edição evoca essse hábito, reproduzindo a sua caligrafia.” Correi, senhores, antes que esgotem as metonímias do corpo do poeta, impressas em capa dura e papel de embrulho enriquecido. E já que era alta a maré de generosidade metonímica porque é que não acrescentaram à embalagem tão demagogicamente volumosa, como gostam os coleccionadores de literatura-bibelot, um pêlo púbico do autor, em homenagem ao “Anjo Príapo” e à “Nossa Senhora Côna” que são invocados no primeiro poema? Que sabemos nós da participação do autor neste processo? Nada que nos permita dizer mais do que isto: o poeta impoluto fica perigosamente exposto.
THE MONKEY
baseado n’Um Relatório a uma Academia de Franz Kafka
TEATRO DA MALAPOSTA
11 e 12 de Julho às 21:30
THE MONKEY é uma história cheia de humor sobre uma macaca que é capturada em África e que depois de baleada, acorda no porão do navio da empresa alemã Hagenback, dentro de uma pequena jaula. O desespero e a necessidade de encontrar uma saída para a sua situação cativa levam-na a observar e a imitar aqueles seres estranhos que a rodeiam e acaba ela própria por se transformar num ser humano… Essa é a sua saída.
THE MONKEY surge da vontade de criar um espectáculo trágico e cómico que nos faça sorrir e pensar sobre a nossa condição, através da história de uma macaca desesperada por encontrar uma saída e que para sobreviver se junta à Humanidade. Uma Macaca-Mulher que luta pela sua sobrevivência, mesmo que isso lhe custe a sua Liberdade. Esta Macaca-Mulher depois de uma extraordinária carreira nos Music Hall, dá conferências aos Humanos sobre o seu incrível processo de evolução.
O texto de Kafka, Relatório a uma Academia, foi escrito em 1917 e continua extremamente atual, cheio de humor, poesia e profundidade.
THE MONKEY fala-nos de Identidade, Integração, Liberdade e de Sobrevivência.
Uma história de ficção que retrata de uma forma realista o momento presente da Humanidade.
Escolhi o caminho da Humanidade. Eu não tive outra saída, a Liberdade não me estava destinada como escolha. | THE MONKEY
Encenação: John Mowat
Interpretação: Maria de Vasconcelos
Música Original: Pere Cabaret
Desenho de Luz: Jochen Pasternacki
Assistência coreográfica: Pere Cabaret e Ruy Malheiro
Figurino: Roseane Rocha
Cartaz: Luís Covas
Fotografias: Tânia Araújo (MEF – Movimento de Expressão Fotoráfica) e Roger Rossell
Com o Apoio de: Inimpetus – Escola de Atores
Agradecimentos: Anaísa Raquel, Andreya Silva, Aurora Morais, Carole Garton, Montse Bonet, Paulo Ferro, Pedro Barão e Sergio Fernandes
Depois de ter estreado em Lisboa em Junho de 2013, na Inimpetus, o espectáculo viajou em Novembro passado para Barcelona (Sala Fénix). Já em Janeiro de 2014 foi apresentado na Acker Stadt Palast em Berlim e regressou a Barcelona em Março (desta vez para se apresentar no Mercat Vell de Mollet del Vallès). E agora é a vez de Lisboa voltar a receber este espectáculo, para apenas duas apresentações do espectáculo no Teatro da Malaposta.
TEATRO DA MALAPOSTA
11 e 12 de Julho às 21:30
Rua Angola, Olival Basto
Começou em 2000 com António Rama . Desde então trabalhou com diversos encenadores e companhias, entre eles, John Mowat, Nuno Pino Custódio e Filipe Crawford.
Fez o curso de interpretação para Teatro na Escuela Internacional Berty Tovyas – Estudis de Teatre, em Barcelona, com pedagogia de Jaques Lecoq, especializando-se na área do teatro do Gesto e do teatro Físico.
Na sua formação artística destaca Agnès Limbos, Jesús Jara, Ferrucio Soleri, Montserrat Bonet, Berty Tovías, John Mowat e Yoshi Oida.
Desde 2008 que se dedica a projetos de criação própria sendo co-autora de:
A Terra dos Imaginadores: http://www.youtube.com/watch?v=wdeRhwOMfnI
Onni – Objecto Náutico Não Identificado: http://www.youtube.com/watch?v=7BufAwHsbck&feature=related
Abundância: http://vimeo.com/79982351#
Garota Portuga Procura: http://www.youtube.com/watch?v=5TuyxbkZ_Qc
Die kleinen Lämmer, espetáculo para Bebés: http://www.youtube.com/watch?v=FWpQE5lEx-E&hd=1
THE MONKEY: http://www.youtube.com/watch?v=uBSSvSp5L4M&hd=1
Dinamizou projectos de intervenção social e de educação pela arte destacando parcerias com CCB, Culturgest, Pim Teatro, T.M. Maria Matos, Estabelecimento Prisional de Évora e foi Doutora Palhaça da Associação Remédios do Riso.
Foi professora de Teatro do Gesto e de Improvisação na Escola Inimpetus de 2008 a 2013 e de 2011 a 2013 dirigiu o Projeto “O Teatro vai à Escola”, em Lisboa.
Vive em Berlim desde Setembro de 2013 onde trabalha como actriz apresentando os espectáculos Die kleinen Lämmer e THE MONKEY.
O PS, as primárias e o País (Artigo Publicado hoje no Jornal Expresso)
O tempo é um dos principais ingredientes da dinâmica política. Sobretudo em democracia os ciclos políticos tendem a ser fundamentais nas lógicas de alternância e de alternativa. O Partido Socialista estava a viver até 27 de Maio um ciclo político natural. Um Secretário-geral eleito e reconfirmado em Congresso, conduziu o Partido à vitória nas eleições autárquicas e nas eleições europeias e preparava-se para fechar o ciclo, disputando a liderança do Governo.
Os ciclos políticos, como praticamente tudo em política, são passíveis de alteração e disruptura. A partir da análise dos resultados das eleições europeias, reconhecidos militantes socialistas colocaram nos órgãos de Partido e fora deles a questão de saber se a incapacidade do PS em captar à abstenção uma significativa parte dos descontentes com a governação, obtendo um resultado abaixo das expetativas, deveria ser motivo para forçar a quebra dum ciclo político natural de liderança, pela primeira vez na história do PS.
Do meu ponto de vista, os fatos alegados são importantes, merecem reflexão, mas não são suficientes para interromper um ciclo natural de liderança. Por isso votarei no Secretário-geral em exercício nas primárias de 28 de Setembro.
Dito isto, imposta olhar em frente. A arte da política também é transformar dificuldades em oportunidades. Se o PS tem um problema de mobilização dos eleitores então está chegado o momento de contribuir para o resolver e as eleições primárias podem dar um forte impulso no reforço da ligação do partido à sociedade.
Para isso as candidaturas têm que respeitar a grandeza e a importância do PS na sociedade portuguesa. Devem competir por ideias e por propostas e não devem ceder a nenhuma tentação de menosprezar a história do partido ou de lavar “roupa suja” enquanto as pessoas esperam ver soluções concretas para os seus problemas.
O desafio à liderança do PS escancarou o partido perante a sociedade. Se as pessoas gostarem do que lhe for mostrado podemos estar perante a abertura de um novo ciclo de reforço da participação política e da democracia em Portugal.
Neste contexto a responsabilidade dos potenciais candidatos a Primeiro-Ministro é enorme, e qualquer eventual excesso de um dos lados não justifica a resposta nos mesmos termos da outra parte.
Olho por olho, dente por dente será neste caso uma tática suicida em que todos perderão, dentro e fora do PS.
Com naturalidade, quem souber manter uma postura de Estado e combater pela elevação das propostas é quem levará a melhor e retomará o caminho da disputa pela governação do País, espero que com um exército ainda mais forte e motivado.
O território da vingança e do ressabiamento é pura areia movediça. Quem lá entrar suicida-se politicamente e com isso enfraquece um dos principais esteios da democracia portuguesa. Comigo ninguém contará para isso.
Le rôle de l’écrivain, du même coup, ne se sépare pas de devoirs difficiles. Par définition, il ne peut se mettre aujourd’hui au service de ceux qui font l’histoire : il est au service de ceux qui la subissent. Ou, sinon, le voici seul et privé de son art. Toutes les armées de la tyrannie avec leurs millions d’hommes ne l’enlèveront pas à la solitude, même et surtout s’il consent à prendre leur pas. Mais le silence d’un prisonnier inconnu, abandonné aux humiliations à l’autre bout du monde, suffit à retirer l’écrivain de l’exil, chaque fois, du moins, qu’il parvient, au mi-lieu des privilèges de la liberté, à ne pas oublier ce silence et à le faire retentir par les moyens de l’art. [Discours de Suède]
I got ramblin’, I got ramblin’ on my mind
I got ramblin’, I got ramblin’ all on my mind
Hate to leave my baby, but you treats me so unkind
I got mean things, I got mean things all on my mind
Little girl, little girl, I got mean things all on my mind
Hate to leave you here, babe, but you treats me so unkind
Runnin’ down to the station, catch the first mail train I see
(spoken: I think I hear her comin’ now)
Runnin’ down to the station, catch the old first mail train I see
I got the blues about Miss So-and-So and the child got the blues about me
And I’m leavin’ this mornin’, with my arm’ fold’ up and cryin’
And I’m leavin’ this mornin’, with my arm’ fold’ up and cryin’
Hate to leave my baby, but she treats me so unkind
I got mean things, I’ve got mean things on my mind
I got mean things, I got mean things all on my mind
I got to leave my baby, well, she treats me so unkind
O PCP enquadra as mobilizações e acaba por esgotá-las num ponto em que nada mais resta senão a indignação contida.
A subida de votação nas europeias e uma aparente coerência do discurso de tom crítico em relação ao euro estão a dar ao PCP uma oxigenação política que há muito não sentia. Observadores de vários quadrantes não se cansam de elogiar o desempenho da CDU.
O caso não é para menos, considerando o acréscimo de mais de 35000 votos em relação a 2009, num contexto marcado pela abstenção e pelas ameaças populistas, e considerando que o PCP não costuma tirar partido da volatilidade eleitoral e das transferências interpartidárias, uma vez que a sua arma principal reside no efeito fidelidade de uma base de votantes fixa.
There is, between you and us continental Europeans, a disagreement which is turning ugly. Your immense history justifies a limitless admiration for you. You were the inventors of democracy and of human rights, you dominated the world for centuries, first ruling the oceans and after that the world of finance. And when apocalypse threatened, your courage and tenacity – you held on long, American and Russian help arriving late in the day – saved our honour and freedom.
We know this and we have never shied away from saying, including in this commemorative week, that we owe you an immense debt. This should not, however, allow you to treat us with contempt and double-dealing.
You do not like Europe – that is your right and it is understandable. You nevertheless joined 41 years ago, but on a misunderstanding. You never shared the true meaning of the project which Winston Churchill, speaking on your behalf, set out in Zurich in 1946 with his incredible words: “We must build a kind of United States of Europe … Great Britain, the British Commonwealth of Nations, mighty America – and, I trust, Soviet Russia … must be the friends and sponsors of the new Europe and must champion its right to live.”
Actualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos – porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convívio. A solidariedade efectiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
Manifestar e Protestar – o onanismo dos partidos de protesto
O protesto tanto pode ser uma faca – e neste caso de dois gumes – como um escudo. Tanto podemos protestar para atacar e alterar uma situação como apenas para nos defendermos. Para evitarmos a mudança fazendo de conta que a desejamos.
Esta ambiguidade é a base em que assenta a tática dos chamados partidos de protesto. Protestam para se defender, para esgotar em seu proveito as energias dos que têm razão para protestar. O protesto, na medida em que não se dispõem a colaborar em nenhuma solução que não seja a totalidade da sua, esgota-se nele mesmo, satisfá-los como se satisfazem os onanistas.
Abdicou hoje o único homem no mundo que conseguiu enganar o generalissimo Franco. Franco, o tal que tinha enganado Hitler e Salazar. Dos poucos homens do mundo que pode gabar-se de ter segurado um país e inventado uma democracia sem tiros nem sangue. Só por isso merecia caçar mais três elefantes e quatro ou cinco loiras.
Tirando Rio e Costa, não há nos partidos quem possa dar corpo a uma alternativa que dê esperança ao país.
A profundidade do pântano da vida política portuguesa adensa-se todos os dias. Quando Guterres falou de pântano, estava apenas a temer a “coisa” e a ver se não entrava nela. Pode-se considerar que já lá tinha os pés, mas uma parte considerável do corpo ainda se encontrava fora, embora a responsabilidade de Guterres em perder a última oportunidade de sair sem dor do “monstro” seja enorme. Mas se o plano inclinado continuava, a alternância política como mecanismo renovador e dador de esperança ainda existia.
No próximo sábado, 31 de maio, André Barata, e Renato Carmo estarão presentes num debate na 84ª Feira do Livro de Lisboa subordinado ao tema “Estado Social – De Todos para Todos”, com base no livro homónimo organizado por estes dois membros do Grupo de Contacto do LIVRE.
São também convidados do debate: o historiador Rui Tavares, também do Grupo de Contacto do LIVRE, o deputado João Galamba e psicóloga Joana Amaral Dias.
O debate inicia-se às 15h00 na Praça Laranja.
O livro “Estado Social – De Todos para Todos” (Tinta da China), foi recentemente lançado e resulta de reflexões resultantes da Conferência Vencer a Crise com o Estado Social e com a Democracia, organizada pelo Congresso Democrático das Alternativas a 11 de maio de 2013 no Fórum Lisboa.
Com a participação de ALDINA DUARTE, a realizar na próxima quinta-feira, 29 de Maio, 2014, às 18:30H
Centro Cultural de Belém, Lisboa
Nada mais apropriado para o fecho do Ciclo A CANTAR e a CONTAR, 2014, do que a conferência do Professor RUI VIEIRA NERY dedicada ao MITO de ORFEU. A Música sara as feridas da alma – e do corpo – e a história do apaixonado sedutor que, com a sua lira, aquietava e enfeitiçava o Cosmos – a terra, os céus, os oceanos, o mundo subterrâneo, os mortais e os imortais, os seres humanos, as plantas e os animais, enquanto mantinha , inalterável , o seu amor por Eurídice – tem atravessado os tempos como uma poderosa alegoria. Orfeu, o músico por excelência, foi também o homem que quebrou o tabu e ousou olhar o Invisível.
Entrada livre. Sala Luís de Freitas Branco
A Cantar e a Contar
A partir de uma ideia de ALDINA DUARTE, este ciclo, centrado na figura da cantora e intitulado genericamente A CANTAR e a CONTAR, regressou em 2014 com mais convidados e mais quatro sessões. Com a moderação de Helena Vasconcelos e a partir da relação de excelência entre os grandes textos da Literatura, a Música e o Canto, cada sessão desenvolver-se-á a partir da visão muito particular das personalidades convidadas as quais, pela sua sabedoria, sensibilidade e inteligência ajudarão a iluminar e engrandecer estes encontros, tendo por base os temas propostos.
Esquecer as conotações visuais de uma mesquita e traduzir no espaço a religiosidade muçulmana é o que propõe o atelier de arquitectura Aires Mateus que ganhou o projecto para o Centro Muçulmano de Bordéus, em França.
A ambição de construir um espaço contínuo e em que a ideia de unidade entre a religião e o quotidiano são centrais fez do projecto do arquitecto Manuel Aires Mateus o escolhido pela Fédération Musulmane de la Gironde.
A obra com o valor de 24 milhões e meio de euros e com quase 12 mil metros quadrados centra-se no culto e na cultura muçulmana, em que o lado religioso de cada indivíduo se estende à sua vida quotidiana. Foi esta ideia de continuidade e unidade da vida religiosa com a vida social que o atelier procurou neste projecto que vai ser erguido de raíz junto ao rio Garona, na zona nova de Bordéus, em França.
“Para este projecto procurámos um espaço absoluto, uma topografia contínua, uma arquitectura onde tudo está ligado: os diferentes usos [do edifício], os percursos que os relacionam, a luz filtrada que os caracteriza. Um todo sem partes”, lê-se na nota explicativa que acompanha o projecto.
Para a concretização física deste conceito, há um andar térreo de ligação à cidade com lojas e cafetarias – o lado social – e um outro superior onde estão as funções culturais – salas de aula. Entre estes dois, há um espaço aberto, revestido a vidro dedicado ao culto: duas salas, uma com 350 lugares para uso diário, e outra com 4 mil, para uso semanal. “Esse espaço é o grande vazio, em continuidade com o mundo, em que a luz exterior que se prolonga é um espaço para a religião sem fronteiras”, explica Aires Mateus ao PÚBLICO, acrescentando que o “culto é este lugar que está entre o céu e a terra, que o une e que nos interessa”.
O piso térreo quer ser ainda um lugar de ligação da comunidade muçulmana com a comunidade de Bordéus: este espaço é perfurado para que se possa circular por ele sem se seja um objecto fechado, perturbador da circulação na cidade.
“É mais estimulante por ser um espaço religioso, em que o que interessa é a espiritualidade e transcendência”, disse o arquitecto Manuel Aires de Mateus a propósito do primeiro projecto do atelier Aires Mateus para um espaço religioso. Apesar desta novidade, como nos anteriores trabalhos deste atelier, a centralidade do projecto volta a estar numa ideia de espaço.
O PS não capitalizou o descontentamento que afundou a Direita Unida, o que significa que, em tese, ficou em aberto quem ganhará as eleições legislativas do ano que vem. E tão grave quanto isso, o PS, mesmo em caso de vitória, ter de constituir governo com o PSD. Muita gente atribui este facto a António José Seguro, à pessoa mais do que à política de oposição por ele prosseguida. É um facto que Seguro não caiu no goto de ninguém e, aparentemente, parece ser uma menos-valia para os socialistas. No entanto, nunca saberemos se outro secretário-geral dos socialistas (quem?) obteria resultado diferente. Vale a pena lembrar, a tempo, ao PS, que se chegar ao governo para fazer “mais do mesmo”, arrisca-se a levar os socialistas no futuro aos 13% dos socialistas franceses ou aos 7% dos socialistas gregos.
SARA DIAS OLIVEIRA 26/05/2014 – 07:30 in Jornal Público Boaventura de Sousa Santos, director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, constata que a Europa da coesão social acabou e que a troika despromoveu Portugal, acentuando-lhe o estatuto de país semi-periférico.
O sociólogo de Coimbra avisa que, dentro de cinco anos, poderemos ter uma sociedade irreconhecível. E acusa o Governo de apresentar opções políticas como fatalidades.
Três anos de austeridade, de cortes. Como será o país no pós-troika?
Portugal carrega a condição de semi-periférico no contexto europeu há vários séculos. O pós-troika vem mostrar que esta condição vai durar muito mais tempo e que o objectivo que se pretendeu com a integração na União Europeia – tentar ver se Portugal saía desse estatuto – não foi possível. E a tentativa foi tão mal gerida que ficámos pior. Não ganhámos nada em termos da nossa posição no sistema mundial, não ganhámos nada com a integração na União Europeia e ficámos pior, porque perdemos os instrumentos que poderiam, de alguma maneira, provocar uma retoma significativa da nossa economia e da nossa sociedade. Portugal não é ainda um país subdesenvolvido, mas tem mais características de subdesenvolvido do que antes. Tínhamos passado a ser um país de imigrantes, voltámos a ser um país de emigrantes. Tínhamos direitos sociais no domínio do trabalho, velhice, educação e saúde, que têm sido precarizados de modo a que Portugal se pareça, cada vez mais, com um país subdesenvolvido ou do terceiro mundo. Este conceito de “pós-troika” precisava de uma análise semântica. O pós-troika foi criado por uma certa ideia nacionalista que existe no Governo, que foi amplificada simbolicamente como retoma da soberania nacional. Assim, quem não quer o pós-troika? Todos querem. O que não estão a ver é que a troika vai ficar, deixou tudo planeado.
SÉRGIO ANÍBAL Anunciado por uns como o “novo Marx”, mas acusado por outros de ter renegado o trabalho do autor de O Capital, Thomas Piketty agitou o debate político e económico nos Estados Unidos e na Europa com um alerta: a actual sociedade capitalista está cada vez mais parecida com o mundo desigual do século XIX descrito por Jane Austen e Honoré de Balzac.
. Darcy não é de muitas falas e faz tudo para manter uma figura misteriosa, mas há algo sobre ele que toda a gente sabe: o seu rendimento anual é desde a morte do seu pai e continuará a ser até à sua própria morte de mais de 10 mil libras. É esse rendimento garantido, uma verba astronómica inalcançável pela grande maioria, que lhe permite uma vida inteira sem trabalhar e que o torna uma oportunidade única de ascensão social que nenhuma jovem pretendente de mente sã deve rejeitar. Mr. Darcy é uma personagem criada por Jane Austen em 1813 e representa a classe alta da sociedade britânica do início do século XIX, onde o mérito e o esforço de cada um estavam longe de ser vistos como passaportes para o sucesso financeiro.
Mr. Gates não é uma personagem de um livro. Criou a Microsoft em 1977 e acabou por se tornar o homem mais rico do mundo. Nos últimos anos, parece estar a fazer tudo o que pode para ficar com menos dinheiro. Deixou de trabalhar, vendeu quase toda a sua participação na Microsoft e entregou 29 mil milhões de dólares à sua fundação. Mas, mesmo assim, a fortuna não o deixa. Está avaliada actualmente em 79 mil milhões de dólares, um valor que é 16 mil milhões mais elevado do que era há dois anos.
Roma atrasou o reconhecimento da existência soberana de Portugal durante décadas (36 anos, exactamente) mas acabou por ter de a reconhecer! Fê-lo com a bula ‘Manifestis Probatum’, emitida a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III, que reconhece Afonso Henriques como “Ilustre Rei dos Portugueses” e seu “excelso domínio, o reino de Portugal”… E reconhece a validade ao Tratado de Zamora de 5 Outubro 1143 em que Afonso VII de Leão e Castela reconhece Portugal como reino independente e Afonso Henriques como seu “rex”… Quase no fim da sua vida, Afonso Henriques obtinha mais uma vitória, agora sobre a má vontade do Vaticano e seus papas pró-castelhanos, e ganhava uma guerra que vinha desde 1139, quando os seus guerreiros o haviam proclamado Rei de Portugal nos campos de Ourique.
Ontem, ao discursar na sede de campanha do LIVRE, improvisando perante tanta gente que ainda há poucos meses não imaginava que iria fazer um partido junta, saiu-me uma frase em que não tinha pensado antes, mas que está na essência do nosso projeto político: “peço-vos que nunca digamos uma palavra em que não acreditemos”.
O projeto do LIVRE está em trazer conteúdo à política e significado a algumas palavras que foram esvaziadas pela política sem conteúdo. Há palavras que só ganham vida se estivermos dispostos a agir por elas. E, nos últimos anos, demasiadas palavras foram esvaziadas. Não basta falar de democracia, é preciso praticá-la — e por isso fizemos primárias abertas. Não basta falar de mudança, é preciso ser a mudança — e por isso usamos a democracia deliberativa como método. Não basta falar de Europa — é preciso explicar o que fazer com ela, e por isso temos o programa mais completo e bem fundamentado destas eleições.
O objetivo é ter uma política que deixe de tratar os cidadãos como se eles tivessem uma mera câmara de eco no lugar da cabeça. E aventura só agora começou. Há tantas palavras a preencher de significado nos dias de hoje. Há quem fale de patriotismo, sem estar disposto a modificar a sua tática partidária quando o país está em risco. Há quem fale de europeísmo, quando viu a pior crise abater-se sobre a Europa e não levantou a sua voz contra a política de vistas curtas que nos dominou. Há quem fale de esquerda, e recuse admitir que a esquerda será sempre uma aliança de diferentes — de todos os que não são ricos nem poderosos — cujo objetivo é mudar o mundo presente, e não digladiar-se em disputas bizantinas sobre quem é mais puro no reino dos céus.
Nós não podemos continuar a esperar que o significado desça sobre estas palavras como quem reza pela chuva. Temos de ser nós a fazer algo por estas palavras: solidariedade, justiça, progresso, futuro, liberdade. Temos uma responsabilidade perante elas, que é uma responsabilidade perante nós mesmos e os nossos concidadãos. Queremos viver numa política em que haja correspondência entre o que se diz e o que se faz. E, por uma vez, basta querer para se começar a fazer.
Nestas semanas explicámos o “porquê” do LIVRE — porque era necessário um partido mais aberto, mais democrático, mais libertário, com uma voz autónoma para a ecologia, no meio da esquerda portuguesa. Para logo depois explicar o “para quê”: para que serve votar no LIVRE, eleger deputados e deputadas que implementarão o nosso programa legislativa, e fazer do LIVRE uma surpresa que tenha impacto na formação de governo em Portugal.
E ontem juntámos ao “porquê” e ao “para quê”, mais duas palavras: o “contra” e o “como”.
O “contra” é uma palavra muito importante. Não se pode viver sem recusar, não se pode ser pessoa sem poder dizer não, sem desobedecer. Mas cada “contra” encerra em si uma responsabilidade política: a do “como”. Não se pode estar contra sem ao menos tentar procurar um “como”: como sair da situação em que nós encontramos, como combater o que nos aflige, como reformular as regras do jogo, como ser a mudança que queremos fazer.
Tenho muito orgulho de estar num partido que a cada momento leva a sério essas palavras: porquê, para quê, contra, como. Temos brio em explicar claramente o que queremos fazer com cada uma delas.
Agora chegámos ao início da aventura. Vamos pela primeira vez apresentar-nos ao voto dos nossos concidadãos, com um sorriso estampado na cara. Nós não acreditamos só na democracia; gostamos dela. Vamos contentes ao encontro dela. Estamos contentes porque fizemos uma campanha digna, porque falámos do futuro e da Europa (e de Portugal nela), porque não nos deixámos desviar do nosso caminho, porque não fizemos um único ataque pessoal, não caímos numa única controvérsia artificial ou inflacionada, não perdemos um segundo com aquilo que não interessava. Ao invés de jogar para a agenda mediática das próximas 24 horas, pensámos e falámos sempre dos próximos 5 anos.
E agora falta uma hora para fechar a campanha. É a hora dos últimos telefonemas, dos últimos panfletos, dos últimos argumentos. Estamos bem perto de conseguir mudar a política portuguesa. Falem com toda a gente que puderem nestes minutos. Expliquem o que é este partido, o que ele pode fazer, como ele pode melhorar a democracia, como os seus deputados e deputadas no PE legislarão para mudar a Europa. Persuadam muitos, convençam todos os que puderem.
Só vos peço uma coisa: que nunca digam uma palavra em que não acreditem.
BREVE HISTÓRIA DE CINCO REVOLUÇÕES FINANCEIRAS
Do “papel-voador” na China aos algoritmos que dominaram Wall Street
A emergência do capital e do capitalismo é comummente associada ao processo de acumulação primitiva ligado à Revolução Industrial, no Reino Unido. Mas, na realidade, é muito mais antiga. A China e o império muçulmano foram o berço de inovações de mercado e financeiras que se estenderam por séculos. A cronologia que se publica percorre mais de um milénio de história desde a criação por mercadores chineses do “papel-voador”, no final do distante Império Tang, aos algoritmos financeiros que conquistaram Wall Street em pleno século XXI e fazem tremer o sistema financeiro surpreendido com derrocadas-relâmpago. Inclui-se uma passagem obrigatória pelo papel globalizador da Expansão portuguesa nos séculos XV e XVI, que atrairia a alta finança europeia para o Atlântico e transformaria o “português de ouro” manuelino em divisa internacional.
Este livro tem dois objectivos: Por um lado, projectar um filme rápido sobre a história mais do que milenar do nascimento e expansão do capital financeiro, através das revoluções que liderou desde o final do século VIII. A sua história está cheia de inovações surpreendentes. Não se trata de uma história breve do dinheiro, nem dos bancos, nem da política monetária soberana. Mas dos principais capítulos da projecção estratégica deste segmento do capitalismo.
Por outro lado, ressaltar que a financeirização é a maior mudança estrutural no capitalismo nos últimos dois séculos. Compreender esse fenómeno é hoje crucial.
(…) A melhor opção, diz o fundador da École d’Économie de Paris, é um imposto extraordinário progressivo sobre o valor líquido das fortunas acima de €1 milhão, com uma taxa de 1% entre 1 e 5 milhões e de 2% acima de 5 milhões, aplicado ao longo de um período de tempo como medida fiscal de emergência. (…)
A taxa anual progressiva sobre as fortunas (avaliadas em termos líquidos, insiste o autor para não assustar as classes médias) acima de €1 milhão, poderia abranger, no caso da União Europeia (UE), uma minoria de 2,5% da população adulta e permitir uma arrecadação fiscal anual na ordem de €300 mil milhões, equivalente atualmente a 2% do PIB. Essa taxa deve aplicar-se a todo o tipo de ativos detidos por esses escalões de contribuintes.
In June 2014 the Helmut Newton Foundation celebrates its tenth year anniversary. The museum first opened its doors with the exhibitions “Us and Them” and “Sex and Landscapes”, which were selected by Helmut Newton shortly before his death. Now, ten years later, foundation president June Newton (a.k.a. Alice Springs) has chosen the same combination.
“Us and Them” is a joint exhibition and book project by Helmut and June Newton. A photographic journal of their life together, the project includes self-portraits, at times intimate, reciprocal portraits, as well as photographs of actors, artists, and other prominent figures of the times. Taken during the 1980s and 1990s at separate sittings, the photographs of the international jet set by Helmut Newton and Alice Springs are presented side-by-side in pairs.
The exhibition “Sex and Landscapes” brings together large-format landscapes and nude photographs taken in black-and-white and color between 1974 and 2001. Overclouded seascapes and breaking waves outside Monte Carlo or neo-baroque Madonna figurines in small Italian towns mingle with nudes in glamorous and provocative scenes of erotic obsession, played out by a female cast.
HELMUT NEWTON FOUNDATION
Museum of Photography
Jebensstrasse 2 / 10623 Berlin
info@helmut-newton-foundation.org http://www.helmut-newton.com
phone +49 30 3186 4856
Já era tempo de os portugueses poderem candidatar-se a eleições sem estarem reféns de uma direcção partidária. Esta é uma das ideias que Ricardo Araújo Pereira vai usar para justificar o apoio que decidiu dar ao partido Livre e à reeleição de Rui Tavares como deputado europeu.
A dirigente do Livre Marta Loja Neves confirmou ao PÚBLICO que o humorista gravou um tempo de antena que irá para o ar na SIC na próxima terça-feira. Durante cerca de dois minutos, Ricardo Araújo Pereira, que não tem filiação partidária, justifica a opção com a crença de que o Livre “viabiliza novas combinações à esquerda”. Uma esquerda, diz, “que não abdique dos seus princípios, mas que não atire a governação para os braços da direita.”
Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.
Organizado pela Revista Rubra, a realizar no dia 20 de Maio, terça-feira, entre as 19:00H e as 21:300H, com Hillel Ticktin, editor da revista Critique – Journal of Socialist Theory; Raquel Varela, historiadora e Renato Guedes, físico teórico.
É tempo de organizar uma conferência com os governos e os novos Parlamento e Comissão para resolver os problemas do excesso de dívida, crescimento económico anémico e falta de robustez institucional do euro
A crise da zona euro apanhou a União Europeia mal equipada, desprevenida e desorientada. A arquitetura da moeda única estava incompleta e era incoerente, as contas de alguns estados-membro foram falsificadas com a cumplicidade de grandes bancos internacionais e a aquiescência dos seus parceiros europeus, Bancos faliram, contribuintes foram chamados a segurar os bancos, as dívidas soberanas explodiram e, sobretudo, perante a passi idade dos “líderes” europeus e a resistência do governo da Alemanha, explodiram os seus juros. A reação, quando chegou, passou pela criação semi-improvisada de novos mecanismos — o Fundo Europeu de Estabilização Financeira — e organismos — a troika — que não estavam previstos pelos Tratados ou violavam os seus artigos.
Ge travaille chaque matin depuis la leve du soleill
et je la satisfaction de pouvoir vous assure
que je suis entrain de peindre des veritables chefd’euvre dans le genre de ceux que l’on faisait aux epoques de Rafael.
Merci, merci avec votre geni iberique
integral et categorique vous havais tue
Buguereau et aussi et surtout l’art moderne
tout entier ! maintenant on peut de
nouveau peindre originallement
Bon jour ! vous embrasse
et viendre vous montrai encore une fois mais tableux
vous serai fou de joie votre
Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.
A música é um adereço para expor o grotesco ou será o contrário? O vencedor(a) do festival da Eurovisão venceu porque tem uma bela voz e uma bela canção ou porque é uma coisa extravagante? A Miley Cyrus canta bem, mas porque precisa de simular um broche a uma pila enorme num concerto? Ou porque necessitará a Rihanna de roçar a peida nas paredes como se estivesse com cio? Coitado do Brahms e do Schubert! No tempo deles não havia disto.
(…) Registe-se contudo que este caso foi uma acção levada a efeito por Putin para ganhar vantagem, aproveitando uma situação de vulnerabilidade criada por erros ocidentais e aproveitando a oportunidade que lhe foi dada pela iniciativa da Alemanha, que também por motivos de interesse geopolítico idêntico mas de sentido inverso aos de Moscovo, financiara a revolta de Kiev para apear o Presidente da República da Ucrânia afeto à Rússia, visando assim garantir o controlo do espaço geopolítico ucraniano que os alemães também procuravam alcançar. (…)
L’Europe ne se fera pas d’un coup ni dans une construction d’ensemble. Elle se fera si des réalisations concrètes créent d’abord une solidarité de fait.
Deux jours avant son discours historique du 9 mai 1950 lançant une solidarité économique et industrielle entre les Etats européens, autour de la production de charbon et d’acier, Robert Schuman cherche encore à convaincre le Chancelier allemand, Konrad Adenauer, de l’importance d’une telle résolution. Lettre capitale dans les coulisses de la construction de la Communauté Européenne, alternative géniale et historique à la guerre qui décime, chaque siècle, le Vieux Continent.