La dame à l’éventail | Gustav Klimt | Malika Mellal

La dame à l’éventail

Elle porte son éventail
Pour cacher ses failles
Il la protège délicatement
Des étés brûlants
Du rouge qui monte aux joues
Par sa dentelle fine et floue
Il est son étendard
Les jours de grands soirs.
Il cache ses lèvres ourlées
Rosies par les baisers
Elle l’agite nerveusement
Quand son désir se fait ardent
Il la pare joliment l’été,Il est son allié
Il cache sa peur,son envie d’aimer
Il la protège avec pudeur
De l’amour dont elle se meurt
La dame à l’éventail
Ne vient pas du sérail
Elle est l’amour naissant et enivrant
Elle est la femme d’antan
On l’a tous fantasmée
Les belles nuits d’été
Héroïne de romance
De nos souvenirs d’enfance.

Malika Mellal

Une de mes œuvres d’après la toile de Gustav Klimt
“la dame à l’éventail”

Retirado do Facebook | Mural de Malika Mellal

Palestine | Malika Mellal

Palestine

Trois millénaires de confessions
Tu gardes le sceau des religions
Bénédiction de toutes les terres
De toutes patries tu es la mère
Chère Palestine bénie de Dieu
De toutes croyances tu es le lieu
Théâtre des miracles divins
Ton histoire enseigne le bien
Terre des livres et des prophètes
Terre convoitée et si parfaite
Chère Palestine bénie de Dieu
Sur ta terre les hommes ont mis le feu
Sans se soucier des Ecrits de Dieu
Des sacrilèges des plus odieux
Les enfants tués en sont de ceux
Il faudra bien rendre des comptes
Terre profanée par tant de honte
Du sang d’innocents qui coule sans fin
Un peuple exterminé pour ses biens
L’homme qui imagine n’y être pour rien
N’a jamais cru au sacre divin
Palestine terre de tous les liens
Sonnera un jour l’heure de la fin
Une terre sainte ne peut être souillée
Sans que Dieu ne le fasse payer
À tous ces enfants valeureux
Que l’on empêche d’être heureux
Bientôt viendra la fin du malheur
Et plus jamais vous n’aurez peur
Dieu est grand et omniscient
La libération est un divin serment.

Malika Mellal 25/12/2017

Retirado do Facebook | Mural de Malika Mellal 

 

Elina Garanca Victor Herbert Art is Calling for Me

PROPOSTA DE UMA SÉRIE DE TEXTOS SOBRE ROCHAS SEDIMENTARES | Início, dia 2 de Janeiro | António Galopim de Carvalho

Sendo certo que grande número dos meus leitores são professores que ensinam geologia nas nossas escolas, julgo ser oportuno facultar-lhes textos que digam muito mais e de outros ângulos do que os estereotipados e acríticos manuais de ensino.
É uma verdade indiscutível que o professor deve saber muito para além do nível exigível aos seus alunos. Só assim poderá envolvê-los na beleza dos temas que tem por missão ensinar. Essa beleza existe e é necessário destacá-la se quisermos motivar quem tem por dever de cidadania, aprender, ou seja, os estudantes.
Marcados por um ensino livresco, tantas vezes desinteressante e fastidioso, são muitos os que frequentaram Geologia e que, terminada esta fase das suas vidas, atiraram para o caixote do esquecimento o pouco que lhes foi ministrado sem entusiasmo nem beleza, que equiparo a um adestramento dos a acertarem nas perguntas dos exames. Praticamente, nada mais do que isto.
Foi o que se passou com a generalidade dos nossos adultos no activo, sejam eles juristas, economistas, militares ou marinheiros, poetas, romancistas ou jornalistas, vendedores de automóveis ou jogadores de futebol.
Se o ensino desta disciplina não for acompanhado por uma componente cultural, que sabemos existir, e prática, no sentido de a ligar ao quotidiano, tudo o que a escola lhe forneceu esfuma-se, ou deixa uma recordação de algo desinteressante.

Assim, é meu propósito dar início a uma série de textos (numerados: 1, 2, 3, etc.), por agora, alusivos às rochas sedimentares. 
Gostaria que este projecto abrangesse o maior número possível de docentes e, nesse sentido, conviria que os leitores dessem dele conhecimento aos seus colegas, numa cadeia que seria bom pudesse abarcar o nosso universo escolar.

Na imagem: camadas de calcário no Jurássico do Cabo Mondego.

António Galopim de Carvalho

Textos retirados do Facebook | Mural de António Galopim de Carvalho

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Art | How Bernini Captured the Power of Human Sexuality in Stone

Bernini shows Pluto’s rippling muscles to convey incontestable strength. His power is emphasized by the sculptor’s decision to show the god’s hands clutching at Proserpina’s waist and thigh so forcefully that her skin bulges between the gaps in his fingers like dough. To drive home the physical and emotional intensity of the scene, he renders a single tear on her cheek.

https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-bernini-captured-power-human-sexuality-stone?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=sm-editorial-evergreen&utm_content=fb-4-bernini-evergreen

Gian Lorenzo Bernini, detail of Pluto and Proserpina (The Rape of Proserpina), 1621-22. Image via Wikimedia Commons.

Gian Lorenzo Bernini, Pluto and Proserpina (The Rape of Proserpina), 1621-22. Image via Wikimedia Commons.

Poemas Escolhidos | W. B. Yeats

Leitura de Natal recomendada pelo Expresso

«Entre o final de oitocentos e os anos 1930, Yeats experimentou vários modos poéticos: do simbolismo ao neo-realismo, do folclore ao esoterismo, terminando num modernismo inesperadamente acutilante. Esta nova tradução, de Frederico Pedreira, mais extensa do que outras disponíveis, permite acompanhar de perto essa viagem.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 2/12/17]

Retirado do Facebook | Mural de Maria João Cantinho

Napoleón v.s. Madame de Rémusat, obra do pintor húngaro Sándor Badacsonyi

La partida de ajedrez de Napoleón v.s. Madame de Rémusat, obra del pintor húngaro Sándor Badacsonyi. La posición del tablero corresponde al momento en que Napoleón mira para el otro lado después de dar el mate con 14.Dd3 a la bella dama desnuda.

La partie d’échecs de Napoléon V.S. Madame de rémusat, oeuvre du peintre hongrois sándor badacsonyi. La position du tableau correspond au moment où Napoléon regarde de l’autre côté après avoir donné le mat avec 14. D3 à la belle dame nue.

Épico de Gilgamês | Maria João Cantinho

Das melhores coisas que 2017 nos trouxe. Com tradução de Francisco Luís Parreira, uma excelente introdução e aparato crítico.
Considerado o mais antigo poema da humanidade (4000 anos), aqui se fala da lendária figura de Gilgames (noutras traduções aparece Gilgamesh) e da sua procura de imortalidade. Embora não seja a primeira tradução portuguesa – já há uma de Pedro Tamen, a partir de uma tradução inglesa de N. K. Sandars.

Maria João Cantinho

Retirado do Facebook | Mural de Maria João Cantinho

Independência de las Ramblas por supuesto — um caso pícaro | Carlos Matos Gomes

A declaração unilateral de independência da Catalunha de Espanha é uma sequência pícara. A literatura espanhola tem uma tradição de obras e autores pícaros, desde o clássico Lazarillo de Tormes, de sus fortunas y adversidades, de autor anónimo a La vida del Buscón, de Quevedo, de Alonso moço de muchos amos, de Jeronimo de Alcalá, ao D. Quijote, de Cervantes, a autores mais modernos como Alejandro Swa, cego e louco, que inspirou a figura de Max Estrella a Valle-Inclán, a Pedro Galvez. Puigdemont e a sua declaração de independência e de república das Ramblas acederam neste final de ano às glórias deste subgénero literário em que o protagonista, o pícaro, é quase sempre um humilde arrivista, um anti-herói, um anti-cavaleiro errante numa «epopeia de fome». Uma personagem que sobrevive graças aos enganos e vigarices e vive na ilusão de uma subida na escala social, o seu verdadeiro ideal.

A declaração de independência de Puigdemont a 27 de outubro de 2017, na sala do parlamento catalão, nas Ramblas, é um ato pícaro. Aproveitando a ocasião, os parlamentares presentes declararam também a fundação de uma «República Catalã independente». A cerimónia de apresentação urbi et orbidestas duas cruciais decisões decorreu, como foi possível ver nas reportagens televisivas, num ambiente de velório, com os libertadores da Catalunha e pais fundadores da República de facies de clandestinos, comprometidos, a beberem um copo de espumante, enquanto no exterior subia aos céus um fogo de artifício de arraial de pobre pueblo ao seu santo patrono.

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Discurso do índio Evo Morales Presidente da Bolívia aos Chefes de Estados da Europa colonizadora

EVO MORALES:
CARA A CARA COM OS COLONIZADORES ANTIGOS E ATUAIS DA AMÉRICA DO SUL em 22/12/2016

Discurso do Presidente da Bolivia
aos Chefes de Estados da Europa

“Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião. Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos. Aqui, pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.

O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.

O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens, ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamento e também posso reclamar juros.

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Um manifesto “luterano” para a economia | por Luiz Gonzaga Belluzzo

Inspirados na reforma de Martinho Lutero, o New Weather Institute e o Rethinking Economics propõem 33 teses para revolucionar o pensamento econômico.

É possível abalar os alicerces da ortodoxia econômica como Lutero abalou a Igreja Católica?

Na celebração dos 500 anos do repto lançado por Martinho Lutero à hierarquia da Igreja Católica, o New Weather Institute e o movimento Rethinking Economics, com o apoio de um largo espectro de economistas, acadêmicos e cidadãos, lançam um desafio ao ensino de economia baseada na visão dominante e convocam a mobilização por uma Nova Reforma consubstanciada nas 33 Teses para a Reforma da Economia.

O lançamento das Teses foi realizado no University College London em associação com a The Economists Society of University College London e o Institute for Innovation and Public Purpose.

Leia também:
A ortodoxia no divã

Participaram do lançamento, entre outros, Victoria Chick (UCL), David King (assessor científico do governo britânico), Andrew Simms (University of Sussex) e Kate Raworth (Oxford University).

Lei a seguir o manifesto:

33 teses para uma reforma da economia

O mundo enfrenta pobreza, desigualdade, crise ecológica e instabilidade financeira.

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Quem nos acode? | Engº João Azevedo | Professor do Instituto Superior Técnico | in Jornal “i”

Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia.

Caro leitor:

– Compraria para seu uso um automóvel integralmente fabricado por um engenheiro mecânico numa oficina do seu bairro?

– Viajaria numa companhia aérea não certificada?

– Concordaria que se vendesse carne sem um controlo das condições higiénicas do local de abate dos animais e do local de venda?

– Tomaria os medicamentos produzidos por um farmacêutico numa farmácia não certificada?

– Beberia água da rede pública de uma cidade onde aquela não fosse objeto permanente de análises que confirmassem a sua qualidade?

Não se incomode se ficou na dúvida da resposta que daria a alguma das questões porque coletivamente já todos decidimos que tais atos não são possíveis, a não ser em situações muito excecionais.

Todas essas atividades são regulamentadas e os processos de certificação e controlo da qualidade do que adquirimos ou utilizamos são há muito percebidos como necessários e assumidos como eficazes.

Agora pense se compraria ou alugaria uma casa para viver se a única garantia de segurança estrutural (em palavras simples, de que o teto não lhe cai em cima da cabeça) lhe fosse dada pelo engenheiro civil que assinou o projeto.

A resposta é simples na esmagadora maioria dos casos: Sim.

Efetivamente quase todos compramos ou alugamos casa apenas com base nessa garantia. Não só não existe, em geral, nenhum processo adicional de controlo de qualidade de que nos possamos valer, como ainda, a maioria das pessoas dá como adquirido que esse processo existe e que portanto todas as construções são, por natureza, seguras.

Tal sensação de segurança leva a que nos preocupemos com a qualidade e o padrão dos azulejos, com o tipo de madeira, com as loiças sanitárias, mas não com a segurança estrutural. Como sociedade, também instituímos, entre outras, a obrigatoriedade de certificação energética e de qualidade do ar, mas não manifestamos preocupação com a segurança estrutural.

Felizmente, no nosso país a engenharia civil sempre se regeu por padrões de qualidade que, se devidamente cumpridos, nos dão uma garantia implícita de segurança, pelo menos quando não existem fatores imprevisíveis.

Entre esses fatores, os sismos são dos que mais nos deveriam preocupar.

Infelizmente, são eles que, noutros locais, tornam evidente a diferença entre um bom e um mau projeto e construção e fazem também a diferença entre continuar a ter uma casa ou ser (ou já não ser) dono de um monte de destroços.

Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia. A bem de uma cultura de qualidade do que utilizamos, em que as construções não podem ser um ativo despiciente.

Quem nos acode?

João Azevedo

Professor do Instituto Superior Técnico

https://ionline.sapo.pt/593019

Au nom de tous les seins | Taous Ait Mesghat | Sétif – Algérie

Tu ne sais pas ce que ça fait quand un sein durcit sous la caresse de tes doigts , non tu ne sais pas ….
Tu ne connais pas cette sensation divine quand un téton pointe pour toi , non tu ne connais pas …
Tes lèvres assoiffées de plaisir n’ont jamais goûté à la douceur de la soie , non elles ne l’ont pas …
Ton regard ignore la splendeur d’un galbe arrondi qui s’offre à toi , non il ne connait pas ….
Aucune femme amoureuse n’a frémi de désir sous l’emprise de tes bras , non je ne le pense pas …..
Pauvre diable que la chair renie et qui vient se venger sur moi , Vénus en pierre qui ne se défend pas ….
Moi femme fontaine qui te rappelle ton pitoyable état , toi homme aride qui ne suscite aucun émoi ….
Moi arrogante de beauté dans la chaleur et le froid , toi mesquin de laideur dans ta rage de forçat ….
Crois tu que sous tes coups barbares tu me tueras ? Penses tu qu’en me brisant la femme mourra ?
Sous d’autres mains d’artistes ma poitrine renaîtra , mon visage sourira et la femme vibrera .
À nous l’extase de l’amour et la joie ; à toi la torture de la haine et l’effroi .
Je suis la vie , Ain Fouara.

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Lettre de Ludwig van Beethoven à l’immortelle Bien-aimée in “Des Lettres”

Notre amour n’est-il pas une véritable demeure céleste ?

L’allemand Ludwig Van Beethoven, né le 17 décembre 1770 et décédé le 26 mars 1827, précurseur du romantisme dans la musique, est le compositeur de multiples symphonies, concertos et sonates. Mais outre  la trace importante qu’il a laissée dans la création musicale en occident, il fut aussi un amant passionné : celui dont Haydn dit qu’il est « un homme qui a plusieurs têtes, plusieurs cœurs, plusieurs âmes » écrit ces trois lettres enflammées à quelques heures d’intervalle, adressée à une femme inconnue, mais dont il semble très épris.

6 et 7 juillet 1812

Le 6 juillet dans la matinée

Mon ange, mon tout, mon moi. – Aujourd’hui quelques mots seulement, et même au crayon (le tien). – Ce n’est que jusqu’à demain que j’ai une demeure ; quelle fâcheuse perte de temps que tout cela. Pourquoi ce profond chagrin, quand la nécessité se prononce – Notre amour peut-il exister ailleurs que dans l’immolation, dans le renoncement à tout avoir ? Peux-tu y changer quelque chose, au fait que tu ne m’appartiens pas tout entière, que je suis pas entièrement à toi ? – Ah ! mon Dieu, que ton regard s’étende à la belle nature et que ton âme y trouve la quiétude puisqu’il faut que ce soit – L’amour exige tout et il a bien raison. Ainsi en est-il de moi avec toi et de toi avec moi – mais tu oublies trop à la légère que tu dois vivre pour moi et pour toi. Si nous étions complètement unis, tu n’éprouverais pas, ni moi non plus, ce sentiment douloureux – […] Aujourd’hui non plus je ne puis te faire part des observations que j’ai faites sur ma vie durant ces derniers jours – Si nos coeur étaient toujours étroitement liés l’un à l’autre, je n’irais certes pas nourrir de pareilles pensées. Mon serin est rempli de tant de choses à te dire – Hélas ! – il y a des moments où je trouve que le langage n’est encore absolument rien – Rassérène-toi – demeure mon cher, mon unique trésor, mon tout comme je le suis pour toi. Le reste, ce sont les cieux qui doivent nous l’envoyer, quelle que doive être et sera notre destinée –

Ton fidèle

LUDWIG

Lundi soir, 6 juillet

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Gente Lusitana | Paulo Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

Cornucópia rosada
de carne palpitante…
com neurónios, comandada
puro arbítrio, caminhante…
Permeável,
errante…
de louca, saudável…
humana,
impura,
insaciável…
A sina de vegetar
no plástico colorido…
sonho
de fermentar,
coração desabrido…
existência singela
tic-tac, tic-tac
imaginação
arrepio
frustração,
solslaio trôpego
de brio…
espiral,
depressão…
Canto mudo,
epopeia vertiginosa,
papel representado,
entrudo assolapado,
efémero carnaval
que se replica…
movediço
ritual
passeio de triste
que ri,
que resiste,…
falsete
de glória refinada,
faísca que levita
folclore cosmopolita,
conto de fada,…
festa ensombrada
sob a nuvem
de uma história que emociona…
vida traçada,
remela empoeirada,
susto,
calhandro
que fervilha,
robusto…
dança destemperada,
silêncio,
batucada,
ritmo que saliva
na estrada
ofegante…
Povo que lavas no Rio,
com a cabeça entre as orelhas,
Sangue vivo, sempre em desafio,
Obediente Balhelhas…

José Afonso | Canção Longe

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
mai la manga da camisa
e dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar

La lettre de rupture la plus expéditive de l’histoire | Lettre de Gustave Flaubert à Louise Colet

Madame,                                                                                                                                                     6 mars 1855

J’ai appris que vous vous étiez donné la peine de venir, hier, dans la soirée, trois fois, chez moi.

Je n’y étais pas. Et dans la crainte des avanies qu’une telle persistance de votre part pourrait vous attirer de la mienne, le savoir-vivre m’engage à vous prévenir : que je n’y serai jamais.

J’ai l’honneur de vous saluer.


Gustave Flaubert (12 décembre 1821 – 8 mai 1880), maître du style, connu pour ne produire des phrases qu’au prix de longs efforts et d’un immense travail (« Une bonne phrase de prose doit être comme un bon vers, inchangeable, aussi rythmée, aussi sonore » écrit-il), savait aussi être expéditif. Sentant son amour pour la belle poétesse Louise Colet s’épuiser, alors qu’elle abandonne Paris pour lui rendre visite dans son Croisset natal et qu’elle supplie le maître des lieux de la recevoir, il lui envoie un dernier billet d’une concision lapidaire et diablement efficace. Un Flaubert méconnu !

Arthur Rimbaud | Sensation

Par
les soirs bleus d’été, j’irai dans les sentiers,
Picoté
par les blés, fouler l’herbe menue :
Rêveur,
j’en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je
laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je
ne parlerai pas, je ne penserai pas :
Mais
l’amour infini me montera dans l’âme,
Et
j’irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par
la Nature, – heureux comme avec une femme.

Sensação

Pelas tardes azuis do Verão, irei pelas
sendas,
Guarnecidas pelo trigal,
pisando a erva miúda:
Sonhador, sentirei a
frescura em meus pés.
Deixarei o vento banhar
minha cabeça nua.
Não falarei mais, não
pensarei mais:
Mas um amor infinito me
invadirá a alma.
E irei longe, bem longe,
como um boêmio,
Pela natureza, – feliz
como com uma mulher.

Regulamento interno do Colégio La Salle de Abrantes

1º) O espírito lassalista deverá estar presente em tudo o que fazemos. Nunca nos devemos esquecer da nossa identidade própria.

2º) Em tudo o que fazemos, devemos cultivar a justiça, a oração e o serviço aos outros.

3º) Todas as pessoas da nossa comunidade educativa, devem respeitar-se mutuamente tornando a nossa escola um lugar ideal para trabalhar.

4º) Todos devem ajudar a criar um ambiente de inter-ajuda, propiciando uma boa aprendizagem.

5º) Todos têm direito à diferença. Os dons especiais de cada um devem ser encorajados e valorizados para o bem de todos. Devemos trabalhar e partilhar juntos.

6º) Todos têm direito à segurança. Ninguém deve ter medo de ser ameaçado ou importunado. Ninguém deve ter receio de correr riscos, de ser diferente ou de ser sincero.

7º) O auto e hetero encorajamento para a rentabilização das nossas capacidades são essenciais. A existência de uma variedade de temas e de actividades é necessária à realização pessoal.

8º) A atenção vigilante é importante para que nos momentos de crise nos sintamos confiantes a partilhar as angústias ou problemas com uma pessoa de confiança.

9º) Todos devemos saber perdoar e esquecer. Todos merecemos uma segunda oportunidade.

10º) Na nossa escola, as pessoas deverão aprender tanto com os seus êxitos como com os fracassos. Isto permite o crescimento pessoal.

Argel 01 Dezembro de 2017

Só há um absoluto: não há absolutos | ELÍSIO MACAMO in jornal “Público”

Acho curioso que o pavor que alguns europeus têm por um pedido de desculpas faça de mim, um desgraçado lá da periferia, defensor do que é universal.

(…) Tzvetan Todorov, o crítico literário, faz uma distinção interessante num dos seus livros, Les morales de l’histoire, entre causas e razões tomando como exemplo o colonialismo. Pergunta como os europeus conseguiram justificar a si próprios não só a colonização como também a escravização de outros povos tendo em conta que a moral cristã dominante antes do século XVI e a moral humanista dominante a partir do século XVII torciam o nariz perante esse tipo de práticas. (…)

(…) É preciso um grande desprezo por toda a história da filosofia ocidental para achar que a escravatura, quando foi praticada, não violava preceitos morais. (…)

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RÓMULO DE CARVALHO / ANTÓNIO GEDEÃO nasceu a 24 de Novembro de 1906

Também se comemora hoje, 24 de Novembro, o DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA instituído em 1996 em sua homenagem, pelo Ministério da Ciência e da Educação.

AMOSTRA SEM VALOR

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém. 
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível;
com ele se entretém
e se julga intangível.


Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.


Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

Retirado do Facebook | Mural de Maria Isabel Fidalgo

A Igreja Católica e o ambiente: doutrina e testemunhos | JORNAL DE LETRAS | Viriato Soromenho-Marques

JORNAL DE LETRAS Viriato Soromenho-Marques comenta a crise global do ambiente e o (não) envolvimento da Igreja Católica.

O Cristianismo não encontrou uma resposta idêntica ao lento processo de formação do que hoje se pode designar como crise ecológica, ou crise global do ambiente. Católicos, Ortodoxos e Protestantes responderam em tempos e modos diversos, como bem notou Lynn White, Jr., há quase meio século. No caso português, talvez uma das primeiras manifestações de preocupação com a salvaguarda do ambiente, onde a Igreja Católica assumiu uma posição de destaque, se encontre na fundação do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, cujas raízes remontam a maio de 1923. Ao longo de quase um século de atividades, este movimento tem desempenhado um notável e pioneiro papel no desenvolvimento da consciência ecológica de muitas gerações de jovens, traduzida numa atitude de respeito pela integridade da paisagem natural, e um respeito pela diversidade biológica.
Pessoalmente, registo dois testemunhos que considero relevantes para serem partilhados por ocasião da visita a Portugal do Papa Francisco. No Outono de 1986, num período em que presidi a uma organização ambientalista na cidade de Setúbal – o Projecto Setúbal Verde – tive ensejo de travar uma longa e fascinante conversa sobre as implicações filosóficas e teológicas da proteção das espécies em perigo com o então bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Na altura, essa notável figura do clero estava no centro das atenções públicas pelo modo corajoso e frontal com que denunciara o aumento exponencial da pobreza e da degradação das condições sociais na Península de Setúbal. A sua palavra muito contribuiu para a realização de um importante Plano de Emergência, que canalizaria fundos e recursos que em muito contribuíram para minimizar os sofrimento e as carências de muitas centenas de famílias.
Mas nesse dia de Outono, a conversa que mantivemos a sós – num diálogo entre um jovem professor e ecologista e um dos mais respeitados pastores da Igreja Católica em Portugal – tinha como objeto criaturas ainda mais desprotegidas, e completamente destituídas de voz: as cegonhas brancas, que, nessa altura, se encontravam em acelerado recuo populacional em Portugal. Dom Manuel Martins mostrou ter um coração suficientemente amplo para dinamizar o papel que os membros do clero poderiam desempenhar na proteção dos ninhos, e na educação dos crentes para o respeito por essas criaturas tão profundamente instaladas no nosso imaginário cultural. Pouco anos depois, a população de cegonhas recuperava, em zonas críticas como o distrito de Setúbal, encontrando-se hoje completamente fora de perigo no nosso país.

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Poema de Aguardente em Casca de Noz | Telmo Barreira | Prefácio de Sónia Lavaredas

Poema de Aguardente em Casca de Noz…

Quando lemos os poemas de Telmo Barreira, o que se experiencia é tal e qual o estalido frenético que provocaria um shot. Sim, um shot de aguardente. Uma espécie de choque a percorrer o corpo, num compasso de êxtase, primeiramente quente e consolador, em seguida desconfortável, quase doloroso, espraiando-se, por fim, numa sensação dormente e apaziguadora. Depois da casca de noz aberta e do preciso elixir bebido, verifica-se que esta aguardente só poderia estar contida neste invólucro orgânico e natural, como orgânica e natural é a jornada da própria existência.

A viagem começa na infância, com a aguardente ainda a descer-nos pela garganta, tranquila e reconfortante, numa recordação entrelaçada de sonho, identidade e ninho. E por aí nos deixamos guiar, pausadamente, como se a nossa própria infância recordássemos, num ambiente confortável de colo e amor. Os momentos da feliz inconsciência das coisas, onde tudo tem o tempo certo, onde podemos, entre palavras, fazer as pausas prolongadas dos pontos finais…

Mas a aguardente vai descendo e um ardor, desconcertante primeiro e insuportável depois, apodera-se do nosso peito… É o bulício, a experiência, a vida. Nesta ardência provocada pelo líquido, quer-se cortar com o passado e percorrer caminhos imaginados originais. Este calor que sentimos, no peito e na mente, transforma-se em febre que queremos apaziguar com o arrebatamento das descobertas, das experiências. Queremos respostas! Porém, as respostas tardam. Das sucessivas tentativas, ficam as desilusões, a solidão… Quem somos? Quem queremos descobrir nesta viagem vertiginosa? E a aguardente arde cada vez mais cortando, por breves segundos, a respiração. Um grito desesperado solta-se da garganta. Ficamos quietos e ainda exaustos arriscamos inspirar de novo. Depois, já com o peito cheio de ar, aventuramos a compreensão da pessoa em quem nos transformámos, quem emergiu destes pântanos por onde andámos. Talvez o amor, os amores, nos possam dar algumas respostas.

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PRE-APOCALIPSE NOW | Sousa Dias em diálogo com Maria João Cantinho

«Vivemos numa época de amálgamas espúrias, que confunde pensamento e comunicação, crítica e marketing, teoria e opinião de especialista, pensador e intelectual mediático ou jornalista cultural. Época de sobre-informação mas, paradoxalmente, época antipensamento, de extravio generalizado do sentido do pensamento, de refluxo do pensamento sob todas as suas formas. E, não por acaso ou por coincidência, época de uma extrema desumanização do humano, da dessubstancialização da subjectividade humana, como diz Žižek, do mais dócil e cobarde corpo social, como diz Agamben.

Uma catástrofe do pensamento, de que o fim das ideologias é uma reverberação, e com ela um desastre do humano, desastre absoluto no qual estaremos talvez só a entrar, um pré-apocalipse espiritual para o qual não se vislumbra saída. Escreve noutro texto Agamben que, enquanto o animal pode a sua potência, variável de espécie para espécie mas definida de uma vez por todas pela sua natureza ou vocação biológica, o homem, desprovido de natureza, é aquele ser que pode a sua própria impotência. A grandeza do seu poder mede-se pelo abismo da sua impotência. A saída da presente situação do humano, a existir, passará necessariamente pelo pensamento, quer dizer, pelo poder ilimitado, desmedido, dessa impotência do homem.» (Sousa Dias)

Esculturas | Santos Carvalho

Santos Carvalho escultor  trabalha em diversos materiais (como distintos tipos de pedra, ferro, madeira, acrílico entre outros). Ao longo do seu percurso artístico realizou várias esculturas públicas (em espaços ao ar livre e instituições públicas e privadas). Participou em inúmeras exposições Individuais , coletivas e em  simpósios nacionais e internacionais.

Está representado em Coleções  : Espanha ; Brasil ; Inglaterra ; Alemanha ; USA ; Noruega

www.santoscarvalho.com

Os 4 avisos de D. Pedro: 600 anos de atualidade | António Valdemar in Jornal Público

Volvidos 600 anos, após a Carta de Bruges, perduram as lacunas, os defeitos, os vícios que inviabilizam perspetivas para impedir os desgastes da rotina e estagnação.

A vocação da política do Atlântico e da política da Europa voltam a estar na ordem do dia e constituem tema de debates nacionais e internacionais. A descolonização (inevitável mas tardia) e a entrada (necessária e urgente) na União Europeia recolocaram, uma controvérsia que tem percorrido os séculos, que dividiu e continua a dividir henriquistas e pedristas.

Todas as homenagens foram prestadas ao infante D. Henrique mas está por fazer a reparação devida à memória de D. Pedro, traído e assassinado, às portas de Lisboa, o cadáver, entregue à voracidade dos cães e dos milhafres, a apodrecer dias e dias seguidos, nos campos de Alfarrobeira. Só muito depois teve sepultura, ao lado dos pais e dos irmãos, na Capela do Fundador, no mosteiro da Batalha.

Ínclita geração de altos infantes assim celebraram Os Lusíadas, os filhos legítimos masculinos de D João Iº e de Filipa de Lencastre. Além deste verso emblemático, Camões tem outras referências ao Infante D. Henrique e ao Infante D. Pedro, ambos classificados de «generosos», na aceção peculiar atribuída a esta palavra, entendida como genuína estirpe e elevada linhagem. Mas Fernando Pessoa, na Mensagem, já definiu particularidades que singularizaram cada um dos infantes. D. Henrique, surge n’A Cabeça do Grifo «entre o brilho das esferas/ tem aos pés o mar novo e as mortas eras,/ o globo mundo em sua mão». D. Pedro, o infante das «sete partidas», destaca-se «fiel à palavra dada e à ideia tida,/ claro no pensar e claro no sentir/e claro no querer/indiferente ao que há em conseguir/que seja só obter».

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A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos | Tiago Barbosa Ribeiro

A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos. Entre alocuções apologéticas e críticas anti-comunistas, há espaço para uma celebração simbólica e afectiva no campo das esquerdas – porque a Revolução é património das esquerdas – e há também espaço para uma fervilhante reflexividade em muitas iniciativas académicas e culturais que tenho visto ao longo dos últimos dias. É bom que assim seja.

A Revolução de Outubro, a «mãe» das revoluções, foi objectivamente o acontecimento mais marcante do século XX. O seu impacto mudou a geopolítica da Humanidade. Foi um «game changer» tão grande como a Revolução Francesa, em relação à qual falar do «grande terror» parece – porque é – um anacronismo face ao que significou no curso da história. Obviamente que a segunda revolução de 1917, a bolchevique, resultou de uma conjugação de factores e não da acção mitificada de um grupo de homens que muitos acasos poderiam não ter permitido. Mas permitiram: os acontecimentos do final do século XIX, as aprendizagens da Comuna de Paris, a «revolução» de 1905, a Primeira Guerra Mundial, a «guerra imperialista», o desequilíbrio entre o Governo Provisório e os Sovietes, em especial o de Petrogrado, o exílio bem sucedido de Lenine, a Revolução de Fevereiro, a acção resoluta dos bolcheviques na tomada de poder em Outubro (na realidade, Novembro), a teorização orgânica do marxismo por esse brilhante estratega político que foi Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, um grande conspirador, um operacional e um teórico da revolução operária.

A Rússia da época não tinha o «húmus» social que Marx e Engels previram para a insurreição proletária no fio do materialismo histórico: viam-na em países do capitalismo industrial avançado, em especial a Inglaterra e a Alemanha do Kaiser. Mas as coisas são o que são ela irrompeu naquele contexto histórico preciso, criando ondas de choque que perduraram e ainda perduram.

Na Rússia dos czares, um império que então ocupava 1/6 do planeta, com uma população analfabeta e pobre, foi possível derrubar uma dinastia opressora com 300 anos e abalar os alicerces – políticos, sociais, económicos, militares – do mundo moderno. Depois de uma das guerras civis mais sangrentas da história, os bolcheviques triunfaram e criaram o primeiro «Estado proletário» com a socialização efectiva dos meios de produção, servindo de «farol do socialismo» para experiências em todo o mundo. Em pouco tempo, a Rússia passou de um país-continente feudal para uma das maiores potências mundiais.

Não é possível postular como teria sido se Lenine não tivesse desaparecido precocemente ou se Trostky não tivesse sido assassinado. Talvez o PCUS não tivesse feito a «desestalinização» no seu famoso XX Congresso nem fosse necessário, mais tarde, derrubar uma Cortina de Ferro. Mas também não teríamos tido o Exército Vermelho a dar um contributo decisivo para a derrota dos nazis, só para dar um exemplo, nem tão pouco existiria uma URSS a exercer força gravitacional para o desenvolvimento dos Estados Sociais no Ocidente ou para a emancipação das velhas colónias europeias. Mesmo as dissidências «sessentistas» ou as revoluções dos trópicos, desalinhadas da burocracia mecânica do leste, não existiriam sem referência ao ideal fundador de 1917.

A história é o que é. Para lá de todas as disputas que o tempo presente ainda convoca, Outubro é uma das chaves do século XX e uma das marcas mais poderosas da história do movimento operário. Emancipadora, pois claro, no contexto que a permitiu e a consolidou. Celebre-se, pois.

Tiago Barbosa Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Barbosa Ribeiro

Carlos Matos Gomes | A Catalunha: a técnica do golpe de estado e as arengas antes da batalha

As peripécias a propósito das chamas do incêndio de fervor nacionalista que percorre a Catalunha (mais Barcelona e menos Catalunha), é um espectáculo de fogo de artifício.

Acender a fogueira nacionalista e atirar-lhe petróleo como estão a fazer os líderes da rebelião de Barcelona constituem técnicas clássicas de golpe de estado, técnicas de conquista do poder por parte de um grupo organizado para o tomar. Curzio Malaparte demostrou que o assalto ao poder, que é do que se trata em Barcelona, não tem que ser necessariamente violento, muitas vezes basta um grupo de tipos determinados e sem escrúpulos apoderar-se de certas instituições para as confrontar com o aparelho do Estado, uns demagogos excitarem as massas com os temas que sempre as mobilizam: a liberdade em primeiro lugar. Palavra estandarte de todos os chefes populistas, condimentada com uns excitantes também eficazes de história: Patriotismo e Traição qb! Demagogia e populismo com todas as letras, a que podem juntar-se doses maiores ou menores de provocação e agitação.

O nacionalismo catalão e a atual urticária independentista é muito fácil de explicar: Após o fim da ditadura franquista e do desmantelamento do seu aparelho repressivo, um grupo de senhoritos locais, depois de bem seguro e certo da ausência de perigos materiais e físicos (são de pouca coragem e muito desplante), aproveitou a cómoda situação para se chegar ao poder içando a bandeira do nacionalismo catalão, o que incluiu até a tomada do poder no Barcelona clube de futebol, as manobras que levaram os jogos olímpicos a Barcelona, a imposição de um esquecido dialeto local como língua nacional, entre outras.

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Catalunha | Ponto da situação | Carlos Matos Gomes

Deixem-me fazer um ponto da situação para me situar contra os bem intencionados que acreditam que é a bondade e a maldade que determinam as ações politicas. Abençoados. Mas não pertenço a essa confraria de crentes. Tenho muito respeito por aqueles que falam em povo – no caso povo catalão; como há uns tempos Jardim falava de povo madeirense, como no Estado Novo éramos tratados: Bom povo. Tenho, ao contrário desses apoiantes do povo as mais sérias dúvidas sobre o conceito de povo e as mais sérias desconfianças quando me falam na vontade do povo.
Quanto à vontade do povo, não acredito nela, acredito na convergência de interesses e de percepções que se podem traduzir numa ação com uma resultante numa dada direcção. Acredito que grupos de interesses organizados e com os meios adequados podem condicionar e quase sempre condicionam e determinam aquilo que surge como vontade popular.
As votações em representantes de partidos parece-me bastante mais fiável do que referendos. Os partidos têm uma história, têm dirigentes que podem ser responsabilizados pelas propostas, têm um passado e um futuro. Pelo contrário o referendo é facilmente manipulado, não responsabiliza os seus proponentes. O referendo traduz apenas o presente. Pode não ser filho de pai incógnito, mas é de certeza um filho entregue ao Deus dará. Como o Brexit tem demonstrado.
Dito isto, não acredito na “vontade” de independência do “povo” catalão. Considero que os proponentes do referendo da independência da Catalunha são golpistas demagogos, como a fuga deles no dia seguinte à dita declaração prova e incompetentes por não terem qualquer plano de resposta à mais que previsível negação dos seus adversários. Gente sem plano contra o inimigo, sem amigos, sem coragem para lutar e sem carisma para conduzir os seus seguidores.
Se o Cristo fosse como o Puigdmont, o cristianismo tinha acabado com uns copos e uns vivas na Última Ceia!

Carlos Matos Gomes 

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Sombras | Francisco Louçã e Michael Ash | Prefácio de Eduardo Lourenço

Prefácio de Eduardo Lourenço a “Sombras”

Um sonho para a Europa?

À “Maldição de Midas” consagrou, em tempos, Francisco Louçã, político e economista, um ensaio, ao mesmo tempo literário e sociológico, que fez data. À sua óbvia perspectiva de economista associou uma rara preocupação cultural, como se fosse seu propósito converter a famosa “maldição” no romance ocidental do enigma da condição humana biblicamente condenada no papel demoníaco que a humanidade, desde a origem, reservou ao culto idólatra de si mesma no mítico “bezerro de oiro” incarnado.

Vinte anos mais tarde é a versão, hoje em dimensão planetária, do Capitalismo americano (fórmula pleonástica) que suscita a sua pluma, não apenas de economista mas de militante empenhado na defesa de uma sociedade assumidamente utópica. Leitura da mesma civilização ocidental como culto e fascínio não por um “bezerro de oiro” mítico, de natureza e efeitos demoníacos, mas como jogo, de cada vez mais sofisticado, de um ídolo de papel de propriedades mágicas pois tem a função – convencionada mas reverenciada – de substituir “o valor”, qualquer que seja o bem, pelo ficcional que o representa.

De algum modo, com esta revisitação da antiga “maldição de Midas”, Francisco Louçã submete a referência incontornável do universalizado capitalismo a uma espécie de leitura hiper-freudiana da agora não apenas ou só “maldição de Midas”, mas da sua versão quase metafísica que o capitalismo moderno representa, exibindo-se e ocultando-se ao mesmo tempo.

O pélago da mundialização é para Francisco Louçã obscuro e transparente. Isso não impede que o converta em aventura fascinante, como o seu texto o mostra. O seu exercício não é apenas o de um intelectual capaz de distinguir com acuidade rara o que é aceitável ou inaceitável nesta espécie de Guerra de Tróia sem fim que é a da luta entre os que dominam os mecanismos vitoriosos da economia mundial e os que sofrem os seus efeitos devastadores, mas um acto de coragem com o que isso implica de decisão ética e lucidez. Em suma, as armas ideais para defrontar com algum sucesso a, pelo vistos, incontornável “maldição de Midas”.

Eduardo Lourenço

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

TERRAMOTO DE LISBOA – EMBORA ESQUECIDO, IMPACTO PERDURA | Carlos Fino

Que o terramoto de 1755 foi um acontecimento marcante e de um alcance global não é difícil de imaginar até à luz dos desastres que hoje nos habituámos a testemunhar. Mesmo sem o desenvolvimento tecnológico dos últimos 300 anos, sobrevivem testemunhos de uma destruição de tal ordem que não nos deixa duvidas do carácter global da tragédia. O movimento das placas tectónicas que sustentam este pedaço de terra e os desastres que lhe seguiram, deixaram a nu a fragilidade do homem, da sua organização e do seu conhecimento, das suas explicações, perante a natureza.

UM ABALO NO PENSAMENTO GLOBAL

Se até ao século XVIII o homem entregava a explicação dos desastres à causa divina, com o terramoto de 1755 a realidade exaltou-se e fez escassear metáforas e significados religiosos que conseguissem explicar a dimensão de tal fenómeno. A força da natureza foi de tal ordem evidente que as réplicas – reais e simbólicas – sentiram-se em toda a parte. Entre a história que se escreve da ciência atribui-se a uma dessas réplicas, sentida 17 dias depois, papel central nos primórdios sismologia. Terá sido uma réplica sentida em Boston que permitiu a John Winthrop observar algumas das primeiras propriedades dos sismos – conclusões apresentadas 25 dias depois do sucedido em Harvard, numa palestra icónica e num tempo em que as conclusões científicas ainda eram anexo, a que se seguiu uma extensa e detalhada publicação na compilação Philosophical Transactions da Royal Society.

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O paradoxo político de Lutero | Viriato Soromenho Marques in “Diário de Notícias”

Ontem, dia 31 de outubro, cumpriram-se 500 anos sobre o início da Reforma Luterana: a publicação na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg das suas 95 teses contra as indulgências. Em poucos anos, o que era um protesto aparentemente localizado e sectorial contra um cristianismo ocidental romano, já com frestas mas ainda unificado, transformou-se num poderoso e plural movimento que iria cindir, violenta e definitivamente, não só o cristianismo como a política, a sociedade e a cultura do Velho Continente. Se os Descobrimentos de Portugal e Espanha tinham levado a Europa a outros mundos, Lutero contribuiu para despertar os diferentes e contraditórios mundos que se escondiam sob a aparente unidade medieval europeia. A Reforma continua a marcar-nos as vidas, mesmo sem disso termos consciência.

A maior singularidade paradoxal de Lutero, mesmo perante outros reformadores, reside no pensamento político. No seu combate à hierarquia católica e ao Papado, Lutero retirou à Igreja qualquer estatuto de privilégio. Os pastores deixaram de constituir uma “ordem” ou “estado” (Stand), como ocorria na mundivisão medieval dos três estados (clero, nobreza e povo), para preencherem um mero “cargo” (Amt). Eram funcionários submetidos ao poder da autoridade secular. Esta tese da subordinação da Igreja ao Estado foi, contudo, radicalizada pelas próprias circunstâncias da Reforma que colocaram Lutero totalmente na dependência da proteção dos príncipes feudais de uma Alemanha politicamente fragmentada. Perseguido pelo Papa e pelo Imperador Carlos V, Lutero teve de fazer uma escolha brutal e sem retorno em 1525. Nesse ano, vastas partes do território alemão foram percorridas por uma revolta social camponesa, liderada em muitos casos por frades e padres próximos do pensamento de Lutero, como foi o caso do teólogo Thomas Müntzer. Esses camponeses pretendiam algumas alterações modestas no estatuto de servidão. Tinham mesmo um programa com 12 artigos. Depressa, todavia, os protestos pacíficos degeneraram em violência. Perante isso, Lutero foi forçado a intervir. Em poucas semanas, a sua posição passou de um apelo à pacificação para uma firme tomada de partido pelos príncipes, concretizada nalgumas das páginas mais iradas e violentas escritas na língua alemã (de que ele é também um dos principais fundadores). Os camponeses foram esmagados na batalha de Frankenhausen. Entre as cem mil vítimas da repressão contava-se Müntzer.

Este episódio ajudou a radicalizar a teoria luterana dos “dois reinos” (Zwei Reichen), de acordo com a qual o bom cristão deveria uma obediência incondicional às autoridades civis. O cristão era libérrimo na Igreja, mas ficava agrilhoado na esfera política. Ironicamente, o mesmo homem que enfrentara como rebelde os maiores poderes religiosos e seculares do seu tempo, e que pregara a absoluta igualdade dos cristãos, acabou, no plano político, por dar uma chancela teológica ao poder arbitrário da aristocracia feudal que se manteria por longos séculos na Alemanha. A tendência dominante da modernidade consistiria – seja no catolicismo de Francisco Vitoria e da Escola Ibérica da Paz seja no protestantismo de Calvino ou John Knox – em aproximar a Cidade de Deus da Cidade dos Homens. Pelo contrário, ao idealizar a sua aliança conjuntural com os príncipes, justificada pela sobrevivência física pura e simples, numa doutrina teológica de temor reverencial pelo poder de César, Lutero deixou uma trágica semente de obediência irrestrita na cultura política germânica, com tristes consequências em toda a Europa.

Viriato Soromenho Marques

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/viriato-soromenho-marques/interior/o-paradoxo-politico-de-lutero-8886976.html

Citando Mil Ghent

Um dia, tudo acaba. Sem motivos e sem explicações. Como um namoro, uma aula, um contrato de aluguer. E, pouco depois, isso que acaba já não faz parte das conversas quotidianas. Entra no esquecimento. Porque outra coisa surgirá em seu lugar. Em cima de memórias e confusões que fizeram a soma de todas as horas. De todos os imprevistos. E os lamentos não valem a pena. Porque nada voltará atrás. Em frente, haverá outro dia, surgirão outros caminhos, que hão de trazer novas conversas às vidas. Novos momentos e novas maneiras de ver. Até que tudo acabe, outra vez.

Retirado do Facebook | Mural de Mil Ghent

Não correu bem o primeiro encontro formal de Abecasis com os dirigentes do Município de Lisboa | por Joaquim António Ramos

Depois de ter sido empossado pela primeira vez, ao contrário dos presidentes em núpcias, que vão visitar os serviços como quem explora os recantos da noiva, Abecasis passou os primeiros dias a calcorrear Chelas, o “Cambodja”, a Musgueira, o Casal Ventoso, com o séquito municipal todo atrás, a bufar de cansaço e sedentos do recato do gabinete. Incomodados com as misérias humanos que nos corriam à frente dos olhos. Abecasis falava com mulheres de avental, homens sem emprego nem fundo, drogados, velhos sentados ao portal, enfim, a “baixa” de Lisboa, qualquer que fosse a razão da “baixa”: a pobreza, o abandono, a droga, a insalubridade e o desconforto das barracas onde viviam.
No dia seguinte a terminar esse périplo pelas profundezas de Lisboa, convocou os dirigentes para uma reunião conjunta no seu gabinete. Éramos poucos, os dirigentes municipais naquela altura – dez ou onze –, e eu era o mais jovem deles. Tremi perante aquela perspetiva duma primeira reunião com o novo Presidente, no meio de uns senhores impecavelmente vestidos, tecnicamente respeitados e temidos, alguns de cabelos brancos ou carecas.
Recebeu-nos no seu gabinete e mandou-nos sentar numas cadeiras previamente dispostas em duas filas. Quanto a ele, escarranchou-se no braço do sofá dourado que ocupava a parede de lado a lado, a fumar Ritz e a deixar cair a cinza por todo o lado.
“Não vos mandei vir cá para que me falem dos vossos serviços. Para já, não me interessa nada quem é das obras, do lixo ou da cultura. A minha prioridade é acabar com as barracas em Lisboa. Por isso, gostava de ouvir a vossa opinião sobre como fazê-lo. Cada um, como cidadão e dirigente, já deve ter pensado nisso. Vá, venham lá essas ideias”- desafiou, enquanto a beata de Ritz lhe caiu várias vezes para o sofá.

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Fui ao “meu” centro de saúde | Inês Salvador

Fui ao “meu” centro de saúde. Não há médico de família para mim, porque não há médicos de família em número suficiente para a população abrangida por aquele centro de saúde. Têm então uma solução, que pelo nome me pareceu inventada pelo Ricardo Araújo Pereira: “médico de família para as pessoas que não têm médico de família”. Acontece que o “médico de família para as pessoas que não têm médico de família” está de baixa. Na melhor das hipóteses terei consulta lá para Janeiro, não sendo ainda possível marcar nada.

Agora vou-me perfumar, porque depois deste post de certeza que vou ganhar um beijinho do Marcelo e quero estar bem cheirosa para a fotografia.

Não há miséria estrutural nacional que não se resolva com um beijinho do Marcelo.

Quando eu tinha quatro, cinco anos comia bolachas Maria com manteiga. Às vezes, deixava cair a bolacha e a bolacha caia sempre com a manteiga para baixo. Então, apanhava a bolacha, dava um beijinho na bolacha e continuava a comer.

Percebo agora que aos quatro, cinco anos fui quase Presidente de uma República. Uma República de bolachas, mas uma República.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

BELTERRA – Folhas de Regresso a Uma Ítaca de Lonjuras Íntimas

“Nada é para sempre(…). Mas há momentos

que parecem ficar suspensos, pairando sobre o

fluir inexorável do tempo”. (José Saramago)

 

  • Na açodado do momento, sem razão e nem porque, de imediato, a revisitada canção explode na minha mente atiçada, mal acabei de começar a ler (e de chorar, lendo) o novo livro BELTERRA de Nicodemos Sena, Editora LetraSelvagem. Jatos de música e letra: -“Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo// A morte tece seu fio de vida feita ao avesso//O olhar que prende anda solto//O olhar que solta anda preso//Mas quando eu chego eu me enredo//Nas tramas do teu desejo//O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo//A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo//O olhar que assusta anda morto//O olhar que avisa anda aceso//Mas quando eu chego eu me perco//Nas tranças do teu segredo//(…)… é hora de partir, eu vou//(Desenredo – Dorival Caymmi)

-Era o livro tomando forma em minha mente atiçada. Leitura é entrar no mapeamento das palavras, espaços e tempos. Lonjuras íntimas. Procuras. Fotos. Desenhos apalavreados de rostos e almas, nos confins. Como Homero querendo voltar para casa, o autor leva o pai para um distante caminho de volta, atrás de um eldorado que acabou sendo lágrima e dor, e, revisitando trilhas e sentenças, veios e capões, matas e pesadelos, tenta redescobrir o encoberto, tenta retrazer o curtume de um tempo chamado já-hoje, e perpassa a narrativa fluindo como linhas de cerol na alma, na saudade, na história, como se um belo caderno de viagem dizendo dessa cicatriz lixada, de um magno patriarca sofrido e ainda assim resistente e herói, de uma lágrima sedenta de lavar os vidros dos olhos, de serenar os cacos de espelhos da alma. Olhares. Páginas de lágrimas. O menino que envelheceu, o velho que quer voltar a ser menino, na pureza do olhar de um sensível e destemido filho escritor renomado, ponderando, pausando, contemplando, reinando, respeitando, admirando – ah o reencontro – clicando, repaginando um tempo antigo; o agora menino-pai tomando o pai-menino pela mão… Tempo-rei. Como não se encantar? Os dias eram assim…

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A teoria das nações, segundo o Padre António Vieira

“a primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.”

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

Puigdemont é um Trump ibérico | Carlos Matos Gomes

O que percebi do discurso de Puigdemont: A independência da Catalunha está suspensa e ele está num aperto de impotência.
A Catalunha está em modo de fake news como as lançadas das sala oval da Casa Branca por Trump. Puigdemont é um Trump ibérico.
Num gesto insólito,:o chefe libertador anuncia que autosuspende a libertação no momento em que se anuncia liberto! Afinal não estava assim muito oprimido. Ainda aguenta os sapatos de ferro e as grilhetas por mais tempo. Em vez de um grito de Ipiranga, Puigdemont murmurou: não se está aqui assim tão mal…
Nos casamentos antigos, na manhã que se seguia à noite de romper o hímen da virgindade, a mãe da noiva mostrava os lençóis ensanguentados que atestavam a consumação do acto. O Puigdemont, como noivo impotente, veio à porta anunciar que a consumação do ato fica adiada. Há que falar melhor com a noiva. Ela não abriu as pernas e ele não se chegou à frente nos finalmentes! A não consumação era antigamente motivo para declarar nulo o acto.
Puigdemont não sabe agora se é casado ou solteiro. Como assina os documentos: Presidente da Catalunha Livre e Independente? Mas a independência está suspensa. Presidente da Republica da Catalunha? Mas ele não proclamou a República.
Puigdemont é um suspenso como os presuntos e os chouriços. Um adiado como uma máquina de tirar cerveja a copo – as cañas – à espera de gás. Um profeta que assinará os seus decretos simplesmte como Moi, Carles Puigdemont, o Moi!.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Citando Pablo Neruda

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo…
Morre lentamente quem se torna escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma nova cor, quem não conversa com quem não conhece… Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho ou amor, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos…

Pablo Neruda

Che, o mito anti-imperialista e os mercenários do império | Carlos Matos Gomes | 09/10/2017

Hoje, 9 de outubro, passam 50 anos do assassinato de Che Guevara na Bolívia, dominada na época por um ditador fantoche dos Estados Unidos. Como acontece com as marcas “redondas” são mais abundantes as referências à figura e à vida do revolucionário argentino, herói da revolução cubana mas, entre todas, interessam-me as que apresentam Che Guevara como um homem execrável, um criminoso do pior calibre, merecedor da sorte que teve às mãos dos rangeres da CIA, que o assassinaram depois de o capturarem ferido e desarmado, lhe cortaram as mãos para servirem de prova da sua morte. Os artigos negros não referem geralmente estes pormenores macabros. A sua função é diabolizá-lo.

Porque recebe Che Guevara por parte dos estrategas de propaganda americana um tratamento tão distinto do de outros líderes de guerrilhas e movimentos políticos que, ao contrário dele, obtiveram sucesso e que os Estados Unidos não assassinaram? Porque gastam ainda hoje os Estados Unidos tanto dinheiro a comprar mercenários para a campanha anti-Guevara, entre os quais alguns milicianos lusos? Porque mete ainda tanto medo aos herdeiros dos que o assassinaram? Porque tem de ser tão persistentemente denegrido?

A morte de Guevara às mãos da CIA, traído por um camponês comprado pela agência americana, é um facto histórico investigado e conhecido, como conhecidas são as divergências entre militantes cubanos dos movimentos que derrubaram a ditadura de Fulgêncio Baptista em Cuba. Divergências que envolveram Guevara e Fidel de Castro. Porquê, então, esta rancorosa cruzada anual das forças ao serviço da estratégia de domínio americano contra Guevara, se ele próprio classificou como um fracasso a sua expedição ao Congo, a campanha dos simba nas margens do lago Tanganica, e expôs no seu Diário a debilidade da guerrilha que comandou na Bolívia?

Che Guevara merece este ódio por parte do poder americano, dos seus meios de guerra psicológica e contra-informação, dos aparelhos ideológicos por dois motivos: Transformou-se, goste-se ou não, numa figura mitológica do anti-imperialismo e o imperialismo, sendo a principal determinante dos jogos de poder que sujeitam os povos aos seus interesses, reage a quem o enfrenta e o desmascara. As fotografias do Che, as suas barbas, a sua boina com estrela, são as de um ícone, de um ídolo que atrai e fascina, que transmite esperança a milhões de seres humanos. Ora, os deuses inimigos têm de ser destruídos, apoucados, enlameados, mesmo em efígie.

A segunda razão para a propaganda imperial americana disparar ciclicamente contra a sua imagem tem um outro objectivo, também claro e pragmático: justificar as acções desestabilizadoras que os Estados Unidos levam a cabo no presente no Médio Oriente, na Coreia, nas fronteiras da Rússia e da China, que substituíram a coutada de intervenção exclusiva da América Central e da América do Sul dos anos 50 e 60, dos anos da guerra fria. Justificam o imperialismo do presente.

A figura de Guevara não é sagrada, pode e deve ser objeto de análise e crítica em todos os seus aspetos, pessoais e políticos, excepto o de não ser anti-imperialista, a verdadeira razão pela qual os serviçais do império o execram.

No meu novo romance, A Última Viúva de África, interessou-me o Guevara desiludido e, mais do que desiludido, de esperanças perdidas. Interessou-me entender porque perdera Guevara a luta com a realidade dos homens. Atraiu-me a heresia de juntar o revolucionário Guevara ao mercenário Scrame, do Congo, como dois comparsas vencidos, unidos pela derrota das ilusões fruto de desejos e não da razão.

A desilusão, em África:

“Che Guevara chegou ao Congo acompanhado por um grupo formado por cubanos negros, com a ilusão de estabelecer na antiga e imensa colónia belga uma plataforma contra o «imperialismo ianque» e o «neocolonialismo» que despertasse todo o continente africano.”

“O diário do Congo reflete a sua desilusão. Guevara viu a espécie humana como ela é e não como a sua ilusão de profeta a pintara. Mais perto das hienas do que dos leões, mais perto dos abutres do que das águias: O caos é aqui tão genético como os pigmentos da pele.”

“…Guevara deu por finda a tentativa de criar um foco revolucionário em África, além de ter perdido boa parte das ilusões sobre o desejo de liberdade, de independência, de justiça das massas populares africanas…”

A morte, na Bolívia:

“…a aventura boliviana do herói de Cuba decorreu ainda em condições piores do que a do Congo. Scrame revelou-me que depois de o ver morto, estendido numa mesa da escola da pequena aldeia de Higuera, e de ter lido o seu «Diário da Bolívia» acreditava que ele procurara deliberadamente o suicídio…”

”Enojou-me ver a profanação do corpo de Guevara pelo coronel chefe da polícia política, responsável pelo ultraje final da amputação das suas mãos, para os polícias americanos confirmarem através delas a identidade do guerrilheiro que os enfrentara.”

“Jean Scrame não se orgulhava da sua participação na morte de Guevara: Ele lutava por uma ideia, como eu pelo direito a ter uma terra!”

“Para homens como Scrame e Guevara a dor da derrota é maior e mais profunda porque não buscam a glória, nem lutam pelo reconhecimento do herói, mas pela paz interior de conseguirem o que entendem ser o seu dever, o seu bem, independentemente do que os outros possam pensar dos seus objectivos. A derrota é para eles um castigo e simultaneamente uma injustiça, um erro do destino que impedirá a felicidade ou a riqueza daqueles para quem trabalham. Quando não levam os seus sonhos até ao fim, sentem-se deuses falhados, que perderam uma oportunidade de conduzir os seus fiéis à Terra Prometida.”

Qual o segredo de transformar um vencido real num vencedor idealizado? O Che foi o senhor absoluto da sua luz. Os homens das trevas nunca o apagarão.

Carlos Vale Ferraz (excertos de A Última Viúva de África)

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CATALUNHA DA AUTONOMIA À INDEPENDÊNCIA | UM SONHO SECULAR Fonte: Grande Angle/La Tribune, por Carlos Fino

ANO 878 – OS ÁRABES OCUPAM A CATALUNHA

Conquistada pelos árabes no século VIII, tal como grande parte da península ibérica, a Catalunha é reconquistada por Carlos Magno no ano de 801. Em 878, quando o imperio carolíngio se desfaz, o território catalão é unificado sob a designação de Condado da Catalunha, dependente do império franco.

ANO 987 – AL MANSOUR RETOMA BARCELONA

O emir árabe Al-Mansour retoma Barcelona. O conde catalão Borell II pede ajuda à França, mas não obtém apoio, tendo que contar apenas com as suas próprias forças para se opôr ao invasor. Consequência – o laço de dependência com a França praticamente desfaz-se, tornando-se a Catalunha praticamente independente. A partir do século XI, passa a designar-se Principado da Catalunha, título que mantém até hoje.

ANO 1162 – UNIÃO COM ARAGÃO

O conde de Barcelona Afonso, o Casto, unifica os condados catalães com o reino de Aragão, que herda da mãe. Barcelona torna-se centro de um poderoso reino que vai reconquistar Valência e as Baleares aos árabes. No século XIV, os exércitos catalães são considerados dos mais poderosos da Europa. Aragão-Catalunha estendem a sua influência à Sardenha, Sicília, sul da Itália e Grécia.

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DESAFÍO INDEPENDENTISTA | El ruido y la furia de la Cataluña de los mecenas | MANUEL JABOIS in “El País”

Joan Baptista Cendrós fue un hombre tan importante en Cataluña que se convirtió en un olor. Un olor muy intenso y mentolado. Era la fragancia de la crema Floïd, after shave que Cendrós ideó en la barbería que heredó de sus padres: la exportó a 50 países y le hizo millonario. Cendrós acogía en su casa a otros hombres ricos, amigos suyos, unidos por una voluntad exquisitamente revolucionaria. Uno de ellos era Fèlix Millet i Marista, un empresario que huyó a Italia para salvar su vida en la Guerra Civil y regresó para combatir en el bando franquista. Con ellos estaba otro patricio, Lluís Carulla, que usó su conocimiento de la botica familiar para crear, junto a su esposa María Font, Gallina D’Or, que luego rebautizó como Gallina Blanca antes de inventar Avecrem. Joan Vallvé fabricaba dinero, literalmente: su factoría en Poblenou acuñaba la peseta. El quinteto lo cerraba el industrial Pau Riera, hijo de Tecla Sala Miralpeix, una empresaria de vida extraordinaria que levantó su imperio textil en un mundo de mujeres empleadas y hombres directivos.

A todos les unía el catalanismo, su voluntad de desbordar la dictadura desde el único lugar donde empezaba a correr un poco de aire: la cultura. Eran, esencialmente, mecenas. Y crearon Òmnium en el año 1961. Le inyectaron dinero, muchísimo, para abrir terminales en toda Cataluña y fomentar la lengua y la cultura catalanas. Fuera de Òmnium esa burguesía intelectual, junto otros apellidos de fuste, fundó un universo propio sobre el que orbitaría la futura Cataluña: la Nova Cancó, los premios Sant Jordi y Carles Riba, la Gran Enciclopedia Catalana, el Instituto de Estudios Catalanes, el Orfeò, el Palau, el Liceu, Banca Catalana; estuvieron detrás de los inicios de Terenci Moix y de Raimon, entre otros. Intentaron que la Academia Sueca le diese el Nobel a Salvador Espriu. Hicieron también grandes tropelías; se adueñaron del espacio, y el dominio cultural que llegó hasta el pujolismo fue de tal asfixia que Cendrós le negó el Premi d’Honor de les Lletres Catalanes, también creado por él, al escritor catalán más importante del siglo XX, Josep Pla, alegando su implicación en el franquismo. Muchos años después, Fèlix Millet hijo hizo recuento de la élite: “Somos unas cuatrocientas personas, no seremos muchas más, pues nos encontramos en todas partes y somos siempre los mismos”.

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Obras de Rita Carvalho apresentadas em Cascais | apresentação dia 5 de outubro, 18 horas, Centro Cultural de Cascais

“Papa Francisco” e “Os Três Pastorinhos”, dois livros da autoria de Rita Carvalho, têm apresentação marcada para 5 de outubro, feriado nacional, em Cascais.
O lançamento das publicações, iniciativa que conta com o apoio da paróquia local, decorre às 18:00 no Centro Cultural de Cascais. Estarão presentes a autora, Rita Carvalho, e o editor, Américo Augusto Areal, da AAA Editores. A apresentação da obra caberá ao pároco de Cascais, padre Nuno Coelho.
Para Rita Carvalho apresentar trabalhos da sua autoria na paróquia onde cresceu e reside, e com a qual mantém uma forte ligação, tem um enorme significado: “Mas estes são livros com potencial para ir muito mais além, pois falam de um fenómeno universal: Fátima, e de uma devoção que não conhece fronteiras. Além de darem a conhecer pessoas fantásticas: os Pastorinhos e o atual Papa”.
“Papa Francisco”, em venda nos principais estabelecimentos comerciais de Fátima e  livrarias católicas do país desde inícios de agosto, e “Os Três Pastorinhos”, agora editado e em breve disponível nos mesmos lugares, são mais do que livros, já que incluem a novidade da tecnologia da realidade aumentada. A realidade aumentada permite, além da leitura, o acesso a outros conteúdos, como vídeos, slideshows e textos, por meio de uma aplicação, gratuita, parasmartphones e tablets.

“São livros biográficos, escritos ao estilo jornalístico, uma vez que a minha experiência de trabalho foi como jornalista, têm uma leitura fácil de fazer e ilustrações muito cuidadas, em aguarela, da autoria de Ricardo Drumond”, sintetiza Rita Carvalho, que destaca ainda o facto de ambas as publicações incluírem referência à peregrinação do Papa Francisco a Fátima em maio último, no primeiro livro, e à canonização de Francisco e Jacinta Marto, no segundo.

“Papa Francisco” está editado em português, espanhol, inglês e italiano.
“Os Três Pastorinhos” está editado em   português, espanhol e inglês.

Porto, 26 de setembro de 2017

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes) | O Partido ‘bipolar’: uma crítica de esquerda (por Elísio Estanque)

O jornal do PCP «Avante!» decidiu dar-me a “honra” de responder a um artigo que publiquei no jornal Público (31.08.2017): Aos meus amigos peço desculpa pela longa preleção e “reprimenda” que o seu autor me dedicou. Em todo o caso, deixo o referido texto na íntegra, seguido do meu artigo (o qual pode considerar-se a minha “resposta”). Sem mais. Vale a pena ler…

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes)

O PCP, a sua história, o seu insubstituível papel na vida social e política nacional incomoda e faz inveja a muita gente. À direita e à «esquerda», nomeadamente a uma «esquerda» de que se reclama Elísio Estanque (EE) como mostra o seu artigo «O partido bipolar: uma crítica de esquerda» (Público de 31.08.17) curiosamente publicado na véspera da abertura da Festa do Avante!. Mas não fosse alguém confundir o seu escrito com uma vulgar diatribe e intriga anti-comunista apresenta-o como uma «crítica de esquerda» insinuando a autoridade de quem sabe do que fala para melhor fazer passar o propósito que percorre todo o seu artigo: introduzir a dúvida e a divisão em relação à direcção e à orientação do Partido, seja em torno da sua definição ideológica (a «velha cartilha marxista-leninista» relativamente à qual «muitos militantes comunistas se interrogam no seu íntimo») seja quanto à posição em relação à actual solução política (com a «incomodidade de sectores da «linha dura» com o facto de o partido se ter tornado “muleta» do Governo PS»).

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«O Nome dos Poemas» de Soledade Martinho Costa | por José do Carmo Francisco

Toda a Poesia (mistura de canção e reflexão) procura a síntese e no caso de Soledade Martinho Costa essa busca existe desde 1973 quando publicou o livro «Reduto». O projecto inicial da autora do livro era um desafio («Publicar poesia numa revista semanal») e data de 1999 quando os primeiros 20 poemas do volume foram publicados na Revista «Notícias/Magazine», do «Diário de Notícias». Os restantes 33 poemas estão inéditos. Dos iniciais 20 poemas, como sugestão de leitura, damos citação a dois deles: «João de Melo – Coloque-se a infância / No meio de uma ilha / Acorde-se a distância / No olhar. / Tome-se nas mãos / A neblina / Dê-se o coração / À voz do mar» ou «Isabel Silvestre – Água / Serias rio ou fonte / Regato que murmura / Entre dois lírios. / Ave / Um noitibó / Escondido / Entre as dobras de um lençol / Mas porque assim te queres / Terra e raiz / E tanto aquece / o matiz da tua voz / Só posso comparar-te / Ao próprio sol.»

Dos restantes 33 poemas uma nota especial para os poemas de Rodrigo Leão e de Maria Velho da Costa. O primeiro: «A música da chuva / Dos regatos /Das aves / E do vento / Do mar em fúria /Amante das maresias. / Ao homem /Coube ouvi-la / E copiá-la. / Juntou-lhe o coração / A alma / O génio / E conseguiu a fórmula / De todas as magias». A segunda: «Porque os tempos não eram / O que hoje são / Mais a voz se elevou / A inundar de luz a escuridão. / Rompeu feita coragem / Sem medo ao medo / a fustigar as normas / E o preconceito que regia a mulher e a Nação / No mesmo jeito / Três Marias souberam / Denunciar a palavra / Calada e ofendida / Como se fora um só nome / E uma só mão.»

Estamos em 2017, quase 20 anos passaram e os poemas continuam a surpreender como em 1999 conforme Sofia Barrocas escreve no prefácio: «Arriscaria mesmo dizer que daqui a vinte anos estaremos a lê-los com o mesmo espanto e prazer com que o fizemos da primeira vez.» Tal como no título do seu primeiro livro («Reduto») estes poemas de Soledade Martinho Costa resistem num reduto ao tempo que passa. À sua erosão, ao seu desgaste e ao seu esquecimento.

(Editora: Vela Branca, Prefácio: Sofia Barrocas, Revisão: L. Baptista Coelho, Capa: Victor Gabriel Gilbert, Separador interior: Peter Mork Monsted)

José do Carmo Francisco, escritor, poeta, jornalista e crítico literário

Poema | Nâzim Hikmet (Poeta turco)

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria das pessoas viaja na coberta dos navios
na terceira classe dos comboios
a pé pelas estradas…
A maioria das pessoas.

A maioria das pessoas começa a trabalhar aos oito anos
casa aos vinte
morre aos quarenta.
A maioria das pessoas.

Para todos há pão, salvo para a maioria das pessoas.
arroz também
açúcar também
roupas também
livros também
Há para todos, salvo para a maioria das pessoas.

Não há sombra na terra para a maioria das pessoas
não há candeeiros nas ruas
não há vidros nas janelas.
Mas a maioria das pessoas tem a esperança.
Não se pode viver sem esperança.

Nâzim Hikmet (Poeta turco)

Retirado do Facebook | Mural de José Possidónio

É urgente voltar a Marx para entender nova fase da economia, diz professor | Nick Nesbitt entrevistado por Luís Costa para a Folha de S. Paulo

Karl Marx antecipou o que ele chama de “capitalismo pós-humano”, isto é, uma dupla tendência à eliminação gradual do trabalho humano das cadeias produtivas e à precarização da força de trabalho. 

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‘Atlas do impossível’: contos surrealistas | Edmar Monteiro Filho, por Adelto Gonçalves

                                                         I

            Um livro de contos, geralmente, é o resultado da reunião de textos literários dispersos e autônomos que o autor produz ao longo dos anos, quase sempre sem um fio narrativo que os una. São também textos que escapam a qualquer critério quantitativo, ou seja, não podem ser definidos com base em sua extensão. Mas, ao contrário da novela e do romance, o conto exige, antes de tudo, a atenção concentrada do leitor para produzir nele um “efeito preconcebido, único, intenso, definido”, com observou o professor, ensaísta e investigador venezuelano Carlos Pacheco (1948-2015) em Del cuento e sus alrededores. Aproximaciones a una teoria del cuento (Caracas, Monte Ávila Latinoamericana, 1997, p. 20), com base no que dizia o poeta norte-ame ricano Edgar Allan Poe (1809-1849), para quem o “conto devia ser lido de uma assentada”.

             Atlas do impossível (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2017), de Edmar Monteiro Filho, quinto livro de contos do autor, não preenche todos esses critérios. Mas, entre os 15 relatos que o compõem, há dois que provam que a extensão em número de páginas ou palavras não é mesmo critério seguro para definir um conto. Por exemplo, o texto de abertura, “Autorretrato em espelho esférico”, tem apenas 18 linhas, enquanto aquele que encerra o volume, “Galeria”, ocupa 49 páginas, dividido em dez capítulos ou trechos, aproximando-se do que se poderia chamar de novela.

            O livro, porém, vai além. São relatos caudatários do movimento surrealista da década de 1920, liderado pelo poeta e crítico francês André Breton (1896-1966), que, tanto na pintura ou na gravura como na poesia ou na prosa, procurava incorporar elementos desconexos, formas abstratas e ideias irreais, com o objetivo declarado de escapar da lógica e da razão. Em outras palavras: levar o poder da subversão à criação.

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Hablemos de la independencia de Cataluña

Puigdemon viajaba en un avión y en el asiento de al lado iba una niña. Miró a la niña y le dijo:
—- dicen que los viajes de avión se hacen más rápidos charlando, ¿ te parece que hablemos?.
La niña le miró y cerrando el libro que tenía en sus manos, le dijo – ¿de qué le gustaría hablar?—-
Puigdemon respondió — ¿ te parece que hablemos de la independencia de Cataluña?–

–bueno– respondió la niña — pero déjeme antes hacerle una pregunta : — ¿ un caballo, una vaca y un ciervo comen lo mismo, o sea hierba, no?—

Sí– contesto el President.

—- pues bien, me puede explicar porque el ciervo caga bolitas…, la vaca hace una “plasta” y el caballo una pelota como de hierba seca…?.

Puigdemon, visiblemente sorprendido por la inteligencia de la niña y tras pensar un rato, dijo:
— pues no tengo ni idea —

A lo cual la angelical niña, le dijo:
— ¿ De verdad se siente cualificado para discutir sobre la independencia de Cataluña, cuando no puede ni opinar sobre una mierda?….

Retirado do Facebook | Mural de Luís Quintino

un joyau de notre histoire | Jamel Bachi et Alexandre Noble

Aujourd’hui je vous propose un voyage, je vous invite a découvrir un Joyau, un joyau de notre histoire, l’une des plus belle femme de tout le bassin Méditerranéen, aussi somptueuse que dangereuse…Certains disent qu’elle fut la plus belle femme de Rome, et Je ne dirai pas le contraire…Mes amis je suis fier de vous offrir la légendaire ” Cléopâtre Séléné “, la Mythique Reine de ” Césarée “…

– Une exposition archéologique frappante a réuni pour la première fois la Reine légendaire de l’antiquité, ” Cléopâtre “, et ses quatre enfants dont la plus connue, ” Cléopâtre Séléné “, Reine de ” Cherchell “…

– L’exposition tourne autour de la thèse que ” Julius César “, étant séduit par l’esprit, et la beauté de cette Reine africaine, envisageait de créer un véritable culte autour de ce personnage, en la présentant comme une Déesse, tel qu'” Aphrodite “, chez les grecs, ou ” Vénus ” chez les Romains, mais cet acte portait atteinte aux valeurs républicains de Rome, et ce fut l’une des raisons de son assassinat…

– Donc le grand Empereur fut non seulement subjugué par la beauté de la Reine des sables, mais aveuglé par son charme, au point de se faire assassiné par ses pairs !!

– ” Cléopâtre Séléné “, tout comme sa mère, joua un rôle important dans cette histoire, elle avait sans doute hérité la beauté, la fierté et la détermination de cette dernière, tout comme sa mère elle a crée un empire, réunissant les meilleures traditions du bassin méditerranéen; la philosophie grecque, la tradition du commerce des phéniciens, et la riche culture Égypte africaine…

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Citando […] | Inês Salvador

Corriam nuvens no céu como se levassem a boa nova. Ou talvez fosse só a terra a andar mais depressa por ali. Entre o tudo e o nada, uma árvore de fruto era a pérola numa ostra. Não havia pérola na ostra, foram outros os tesouros que a língua encontrou. Eva não comeu a maçã. Adão comeu uma pêra. Outra e outra vez, havia uma pêra no céu onde corriam as nuvens. Ou talvez fosse só a terra a andar mais depressa rumo ao paraíso da pequena morte que se gritou a seguir.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador