A Vida da Morte – Teatrosfera

Teatroesfera

Um bufão morre, e com ele morre o riso que a dor do mundo lhe provocou.

A mala da sua vida ainda está cheia de “momentos”, que necessitam de “apanhar ar”, porque a morte necessita de
colocar tudo “no seu lugar”, para criar o equilibrio necessário e com ele, fazer nascer um palhaço!

M/12

Estreia dia 11 de Setembro, 21:30, na Casa Teatro de Sintra.

Continuar a ler

Projecto para preservar minderico procura financiamento na Internet | O Mirante

dictionaryO Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS) lançou uma campanha para financiar o projecto de revitalização do minderico, variação linguística surgida no século XVII entre fabricantes e vendedores das mantas de Minde, que está em risco de extinção.

Vera Ferreira, linguista e fundadora do CIDLes, dá a cara pela campanha de ‘crowdfunding’ (procura de financiamento colectivo através da Internet) lançada em meados de Agosto em https://hubbub.net/p/minderico para, nomeadamente, conseguir financiamento para manter o ensino da língua na escola de Minde, vila do concelho de Alcanena.

Vera Ferreira disse que a campanha decorre até 15 de Outubro, sendo necessário, para conseguir o financiamento, chegar aos 8.900 euros, verba que permitirá dar uma aula por semana a cada um dos quatro anos do primeiro ciclo, criar o manual de apoio às aulas, dar formação a professores e editar um livro infantil em minderico com ilustrações feitas pelas crianças.

O objectivo mais ambicioso é alcançar uma verba de 12.000 euros, o que permitirá realizar também ‘workshops’ para pais e falantes passivos e editar um livro de receitas tradicionais em minderico.

Vera Ferreira receia que o “défice muito grande de conhecimento” sobre a diversidade linguística existente no mundo (existem 7.000 línguas e quase metade estão em risco de desaparecer), e da importância da preservação do conhecimento e da cultura existente em cada uma delas, venha a dificultar a adesão das pessoas.

Actualmente com 150 falantes activos e cerca de mil passivos (que compreendem mas não falam), o minderico surgiu no século XVII como uma língua secreta, usada por fabricantes e vendedores das mantas de Minde, mas acabou por se tornar no principal meio de comunicação na vila, alargando o vocabulário e o seu âmbito de aplicação (sendo usado em todos os contextos da vida diária).

O número de falantes diminuiu drasticamente nos últimos 40 anos, muito devido ao declínio da população e à crise da indústria têxtil, e o seu uso foi-se restringindo a contextos familiares, sobretudo entre os mais velhos.

O trabalho de revitalização do minderico foi iniciado em 2000, no âmbito do trabalho de pesquisa que a linguista desenvolveu integrado na tese de doutoramento que fez na Alemanha e que permitiu construir a candidatura aprovada em 2008 pela Fundação Volkswagen para um projecto que decorreu entre 2009 e 2011.

Estabelecimento Prisional de Caxias – ala dos homens | Cristina Carvalho

prisao
O que é que eu posso dizer sobre uma experiência tão marcante na vida de uma pessoa? Uma experiência que se alonga por aqueles corredores absolutamente inóspitos, despidos e secos de vida, sem tonalidades de nenhuma espécie, lisos e frios, compridos, sem fim.
O nosso encontro foi na Biblioteca. Havias umas mesas dispostas em rectângulo e à volta, sentados, os homens que me aguardavam. Cumprimentámo-nos. Sentei-me num dos topos da mesa. Fiquei, pois, de frente para todos. Foi assim que o meu olhar os encontrou, de frente, olhos nos olhos, sem sombra e sem barreiras de qualquer espécie. Naquele momento, eu senti-os totalmente, um por um. E percebi que, à minha frente, estavam sentados vários homens a cumprir penas umas mais longas que outras, uns preventivos a aguardar julgamento e outros já condenados a vários anos, muitos anos com muitos dias de muitos sóis a brilhar, com muitas luas de luar, com filhos a crescer, a idade sempre a avançar. Encontrei-me com homens uns novos, outros muito mais velhos punidos por variados cometimentos e incumprimentos sociais. Todos sentados ouvindo o Concerto nº 1 para piano e orquestra, 1º andamento, de Frédéric Chopin; todos aguardando sinal para começarmos a conversar sobre o livro. E conversámos muito. Muitos quiseram saber sobre Fryc, quem foi realmente, quem amou, que vida teve, como foi o seu génio, o que é o génio, o que é uma vida, como foi viver no século XIX, o que foi o século XIX, como foi viajar, como foi morrer, como é viver, ontem, hoje, como será, como será, como será?
Todas as perguntas rodaram sempre e só sobre o livro e como foi escrevê-lo, quanto tempo levou a escrever, o que é escrever, o que é ler, como, como, como?
Acabou a sessão de hora e meia. Um dos homens, numa ponta da mesa fez-me uma pergunta pessoal, a única pergunta pessoal: “O que é que os seus olhos vêem?”
Foi esta a pergunta que eu não soube responder.
Depois, despedimo-nos apertando as nossas mãos. Os guardas vieram. Abriram-me todas as portas com as suas grandes e preciosas chaves.
Eu saí para a estrada com o vento muito frio a varrer a folha prateada da água do mar que se vê ao longe. Mas não muito longe.
Cristina Carvalho
Nota: o convite foi-me feito pela tradutora e escritora TÂNIA GANHO

Rendimento básico incondicional

Rendimento-Basico

O que é | http://rendimentobasico.pt

O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade.

Um RBI é:
– Universal – não discrimina ninguém, todos o recebem
– Incondicional – um direito para todos, sem burocracias
– Individual – garante autonomia às pessoas em situação vulnerável
– Suficiente – para viver com dignidade

O objetivo deste site é informar e promover a discussão sobre o rendimento básico incondicional em Portugal, para que possam ser encontradas as melhores formas de organizar e implementar este sistema.

O Futuro nas Mãos: De Regresso à Política do Bem Comum | Renato Miguel do Carmo, André Barata

abarataUm ensaio político-filosófico que desmistifica a austeridade e clarifica as alternativas que estão ao nosso alcance. Desde o 25 de Abril que não se registava um aumento da dívida do Estado português tão elevado como nos anos da austeridade. Se o objetivo desta política era desendividar o país e restabelecer a sua soberania, falhou redondamente. É tempo de mudar o jogo, de devolver competências ao país, devolvendo oportunidades aos seus cidadãos: – Economicamente, pondo termo à austeridade e promovendo a criação de oportunidades genuínas, acessíveis à população;
– Socialmente, repudiando o elogio e a prática da precariedade como condição produtiva dos cidadãos;
– Politicamente, resgatando a força da cidadania e de uma resposta democrática inclusiva e participada. Este é um livro de encorajamento. As saídas dependem das nossas escolhas políticas. Está em causa restaurar a convicção de que o futuro coletivo está nas nossas mãos.

Bando de Raparigas, de Céline Sciamma

Um retrato magnético sobre uma adolescente em busca da sua emancipação num bairro de França. BANDO DE RAPARIGAS acompanha Marieme que cresceu num ambiente familiar opressivo e tem escassas perspectivas de futuro. Mas tudo muda quando decide juntar-se a um grupo de três raparigas. Passa a usar um novo nome, novas roupas e deixa a escola para ser aceite pelo gang, numa tentativa de se libertar da sua anterior existência.

Continuar a ler

Então queres ser um escritor? | Charles Bukowski

 

charles-bukowski

 

 

 

 

 

 

 

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

 

Charles Bukowski

Varoufakis: “Não abandonei o navio. Ele é que mudou de rumo” | Por Christos Tsiolkas, The Monthly

varoufakis_11Numa longa entrevista a um escritor grego-australiano, o ex-ministro das Finanças faz revelações surpreendentes, como o ambiente de depressão que encontrou no gabinete do primeiro-ministro na noite da vitória do “não”, em contraste com a euforia das ruas, e a confidência pessoal de Schäuble de que não assinaria o acordo se fosse o ministro grego. Por Christos Tsiolkas, The Monthly

(Retirado do site Esquerda.net)

Descendo a rua do meu estúdio, nos subúrbios do Norte de Melbourne, há um pequeno café ao lado de uma tabacaria. Ambos são propriedade de australianos de origem grega. Na semana anterior ao povo grego ter votado se queria aceitar a nova rodada de medidas de austeridade exigidas pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) de forma a libertar fundos de resgate, os donos dos estabelecimentos afixaram nas montras uma série de folhas A4 em preto e branco. Cada folha tinha uma palavra em destaque, OXI – “não” em grego.

Na manhã de 6 de julho, levantei-me antes do amanhecer, entrei na Internet e liguei a televisão, ao mesmo tempo cheio de ansiedade e temeroso de saber as notícias: o resultado teria consequências não só para a manutenção da Grécia na eurozona mas também para a própria definição de uma Europa unida. O resultado do referendo foi um OXI esmagador. Uma hora depois ainda tentava identificar porque sentia esta combinação de medo, temor e êxtase, enquanto observava as imagens vindas de Atenas de multidões em júbilo, percebi que estava a experimentar sensações que quase esquecera que podiam existir: esperança e otimismo políticos. A nação grega tinha refutado uma lógica económica quase universal, que exonerava o sistema financeiro da responsabilidade pela maior catástrofe económica desde a Grande Depressão. Era uma lógica que exigia que as pessoas comuns pagassem os erros de cálculo dos mercados globais, uma lógica que limpava as dívidas dos bancos mas não permitia tal indulgência em relação aos efeitos paralisantes da dívida nas nações individuais.

Uma semana depois, as minhas esperança e otimismo tinham-se dissipado, na medida em que o governo de coligação, dirigido pelo partido de esquerda Syriza de Alexis Tsipras, parecia à beira de aceitar os termos de um resgate que fora rejeitado pelo seu próprio povo.

Yanis Varoufakis está ao telefone. O carismático ministro das Finanças renunciara ao cargo logo a seguir à divulgação dos resultados do referendo. Varoufakis, economista de extensa carreira académica, tem dupla nacionalidade grega e australiana, depois de ter passado uma década a trabalhar na Universidade de Sydney. O seu estatuto de outsider no clube político da União Europeia, a sua recusa de usar linguagem tecnocrática ou de conformar-se com o estilo burocrático, provocavam uma constante irritação nas negociações com a troika. Mas, de muitas formas, o forte resultado do referendo pode ser visto como uma validação da sua tática e frontalidade.

A primeira coisa que lhe perguntei foi como se sentiu na noite da votação, e como se sente uma semana depois.

“Permita-me que descreva o momento que se seguiu ao anúncio do resultado” [do referendo de 5 de julho], começa. “Faço uma declaração no ministério das Finanças e depois dirijo-me às instalações do primeiro-ministro, o Maximos [residência oficial do primeiro-ministro grego], para encontrar-me com Alexis Tsipras e o resto do Ministério.”

“Posso dizer que estava eufórico. Este ‘não’ – Oxi – sonante, inesperado, era como um raio de luz que atravessa uma escuridão espessa e muito profunda. Estava encantado. Passeava pelas salas, alegre, trazendo comigo essa incrível energia do povo no exterior. Tinham superado o medo, e esse sentimento fazia-me sentir a flutuar no ar. Mas no momento em que entrei no Maximos, toda essa sensação simplesmente desapareceu. Reinava lá também uma atmosfera elétrica, mas carregada de negatividade. Era como se a direção tivesse sido deixada para trás pelo povo. E a sensação que senti foi de terror: ‘Que fazemos agora?’”

E a reação de Tsipras? As palavras de Varoufakis são medidas. Insiste que não diminuiu a sua amizade e respeito pelo primeiro-ministro cercado. Mas a tristeza e o desapontamento são evidentes na sua resposta.

“Podia dizer que ele estava desalentado. Era uma grande vitória, que eu creio que ele realmente saboreava, profundamente, mas que não podia gerir. Sabia que o seu gabinete não podia geri-la. Era claro que havia elementos no governo que o pressionavam. Em poucas horas, ele já fora pressionado pelas principais figuras do governo para transformar o ‘não’ num ‘sim’, para capitular”.

Por lealdade a Tsipras e para honrar uma promessa que lhe fez, Varoufakis não cita nomes. Mas diz-me que havia eminências pardas no interior do frágil governo de coligação “que estavam a contar com o referendo como uma estratégia de saída, não como uma estratégia de combate”.

“Quando me dei conta disso, disse-lhe que tinha uma escolha clara: usar os 61,5% de votos ‘não’ como uma energia, ou capitular. E disse-lhe, antes que pudesse responder, ‘se optares pela segunda, vou-me embora. Renunciarei se escolheres a estratégia de desistir. Não vou puxar o tapete, mas vou evaporar-me na noite.”

Continuar a ler

O riso, o sexo e os palavrões | HUGO GONÇALVES | DN 22-08-2015

Hugo GoncalvesPorque estou a traduzir o romance American Psycho, de Bret Easton Ellis, voltei a pensar em como a língua inglesa tem muito mais palavras do que a nossa para o verbo sorrir – to smile, to grin, to smirk, to simper – e para o verbo rir ou o ato de dar gargalhadas – to laugh, to chukle, to giggle, guffaw, to crack up. Em inglês, estes signos captam diferentes características e gradações. Um sorriso gozão, pretensioso: to smirk. Dar uns risinhos: to giggle. Uma gargalhada forte: guffaw.

De que forma, em Portugal, séculos de Inquisição, de pudor católico, da ideia de transgressão e castigo, e quase meio século de ditadura salazarista – uma polícia política, os bufos, o medo de falar, o “respeitinho é muito bonito” -, podem ter limitado a nossa habilidade de expressar felicidade e humor? Talvez se William Baskerville, protagonista de O Nome da Rosa, usasse o seu engenho neste mistério não se afastasse muito de um dos temas do romance de Umberto Eco: o riso como uma forma subversiva contra o poder. Ou, no nosso caso, a falta dele. Toda a gente faz comédia com Hitler, poucas vezes vi Salazar como protagonista de um sketch ou uma anedota.

Continuar a ler

“A corrupção é prática tão antiga quanto o Brasil” | Rivaldo Chinem

Adelto-GoncalvesAutor das biografias dos poetas Gonzaga e Bocage, o pesquisador Adelto Gonçalves desvenda a estrutura judiciária na capitania de São Paulo (1709-1822) em livro que ajuda a entender as relações entre Estado e Justiça e o movimento político que o País vive hoje

                                                                                                           Rivaldo Chinem (*)

Adelto Gonçalves, 63 anos, é jornalista desde 1972, com passagens pelos jornais A Tribuna, de Santos, O Estado de S. Paulo e Folha da Tarde e pela Editora Abril. É doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela Universidade de São Paulo (usp). Seu trabalho de doutorado Gonzaga, um poeta do Iluminismo, sobre Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), foi publicado em 1999 pela Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro.

Em 1999, com bolsa de pós-doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu em Portugal projeto sobre a vida e a obra do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), publicado em 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, sob o título Bocage – o perfil perdido.

Foi professor titular da Universidade Paulista (Unip), nos cursos de Direito e Pedagogia, e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), no curso de Jornalismo, em Santos. É autor também de Mariela Morta (Ourinhos, Complemento, 1977), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio, 1981; Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 2015), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997) e Tomás Antônio Gonzaga (Rio de Janeiro/São Paulo, Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012).

Continuar a ler

O Estrangeiro, de Albert Camus

O Esrangeiro ACPublicado originalmente em 1942, O Estrangeiro foi o primeiro romance de Albert Camus e, a 23 de julho, chega às livrarias portuguesas numa nova edição da Livros do Brasil, revista de acordo com o texto fixado pelo autor, e com prefácio de António Mega Ferreira.  Sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século xx, foi traduzida em mais de quarenta línguas e adaptada para o cinema por Luchino Visconti em 1967. Nesta história, o protagonista Meursault recebe, um dia, um telegrama informando-o de que a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio. Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência.

Continuar a ler

O Diário de Anne Frank – versão definitiva

Diario de AnneFrankA Livros do Brasil publica uma nova edição de O Diário de Anne Frank – versão definitiva, segundo a fixação de texto de Mirjam Pressler, a única versão autorizada pela Fundação Anne Frank. Esta obra, que já se encontra nas livrarias, está recomendada no Programa Curricular de Português para o 8.º ano de escolaridade. Escrito entre 14 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão. Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de BergenBelsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.

Continuar a ler

HOJE | Paulo Querido | de 2ª a 6ª feira | magnifíco!

HojeO QUE É

Os microprocessadores e a internetprovocaram uma revolução económica, social epolítica que afeta cada vez mais indústrias e atividades. Hoje é uma publicação multi-canal focada nas mudanças e nos seus efeitos.

Hoje dá especial atenção à tecnologia e ao seu impacto nos media, no trabalho e emprego, naenergia, na educação, na vida das cidades.

Todos os dias lemos uma média de 100 peças, entre papers, artigos e notícias. Desse turbilhão escolhemos os mais interessantes. O que importa ler hoje para preparar o amanhã.

De segunda a sexta, enviamos-lhe a newslettercom o essencial das mudanças em curso nas nossas vidas.

https://hoje.li

O Olhar e a Alma – no PNL

O-Olhar-e-a-Alma-CC“O OLHAR E A ALMA, romance de Modigliani”, o mais recente romance de Cristina Carvalho,  integra o Plano Nacional de Leitura como Livro recomendado – Formação de Adultos.

Baseado na vida de Amedeo Modigliani, o mítico pintor italiano cuja obra é considerada uma das mais importantes do século XX e a vida apesar de inspirar um fenómeno de culto, não é, afinal, tão conhecida quanto se pensa, Cristina Carvalho regressa ao terreno da ficção biográfica com um romance que põe em cena o pintor, contando-nos ele próprio a sua vida sempre difícil, muitas vezes miserável, conduzida pela paixão à arte, amparada por mulheres apaixonadas e alguns raros homens que lhe reconheceram o talento. (da Nota de Imprensa)

Continuar a ler

Afonso Cruz venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2014

acruz 300O escritor Afonso Cruz venceu por unanimidade o Prémio Nacional de Ilustração 2014, com o livro “Capital”, uma narrativa visual “aberta a públicos de todas as idades”, anunciou hoje o júri.

“Capital”, editado em 2014 pela Pato Lógico, conta a história, sem recurso a palavras, da transformação de um rapaz, que um dia recebe um mealheiro em forma de porco.

O júri destaca a “singeleza formal” da obra e o cruzamento de ideias sobre “a amizade, o engodo, a cobiça, a ascensão social, a ecologia, a ambição, a traição, a escravatura, a ingenuidade”.

COSTA DA MEMÓRIA, de Joaquim Magalhães de Castro

K_Costa da Memoria_alta«SEIS SÉCULOS APÓS A CHEGADA A ÁFRICA, A PRESENÇA PORTUGUESA AINDA PERMANECE VIVA.»

AGOSTO DE 2015 – 600 ANOS DA TOMADA DE CEUTA

Seis séculos depois da chegada dos portugueses a Marrocos, o escritor-viajante e investigador Joaquim Magalhães de Castro percorre toda a costa oeste do Magrebe e da Mauritânia, de Ceuta a Dacar, com diversas incursões pelo interior montanhoso do Atlas e pelos espaços desérticos do Sara, em busca do património partilhado entre portugueses e marroquinos, resultante dos encontros e desencontros destes povos ao longo da sua história.

Continuar a ler

A trajetória do jornalista mais premiado do Brasil | Adelto Gonçalves

CapaZeHamilton

I

Poucos jornalistas são tão populares como José Hamilton Ribeiro (1935), já que há três décadas é visto pelo menos todas as manhãs de domingo às voltas com reportagens no programa Globo Rural, da TV Globo. Mas é ao mesmo tempo não só o jornalista brasileiro que mais Prêmios Esso acumulou, sete ao todo, como uma unanimidade entre os seus colegas, que o consideram uma referência profissional e um exemplo de ética na carreira e na vida particular.

Conhecer melhor essa trajetória é a oportunidade que oferece o livro O jornalista mais premiado do Brasil: a vida e as histórias do repórter José Hamilton Ribeiro (Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba-SP/Eko Gráfica, 2015), de Arnon Gomes, com prefácio de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S. Paulo. Inicialmente trabalho de conclusão de curso (TCC) em Jornalismo apresentado à Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos-SP, em 2004, este livro foi reescrito pelo menos duas vezes por seu autor, o que demonstra a sua preocupação com o estilo e a apuração da informação.

II

Mestre consumado da reportagem, que influenciou gerações de profissionais com textos que marcaram época, como aqueles produzidos para a revista Realidade como correspondente na Guerra do Vietnã (1965-1975), da qual saiu mutilado, ao pisar numa mina, José Hamilton Ribeiro está em atividade desde a década de 1950, quando deixou Santa Rosa do Viterbo, cidade do Interior paulista, na região de Ribeirão Preto, perto da divisa com Minas Gerais, para estudar Jornalismo em
São Paulo na Faculdade Cásper Líbero, inaugurada em 1947 e até então a única do gênero no País. Ainda estudante, começou a trabalhar na Rádio Bandeirantes escrevendo notícias para leitura por um locutor durante a madrugada.

Continuar a ler

Viagem Medieval 2015 – Santa Maria da Feira

Enquanto filho segundo, o jovem Afonso, sem pretensões ao trono, decide viver na corte de sua tia D. Branca, em França, colocando-se ao serviço do primo Luis IX. Adquire o título de conde, pelo casamento com Matilde de Bolonha, e transforma-se num grande cavaleiro e num verdadeiro senhor feudal.

Em 1246, o reino português encontra-se em completa anarquia, obrigando a Santa Sé a intervir. O papa retira a governação a D. Sancho II e nomeia governador e defensor do reino o seu irmão, conde de Bolonha que recebe a coroa em 1248, após a morte do rei.

Continuar a ler

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

logo MIL 300Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 30 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org.

Portal: http://www.movimentolusofono.org
Blogue: http://www.mil-hafre.blogspot.com
Páginas “facebook”:
http://www.facebook.com/groups/2391543356/
http://www.facebook.com/groups/168284006566849/
Nossos vídeos:
http://www.youtube.com/movimentolusofono

5 juillet 1845. Un commissaire dresse un constat d’adultère à Léonie Biard surpris avec Victor Hugo

La jeune femme, épouse d’un sculpteur célèbre, est jetée en prison, tandis que l’écrivain, pair de France rentre chez lui
FRÉDÉRIC LEWINO ET GWENDOLINE DOS SANTOS

Hugo

L’aube du 5 juillet 1845 ouvre un oeil sur un Paris alangui. Léonie Biard, 25 ans, et Victor Hugo, 43 ans, dorment tendrement enlacés dans la garçonnière que le tout nouveau pair de France vient de louer passage Saint-Roch. Pauvre poète, il lui faut bien se consoler : son épouse, Adèle, se refuse à lui depuis longtemps, et sa maîtresse, Juliette, lui est devenue aussi banale que Valérie Trierweiler à un certain président…. La nuit a été épuisante même pour un Victor à la quarantaine ardente.
Cette nuit encore, il a enchaîné de multiples orgasmes. Bref, Victor et Léonie dorment paisiblement quand ils sont réveillés en sursaut par une avalanche de coups contre la porte. Ils sont affolés. Est-ce juge Claire Thépaut qui débarque pour les mettre en examen ? “Au nom du roi, ouvrez la porte !” entendent-ils hurler. Ils se regardent de nouveau, cette fois consternés, car ils comprennent que celui qui frappe comme un sourd n’est autre que le commissaire du quartier. Ils ne peuvent qu’ouvrir la porte pour le faire entrer, accompagné du mari cocu, le peintre Auguste Biard. Ce dernier veut punir sa jeune épouse d’avoir entamé une procédure de séparation.
Victor Hugo a beau se faire connaître, répéter qu’il vient d’être nommé pair de France, le commissaire poursuit la procédure. “Vous seriez un ex-président de la République, ce serait le même tarif,” précise ce dernier… En fait, à l’époque, tromper son époux constitue un crime ! Heureuse époque… Léonie Biard est aussitôt arrêtée et emmenée à la prison Saint-Lazare, réservée “aux prostituées et aux femmes coupables d’adultère”. Victor Hugo ne peut lui éviter cette infamie. Quant à lui, son statut de pair de France le met à l’abri de toute poursuite. C’est déjà ça. “Ses lèvres se collent sur ma bouche”

Continuar a ler

Olhando o Sofrimento dos Outros, de Susan Sontag

Print«Sábio e sombrio. No seu testemunho final, Sontag reconhece que existem realidade que nenhuma imagem pode transmitir»
Los Angeles Times Book Review

Este foi o último livro de Susan Sontag a ser publicado antes da sua morte, em 2004. É considerado por muitos uma continuação ou uma adenda aos Ensaios Sobre Fotografia (também publicado pela Quetzal), apesar de os dois livros terem opiniões sobre fotografia radicalmente diferentes. Este longo ensaio dedica-se sobretudo à fotografia de guerra. Enquanto desmonta uma série de lugares-comuns no que concerne as imagens de dor, horror e atrocidade, Olhando o Sofrimento dos Outros se, por um lado, reafirma a importância das mesmas, por outro, mina a esperança de que estas consigam comunicar alguma coisa de substancial. Por um lado, a narrativa e o enquadramento conferem às imagens o grosso do seu significado; por outro, os que não passaram por essas experiências tremendas «não são capazes de compreender, não são capazes de imaginar» o que essas imagens representam.

Continuar a ler

Na Corda Bamba, de Saul Bellow

k_corda_bamba1_5O primeiro romance de Saul Bellow, com uma nova edição para assinalar o centenário do seu nascimento.

Escrita em forma de diário, a história centra-se na vida de um jovem desempregado de nome Joseph, na sua relação com a mulher e os amigos, e na frustração que sente em viver em Chicago e na espera da chamada para a guerra. Documento confessional e filosófico, este diário é a súmula de todos os seus pensamentos, todas as suas reflexões. Termina com a convocatória para a tropa, em plena Segunda Guerra Mundial, e com a expectativa de que a vida militar lhe venha a trazer algum alívio ao seu sofrimento.

Continuar a ler

Poesia marginal e filosofia do Brasil no XIII Parlamento de Escritores da Colômbia | Valdeck Almeida de Jesus

valdeckBaianos estão entre convidados do mundo inteiro para o encontro que vai debater literatura, cultura e políticas culturais

O evento acontece de 12 a 15 de agosto, em Cartagena das Indias, com participação de autores de várias partes do mundo. Os brasileiros apresentarão um panorama da poesia contemporânea, da poesia marginal e da filosofia. Valdeck Almeida de Jesus, jornalista e poeta, fará leitura de textos do livro “Poesias ao vento: vinte poemas de amor e uma crônica desesperada”, de sua autoria, ilustrado por Zezé Olukemi. A obra tem edição bilíngue, português e espanhol e registra impressões de um amor que dura uma eternidade. Na condição de Cônsul do parlamento, Valdeck Almeida representa neste palco de debates a União Baiana de Escritores – Ubesc, o Projeto Fala Escritor, Sarau da Onça e Grupo Ágape, bem como demais entidades a que pertence. Maria Prado de Oliveira, escritora, atriz, filósofa, produtora e gestora cultural, apresentará o conto “Umas acadêmicas”, de seu livro “Urbanos, Humanos, Estranhos…”. O terceiro convidado, Luiz Menezes de Miranda vai apresentar um resumo da história do Sarau da Onça, coletivo de escritores, poetas, rappers e outras artes de Sussuarana, periferia de Salvador-BA.

Continuar a ler

Inscrições abertas para campo de férias artístico em Minde | Festival Materiais Diversos

logo_md_alta_cor-250pxNovo espaço de laboratório culmina com apresentação na 7ª edição do fMD

Estão abertas as inscrições para o Ninhou Arts Summer Camp, uma escola de Verão de artes performativas, de criação e formação. Trata-se de um novo projecto da associação Materiais Diversos que decorrerá anualmente, em Setembro, antecedendo o Festival Materiais Diversos (fMD) e culminará com uma apresentação pública no decorrer do evento, a 12 de Setembro.

Na 1ª edição deste laboratório, que tem lugar entre 3 e 13 de Setembro de 2015, Miguel Pereira é o criador convidado, acompanhado por Teresa Silva (coreógrafa e bailarina) e Paula Caspão (dramaturgista e investigadora).

Miguel Pereira é um criador português da área da dança, que reúne uma vasta experiência em formação e coaching em diversos contextos, nomeadamente enquanto colaborador regular do Fórum Dança e do Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance. Valorizando processos fortemente ancorados no trabalho de pesquisa e criação que culminarão numa apresentação pública, este ano seguimos Miguel Pereira num laboratório atento às fronteiras entre o real e o ficcional, o natural e o artificial, tirando partido das características singulares da Vila de Minde. Nesta linha, serão ainda equacionados e integrados no processo os diversos modos de relação com a figura do espectador, construindo e desconstruindo o protocolo teatral.

Por ocorrer parcialmente em paralelo com o fMD, o Ninhou Arts Summer Camp dará ainda aos participantes a oportunidade de assistir gratuitamente e discutir espectáculos e de experienciar a dinâmica fMD juntamente com artistas e públicos. Será privilegiada uma total integração entre prática e teoria e um questionamento sobre as motivações destes jovens para criar “aqui e agora”.

Este ano, o fMD, festival internacional de artes performativas (dança, teatro e música), realiza-se de 10 a 19 de Setembro, entre Torres Novas e Minde (Alcanena), com uma vibrante oferta cultural que conjuga as dimensões local, nacional e internacional.

Mais informações e inscrições em:
http://www.materiaisdiversos.com/index.php/ninhou_arts_summer_camp

O Minotauro Global | YANIS VAROUFAKIS

YanisNeste livro memorável e provocador, Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, desconstrói o mito de que o financiamento, a regulação pouco eficaz dos bancos, a ganância e a globalização foram as principais causas da crise global que se abateu nos últimos anos. Em vez disso, Varoufakis afirma que as causas têm origem na crise de 1929, passando pela década de 1970: o período em que nasceu o «Minotauro Global». Assim como os gregos mantiveram um ciclo contínuo de tributos à besta de Creta, também a Europa e o resto do mundo começaram a enviar incríveis quantidades de capital para a América e Wall Street. Assim, o Minotauro Global tornou-se o «motor» que puxou a economia mundial desde o começo da década de 1980 até ao colapso financeiro de 2008. A profunda crise europeia que hoje sentimos é apenas um dos sintomas inevitáveis relacionados com o enfraquecimento do Minotauro, de um «sistema» global que se encontra tão insustentável como desequilibrado. Indo para além disto, Varoufakis expõe as opções disponíveis para que consigamos dar um pouco de racionalidade numa ordem económica global altamente irracional. Um testemunho essencial dos acontecimentos socioecónomicos e histórias secretas que alteraram o mundo.

Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit

PrintEsta Distante Proximidade, nomeado para o National Book Award, é como uma boneca russa – cada história contém histórias e os capítulos espelham-se uns aos outros. Uma narrativa riquíssima, luxuriante de incidentes e surpresas.
O que ela fez com os alperces, com a memória da mãe em desagregação, com um convite para a Islândia, e com uma doença é a matéria-prima bruta deste livro. Mas Rebecca Solnit vai muito além da sua própria vida, entrando em histórias que ouviu e leu, levando-nos para dentro da vida de outras pessoas: um canibal do Ártico, o jovem Che Guevara entre os leprosos, uma artista islandesa e o seu labirinto, um músico de blues que se cura da bebida com as histórias que conta a si mesmo. Assim, somos transportados através do frio e do calor, da generosidade e da imaginação, da distância e da empatia.

Continuar a ler

«Primeiras Vontades – Da liberdade política para tempos árduos» | André Barata

foto andré barataComo queremos continuar a História?

Os ensaios do livro “Primeiras vontades – Da liberdade política para tempos árduos”, de André Barata, procuram defender «escolhas humanas que deem um futuro à História, através do pensamento sobre a liberdade política de Jean-Jacques Rousseau, Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Jacques Rancière, Jean-Paul Sartre e Slavoj Žižek», explica o autor.

E também, acrescenta, «escolhas por uma continuação da ideia de tolerância, pelo prosseguimento de uma narrativa moderna, por apressada que tenha sido, para Portugal, e pela defesa de um conceito de espaço público, todas elas escolhas que são continuidades de uma modernidade a retomar».

«Em tempos em que se atropelam declarações de últimas vontades, há que escolher como se os tempos fossem imaginativos e nos movessem vontades de tempos novos. Estas são as primeiras vontades para uma vida humana digna.»

Como queremos continuar a História?
Excerto do prefácio

1.

Vivemos tempos árduos. Depois de todos os óbitos anunciados, da literatura e seus autores, de deus até; depois de todos os fins, da arte, da política, mesmo da história, restaria, talvez, antes do pó da terra, a resignação de umas vontades últimas, a capitular sobre o humano que fomos, às vezes até com grandeza.

Mas, será mesmo o fim dos tempos o que nos aguarda?

Desde que a crise se instalou no opulento Ocidente, em várias escalas da coexistência humana, vive-se sem projeto de comunidade. Administramo-nos e somos administrados pela racionalidade da eficácia, diminuídos à condição de meios a proporcionar o fim da eficiência. Um esquema societário da subtração hegemoniza-se sob o fundamento duplo de que, na ordem dos factos, o mundo não basta para todos e de que, na ordem dos valores, não devemos dar por garantido nenhum direito adquirido quanto à existência digna no mundo.

André Barata

Esta subtração é ainda a indicação precisa da ruína da condição de uma pós-modernidade que, ao engendrar o relativismo cultural, pelo menos tinha o mérito de subscrever um entendimento generoso e multiplicador da existência. Mas não, a mudança das condições que a sustentavam foi também a ocasião para um acerto de contas com os modos de vida pós-modernos. Numa rotação excessiva, esses mesmos modos de vida, com o seu ideário relativista, rapidamente passaram a responsáveis pelas dificuldades do Ocidente. Os tempos endureceram e, sem relatividade ou perspetiva, entre aqueles que teriam culpas no cartório estariam os pós-modernos. A História recente emudeceu-os.

Continuar a ler

As Palavras Interditas | Eugénio de Andrade

eugenio de andrade

Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

 

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te… E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa”

Truques para o Minecraft, Megan Miller

Truques de MinecraftNo Minecraft, o risco de um ataque está sempre presente, e portanto todos os jogadores têm de saber como construir armas, montar armadilhas e fugir de qualquer perigo.
Com este novo guia não oficial, aprenderás a defender as tuas propriedades, a afugentar os mobs hostis e enfrentar outros monstros, como zombies, aranhas ou esqueletos.
Repleto de conselhos de especialistas, todo o tipo de truques práticos e mais de uma centena de écrans do jogo reproduzidos, Truques para Minecraft – Edição Combate mostra-te como os jogadores mais treinados se defendem dos ataques de diversos inimigos.
Este guia, escrito por um guru do Minecraft, explica todos os truques e técnicas que os jogadores devem conhecer para descobrir todas as possibilidades que oferece o videojogo.

Odes (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 – 8 AC)

horacio - poetaTu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
——————————————————-
Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses
tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. Tão
melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos
invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas
rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço
breve, cortes a longa esperança. Enquanto estamos falando, terá
fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confia no de
amanhã.

Da experiência nas esplanadas | Inês Salvador in Facebook

InesAcredito pouco na qualidade do silêncio. Quem não diz nada é porque não tem nada para dizer. É ver o desembaraço a falar dos sapatos da zara e das almofadas do ikea, do Benfica e da cor do carro. Sobre política, religião e sexo não se fala, porque disso não se fala. Está tudo dito. Nos Estados Unidos é tudo bom, a religião islâmica é toda má e só não vimos de Paris no bico de uma cegonha, porque as pessoas agora já fazem o que querem. Mas das pessoas também não se fala, não vá isso descambar para a política, religião ou sexo. Dos outros é que já se fala com o mesmo desembaraço com que se fala das almofadas do ikea, “essa gaja anda desaparecida, deve andar metida com algum”. E nisto continuam todos de acordo. Sobre o que suscite opinião diversa é que não se fala. Se não estiverem todos de acordo estraga-se a tarde. Este país, Portugal, é uma vergonha, só neste país é que isto acontece. “Isto” é uma abstração que serve para tudo neste Portugal que é de outros portugueses, nunca dos portugueses intervenientes na conversa. Ser português parece ter a fatalidade de uma visita de estudo da lição que não se estuda. Uma espécie de turismo conformado em que os outros é que sabem. Os outros, os políticos, que eles é que quiseram ir para lá. Os caracóis é que não estão maus. E a gaja que não atende o telefone, deve andar mesmo metida com algum. Chegam os cafés que se tomam em separado. Mulheres para um lado, homens para o outro, sentados à mesma mesa, porque a conversa tem género e fora do género não há nada para dizer.

Caiu o homem da cadeira, mas pouco.

Minderico | Dicionário Bilingue Piação – Português

Livro PiaçãoTitulo: Dicionário Bilingue Piação – Português

Autores: Ferreira, Vera / Schulze, Ilona / Carvalho Vicente, Paulo / Bouda, Peter

ISBN: 978-989-97819-0-0

Editora: CIDLeS

Sinopse

O Dicionário Bilingue Piação – Português, criado e editado pelo CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, é o primeiro dicionário de minderico no sentido lexicográfico do termo. O minderico é uma língua ameaçada falada em Minde e Mira de Aire, Portugal, (código ISO [drc]), por uma comunidade de 150 falantes activos e 1000 falantes passivos. Este dicionário bilingue e bidireccional (Minderico – Português / Português – Minderico), com um total de 2254 entradas, não se limita à versão impressa, sendo acompanhado também por uma versão digital multimédia adquirida automaticamente com a compra desta obra. Através da versão digital terá acesso a um conjunto de informações adicionais que complementam a edição em papel, nomeadamente elementos áudio de cada lexema, exemplos contextualizados com áudio, vídeos que exemplificam a utilização da língua, fotografias e detalhes extra que contextualizam e fundamentam a etimologia de cada lexema.

Elaborado numa perspectiva interdisciplinar, o dicionário, ao contrário dos demais, alia a história, os estudos culturais e sociais e a informática à linguística. Para tal foi feita uma inventariação exaustiva do léxico minderico, recorrendo sempre a dados primários (resultantes do trabalho directo com os informantes sob a forma de entrevistas (livres e com estímulo) e gravações de eventos comunicativos com e sem participação activa do investigador), a fontes linguísticas, históricas, geográficas e culturais existentes e a resultados de investigação anteriormente desenvolvida. Os dados primários, complementados com dados secundários já existentes (como por exemplo, as explicações de alguns lexemas apresentadas pelos autores/editores dos glossários desenvolvidos no passado pela comunidade), permitem-nos retratar de forma mais fidedigna a realidade linguística que o minderico representa.

Mais do que um simples dicionário, o Dicionário Bilingue Piação – Português é uma enciclopédia do minderico.

LINK para aquisição online: http://www.cidles.eu/shop/order-dicion%C3%A1rio-bilingue-pia%C3%A7%C3%A3o-portugu%C3%AAs/

Lettre d’Albert Einstein à Django Reinhardt

Django-800x600

15 Septembre 1946

Cher Monsieur Reinhardt,

En Juillet dernier, je fus convié à participer à New York à un colloque sur la paix dans le monde. Le soir venu, avec quelques amis, nous nous sommes rendus au Café Society à Greenwich village afin d’assister au concert donné par Duke Ellington, car on nous avait informé que vous étiez maintenant membre de son orchestre et telle ne fut pas notre surprise de constater votre absence. À la fin du concert, j’allais féliciter Monsieur Ellington pour sa prestation pianistique et la grande qualité de son orchestre.

Il nous présenta la très chaleureuse Rosetta Tharpe qui assurait la première partie de la soirée. C’est une femme très douée, pourvue de grandes qualités morales s’accompagnant d’une étrange guitare, possédant en son centre une espèce de couvercle de métal vibrant engendrant un son envoûtant correspondant parfaitement à son répertoire au caractère très spirituel.

Continuar a ler

Fábula política para principiantes | António Guerreiro in “Público”

ag-1fe7Numa sociedade ideal, cujas leis fossem a delicadeza, a cortesia e a afabilidade, num mundo sem constrangimentos nem fricções que fosse a combinação de todas as possibilidades compatíveis, de tal modo que o resultado fosse a bondade máxima, nesse mundo descrito por Leibniz, na suaMonadologia, como o melhor dos mundos possíveis, Daniel Oliveira reuniria as suas crónicas num volume intitulado A Década dos Psicopatas e teria Marcelo Rebelo de Sousa a fazer a apresentação do livro.

 Nos convites e nos comunicados à imprensa haveria de ler-se: “Deus calcula e o mundo faz-se”. Mas essa luz fina que emana do sistema leibniziano, onde tudo concorre para uma ordem hierarquizada e harmoniosa, não penetra onde há política, nem sequer ilumina os doces costumes da democracia.

Ainda assim, sem ser preciso supor a existência desse mundo — onde tudo se faz e se desfaz por correspondências, harmonias e concordâncias — vamos ter na mesma Marcelo Rebelo de Sousa a apresentar os Psicopatasde Daniel Oliveira. Sob tais condições, o acontecimento não é propriamente uma mónada, um mundo fechado sem portas nem janelas, mas uma escancarada fábula política do nosso tempo.

Continuar a ler

Citando Woody Allen

Woody-Allen-Workout-Routine-and-Diet-PlanNa minha próxima vida, quero viver de trás para frente. Começar morto, para despachar logo o assunto.

Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num spa de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois:  Voilà!  – desapareço num orgasmo.

História da Literatura Europeia, uma nova e fundamental disciplina | Adelto Gonçalves

Adelto-GoncalvesI

Distinguir História da Literatura de História Literária é tarefa das mais difíceis porque, muitas vezes, ambos os termos podem parecer sinônimos, mas esse é um ledo engano em que muitos historiadores costumam escorregar. Assim, História da Literatura seria a sequência de narrativas, autores, estilos literários e teorizadores de poéticas literárias, enquanto História Literária constituiria a disciplina que estuda a Literatura de um ponto de vista histórico. Ou ainda a compreensão da Literatura através dos seus contextos (políticos, econômicos, culturais).
Feitas estas distinções, Maria Luísa Malato, professora de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica Geral da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mestre e doutora em Literatura Comparada, partiu para compor História da Literatura Europeia: uma introdução aos Estudos Literários (Lisboa, Quid Júris, 2008), que desde o seu lançamento há sete anos tem constituído livro de referência na área e presença obrigatória na bibliografia dos cursos de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica nas universidades portuguesas.
Aliás, alguma editora brasileira deveria celeremente também publicar esta obra para que cumpra o mesmo caminho nas faculdades de Letras das universidades brasileiras, especialmente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), pois seria um complemento imprescindível ao que se lê em Literatura Comparada (São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000), da professora Sandra Nitrini.
Até porque os países de língua espanhola e portuguesa tomaram como modelo outras literaturas europeias, sobretudo a francesa, ainda que, a partir de certo momento no século XX, a literatura norte-americana tenha se tornado para os literatos desta parte do globo um novo polo de atração. Seja como for, é impossível estudar as literaturas do Brasil e dos países da América hispânica sem levar em conta as suas ligações com as diversas literaturas do continente europeu.

Continuar a ler

Voltar a Keynes para resolver a crise actual

keynes_300415Dois prestigiados professores, do MIT e de Oxford, pegaram na teoria de Keynes e encontraram soluções para a economia de hoje.
Recuperar os conceitos de Keynes para resolver os problemas da economia actual não é uma ideia nova. Vários políticos têm falado sobre isso. E agora dois conceituados professores de Economia: Peter Temin e David Vines , um do MIT e outro da Universidade de Oxford, escreveram um livro onde recorrem às ferramentas keynesianas para explicar como solucionar os principais problemas macroeconómicos do mundo de hoje e da crise económica global. Em “Keynes – Uma teoria útil à economia mundial”, os autores usam esta argumentação para defender o fim da austeridade nos países do Sul da Europa.

Continuar a ler

Festival de Jazz de Minde | 11.ª edição | 8,9 e 10 de Maio 2015

jazzmindeO norte-americano Leburn Maddox abre, na sexta-feira à noite, a 11.ª edição do Festival de Jazz de Minde, iniciativa que tem palco principal numa antiga fábrica têxtil nesta vila do concelho de Alcanena.
O programa de sexta-feira inclui ainda a banda espanhola The Blast e uma “Jam Blues Star Fest”, “com muitos músicos nacionais e de Espanha liderados por Pedro Tatanka”, afirma a organização deste certame no distrito de Santarém.

No sábado, além da estreia nacional do projeto “Wonder Wheel”, de André Fernandes com Mário Laginha, o vibrafonista Jeffery Davis apresenta “LiftOff”, projeto iniciado em 2001 com Óscar Graça (piano).

O Festival de Jazz de Minde nasceu de uma homenagem feita em 2004 ao mestre Jaime Chavinha, mas a aceitação do público fez com que, cumpridas 10 edições, “seja considerado e referenciado como um dos melhores festivais de jazz da zona centro do país”, sublinha a organização.

“Muitos e bons músicos já passaram pelos palcos do JazzMinde, e, degrau a degrau, o festival tem vindo a pautar-se como um evento de prestígio e grande qualidade artística, com uma atmosfera muito `sui generis` e com um público muito entendido e entusiasmado”, realça a nota de apresentação do festival.

Continuar a ler

Jaula de Aço | Max Weber

Max_WeberEm 1920, Max Weber antecipou uma implacável racionalização da vida, amputada do seu lado afectivo. Isto seria o resultado de uma modernidade regida só pelo lucro.
Em vez de ser vivida como uma emancipação, esta mudança levaria a uma total submissão aos desejos e aos bens materiais, que o sociólogo alemão simbolizara pela imagem da “jaula de aço”.

 
Para Weber, “a preocupação com os bens exteriores não devia pesar sobre os nossos ombros (…) a não ser como um sobretudo ligeiro que a qualquer momento podemos despir.”
A fatalidade transformou o sobretudo de Weber numa “jaula de aço”.

A religião na escola pública | Anselmo Borges, Padre e Professor de Filosofia, in “Diário de Notícias”

anselmo-borgesQuantos cristãos saberão que, se Adão e Eva fossem figuras reais e nossos contemporâneos, precisariam, para viajar para o estrangeiro, de um passaporte iraquiano? Quantos se lembram de que Abraão, que está na base das três religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo, islão -, possuiria igualmente nacionalidade iraquiana? Quantos se lembram de que os primeiros capítulos do Génesis, referentes ao mito da criação e da queda, se passam na Mesopotâmia, onde mergulham algumas das nossas raízes culturais? Há guerras em curso, também por causa da divisão entre xiitas, sunitas e jihadistas. Mas quem conhece essas divisões e a sua origem e importância históricas? Qual é a relação entre religião e violência, religião e política, religião e desenvolvimento económico?

Há já alguns anos, Umberto Eco, agnóstico, lamentava-se: “Nas escolas italianas, Homero é obrigatório, César é obrigatório, Pitágoras é obrigatório, só Deus é facultativo. Se o ensino religioso se identificar com o do catecismo católico, no espírito da Constituição italiana deve ser facultativo. Só lamento que não exista um ensino da história das religiões. Um jovem termina os seus estudos e sabe quem era Poséidon e Vulcano, mas tem ideias confusas acerca do Espírito Santo, pensando que Maomé é o deus dos muçulmanos e que os quacres são personagens de Walt Disney…”

Continuar a ler

Colossal Falhanço | Nicolau Santos, in “Expresso”, 11/04/2015

nicolau-santos-d3e1Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou.

1 A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.

Continuar a ler

ENCONTRO DE ANTIGOS ALUNOS DO COLÉGIO LA SALLE | 30 MAIO 2015 | A PARTIR DAS 9:30

lasalle_568x240

 

PROGRAMA

(sujeito a alterações)

 

09:30h – Acolhimento

10:00h – Missa

11:00h – Assembleia Geral

12:00h – Apresentação da Rede de Associações de Antigos Alunos – Presidente de “La Salle – Asociaciones de Antiguos Alumnos de España y Portugal: José Ramóm Batiste  e Apresentação do livro “Terras de Ninguém” de Santana Maia Leonardo.

13:00h – Almoço

15:00h – Tarde Animada:

. Desporto (Spiribol, basquetebol, Jogos tradicionais e Futebol Salão)

. DJ Tony

. Grupo de Gaiteiros LaSalle de Santiago de Compostela

. workshop de Danças do Mundo com Mirjam Dekker

. Sessão demonstrativa de Jiu-jitsu com Guilherme Gonçalves

. Queimada Galega e Conjuro das Bruxas

18:00h – Encerramento

Continuar a ler

10 estratégias de manipulação da mídia | Noam Chomsky

Noam_Chomsky

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As grandes estratégias da manipulação mediática por Noam Chomsky

1 – A Estratégia da Distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto ‘Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas’).

2 – Criar problemas e depois oferecer soluções.

Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

Continuar a ler

José Gil | “Passos tem medo de existir e não é capaz de mobilizar a excelência”

ng1265343Falta uma liderança mais ativa em Portugal, critica o filósofo e pensador José Gil, certo de que é preciso alguém capaz de “propor ideias” e “criar entusiasmo”.

Para o filósofo português José Gil, Portugal precisa de “pensar numa nova teoria do poder, uma nova organização que repense a democracia”.

Esta teoria deve ser assente numa base mais ativa, dado que no país não existe atualmente essa vocação. “Pensamos, ponderamos, voltamos a pensar e não saímos da não ação”, afirma, criticando também o facto de as elites terem “falhado em Portugal”.

“Cresci na ideia de que o território político deveria ser ocupado pelos melhores, pelas elites”, afirma ao jornal i, referindo que o problema das elites é “a enorme promiscuidade que existe entre a política e os outros domínios da inteligência e do saber”.

Ressalva, ainda, que os nossos políticos não pertencem à elite e que “são homens normais”. Exemplo disso é Passos Coelho.

“Passos Coelho tem medo de existir, não é um líder capaz de mobilizar a excelência”, defende, criticando também António Costa por estar “a um passo de não ser também o homem de que precisamos”.

Apesar disso, refere que não ficará surpreendido se o primeiro-ministro for reeleito nas eleições legislativas. Vitória essa que será o resultado do “falhanço de Costa” e da “volatilidade do povo português, a facilidade com que muda de posição”.

FONTE: http://www.noticiasaominuto.com/politica/360863/passos-tem-medo-de-existir-e-nao-e-capaz-de-mobilizar-a-excelencia

“Congresso da Cidadania. Ruptura e Utopia para a Próxima Revolução Democrática”

cdc

Celebramos os 40 anos do 25 de Abril. Durante um ano celebrámos os valores de Abril de Liberdade, de Justiça, de Solidariedade. Durante um ano a Associação 25 de Abril promoveu, incentivou, acompanhou e participou em acções onde os portugueses, por todo o país e onde quer que se encontrem no mundo, reafirmaram a sua vontade em construir uma sociedade regida pelos valores do que se pode resumir a uma palavra: dignidade.

Dignidade foi o objectivo que os militares referiram desde os primeiros tempos da conspiração que iria culminar no acto decisivo em 25 de Abril de 1974. Logo nos seus primeiros documentos de intenções, os militares do 25 de Abril afirmaram o seu propósito de restituir a dignidade ao povo português. Era essa intenção que os motivava. Era essa, como é hoje, a força que os determinava e determina.

Os três “D” contidos no Programa do MFA são os da Dignidade. Democratizar, para derrubar uma ditadura que oprimia e infamava a dignidade de homens e mulheres livres. Desenvolver, para assegurar a vida digna a cada um dos cidadãos, a dignidade de ter educação, uma habitação, um trabalho justamente remunerado, assistência na doença, na invalidez, na velhice, a dignidade de relações económicas que impeçam a indigna oposição entre os que tudo têm e os que nada possuem. Descolonizar, para que Portugal se integrasse como uma Nação digna na comunidade internacional, respeitando o direito dos outros povos, conquistando para si um lugar entre os que defendem a paz, o respeito pelos valores, a supremacia do entendimento, a criação de um sistema internacional que promova uma justa troca de bens e riquezas, que promova o desenvolvimento sustentado.

Continuar a ler

Citando Leonel Moura

António Costa na Comissão Parlamentar das Obras PúblicasO “lapso” de António Costa num encontro com empresários chineses, ao dizer que Portugal está melhor do que há quatro anos, o sentido é esse, deve entender-se em alguém que vai assumindo a condição de futuro primeiro-ministro. Não lhe cabe por isso dizer mal do país em frente a investidores estrangeiros. E muito menos fazer oposição numa ação de promoção e defesa do interesse nacional.

Que esse “lapso” tenha excitado os partidos de governo revela, por outro lado, um modo de fazer política que olha mais para a disputa eleitoralista do que para o empenho em fazer Portugal andar para a frente. Do mesmo modo, a indignação de alguns, até aqui, apoiantes de Costa também não se entende. É não conseguir distinguir o essencial do acessório, nem perceber que a caminhada para uma vitória eleitoral implica a capacidade de mobilização de muitos setores, nem sempre coincidentes. O investimento chinês é muito importante. E desde logo numa perspetiva de diversificação. Não pôr todos os ovos no mesmo cesto é sempre um bom princípio de precaução.

Costa pode ter animado a direita e enfurecido algumas cabeças quentes. Mas mostrou que tem estofo para primeiro-ministro. E isso é que conta.

Leonel Moura in “Negócios Online”

Portugal em 2015 | José Pacheco Pereira

pacheco_rtpPortugal em 2015  está um país muito esquisito, amorfo e ao mesmo tempo zangado; cansado e ao mesmo tempo agitado, cheio de “criadores culturais” e ao mesmo tempo ignorante como nunca; egoísta, mas incomodado pelo seu egoísmo, com má consciência.

O Portugal urbano, precise-se. O rural move-se por outros mecanismos, mas não tem visibilidade a não ser na televisão aos domingos. O Portugal urbano de Lisboa, e, como o mal é contagioso, o do Porto vai a caminho. Coimbra continua muito solidamente provinciana e tem estudantes a mais. Muitos estudantes significam um deserto cultural extenso. Praxes, copos e Rosinha. A Rosinha ainda é o melhor.

Portugal, 2015 (2)
Olhe-se em volta. Nos cinemas dos centros comerciais (não há outros), a parte da Humanidade que é do sexo feminino faz fila para comprar bilhetes para ver um vago filme erótico, com chicotes e algemas, mas onde tudo é bonito, milionário, com gosto e controlado, asséptico. Parece que o sadomasoquismo chique está na moda entre as mulheres. Na verdade, não é uma grande novidade, mas presumo que os homens se interrogam sobre o que é que não tinham percebido nas suas mulheres, companheiras, namoradas, amantes e seja lá o que for. Vão continuar sem saber nada.

Portugal, 2015 (3)
A crise grega entra nas redes sociais por via da roupa do ministro Varoufakis. Discute-se o blusão de couro, o cachecol, as camisas de fora ou de dentro. Não admira. Muita da nossa inteligência feminina, metrossexual e gay gosta muito de discutir roupas e ocasionalmente gatinhos. Sendo assim, não admira que tenham passado dos sapatos Prada, dos fatos Armani e Boss do nosso ex-primeiro-ministro caído em desgraça, para a discussão contínua das gravatas e terminar na mais imbecil crítica feita alguma vez a Passos Coelho, a dos fatos suburbanos de segunda. Essa gente não se enxerga mesmo. É isto segredo para alguém, indiscrição, boato, ou má língua? Não, não é. É o conteúdo habitual desse ruído moderno do Twitter e do Facebook, feito por gente que diz abominar a Caras e a Lux e faz muito pior.
Portugal, 2015 (4)
O que tem mais graça, aliás o que é mais ridículo, é que esta gente que discute roupas, restaurantes e outros ademanes da cultura urbana, que fazem a Time Out ganhar a sua vida (honestamente), é toda muito de esquerda, muito de causa dos costumes, muito do social, muito modernaça. Seja dito, no entanto, que há também uma fauna de direita, muito “ajustadora”, que é exactamente igual. Aliás dão-se bem e exercem activamente a boa prática do fishing for compliments, ajudando-se uns aos outros na luta pela vida.”

 

PACHECO PEREIRA – retirado do Facebook

A nova direita | António Guerreiro

ag-1fe7Os Intelectuais de Direita Estão a Sair do Armário é o título de uma reportagem de Paulo Moura publicada na revista 2, do PÚBLICO, no passado domingo. Tal título veicula a suposição de que o pensamento de direita foi reprimido ou levado a um regime de auto-limitação, tendo finalmente chegado o momento da sua libertação e afirmação pública. Pensar assim é um equívoco. A direita apresentada na reportagem não coincide com a direita dura, tradicional, que se sucedeu sob várias formas ao longo do século XX (essa nem precisou de se esconder no armário porque morreu de morte natural). Trata-se de uma nova direita, que emergiu publicamente em Portugal apenas um pouco mais tarde do que noutros sítios, como acontece geralmente com muitas outras coisas, mas sem ter de transpor quaisquer obstáculos. A sua emergência dá-se sobre as ruínas da esquerda, quando todo o Ocidente virou à direita e se tornou óbvio que a maior parte dos objetivos da esquerda não se conseguiram impor e muitas das suas laboriosas conquistas recuam a grande velocidade, como mostrou um dos primeiros analisadores desta Neodestra, o italiano Raffaele Simone, num livro que teve um enorme eco, mesmo fora de Itália: Il mostro mite. Perché l’Occidente non va a sinistra (“O monstro brando. Porque é que o Ocidente não segue para a esquerda”). A tese de Raffaele Simone — retomando, aliás, ideias que vêm de longe — é a de que o mundo é naturalmente de direita e, por isso, esta, para existir, só precisa de preservar uma posição “naturalista”, enquanto a esquerda é um artifício, uma construção abstracta. As esperanças que ela anuncia representam um resultado contra natura, por isso têm de ser objeto de laboriosa construção política e teórica, projectando-se num horizonte utópico. A esquerda está sempre do lado do devir, da criação de um direito; a direita naturalista preserva direitos constituídos e responde a determinações realistas. Esta nova direita é, pura e simplesmente, um realismo. Por isso é que não precisa de grandes elaborações teóricas e a sua afirmação, como mostra muito bem a reportagem de Paulo Moura e os depoimentos que recolhe (nomeadamente, os de António Araújo), faz-se privilegiadamente nos media. Esse é o seu ambiente “natural”: o da comunicação, o do divertimento, o da burguesia como classe universal. Ela não precisa de construir um pensamento, só precisa de seguir uma cultura difusa e dispersa, de não interromper o entretenimento, de alimentar o conformismo dos media, de seguir com eficácia a estratégia da sedução, de aproveitar a onda de desculturalização da política que a esquerda superlight decidiu surfar. Em suma, esta nova direita é a subjectividade desse “monstro brando” (como lhe chama Simone), tal como a soberania era, para Hobbes, a alma do Leviathan. Esta nova direita confunde-se de tal modo com um realismo que um dos seus representantes com grande destaque na reportagem de Paulo Moura é alguém como Henrique Raposo. Ele é mais do que realista, é hiperrealista; é mais do que naturalista, é a ausência de qualquer pensamento para não impedir o naturalismo; não precisa de ter um discurso, basta-lhe exibir um estilo, uma caricatura. Hoje, a questão verdadeiramente pertinente não é verificar, com algum equívoco, que os intelectuais de direita saíram do armário; é perceber que muito dos intelectuais que se afirmam de esquerda e falam em nome dela se converteram a essa cultura difusa da nova direita e aceitaram preencher as quotas de mediatização que esta lhe concede, aceitando um papel protocolar de “representação”. Também eles glorificam o novo realismo.

António Guerreiro in Jornal Público: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-nova-direita-1659581

A Rússia não faz milagres | VIRIATO SOROMENHO MARQUES

viriatoEm 1985 publiquei um livro sobre o risco de guerra nuclear limitada na Europa (Europa: o Risco do Futuro). A decisão de o escrever foi tomada na Alemanha, no verão de 1983. Assisti a um país determinado a defender a paz. Lembro–me de Oskar Lafontaine, presidente do governo SPD do Sarre, propor que Bona saísse da NATO para quebrar o que ficou conhecido como a “crise dos euromísseis”. Todos os especialistas que consultei me confessavam, em privado, ser inevitável, mais tarde ou mais cedo, uma guerra central com armas nucleares. O argumento era simples: a história ensina-nos que todos os impérios caem de espada na mão. Duas semanas depois da saída do livro, Gorbachev assumiu o comando da URSS. Então, aconteceu um milagre: Gorbachev preferiu salvar a paz, mesmo arriscando sacrificar o império soviético. Não só a Alemanha se reunificou, como a Rússia deixou, pacificamente, partir os seus aliados e fragmentar a sua federação. Gorbachev esteve em Berlim, para comemorar os 25 anos da queda do Muro. Mas ninguém o escutou quando este acusou o Ocidente de ter traído a Rússia, cercando-a com a NATO. A UE, ao patrocinar a insurreição de rua contra o governo legítimo de Ianukovich, violou uma regra básica das relações internacionais: não se humilha um potencial inimigo, se não o queremos enfrentar. As vozes ensandecidas no Ocidente que querem combater Moscovo, até ao último soldado ucraniano, não percebem que é a atual fragilidade da Rússia que faz aumentar a probabilidade de uma escalada bélica poder conduzir, no limite, a uma guerra nuclear na Europa. Na verdade, a mesma liderança medíocre que vai arruinar a zona euro, talvez acabe por deixar mergulhar a Europa num mar de ferro e fogo. O milagre soviético não terá uma segunda edição russa.

Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias

MIGUEL REAL | Alemanha é “a âncora de uma futura Europa”

Miguel RealMiguel Real afirma que Portugal é governado por uma classe política “relativamente medíocre”, numa União Europeia que se transformou “numa empresa de negócios” dominada por burocratas que esqueceram o sonho. Acredita que o futuro da Europa está na sua singularidade: a classe média, cujo “esteio” e “grande baluarte” do futuro é a Alemanha.

Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.

Olhando para o que poderá ser o mundo em 2284, Miguel Real questiona e reflecte sobre o presente, as opções, as tendências, as divergências, as diferenças, os conflitos, as contradições. É um retrato duro das sociedades modernas e dos riscos que elas comportam, em especial a Europa, sobre cujo presente este pensador tem um olhar crítico.

Ler entrevista:  http://www.publico.pt/politica/noticia/alemanha-e-a-ancora-de-uma-futura-europa-1686786

Elogio da Dialéctica | Bertold Brecht

bertolt-brechtA injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o mau começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos!

 

 

Quem ainda está vivo não diga: nunca!
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí algo que o retenha, liberte-se!
E nunca será: ainda hoje.
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Portugal e a Europa | As Premonições de Natália Correia

nc«A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista. A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará
os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!
Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente.
Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica. Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão.
Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores? As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir.»

Natália Correia

“O Botequim da Liberdade”, de Fernando Dacosta.

O SEU A SEU DONO | OS VENTOS DE MUDANÇA DA GRÉCIA | Rodrigo Sousa e Castro

SousaeCastro_WEB-894As ùltimas noticias que mostram uma acção de politica externa, determinada e consistente, dos novos dirigentes gregos, indiciam também que elas começam a dar frutos e parecem influenciar as relações de força na UE.
É necessário afirmar que essa politica externa, aparece como o instrumento fundamental da defesa dos interesses do Povo grego , e no caso do programa do governo de coligação.
Temos assim na Grécia uma geração de governantes, jovens mas mostrando uma invejável maturidade . Académicos de bases sólidas , demostram um inesperado patriotismo e um enorme sentido de solidariedade social.
Podemos então dizer que , neste inusitado caso, a prática democrática tradicional ( eleição de lideres por eleições tradicionais) coincide com a ascenção ao poder de gente de mérito.
É possivel pois atingir a Meritocracia através da prática da Democracia.
O contraste que esta situação mostra com a incompetência imaturidade e submissão sem regras ao estrangeiro da actual classe dirigente portuguesa é deprimente.
Os governantes actuais, a maior parte jovens impreparados e até imaturos, com cursos académicos de baixo valor tirados em escolas de reputação duvidosa, com carreiras partidárias e para partidárias fulltime, sem sentido patriotico e com maneirismos estranjeirados no pior sentido do termo , refugiam-se em justificações de natureza meramente ideológica para minimizarem a derrota da sua destruidora acção politica.
Esperar-se-ia , ao menos, que os dirigentes socialistas, particularmente ACosta, um veterano politico, tivessem uma atitude inteligente face ao que está a ocorrer.
A frase ” o PS não é o Syriza ” revela tanta imaturidade, como a anedótica observação do imaturo Passos Coelho ao referir-se ao programa de governo dum estado soberano com um enorme peso Histórico como é a Grécia.

 

Rodrigo Sousa e Castro

Grécia – “A revolta da classe média” – por Carlos de Matos Gomes in “A Viagem dos Argonautas”

Carlos de Matos GomesA crise financeira que começou em 2008 nos Estados Unidos com o subprime e que o sistema financeiro americano fez alastrar como um cancro para as dívidas soberanas da Europa, atacou principalmente aquilo que se designa por classe média e, em particular, as mais vulneráveis, as do sul da Europa, dos países que menos parcelas de produtos transaccionáveis de alto valor acrescentado colocavam (e colocam) no mercado global, os menos industrializados. Era pois natural que fosse esta “classe média” desprotegida e frágil a pagar as favas.

Classe média é um conceito pouco rigoroso, mas contém a ambiguidade que acabou por ser o fermento da revolta que teve a sua expressão nas eleições da Grécia e na vitória do Syriza. Classe média inclui os que têm rendimentos que lhe permitem aceder a um “certo” estatuto, ou que ganharam hábitos de consumo que os fazem julgar que pertencem a essa classe, ou que se sentem com direito a viver como se pertencessem. É um conceito diferente de ser rico, ou pobre, porque para a classe média não existe grande distinção entre o ter e o parecer. A crise destruiu essa ilusão. Quem deixou de ter, deixou de poder parecer que tinha. Passou da classe média à pobreza indisfarçável.

Continuar a ler

Trova do vento que passa | Manuel Alegre

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio – é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Versão integral do poema escrito em 1963 e incluído no livro Praça da Canção (1965). A versão musicada por António Portugal e cantada por Adriano Correia de Oliveira é um excerto, com a primeira e as duas últimas quadras.

A grande festa de ver gente a morrer | Manuela Gonzaga

sambenitos_jpegA propósito de civilizações e barbárie, nunca é demais recordar um passado europeu não tão remoto quanto isso. É que houve um tempo em que se morria no decorrer de espectáculos públicos, muito festivos e altamente concorridos, sob a acusação de cultuar outro deus. Ou de ironizar a seu respeito, pois a sátira levava gente à fogueira. Aqui. Em espaço europeu. Na Península Ibérica. Em Portugal. Quase que se pode dizer que foi anteontem. Ou ontem. Afinal, dois séculos, um século e meio, são pouca coisa na história dos povos com muita história escrita.

Recorde-se.

De 1480 a 1834 (Espanha) 1534 a 1821 (Portugal) funcionou uma instituição tida por modelar, responsável pela morte ritualizada de milhares e milhares de pessoas, pelo desaparecimento de muitas outras e pela conversão forçada ou expulsão dos reinos ibéricos de povos em massa. Mouros judeus ou gentios, estes sobretudo nos territórios ultramarinos, ou praticantes de outras fés, como os protestantes. Chamava-se Inquisição e com o tempo veio a tornar-se num verdadeiro Estado dentro do Estado, na asserção de que cumpriria desígnios divinos, utilizando todas as armas ao seu alcance para maior glória de Deus. Desde a oratória, à tortura nos cárceres ao público auto-de-fé. Mas sobre os procedimentos, todos os intervenientes eram compelidos a jurar segredo, dos réus aos executantes, passando por médicos, carpinteiros, parteiras, e todos os que tinham acesso aos cárceres, aos presos, aos processos. Quebrar tal segredo, pronunciado sobre os Evangelhos equivalia a cair sob a alçada do Santo Oficio.

O funcionamento da máquina era minuciosamente concebido. Exemplo: a primeira sessão, de genealogia, não elucida em nada o réu, posto que este não sabe de que é acusado, nem por quem. Pede-se-lhe que esquadrinhe a consciência e encontre as razões que o levaram aquela situação. É-lhe feito saber que o tribunal tem contra si provas eloquentes. Segue-se o total isolamento – o réu não fala com ninguém nem ninguém lhe dirige a palavra. E este indizível tormento moral e psicológico em breve dá lugar a outros procedimentos. A tortura física, que quebra corpos e consciências, e que nos cárceres do Santo Ofício complementa, com frequência, as sessões de interrogatório.

LER MAIS: http://gonzagamanuela.blogspot.pt/2015/01/a-grande-festa-de-ver-gente-morrer.html

Maria Isabel Fidalgo

Maria-Isabel-FidalgoE Deus criou o homem e inquietou-lhe os olhos. E Deus criou a mulher e deu-lhe a extensão da água e uma fiada de violetas na bainha do azul. E Deus criou o dia que fosse três vezes três. Depois Deus escondeu-se onde O procurasses. E foi maravilhoso!

Maria Isabel Fidalgo, dando os parabéns a uma grande amiga, in Facebook

A longa história de uma mentira | Mariana Mortágua in “Expresso Online”

mariana mortáguaMariana Mortágua |
7:00 Sexta feira, 17 de outubro de 2014

——————————————–
A anatomia do estrondoso declínio da PT é, também, a reconstituição de uma das mais longas e perniciosas mentiras que condicionaram o debate público em Portugal. A ideia que um pequeno país, sem liquidez e músculo financeiro, conseguiria manter os centros estratégicos sem o papel do Estado. Foi isso que nos “venderam” desde a primeira vaga das privatizações. O Estado é ineficaz a gerir empresas e, como tal, devia afastar-se da economia como o diabo foge da cruz.

O que importava, diziam-nos, era que os centros estratégicos ficassem em mãos portuguesas. Foi assim que o Estado vendeu por tuta e meia sectores inteiros da economia nacional, apenas para os vermos escassas semanas depois a serem transacionados a capitais estrangeiros com avultadíssimos lucros. O Totta e Açores, vendido a Champalimaud que logo se encarregou de o despachar para um dos maiores bancos do país vizinho, é apenas o exemplo mais falado, mas está longe de esgotar a lista.

As “golden share”, ou ações preferenciais que mantinham o poder de veto e de influência do Estado nas opções estratégicas das empresas, foram o passo seguinte. Mas até isso era demasiado, veio dizer-nos Pedro Passos Coelho e o seu liberalismo de pacotilha. O resultado está à vista.

Continuar a ler

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER | Ary dos Santos

natal 01
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

O Natal é quando um Homem quiser!

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

ARY DOS SANTOS

Boaventura de Sousa Santos |a Terceira Guerra é contra a Rússia

A US Air Force B-52 bomber
Bombardeiro B-52 equipado com armas atômicas. Para Boaventura, “várias agências de segurança [norte-americanas] fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear”

Washington provoca Moscou em três frentes, atiça possível conflito nuclear e ignora opinião da sociedade norte-americana. Em nome da “democracia”?

Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da UE. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 a Resolução 758, que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação da Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.

Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela e Irã). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.

O segundo componente é controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em Fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland, “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagámos para isso”. O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitima a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo midiático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em Fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?

Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando uma discrepância semelhante ou maior separa os cidadãos dos seus governos e da Comissão da UE, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/boaventura-a-terceira-guerra-e-contra-a-russia/

FLORBELA ESPANCA

Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os braços e viver a vida:
– Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa… em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!

Os 15 Cavaleiros da Tábua não redonda | De La Salle | Rudolfix Miguezz

Abrantes - Colégio La SalleDispostos a tudo e de novo chamados a acudir ao reino em dificuldades, reuniram pelo dia VI do mês do inverno do ano IV da desgraça DPPC, 15 cavaleiros discípulos do Rei Artur de La Salle. No castelo da grande Ordem da Engenharia do Sul, Sir Percival de Aires recebia a cavalaria que à medida que se despojava das armaduras e alinhava as espadas, se dirigia à tábua de queijos e enchidos. Sir Lancelot Vitix deu nas vistas envergando uma reluzente armadura, cerca de 10 números abaixo do habitual.
Haviam subido pelo El Vador ao sexto plano da Ordem,os cavaleiros:
Sir Rodrigo de Farin -Sir Zuniga Santo- Sir Roldan Felicius- Sir Alex de Camelot (vestia armadura de pele de camelo) -Sir Lopez Condeço -Sir Gillis Man -Sir Lucianus d`Àlmeida – Sir Paulus de Souza -Sir Parreirix -Sir Rudolfix Miguezz -Sir Antonius Senra- Sir Agria de Torres I- Sir Agria de Torres II,e os “grandes lideres” Sir Percival de Aires e Sir Lancelot Vitix
Devido a imprevistos logísticos, não puderam estar presentes, Sir Miguel De Bap Tista, Sir El Vino e Sir Paim de Bruges. Registámos no livro de honra, de entre outros, os nomes de Sir Taveira de Pinto em missão nos mares da china e Sir Zalberto Katarino de Medicis, ausentes por batalhas longínquas e maiores.
O mago Merlim servia pelo cálice Graal um místico elixir e dispunha a mesa em rectângulo, contrariando a tendência das mesas redondas que pululavam então, pelo reino da asneira.
Ser membro cavaleiro da ordem da Engenharia foi o ideal de muitos jovens de La Salle. Para honrar esse objectivo, conseguido por muitos, sentaram-se na tábua não redonda, 15 cavaleiros que tinham em comum e juraram defender, o espírito de La Salle. Para tanto, é necessário abater, periodicamente, uns tachos de favas, feijoadas, caldeiradas, ou tachos de outra natureza, o que fazem com destreza, e alegria, manejando habilmente facas e garfos, e contando dez Enas de vezes as mesmas anedotas do reino de La Salle!
O repasto servido e regado sem parcimónia, estava “ao ponto”, e teve como um dos pontos altos a introdução, pelo mago Merlim, da poção líquida piri-piri AGRA VI, vinda directamente daquele que viria a ser o reino dos All Graves. A condição respiratória de alguns cavaleiros, com largas horas de montada a cavalo, melhorou, e tornou o debate ainda mais “acalorado”
Lady Guinevere, fez uma rápida e discreta aparição, para registar, em “pixels”,coloridas gravuras para a posteridade.
O Castelo da Ordem da Engenharia, beneficiado de novas e polidas pedras, metais e madeiras por acção de Sir Percival de Aires, tem majestosa vista sobre os condados em redor. Com posição estratégica invejável, esteve tomado durante largas horas por 15 cavaleiros da tábua não redonda, com domínio nas engenharias, nas ciências, nas artes e nas letras que, com emoção recordaram duelos e torneios antigos, em defesa de suas damas, ou na procura incessante do elixir da juventude. Uma amarguinha com gelo picado e limão foi ensaiada, mas o efeito foi fugaz.
Envergados os elmos e armaduras e embainhada a excalibur, cada cavaleiro retornou aos seus domínios, montando fogosos cavalos. Novas lutas estão prometidas para a Prima Vera. Até lá faremos um torneio na zona histórica de Abra Antes. Que não nos falte o elixir…
Aos VII do mês do Inverno do ano IV DPPC

Rudolfix Miguezz

COMER AVIÕES E NAVIOS RUSSOS AO PEQUENO-ALMOÇO | Tomás Vasques

maoO conflito sino-soviético, iniciado nos anos 60 do século passado, está ao rubro em Portugal. O partido comunista da China, com a ajuda de Passos Coelho e Paulo Portas, está a invadir o nosso país. Em rigor, nacionaliza o que o governo português quer privatizar. E ainda compra os latifúndios no Alentejo para os membros mais qualificados do partido passarem férias. Os russos, incomodados, respondem. Enviam a aviação e a marinha para a nossa costa. O nosso ministro da defesa não tem mãos a medir. Envia F-16 contra os Tupolev que nos sobrevoam diariamente e corvetas da marinha contra os navios russos. Todos os dias há notícias deste conflito sino-soviético em terras lusas. Como é natural, o nosso governo está ao lado do partido comunista da China contra a ameaça russa. Os russos já não têm no poder o partido comunista, mas são russos. E agora, isto é diferente. Aguiar-Branco disse, na Lituânia, onde os nossos aviões F-16 controlam o espaço aéreo daquele país contra os russos, que isso de aviões e navios russos comemos nós ao pequeno almoço.

A miséria da economia

Privatizar ou estatizar? Mais estado ou mais mercado? Protecionismo ou abertura? Os pontos e contrapontos do discurso econômico desta eleição nos deram um toque de nostalgia. De um lado, parecíamos estar no ambiente do final da Segunda Guerra, no qual os economias da Fiesp, Roberto Simonsen à frente, defendiam proteção à indústria nascente e investimento público. De outro, parecíamos estar no final dos anos 1980, com o Consenso de Washington e suas propostas liberalizantes.

O debate moderno sobre política industrial passou longe dos programas de governo, mesmo de Marina Silva. Iniciado com o paper Industrial policy for the 21st century, a conversa não está mais no nível do Privatizar x Estatizar. Ela opera em uma contraposição entre reformas pro-business e pro-market (Peço desculpas pelas palavras em inglês, algumas delas tem o sentido fortemente alterado em português). Enquanto as reformas pro-business consistiriam em investimentos estatais para desenvolvimento de empresas e empreendedores, as reformaspro-market seriam aquelas que afetam a economia como um todo.

Continuar a ler

Sete Mitos/Mentiras sobre os Portugueses | Joana Amaral Dias

Joana-Amaral-Dias 2001. Os portugueses trabalham pouco. Os alemães trabalham muito. Mentira. A jornada de trabalho em Portugal é uma das maiores da Europa desenvolvida. Comparados com os alemães, os portugueses trabalham mais 324 horas todos os anos, mas levam para casa menos 7484 euros.

2. Os portugueses andaram a viver da mama da Europa, paga pelos alemães. Mentira. Com a entrada na UE, Portugal ganhou apenas 0,4% do PIB (fim da lista). Já a Alemanha encabeça o ranking com um aumento de 2,3%.
3. Os portugueses têm demasiados feriados. Mentira. Em Portugal há 10 feridos (antes havia 14). A Finlândia tem 15, a Espanha 14, a Eslováquia 13, a Áustria 12, enquanto a Suécia, a Itália, a França e a Dinamarca têm 11. Na Alemanha há entre 10 a 13 feriados, conforme os estados (länders).

4.Há demasiados portugueses que são funcionários públicos. Mentira. Temos, 575 mil e têm vindo a diminuir. Em 2008 (quando eram mais do que agora), eram 12,1% da população ativa. A média dos 32 países da OCDE é de 15%. A Dinamarca e a Noruega têm cerca 30%. O peso dos vencimentos dos funcionários públicos, em Portugal, em relação ao PIB, é inferior à média da UE e da zona euro: 10,5% em Portugal, 10,6% na zona euro, 10,8% na UE, mais de 18% em países como a Dinamarca ou a Noruega.

LER MAIS: http://www.leituras.eu/sete-mitosmentiras-sobre-os-portugueses/#sthash.vUUWt517.KLhIiqvN.dpbs (FONTE)

MANUEL CARVALHO DA SILVA | Agressões escondidas

mcdasilva(…) trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”.

O que esta semana se escreveu e disse sobre o Orçamento do Estado (OE), analisado por especialistas ou explicado pela ministra das Finanças e pelo primeiro-ministro, trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”. E explica: não é capaz de respeitar novas realidades do Mundo, nomeadamente geoestratégicas; mente ao afirmar a possibilidade de universalização do estilo de vida que propagandeia como modelo; intervém unilateralmente e na base de pressupostos feitos de mentira e agredindo brutalmente milhões de pessoas. Também o Governo PSD/CDS se foi apurando como viciado compulsivo da dissimulação, da manipulação e da mentira.

Continuar a ler

TÁBULA RASA | A negação contemporânea da natureza humana | Steven Pinker

tabula-rasa-b-iext12983200Steven Pinker é um dos mais respeitados nomes da ciência cognitiva e dos estudos da linguagem aplicados à neurociência. Seus ensaios têm grande aceitação na comunidade acadêmica e também no público em geral. Em Tábula rasa, Pinker enfrenta o debate “natureza versus criação”.
O autor ataca três dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental: a idéia de que a mente de um recém-nascido é uma “tábula rasa” a ser preenchida pelos pais e pela sociedade; a concepção de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e a crença de que a alma imaterial dotada de livre-arbítrio é a única responsável pelas ações do indivíduo.
O autor descreve a evolução histórica dessas três idéias, originadas respectivamente das concepções de John Locke, de Rousseau e da religião. Pinker demonstra como elas se estabeleceram de forma inquestionável até comporem uma espécie de “doutrina oficial”, que hoje influencia não só a criação dos filhos, mas também a vida política.
Pinker recorre a autores como Darwin, Kant, Shakespeare e até a personagens dos quadrinhos, como Calvin e Haroldo, para defender a idéia de uma natureza humana alicerçada na biologia. Segundo essa concepção, o ser humano nasce equipado com um conjunto de informações genéticas que direciona o seu desenvolvimento. Em cada indivíduo, a natureza humana, regida pela biologia, sofre influências da cultura e da sociedade – e é da interação de ambas que resultam personalidade e comportamento.

“Arrebatador, erudito e divertido – e muito persuasivo” – Time

“Um livro extraordinário: claro, implacável e empolgante” – The Washington Post

The End of History? | BY NOAM CHOMSKY

Noam 02
An Indian army camp on the “world’s highest battlefield,” the Siachen Glacier. Long the site of brutal battles between India and Pakistan, the glacier is now melting as the result of climate change. (Annirudha Mookerjee/Getty Images)

It is not pleasant to contemplate the thoughts that must be passing through the mind of the Owl of Minerva as the dusk falls and she undertakes the task of interpreting the era of human civilization, which may now be approaching its inglorious end.

Continuar a ler